Depois da sua passagem em Cannes, e tal como se esperava, o filme de Terrence Malick, A Hidden Life, irá tentar a sua sorte na próxima temporada de prémios, com estreia americana agendada para Dezembro (chegando aos ecrãs portugueses em Janeiro de 2020). Baseado na história verídica de Franz Jägerstätter (1907-1943), que recusou integrar o exército nazi, esta prodigiosa saga humana já tem o seu primeiro trailer.
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quarta-feira, agosto 14, 2019
segunda-feira, maio 27, 2019
CANNES 2019 — Coreia do Sul & etc.
É uma estreia: a primeira Palma de Ouro do Festival de Cannes para a Coreia do Sul pertence a Parasite, de Bong Joon Ho. O júri presidido por Alejandro González Iñárritu deixou de fora os filmes de Quentin Tarantino e Terrence Malick — este texto foi publicado no Diário de Notícias (25 Maio).
Com o filme Parasite, a Coreia do Sul estreou-se a vencer o Festival de Cannes. Para a história da 72ª edição do Festival de Cannes, o júri presidido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu talvez possa ser definido como um colectivo que tentou concretizar a quadratura do círculo — as suas escolhas são, em última instância, um reflexo das muitas diferenças que habitam a produção contemporânea.
Assim, a distinção máxima para o coreano Parasite, de Bong Joon Ho, consagrou um dos objectos mais originais que o certame apresentou: uma comédia social sobre uma família que, de modo inesperado e perturbante, se vai transfigurando em conto apocalíptico, pleno de ressonâncias simbólicas. Ao mesmo tempo, é bem provável que, daqui a algumas décadas, os estudiosos do cinema se perguntem o que aconteceu para que as proezas de Quentin Tarantino (Era uma Vez... em Hollywood) e Terrence Malick (A Hidden Life) tivessem ficado fora do palmarés.
A “invenção” de prémios que não estão previstos no quadro tradicional do palmarés é sempre sintomática de alguma indefinição, porventura algum mal estar. Daí o insólito da “menção especial” para It Must Be Heaven, de Elia Suleiman. Voltando a encenar a sua condição de palestiniano como uma espécie de exílio interior, para mais através de uma alegria profundamente burlesca, Suleiman assinou um dos títulos mais ricos e sugestivos do festival. Do meu ponto de vista, face a esta “compensação”, não havendo consenso para lhe atribuir um dos prémios principais, teria sido mais razoável deixá-lo fora do palmarés.
A distinção mais consensual terá sido a de Antonio Banderas, como melhor actor, pela sua magnífica interpretação em Dolor y Gloria, de Pedro Almodóvar. O mesmo não se poderá dizer do prémio de melhor actriz para Emily Beecham, em Little Joe, de Jessica Hausner: uma performance segura e competente, sem dúvida, mas que deixou de fora trabalhos incomparavelmente mais complexos, incluindo os de Valerie Pachner (A Hidden Life) ou Noémie Merlant e Adèle Haenel (ambas em Portrait de la Jeune Fille en Fleur).
Enfim, sublinhe-se o regresso de Luc e Jean-Pierre Dardenne ao palmarés, desta vez com o prémio de realização pelo seu admirável Le Jeune Ahmed, retrato íntimo de um jovem manipulado pelas ilusões do fundamentalismo religioso (recorde-se que os irmãos Dardenne já receberam várias distinções em Cannes, incluindo duas Palmas de Ouro).
Para a história, registe-se também a presença brasileira no palmarés com Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, título que recebeu o Prémio do Júri (ex-aequo com o francês Os Miseráveis, de Ladj Ly). Tendo em conta que outro título brasileiro, A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, de Karim Aïnouz, já arrebatara o prémio principal da secção paralela “Un Certain Regard”, o mínimo que se pode dizer é que este foi um festival em que o Brasil marcou pontos importantes nos circuitos internacionais.
