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segunda-feira, julho 20, 2026
terça-feira, janeiro 27, 2026
A morte de Alex Pretti
[video do New York Times]
Tempos terríveis estes em que o poder das imagens tende a baralhar todos os dados de todas as formas de percepção, por vezes diluindo o real num perverso sonambulismo informativo. Eis um exemplo bem diferente, do New York Times, analisando as terríveis circunstâncias em que Alex Pretti foi morto, em Minneapolis, por elementos da United States Border Patrol — bem diferente da automática acumulação de imagens, eis um jornalismo que se faz, realmente, a partir da metódica análise das imagens e dos elementos informativos que nelas se podem colher.
domingo, janeiro 25, 2026
A IMAGEM: Angelina Katsanis, 2026
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| ANGELINA KATSANIS Soldados da United States Immigration and Customs Enforcement (ICE) New York Times, 25 janeiro 2026 [imagem publicada com o artigo de Opinião 'State terror has arrived', de M. Gessen] |
quarta-feira, janeiro 21, 2026
Macron/Trump, como num filme
Uma sugestiva metáfora política? Ou a redução do trabalho político a um vulgar filme de série B para ocupação do tempo televisivo? A capa do Libération possui as qualidades e os limites do nosso consumo quotidiano de informação — somos agentes activos da vida política ou espectadores incautos de um thriller que ninguém escreve, mas todos vão produzindo?
segunda-feira, dezembro 29, 2025
Brigitte Bardot (1934 - 2025)
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| O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard |
Falecida no dia 28 de dezembro de 2025, contava 91 anos, Brigitte Bardot deixa o legado de alguém que nunca encarou o cinema como um "destino" (afinal de contas, abandonou os filmes em 1973, para se dedicar à defesa dos direitos dos animais). O que, entenda-se, não a impediu de ficar ligada a um símbolo das transfigurações do feminino nas décadas de 1950/60, através do filme E Deus Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim; e também de encarnar uma figura etérea e indecifrável no filme da Nouvelle Vague que mais e melhor condensou a nostalgia dos clássicos e as convulsões da modernidade, ou seja, O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard. A sua personagem chamava-se Camille e este é o "Thème de Camille", da banda sonora original composta por Georges Delerue — Orquestra Nacional de Lille, maestro Dirk Brossé.
>>> Site oficial da Fundação Brigitte Bardot.
>>> Memórias na revista Elle.
>>> Obituário no jornal The Guardian.
>>> Evocação de Brigitte Bardot no Diário de Notícias [JL].
sexta-feira, outubro 03, 2025
A IMAGEM: Debbie Millman, 2025
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| DEBBIE MILLMAN / NYT "O momento Luís XIV de Trump" 3 outubro 2025 |
terça-feira, setembro 09, 2025
A IMAGEM: Niranjan Shrestha, 2025
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| NIRANJAN SHRESTHA / New York Times Protestos em Kathmandu, capital do Nepal 09 set. 2025 |
domingo, agosto 17, 2025
20 anos na companhia de Vladimir Putin
Com produção de Adam Westbrook, eis um video do New York Times sobre os jogos diplomáticos de e com Vladimir Putin. Publicado há cerca de três anos, nele se faz o balanço breve (3 min.), mas eloquente, das relações dos líderes do "mundo ocidental" com o novo czar russo — vale a pena rever, atentamente. Para contrariar, pelo menos, a ideologia televisiva que tende a resumir a complexidade do mundo através do que aconteceu nas últimas 24 horas...
sábado, agosto 16, 2025
A IMAGEM: Saher Alghorra, 2025
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| SAHER ALGHORRA / New York Times Campo de deslocados numa praia de Gaza 2025 |
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Fotografia,
História,
Imagens,
Jornais,
Política
domingo, agosto 10, 2025
Facebook: do virtual aos dramas muito reais
Para Sarah Wynn-Williams, o trabalho no Facebook começou como uma utopia, para desembocar numa cruel frustração. No seu livro Careless People, a rede social de Mark Zuckerberg surge como uma empresa em que os mecanismos de procura de lucro estão longe de ser saudáveis — este texto foi publicado no Diário de Notícias (29 julho).
Como evoluiu a Internet nas últimas duas décadas? Entre as respostas possíveis, das mais radiosas às mais inquietantes, nenhuma pode ignorar a história do Facebook. Tendo chegado recentemente aos 3 mil milhões de utilizadores, talvez possamos resumir o seu peso virtual (mas muito concreto) através de um contraste esquemático. Assim, logo após a sua fundação, em 2004, a rede social de Mark Zuckerberg foi celebrada por vozes de muitos quadrantes (incluindo o espaço político) como o paraíso de todas as comunicações — de repente, era possível praticar uma partilha global de mensagens que garantia a pureza virginal e ecuménica de uma humanidade milagrosamente pacificada.
