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terça-feira, fevereiro 17, 2026

As ruas de Minneapolis, por Bruce Springsteen

As acções brutais das forças do ICE (Immigration and Customs Enforcement) na cidade de Minneapolis, com o saldo trágico de duas vítimas mortais, Alex Pretti e Renee Good, levaram Bruce Springsteen a escrever Streets of Philadelphia.
Fazendo recordar a energia de outros momentos emblemáticos da obra de Springsteen — de The River (1980) a The Rising (2002) —, momentos em que a consciência social se exprime através de um discurso visceralmente político, eis a canção na chamada radio mix; o teledisco (ou lyric video, se preferirem) tem assinatura de Thom Zimny.
 

quinta-feira, janeiro 08, 2026

10 discos de 2025 [8]

* TRACKS II: THE LOST ALBUMS, Bruce Springsteen

Se as edições discográficas se definem também pela sua grandeza (física e simbólica), então este foi o monumento de 2025. Não um álbum, mas um total de sete, com 83 canções. Fiel às suas memórias, Springsteen nunca abandonou os conteúdos "esquecidos" do seu baú, neste caso recuperando-os a par da reedição de Nebraska (1982), afinal "o" momento nuclear de toda a sua obra, e também do lançamento do filme Springsteen: Deliver Me from Nowhere. O primeiro Tracks surgira em 1998, com gravações de 1972-98; Tracks II percorre o período 1983-2018 — são os ziguezagues de uma aventura criativa que, em boa verdade, desafia a linearidade do tempo, reafirmando-se sempre como uma força do presente. O método pode ser definido pelo tema de abertura: Follow that Dream.
 

[ Patti Smith ] [ Taylor Swift ] [ Ryan Adams ] [ Lucy Dacus ] [ Ambrose Akinmusire ] [ Haim ]
[ Jonny Greenwood ]

segunda-feira, novembro 10, 2025

A redenção cinematográfica
de Bruce Springsteen

Jeremy Allen White: ser ou não ser Springsteen

Com o filme Springsteen: Deliver me from Nowhere, de Scott Cooper, redescobrimos os tempos dramáticos em que Bruce Springsteen gravou o seu álbum Nebraska: esta é a história de um criador assombrado pelos seus fantasmas familiares — este texto foi publicado no Diário de Notícias (23 outubro).

São bem conhecidas as resistências de Bruce Springsteen a qualquer forma de apresentação pública ou estratégia de promoção que se fundamentem num conceito de “estrela” mais ou menos feérico. Mesmo a produção de telediscos nunca foi uma das prioridades do criador de Born in the USA. Por isso mesmo, talvez que o seu retrato cinematográfico agora lançado nas salas de todo o mundo — Springsteen: Deliver me from Nowhere, escrito e realizado por Scott Cooper — não pudesse deixar de existir como uma espécie de desconcertante anti-clímax. Que é como quem diz: não uma celebração da carreira, antes uma confissão violentamente marcada pela depressão e muitas formas de solidão.
O subtítulo talvez se possa traduzir como “liberta-me do nada” ou “de nenhuma coisa”, ou ainda (se quisermos forçar o apelo poético) “liberta-me de um lugar que nunca existiu”. Provém do verso final de Open All Night, uma das canções do alinhamento do álbum Nebraska (1982). E faz todo o sentido que assim seja: de forma linear, podemos até resumir o filme como um retrato da gestação desse álbum admirável, por certo aquele em que a pulsão autobiográfica que atravessa todo o universo de Springsteen se exprime de forma mais directa e obstinada.
As raízes de tudo isso podem ser encontradas na infância de Springsteen, sobretudo no ziguezague afectivo vivido entre um pai agressivo (Stephen Graham) e uma mãe hiper-protectora (Gaby Hoffmann). Talvez que o filme ganhasse outra dimensão, porventura mais épica ou menos “demonstrativa”, se a sua montagem não insistisse em recuar regularmente a tais memórias, correndo o risco de esquematizar o que, em boa verdade, fica explícito desde a cena de abertura. Seja como for, este é menos um filme sobre as alegrias da criação artística e mais sobre o misto de dor e resgate que tal criação pode envolver — como se Cooper, fiel ao génio musical de Springsteen, lhe quisesse doar um ritual de redenção que só o cinema poderia concretizar.
Nesta perspectiva, talvez que a proeza maior de Springsteen: Deliver me from Nowhere seja o trabalho de composição (será que podemos dizer “encarnação”?) de Jeremy Allen White. Alguma semelhança física de White com Springsteen acaba por não ser um factor decisivo desse trabalho, muito menos a procura de qualquer imitação de gestos ou tiques. Com uma contenção surpreendente (sobretudo se nos lembrarmos da exuberância algo postiça da sua interpretação na série The Bear), White devolve-nos um Springsteen assombrado por fantasmas que, em última instância, ecoam na austeridade formal e instrumental de Nebraska — o álbum foi agora reeditado pela Sony Music com muitos extras que ajudam também a compreender o contraste entre a vibração emocional das canções e a invulgar singeleza técnica da respectiva produção.
O filme é todo ele sustentado por um elenco de múltiplos talentos. Além dos nomes já citados, importa não esquecer as contribuições de Jeremy Strong e Paul Walter Hauser — o primeiro assumindo a figura mítica de Jon Landau, produtor e “manager” de Springsteen, o segundo como Mike Batlan que garantiu o exemplar minimalismo das gravações caseiras de Nebraska.
Entre as narrativas com que tem sido possível acompanhar a obra de Springsteen, o filme de Scott Cooper talvez se possa situar como um capítulo que sucede à autobiografia Born to Run (ed. Elsinore, 2016) e ao espectáculo Springsteen on Broadway (2018), filmado num registo disponível na Netflix e também editado em formato de álbum com chancela da Columbia.
Em boa verdade, a dimensão confessional de muitas canções de Springsteen apela a estas “revisões” biográficas, reflectindo a demanda interior da sua arte de contador de histórias. Acertando o calendário, digamos que Springsteen: Deliver me from Nowhere nos ajuda a conhecer o que aconteceu entre os álbuns The River (1980) e Born in the USA (1984).