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CANNES / 2019 — PALMARÉS
PALMA DE OURO – PARASITE, de Bong Joon Ho (Coreia do Sul)
GRANDE PRÉMIO – ATLANTIQUE, de Mati Diop (França)
REALIZAÇÃO – LE JEUNE AHMED, de Luc e Jean-Pierre Dardenne (Bélgica)
ACTOR – Antonio Banderas, em DOLOR Y GLORIA, de Pedro Almodóvar (Espanha)
ACTRIZ – Emily Beecham, em LITTLE JOE, de Jessica Hausner (Áustria)
ARGUMENTO – PORTRAIT DE LA JEUNE FILLE EN FEU, de Céline Sciamma (França)
PRÉMIO DO JÚRI (ex-aequo) – LES MISÉRABLES, de Ladj Ly (França) e BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles (Brasil)
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CÂMARA DE OURO (primeiras obras) – NUESTRAS MADRES, de César Díaz (Guatemala)
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CURTAS-METRAGENS – LA DISTANCE ENTRE LE CIEL ET NOUS, de Vasilis Kekatos (Grécia); menção especial: MONSTRUO DIOS, de Agustina San Martín (Argentina)
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quinta-feira, abril 18, 2019
Terrence Malick na competição de Cannes
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| A HIDDEN LIFE: Valerie Pachner e August Diehl |
Oito anos depois de ter arrebatado a Palma de Ouro, com A Árvore da Vida, o americano Terrence Malick está de regresso à secção competitiva do Festival de Cannes com A Hidden Life [à letra: "Uma vida escondida"]. Inicialmente intitulado Radegund, o filme evoca Franz Jägerstätter (1907-1943), cidadão austríaco, objector de consciência que recusou integrar o exército nazi, vindo a ser condenado e guilhotinado pelo Terceiro Reich. Com August Diehl no papel central, o elenco do filme conta ainda Valerie Pachner, Matthias Schoenaerts, Jürgen Prochnow, Franz Rogowski, Michael Nyqvist e Bruno Ganz (os dois últimos já falecidos).
Malick é um dos habitués a reaparecer na selecção oficial de Cannes, a par do italiano Marco Bellochio (Il Traditore), dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (le Jeune Ahmed), do francês Arnaud Desplechin (Roubaix, une Lumière), do espanhol Pedro Almodóvar (Dolor y Gloria) ou do inglês Ken Loach (Sorry We Missed You); entre os muitos títulos que não concorrem para a Palma de Ouro estão os mais recentes trabalhos do francês Claude Lelouch (Les Plus Belles Années d'une Vie, com Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée) e do americano Abel Ferrara (Tommaso, com Willem Dafoe) — a lista oficial do certame, incluindo competição e extra-competição, e também a secção paralela "Un Certain Regard", está disponível no site oficial do festival.
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quarta-feira, outubro 24, 2018
Pixel 3 + Terrence Malick
Será que o Pixel 3, da Google, poderá revolucionar o mercado dos telemóveis e, mais concretamente, dos smartphones? As análises, interrogações e especulações andam por aí [leia-se, por exemplo, o texto do WIRED-UK]. Em qualquer caso, importa sublinhar que o novo objecto já tem associado à sua promoção um nome muito especial: Terrence Malick — foi assim que ele usou o Pixel 3.
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sábado, dezembro 30, 2017
10 FILMES DE 2017 [6]
— Terrence Malick
[ Kathryn Bigelow ] [ Martin Scorsese ] [ Pablo Larraín ] [ Andrei Konchalovsky ] [ Stéphane Brizé ]
Estranho processo de discriminação de Terrence Malick. Ninguém espera, como é óbvio, que a sua obra seja tratada como se fosse um objecto de transcendental veneração. O certo é que, depois da consagração quase universal de A Árvore da Vida (2011), é, no mínimo, desconcertante que não se reconheça que os seus títulos seguintes são, afinal, descendentes directos desse filme seminal — em boa verdade, poderiam (ou podem) existir como sucessivos capítulos das forças anímicas e dos princípios narrativos colocados em movimento através A Árvore da Vida. No caso de Música a Música, Malick filma um trio em estado de graça — Michael Fassbender, Rooney Mara e Ryan Gosling — nos cenários do South by Southwest, festival anual da cidade de Austin, no Texas, habitando uma deriva afectiva que, em última análise, compromete a verdade intrínseca de cada identidade. Poucos, como Malick, levaram tão longe a consolidação de uma linguagem do fragmento e do acontecimento efémero sem descolar das matrizes clássicas do melodrama. Como se as relações humanas fossem um sobressalto vivido "canção a canção" — é esse, aliás, o título original: Song to Song.
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domingo, maio 14, 2017
As canções de Terrence Malick
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| Terrence Malick e Rooney Mara — rodagem de Song to Song |
O cinema de Terrence Malick chegou a um ponto máximo de depuração: Song to Song aí está, envolvendo-nos com o seu poder encantatório — este texto foi publicado no Diário de Notícias (11 Maio), com o título 'Terrence Malick filma um carrossel de palavras ditas e confissões adiadas'.
