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segunda-feira, dezembro 25, 2023

Relembrando
Christmas Will Break Your Heart

Christmas Will Break Your Heart é um tema dos LCD Soundsystem lançado na véspera do Natal de 2015. O respectivo teledisco "retoma" a personagem de Mathieu Amalric (com o próprio) no filme Um Conto de Natal (2008), de Arnaud Desplechin — um belíssimo melodrama familiar e uma canção intemporal.
 

sábado, dezembro 24, 2016

Ver + ouvir: David Fonseca,
Have Yourself A Merry Little Christmas



É já uma tradição. A cada Natal que passa David Fonseca apresenta uma versão de um clássico da quadra. Este ano a escolha apontou a Have Yourself A Merry Little Christmas, tema de Ralph Blane e Hugh Martin que teve primeira interpretação por Judy Gardland em 1944 e, desde então, surgiu em vozes como as de Frank Sinatra, Bing Crosby, Ella Fitzgerald, The Pretenders ou, mais recentemente, Sam Smith.

sábado, dezembro 28, 2013

Cinco discos de Natal (5):
Pet Shop Boys, Christmas EP (2009)


Em 1997 os Pet Shop Boys enviaram aos membros do seu clube de fãs um cartão de Natal muito especial, na forma de saqueta prateada com um CD lá dentro (e no qual se escutava It Doesn’t Often Snow At Christmas, canção que esteve assim, durante anos, na posse de apenas alguns felizardos). Em 2009 este tema, numa nova versão, tornou-se na peça central de um EP de Natal que juntava ainda uma nova abordagem a All Over The World (do então mais recente álbum Yes), assim como leituras de My Girl dos Madness e Viva La Vida! dos Coldplay, esta em diálogo com ecos de Domino Dancing, um clássico de 1988 dos Pet Shop Boys.

sexta-feira, dezembro 27, 2013

Cinco discos de Natal (4):
Bright Eyes, A Christmas Album (2002)


Em 2002 ainda era novidade a ideia de uma abordagem indie ao universo natalício, pelo que A Christmas Album, do projeto Bright Eyes, de Connor Oberst, tenha desempenhado então um importante episódio de revelação, certamente sendo um dos grandes responsáveis pelo alargamento desta ideia neste mesmo espaço de criação musical. Com instrumentação contida (salvo em pontuais surtos de mais evidente intensidade sonora), o disco propõe essencialmente um percurso através de versões, muitas delas verdadeiros standards clássicos da quadra, outras assinalando uma atenção pela relação que a cultura pop/rock começou a definir com este mesmo universo após o disco de Natal que Elvis lançou em 1957.

quarta-feira, dezembro 25, 2013

Dez canções de Natal (uma lista possível)


Escolher dez canções de Natal não é coisa fácil. Entre a tradição e os standards e as mais recentes investidas pela quadra natalícia das sucessivas novas gerações indie, passando por expressões menos “normativas” que a cultura pop/rock promoveu sobretudo a partir dos anos 70, a lista de títulos para uma possível escolha é vasta. Muito, mesmo. Na hora de ter de escolher uma, optei pelo momento em que David Bowie se cruzou com Bing Crosby num estúdio de televisão, daí surgindo um curioso encontro de gerações. Como que passando o testemunho, Bing acolhia “a” voz dos anos 70. E este não deixava de mostrar que não era por ter um veterano pela frente que deixava de ser uma força de um tempo (e uma cultura) diferente. Mas capazes, ambos, de entenderem como dar continuidade a uma história. No fundo é isso o que fazem as canções de Natal, sejam nas mais inesperadas leituras de um Spike Jones numa célebre abordagem a All I Want For Christmas Is My Two Fron Teeth nos anos 40 ou nos diálogos para Natal e Halloween das canções que Danny Elfman criou para o belíssimo filme The Nightmare Before Christmas, nascido das visões de Tim Burton. Resolvi criar uma lista pessoal de escolhas de canções de Natal. Há aqui natais diferentes (como o dos Pet Shop Boys), evidente presença do espaço indie e uma belíssima abordagem de Patti Smith ao imaginário temático do Natal, mas por vias consideravelmente distintas das que enchem habitualmente os discos de cânticos mais inofensivos que a quadra conhece. Não estão aqui nem os discos de Natal de Phil Spector nem os dos Beach Boys. São clássicos, são magníficos, mas a lista é pessoal (é o gosto quem a define, e não uma qualquer equação). Sim, também falta o Last Christmas dos Wham!... Mas sempre foi uma canção mais engraçada que com real graça. Hoje é um clássico vintage, até com belas versões gravadas. Mas não chega ao top ten. Pelo menos a este.

