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sexta-feira, maio 25, 2018

A nova imagem de Han Solo

Alden Ehrenreich é o novo herói de Star Wars — este texto foi publicado no Diário de Notícias (24 Maio), com o título 'Alden Ehrenreich à procura da herança de Harrison Ford'.

Alden Ehrenreich, americano, nascido em Los Angeles há 28 anos, vai poder entrar na galeria dos rostos universais de Hollywood graças ao seu protagonismo no filme Han Solo: Uma História de Star Wars. Compreende-se porquê: afinal, ele surge como herdeiro directo de Harrison Ford, o actor que começou por interpretar o aventureiro galáctico Han Solo, a partir de 1977, quando George Lucas lançou, com impressionante sucesso, o universo de A Guerra das Estrelas.
Eis uma prova muito real do triunfo mediático das grandes produções sobre os filmes que, realmente, nascem de uma visão original do mundo e, em particular, do trabalho cinematográfico. De facto, Ehrenreich tem já uma filmografia de respeito: estreou-se sob a direcção de Francis Ford Coppola, em Tetro (2009), tendo também participado no admirável Rules Don’t Apply (2016), de e com Warren Beatty, sobre os anos finais do milionário Howard Hughes (1905-1976); neste caso, o filme nem sequer chegou às salas portuguesas, tendo apenas passado, de modo ultra-discreto, no cabo, com o título Excepção à Regra.
Em boa verdade, há muito que o universo Star Wars deixou de ser administrado como um conceito de aventura, dando lugar a uma máquina bem oleada de marketing. Ehrenreich não deixa de ser um talentoso actor, assumindo com serena contenção a herança de Harrison Ford. O certo é que estamos perante mais um capítulo da lógica de gestão dos estúdios Disney, desde que assumiram o controle do património da Lucasfilms — na prática, trata-se de garantir o lançamento de um título por ano. Em 2015, surgiu O Despertar da Força, episódio VII da saga original; no ano seguinte, foi a vez de Rogue One, a primeira “derivação”; no final do ano passado, estreou-se Os Últimos Jedi, episódio VIII. Agora, Han Solo: Uma História de Star Wars propõe mais uma variação, centrando-se na juventude do herói, estando agendado para Dezembro de 2019 o lançamento do episódio XIX, ainda sem título.
Convenhamos que não há muito a esperar de um empreendimento deste teor. As suas motivações principais já pouco envolvem de genuíno gosto cinematográfico, contrariando, aliás, a lógica inicial de Lucas (goste-se mais ou goste-se menos, ele foi um genuíno inovador na concepção da aventura e na aplicação das potencialidades da tecnologia). Daí que, apesar de tudo, não possamos deixar de saudar a competência tradicional que encontramos em Han Solo: Uma História de Star Wars.
Mérito de Ron Howard, sem dúvida, realizador veterano (oscarizado em 2002, por Uma Mente Brilhante) que consegue resistir à facilidade de entregar a gestão da narrativa às arbitrariedades das equipas de efeitos especiais. Há, pelo menos, algumas cenas em que as personagens não estão perdidas nos cenários digitais, dando hipótese aos actores de trabalharem um pouco, criando algumas linhas dramáticas de tensão. Perante a mediocridade de tantos filmes “juvenis”, saudemos alguém que não se esqueceu do que é o cinema.

sexta-feira, maio 04, 2018

"Star Wars" nunca existiu

1. O que é uma genuína cultura popular? Ou quando é que uma dinâmica cultural deixa de ser gerida pelos seus valores narrativos e simbólicos para passar a existir em função das opções do marketing e, genericamente, do mercado?

2. São perguntas que se justificam a propósito da atribulada existência do fenómeno Star Wars. No caso português, aliás, com um sinal inequívoco do poder normalizador desse marketing. Ou seja: a partir de certa altura, a designação "A Guerra das Estrelas" (de facto, o título oficial com que o primeiro filme da saga se estreou no nosso país) foi rasurada do espaço público — triunfou a expressão Star Wars.

3. Curiosamente, esta reconversão mercantil do produto continua a gerar resistências nos mais diversos sectores, a começar pela base de fãs que os filmes geraram em todo o mundo. Há mesmo quem trabalhe sobre as versões "modernizadas" dos primeiros títulos de Star Wars (nomeadamente nas edições em DVD e Blu-ray), criando, ou melhor, recriando os filmes com as componentes, sobretudo visuais, das primeiras cópias.

4. O que está em causa não é qualquer altercação pueril sobre os filmes "bons" ou "maus" que a saga contém — ninguém discute o seu lugar central na transfiguração técnica, temática e simbólica do cinema nas últimas décadas e, em particular, nas suas dinâmicas industriais e comerciais. O que está em causa é, isso sim, a defesa das matrizes originais das obras, aliás de acordo com o ponto de vista de George Lucas que, em 1988, a propósito da "colorização" dos filmes a preto e branco, se mostrava indignado com a manipulação da herança cultural cinematográfica, classificando-a mesmo de barbárie.

5. Há alguns meses, o jornal Le Monde produziu um video eloquente e didáctico, resumindo a complexidade de todas estas questões.

domingo, dezembro 17, 2017

"Star Wars" sem George Lucas

1977: George Lucas e Carrie Fisher
A estreia de Star Wars: Os Últimos Jedi renova uma certeza: a imaginação de George Lucas deu lugar ao imaginário da Disney — este texto foi publicado no Diário de Notícias (13 Dezembro), com o título 'O império de Lucas que se transformou em empório da Disney'.

Quando começa o novo Star Wars: Os Últimos Jedi, o logotipo da Lucasfilm envolve, de imediato, uma promessa de espectáculo com a chancela lendária de George Lucas. Goste-se muito ou goste-se pouco dos resultados, o certo é que aquelas letras brilhantes e elegantes definem um universo criativo com regras e temas muito próprios.
Seja como for, há uma distância considerável entre tal imagem de marca e as condições de produção em que Star Wars passou a existir. Podemos medi-la através de um número muito concreto: 4,06 mil milhões de dólares (perto de 3,5 mil milhões de euros), precisamente o valor que a Walt Disney Company pagou, em 2012, para adquirir a Lucasfilm.
Não vale a pena sermos demasiado moralistas mas, de facto, algo mudou. Desde logo, a proliferação de sequelas e derivações, com a Disney a estabelecer um verdadeiro plano quinquenal pós-Lucas para gerir o universo Star Wars: um primeiro filme em 2015 (episódio VII), outro em 2017 (episódio VIII, este que agora se estreia) e a conclusão em 2019 (episódio XIX); pelo meio, dois títulos autónomos: Rogue One: Uma História de Star Wars (2016) e Solo: A Star Wars Story (agendado para 2018).
O mais desconcertante é que podemos também considerar o lançamento do primeiro Star Wars, em 1977 como uma ruptura de George Lucas com... George Lucas (numa altura em que não havia preconceitos contra o português, tendo-lhe sido dado o título A Guerra das Estrelas). Na verdade, o homem que viria a criar um dos maiores impérios de produção da história do cinema começou por ser um típico, e muito talentoso, autor da geração dos “movie brats” (Coppola, Scorsese, Spielberg, etc.), apostado em fazer filmes eminentemente pessoais e intimistas.
Estreou-se com uma história de ficção científica de austero orçamento, THX 1138 (1971), num registo bem diferente, visceralmente trágico, daquele que aplicaria na sua saga inter-galáctica [trailer]. Depois, dirigiu American Graffiti (1973), uma deambulação romanesca em torno das vivências da sua própria adolescência, à descoberta de um novo entendimento do amor e da sexualidade pontuado por canções de Chuck Berry, The Platters ou The Beach Boys.
Dir-se-ia que Lucas desistiu de ser um criador confinado ao estatuto de realizador, apostando na consolidação e desenvolvimento da próprio tecnologia que os seus filmes ajudaram a experimentar. As empresas Skywalker Sound (estúdios de som) ou Industrial Light & Magic (efeitos especiais), inicialmente integradas na Lucasfilm, ajudam hoje a definir o empório da Disney como uma das mais poderosas máquinas de produção de Hollywood.
Pelo meio, Lucas envolveu-se em projectos com o seu amigo Spielberg, com destaque para Os Salteadores da Arca Perdida (1981), baseado numa história que escrevera com Philip Kaufman, tendo estado também ligado à produção de títulos como Kagemusha (Akira Kurosawa, 1980) ou Tucker (Francis Ford Coppola, 1988). Se quisermos ser românticos, podemos perguntar que cineasta ele seria se tivesse continuado a fazer filmes de pequeno orçamento.

sexta-feira, dezembro 15, 2017

O desaparecimento de "Star Wars"

Que está a acontecer com os primeiros filmes da saga "Star Wars", em particular o título fundador, lançado em 1977? Pois bem, num certo sentido, estão a desaparecer: as sucessivas intervenções digitais, apagando ou acrescentando elementos das imagens (e da banda sonora), modificaram muitas cenas das primeiras três longas-metragens (episódios IV, V e VI):
De tal modo que há fãs da saga que, em nome da preservação das características dos originais, se empenham em reconstituir as versões com que os filmes foram lançados nas salas (antes das modificações "impostas" pelas edições em DVD e Blu-ray). O assunto é tanto mais interessante quanto reflecte as perplexidades inerentes a qualquer processo de preservação e restauro do património cinematográfico — neste caso, aliás, com a contribuição contraditória do próprio George Lucas que autorizou tais intervenções depois de, nos anos 80, ter condenado com veemência a "colorização" de clássicos de Hollywood.
O jornal Le Monde fez um esclarecedor ponto da situação — eis o respectivo video, sob o mote: "Porque já não é possível ver a primeira trilogia na sua versão original".

domingo, novembro 19, 2017

FNAC: Star Wars & etc. [balanço]

A estreia próxima de um novo título da saga Star Wars serviu de pretexto para mais uma edição do nosso Magazine, na FNAC do Chiado. Em jeito de muito breve balanço, aqui ficam imagens de três dos títulos evocados, ilustrando marcas específicas de épocas bem diferentes. São eles:
Metropolis (1927), de Fritz Lang;
O Dia em que a Terra Parou (1951), de Robert Wise;
Debaixo da Pele (2013), de Jonathan Glazer.
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* O próximo SOUND + VISION MAGAZINE terá como tema:
Twin Peaks & David Lynch
(FNAC, 16 Dez., 18h30)
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sábado, novembro 18, 2017

Star Wars & etc.
— SOUND + VISION Magazine, FNAC [hoje]

O novo Star Wars: Os Últimos Jedi chega a 14 de Dezembro. É um bom pretexto para, antes da estreia, reorganizarmos as memórias, não apenas da saga criada por George Lucas, mas também da grande tradição cinematográfica (e não só) da ficção científica — será o tema do próximo SOUND + VISION Magazine, na FNAC.

* FNAC: Chiado, hoje, 18 Novembro (18h30)

quarta-feira, dezembro 21, 2016

Para ler: o debate ético que 'Rogue One' pode levantar


A utilização de técnicas de recriação digital - semelhantes à usadas em tantos filmes do nosso tempo - usada em Rogue One para ali fazer surgir várias personagens tal e qual as conhecíamos em A Guerra das Estrelas (1977) pode levantar um debate ético. Sobretudo com a figura de Moff Tarkin, um dos vilões mais célebres de Star Wars, que era então interpretado por Peter Cushing, ator que morreu em 1994.

Há no Guardian uma reflexão interessante sobre este debate.

sexta-feira, dezembro 16, 2016

"Star Wars" na casa do Rato Mickey

Chegou mais um título com a marca Star Wars, agora integrada nos estúdios Disney — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 Dezembro), com o título 'Aventuras do Rato Mickey'.

A saga da Guerra das Estrelas é um daqueles fenómenos que, como é hábito dizer-se, possui uma legião de fãs... Ora, tal facto pode alimentar muitas secções de curiosidades, mas pouco nos diz sobre um tema realmente interessante. A saber: neste, como noutros fenómenos, como encarar a pluralidade do público?
Que está, então, a acontecer? Algo de estranhamente paradoxal. O episódio VII, O Despertar da Força (2015), realizado por J. J. Abrams, era um objecto enérgico, capaz de relançar algumas matrizes mitológicas de George Lucas e, em particular, criar uma verdadeira personagem dramática, Rey, interpretada por uma notável actriz inglesa, de seu nome Daisy Ridley.
Agora, em Rogue One, repete-se a celebração de uma figura feminina, Jyn Erso, esforçadamente assumida por Felicity Jones, mas a actriz não tem nada de suficientemente denso para defender. Prevalece, assim, uma antologia de “situações” (incluindo o longuíssimo e monótono combate que ocupa o núcleo do filme) que se confundem com variações menores de banal jogo de vídeo, de tal modo privilegiam a “agitação” visual contra a intensidade do drama.
Lembremos, por isso, que há já uma ou duas gerações de espectadores cuja visão (do espectáculo, precisamente) foi formada pelos jogos de vídeo. Não é um problema de maior ou menor inteligência, mas sim algo que envolve um complexo factor identitário: a disponibilidade do olhar. Não se pode esperar, por exemplo, que um espectador “apenas” formado por tais parâmetros visuais e narrativos se interesse (por si só) pela vertigem perturbante de Lágrimas e Suspiros (1972), de Ingmar Bergman...
Agora que a saga pertence ao império Disney, será que o estúdio do Rato Mickey corre o risco de tornar asséptico aquilo que era já um capítulo à parte na história da cultura popular? A requintada concepção de alguns cenários e, sobretudo, o esforço do compositor Michael Giacchino no sentido de assumir a herança de John Williams são factores relevantes [audio: The Imperial Suite]. Resta saber se alguém se esqueceu que o elemento mais visceral da herança de Lucas é o gosto de contar histórias.

sexta-feira, setembro 30, 2016

Para ler: Que futuro para Star Wars depois de JJ Abrams?

Uma reflexão publicada no The Guardian questiona as implicações do que o realizador do Episódio VII colocou perante os cenários de futuro do franchise.

Podem ler aqui


segunda-feira, junho 27, 2016

Para ler: algumas revelações
sobre "Rogue One: a Star Wars Story"


Um especial da Entertainment Weekly apresentou uma série de revelações sobre o filme Rogue One, o primeiro do universo Star Wars a nascer além do espaço natural da saga.

O Guardian sistematizou as novidades. Podem ler aqui.

sexta-feira, dezembro 18, 2015

"Star Wars": elogio dos actores

Star Wars está mesmo de volta — esta nota foi publicada no Diário de Notícias (17 Dezembro), com o título 'Elogio das personagens'.

Vale a pena fazer um esforço para além dos efeitos mais simplistas induzidos pelo poder planetário do marketing. Não se trata, de facto, de reabrir a guerra estúpida entre cinema "comercial" e filmes de "autor", mas sim de avaliar de que modo J. J. Abrams retoma a herança de George Lucas, em particular da trilogia inicial de Star Wars (sendo a segunda claramente menor). Em Star Wars: O Despertar da Força nem sempre se terá evitado um certo efeito de "videojogo", hoje em dia dominante em muitas grandes produções. O certo é que este VII episódio, ainda que preservando a nostalgia dos heróis do passado, consegue criar uma nova galeria de personagens que refazem os dramas (familiares, antes do mais) de aventuras anteriores, deixando as necessárias pontas soltas a ser retomadas nos episódios seguintes. Destaque absoluto para Daisy Ridley (inglesa, 23 anos), intérprete de Rey, afirmando invulgares qualidades de interpretação — não tenhamos dúvidas que a sua história cinematográfica irá projectá-la muito para além desta galáxia.

quinta-feira, dezembro 17, 2015

A força despertou! Mesmo!


Acabou a travessia do deserto em que andava o universo Star Wars!

E hoje escrevi:

"Foram meses de espera, teaser após teaser, o trailer mais adiante e depois os mais curtos spots. As imagens iam apresentando personagens novas, recuperando velhas caras, mostrando novos espaços, recordando objetos, sublinhando sobretudo que a lógica do poderio digital em registo mais próximo do videojogo em que tinham vivido os filmes da segunda trilogia era coisa para esquecer. Falar do novo Star Wars: O Despertar da Força implica começarmos por aqui. Porque foram estas as primeiras janelas que se abriram, alimentando as esperanças de que os valentes tropeções das prequelas medíocres que o próprio George Lucas comandou a partir de 1999 não seria coisa a repetir-se por aqui… Agora, visto o filme, há que antes de mais elogiar o trabalho de quem fez os trailers e tesers… Porque ao contrário de tantos outros que temos visto nos últimos tempos, verdadeiras versões condensadas dos filmes, aqui nada da trama foi de facto sugerido. Despertou-se o apetite sem sequer desvendar um pedacinho da narrativa. Pelo que a “força” uma vez mais está com a história (e não com o arsenal digital). E convenhamos que há muito que um filme chegava a sala sem que a curiosidade fosse estragada por spoilers. E agora o filme. Sim, e que filme!"

Podem, ler aqui o que penso sobre o filme.

Hollywood sob o signo de "Star Wars"

J. J. Abrams
As notícias da ante-estreia, em Los Angeles, do novo episódio de Star Wars traduzem uma ideia básica: Hollywood está com o despertar da Força — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Dezembro).

A Força está com os herdeiros de George Lucas? Podemos apostar que sim. De tal modo que a narrativa da primeira projecção oficial de Star Wars: o Despertar da Força, em Los Angeles, só podia ser a crónica de uma apoteose anunciada. O repórter do Los Angeles Times não resistiu a começar o seu texto em tom brincalhão: “A muito aguardada ante-estreia (...) realizou-se na segunda-feira à noite — e Hollywood apareceu em força (desculpem, mas já sabiam que tinha de ser)”.
Mesmo tendo em conta os padrões espectaculares da indústria americana e, em particular, dos estúdios Disney (proprietários da Lucasfilm, entidade produtora deste episódio VII e dos que se seguirão), a ante-estreia foi reconhecida como um evento de excepção pelos media americanos. Assim, foram realizadas projecções simultâneas nas três salas emblemáticas do Hollywood Boulevard — Dolby Theatre (palco habitual dos Oscars), TCL Chinese Theatre e El Capitan Theatre — para mais de cinco mil convidados. E se o aparato de segurança também pode caracterizar um acontecimento deste género, valerá a pena dizer que a polícia de Los Angeles mobilizou meia centena de agentes (tal como costuma acontecer em noite de Oscars).
Steven Spielberg
George Lucas e J. J. Abrams, respectivamente o criador da saga e o realizador do novo filme, foram as vedetas da noite. Em qualquer caso, Abrams (que tem entre mãos a produção de mais um episódio de Star Trek, agora com realização de Justin Lin) não deixou de agradecer a outro cineasta, também presente na ante-estreia, decisivo na sua escolha para dirigir O Despertar da Força — é ele Steven Spielberg.
Abrams e Harrison Ford (que retoma a figura heróica de Han Solo) foram os mais solicitados pelos fãs. Acompanhavam-nos os outros membros lendários do elenco, Mark Hamill (Luke Skywalker) e Carrie Fisher (Princesa Leia), a par da nova vaga de intérpretes: Adam Driver e Oscar Isaac, já relativamente conhecidos do grande público, e ainda os “novatos” Daisy Ridley e John Boyega, ambos nascidos em Inglaterra. Entre os convidados, estavam cineastas como Spike Lee, Michael Bay e Ava DuVernay, os actores Matthew McConaughey, Geena Davis, Rob Lowe, Sofia Vergara e Joseph Gordon-Levitt (vestido de Yoda, com o rosto pintado de verde), e ainda John Lasseter, director criativo da Pixar, Jeffrey Katzenberg, presidente dos estúdios de animação da DreamWorks, e o produtor musical Quincy Jones.
É bem verdade que, em pouco mais de 72 horas, o filme será conhecido por milhões de espectadores em todo o mundo — Portugal é um dos países em que a estreia ocorre na quinta-feira, com algumas salas a organizar sessões logo à passagem da meia-noite (dos maiores mercados mundiais, só a China esperará até 2016, com o lançamento agendado para 9 de Janeiro). De qualquer modo, a Disney solicitou aos meios de comunicação americanos um embargo até quarta-feira, esperando, em particular, não ter surpresas desagradáveis com a vida “social” nas redes da Internet. As primeiras reacções, nomeadamente no Tweeter, respeitavam o pedido da Disney, predominando um tom de inequívoco entusiasmo. Brett Morgen, realizador do recente documentário sobre Kurt Cobain (Cobain: Montage of Heck) surgiu como uma das vozes mais arrebatadas, rotulando o novo episódio de Star Wars como “o melhor blockbuster desde o original”.
Os grandes testes cinematográficos e industriais começam agora. Primeiro, trata-se de saber se há, de facto, uma renovação geracional na base de fãs da saga; depois, no contexto de Hollywood, está em jogo o investimento galáctico da Disney (que comprou a Lucasfilm por 4 mil milhões de dólares) e, em particular, a gestão do seu presidente, Robert Iger (acusado por alguns analistas de ter pago um preço excessivo). Nas páginas da Variety, publicação de referência da indústria do entertainment, especula-se sobre a possibilidade de O Despertar da Força superar as receitas globais de Avatar (quase 2,8 mil milhões de dólares): “Tendo em conta a reacção da multidão na segunda-feira à noite, a força foi, realmente, despertada.”

quarta-feira, dezembro 16, 2015

O marketing planetário de "Star Wars"

A chegada do episódio VII de A Guerra das Estrelas é um fenómeno transversal no mercado global do cinema — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 Dezembro), com o título 'Saga “Star Wars” põe em marcha um marketing planetário'

Algures, num recanto escondido das estepes da Ásia central, haverá ainda um espectador incauto que não sabe que esta semana o filme Star Wars: O Despertar da Força vai ocupar os ecrãs de todo o mundo... Não tenhamos dúvidas: esse espectador solitário só pode ser um extraterrestre que desembarcou acidentalmente no nosso planeta. De facto, desde que, em Janeiro de 2013, J. J. Abrams foi anunciado como realizador eleito para o relançamento da saga de George Lucas, é impossível ignorar que vêm aí herdeiros de Darth Vader (ou o próprio?...). Isso tem um nome: marketing.
Kathleen Kennedy
O cérebro do marketing do episódio VII de Star Wars é uma velha aliada de Lucas, e também de Steven Spielberg: Kathleen Kennedy, figura de topo de Hollywood, presidente da Lucasfilm desde a sua aquisição, em 2012, pelos estúdios Disney. O seu nome está ligado a uma lista imensa de títulos de sucesso, desde a saga de Indiana Jones até à trilogia de Regresso ao Futuro.
Sendo a marca “Star Wars” de tal modo forte e universal, importava adoptar uma estratégia de alguma prudência. Em entrevista a The Hollywood Reporter (9 Dez.), Kennedy refere mesmo que, há cerca de ano e meio, começaram por fazer uma lista, muito estrita, dos eventos californianos em que era fundamental marcar presença ao longo de 2015. A saber: a Convenção Star Wars, na cidade de Anaheim (Abril); a Comic-Con, em San Diego (Julho); e a exposição D23, do Clube de Fãs da Disney, de novo em Anaheim (Agosto).
Seja como for, a contenção de despesas do marketing é muito relativa. Pondo em prática uma regra consolidada, precisamente, através de filmes como a trilogia inaugural de Star Wars, lançada entre 1977 e 1983 (na altura, em Portugal, o mercado ainda usava a expressão A Guerra das Estrelas), o orçamento para a difusão de empreendimentos desta dimensão tende a ser, no mínimo, igual ao da rodagem: estimativas divulgadas pela imprensa dos EUA apontam para 200 milhões de dólares de produção, com mais de 220 milhões para as fases seguintes (desde a fabricação das cópias até às mais diversas formas de publicidade).
A exibição do filme terá um trunfo decisivo na exploração do circuito IMAX, as salas de ecrãs gigantes e sofisticados sistemas sonoros que parecem estar a revitalizar o gosto das superproduções da década de 60 (Lawrence da Arábia, Doutor Jivago, etc.), rodadas em película de 70mm (o novo filme de Quentin Tarantino, The Hateful Eight, a estrear no dia de Natal nos EUA, será mesmo um caso singular de revivalismo, já que foi rodado nessa película). Só nos EUA, O Despertar da Força surgirá em 390 ecrãs IMAX (mais quatro centenas no resto do mundo), cerca de duas dezenas mais do que aconteceu no Verão com Missão Impossível: Nação Secreta.
Na estratégia coordenada por Kathleen Kennedy, nada disto é arbitrário. Os primeiros números testemunham, aliás, a sua eficácia: no dia 20 de Novembro, o Wall Street Journal noticiava que a venda antecipada de bilhetes para as salas dos EUA tinha atingido o valor recorde de 50 milhões de dólares. Entretanto, em Portugal, ao fim da tarde de segunda-feira, já havia 40 mil bilhetes vendidos.
O que está em jogo implica, claro, a gestão da herança de George Lucas (que, em qualquer caso, se tem mantido distante das tarefas ligadas ao lançamento do filme). Mas envolve também o prestígio e, por certo, o investimento da Disney na reconversão da Lucasfilm (pela qual pagou 4 mil milhões de dólares). De tal modo que Kennedy sublinha o facto de estar em marcha “um plano estratégico” de análise das histórias da trilogia que arranca agora com O Despertar da Força, visando o episódios VIII e IX, agendados para 2017 e 2019. Nessa altura, mesmo um espectador chegado de outra galáxia não ficará surpreendido porque, entretanto, a ante-estreia terá ocorrido, quem sabe, num planeta muito, muito distante...

sexta-feira, novembro 20, 2015

Para ler: Star Wars e Hollywood

Em contagem decrescente para a estreia de Star Wars: The Force Awakens, vale a pena ir lendo estas reflexões sobre este universo levantando outros pontos de vista.

Podem ler aqui um novo texto no Guardian.

De George Lucas aos estúdios Disney

Seja como for o novo título da saga Star Wars, com ele inicia-se um capítulo em que a marca Disney passa a ter um papel fundamental — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 Novembro), com o título 'Como é que a Disney vai gerir a saga de George Lucas?'.

Quando foi convidado para a dirigir o novo episódio da saga criada por George Lucas — Star Wars: O Despertar da Força, estreia 17 Dezembro —, J. J. Abrams hesitou. O convite da Lucasfilm, empresa agora integrada no império Disney, chegou-lhe através Kathleen Kennedy, velha aliada de Lucas e também de Steven Spielberg (nomeadamente na produção dos filmes de Indiana Jones). Na altura envolvido na pós-produção de Star Trek: Além da Escuridão (2013), Abrams não pôde deixar de sentir que lhe pediam para retomar uma herança totalmente ligada ao encantamento da sua própria infância — nascido em 1966, tinha 11 anos quando descobriu as aventuras inter-galácticas de Luke Skywalker (Mark Hamill), Han Solo (Harrison Ford) e Princesa Lea (Carrie Fisher). Em declarações à revista britânica Empire, deixou mesmo este desabafo: “Nunca é bom aproximar-nos demasiado daqueles que são, historicamente, os nossos ídolos. Era qualquer coisa de tão próximo e tão íntimo que a ideia do meu envolvimento, francamente, me pareceu algo perigosa.”
J. J. Abrams
O certo é que o acordo se estabeleceu, podendo Abrams prolongar, assim, uma carreira de sucessos nas áreas de realização (Missão Impossível 3, 2006), produção (a série televisiva Perdidos, 2004-10) ou escrita de argumentos (O Regresso de Henry ou Armageddon, respectivamente de 1991 e 1998). Mais do que isso: o lançamento de Star Wars: O Despertar da Força, primeiro de três novos episódios de uma das sagas mais rentáveis de toda a história do cinema, envolve dramáticos desafios financeiros e simbólicos para a máquina de Hollywood. E o envolvimento dos estúdios Disney não será o menor deles: conseguirá a casa do Rato Mickey manter a chama (entenda-se: a performance comercial) do universo herdado de Lucas?
É bem verdade que as campanhas que envolvem produtos deste género tentam fabricar a ideia de que tudo acontece num universo global unificado por fãs em delírio em todos os cantos do planeta... Mas bastará lembrar os valores de tais campanhas para compreendermos que Hollywood joga, aqui, alguns dos seus trunfos mais fortes (e também financeiramente mais arriscados). O orçamento de 223 milhões de dólares para a chegada de Star Wars: o Despertar da Força às salas de todo o mundo (incluindo acções de marketing e custo de cópias) é superior ao da própria produção do filme (que terá fica em cerca de 200 milhões).
George Lucas
Muita coisa mudou desde que, em 1977, Lucas, com o primeiro Star Wars (entre nós ainda lançado com a adequada tradução portuguesa: A Guerra das Estrelas), se transformou numa das personalidades mais poderosas do audiovisual americano. Ironicamente, o projecto começou por não ser acarinhado pelos grandes estúdios, a ponto de a Universal ter voltado atrás no compromisso de produzir American Graffiti e o primeiro Star WarsAmerican Graffiti foi concretizado (segunda longa-metragem de Lucas, logo após o premonitório THX 1138), o segundo viria a ser apoiado pela 20th Century Fox.
Na altura, Lucas e Spielberg impuseram-se como líderes criativos de um novo conceito industrial, os blockbusters (ainda hoje dominante nos mercados de todo o planeta). O seu funcionamento obedece a três regras fundamentais: um investimento promocional igual ou superior ao da própria produção; lançamentos massivos que visam, antes de tudo o mais, uma grande concentração de receitas nas primeiras duas ou três semanas de exibição; enfim, um apelo cada vez maior às faixas etárias infantis e juvenis (que passaram a ser a presença dominante nas salas escuras).
Em 2012, quando a Lucasfilm foi vendida à Disney, Lucas resumiu assim o fim de um capítulo da sua existência: “Ao longo de 41 anos, a maior parte do meu tempo e dinheiro foi para a companhia. Agora que inicio um novo capítulo na minha vida, é gratificante poder ter a possibilidade de dedicar mais tempo e recursos à filantropia.” Ele será, por certo, um dos convidados de honra na ante-estreia do novo Star Wars, agendada para 14 de Dezembro, em Los Angeles. Seja como for, estará em jogo a consolidação de uma nova geração de Hollywood e também, afinal, de uma nova vaga de espectadores.