Depois, o Facebook passou a ser associado a dramas muito reais, como tal questionado e investigado, dramas envolvendo conteúdos que vão desde formas de difamação de pessoas LGBT até à repressão da minoria muçulmana em Myanmar, passando pelo processo (social, justamente) que transformou Donald Trump em presidente dos EUA.
Lembremos um dos ecos artísticos de tudo isso: em 2010, David Fincher realizou o filme A Rede Social, uma das obras-primas que Hollywood gerou neste século XXI, abordando o nascimento do Facebook como uma pueril religião da comunicação “sem contradições”, afinal enraizada numa clássica estratégia de negócio e multiplicação de lucros. Construído a partir de um argumento assinado por Aaron Sorkin (que lhe valeu um Oscar), o filme tinha como base o livro The Accidental Billionaires (ed. Doubleday, 2009), de Ben Mezrich (a edição portuguesa, Milionários Acidentais – A Fundação do Facebook, surgiu em 2010, com chancela da editora Lua de Papel).
Em 2021, Sheera Frenkel e Cecilia Kang, jornalistas do New York Times, publicaram An Ugly Truth (ed. The Bridge Street Press), notável investigação sobre a “batalha pelo domínio” comunicacional do Facebook (a tradução portuguesa, com o título Manipulados, foi lançada em 2022 pela editora Objectiva). Agora, podemos descobrir uma genuína crónica intimista, contada por Sarah Wynn-Williams que viveu sete anos da sua vida profissional no interior do Facebook — chama-se Careless People (ed. Macmillan) e, ao longo dos meses de maio/junho, passou seis semanas na lista de “best-sellers” do New York Times.
Nascida na Nova Zelândia, a autora trabalhou na embaixada do seu país em Washington, tendo entrado para o Facebook em 2011, em pouco tempo ascendendo ao cargo de coordenadora da estratégia global da empresa (“global public policy”). A sua experiência diplomática ajudou-a a abrir vias de diálogo com os poderosos deste mundo. O certo é que aquilo que começou por ser a realização de um sonho, rapidamente se transformou em pesadelo, primeiro por causa da desorganização quase burlesca que encontrou, depois descobrindo-se como peça incauta de um xadrez cujo “ponto de fuga” era sempre a figura intocável de Mark Zuckerberg. Muito cedo deparou com uma centralização que, mais do que empresarial, decorria de uma “psicologia” bizarra: “Foi-me gentilmente sugerido que, sendo Mark um ingénuo político, não é do interesse da companhia colocá-lo em encontros com chefes de estado”.
O livro é tanto mais interessante, até mesmo emocionalmente envolvente, quanto Sarah Wynn-Williams não está a defender uma “tese”, mas sim a percorrer memórias de uma experiência pessoal iniciada em tom utópico para desembocar numa cruel frustração. Daí os elementos pessoais da narrativa, desde logo a experiência da gravidez vivida durante os primeiros tempos no Facebook, a par de diversos dados perturbantes, incluindo a descoberta da partilha de informações sobre novos recursos de inteligência artificial com o Partido Comunista da China, “apenas” para garantir uma maior abertura do mercado chinês ao Facebook. Seja como for, a história de Careless People também não acaba aqui, já que a Meta (proprietária do Facebook), além de denunciar aquilo que considera as “mentiras” da autora, interpôs uma acção legal que a impediu de cumprir a habitual digressão promocional do livro.
Resta recordar a origem do título — à letra “pessoas descuidadas”, embora arrastando também as sugestões de superioridade, indiferença e manipulação. A expressão provém de O Grande Gatsby (1925), de F. Scott Fitzgerald, e surge no parágrafo que serve de epígrafe ao livro: “Tom e Daisy eram pessoas descuidadas — esmagavam as coisas e as criaturas, e depois retiravam-se para o seu dinheiro ou a sua imensa indiferença, ou o que quer que fosse que os mantinha unidos, deixando os outros a limpar a confusão que tinham gerado...”
>>> They were careless people, Tom and Daisy—they smashed up things and creatures and then retreated back into their money or their vast carelessness, or whatever it was that kept them together, and let other people clean up the mess they had made…
F. SCOTT FITZGERALD
sábado, agosto 09, 2025
A IMAGEM: Haiyun Jiang, 2025
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| HAIYUN JIANG Donald Trump New York Times, 8 agosto 2025 |
terça-feira, agosto 05, 2025
O caso Epstein [ponto de situação]
No labirinto do caso Epstein, os ecrãs estão a desempenhar um papel vital — entenda-se: contrastado, contraditório, um verdadeiro palco das convulsões políticas que estão a acontecer. Nessa dinâmica, a acumulação de factos comprometedores para a administração Trump (incluindo a inesperada transferência de Ghislaine Maxwell, condenada por cumplicidade com Epstein, para uma prisão mais "ligeira") tem suscitado muitas tentativas do próprio Presidente dos EUA no sentido de desviar a atenção do caso. Eis um ponto de situação, na noite de segunda-feira, por Nicolle Wallace, no canal MSNBC.
segunda-feira, agosto 04, 2025
Pânico cultural
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| George Sanders e Ingrid Bergman em Viagem em Itália (1954): como vemos uma imagem? |
Em termos culturais, que significa dizer “tudo é possível”? Eis uma pergunta que se perdeu pelo caminho — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 julho).
Há uma sensação de pânico que passou a contaminar a minha relação com o cinema: um dia destes, alguém vai referir-se a Viagem em Itália (1954), de Roberto Rossellini, proclamando com um sorriso de inocência beata que a personagem de Ingrid Bergman é uma precursora do movimento #MeToo, desse modo expondo o cinismo do marido interpretado por George Sanders, ele que talvez seja mesmo responsável por alguns episódios de violência doméstica.
Quem vai dizer tais disparates? Não sei, a minha presciência não chega tão longe. Ainda assim, atrevo-me a apostar que poderá ser um ou uma “influencer” que sabe tanto de cinema como eu sei do comportamento das ervas daninhas nas encostas do Everest. Ou talvez um ou uma repórter, de microfone na mão, imbuído da certeza de que as suas palavras são lei compulsiva para qualquer mortal que ainda não tenha carregado no botão para desligar o pequeno ecrã.
Tudo é possível — e, agora, a expressão “tudo é possível” não significa o mesmo que significou para a geração que viveu a adolescência nas décadas de 1960/70, mesmo se o preço a pagar pelas ilusões desse tempo feliz continua a assombrar a nossa modesta existência. Tudo é possível, de facto, até mesmo o tratamento de Taxi Driver (1976) como uma muito suspeita exaltação de uma personagem com impulsos violentos. Afinal de contas, vivemos no tempo em que, quase 80 anos depois de Simone de Beauvoir ter publicado O Segundo Sexo, o filme Barbie é consagrado em muitos recantos do planeta como a suprema encarnação da libertação feminina (e esta, lamento informar, não é invenção minha).
Há outra maneira de dizer isto: a crescente violência interpretativa do pensamento “politicamente correcto” instaurou a noção historicamente cega e culturalmente miserável (de miséria cultural, entenda-se) segundo a qual as obras de arte — cinema, literatura, teatro, música, pintura, etc. — não têm nada de específico. Segundo a estupidez de tal mantra ideológico, o que define cada obra é apenas a importância mediática que pode ser atribuída aos seus “temas”.
Observe-se, por isso, o outro lado da questão. Vemos, ouvimos e lemos alguns criadores, muitos deles ainda mal saídos da adolescência, a dar conta de um determinado trabalho que fizeram (filme, livro, etc.) e não têm mais nada para dizer a não ser apresentar um rol de “temas” — a exploração das mulheres, a liberdade para as minorias, a denúncia de alguma forma de repressão, etc. — que, supostamente, caucionam tudo e mais alguma coisa, mesmo que o trabalho seja “apenas” artisticamente medíocre. Shakespeare? A peça, senhoras e senhores, é uma denúncia do “bullying”... não há nada a dizer sobre a respectiva encenação, nem sequer, já agora, sobre o valor do texto escrito há mais de 400 anos.
Penso que uma parte significativa da responsabilidade de tudo isto é da minha geração. Sem qualquer ponta de ironia — penso mesmo. Educados na ideia, e para a ideia, de que a arte é capaz de deslocar e transfigurar a nossa percepção do mundo, enriquecendo o nosso lugar na dinâmica desse mesmo mundo, deixámos, ainda que de modo incauto, que tal ideia fosse sendo parasitada por uma outra ideia (mas já não é uma ideia, apenas uma vibração consumista) segundo a qual os objectos artísticos são instrumentos legislativos para repor uma ordem temática e simbólica que, por alguma razão, é tratada como única e inevitável.
No domínio do pensamento sobre a arte (logo, também do pensamento artístico), isso traduz-se numa desvalorização sistemática, sobretudo televisiva, do pensamento crítico — se o mundo se organiza e esgota nos “temas” impostos pelas regras do mediatismo dominante, pensar a arte tornou-se irrelevante. Em termos sociais, isto significa que estamos a fabricar multidões insensíveis às singularidades dos objectos artísticos.
domingo, agosto 03, 2025
Ditadura, aqui e agora [NYT]
Três depoimentos: Jason Stanely (professor de filosofia), Marci Shore (professora de história) e Timothy Snyder (professor de história) reflectem sobre o momento histórico dos EUA e a proliferação de elementos ditatoriais, não apenas na cena política, mas, transversalmente, em todos os circuitos sociais — testeumhos tão concisos quanto perturbantes num video da secção de Opinião do New York Times.
segunda-feira, julho 21, 2025
Donald Trump contra a imprensa [citação]
>>> Trump has long derided what he dubs “the fake news,” and he has famously called the press “the enemy of the people.” In the 10 years since he announced his first run for president on June 16, 2015, Trump has written nearly 3,500 social media posts that attack the press, according to an analysis by the not-for-profit Freedom of the Press Foundation.