1. David Bowie + Bing Crosby, Little Drummer Boy / Peace on Earth
2. Sufjan Stevens, Put The Light On The Tree
3. The Knife, Christmas Raindeer
4. Pet Shop Boys, It Doesn’t Often Snow At Christmas
5. Patti Smith, We Three Kings
6. Danny Elfman, What’s This?
7. Of Montreal, My Favourite Christmas (in a hundred words or less)
8. Low, Just Like Christmas
9. Lou Reed, Christmas in February
10. Orso, Christmas Tomorrow


Em tempos escrevi aqui sobre a história deste encontro “histórico” de Bowie com Bing Crosby. Aqui fica um excerto...

"O dueto foi gravado nos Elstree Studios (Londres) a 11 de setembro de 1977, dois dias depois da colaboração com Bolan na Granada TV. O dueto fez parte do programa Bing Crosby’s Merry Ole Christmas, no qual Bing Crosby recebia convidados num estúdio decorado como se de sua casa se tratasse. Bing abre a porta, cumprimenta Bowie, que depois o convida para cantarem as duas canções de Natal juntas numa só, descrevendo-as como as favoritas do seu filho, Zowie. Durante o programa Bowie interpretou ainda uma versão, orquestrada, de Heroes. Foi um dos momentos mais bizarros da vida televisiva de Bowie nos anos 70, mas que o músico enfrentou com um sentido de charme que anunciava uma imagem que adotaria no futuro".

Cinco discos de Natal:
Band Aid, Do They Know It's Christmas? (1984)



Em finais de 1984 Midge Ure (então nos Ultravox) e Bob Geldof (que o mundo então conheciam como a voz dos Boomtown Rats) ficaram impressionados com uma reportagem televisiva sobre a fome que então se fazia sentir na região da Etiópia. Mãos à obra, compuseram um tema e chamaram uma multidão de amigos. Chegaram George Michael, Bono, Sting, Paul Young, elementos dos Duran Duran, Spandau Ballet, Culture Club, Style Council, Heaven 17 Bananarama ou Kool & The Gang. David Bowie, impossibilitatdo de estar presente, enviou uma mensagem áudio que seria incluída na versão apresentada no lado B do single. Editado em poucos dias, e sob a designação coletiva Band Aid, o single Do They Know It’s Christmas transformou-se assim num dos maiores clássicos natalícios de sempre e abriu alas a uma nova forma de recolher fundos para grandes causas através da música. O megaconcerto Live Aid, em 1985, seria uma expressão natural da dimensão global do impacte deste single.

Novos discos e versões (em mais um Natal)



Este texto foi originalmente publicado na edição de 24 de dezembro do DN com o título 'Não há Natal que não traga novos discos e concertos'

Durante 11 anos a noite de dia 25 em Lisboa tinha uma voz garantida. Vestindo a pele do Legendary Tigerman, Paulo Furtado ocupava o palco na Galeria Zé dos Bois (ZBD) e a casa enchia para com ele partilhar um Natal com sabor a blues. O registo do derradeiro concerto da série que teve ponto final em 2011 surge agora em disco em Fuck Christmas, I’Ve Got The Blues, registo ao vivo onde surgem temas como Walking Downtown, Naked Blues, No More My Lord e o tema que dá título ao disco, que encerrou essa última noite.

Paulo Furtado não acredita que essa tenha sido mesmo a última noite de Natal com o Legendary Tigerman. “Tenho a certeza absoluta que um dia voltarei a fazer esses concertos, sempre foram muito especiais para mim”, explica, acrescentando: “Digamos que estou a criar saudades”.
As noites de Natal que protagonizou na ZDB fizeram história e encetaram hábitos que agora conhecem descendência. Hoje Lula Pena estará na ZDB, Fast Eddie Nelson no Sabotage e os Pop Dell’ Arte no Music Box. Todos eles em Lisboa.

Curiosamente, Paulo Furtado não tinha antes qualquer relação particular com o Natal e as canções habitualmente ligadas a esta quadra. “Na realidade, nunca gostei de canções de Natal, a maior parte causava-me (e ainda causa) algum asco”, reconhece. “A ideia de tocar no Natal era exactamente a de criar um movimento contrário ao tradicional”, justifica e, nesse aspecto explica “que o que se passou na ZDB criou espaço para isso acontecer”. Dos dias de infância Paulo Furtado não tem recordações “de nenhuma canção específica” da quadra. “Talvez a minha preferida fosse a do spot d’a minha agenda!”, graceja. “Acho que tive Natais felizes na infância, talvez não tenham sido musicais”, conclui.

David Fonseca, que nos últimos anos tem apresentado regularmente uma versão de uma canção de Natal que acompanha com um teledisco para partilha na internet, não teve uma relação muito diferente com este mesmo universo. “A primeira canção de Natal que me lembro chama-se O Relógio do Avôzinho (julgo ser esse o seu nome), talvez porque a tenha cantado acappella em frente à minha turma na 4ª classe na festa natalícia da altura. E ainda hoje sei a letra de cor”, recorda. Mas tal como Paulo Furtado confessa que nunca tomou “especial atenção às canções da quadra”, o que não o impede de hoje gostar “da ideia da canção temática, seja pelo Natal ou por outra ocasião qualquer”.

O hábito de gravar uma canção de Natal a cada novo ano “começou como uma brincadeira simples”, recorda. “Em 2005, o YouTube ainda estava em fase inicial e não era muito fácil colocar vídeos online. Resolvi lançar um tema de natal exclusivo para a minha mailing list num servidor nosso e a resposta foi incrível. Tinha sido divertido de fazer e por isso resolvi repetir no ano seguinte. Sem dar bem por isso, tornou-se uma tradição para mim e para quem segue a minha actividade musical online”.

Nesse ano apresentou uma versão de Silent Night. Seguiram-se Little Drummer Boy (2006), Amazing Grace (2007), O Come All Ye Faithful /(2008), Last Christmas (sim, o dos Wham!, em 2009), All I Want For Christmas Is You (originalmente criado por Mariah Carey, em 2011) e Happy Xmas (War Is Over) (um single histórico de John Lennon, em 2012. Este ano apresentou Do They Know It’s Christmas?, canção que serviu uma campanha de beneficência do coletivo Band Aid, em 1984. “Fazer uma versão todos os anos acaba por ser um desafio difícil e equaciono sempre umas cinco ou seis canções”, explica. Este ano “venceu o clássico Do They Know It’s Christmas? por ser um dos temas natalícios mais emocionantes de sempre e por ir de encontro ao meu estado de espírito do momento”. Estas versões, diz, “são sempre muito improvisadas”, pelo que tenta “que elas possam encontrar-se” com o seu universo musical “sem ter de forçar muito essa transformação”, pois só assim poderão funcionar na sua voz.

Editar estas canções em disco? Não é projeto em cima da mesa. “Quando comecei a fazer estas versões, nunca pensei que fosse continuar a fazê-las por tanto tempo, por isso nunca considerei fazê-lo”. David Fonseca faz questão em realçar “que estas versões apoiam-se muito no suporte vídeo”, e que “não foram idealizadas como canções sem suporte visual”. Mas nunca se sabe, admite: “ainda faltam uns anos para fazer uma colecção editável”. Fica a ideia...

O mapa dos lançamentos discográficos inclui O Teu Natal, um novo single de Miguel Ângelo apresentado numa edição limitada em vinil e que prenuncia algo mais no futuro: “a relação com o Natal não irá ficar por aqui…”, diz o cantor na nota de impresna que acompanha o disco. Entre os escaparates das novidades surge este ano uma multidão de títulos. Entre eles exemplos como Snow Globe dos Erasure, Christmas Soli de John Fahey ou Let It Snow de Albrecht Mayer e os The King’s Singers.

terça-feira, dezembro 24, 2013

O Natal de Judy Garland

Foi em 1944. Judy Garland já era, obviamente a star de O Feiticeiro de Oz (1939). Mas, aos 22 anos, faltava viver esse momento emblemático que empresta a alguém — uma actriz, neste caso — o peso irreversível da idade adulta. Aconteceu com Meet Me in St. Louis, de Vincente Minnelli, história dramática, musical e tocante de uma família confrontada com a necessidade de mudar para Nova Iorque (apaziguando tais atribulações, chamaram-lhe em português Não Há como a Nossa Casa).
Cantando Have Yourself a Merry Little Christmas (Hugh Martin/Ralph Blane), Judy não se limitava a enaltecer a vulnerável energia do Natal, enfrentava também as suas contradições nas lágrimas convulsivas da genial Margaret O'Brien, revoltada contra as ilusões dos bonecos de neve. Foi nesse filme que Judy e Minnelli se conheceram. Do seu casamento, celebrado cerca de um ano mais tarde, nasceu Liza Minnelli, em 1946 — Have Yourself a Merry Little Christmas, numa versão um pouco diferente, também pertence ao seu song book.



Uma canção de Natal:
Pet Shop Boys, It doesn't often snow at Christmas



Começou por ser um tema inédito enviado aos membros do clube de fãs como um cartão de Natal com canção dentro. Depois conheceu nova versão para integrar um EP de Natal. Uma abordagem diferente, naturalmente. Porque nem sempre neva no Natal (nem todos os natais são feitos com neve).

