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sexta-feira, agosto 02, 2019

The Gift: saudades de São Pedro de Moel

Ah, São Pedro de Moel... Ali tão perto de Leiria, que fizeram ao mapa afectivo do nosso passado? Ali mesmo em frente do mítico oceano, como puderam ignorar as histórias de tantas adolescências, a insensatez de tantas esplendorosas utopias?
A questão é esta: para encenar o seu Verão, The Gift regressaram a São Pedro de Moel, ao glorioso Complexo de Piscinas Oceânicas, inaugurado em 1967, abandonado desde 2013 [Jornal de Leiria + Região de Leiria]. A tristíssima decomposição do lugar serve de cenário ao emblemático tema da banda de Alcobaça, em teledisco realizado por Paulo Costa Pinto, com Sónia Tavares, em pose de impossível sereia, cantando essa balada amarga e doce que evoca "um verão, um simples verão / poemas, curtas prosas que guardei".
Ou como a música teima em não deixar morrer o que alguns empresários, decisores e políticos desconhecem. O quê? A obstinação da memória.


Verão [teledisco]
São Pedro de Moel [Google]

terça-feira, março 26, 2019

The Gift — na companhia dos livros

Decididamente, Verão, o novo álbum de The Gift é uma aposta de sedutor e contagiante risco. Sem renegar os padrões que, em quase absoluta solidão, consagraram na música que se faz em Portugal, a banda de Alcobaça avança, agora, por caminhos de surpreendente introspecção. As canções têm vindo a aparecer (por exemplo, no YouTube) e parecem apelar a exercícios de cumplicidade que apetecerá partilhar em salas pequenas, alheias à dança... Será assim? Aqui fica o exemplo de Books.

domingo, março 24, 2019

The Gift — nova estação

Dois anos passados sobre o lançamento de Altar, a banda de Alcobaça está de volta — aliás, nunca deixou de marcar o ritmo e a criatividade da pop made in Portugal. Dito de outro modo: está quase a surgir o novo álbum de The Gift; chama-se Verão (a sua Primavera surgiu em 2012) e tem esta canção-tema.

segunda-feira, dezembro 11, 2017

The Gift em câmara lenta

Niv Novak é um fotógrafo e artista videográfico de Melbourne que, através do projecto "Extension", se tem dedicado ao registo de imagens de alta definição, em câmara hiper-lenta, de performances de bailarinos de The Australian Ballet. Algumas dessas imagens servem de matéria ao novo e deslumbrante teledisco de The Gift, para a canção You Will Be Queen, do álbum Altar. Resultado: a certeza de que a lentidão é o mais veloz dos instrumentos criativos — nas imagens e também na música.

domingo, maio 28, 2017

Brian Eno juntou-se aos The Gift
para cantar “Love Without Violins”



O produtor e músico Brian Eno juntou-se em palco aos The Gift durante o concerto que a banda deu esta semana na sala londrina Bush Hall para ali cantar em conjunto com Sónia Tavares o tema Love Without Violins, que foi o single de apresentação do recentemente editado Altar.

A digressão internacional de apresentação do disco, depois das passagens pelo The Great Escape em Brighton e o Bush Hall de Londres dirige-se para a Maschinenhaus em Berlim, onde atuam a 30 de maio. Os The Gift estarão depois em Nova Iorque a 24 de junho. Este concerto está incluído na programação do Summer Stage, em pleno Central Park.

segunda-feira, abril 24, 2017

Novas edições:
The Gift, Altar


É mais frequente vermos momentos de grande entusiasmo e renovação nas obras veteranas de artistas a solo do que nas de bandas com já uns longos anos de vida. De resto, é mais habitual vermos até os melhores discos de bandas nascerem entre as suas primeiras criações, quando muito aparecendo no quadro de alguma maturidade alcançada, ou seja, dentro de uma década de trabalhos. Mas há exceções, uma das mais notáveis tendo sido assinada pelos U2 (com primeiro single editado em 1979) quando, depois de na reta final da digressão Love Town – que surgiu depois de Rattle & Hum – terem avisado que se iam afastar por um pouco para sonhar tudo novamente, surgiram animados por novas demandas que começaram a expor na sua contribuição para Red Hot + Blue (numa versão magnífica de Night & Day) e depois aprofundaram não apenas entre os álbuns Achtung Baby (1991) e Zooropa (1993), como também no ainda mais exploratório Original Soundracks – Vol 1., disco assinado como Passengers, na verdade um coletivo que integrava não só os quatro elementos dos U2 mas também Brian Eno e que ali juntava ainda mais algumas contribuições, entre elas a de Howie B... Estes dois últimos nomes cruzaram-se já com a história de um outro quarteto. Chamam-se The Gift, e se em Howie B tiveram em 2001 (no álbum Film) o parceiro para levar a um outro patamar de definição a visão pop exuberante que antes tinham já materializado no hoje já mítico Vinyl (de 1998), em Brian Eno encontraram o parceiro para, tal como os U2 desejaram, poderem sonhar tudo uma outra vez.