O novo filme de Terrence Malick, Música a Música, acontece em ambientes marcados pelas mais diversas vibrações musicais — o pano de fundo é o célebre South by Southwest, festival anual da cidade de Austin, no Texas, em que os inúmeros concertos servem de pretexto para múltiplos eventos ligados à música (cinema, video, novas tecnologias, etc.). Seja como for, é pena que, para o lançamento português, não tenha sido adoptada uma tradução literal do título original, Song to Song: esta é, de facto, uma viagem de muitas emoções vivida momento a momento, “canção a canção”.
As vivências das personagens são-nos apresentadas como pequenas “canções” de estranha e tocante intimidade. E não só porque muitos temas são escutados na banda sonora (Bob Dylan, Die Antwoord, Iggy Pop, etc.). Também porque cada situação surge vivida e encenada como uma variação sobre uma componente específica — apetece dizer: uma melodia — da vida desta ou daquela personagem. A certa altura, assumindo o seu próprio papel, Patti Smith surge mesmo a dizer que seria capaz de tocar indefinidamente um determinado acorde na sua guitarra... Porquê? Porque, como na vida de qualquer um, a repetição das mesmas notas pode abrir para as mais inesperadas revelações.
Assim é a visão de Malick: um carrossel de encontros e desencontros, gestos consumados ou suspensos, palavras ditas, confissões adiadas. Para além da indústria das canções, dos concertos e da música em geral, aquilo que liga as personagens — em especial o trio interpretado pelos magníficos Michael Fassbender, Rooney Mara e Ryan Gosling — pode definir-se como um impasse identitário. Cada um deles duvida, afinal, da contundência do seu próprio desejo. Será esse, aliás, um dos elementos nucleares do universo de Malick: cada vez que se desenha um elo amoroso entre dois seres humanos, instala-se uma incerteza, ao mesmo tempo afectiva e intelectual, que faz com que qualquer utopia de felicidade se desvaneça num assombramento à beira do pânico.
A natureza humana
Nada disto é novo, como é óbvio. Ou melhor: se é verdade que este é um filme que nos surpreende pela absoluta singularidade dos seus momentos dramáticos, não é menos verdade que nele deparamos com as marcas de uma experimentação, de uma só vez temática e formal, que Malick começou em 2011, com o aclamado A Árvore da Vida — podemos mesmo dizer que Song to Song funciona “apenas” como um capítulo que poderia ser integrado, com total pertinência e harmonia, na estrutura narrativa de A Árvore da Vida.
A natureza humana, seus enigmas e contradições, é o núcleo temático da obra de Malick — eis uma definição tão objectiva quanto discutível. Objectiva porque, de facto, os elementos naturais se impuseram nos seus filmes como paisagem decisiva das convulsões das personagens: o notável trabalho do director de fotografia Emmanuel Lubezki tornou-se mesmo indissociável de tal processo criativo. Discutível porque a natureza acaba por se revelar contra qualquer “naturalidade” ou “naturalismo”: cada imagem convoca-nos como uma espécie de símbolo de um alfabeto desconhecido, uma vinheta breve celebrando os mistérios do comportamento humano.
Será precipitado julgar que tal visão se esgota num qualquer “formalismo” dos filmes e do cinema. Malick é mesmo, hoje em dia, um dos cineastas mais puros na resistência à encenação dos seres humanos através de um qualquer conceito de eficácia ou performance. Neste filme, em particular, a sua ternura cruel rejeita o “liberalismo” das narrativas dominantes, expondo a solidão radical de cada um — o seu génio condena-o a ser um cineasta maldito.
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sexta-feira, março 10, 2017
Patti Smith está no filme de Terrence Malick
Depois do trailer do novo filme de Terrence Malick, ficamos a saber que Song to Song inclui várias presenças no seu próprio papel: The Black Lips, Lykke Li, Iggy Pop e, last but not least, Patti Smith — eis a autora de Horses a partilhar algumas memórias conjugais com Rooney Mara.
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quinta-feira, março 02, 2017
Terrence Malick filma Angelina Jolie
Angelina Jolie e Terrence Malick reuniram-se em nome de um novo perfume da marca Guerlain ('Mon Guerlain'). O resultado é um pequeno grande filme de um minuto, sensual e cerebral, numa espécie de derivação formal do trailer do novo filme de Malick, Song to Song, recentemente divulgado — o cachet de Jolie será integralmente distribuído por instituições humanitárias.