Over the course of a decade, that’s roughly one per day.
But defenders of free speech have raised alarms about Trump’s recent lawsuits against media companies — which legal analysts have called baseless — and his willingness to use the power of the federal government to punish perceived adversaries. They see the unwillingness of Paramount and Disney to defend their First Amendment rights as a dangerous precedent that will only embolden Trump and his allies to push even harder against a free press.
“‘Attacking the press’ is too weak a phrase,” says Jameel Jaffer, executive director of the Knight First Amendment Institute at Columbia University. According to Jaffer, the goal of Trump’s anti-media efforts “appears to be to make the government the only source of information and authority in our society. It sounds crazy to say it because we have never seen this in American history.”
TODD SPANGLER
'Defeat the Press: How Donald Trump’s Attacks on News Outlets
Undermine the First Amendment'
Variety (16 julho)
domingo, junho 29, 2025
A IMAGEM: Arash Khamooshi, 2025
terça-feira, junho 24, 2025
Death of a Fantastic Machine
— um documentário de The New York Times
Chama-se Death of a Fantastic Machine, tem assinatura de Maximilien Van Aertryck e Axel Danielson, e está disponível na secção de documentários de The New York Times. Ou como a câmara não é um mero instrumento de reprodução do mundo, mas um elemento determinante da nossa visão e para a nossa visão. Mais do que isso, um objecto actuante no modo como escolhemos e ocupamos um lugar nesse mundo — eis um exemplo maior de um jornalismo brilhante a integrar as imagens, sem nunca desistir de as questionar.
quarta-feira, abril 30, 2025
sábado, abril 26, 2025
Trump: as imagens que definem um sistema de poder
Numa análise dos primeiros 100 dias de Donald Trump no seu segundo mandato na Casa Branca, alguns jornalistas do New York Times apresentam uma reflexão breve, mas contundente, sobre as imagens oficiais da sua presidência — assustador e didáctico, eis um tipo de trabalho que, infelizmente, se tornou raro no espaço jornalístico português.
A questão não é, entenda-se, o banal voluntarismo da "denúncia" das arbitrariedades do poder — é, isso sim, o modo como a gestão de determinadas imagens pode configurar a violência política e moral de um sistema de poder.
sexta-feira, abril 18, 2025
World Press Photo — a fotografia do ano
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| [fragmento] |
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| Mahmoud Ajjour, nove anos de idade FOTO: Samar Abu Elouf / The New York Times |
I. Nos tempos que correm, mesmo não ignorando a pertinência jornalística das imagens televisivas (cada vez menos, de tal modo assistimos ao espectáculo obsceno de canais "informativos" transformados em tribunais de uma razão que ninguém assume, mas quase todos reivindicam), a imagem fixa pode adquirir um valor informativo cada vez mais essencial no mundo agitado e acelerado em que vivemos.
II. A fotografia assinada pela palestiniana Samar Abu Elouf, vencedora do World Press Photo, é uma dessas imagens capaz de resistir à vertigem mediática do tempo, devolvendo-nos a possibilidade de um instante (ou uma eternidade) de contemplação — e sabemos que a contemplação se tornou um valor menosprezado pela maior parte dos circuitos (ditos) sociais.
III. O retrato de Mahmoud Ajjour, ferido durante um ataque de Israel a Gaza em março de 2024 (obtido em Doha, no Qatar), surge, assim, como um objecto capaz de congregar a frieza informativa com o testemunho histórico e uma infinita perturbação simbólica.
IV. Objecto, sim, não no sentido corrente consagrado pelo mais medíocre jornalismo em que tudo pode ser sujeito a processos maniqueístas de objectificação; objecto como retrato, precisamente, afinal uma matriz fotográfica — com uma nobre tradição no foto-jornalismo — que foi alienando o seu fulgor clássico, ao mesmo tempo perdendo o espaço que, tradicionalmente, lhe eram dedicado.
V. Estamos, afinal, perante uma imagem fotográfica que nos leva a (re)pensar os efeitos dos próprios contextos em que que as imagens são expostas — essa é, sem dúvida, uma tarefa que tem tanto de jornalístico como de político, numa palavra, cultural.
>>> Video da World Press Photo Foundation, com depoimento de Samar Abu Elouf.
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