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sábado, agosto 01, 2026

Daniel Lanois em concerto

Produtor, aliás, super-produtor (com Dylan e U2 no curriculum), o canadiano Daniel Lanois é também um criador com identidade muito própria. Lançou recentemente um novo álbum, Belladonna Nocturne (ecoando o seu Belladonna, de 2005), ao mesmo tempo que colocou online este registo de JJ Leaves LA, tema do álbum Shine (2003) interpretado ao vivo. Lanois, na guitarra havaiana, conta com a companhia de Jim Wilson (baixo) e Jermaine Holmes (bateria).

segunda-feira, junho 29, 2026

Miles Davis, 1986

Foi há 40 anos, mais exactamente a 15 de junho de 1986: Miles Davis participou num concerto para a Amnistia Internacional, no Giants Stadium de Meadowlands, New Jersey — convidado especial na guitarra eléctrica: Carlos Santana.
 

sábado, junho 20, 2026

Miles Davis, 1991

[ poster de Max Bill ]

Recordemos Summertime, por Miles Davis, no Festival de Montreux de 1991. Ficou como uma das suas performances mais lendárias, e também mais carregada de emoções. Com a orquestra de Quincy Jones, tratou-se de uma evocação/homenagem a partir de temas temas arranjados por Gil Evans. Aconteceu a 8 de julho de 1991; Miles faleceu algumas semanas mais tarde, a 28 de setembro, em Santa Monica, Califórnia — contava 65 anos.
 

quarta-feira, maio 27, 2026

Sonny Rollins (1930 - 2026)

Colosso do saxofone. Assim o dizia o título do seu álbum gravado em 1956, Saxophone Colossus, e o mínimo que se pode dizer de Sonny Rollins é que os seus sons, em nome próprio ou apoiando outros notáveis (Miles Davis, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, etc.), pertencem, de facto, a uma história monumental em que persiste um sopro de invenção e modernidade capaz de transcender a linearidade de qualquer calendário.
Por uma ironia difícil de ignorar, a notícia da morte de Rollins foi conhecida a 26 de maio (ocorrera na véspera, em Woodstock), o dia em que Miles completaria 100 anos de vida.
Recriando em palco o tema do filme Alfie (1966), eis uma performance de Rollins na Noruega, no Festival de Jazz de Kongsberg, a 30 de junho de 1974 — acompanham-no Rufus Harley (saxofone), Yoshiaki Masuo (guitarra), Bob Cranshaw (baixo) e David Lee (bateria).
 

domingo, abril 05, 2026

Psycho Suite [Bernard Herrmann]

Hitchcock lembrando que é fundamental ver Psycho desde o começo
[cartaz da campanha de lançamento, em 1960]

No último SOUND + VISION Magazine, dedicado a Alfred Hitchcock, este terá sido um dos dos momentos mais singulares. Ou seja: a Suite de Psycho [Psico, 1960], de Bernard Herrmann, interpretada pela BBC Concert Orchestra, conduzida por Keith Lockhart — foi num concerto dos BBC Proms, no Royal Albert Hall, a 12 de agosto de 2011.

SOUND + VISION Magazine
Próxima edição: 'Os 50 anos de Einstein on the Beach, de Philip Glass'
FNAC Chiado: 2 maio (17h00).

sexta-feira, março 20, 2026

Aldous Harding, uma nova canção

A neozelandesa Aldous Harding é uma força da natureza, assombrada por uma intensidade dramática toda ela domesticada em forma de poética contenção. Aí está uma nova canção, One Stop, prenúncio do seu quinto álbum de originais, Train on the Island, agendado para maio.


>>> Tiny Desk Concert, na NPR.

terça-feira, março 10, 2026

Keith Jarrett, 1986

© Kishin Shinoyama / ECM

Foi há 40 anos, na Suíça, no Festival de Verão de Lugano: na companhia de Gary Peacock (contrabaixo) e Jack DeJohnette (bateria), Keith Jarrett dava nova vida a I Fall In Love Too Easily, tema clássico de Jule Styne (música) e Sammy Cahn (letra), cantado pela primeira vez em 1945, por Frank Sinatra, no filme Anchors Aweigh/Paixão de Marinheiro, de George Sidney — sublime.

sexta-feira, março 06, 2026

Epidermólise bolhosa?
> as canções de um combate

Eddie Vedder: um concerto, uma forma de militância

Eddie Vedder, vocalista dos Pearl Jam, está envolvido numa militância para dar a conhecer, e criar condições para que seja vencida, uma doença tão rara como a epidermólise bolhosa: o documentário Matter of Time (Netflix) testemunha esse combate — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 fevereiro).

É mesmo verdade que o documentarismo pode ter um papel importante no conhecimento do mundo à nossa volta. Assim acontece quando o trabalho documental, distanciando-se das formas de sensacionalismo que proliferam no espaço mediático, sobretudo em televisão, possui a inteligência básica de dar conta de uma questão complexa, seja ela qual for, sem escamotear, precisamente, a sua complexidade. Exemplo a descobrir, agora disponível na Netflix: Matter of Time, uma realização de Matt Finlin, com Eddie Vedder como figura de destaque.
Enfim, dizer que Vedder está em “destaque” é uma facilidade de linguagem que importa relativizar. O vocalista dos Pearl Jam, também com uma importante carreira a solo (o seu álbum mais recente, Earthling, foi lançado em 2022), surge, de facto, como protagonista de um concerto, mas este não é um “filme-concerto”. A sua performance no Benaroya Hall, em Seattle, aconteceu em 2023 com uma finalidade muito precisa: abrir o leque informativo sobre uma doença rara — epidermólise bolhosa (EB) — e mobilizar apoios para os projectos científicos que estão a ser desenvolvidos no sentido de encontrar uma cura.
Eddie e a sua mulher, Jill Vedder, são activistas que têm trabalhado, justamente, no sentido de dar a conhecer a doença, as difíceis condições dos que sofrem os seus efeitos, sobretudo crianças, e também as investigações em torno da EB. Em termos necessariamente esquemáticos, poderemos dizer que a EB é uma doença genética que se manifesta através de uma extrema fragilidade do tecido cutâneo. A designação “bolhosa” decorre do facto de se formarem bolhas na pele, de tal modo que o mais pequeno atrito pode dar origem a feridas difíceis de controlar. Para lá dos cuidados quotidianos que a doença exige, as crianças e adultos atingidos enfrentam inevitáveis limitações nas suas interações sociais.
O concerto de Eddie Vedder é tratado através de uma montagem ágil e sugestiva (a imponência do Benaroya Hall ajuda), alternando com testemunhos de vários médicos que investigam a EB ou acompanham, em particular, o tratamento regular das pessoas atingidas pela doença. E porque é de cinema que, aqui, estamos a falar, importa sublinhar o facto de as várias sequências com essas pessoas (algumas delas também presentes no concerto) serem filmadas com invulgar depuração: por um lado, trata-se de preservar um realismo frontal, em todos os sentidos da palavra, capaz de dar conta do dramatismo que os tratamentos podem envolver e do sofrimento inerente à situação dos pacientes; por outro lado, tudo isso chega-nos através de um método de elaborado pudor, preservando a dimensão humana de tudo o que vemos acontecer.

Uma questão de tempo

Estamos perante um combate em que se unem as histórias familiares e a pesquisa científica, tudo encontrando um eco muito especial nas canções de Vedder. Através dos testemunhos daqueles que estudam a EB ficamos a saber que, além de já haver medicamentos com algum efeito paliativo, a comunidade científica considera que no espaço de uma década será possível encontrar uma cura. Ao mesmo tempo, as palavras dos familiares, e dos próprios pacientes, espelham os factos mais crus, a par das emoções mais delicadas, de histórias de admirável resiliência.
É uma questão de tempo, como diz Eddie Vedder na canção que dá título ao filme — o respectivo teledisco está disponível no YouTube [video], aliás numa animação que ecoa algumas sequências do filme em que os desenhos animados servem para “figurar” o modo como a EB ataca as células. Não é todos os dias que deparamos com um documentário tão singelo, e também tão verdadeiro, sobre vivências tão especiais.

segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Sarah McLachlan na NPR

Sarah McLachlan

Aos 58 anos de idade, a canadiana Sarah McLachlan permanece fiel às nuances de uma pop romântica em namoro discreto, mas constante, com sonoridades folk. Actualmente em digressão, na sequência do lançamento do álbum Better Broken, passou pelos estúdios da NPR para um Tiny Desk Concert — como ela diz, cruzando "coisas velhas" e "coisas novas"...

domingo, fevereiro 15, 2026

Taxi Driver: uma memória de Bernard Herrmann

A nossa sessão da FNAC motivada pelos 50 anos de Taxi Driver envolveu memórias diversas do trabalho de Martin Scorsese, Robert DeNiro & etc. Muito em particular, evocámos o contributo de Bernard Herrmann que assinou a sua derradeira banda sonora precisamente para este clássico de 1976 — já não assistiu ao seu lançamento, sendo o filme (no genérico final) dedicado à sua memória.
Eis a música de Herrmann numa performance da Orquestra Sinfónica Nacional da Dinamarca, num concerto de 2018.

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SOUND+VISION Magazine / 14 março 2026

Pink Floyd em Pompeia

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sexta-feira, fevereiro 13, 2026

Wish You Were Here — o teledisco

Na história das imagens e dos sons dos Pink Floyd, o filme Pink Floyd: Live at Pompeii (1972) ocupa um lugar central. Filmados por uma equipa dirigida por Adrian Maben, aí descobrimos o quarteto que estava a trabalhar em The Dark Side of the Moon (1973) — Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason — numa extraordinária performance realizada num anfiteatro romano das ruínas de Pompeia... sem espectadores.
Restaurado em 4K, o filme/concerto vai ser reeditado em Blu-ray, com lançamento marcado para 27 de fevereiro. Em paralelo, a banda pôs a circular um outro restauro: o teledisco (se é que na altura a palavra se aplicava...) de Wish You Were Here, tema-título do álbum que surgiria em 1975 — impecável.
 

terça-feira, fevereiro 10, 2026

Bad Bunny: 13 minutos no Super Bowl

Bad Bunny

O facto de Donald Trump ter condenado o espectáculo de Bad Bunny no Super Bowl (8 fev.) não basta para o transformar num acontecimento. O que se passa é diferente, e não podemos perder a perspectiva que nos faz compreender a respectiva diferença. A saber: face a qualquer acontecimento que adquire o essencial da sua projeção social (e, neste caso, também política) através dos ecrãs televisivos, Trump "emerge" numa postura de juiz cuja autoridade, supostamente, anula todas as diferenças do mundo que ele não tolera. Ora, justamente, acontece que Bad Bunny celebrou uma América (no duplo sentido de nação e continente) de múltiplas e festivas diferenças — vale a pena ver os 13 minutos da sua performance.

sexta-feira, janeiro 30, 2026

Os Beatles no telhado da Apple

No dia 30 de janeiro de 1969 (faz hoje 57 anos), os Beatles subiram ao telhado da sua companhia, Apple Corps (no nº 3 da Savile Row, no centro de Londres), para darem um concerto... Durou 42 minutos (a inexcedível simpatia dos polícias não deu para mais).
Do seu registo, três canções — I've Got a Feeling, One After 909 e Dig a Pony — viriam a integrar o alinhamento do álbum Let it Be (lançado a 8 de maio de 1970). O "rooftop concert" de John Paul, George e Ringo parecia corresponder a uma celebração de um futuro que acabaria por não se cumprir — isto porque Let it Be, depois escutado infinitas vezes como um ritual sem sacerdotes, seria, de facto, um adeus.
A música sem redes sociais, plataformas digitais e tiktoks era apenas isso: música. E uma avalanche de emoções que não sabíamos dizer. Porventura continuamos sem saber.

>>> Get Back (take 1).


>>> The Beatles' rooftop concert [Wikipedia].

terça-feira, janeiro 27, 2026

John Fogerty na NPR

[ johnfogerty.com ]

Se dissermos que este concerto envolve memórias dos Creedence Clearwater Revival, então faz todo o sentido que a canção de fecho seja Have You Ever Seen the Rain. Dito de outro modo: John Fogerty, 80 anos, continua activo e fiel às suas raízes, agora dm ambiente de terna familiaridade, com os filhos Shane e Tyler Fogerty a integrarem a sua banda — aconteceu há dias, em cenário radiofónico, em mais um Tiny Desk Concert da NPR.

sexta-feira, janeiro 23, 2026

Música ao vivo
— um Top da revista Mojo

Savile Row, Londres (1969)

Foi no dia 30 de janeiro de 1969: os Beatles subiram ao telhado da Apple Corps, em Londres, para um mini-concerto que, afinal, era uma despedida antecipada. O evento está incluido num curioso Top 10, proposto pela edição francesa da revista Mojo. Ou seja: os grandes momentos da história da música ao vivo. Também lá estão, por exemplo Jimi Hendrix e Bob Dylan... Vale a pena ver.

Goo Goo Dolls na NPR

[ googoodolls.warnerrecords.com ]

Fundados em 1986, em Buffalo, Nova Iorque, os Goo Goo Dolls não precisam de "evoluir", já que a sua razão de ser está na verdade primitiva do rock que praticam. John Rzeznik (voz, guitarra) e Robby Takac (baixo, voz), os dois fundadores que mantêm a empresa a funcionar, asseguram uma contagiante evolução na continuidade, com as rugas do tempo e sem ostentação. Assim foi o seu recente Tiny Desk Concert na NPR, inevitavelmente concluído com Iris, sucesso global de 1998.

50 anos de Station to Station [2/3]

Come get up my baby
Look at that sky, life's begun
Nights are warm and the days are young
Come get up my baby

Mais uma memória do álbum Station to Station: com austeridade e elegância, Golden Years não oculta a sua pulsão nostálgica, ao mesmo tempo que possui a batida, a dor melódica e a angústia de um rock intemporal — de novo em Glastonbury, ano 2000.

segunda-feira, janeiro 19, 2026

Julianna Barwick / Mary Lattimore, Tragic Magic

As electrónicas e dissertações vocais de Julianna Barwick aliam-se à harpa de Mary Lattimore para um álbum que merece o seu título: Tragic Magic é uma cerimónia secreta de muitas cumplicidades, envolventes e sensuais, concretas e abstractas. Apetece dizer que o lirismo (rima com onirismo) do projecto não será estranho à herança de Badalamenti/Lynch. Seja como for, os resultados distinguem-se por uma postura muito própria, a meio caminho entre a nostalgia romântica da ópera e o gosto de uma experimentação que apela ao ambiente e, mais do que isso, à teatralidade de uma grande sala — exemplo: o tema de abertura, Perpetual Adoration, numa gravação no Lou Lou's Jungle Room, em San Diego.
 

sábado, janeiro 17, 2026

Monk na Europa (1965)

Memórias germânicas de Thelonious Monk — lançado nos dias finais de 2025, eis uma das preciosidades a considerar, desde já, para o balanço musical de 2026. Gravado a 8 de março de 1965 nos estúdios da Rádio Bremen, é o primeiro álbum de Thelonious Monk com a Columbia, depois de quatro anos ligado à Riverside, agora com a novidade de Larry Gales (contrabaixo) e Ben Riley (bateria), mantendo-se Charlie Rose (saxofone), acompanhante de Monk desde 1959.
Exibindo a mestria do bop, dir-se-ia que há sinais — nomeadamente no solo de Don't Blame Me [aqui em baixo] — de um pressentimento das linguagens vanguardistas que estavam a germinar. Pianista de gestos geométricos, firmes, por vezes como se fossem derivações da percussão, Monk possui a paradoxal energia poética de quem se mantém aberto a um diálogo íntimo e produtivo, em especial com o saxofone de Rose — a comparar com os ziguezagues criativos, de alguma maneira complementares, do notável Solo Monk, outra edição de 1965.

terça-feira, janeiro 13, 2026

50 anos de Station to Station [1/3]

Décimo álbum de estúdio de David Bowie (1947-2016), Station to Station (1976) está a fazer 50 anos. Indissociável das memórias de um período de violenta dependência de drogas, sobretudo de cocaína, nele se consuma uma significativa viragem musical — simplificando, um distanciamento das sonoridades soul e R&B de Young Americans (1975), abrindo caminhos para as electrónicas e, sobretudo, o espírito experimental de Low (1977), indissociável da colaboração com Brian Eno. Eis o tema-título, no ano 2000, em Glastonbury.