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sábado, fevereiro 18, 2017
A música de Terrence Malick
O novo filme de Terrence Malick, Song to Song, vai ser revelado a 10 de Março, no festival South by Southwest, na cidade de Austin, Texas. E não é por acaso: com um elenco que inclui Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara e Natalie Portman, anuncia-se como uma teia romanesca tendo por pano de fundo, justamente, a cena musical de Austin — ainda sem data portuguesa, já temos cartaz e trailer.
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sábado, julho 02, 2016
Terrence Malick — o novo trailer
É mesmo verdade: Terrence Malick, o realizador de A Árvore da Vida (2011), A Essência do Amor (2012) e Cavaleiro de Copas (2015), tem um novo filme: um documentário. Chama-se Voyage of Time, foi especialmente concebido para as salas IMAX e estreará em Outubro nos EUA — Brad Pitt é quem apresenta o trailer; ele e Cate Blanchett são os narradores do filme.
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segunda-feira, março 14, 2016
Malick — um cineasta das margens
O novo filme de Terrence Malick, Cavaleiro de Copas, demorou mais de um ano a chegar às salas portuguesas, confirmando-o como o mais paradoxal dos autores marginais — este artigo foi publicado na revista Metropolis (nº 36), com o título 'Um cineasta lendário'.
O filme Cavaleiro de Copas, de Terrence Malick, teve a sua primeira exibição pública no Festival de Berlim, em Fevereiro de 2015. Mais de um ano depois, em Março de 2016, chega às salas americanas (e de outros países, incluindo Portugal). Esta “espera” é, por si só, reveladora do lugar bizarro que a obra de Malick ocupa no mercado: por um lado, não deixa de ser reconhecida como um singularíssimo fenómeno artístico; por outro lado, dir-se-ia que os circuitos de difusão não sabem o que fazer com ela, mesmo quando, como é o caso, o seu trabalho convoca um elenco que envolve, entre outros, os nomes de Christian Bale, Cate Blanchett e Natalie Portman.
Em boa verdade, Malick sempre foi um cineasta a trabalhar com alguns dos actores mais populares de Hollywood e, ao mesmo tempo, existindo nas suas margens (ou para elas sendo empurrado). Dir-se-ia um independente que se expressa, paradoxalmente, a partir do núcleo da grande indústria.
Noivos Sangrentos, o lendário Badlands (1973), foi a sua primeira longa-metragem, encenando a saga de um casal de jovens, interpretados por Martin Sheen e Sissy Spacek, que actualizam, de forma trágica, a mitologia do western. Passaram-se cinco anos até Dias do Paraíso (1978), poema dramático sobre um mundo rural na viragem dos séculos XIX/XX, um dos primeiros papéis importantes de Richard Gere [trailer].
A partir daí, dir-se-ia que a carreira de Malick se tornou indissociável de uma fascinante dimensão lendária. E com a raridade que tal implica. Assim, decorreram duas décadas até A Barreira Invisível (1998), filme de guerra que se confundia com um retrato íntimo da solidão humana. O Novo Mundo (2005), porventura o seu filme mais desequilibrado (ou mais afectado pelas diversas versões, com distintas durações, com que foi difundido), revisitava a personagem de Pocahontas e as origens mitológicas da América.
Só em anos recentes se ampliou a visibilidade do cinema de Malick (não necessariamente do próprio cineasta, avesso a exposição pública e entrevistas). A Árvore da Vida (2011), com Brad Pitt, Jessica Chastain e Sean Penn, um drama familiar ao que parece com algumas componentes auto-biográficas, arrebatou a Palma de Ouro em Cannes, seguindo-se A Essência do Amor (2012) e Cavaleiro de Copas. De acordo com as notícias mais recentes, Malick tem pronto Weightless, filmado em simultâneo com Cavaleiro de Copas, e está a terminar o documentário Voyage of Time. Ironicamente, Cavaleiro de Copas, tendo estreado agora nos EUA, poderá surgir em 2017 nas nomeações para os Oscars.
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sexta-feira, março 04, 2016
Terrence Malick em Hollywood
Terrence Malick está de volta — esta nota sobre Cavaleiro de Copas foi publicada no Diário de Notícias (3 Março), com o título 'No labirinto de Hollywood'.