Convenhamos que não deixariam de procurar novos rumos depois dos contrastes do díptico Explode (2011) / Primavera (2012) caso não se tivesse cruzado pelo seu caminho o músico que tem no seu currículo parcerias maiores não apenas com os U2 mas também David Bowie, Talking Heads, David Byrne (em dois magníficos álbuns assinados a meias) ou John Cale (e Wrong Way Up é mesmo um dos melhores discos da história da canção pop). Toda a obra dos The Gift sempre se fez de uma saudável sensação de inquietude não satisfeita, pelo que a cada disco foram sempre procurando rotas e destinos diferentes, mantendo firme a personalidade da composição de Nuno Gonçalves, a muito particular assinatura vocal de Sónia Tavares e todo um modus operandi que, se em 1998 deu que falar quando o “faça-você-mesmo” se revelou política de trabalho possível entre nós num plano com claras ambições (nacionais e internacionais), ainda hoje garante nas mãos dos quatro elementos do grupo a condução dos seus destinos.

É claro que trabalhar com Brian Eno fez a diferença. E aqui vale a pena notar que este não é um episódio “do acaso”, já que ao longo da sua discografia o grupo sempre procurou entre os (seus) colaboradores de sonho aqueles com quem quis trabalhar. E tal como Howie B foi seu parceiro em 2001 ou Ken Nelson (que trabalhou com os Gomez, Kings of Convenience e Coldplay) a eles se juntou para o álbum de 2011, para Altar Brian Eno foi sonho concretizado através de uma série de sessões de trabalho nas quais a parceria ganhou fôlego e coesão, mais adiante entrando em cena Flood (que curiosamente trabalhou com os U2 em Pop, ou seja, logo após os discos acima referidos), que foi o responsável pelas misturas. Trabalhando em conjunto com os The Gift, integrando-se entre o coletivo alargado – o que apresentam em palco – Brian Eno começou por escutar, comentar e acabou a agir não apenas como produtor mas como um corpo criativo na composição, na escrita, tocando (ouvimo-lo num festivo solo para teclas em Clinic Hope) e cantando (não só em Love Without Violins, mas também nos coros, notando-se clara a sua assinatura em What If...). A sua presença ajudou a definir um caminho para o entendimento entre o coletivo, lançando desafios segundo o seu método habitual, logo aí propondo um cenário de trabalho que, mesmo sob uma matéria prima familiar (as canções) acabou por abrir novas possibilidades. E essas tanto se materializaram na condução desafiante para levar a canção a formas diferentes (como em Love Without Violins, naquele contaste entre um incrível arranque tenso e obsessivamente repetitivo e um final libertador e luminoso), a aceitar referências novas (como os ecos africanos em Malifest que evocam o festim de acontecimentos sob ecos da música africana partilhados com os Talking Heads) ou toda uma nova paleta de cores nos timbres, que vincam afinidades aqui e ali com Bowie (o que não é nada estranho a uma banda que já fez uma versão de Absolute Beginers) ou até mesmo com os discos (pop) a solo de Eno.

A produção é atenta e cuidada, assegurando a mistura a visibilidade aos detalhes, facto ao qual contribui também uma maior contenção nos acontecimentos cénicos face a algumas gravações anteriores. As melodias e a voz asseguram depois a continuidade num disco que não é de todo uma rutura, mas antes um modo de reencontrar viço e entusiasmo, o que é coisa rara em bandas com mais de vinte anos vividos. Esse fulgor reencontrado resultou naquele que é, claramente, o melhor conjunto de canções que os The Gift alguma vez levaram a disco. E se Love Without Violins, Clinic Hope ou o irresistível Big Fish serviram de perfeitos cartões de visita, há no alinhamento ainda uma mão-cheia de singles potenciais, do festivo Malifest aos mais melancólicos Vitral (que é talvez aquela em que é mais evidente a presença de Brian Eno) ou Hymn To Her. Agora é a vez de, como manda a letra da canção, ser “peixe grande”... E há mar por aí à espera não só destas canções mas das que virão a seguir. Porque quando se sonha tudo de novo não se esgotam logo ali as ideias.

quinta-feira, abril 20, 2017

The Gift depois de The Gift

* THE GIFT - Altar

J.L. - "The Gift já não soam a The Gift".
Só o escrevo. Não fui eu que o disse, mas sim Brian Eno, produtor do magnífico Altar da banda de Alcobaça — e quem citou a frase foi Nuno Gonçalves no apurado e depurado concerto do CCB.
Que está em jogo, então? