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quarta-feira, outubro 24, 2018

Cher e o Auto-Tune — 20 anos depois...

Auto-Tune: um processador de sons, criado em 1997 pela Antares Audio Technologies, que permite disfarçar imprecisões ou erros de vozes e instrumentos... Ou pode servir para distorcer e recriar vozes... Ou ainda para...
Enfim, lembremos que o capítulo zero do Auto-Tune, ou seja, a canção Believe, de Cher, lançada em Outubro de 1998, foi recebida num misto de perplexidade e resistência — até que ponto as delícias da manipulação sonora não concorriam para um esvaziamento criativo marcado pelo endeusamento fácil da tecnologia?
Provavelmente, o debate não está concluído. Em todo o caso, como recorda a NPR, a história mudou. Assim, longe de ser uma curiosidade museológica, a canção de Cher produziu um legado cuja descendência está longe de ter desaparecido: da pop mais tradicional ao R&B, passando por avalanches de hip-hop, o Auto-Tune anda por aí...
Eis uma pequena colecção de referências, isto é, temas que aplicam o Auto-Tune, incluindo o obrigatório Believe.

>>> Believe (1998), Cher.


>>> One More Time (2000), Daft Punk [audio].


>>> Love Like This (2007), Natasha Bedingfield.


>>> Disturbia (2008), Rihanna.


>>> I Gotta Feeling (2009), The Black Eyed Peas.


>>> Don't Wake Me Up (2012), Chris Brown.


>>> As Long as You Love Me (2012), Justin Bieber.

sábado, junho 10, 2017

The Kills cantam tema de Rihanna

Atenção: The Kills — os fabulosos Alison Mosshart e Jamie Hince — estão de volta com um precioso EP. Chama-se Echo Home e fica, desde já, como um dos diamantes deste ano de 2017 — será preciso, por certo, voltar ao assunto.
Para já, registemos uma das suas singularíssimas propostas. A saber: a austera recriação do tema Desperado, incluído por Rihanna no seu álbum Anti (2016). Aqui fica a versão de The Kills e, logo em baixo, o original.



quarta-feira, abril 12, 2017

Rihanna no país de Hitchcock

Rihanna, 2017
Na série Bates Motel, Rihanna retoma a personagem que, em Psico (1960), pertenceu a Janet Leigh: é o ziguezague das memórias cinéfilas através da televisão — este texto foi publicado no Diário de Notícias (9 Abril), com o título 'Aventuras de Rihanna no país de Hitchcock'.

Aviso prévio: se o leitor acompanha a série Bates Motel (TV Séries), é provável que as linhas que se seguem contenham elementos que o levem a antecipar informações (os célebres “spoilers”) que, naturalmente, quererá descobrir através dos respectivos episódios...
Pensemos, então, numa mulher, interpretada por Rihanna, que roubou uma grande quantia de dinheiro, a conduzir um automóvel, numa noite de chuva — o ambiente é de puro assombramento. Ao ver o néon de uma instalação hoteleira (de nome “Bates Motel”, precisamente), decide pernoitar no local... E surge a inevitável pergunta de algibeira: pensamos em quê, ou em quem?
Qualquer cinéfilo que venere o nome de Alfred Hitchcock evocará, de imediato, a viagem trágica de Marion Crane, interpretada por Janet Leigh, no clássico Psico (1960), uma das obras-primas do mestre do suspense. Pois bem, Marion está de volta em Bates Motel, a série centrada na figura do seu proprietário, Norman Bates, assumido pelo genial Anthony Perkins no filme de Hitchcock, agora interpretado por Freddie Highmore.
Janet Leigh, 1960
Depois de contar a história de Bates e sua mãe (Vera Farmiga), a série, na sua quinta e derradeira temporada, está a desembocar nos acontecimentos narrados no filme. Será que a Marion de Rihanna vai ter o mesmo destino que a personagem de Janet Leigh, morrendo nesse duche trágico que é, por certo, uma das cenas mais famosas de toda a história do cinema? Digamos que o espectador pode ter razões para duvidar...
Em todo o caso, para além da maior ou menor “coincidência” das aventuras das duas personagens no país de Hitchcock, vale a pena sublinhar a dimensão mais insólita da série. Chamemos-lhe a “infantilização” das memórias de Psico. Desde logo, através do intérprete de Norman: Perkins tinha 28 anos quando surgiu no filme de Hitchcock, tendo Highmore iniciado a rodagem de Bates Motel com apenas 20 (tínhamo-lo visto, ainda criança, em 2005, a protagonizar Charlie e a Fábrica de Chocolate, de Tim Burton). Depois, a integração de Rihanna no elenco empresta à narrativa um simbolismo “juvenil” que decorre menos da sua idade (fez 29 anos em Fevereiro, Janet Leigh tinha 33) e mais, como é óbvio, da condição de estrela pop global.
Talvez seja essa uma das leis dominantes do entertainment dos nosso dias: mimar a memória dos clássicos, esvaziando a sua carga trágica e reescrevendo-os como jogos de “juventude”. Daí que a série se apresente como um teatro sangrento de marionetas humanas, enquanto Hitchcock, menos tolerante, nos convocava para o medo mais visceral.

sexta-feira, julho 01, 2016

Rihanna em IMAX

Dirigido por Floria Sigismondi, o teledisco da canção Sledgehammer, de Rihanna, está longe de ser um primor de invenção — a sua multiplicação de efeitos visuais mais ou menos "luminosos" e acelerados decorre mesmo de uma vulgar estética publicitária, mais típica de anúncios de shampoo ou refrigerantes.
Seja como for, este é um objecto que vai ficar na história: Sledgehammer —  da banda sonora do filme Star Trek: Além do Universo (estreia: 25 Setembro) — é o primeiro teledisco filmado, integralmente, com câmaras IMAX, desse modo integrando recursos que têm vindo a ser experimentados em alguns filmes ditos de grande espectáculo. O espectáculo será grande, por certo, mas as potencialidades de definição das novas câmaras [ALEXA65] merecem um pouco mais de imaginação e labor criativo.

quinta-feira, abril 21, 2016

Rihanna filmada por Harmony Korine

Eis um daqueles acontecimentos instantâneos. Ou melhor: que se consolida (e amplia) através da própria multiplicação (de links e reproduções) típica deste nosso território virtual. A notícia é esta: Rihanna tem um novo teledisco e até mesmo a MTV, por estes dias mais dada aos horrores da reality TV, se empenha em divulgá-lo através de 11 GIFs [exemplo].


Concretamente: Needed Me, do álbum Anti, surge num teledisco assinado por Harmony Korine, símbolo de uma ambígua marginalidade artística — foi ele que realizou o clássico de culto Gummo (1997), depois de se ter distinguido como argumentista de Larry Clark (Miúdos, 1995). Em cena uma espécie de condensação de um thriller de "sexo & violência" em que Rihanna assume a personagem da vingadora. Desafiando os códigos tradicionais deste tipo de produtos, em particular na figuração dos actos de violência e nos detalhes de nudez, o clip tem tanto de eficaz como de redundante. Será, talvez, um sintoma de uma cultura de "protesto" que, em última instância, já gerou o seu próprio academismo — vale a pena ver e analisar.