Na sua nobre diversidade (muito anterior à discussão do assunto a propósito dos Oscars), o cinema americano, mesmo com a sua gigantesca máquina promocional, não sabe muito o que fazer com Terrence Malick... De tal modo que este Cavaleiro de Copas (Knight of Cups), ainda que contando com nomes como Christian Bale, Cate Blanchett ou Natalie Portman, só agora está a chegar às salas de muitos países (incluindo EUA e Portugal), mais de um ano após a sua revelação no Festival de Berlim.
Objecto de inclassificável fascínio, podemos, talvez, situá-lo como peça de uma trilogia que começa com A Árvore da Vida (2011) e A Essência do Amor (2012), discutindo os êxtases e limites de uma existência humana sempre tocada pela nostalgia de uma Natureza redentora, albergando no seu labirinto o rosto de um Deus que resiste à exposição. Ironicamente ou não, o motor dramático de tudo isto é a personagem de um argumentista de Hollywood (Bale), tentando descortinar uma lógica para a sua errância pelo mundo feminino — no cinema de Malick, são as mulheres que guardam o segredo do divino.
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sexta-feira, agosto 14, 2015
À espera de Malick
Um belo trailer e dois sugestivos cartazes (americano em cima, alemão em baixo): o novo filme de Terrence Malick, Knight of Cups, embora apresentado em Fevereiro, no Festival de Berlim, só chegará às salas americanas em 2016; em Portugal, ainda não se sabe — aqui ficam os materiais disponíveis.
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sexta-feira, fevereiro 13, 2015
Berlim já viu o novo Malick
(e eu gostei)
O ritmo a que vamos encontrando hoje novos filmes de Terrence Malick em nada se pode comparar ao que outrora conhecíamos num realizador que merecia, mais que qualquer um, o epíteto de bissexto quando chegava a altura de reparar na sua agenda de estreias. Cinco anos separaram a sua estreia em Badlands (1973) de Days of Heaven (1978), o filme que revela primeiros sinais de uma linguagem que viria a aperfeiçoar com o tempo. Vinte anos esperámos depois para o rever, em 1998, em A Barreira Invisível, sete depois até O Novo Mundo (2005) e seis até A Árvore da Vida (2011). De então para cá os intervalos foram reduzidos a dois anos para To The Wonder (de 2013, que entre nós estreou com a tradução menos inspirada A Essência do Amor) e, agora, Knight of Cups, havendo já em carteira dois novos projetos. Um rodado ao mesmo tempo que Knight of Cups, deverá focar a cena musical em Austin, no Texas. Ao mesmo tempo está em pós-produção Voyage of Time, documentário no qual trabalha há vários anos e sobre o qual se disse já que seria destinado a ecrãs Imax e teria duas versões, uma para exibição em museus, outra, mais longa, destinada às salas de cinema… Explicações para tão prolífica agenda? Haverá razões, certamente. E habitualmente esquivo nestas coisas dos media, Malick não deverá ter vontade para as justificar. Mas se virmos em A Árvore da Vida o alcançar definitivo de uma linguagem muito pessoal que vinha a ensaiar desde 1978, podemos entender o pós-2011 como um tempo em que, com voz dominada, agora pode procurar outras demandas: histórias.
Knight of Cups (o título vem de uma carta de tarot) é uma narrativa clara e bem focada sobre um tempo de desnorte e vazio na vida de um argumentista de Hollywood (interpretado por Christian Bale) que, apesar de criar tantas personagens, não sabe afinal nem quem é nem para onde vai. O filme acompanha a sua demanda por um sentido para a sua vida, ao mesmo tempo que evoca ligações passadas e presentes, frágeis e curtas, entre as mulheres que passam pela sua vida cruzando-se personagens criadas por Cate Blanchett ou Natalie Portman. Entre cenas de hedonismo em mansões luxuriantes ao bom estilo o Grande Gatsby (versão Hollywood) ou clubes de strip e tempos de fuga entre areais de praia ou a paisagem sem vivalma do Vale da Morte, a vida do protagonista esbarra no que vê e sente de imediato, um sentido mais profundo não surgindo sequer na linha do horizonte.