domingo, novembro 09, 2025

Emmylou Harris canta um clássico
de Bruce Springsteen

Eis uma pequena pérola oferecida pela AXS TV: o clássico My Hometown, de Bruce Springsteen, interpretado por Emmylou Harris — aos 78 anos, eis a perene poesia da criadora de The Ballad of Sally Rose.
 

sábado, outubro 04, 2025

Bruce Springsteen
no Festival de Cinema de Nova Iorque

Springsteen: Deliver Me from Nowhere, o filme de Scott Cooper sobre Bruce Springsteen, com Jeremy Allen White no papel do Boss, teve a sua apresentação no Festival de Cinema de Nova Iorque (estreia portuguesa: 23 outubro). Bruce Springsteen esteve presente, falou e cantou — eis Land of Hope and Dreams.
 

segunda-feira, setembro 22, 2025

In memoriam: Sonny Curtis

Sonny Curtis
(1937 - 2025)

O americano Sonny Curtis é uma daquelas figuras mitológicas do rock'n'roll cujas composições há muito entraram no domínio da lenda. Foi membro de The Crickets, banda fundada por Buddy Holly em 1957 (nela se mantendo mesmo depois da morte de Buddy Holly), produziu uma notável discografia em nome próprio (o derradeiro álbum homónimo surgiu em 2007) e compôs canções que marcaram (e marcam) várias gerações.
Entre essas canções, destacam-se Walk Right Back, Love is All Around (tema de The Mary Tyler Moore Show), More Than I Can Say (com a colaboração de Jerry Allison, baterista de The Crickets), I'm No Stranger to the Rain (em registo country), e, claro, I Fought the Law, recriada por dezenas de artistas, incluindo The Clash, Bruce Springsteen, The Grateful Dead, The Ramones e Green Day — aqui fica a versão de The Clash, incluída no EP The Cost of Living (1979).
Sonny Curtis nasceu em Meadow, Texas; faleceu a 19 de setembro em Nashville, Tennessee — contava 88 anos.

sábado, julho 19, 2025

Guitarra & Voz [3/10]

BRUCE SPRINGSTEEN
Dancing in the Dark

Referência emblemática do álbum Born in the USA (1984), a canção surge aqui transfigurada num depurado one-man-show, num evento, "The Concert for Valor", integrado no Dia dos Veteranos, dedicado aos veteranos das forças militares norte-americanas — aconteceu no National Mall, em Washington, no dia 11 de novembro de 2014.


