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segunda-feira, setembro 10, 2018

Queer Lisboa edita "O vírus-cinema"

A 22ª edição do Queer Lisboa vai decorrer entre 14 e 22 de Setembro. Prolongando a sua política de edições, o festival propõe, este ano, um volume intitulado O vírus-cinema: cinema queer e VIH/sida. Trata-se de "uma edição da Associação Cultural Janela Indiscreta, com coordenação de António Fernando Cascais e João Ferreira, que reúne um conjunto de ensaios onde diferentes personalidades convidadas — de médicos a ativistas, de programadores a críticos de cinema —, escrevem cada uma sobre um filme que aborda a temática do VIH/sida, oferecendo diferentes perspetivas sobre os desafios que a epidemia representou para o cinema."
O lançamento está agendado para sábado, dia 15, às 16h30, no cinema São Jorge.

segunda-feira, julho 02, 2018

Queer Lisboa 22: "o vírus-cinema"

O Queer Lisboa terá este ano a sua 22ª edição (Set. 14-22). Entre as suas propostas inclui-se um programa multidisciplinar sobre a temática do VIH/sida: "O vírus-cinema: cinema queer e VIH/sida” incluirá um ciclo de cinema, uma exposição e o lançamento de um livro de ensaios.
No livro colaboram Alexandra Juhasz, António Fernando Cascais, Augusto Seabra, Bruno Maia, Cristian Rodríguez, Daniel Pinheiro, Didier Roth-Bettoni, Franck Finance-Madureira, James Mackay, Jan Le Bris De Kerne, Jean-Sébastien Chauvin, Jerry Tartaglia, João Ferreira, Jorge Mourinha, Maria José Campos, Mathias Klitgård Sørensen, Matthias Müller, Mike Hoolboom, Nuno Crespo, Pedro Marum, Pedro Silvério Marques, Ricardo Vieira Lisboa, Theodore Kerr, Tom Kalin e ainda os dois autores deste blog — informações no site do festival.

sábado, setembro 17, 2016

Queer Lisboa evocou Orlando

A 20ª edição do Queer Lisboa começou com uma dramática e pedagógica evocação. Com encenação de André Murraças, 50. Orlando, ouve encheu o palco do São Jorge com uma singular performance [foto]: sentados, os intérpretes iam levantando-se, um a um, evocando as vítimas dessa tragédia — em que um atirador matou 49 pessoas na discoteca Pulse, em Orlando, Florida —, fazendo um inventário das muitas formas de representação, preconceituosas ou "apenas" indiferentes, das diferenças sexuais.
Foram momentos tanto mais tocantes e envolventes quanto o efeito coral dos intérpretes/personagens reflectia os muitos modos contemporâneos de circulação da informação e opinião. Desde o sofrimento individual até à irresponsabilidade de muitos discursos "sociais" em rede, 50. Orlando, ouve soube articular as singularidades de uma representação teatral com a urgência de um conhecimento a que talvez possamos chamar, no sentido mais genuíno da palavra, jornalístico.
A sessão de abertura terminou com uma proposta de humor — o filme Absolutely Fabulous, com Jennifer Saunders e Joanna Lumley —, a provar que a inteligência do mundo passa sempre pela pluralidade das suas narrativas.

Cinema São Jorge, Lisboa
16 Setembro 2016

sábado, setembro 26, 2015

Queer Lisboa: Eisenstein por Greenaway

Elmer Bäck no filme de Peter Greenaway
e Sergei Eisenstein durante a rodagem de Que Viva México!
Como revisitar a história de um grande cineasta sem ficar preso dos formatos tradicionais dessa mesma história? Ou ainda: até que ponto fazer história não é também, sempre, integrar o mito e os fantasmas, o real e o surreal?
Uma resposta possível está no admirável Eisenstein em Guanajuato, o filme do britânico Peter Greenaway que hoje à noite, no cinema São Jorge (21h00), encerra oficialmente a 19ª edição do Queer Lisboa — revisitando o período, finais de 1930, em que Eisenstein visitou o México para rodar um filme (que nunca foi concluído), Greenaway apresenta-nos uma parábola, ao mesmo tempo política e poética, em que a aliança do sexo e da morte se diz (e visualiza) através de um fascinante misto de crueldade e humor.
Antes, também no São Jorge (18h30), os autores deste blog apresentam mais uma sessão do Queer Pop, dedicada à enigmática dialéctica corpo/natureza no universo de BjörkCocoon (2001), realizado por Eiko Ishioka, é um dos (onze) telediscos do programa.

sábado, setembro 19, 2015

Queer Lisboa abriu com "Praia do Futuro"

Praia do Futuro, coprodução Brasil/Alemanha realizada por Karim Aïnouz [trailer], foi o título oficial de abertura da 19ª edição do Queer Lisboa. Este ano, o festival prolonga-se através de um Queer Porto, a decorrer de 7 a 10 de Outubro.
Com uma programação apostada em revelar novas propostas cinematográficas de temática gay, lésbica, bissexual, transgénero e transsexual, o certame decorre no cinema São Jorge até dia 26, encerrando com a primeira apresentação em salas portuguesas de Eisenstein in Guanajuato, de Peter Greenaway.
As sessões do "Queer Pop" contarão com a participação dos autores deste blog:
— dia 20, 18h30 - Red + Hot: música por uma causa (apresentação: NG).
— dia 26, 18h30 - Björk: o corpo e a natureza (apresentação: NG + JL).

sexta-feira, setembro 26, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 8


Hoje, penúltimo dia do Queer Lisboa 18, as sessões a apresentar no Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa são essencialmente centradas em secções não competitivas (apesar de haver ainda exibição de duas longas de ficção e um documentário em competição, assim como duas sessões da secção In My Shorts, dedicada a filmes de escola.

Na Cinemateca passam ainda três filmes de John Waters - Hairspray (15.30), Polyester (19.00) e Pink Flamingos (22.00). Recorde-se que em Polyester haverá distribuição de cartões "odorama", fazendo desta uma sessão de cinema com cheiro... Também na Cinemateca encerra o ciclo dedicado a África com Touki Bouki (19.30).

Entre os títulos fora de competição que passam no S. Jorge ficam aqui três exemplos, acompanhados pelas respetivas sinopses.

Eastern Boys, de Robin Campillo
Eles vêm de todo o leste da Europa: Rússia, Ucrânia, Moldávia. Os mais velhos não parecem ter mais de 25 anos, quanto aos mais novos, não há maneira de adivinhar a sua idade. Eles passam o tempo na Gare du Nord em Paris. Talvez sejam prostitutos. Daniel, um homem discreto nos seus cinquentas tem a atenção virada para um deles, Marek. Com coragem acumulada, ele fala com ele. O jovem aceita visitar Daniel na sua casa no dia seguinte… - 22.00 horas, Sala Manoel de Oliveira

Honeymoon, de Jan Hřebejk
Honeymoon tem lugar nos três dias da festa de casamento de Radim e Tereza. Segredos do passado regressam à vida de Tereza durante o seu próprio casamento, e a festa transforma-se num pesadelo. Tereza já tentara casar antes; e ela está naturalmente hesitante em relação ao actual casamento. Decidiu casar com Radim depois de muita ponderação, tendo vivido com ele durante bastante tempo. O noivo é um tipo amigável que trata Tereza com compreensão e carinho. Todos pensariam que eles eram o casal perfeito… - 17.15 horas, Sala Manoel de Oliveira

Queen Antigone: Three Acts, de Telémachos Alexiou
ma jovem vive com o seu pai gravemente doente e o seu irmão adolescente numa pequena cidade costeira grega. Há já algum tempo que ela deixou de receber o ordenado na loja de moda onde trabalha, há meses que não consegue pagar a assistência médica ao pai e desesperadamente tenta proteger o irmão mais novo de bullying na escola. Ela quer gritar mas não encontra as palavras. Ela quer fugir, mas as pernas entrelaçam-se. Um dia, à procura de cigarros na mochila do irmão, ela encontra a Antígona de Sófocles e, aos poucos, deixa-se identificar com a Heroína. Descontrolada e autodestrutiva, torna-se vítima do seu destino, caminhando o caminho para a sua própria queda trágica e catarse final, com um coro de três rapazes que a conduzem no percurso. - 19.15 horas, Sala 3

Podem ver aqui toda a programação de hoje (com respetivos trailers)

domingo, setembro 21, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 3


A estreia nacional de um filme inédito de Derek Jarman, uma mostra de alguns telediscos assinados pelo realizador e ainda a longa-metragem La Partida, de Antonio Hens, integram alguns dos destaques das secções não competitivas a ver hoje no Queer Lisboa 18, entre as salas do Cinema São Jorge.

Will You Dance With Me? nasceu na verdade de imagens captadas numa noite de 1984 quando Derek Jarman, munido de uma câmara VHS, partiu com a equipa do realizador Ron Peck (que então preparava o filme Empire State) para o Benjy's, um clube local britânico num serão de trabalho em que tinha por missão olhar maneiras de retratar as pessoas a dançar. Foi o que fez. E com uma banda sonora (aquela que o DJ ia rodando nos pratos) por onde passava, temas dos Frankie Goes To Hollywood, Shannon, Herbie Hancock ou Break Machine, tomou os figurantes como mais que meros anónimos. Transformou-os em personagens, que assim acompanhou ao longo da noite. Essas imagens ficaram na gaveta anos a foi, foram finalmente divulgadas este ano no London Flare, na sala maior do British Film Institute, em Londres. Hoje o Queer Lisboa apresenta, pelas 17.00 (na sala 3 do Cinema São Jorge) a primeira apresentação do filme após esta estreia absoluta em Londres. Ron Peck estará na sala para evocar como surgiram estas imagens.

Podem ler aqui uma entrevista com Ron Peck, onde (entre outros assuntos) se fala deste filme.

Após a projeção de Will You Dance With Me?, a sala 2 do Cinema São Jorge apresenta (com comentários de um dos autores deste blogue) uma seleção de alguns dos mais significativos telediscos de Derek Jarman para canções de nomes como, entre outros, Marianne Faithfull, os Pet Shop Boys, Marc Almond, The Smiths ou Bryan Ferry.

Também hoje de tarde, mas na Sala Manoel de Oliveira do mesmo cinema passa, integrado na secção Panorama, o filme La Partida, do realizdor espanhol Antonio Hens. Um filme rodado em Cuba e sobre o qual o realizador fala numa entrevista que podem ler no site do festival.

Diz a sinopose: dois rapazes cubanos no limiar da marginalidade lutam por uma vida em conjunto. Mas é duro para ambos: um tem que trabalhar como cobrador dos que têm dívidas para com o sogro. O outro prostitui-se pelas ruas para cumprir as obrigações familiares.

Podem ler aqui a entrevista com Antonio Hens.


Em competição:

Entre os destaques do dia nas secções competitivas de longas metragens há duas ficções e dois documentários a ter em conta. Além disso, pelas 19.15 horas, é apresentada na sala 3 do Cinema São Jorge a primeira sessão de curtas-metragens.



Aqui podem ler o que contam as sinopses dos filmes em  competição:

Prophecy, Pasolini's Africa, de Gianni Borgna e Enrico Menduno:
Depois de Accattone (1961), Pasolini voltou-se para África, à procura de uma força proletária e revolucionária que procurara em vão no norte italiano e nos subúrbios de Roma. Assim nasceu a sua poesia e os filmes La rabbia (1963), Edipo re (1967) e Appunti per un'Orestiade africana (1968-1973). Profezia. L'Africa di Pasolini explora uma esperança que vai acabar em nova decepção: a África é um reservatório de contradições irreconciliáveis ​​que vai explodir nos confrontos, ditaduras, massacres presentes e futuros. África está desgastada nos limites de incerteza, como a periferia do primeiro mundo. A inspiração profética continua a incomodar-nos quando ele descreve, trinta anos antes, o êxodo de africanos nos barcos e a sua "conquista" de Itália. Mas o poeta está destinado a uma morte precoce, como em Accattone. - 15.00 horas, Sala 3

L'Armée du Salut, de Abdellah Taïa:
Em Casablanca, o jovem Abdellah passa os dias em casa, vivendo uma relação de conflito e cumplicidade com o pai. Nas ruas, tem ocasionalmente relações sexuais com homens. Durante as férias, o seu irmão mais velho, que venera, abandona-o. Dez anos mais tarde. Abdellah vive com o seu companheiro suíço, Jean. Ele deixa Marrocos e muda-se para Genebra, onde decide terminar o seu relacionamento e viver uma nova vida sozinho. Procura abrigo com o Exército da Salvação, onde um marroquino lhe canta uma canção do seu ídolo, Abdel Halim Hafez. - 19.30 horas, Sala 1

American Vagabond, de Susanna Helke:
James fugiu da casa dos pais porque eles não aceitavam o facto de ser gay. Ele tenta encontrar refúgio em São Francisco com o seu namorado, Tyler. Eles pensavam que encontrariam uma comunidade na “Meca Gay”. Em vez disso, acabam a dormir num parque e a pedir pelas ruas do bairro gay. Eles encontram-se presos num mundo de sem-abrigos e numa comunidade composta por outros jovens gay rejeitados. Eventualmente, James tem de enfrentar o seu passado e o lugar que deixou para trás. American Vagabond é uma história sobre o crescimento de um rapaz gay de uma cidade pequena na América. Uma história sobre uma família que enfrenta o seu maior medo. - 21.20, Sala 3

Party Girl, de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis:
Angélique é uma empregada de bar de 60 anos. Ela ainda gosta de divertir-se, ainda gosta de homens. De noite, ela fá-los beber, num cabaret na fronteira Franco-Alemã. À medida que o tempo passa, os clientes são escasseando, Mas Michel, presença regular na casa, ainda está apaixonado por ela. Certo dia, ele pede Angélique em casamento. 22.00 horas, Sala 1

sábado, setembro 20, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 2


O segundo dia do Queer Lisboa 18 apresenta, além do arranque das secções competitivas do festival, o início das retrospetivas dedicadas ao cinema de John Waters (na Cinemateca) e Ron Peck (no São Jorge), assim como o arranque da secção Queer Focus (que decorre na Cinemateca Portuguesa), que este ano procura dar-nos uma série de pontos de vista africanos sobre questões da sexualidade e identidade de género em África. Fiquemos com o que nos contam as sinopses destes filmes:

Polyester, de John Waters: Francine Fishpaw é uma dona de casa suburbana de classe média em Baltimore. Infelizmente, para esta "boa mulher cristã", o dinheiro que sustenta o seu estilo de vida vem dos filmes pornográficos do seu marido. Os seus vizinhos reclamam do ruído, o seu filho é o conhecido "Calcador de Baltimore", a sua filha é engravidada por um bandido local e o seu marido está a ter um caso com a secretária. - Cinemateca, 21.30

Nighthawks, de Ron Peck: Nighthawks é a história de Jim, um professor de geografia numa escola londrina. A viver sozinho num apartamento apertado, a sua sexualidade é um segredo meio aberto a todos, menos aos seus alunos e aos seus pais, ele passa as noites em bares e discotecas gay a procurar em vão o homem certo. Uma sucessão de relacionamentos acabam após duas ou três semanas, e a única estabilidade na sua vida são o seu trabalho e a sua amizade florescente com uma professora substituta, Judy. Ambos estão sob ameaça enquanto o desespero silencioso de Jim ferve em direcção à superfície. - Cinema S. Jorge, 19.15

Touki Bouki, de Djibril Diop Mambety: Com uma deslumbrante mistura entre surreal e naturalista, Djibril Diop Mambety pinta um vívido e fracturado retrato do Senegal no início dos anos 70. Nesta fantasia dramática influenciada pela Nouvelle Vague, dois amantes anseiam trocar Dakar pelo glamour e prazeres de França, mas o seu plano de fuga sofre complicações tanto reais como místicas. Caracterizado por um imaginário e música deslumbrantes, este excêntrico e meditativo Touki Bouki é vastamente considerado um dos filmes africanos mais importantes de sempre. - Cinemateca 19.00


Além destes três clássicos, entre a programação de títulos recentes (e em competição) surgem, entre outros:

Rosie, de Marcel Gisler: Lorenz Meran, de 40 anos, é um bem-sucedido autor gay a sofrer de um bloqueio criativo, que tem que abandonar Berlim e regressar ao Este da Suíça quando a sua já idosa mãe dá entrada no hospital depois de uma queda. Ele encontra-se preso na localidade remota de Altstätten, a sua cidade natal, enfrentando o facto de a adorável Rosie recusar qualquer tipo de ajuda ou querer ir para um lar. Apanhado na caótica batalha de Rosie para manter a sua independência e sentido de dignidade, disputas familiares e segredos há muito escondidos, Lorenz quase que falha em reparar que o amor lhe bateu à porta. Rosie é um estudo divertido e comovente das relações humanas. - São Jorge, 17.15 

Castanha, de Davi Pretto: João é um actor de 52 anos que vive com a sua mãe de 72, Celina. Ele passa o seu tempo entre o trabalho nocturno travestido em pequenos bares gay e os papéis que vai conseguindo em peças de teatro, filmes e televisão. Atormentado pelos fantasmas do passado, o dia-a-dia de João começa a misturar-se com o que ele vive e o que interpreta.- São Jorge, 19.30 

Xenia, de Panos H Koutrass: Depois da morte da mãe, Dany, de 16 anos, deixa Creta para se juntar ao seu irmão, Odysseas, que vive em Atenas. Nascidos de uma mãe albanesa e um pai grego que nunca conheceram, os dois irmãos - estranhos no próprio país -, decidem ir a Salónica procurar o seu pai e forçá-lo a reconhecê-los oficialmente. Ao mesmo tempo, em Salónica, acontece a selecção para o programa de culto “Greek Star”. Dany sonha que o seu irmão Odysseas, um cantor dotado, possa tornar-se a nova estrela do concurso, num país que se recusa a aceitá-los. - São Jorge, 22.00

Veja aqui a programação completa

sexta-feira, setembro 19, 2014

Queer Lisboa 18 - Dia 1


O filme do realizador brasileiro Daniel Ribeiro Hoje eu Quero Voltar Sozinho abre hoje, pelas 21.30, o Queer Lisboa 18, que este ano tem sessões repartidas entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa. O filme (que repete amanhã pelas 15.00) assinala um reencontro do realizador com as personagens e a narrativa de uma curta-metragem que chegou mesmo a ser premiada no Queer Lisboa.

A sinpose descreve assim o filme: "Leonardo é um adolescente cego a lidar com uma mãe demasiado protectora enquanto tenta viver uma vida mais independente. Ele planeia iniciar um programa de intercâmbio que desagrada à sua melhor amiga, Giovana. Quando Gabriel, um novo estudante, chega à sala de aula, novos sentimentos despertam em Leandro fazendo-o questionar os seus planos".

Sobre a relação da longa com a curta, Daniel Ribeiro explicou, em entrevista publicada no site do festival: "Muita gente queria saber o que acontece depois do beijo... E muitos escreviam-me dizendo que queriam ver a continuação. Mas não é uma continuação. Vamos voltar para o começo. A história que queria contar era agora a desse momento da descoberta. Sobre os problemas que chegam na adolescência, que são sempre novos e não sabemos nunca como ligar com eles à medida que vão aparecendo. Essa angústia de estar apaixonado por alguém e não saber se a pessoa gosta de nós. Essa era a história principal... Quando adaptei queria manter o principio e o fim meio parecidos".

Podem ler aqui a entrevista completa.

E aqui há mais informação sobre o filme.

quarta-feira, setembro 17, 2014

Em conversa: Ron Peck


Importante pioneiro na criação de uma cinematografia queer britânica, Ron Peck é um dos nomes em foco na edição deste ano do Queer Lisboa. A sua presença na programação desta edição do Queer Lisboa faz-se também através daquela que é a segunda exibição mundial (ou seja a estreia europeia continental) de Will You Dance With Me?, de Derek Jarman, filme que nasceu de uma fita em vídeo que o autor de Caravaggio e Sebastienne rodou no mítico Benjy's, de Londres (e que teve estreia mundial na edição deste ano do BFI Flare. Antes de um contacto pessoal com o realizador, que estará em Lisboa para apresentar alguns dos títulos desta retrospetiva, fica uma entrevista na qual percorre, entre memórias, os seis filmes que o festival vai exibir.

Nighthawks foi a primeira longa metragem inglesa com temática gay. Que impacte teve o filme na sociedade e cultura britânica da época?O filme foi notado e recebeu muita atenção da imprensa porque deu uma nova visibilidade ao tema. Também encontrou um grande público tanto a nível nacional como internacional e todo o tipo de controvérsias apareceram à sua volta, o que lhe deu até maior longevidade nas salas de cinema. Por exemplo, o filme dividiu o público gay por concentrar atenções na cena cruising, nos bares e clubes. Havia quem quisesse uma história de amor mais convencional com um final feliz. Outros queriam ver uma cena gay alternativa. Mas outro dos aspetos muito discutido na época foi o uso de atores não profissionais e a presença da improvisação. A melhor reação foi que o filme levou as pessoas a falar e a discutir, tanto defendendo-o como atacando-o. Abriu as temáticas gay um pouco a um público bem maior.

De que forma o quadro de Edward Hopper – Nighthawks (de 1942) – foi uma influência para o filme?
Descobri a pintura de Hopper na mesma altura em que regressava a Londres após alguns anos vividos fora, na universidade. Foi na altura em que fui para a London Film School. Foi também por essa altura que descobri a cena gay londrina – por acaso – e inicialmente achei difícil lidar com isso. Era um jovem tímido. As pinturas de Hopper, como expressões, correspondem muito de perto face ao que eu sentia sobre os ambientes em que vivia. Um bar gay pode estar apinhado como uma estação de metro em hora de ponta mas podemos sentirmo-nos tremendamente isolados lá dentro. O Nighthawks do Hopper captou para mim o clima, a essência da coisa.

Foi ao preparar a rodagem de Empire State que uma noite na discoteca Benjy’s acabou por ser filmada por Derek Jarman. Essas ideias por ele captadas foram de facto úteis para a rodagem do filme?
Teriam sido úteis na concepção inicial do filme. O trabalho do Derek mostra essencialmente o que um homem pode soltar com uma simples câmara. Está muito mais perto do espírito do Nighthawks e, claro, do trabalho do Derek em Super-8 muito particularmente. É cinema livre no maior sentido da palavra. O Empire State, com o seu financiamento mainstream, teve se ser feito em moldes bem diferentes.

Aquelas imagens captadas por Derek Jarman ficaram ali guardadas anos a fio. Como regressou a elas e como é que delas depois nasceu o filme Will You Dance With Me?
Nunca me tinha esquecido daquela cassete do Derek. Com toda a publicidade em volta dos acontecimentos e projeções deste ano, assinalando os 20 anos da morte do Derek, voltei a ver a cassete, mas na companhia de outros amigos realizadores e eles ficaram espantados. Por isso mostrei-a depois ao Brian Robinson no BFI e ele programou-o imediatamente para o auditório do BFI onde decorria tanto o festival de cinema London Flare como uma retrospetiva do trabalho do Derek. Foi um exercício, uma experiência, e naturalmente não tinha titulo. E porque a dada altura o Derek pergunta a alguém para dançar com ele no filme, e como toda a peça anda à volta dele a filmar a dança, o título Will You Dance With Me? pareceu-me apropriado.

Podem ler aqui a entrevista completa

O festival vai apresentar uma retrospetiva com seis dos seus filmes, entre os quais o histórico Nighthawks (1978), a primeira longa metragem de ficção britânica com temática gay. A retrospetiva junta a este filme as longas de ficção Empire State, (1987) Real Money (1996) e Cross Channel (2011) e os documentários Strip Jack Naked (1991) e Fighters(1996).

A abertura do ciclo faz-se sábado, dia 20, pelas 19.15, na sala 3 do Cinema São Jorge com uma exibição de Nighthawks que contará com a presença em sala do realizador.

A imagem que abre o post é do filme 'Cross Channel

segunda-feira, setembro 15, 2014

Em conversa: Daniel Ribeiro


Depois das curtas Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho (premiado no Queer Lisboa 16 como Melhor Curta Metragem), o realizador brasileiro regressa com Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, a sua primeira longa-metragem. O filme recupera as personagens e o essencial da narrativa de Eu Não Quero Voltar Sozinho, mas aprofunda uma série de elementos. Em entrevista, o realizador do filme de abertura do Queer Lisboa 18, que venceu o Teddy Award e o Prémio Fipresci na Berlinale este ano, conta-nos como curta e longa fazem parte de uma mesma história comum.

A ideia de fazer uma longa-metragem à volta das personagens e narrativa de Eu Não Quero Voltar Sozinho surgiu depois do impacte que a curta teve ou era já uma ideia antiga?
A ideia veio desde o começo e os dois filmes nasceram juntos. Quando pensei no personagem do garoto cego que descobria que era gay eu queria que essa fosse a minha primeira longa. Só que resolvi fazer a curta antes, como uma espécie de piloto. Era um personagem complexo, teria de trabalhar com um adolescente interpretando um cego e que topasse fazer um personagem gay... Então eu achava que ia ser difícil encontrar esse ator, por isso decidi experimentar tudo antes numa curta, ver o que funciona e não funciona e depois ir para a longa.

O filme tem um protagonista cego. E é raro vermos o cinema a abordar a cegueira, desta forma. Era fundamental para a narrativa ter um cego?
Cinematograficamente era essencial e podia jogar um pouco com o que vê e não vê para falar do que é, quando estamos apaixonados, o medir dos detalhes, das dicas que as outras pessoas dão... A personagem funcionava nesse caminho. Mas era importante também para falar da sexualidade. Esse personagem cego nasce para mim quando eu me questiono sobre como um garoto cego, que nunca viu um homem ou uma mulher, sabe que pode ser gay. Esse elemento é para mim essencial. A nossa sexualidade vem de dentro de nós, não tem só a ver com o que vemos.

A curta foi parar à Internet por vontade sua? O que aconteceu?
Foi meio um acidente. E foi um acidente muito bom. O filme estava no Festival do Rio e participava numa competição que era para ser votada na Internet e eles colocaram o filme online. Durante uma semana no site ficou lá. O filme já tinha sido muito falado no Brasil porque tinha entrado noutros festivais e ganho prémios. E quando foi parar à Internet muita gente viu o filme, descarregou-o e meteu-o no YouTube. Tiravam do site da competição e metiam no YouTube. Eles colocavam e a gente apagava. Várias vezes... E chegou uma hora em que achamos que não dava mais para ficar a perder tempo a apagar. Então decidimos colocar nós mesmos e com qualidade boa. E aí foi o sucesso que foi. Acho que tudo o que aconteceu depois, até a força que a longa teve, com tanta gente que viu o filme, veio por causa disso. Hoje agradecemos às pessoas que fizeram isso.

Podem ler aqui a versão completa desta entrevista.

O filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho passa - integrado na programação do Queer Lisboa 18 - na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge no dia 19 pelas 22.00 (na sessão de abertura do festival) e repete, na mesma sala, dia 20, pelas 15.00 horas.

domingo, setembro 14, 2014

Cinema e cultura queer em livro


Foi ontem apresentado no jardim do Museu do Chiado, em Lisboa, o livro bilingue Cinema e Cultura Queer, um volume de textos críticos e ensaios da responsabilidade do Festival Queer Lisboa, numa edição da Associação Cultural Janela Indiscreta. 

Lançado no dia que assinalava o 18º aniversário daquele que é o mais antigo festival de cinema da cidade de Lisboa, o livro junta textos de alguns colaboradores e programadores do festival, entre os quais os autores deste blogue.

Podem ler aqui sobre o livro e consultar o índice completo.

sexta-feira, novembro 22, 2013

Em conversa: Alain Guiraudie (1/2)

Este texto corresponde a parte da entrevista com o realizador francês Alain Guiraudie realizada recentemente em Lisboa, a propósito da apresentação do filme 'O Desconhecido do Lago'. A entrevista serviu de base ao artigo 'Cenas de amor, desejo e morte nas margens de um lago' publicado na edição de 21 de novembro do DN.

Podia ou não ter projetado a acção do filme num outro local? E porque procurou um lago? 
Para mim era essencial levar este filme para um espaço a céu aberto. Ter sol, é verão... Uma sauna é um espaço mais claustrofóbico... Não queria também seguir os caminhos do Cruising do William Friedkin. E há uma outra sensualidade entre as arvores, a água, o vento... Podia ter feito o filme à beira do mar, mas para mim era importante que aquele fosse um espaço fechado. É por um lado um espaço aberto, mas que se vai fechando aos poucos. Há ali um horizonte que nunca fica muito longe. Quando escrevia o filme procurei mesmo lagos bem pequenos. Pensava mesmo se poderia ter famílias do outro lado. Mas estávamos em setembro e toda a gente já se tinha ido embora no final das férias e não tinha figurantes.

Foi longa a rodagem?
Foram seis semanas de rodagem. Se tivesse sido no pico do verão aquilo estaria cheio de gente, seria infernal. Fizemos a rodagem no sudeste francês, perto de Marselha. A 50 quilómetros da cidade, a nordeste de Marselha.

A dada altura a narrativa mostra um crime e, depois, a entrada em cena de um polícia. Não é uma figura algo caricata? Era intencional esse tom algo jocoso?
Há muito humor e distanciamento até. Aquele inspector não só faz um inquérito policial como também faz um inquérito sociológico. Gostei desta ideia de ter alguém muito burlesco que surgia assim do quase nada... É também um veículo de ligação entre o filme e o espectador. É alguém que é uma figura cândida, ingénua e que não compreende aquele mundo que ali vê... Eu falo daquele mundo com experiência própria, porque o conheço, é-me familiar. Mas há pessoas que não conhecem esse tipo de lugares e para eles pode parecer algo irreal. Para muitos poderá mesmo parecer ficção cientifica. E aquele personagem coloca assim as boas questões que qualquer um colocaria. Até eu colocaria. Mesmo conhecendo aquele mundo sei que a ideia das pessoas estarem juntas sem depois trocar números de telefone pode parecer bizarra. Já me arrependi de não ter trocado números de telefone. (risos) Era importante esta personagem que é tão burlesca como misteriosa, mesmo inquietante.

A representação explícita da sexualidade no cinema lança sempre um debate. Como refletiu sobre esta questão, que parece de resto ser central no filme? 
Eu nunca tinha representado a sexualidade entre homens desta maneira, nem tinha mesmo sequer abordado a questão da sida nos meus filmes. Tenho uma abordagem complicada ao sexo. E tenho-a tão complexa como cineasta como como indivíduo. O sexo é um tema um pouco complicado para qualquer um. Mas quando se é homossexual ainda o é mais. E para mim é ainda mais complicado que para todos os outros. Tinha receio... No Rei da Evasão, que foi o primeiro filme em que abordei questões da sexualidade, fi-lo entre um homem e uma mulher. Desta vez sabia que tinha de falar da sexualidade entre homens e tinha de mostrar os órgãos sexuais a funcionar. A sexualidade é isso. E o amor é isso, e passa pelo sexo. Esta é a grande elipse do cinema, seja homo ou heterossexual. E assim finalmente vemos os amantes, e como fazem o amor e como os vemos depois. Não faço elipses. Mas era importante para mim afastar o sexo da pornografia. Mostrar os órgãos, mas ligar tudo ao desejo, à paixão. Associar também uma poesia. Na verdade não há senão dois planos de sexo explícito. Está mostrado, está presente. Se fosse mais poderia aproximar-se da pornografia.

Podem ler aqui o que escrevi sobre o filme, por ocasião da sua recente antestreia no Lisbon & Estoril Film Festival.

quarta-feira, novembro 13, 2013

LEFFEST 2013 (dia 6)


Chegou de Cannes com a distinção da Queer Palm, o prémio que distingue o melhor filme de temática queer apresentado no festival. A distinção foi então entregue ao realizador Alain Guiraudie pelo português João Pedro Rodrigues, que era este ano o presidente deste mesmo júri. E na noite de segunda-feira o Espaço Nimas voltou a ver os dois realizadores juntos (ver foto mais abaixo) num mesmo espaço para discutir o filme O Desconhecido do Lago, que na próxima semana terá estreia nas salas portuguesas.

Um dos filmes mais intensos e únicos que vamos ver este ano, O Desconhecido do Lago coloca o nosso olhar em volta de um lago (as suas águas, praias nas margens e bosques nas redondezas), nunca dali saindo, confinando-nos assim a um universo fechado, mesmo a céu aberto. Local de cruising para homens, onde olhares se cruzam e o sexo se procura (muitas vezes anónimo), o lago junta personagens que vamos acompanhando, entre três que se destacam expressando-se visões claramente distintas do que é tanto o amor como o desejo.

A trama conduz-nos contudo a um incidente. Uma morte, a que um dos protagonistas assiste, a pulsão de desejo (e amor) que sente deixando-o naturalmente assombrado, mas incapaz de resistir à atração que o domina. É em volta do lago, em finais de tarde de verão – sob uma fotografia solarenga e quente – que continuamos assim a acompanhar os olhares, os corpos, as ligações, os desejos, os receios, as grandes questões que lançam. Guiraudie (como explicou no Nimas) fez questão de enfrentar também com este filme o que vê como uma das grandes elipses do cinema: o sexo. Convenhamos que o faz de forma mais consequente que em muitos outros recentes exemplos de cinema “explícito”.
Foto: LEFFEST

Vidas em torno de uma auto-estrada

Foto: LEFFEST

É uma auto-estrada, e define um perímetro fechado de 68,2 quilómetros em volta da cidade de Roma, definindo uma espécie de anel. Chama-se Grande Raccordo Anulare, é habitualmente referida pelas iniciais GRA e serviu de terreno onde o realizador italiano Gianfranco Rosi encontrou as figuras e os lugares que levou para Sacro Gra, filme documental que este ano venceu o Leão de Ouro do festival de Veneza e que teve antestreia nacional integrado na edição deste ano do Lisbon & Estoril Film Festival, com a presença do próprio realizador.

A inesperada vitória em Veneza com um documentário foi, como reconheceu Gianfranco Rosi, uma “surpresa”, acrescentando que, mesmo assim, “ver o filme a ser selecionado para a competição” tinha já sido para si “como um prémio”. Ao longo de “anos de trabalho”, já que antes fez filmes como Boatman (1993), Below Sea Level (2008) ou El Sicario (2010), Rosi sempre acreditou “que se devia ultrapassar um pouco esta barreira” entre a ficção e o cinema documental. Ele mesmo reconhece que há diferenças entre ambos: “a maneira de trabalhar, o modo como nos relacionamos com as personagens e com a história”. Mas sublinha que hoje “há um tipo de documentário, que está a crescer um pouco por todo o lado, em que essas fronteiras de diluem”. Aí “as divisões e as convenções ficam menos claras e então surge cinema”. E defende que “o dever do cinema é o de olhar sobre a realidade e, depois, procurar uma linguagem para contar a história”.

Morando fora de Itália quase toda a sua vida, Rosi não tinha por isso grande familiaridade com a auto-estrada da qual nasceu a ideia para este seu novo filme. A GRA“desenha precisamente 360 graus em torno da cidade, foi construída nos anos 60 e é como um muro”, descreve. “E hoje, na parte externa do GRA vivem cerca de três milhões de pessoas... É a nova Via Venetto”, graceja.

Durante dois anos andou por aquela estrada, conhecendo pessoas, as suas histórias, com elas ganhando familiaridade, acabando por escolher cinco histórias, que são as que mais vezes visitamos no decurso do filme. “Os meus filmes partem sempre de encontros, de relações fortes que se vão estabelecendo com as pessoas”, explica Rosi. Antes de filmar “há já uma relação íntima com as pessoas” e por essa altura já as conhece a ponto de saber como vai “poder contar a história”. Neste filme queria “apenas captar um fragmento das suas vidas, apenas momentos”. E acrescenta que cada uma daquelas figuras daria um filme potencial”. Optou todavia por escolher só alguns momentos que vê como a “condensações de coisas que aconteceram antes” e que escolheu quando chegou à mesa de montagem.

Apesar de rodado em torno de Roma, traduzindo assim uma realidade italiana do presente, Sacro Gra reflete “também uma universalidade”. Rosi sublinha que “há elementos que vão para lá da essência italiana das coisas”. E conta que estas figuras que filma “são pessoas que não se estão a queixar”. De resto, “não queria fazer um filme social e político, pelo descreve Sacro Gra como “um ato de amor”. É, como descreve, “um filme positivo, num local que perdeu completamente a sua identidade cultural, que é o que aconteceu em Itália nos últimos 20 a 40 anos”. Não quer dizer “com Berlusconi, mas de certa maneira ele está lá no filme”, ressalva com um sorriso. O seu desafio era sobretudo “o de encontrar pessoas com identidades fortes”. Mas “quando acaba o filme não sabemos nada deles, mas sim aqueles momentos, que são os que ficam connosco”, explica.

Este foi o primeiro filme que rodou em Itália. “Agora preciso de encontrar uma história num outro lugar”, confessa.

PS. Este texto, resultado de uma entrevista com o realizador, foi originalmente publicado na edição de 12 de novembro do DN com o título 'Em busca das histórias que vivem à volta de uma estrada'

sexta-feira, setembro 27, 2013

Queer Lisboa 17 (dia 8)


O oitavo dia do Queer Lisboa 17 propõe um mergulho pelo universo das grandes heroínas nascidas no cinema e na BD em Wonder Women! The Untold Story of American Superheroes, documentário que passa na Sala 3 às 21.30. É também um dia importante para a secção Queer Art com uma sessão, também na Sala 3, pelas 19.15, que vai apresentar os filmes O Corpo de Afonso, de João Pedro Rodrigues, Gingers de António da Silva e Filme Para Poeta Cego, de Gustavo Vinagre. É também o dia 1 da nova secção In My Shorts, com filmes criados por alunos de escolas de cinema.

Já a seguir fica um destaque para uma outra das sessões desta edição do Queer Lisboa 17, com um texto de minha autoria que integra o catálogo do festival (e a sua expressão online).


In The Name Of
(Sala Manoel de Oliveira, 22.00)


Há uma curiosa coincidência entre O Padre, filme de 1994 de Antonia Bird (sobre um padre dividido entre uma conduta católica conservadora e uma vida secreta partilhada com um amante) e In The Name Of... (título internacional para W imie...), que este ano conquistou o Teddy Award (para melhor longa metragem de temática gay e lésbica) na Berlinale e, depois, arrecadou o Grande Prémio do Festival de Istambul: ambos são histórias de desejo no masculino realizadas por mulheres.

Realizado por Malgoska Szumowska, In The Name Of… leva-nos à Polónia rural dos nossos dias, focando em concreto o espaço quotidiano de um centro de reabilitação de delinquentes, que tem no padre da paróquia a sua figura central de autoridade e referência. Adam (interpretado por Andrzej Chyra) é um jovem padre que, fora do altar e da sacristia, veste como qualquer outro homem, ajuda nas obras de construção em que o grupo está envolvido, faz jogging na floresta e ouve música num leitor de mp3. O desejo que nele despertam os outros do mesmo sexo, em particular Lucasz, um estranho e algo distante elemento desta comunidade, fazem-no questionar não só sobre a sua sexualidade mas a própria razão da sua vocação.

Com uma câmara observadora, que alia uma demanda realista a um sentido poético, o filme reflecte sobre identidade e fé, mas também levanta debates sobre a relação da comunidade com a homossexualidade e o desejo homossexual entre figuras do clero. Longe de procurar uma abordagem moral (e, muito menos, moralista), In The Name Of… toma a figura de Adam como a de um homem dividido entre o desejo e o que toma como dever. Vive as suas fragilidades, amplificando na sua figura um paradigma de solidão. E retrata a forma como a Igreja reage com algumas das questões levantadas, procurando a realizadora contribuir assim para um debate do nosso tempo.

quinta-feira, setembro 26, 2013

Queer Lisboa 17 (dia 7)


O sétimo dia do Queer Lisboa 17 mantém atenções centradas na secção Queer Focus (que ontem apresentou Boy Eating The Bird’s Food) e Queer Art. Hoje são também apresentados dois work in progess de António da Silva e André Murraças (Sala Montepio, 19.00) e uma série de títulos da competição de Longas Metragens. Entre estes três conta-se a repetição de The Comedian, estreado na noite de ontem (17.15, Sala Manoel de Oliveira) e a estreia de Facing Mirrors, uma narrativa passada no Irão dos nossos dias. Diz a sinopse: “Passado no Irão actual, Facing Mirrors é a história de uma invulgar e ousada amizade que se desenvolve apesar das normas sociais e crenças religiosas. Embora Rana seja uma mãe e esposa tradicional, é forçada a conduzir um táxi de forma a pagar as dívidas que levaram o marido à prisão. Por acaso, apanha um dia a rebelde e rica Edi, que espera, desesperadamente, um passaporte para sair do país. A princípio Rana tenta ajudá-la, mas quando se apercebe que Edi é transsexual, uma série de conflitos perigosos emergem. Facing Mirrors é a primeira ficção iraniana com um protagonista transsexual.” O filme passa às 19.30 na Sala Manoel de Oliveira.

À noite, na Sala Manoel de Oliveira, passa o filme chileno Joven Y Alocada. Já a seguir fica o este destaque com um texto de minha autoria que integra o catálogo do festival (e a sua expressão online).


Joven Y Alocada
(Sala Manoel de Oliveira, 22.00)

Nos últimos anos, e cada vez mais, o Festival de Sundance (que, podemos dizer, abre oficialmente a nova época festivaleira a cada Janeiro que passa) tem revelado títulos que marcam incontornavelmente os meses que se seguem, tanto entre as programações de outros festivais como mesmo nos mapas locais de distribuição de cada país. Em 2012 Joven Y Alocada ali se afirmou como mais um “caso” notável, de Sundance saindo com um prémio para Melhor Argumento, daí partindo para uma carreira de expressiva visibilidade que passou já por festivais como a Berlinale ou San Sebastian.

Assinado pela chilena Marialy Rivas (de quem o Queer Lisboa já apresentou a curta Blokes), Joven Y Alocada representa também mais uma expressão de um cinema que procura reflectir e representar a idade da comunicação online. Um blogue é aqui um ponto de partida. Um blogue – com o título do próprio filme – onde a jovem protagonista (no limiar da idade adulta) dá conta de um dia a dia dividido entre o desejo, as dúvidas e as descobertas habituais na sua idade e um quotidiano sistematicamente vigiado por uma mãe conservadora e intolerante que aplica a cada lufada de ar que respira as regras de uma conduta castradora. Filha de uma família evangélica, Daniela é expulsa do colégio porque fez sexo antes do casamento. Como “castigo” é colocada num canal de TV religioso. Entre um namorado e o desejo que desperta em si a proximidade de uma amiga, acompanhamos o debate interior de Daniela ao mesmo tempo que os seus leitores, que vão lendo os “evangelhos” de alguém que não acredita que outros possam pensar por si.

Retrato de juventude que olha para pessoas e não para estereótipos, Joven Y Alocada procura por um lado cruzar a linguagem visual da comunicação online com o cinema. E, como Daniela, acredita que questionar é na verdade coisa mais sagrada à espécie humana que, simplesmente, acreditar.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Queer Lisboa 17 (dia 6)


Hoje o Queer Lisboa abre a secção Queer Focus com o filme Boy Eating The Bird's Food, do realizador grego Ektoras Lygizos, que pode representar uma das grandes surpresas desta edição do festival. Diz a sinopse "Um rapaz de 22 anos, em Atenas, não tem emprego, nem dinheiro, nem namorada, nem comida, mas tem um canário e uma linda voz para cantar. Quando fica sem casa, tem que procurar abrigo para o seu pássaro. E quando o pássaro fica aprisionado dentro do abrigo, o rapaz tem que encontrar ajuda. Ele tem que encontrar alguém a quem confessar que não tem emprego, nem dinheiro, nem namorada, nem comida". Passa na Sala Manoel de Oliveira, do Cinema São Jorge, às 19.30.

Hoje é também apresentado The Comedian, de Tom Shkolnik, filme que integra a competição para a Melhor Longa Metragem de Ficção (Sala Manoel de Oliveira, 22.00). Para quem não viu ontem, hoje repete Interior Leather Bar, o muito falado projeto de Travis Matthews e James Franco criado sobre memórias (e ausências) do clássico Cruising, de William Friedkin. Passa na Sala 3 às 17.15, em sessão conjunta com a curta In Their Room, de Travis Matthews.

Podem ver aqui a restante programação para hoje.

Já a seguir fica um destaque para uma outra das sessões desta edição do Queer Lisboa 17, com um texto de minha autoria que integra o catálogo do festival (e a sua expressão online).


I am Divine
(repete sábado, pelas 17.00, na Sala 3)

Olha... aqueles olhos não são os do nosso Glenn?... Foi mais ou menos assim, os pais reconhecendo o filho numa foto numa revista. Tempos depois de uma cisão familiar, a reconciliação com os pais aconteceu já Divine era importante figura de culto. Filho de uma família conservadora de classe média em Baltimore (onde nasceu em 1945), Harris Glenn Milstead teve uma infância difícil, sob constante violência dos colegas, refugiando-se nas suas duas paixões: a comida e o cinema. Foi com o vizinho, um rapaz chamado John (Waters, de apelido), que começou a fazer pequenos filmes, por puro prazer... Pouco depois, uma vez mais com Waters por detrás da câmara, e apresentando-se em drag como Divine, surgia como protagonista nesse acontecimento queer trash que foi Pink Flamingos, filme que faria do realizador e do actor duas das maiores figuras de referência do cinema independente norte-americano.

I Am Divine é um documentário biográfico, mas também uma celebração da memória da figura única que foi Divine, que John Waters explicou ter quebrado as regras do travesti, elevando esta arte a um nível de anarquia. Entrevistas com colaboradores, amigos e imagens de arquivo do próprio Divine cruzam-se aqui com momentos dos filmes em que participou (nos quais muitas vezes se desafiava no plano físico) e também instantes dos espectáculos que deu nos anos 80, quando encetou uma carreira em paralelo na música, editando discos como You Think You’re A Man ou Native Love (Step by Step).

Jeffrey Schwarz, produtor de renome e autor de documentários como Wrangler: Anatomy of An Icon ou Vito (sobre Vito Russo, o autor de Celluloid Closet), e que neste momento prepara um filme sobre Tab Hunter, encontra aqui mais um ponto de vista numa obra que tem ajudado a construir episódios fulcrais da história da cultura queer.

domingo, setembro 22, 2013

Queer Lisboa 17 (dia 3)

Está a decorrer no Cinema São Jorge o Queer Lisboa 17, a edição de 2013 do Festival Internacional de Cinema Queer. Aqui podem encontrar link para a programação de hoje. Já a seguir ficam destaques para duas das sessões de hoje e ainda mais dois textos de minha autoria que integram catálogo (e a sua expressão online) e que correspondem a filmes que poderão ver hoje.

Pelas 22.00 passa, em estreia nacional, o filme E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto, recentemente premiado em Locarno e claramente um dos filmes do ano. Documentário auto-biográfico, assinala também o reencontro das nossas salas com a obra de um cineasta notável, autor de filmes magníficos (e injustificadamente ausentes do circuito de DVD) como Onde Bate o Sol ou Uma Pedra No Bolso.

The Knife
Perfume Genius
The Hidden Cameras
Também hoje é apresentada a primeira das duas sessões do programa Queer Pop do Queer Lisboa 17. Trata-se de um panorama que propõe alguns telediscos produzidos ao longo do último ano, passando pelas reflexões sobre identidade de género dos The Knife, uma animação para os Sigur Rós ou ainda ecos do belíssimo segundo álbum de Perfume Genius. A grande estreia desta sessão é Gay Goth Scene, teledisco do mais recente single dos The Hidden Cameras, e aperitivo pata o álbum Age a editar no outono. Trata-se de um pequeno filme sobre bullying, apresentado na forma de um teledisco que tem estado a ser estreado em festivais de cinema e não está ainda disponível na Internet.




Me @ The Zoo
(Sala Manoel de Oliveira, 17.15)

A 10 de Setembro de 2007 um rapazito de 19 anos colocava na Internet um vídeo no qual, entre lágrimas quase convulsivas, pedia que deixassem Britney Spears em paz, respondendo assim às críticas que tinham surgido na sequência da actuação da cantora nos MTV Music Video Awards, dias antes, em Las Vegas... As imagens de Chris Crocker a implorar “Leave Britney Alone” correram mundo e alcançaram num ápice milhões de visualizações, fazendo desse um dos mais célebres vídeos virais da história e tornando o que era já uma pequena celebridade online num dos mais visíveis fenómenos de uma nova era da comunicação.

Me @ The Zoo propõe um retrato de um dos mais célebres vídeo bloggers (que, apesar de uma primeira etapa no MySpace, foi no YouTube que disponibilizou os seus vídeos mais visitados). Toma como ponto de partida a figura de um jovem gay, andrógino e provocador, residindo no espaço longe de tolerante de uma pequena cidade rural norte-americana (em concreto no Tennessee) e que, entretanto, encetou uma carreira discográfica e, mais recentemente, tem trabalhado na indústria do porno. Observa o seu espaço de vida privada, em casa dos avós, entre posters de Britney Spears. Reflecte sobre a celebridade fulminante, as luzes das passadeiras e dos estúdios de televisão, que convivem aqui com a ressaca que a exposição pode comportar.

Às imagens captadas pelos realizadores o filme junta outras, de muitos dos seus vídeos, assim como atenta a outras que traduzem as consequências que estes desencadearam. Mas Me @ The Zoo, que faz frequentes flirts com a linguagem destas plataformas de comunicação visual na Internet, celebra igualmente a era da comunicação online, os fenómenos de encantamento, mimetismo, mas também de ódios que se expressam com violência, que estas janelas abrem ao mundo.




A Volta da Pauliceia Desvairada
(Sala 3, 21.30)

Carão? É uma pessoa que, em plena noite, se comporta como se fosse famosa. Bapho é algo maravilhoso. Close é qualquer coisa que corre mal. Amapô é mulher e bofe é homem. Badalo? É como quem diz “que loucura!”... Estas são apenas algumas das palavras da gíria usada por quem anda pela noite paulista. Umas expressões têm anos de vida. Outras, como “bonsdrink” chegaram mais recentemente via YouTube (esta em concreto de um vídeo viral de Luisa Marilac). E fazem parte de um desfile de palavras e significados que podemos descobrir em A Volta da Pauliceia Desvairada documentário que procura arrumar, segundo várias regras sistemáticas, um retrato da enorme variedade que habita a noite gay e lésbica da cidade de São Paulo.

Apesar de centrado em retratos e vivências do presente, escutando o que dizem os DJs, porteiros, entertainers e público, o filme não esquece a memória, sobretudo do Madame Satã, um espaço mítico da cultura nocturna da São Paulo dos anos 80, num tempo em que, sob ditadura, a busca de liberdade encontrava outros caminhos e manobras para se expressar. “Hoje está tudo mais careta”, chega mesmo a confessar alguém que viveu esses dias.

Arrumar é mesmo o verbo que mais bem caracteriza o filme. Começamos por fazer um percurso dos bares e discotecas em função dos dias da semana em que mais dão que falar. E pelo caminho reparamos no que leva as pessoas a sair (há quem busque hedonismo, há quem procure sexo, há quem prefira a bebida). Fala-se da música que se dança. Do visual que vinca a personalidade de cada um. Do que pensam do amor...

Há quem aqui defenda que a noite é “o lugar que pode maximizar e libertar as pessoas”. E o filme acaba por ser a celebração dessa visão e da busca da liberdade de cada um. Deixa um retrato de festa e alegria. Mas no fim sobra uma questão. É tudo feliz ali?

sábado, setembro 21, 2013

Queer Lisboa 17 (dia 2)

Está a decorrer desde ontem no Cinema São Jorge o Queer Lisboa 17, a edição de 2013 do Festival Internacional de Cinema Queer. Aqui podem encontrar link para a programação de hoje. Já a seguir ficam dois textos de minha autoria que integram catálogo (e a sua expressão online) e que correspondem a filmes que poderão ver hoje.

Silent Youth 
(Sala Manoel de Oliveira, 17.15)

Todas as histórias têm um começo (independentemente do desfecho que possam vir a conhecer mais cedo ou mais tarde). E Silent Youth é, acima de tudo, um olhar sobre o momento em que tudo começa. O primeiro cruzar de olhares, os passos que se aproximam, as primeiras palavras que se trocam. E, sobretudo, o silêncio que tacteia o espaço entre ambos e que observa o outro, à espera da palavra seguinte (que tantas vezes não se imagina exactamente qual será)...

Três anos depois da sua primeira longa-metragem – Human Kapital – o realizador alemão Diemo Kemmesies apresenta agora em Silent Youth a história de um primeiro encontro que toma a cidade de Berlim como cenário (sem procurar de todo os “postalinhos” que o turismo costuma referir). Entre a vastidão desolada da estação de metro ao ar livre de Warschawer Strasse, as margens do Spree ou a pista abandonada do aeroporto de Templehof cruzam-se e descobrem-se Marlo (interpretado por Martin Buchmann) e Kirill (Josepf Mattas). O primeiro está de visita a uma amiga que vive na cidade, o segundo é um estudante de ascendência russa. Cruzam-se ao princípio de uma noite na rua, trocam primeiras palavras junto aos comboios um pouco mais tarde e conversam, entre silêncios, até que chega a manhã seguinte, um telefone trocado já a sair do metro a deixar no ar se haverá ou não um segundo episódio...

O realizador, que assina também o argumento, centra o foco das suas atenções no modo como Marlo e Kirill se descobrem um ao outro. Dois estranhos numa terra que ambos estranham. Inadaptados, sonhadores e amantes, como os descreve o realizador. Uma descoberta que se faz sem pressa, entre receios e assombrações (cada qual com as suas), a solidão que os envolve nas altas horas da madrugada berlinense deixando-os a sós (e a nós com eles). - ver aqui ficha e trailer no site


O Carnaval é um Palco, a Ilha uma Festa
(Sala 3, 19.15)

No princípio era uma instalação. Oito projecções, cruzando uma ideia de antropologia visual com criação artística, a ideia nasceu como uma vídeo-instalação no Museu Nacional de Etnologia, mais tarde patente no Museu de Angra do Heroísmo.

Rui Mourão partiu para a ilha Terceira em busca de histórias, figuras e imagens de danças de carnaval com tradição centenária. A sua origem nos tempos é remota, mas difícil de precisar, havendo quem as tome como provavelmente contemporâneas dos autos vicentinos. Em tempos idos a festa fazia-se nas ruas, hoje são pequenos palcos que a recebem. O certo é que, durante quatro dias, a ilha se transforma e “a festa faz esquecer a tristeza”. Há taxistas que se revelam dramaturgos, um padre que é actor, e lavradores que vestem as mais diversas peles, mesmo tendo estado poucas horas antes a ordenhar as vacas.

Entre as muitas personagens que ali se vestem há figuras femininas interpretadas por homens. De resto, em tempos, aquele era o momento do ano em que muitos homens com vida heteronormativa se depilavam, usavam saltos, vestidos. Mas nem só do vestir de um género diferente vivem estes bailinhos, sendo também frequente a representação de homossexualidade. Há quem a descreva como servindo de motivo de chacota. Humor popular… Há quem defenda que não há intenções de ferir as susceptibilidades de ninguém.

Mas a câmara (e as perguntas) de Rui Mourão, sem deixarem de focar o retrato da festa que ali foram procurar, atentam nestes factos, nestas visões diferentes. Uma entusiasta do carnaval na Terceira, que acompanha quase todo o filme, lembra que a ilha é conhecida por ter uma expressiva comunidade gay e lésbica (e já com alguns casamentos celebrados desde que a lei o permite). O confronto entre a realidade do presente e as formas de retratar afirmações diferentes de género e de sexualidade acabam por se revelar uma das forças maiores deste filme. - ver aqui ficha e trailer no site