Num filme urbano, essencialmente rodado em Los Angeles (e com uma sequência em Las Vegas que acentua mais ainda o fosso que separa a exuberância das formas do vazio que as move), as marcas formais do cinema de Malick são rapidamente reconhecíveis nos movimentos de câmara, nas opções e ritmos de montagem, na música – onde se destacam desta vez Vaughan Williams, Grieg, Debussy, Pärt e Hanan Townshend (que tal como no filme anterior assina o score original), surgindo ainda pontualmente ecos da cultura pop/rock contemporânea – e na presença da voz em off (que em alguns momentos cabe a Ben Kingsley, que conta a história de um príncipe enviado pelo pai para encontrar uma pérola e que, depois de se distrair, esquece quem é e cai num longo sono, num paralelo evidente para com o protagonista).
Há também elementos temáticos em comum, da busca interior ao procurar na fé ou espiritualidades (e aqui não se fecha no cristianismo, apesar de ser num padre que escuta a ideia do sofrimento como etapa a cumprir antes de atingir a iluminação). Há uma família que perdeu um de três irmãos (como n’A Árvore da Vida). Há ocasionais olhares sobre vidas marginais, entre ruas menos bafejadas pela sorte (como em To The Wonder). Mas há um respirar de uma busca nova, entre as imagens da cidade, os muitos planos subaquáticos (entre o mar e piscinas) e uma breve sequência – que podemos associar ao trabalho de fotografia que a personagem de Christian Bale às vezes acompanha – de imagens paradas a preto e branco que colocam novos elementos em jogo.
Ao invés da narrativa fragmentada em A Árvore da Vida este é um filme sem grandes elipses. O passado surge mais em encontros e evocações em vez de flashbacks, estes sendo breves e muitas vezes usando as texturas de imagem das velhas câmaras de vídeo. Tal como em To The Wonder, mas sem o desencantamento que então assombrava as figuras de Affleck e Bardem, a firme busca de sentido e de identidade do protagonista acompanha-nos num contraste entre a tranquilidade aparente da sua expressão (algo inerte e desencantada) e o torpor de dúvidas e ansiedades que imaginamos por detrás dos seus olhos. Acompanhá-lo, ao longo de duas horas, foi até aqui a melhor das experiências desta 65ª Berlinale.
PS. Este texto foi originalmente publicado na Máquina de Escrever
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terça-feira, junho 04, 2013
Malick: cinco fotogramas (5)
Podemos percorrer os fotogramas de To the Wonder/A Essência do Amor, de Terrence Malick, como um mapa carnal e simbólico — a mise en scène está nos detalhes.
Há toda uma mitologia "pictórica" do cinema que tende a favorecer uma ideia simplista: o cinema ganharia grandeza, porventura dignidade, quando se aproxima de padrões de composição (escala, figura, cor, etc.) que possamos remeter para alguma(s) referência(s) da pintura. Ora, escusado será dizer que não se trata de recalcar a ligação de muitos e importantes cineastas, de Vincente Minnelli a Terrence Malick, aos mais diversos modelos da pintura. Acontece que aquela visão "imitativa" dos filmes passa ao lado do essencial. A saber: em cinema, a paisagem existe, não como mero "quadro", mas também como duração. No caso de Malick, podemos acrescentar: a medida do tempo é indissociável do modo como as personagens se inscrevem no contexto paisagístico. Ou ainda: a paisagem não é um mero receptáculo, "bonito", mas uma configuração do espaço que só adquire pertinência e intensidade a partir das vivências mais íntimas das personagens. Daí que To the Wonder seja um filme em que todas as escalas se baralham e relativizam: o espaço aberto de uma planície pode corresponder a um hiato emocional intensamente interior, do mesmo modo que o grande plano de um rosto pode abrir o filme para uma dimensão galáctica. Encontramos, assim, um dos mais fascinantes paradoxos do mais radical cinema moderno: a obsessão realista do detalhe pode estar ao serviço de uma exuberância operática que já não se deixa medir por medidas meramente humanas — ou ainda: o factor humano é aquilo que não cabe dentro de si.
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| JEAN-BAPTISTE CAMILLE COROT Floresta de Fontainebleau, 1846 |
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| VINCENT VAN GOGH Campo de Trigo com Ciprestes, 1888 |
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| PAUL CÉZANNE Mont Sainte-Victoire, 1904 |
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segunda-feira, junho 03, 2013
Malick: cinco fotogramas (4)
Podemos percorrer os fotogramas de To the Wonder/A Essência do Amor, de Terrence Malick, como um mapa carnal e simbólico — a mise en scène está nos detalhes.