terça-feira, dezembro 16, 2014

As imagens de 2014:
O trailer de 'Star Wars VII'


Oitenta segundos que acabam por integrar a história do que o cinema nos deu a ver em 2014. É certo que o filme só chega daqui a um ano, mas o (muito aguardado) primeiro trailer - na verdade é um teaser - do filme que reativará a saga Star Wars não só teve o impacte esperado, como gerou uma série de reflexões (e deduções) sobre o que em 2015 poderemos ver no grande ecrã. Sendo certo que um trailer não é um filme e uma dedução não é mais que isso, dos segundos de imagens que vimos podemos esperar que o filme realizado por J.J. Abrams esteja não só mais próximo da economia de elementos cénicos da trilogia original (não confundir com as versões afogadas em efeitos que infelizmente ganharam peso de cânone e são as que têm vida em suporte Blu-ray), como recupera elementos da mitologia Star Wars (do Millenium Falcon ao que parece ser a aparente presença do planeta-casa de Luke Skywaker, sem esquecer os X-Wing e TIE fighters da praxe). Além disso, o (muito discutido) light sabre (ok, sabre de luz) em forma de cruz deixa claro que J.J. Abrams não trata a memória Star Wars como santos de altar, pelo que podemos estar preparados para esta e outras novidades... Parece que vai valer a pena esperar pelo que aí possa vir.

PS. Podemos lembrar que em Super 8 J.J. Abrams apresentou um dos mais interessantes filmes de aventuras dos últimos anos e que, nos dois episódios de Star Trek que assinou mostrou como sabe dar nova vida a um velho frachise. "Preconceito" favorável por aqui, confesso.

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Para ler: o que aprendemos ao ver
o primeiro 'teaser' de 'Star Wars 7'?

Muitas leituras e interpretações surgiram na sequência dos 80 segundos que constituem o primeiro teaser do novo filme da saga Star Wars (que terá estreia em sala daqui a precisamente um ano, em dezembro de 2015). O Guardian apresentou um olhar arrumado de conclusões possíveis segundo o que as imagens sugerem. 

Podem ler aqui o texto.

sexta-feira, novembro 28, 2014

E chegou o primeiro 'teaser' de 'Star Wars 7'



Pode um teaser ser um dos acontecimentos do ano cinematográfico? Sim, se for o momento em que começamos a ver o que será a reativação de uma das mais importantes sagas da história do cinema... O filme Star Wars: The Force Awakens, só estreia em 2015... Mas a força começa a despertar aqui.

sexta-feira, julho 25, 2014

Para ler (e ver): Mark Hamill fala da rodagem
do 'Episódio VII' de 'Star Wars'

Por ocasião da estreia de Guardians of The Galaxy a BBC falou com o ator Mark Hammil, que retoma o papel de Luke Skywalker no novo filme Star Wars que tem estreia marcada para 2015. Hamill dá a entender que o filme estará mais focado nas novas personagens que nas que com ele viveram a trilogia original há três décadas. Ao que parece Luke terá uma barba...

Podem ler aqui a notícia, com a entrevista em vídeo.