[ Ryan Adams ] [ David Fonseca ]

quinta-feira, julho 03, 2025

Bruce Springsteen, Faithless

Mais uma canção do novo álbum, aliás, dos 7 álbuns que Bruce Springsteen lançou com o título Tracks II: The Lost Albums — Faithless é um dos temas que reencontra o romantismo magoado que habita o coração do rock.
 

quinta-feira, junho 19, 2025

Bruce Springsteen, Sunday Love

A nova antologia de Bruce Springsteen, Tracks II: The Lost Albums, chega às lojas no dia 27 de junho. Para já, vamos conhecendo alguns dos temas dos anunciados (e muito aguardados) "sete álbuns nunca ouvidos" — eis uma bela divagação romanesca intitulada Sunday Love.

quarta-feira, maio 28, 2025

Bruce Springsteen canta a esperança e os sonhos

Aí está a Land of Hope & Dreams Tour!
A nova digressão europeia de Bruce Springsteen começou no dia 14 de maio, em Manchester, gerando de imediato um EP intitulado, precisamente, a partir da canção que dá o nome ao conjunto de concertos que irá finalizar em Milão, a 3 de julho.
Como diz o poema, trata-se de reavivar a esperança e os sonhos de uma América de 250 anos, agora ferida pela administração Trump, celebrando "o justo poder da arte, da música e do rock'n'roll". Porquê? Porque estes são "tempos perigosos" — composta em 1999, editada numa gravação de estúdio de 2012, no álbum Wrecking Ball, eis Land of Hope & Dreams.
 

terça-feira, abril 22, 2025

Mais uma canção inédita de Bruce Springsteen

Mais uma canção dos inéditos (7-álbuns-7) que Bruce Springsteen vai lançar em junho — Blind Spot, sons desconhecidos, mas familiares.
 

sexta-feira, abril 04, 2025

Mais 83 canções de Bruce Springsteen

Perfect World é um novo álbum de Bruce Springsteen. Aliás, um de um total de sete, com 83 canções. Que é como quem diz: o baú de inéditos de Bruce Springsteen é inesgotável e Tracks II: The Lost Albums vai surgir no dia 27 de junho (recorde-se que o primeiro Tracks surgiu em 1998). Primeira canção divulgada: Rain in the River. Mais em baixo está o trailer na nova edição.
 
I held her water, I held my memories
She said, "Now Johnny? Nothing, it means no more to me"
And rain in the river
The rain in the river

In bloody boots
I stood on shadowed ground
Her long black hair neatly falling down
Like rain in the river
Like rain in the river

Last night, I put on my jacket and I went for a ride
Smelled sweet mustard fields, and my Colt at my side
Like rain in the river
Rain in the river
Rain in the river
Oh, rain in the river
Rain in the river
Oh, rain in thе river



segunda-feira, outubro 28, 2024

Bruce Springsteen
— memórias de uma canção

If I Should Fall Behind é uma canção emblemática do álbum Lucky Town, lançado por Bruce Springsteen em 1992. Dedicada a sua mulher, Patti Scialfa, a canção foi recentemente evocada por ambos durante uma conversa com Howard Stern, na SiriusXM Radio — são momentos de romantismo pontuado por saborosa ironia.
 

segunda-feira, setembro 16, 2024

SOUND + VISION na Fnac:
Bruce + Joker

A nossa próxima sessão na FNAC já está marcada:

* Domingo, 13 de outubro, às 17h00
— o novo Joker, com Joaquin Phoenix e Lady Gaga.

Entretanto, da sessão dedicada a Bruce Springsteen, aqui fica a recordação de I'm on Fire, porventura um dos menos conhecidos telediscos do álbum Born in the USA. Acrescentamos Johnny Bye Bye, lado B do respectivo single, uma bela reinvenção de um tema clássico de Chuck Berry.
 


sexta-feira, setembro 13, 2024

* Bruce Springsteen: Born in the USA / 40 anos
— SOUND + VISION Magazine, FNAC
[hoje, 14 set.]

Estamos de volta à FNAC, assinalando o 40º aniversário de Born in the USA, revisitando a herança de um álbum que marcou de forma decisiva a carreira de Bruce Springsteen — e ficou como uma referência lendária na história da música rock.

>>> FNAC Chiado, 14 setembro (17h00).

domingo, abril 14, 2024

Dream Baby Dream [Guerra Civil]

A vertigem de Guerra Civil, novíssimo e fascinante filme de Alex Garland, desemboca, no genérico final, num clássico do punk electrónico: Dream Baby Dream, lançamento de 1979 dos Suicide — eis o respectivo visualiser; em baixo, a versão de Bruce Springsteen.
 

sexta-feira, março 01, 2024

We Are the World
— memórias épicas de uma canção

Lançada em 1985 para angariar fundos para combater a fome em África, a canção We Are the World foi um verdadeiro fenómeno global. Agora, na Netflix, A Grande Noite da Pop faz o retrato fascinante da sua concepção e gravação.

Imaginemos um filme cujo elenco possa incluir, entre outros, os nomes de Ray Charles, Bob Dylan, Michael Jackson, Cindy Lauper, Lionel Richie, Diana Ross, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tina Turner, Stevie Wonder… Em boa verdade, esse filme existe desde 1985 — trata-se do teledisco de We Are the World, canção criada para angariar fundos para combater a fome em África. Agora, através de um notável documentário intitulado A Grande Noite da Pop, disponível na Netflix (título original: The Greatest Night in Pop), podemos descobrir aquilo que apetece chamar a “versão longa” do teledisco.
A Grande Noite da Pop faz uma revisitação de We Are the World em parte semelhante à proposta que encontramos na série The Beatles - Get Back (Disney+), de Peter Jackson. Tal como Jackson trabalhou a partir dos registos inéditos das gravações do álbum final dos Beatles (Let it Be), também Bao Nguyen, realizador americano de ascendência vietnamita, pôde aceder a uma espantosa colecção de imagens registadas durante a gravação da canção.


Reconhecemos, claro, as imagens do teledisco, mas as novidades são fascinantes. Há também diversos depoimentos filmados agora, surgindo Lionel Richie como principal narrador: é ele que começa por recordar a origem da canção, primeiro com o impulso decisivo de Harry Belafonte, depois através do envolvimento de Bob Geldof que, no Reino Unido, no Natal de 1984, tinha organizado um projecto humanitário semelhante, dando origem à canção Do They Know It’s Christmas? Seja como for, o essencial são as largas dezenas de minutos (mais de metade do documentário que dura 01h 36m) em que assistimos ao labor de cerca de quatro dezenas de cantores — incluindo o coro que, além de Geldof, integra, por exemplo, Sheila E., Bette Midler e Smokey Robinson — durante uma noite realmente épica.
O título A Grande Noite da Pop é para ser tomado à letra. A partir do momento em que Lionel Richie e Michael Jackson começaram a compor a canção, tendo garantido que a produção estaria a cargo de Quincy Jones (personagem decisiva em toda esta aventura), tratava-se de saber como organizar a logística de uma gravação que, além de outros convidados, iria integrar vários dos participantes nos American Music Awards, a realizar, também em Los Angeles, na mesma noite do dia 28 de janeiro de 1985… e com apresentação de Lionel Richie.
Deparamos com toda uma colecção de pormenores inesperados ou desconcertantes — desde o mal estar inicial de Bob Dylan perante a altura das notas que Quincy Jones estava a pedir, até ao comportamento errático de Al Jarreau, consumindo mais do que o aconselhável das garrafas que começaram a aparecer no estúdio, passando pelos ruídos na gravação da voz de Cindy Lauper… por causa dos exuberantes colares que usava nessa noite. Em qualquer caso, A Grande Noite da Pop não se esgota numa acumulação de elementos mais ou menos pitorescos, impondo-se como um testemunho exemplar de um trabalho colectivo que, escusado será sublinhá-lo, resistiu ao tempo, às modas e às próprias transformações do audiovisual nas décadas que se seguiram.

quinta-feira, novembro 23, 2023

Uma serenata de Bruce Springsteen

Foi há meio século... 1973 é o ano decisivo de afirmação de Bruce Springsteen nos labirintos da música popular, lançando os seus dois primeiros álbuns: Greetings from Asbury Park, N.J., em janeiro, e The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, em novembro. A clara definição das suas raízes, do espírito folk à crueza que o rock pode assumir, não excluía, bem pelo contrário, uma energia criativa à procura da sua definição e que, por isso mesmo, talvez possamos apelidar de experimental.
Com alguma nostalgia, ma non troppo, escutemos, por isso, New York City Serenade, tema que encerra o alinhamento do segundo álbum, em dois momentos: a gravação original e uma performance, em Roma, 40 anos mais tarde — Bruce é mesmo um daqueles que, sem ostentação nem pitoresco, justifica o cognome de contador de histórias.



quinta-feira, janeiro 05, 2023

Bruce Springsteen, opus 1

Greetings from Asbury Park, N.J., primeiro álbum de Bruce Springsteen, chegou às lojas (nada virtuais, entenda-se...) no dia 5 de janeiro de 1973 — faz hoje 50 anos. A história do meio século que se seguiu assegura-nos que a energia criativa dessa estreia estava longe de ser acidental. Eis um video oficial a assinalar a efeméride, e as canções de abertura e fecho do álbum: Blinded by the Light (VH1 Storytellers, 23 abril 2005) e It's Hard to Be a Saint In the City (Hammersmith Odeon, Londres, 18 novembro 1975).





sábado, novembro 12, 2022

Bruce Springsteen,
Turn Back the Heads of Time

Turn Back The Hands Of Time, mítica canção R&B, lançada por Tyrone Davis em 1970, é mais um tema a integrar Only the Strong Survive, o novo álbum de Bruce Springsteen — refazendo também o gosto pelas "variedades" filmadas em estúdio. Em baixo, o registo original.