Água. De uma maneira ou de outra, as personagens de Terrence Malick, tanto em A Árvore da Vida como em To the Wonder, mergulham — e instala-se uma sensação de asfixia que, ao mesmo tempo, se transfigura num paradoxal efeito libertador. Em boa verdade, há uma dimensão táctil, aquática, em tudo aquilo que Malick filma (pelo menos, nestes dois últimos filmes): o universo material está em permanente reconversão através dos pensamentos e emoções das personagens. No limite, tudo é fluxo informe à procura de uma forma redentora. Como um rio. Ou um oceano, se assim o soubermos desejar.
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sexta-feira, maio 24, 2013
Nos 200 anos de Richard Wagner (3)
Continuamos a assinalar os 200 anos do nascimento de Richard Wagner, uma vez mais através da relação que o cinema foi desenvolvendo com a sua música. Depois de aqui termos recordado representações da figura do próprio compositor, hoje lembramos três filmes nos quais a sua música marcou presença. Três casos notáveis que ligaram excertos de obras suas a imagens, a partir de então sendo difícil dissociar os pares que ali nasciam.
Comecemos por recordar o belíssimo Excalibur, de John Boorman, filme de 1981 que revisita as lendas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, acompanhando imagens e narrativa com uma banda sonora que valoriza as presenças da música de Carl Orff ou de Richard Wagner. Podemos lembrar aqui aquele momento em que Boorman recorre a um excerto de O Crepúsculo dos Deuses, sendo que ao longo do filme reconhecemos ainda passagens extraídas de gravações de Tristão e Isolda e Parsifal.
Depois rumamos a Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, que se afirmaria como uma das mais célebres utilizações da música de Wagner na história do cinema. A 'Cavalgada das Valquírias' (da ópera A Valquíria) que abre o terceiro ato da ópera serve aqui de banda sonora a uma das sequências mais arrepiantes do filme, sob verdadeira “carga” de helicópteros sobre uma aldeia vietnamita.
A terceira referência é mais recente e remete-nos a uma sequência nos primeiros minutos de O Novo Mundo, filme de 2005 de Terrence Malick. Estamos em 1607, uma armada entra num rio em território americano. A madeira dos barcos e o cordame rangem, as quilhas cortam as águas, e em fundo ouvem-se os primeiros compassos de O Ouro do Reno.
Podem ver aqui um excerto de Excalibur
Podem ver aqui um excerto de Apocalypse Now
Podem ver aqui um excereto de O Novo Mundo
Todos estes excertos correspondem a momentos em que a música de Wagner se escuta na banda sonora dos respetivos filmes.
Comecemos por recordar o belíssimo Excalibur, de John Boorman, filme de 1981 que revisita as lendas do rei Artur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, acompanhando imagens e narrativa com uma banda sonora que valoriza as presenças da música de Carl Orff ou de Richard Wagner. Podemos lembrar aqui aquele momento em que Boorman recorre a um excerto de O Crepúsculo dos Deuses, sendo que ao longo do filme reconhecemos ainda passagens extraídas de gravações de Tristão e Isolda e Parsifal.
Depois rumamos a Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, que se afirmaria como uma das mais célebres utilizações da música de Wagner na história do cinema. A 'Cavalgada das Valquírias' (da ópera A Valquíria) que abre o terceiro ato da ópera serve aqui de banda sonora a uma das sequências mais arrepiantes do filme, sob verdadeira “carga” de helicópteros sobre uma aldeia vietnamita.
A terceira referência é mais recente e remete-nos a uma sequência nos primeiros minutos de O Novo Mundo, filme de 2005 de Terrence Malick. Estamos em 1607, uma armada entra num rio em território americano. A madeira dos barcos e o cordame rangem, as quilhas cortam as águas, e em fundo ouvem-se os primeiros compassos de O Ouro do Reno.
Podem ver aqui um excerto de Excalibur
Podem ver aqui um excerto de Apocalypse Now
Podem ver aqui um excereto de O Novo Mundo
Todos estes excertos correspondem a momentos em que a música de Wagner se escuta na banda sonora dos respetivos filmes.
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quinta-feira, maio 16, 2013
Malick: cinco fotogramas (3)
Podemos percorrer os fotogramas de To the Wonder/A Essência do Amor, de Terrence Malick, como um mapa carnal e simbólico — a mise en scène está nos detalhes.
Os bisontes de To the Wonder não são uma curiosidade de nostalgia mais ou menos rural. Do mesmo modo que não se trata de filmar uma cena com Rachel McAdams e Ben Affleck explorando uma qualquer mais-valia "paisagística". Esta é mesmo uma daquelas situações que o senso comum cinematográfico tende a descartar como mera "transição", ignorando que o trabalho narrativo consiste em dar a ver o que se impõe por ser tão claramente visto. Dito de outro modo: o verdadeiro "tema" da cena é a própria coabitação de actores/personagens e bisontes — há nela um testemunho de vida e um irrecusável efeito de verdade, em tudo e por tudo inerente ao cinema. A certa altura, a câmara de Malick aposta em registar o olhar insondável de um dos animais, mas sem que o filme se atreva a figurar o respectivo plano "subjectivo" — afinal de contas, os seres humanos são muito eficazes a dizimar bisontes, mas nada sabem sobre os respectivos modos de estar.
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terça-feira, maio 14, 2013
Malick: cinco fotogramas (2)
Podemos percorrer os fotogramas de To the Wonder/A Essência do Amor, de Terrence Malick, como um mapa carnal e simbólico — a mise en scène está nos detalhes.
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É uma herança visceral e complexa dos tempos agitados das "novas vagas". Encontramo-la na fascinante arquitectura de espaços desenhada por cineastas como Godard ou Straub/Huillet (recordemos esse filme modelar que é Crónica de Ana Madalena Bach): enquadrar não é mostrar uma zona do espaço mas, em boa verdade, sobrepor ao mundo visível um conceito de espaço. Digamos, então, que o classicismo, por regra, e pelo menos até Welles (Citizen Kane), era centrípeto: elaborava linhas que, de alguma maneira, aquietassem o espaço. Depois, a imagem passou a assumir-se como pólo visível do infinito labor do invisível — não ver tudo define uma nova ética de mise en scène. Onde está o plano subjectivo de Rachel McAdams? Não vai surgir. E esse desequilíbrio, prenunciado pela tensão das diagonais, define uma arte humana que a televisão quotidiana, na sua preguiça normativa, ainda não descobriu.
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| CRÓNICA DE ANA MADALENA BACH (1968) Jean-Marie Straub / Danièle Huillet |
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Cinema - Estreias,
Terrence Malick
domingo, maio 12, 2013
A pulsão poética de Malick
Não devemos pedir desculpa pela poesia. Nem alimentar a ilusão de que há nela qualquer universalismo obrigatório... Nada disso: como bem o demonstra o trabalho de Terrence Malick, a poesia divide — este texto foi publicado no Diário de Notícias (8 Maio), com o título 'A poesia é uma coisa política'.
Vivemos tempos de promoção mediática da desconfiança. Em relação a quê? Ao que realmente importa. Por um lado, oferece-se espaço, atribui-se importância e reconhece-se credibilidade à vergonhosa enxurrada de estupidez consagrada pelo Big Brother; por outro lado, não se confia na delicadeza poética de criadores como Terrence Malick, não poucas vezes tratados como fenómenos marginais para espectadores suspeitos de fervores espirituais... A questão, entenda-se, não está no suposto universalismo de Malick. Aliás, devemos começar por reconhecer o exacto contrário: como prova o seu novo filme, A Essência do Amor, não há cinema que mais nos convoque nos limites do entendimento humano e, por isso mesmo, mais nos perturbe e divida.
Apesar disso (ou justamente por causa disso), talvez seja útil avaliar o que é, e como é, a pulsão poética de Malick. Uma projecção dos factos mais enigmáticos da existência humana? Sem dúvida. Em todo o caso, importa sublinhar o genuíno poder da poesia: não um discurso de fuga em relação às convulsões do nosso mundo, antes uma derivação emocional e conceptual que nos relança numa outra visão, visceralmente política, desse mesmo mundo.
No seu magoado romantismo, A Essência do Amor existe também, afinal, como retrato íntimo de uma América rural, ferida no seu âmago: de forma discreta, mas sempre contundente, Malick faz-nos sentir a dor de comunidades esquecidas, tentando sobreviver face aos valores do “progresso”. Por isso, as atribulações amorosas vividas pelas personagens de Ben Affleck, Olga Kurylenko e Rachel McAdams (e também o padre interpretado por Javier Bardem) são sinais de um tempo amargo para a utopia made in America. Como em John Ford, a demanda espiritual confunde-se com o drama da terra.
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