Cinco discos de Natal (2):
Low, Christmas (2000)

Foi no ano 2000 que os Low resolveram presentear os seus admiradores com Chritstmas, um EP temático feito de canções de Natal. O alinhamento cruza três standards – entre eles o tradicional Little Drummer Boy ao Blue Christmas que Elvis imortalizou – com uma série de temas inéditos, entre os quais o vibrante e luminoso Just Like Christmas, cuja cor contrasta com a melancolia mais sombria que passa pelo resto do alinhamento de um disco que, instrumentalmente, segue o padrão habitual na música do grupo.

segunda-feira, dezembro 23, 2013

Cinco discos de Natal (1):
Kristin Hersh, The Holy Single (1995)



Editado em 1995, ou seja, um ano após a estreia a solo da cantora com o álbum Hips & Makers, o single de Natal de Kristin Hersh representou uma das primeiras abordagens do universo indie ao espaço da canção de Natal. O EP é constituído por quatro temas sugerindo um alinhamento que junta tanto a memória de standards (como Amazing Grace) como a celebração de espaços de admiração na cultura pop (como na versão de Jesus Christ, de Alex Chilton). Instrumentalmente simples, dominado pela presença da guitarra, este EP não se afasta muito dos caminhos que tínhamos escutado meses antes entre os temas de Hips & Makers.

terça-feira, novembro 26, 2013

Novas edições:
Erasure, Snow Globe

Erasure
“Snow Globe”
Mute Records
3 / 5

Tradição histórica na música popular desde o advento do formato do LP, o “disco de Natal” está longe de ser coisa formatada apenas no campo das descendências naturais dos crooners que lhes deram títulos de referencia (e sucesso) nos anos 50. Elvis foi mesmo dos primeiros a experimentar este terreno, desde então o espaço das canções de Natal tendo passado por discografias tão diversas quanto as de James Brown, os Pet Shop Boys, a família McGarrigle/Wainwright, Kristin Hersh, Sufjan Stevens, ou os Raveonettes, nos últimos anos este tendo-se revelado mesmo um espaço tão caro aos vultos globais do mainstream como a vozes vindas de terreno indie. Entre a multidão de títulos que a temporada nos vai trazer destaca-se desde já uma proposta assinada pelos veteranos Erasure (que no próximo ano celebram 30 anos de atividade). O espaço da canção de Natal não lhes é estranho, tanto que em finais de oitentas lançaram uma segunda versão do EP Crackers International com capa de temática natalícia e alinhamento parcialmente em sintonia com a quadra. A atravessar um deserto (de ideias e de reconhecimento) há já largos anos, com uma obra relativamente inconsequente desde a alvorada dos noventas – e apenas pontuais frestas de interesse no alinhamento de Light At The End of The World (2007) – Vince Clarke e Andy Bell optaram aqui por um reencontro com a sonoridade mais próxima dos registos clássicos da fase The Innocents (1988) / Wild (1989) / Chorus (1991). E convenhamos que, juntamente com The Circus, de 1987, foi então que viveram a melhor etapa da sua carreira. O alinhamento de Snow Globe cruza inéditos com versões (entre estas havendo tanto uma incursão pela música de Gustav Holst como por cânticos “clássicos” de Natal). Na verdade o mundo não ganha muito ao ouvir os sintetizadores de Vince e a voz de Andy a caminhar entre leituras sem surpresa maior de White Christmas ou Silent Night. Mas é nos originais, entre Bells of Love, Loving Man, Make it Wonderful e, sobretudo, o festivo e dançável There’ll Be No Tomorrow, que reencontramos um viço pop que faltava aos Erasure desde os dias de I Say I Say I Say... O Natal aqui serve de motivo para um disco. Mas, mesmo perante a elegância dos arranjos apresentados (com o devido fiozinho de azeite), é para além das propostas natalícias que está o melhor deste disco.

quarta-feira, outubro 03, 2012

O Natal, segundo Sufjan Stevens

Seis anos depois de nos ter dado uma caixa com cinco EPs de canções de Natal, Sufjan Stevens anuncia, para este ano (edição a 13 de novembro), uma continuação desse seu projeto. Com o título Silver and Gold: Songs For Christmas Vols. 6-10, uma nova caixa vai juntar os EPs 6 a 10, cada qual com uma mão cheia de canções de Natal. O projeto envolve colaborações várias, entre as quais as de Aaron e Bryce Dessner dos The National, Richard Parry dos Arcade Fire ou Cat Martino, colaborador em The Age of Adz. Além dos EPs (cada qual com a respetiva capa), a caixa vai inclui um livro para colorir, autocolantes, tatuagens temporárias, um ornamento de Natal, partituras, fotos, texto de apresentação e um poster. A abrir este post apresentamos imagens de três das capas dos cinco EPs que poderemos encontrar na caixa de Sufjan Stevens.

A seguir, fica o excerto de uma das canções

E aqui podem encontrar informação sobre o alinhamento deste lançamento