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quarta-feira, fevereiro 06, 2019

20.000 imagens e sons

A. Foi em 1954 que Richard Fleischer realizou essa deliciosa aventura que é 20.000 Léguas Submarinas, com James Mason na personagem lendária do Capitão Nemo.
Como é sabido, tudo tinha começado bem antes, em 1870, quando Júlio Verne publicou o clássico Vingt mille Lieues sous les Mers: Tour du Monde Sous-marin.

B. Dito de outro modo: nós chegámos um pouco mais tarde. O que não impede que este seja o post nº 20.000 publicado no SOUND+VISION. É verdade: desde 3 de Setembro de 2005, o Nuno e eu já partilhámos convosco 20.000 textos — de opinião, de celebração, noticiando coisas que gostamos de noticiar, canções, muitas canções, livros, filmes, televisão, etc.

C. No dia em que assinalamos a sedução de tão redondo número, chegou também a notícia de mais um teledisco de Neneh Cherry, do seu quinto álbum a solo, Broken Politics. Não exigíamos tanto, mas registamos o nosso humilde reconhecimento — eis Natural Skin Deep, além do mais com produção dos Four Tet, também eles várias vezes convocados para a nossa odisseia milenar.


terça-feira, novembro 04, 2014

Para ouvir: Neneh Cherry
em remistura de DJ Spinn



Um dos temas do excelente álbum que a cantora editou este ano apresenta-se numa remistura que lhe acrescenta novo ponto de vista. Aqui ficam os sons.

terça-feira, julho 29, 2014

Meio ano pop/rock arrumado em duas listas

Aos seis meses vividos de 2014 fazem-se contas aos discos. E esta semana, nos Discos Voadores, apresentei listas de dez álbuns e dez canções (departamento pop/rock e periferias) que juntam o que de melhor escutei por aí. Aqui ficam, agora devidamente arrumadas.

10 ÁLBUNS

1 Beck – Morning Phase
2 St Vincent – St Vincent
3 Owen Pallett – In Conflict
4 Neneh Cherry – Blank Project
5 Damon Albarn – Everyday Robots
6 Brian Eno + Karl Hyde – Someday World
7 The Notwist – Close To The Glass
8 Dean Wareham – Dean Wareham
9 Tori Amos – Unrepentant Geraldines
10 Teleman – Breakfast

10 CANÇÕES

1 St Vincent – Prince Johnny
2 Owen Pallett – Fong For Five & Six
3 Teleman – Steam Train Girl
4 Beck Wave
5 Alexis Turner – Closer To The Elderly
6 Fujyia & Myiagi – Flaws
7 CEO – Wonderland
8 Trust – Are We Arc?
9 Dean Wareham – The Dancer Disappears
10 Angel Olsen – Hi-Five


E UMA CANÇÃO PARA O VERÃO...
Silva (ft. Fernanda Takai) – Okinawa

quinta-feira, abril 24, 2014

ver + ouvir:
Neneh Cherry, Everything



Mais um dos temas do magnífico Blank Project a ter direito a teledisco. Desta vez com a realização de Jean Baptiste Mondino.

sexta-feira, abril 18, 2014

Ver + Ouvir:
Neneh Cherry, Blank Project



A cantora Neneh Cherry passou pelo programa de Jools Holland na BBC para apresentar um dos temas do belíssimo álbum que lançou há poucas semanas e que é, até ver, um dos melhores lançamentos de 2014.

segunda-feira, abril 07, 2014

Três meses, três discos (pop/rock)

Com três meses de vida, 2014 já nos deu alguns bons discos a escutar. Sem querer fazer exatamente listas do trimestre, podemos mesmo assim apontar os três discos que mais marcaram este arranque de ano. Não é muito difícil. Teremos de começar por Beck que, em Morning Phase, reencontra o tipo de canção orquestral e melancólica que já havia explorado em Sea Change, a sua obra-prima (digo eu) em disco. Depois St. Vincent, que ao quarto álbum editado em nome próprio (e ao qual chamou simplesmente St Vincent) encontra um modo de, sem prescindir de um gosto pela angulosidade nas formas, descobrir outra luminosidade (quase) pop na sua melhor coleção de canções até à data. A fechar o trio o brilhante Blank Project de Neneh Cherry, que assinalou o seu regresso aos discos em seu nome após uma longa ausência num álbum minimalista nos recursos instrumentais, mas valorizador da escrita segura e uma voz que dava pena não andar mais vezes entre nós.

quarta-feira, março 19, 2014

Ver + ouvir:
Neneh Cherry + Robyn, Out Of The Black



Um dos grandes momentos do álbum que há poucas semanas assinalou o regresso de Neneh Cherry aos discos em nome próprio é este dueto com a (também) sueca Robyn. Agora com direito a teledisco.

terça-feira, fevereiro 25, 2014

Novas edições:
Neneh Cherry, Blank Project

Neneh Cherry
“Blank Project”
Smalltown Supersound
4 / 5 

Na nossa relação com a música (departamento da memória) não há nada pior que aquela forma preguiçosa de evocar o que o tempo antes mostrou repetindo à exaustão sempre a mesma canção, criando uma noção de dieta da realidade que reduz as obras não apenas aos momentos de maior sucesso como, depois, sempre aos mesmos episódios. Como se outros não houvesse... Reduzir Neneh Cherry aos “sete segundos” que cantou, por alguns minutos, ao lado de Youssou N'Dour nos anos 90 é um belo exemplo de como semelhante lógica de acesso à memória gera uma visão bem errada de quem temos pela nossa frente. E ao regressar aos discos em nome próprio após um hiato de 18 anos, essa canção que conheceu projeção global deve ser um dos cantos das obra da cantora ao qual este reencontro não prestou atenção. Longe de ser um álbum de síntese de etapas anteriores ou mesmo um retomar de pontas (eventualmente) soltas, Blank Project é um disco que procura um recomeço num patamar onde a voz, a firmeza de uma identidade política e uma segurança na capacidade de falar do “eu” se entendem essencialmente com eletrónicas, sob ecos distantes de relacionamentos de outrora com o hip hop, a pop (escute-se a preciosa colaboração com Robyn em Out of the Black) e até mesmo os espaços do pós-punk pelos quais se aventurou em percursos ainda mais remotos. Mais que procurar ajustes de contas ou entendimentos com o passado, o regresso aos discos de Neneh Cherry é coisa com sabor ao seu aqui e agora. Produzido por Kieran Hebden (do projeto Four Tet), o disco assenta as canções sobre uma rede minimalista de acontecimentos sonoros essencialmente feitos de relacionamentos com estruturas rítmicas e sonoridades eletrónicas (há exceções, como a incursão por guitarras de alma pós-punk em Weightless). Distante também da experiência jazzística do mais recente The Cherry Thing (de 2012), mas aceitando ensinamentos colhidos nessa experiência, o novo disco representa o mais interessante momento da obra da cantora desde o histórico Raw Like Sushi, de 1988, onde então a ouvíamos a cantar Buffalo Stance ou Manchild. Este Blank Project pode parecer uma tela de alguém que procura novas tinhas e, com elas, novas formas. Lembrando um pouco as demandas para voz e eletrónicas de uma Nicolette ou Dana Bryant nos noventas, este é, talvez antes mesmo de uma meta, um bom ensaio de caminhos, sendo certo que o faz com palavras seguras e ideias firmes (explorando temáticas de identidade de género e, sobretudo, uma visão do feminino que não é decretada por uma agenda masculina). Este é um regresso que pede atenção e exige algum esforço na audição. Mas que se revela o primeiro grande reencontro de 2014. Seja bem regressada, Neneh Cherry.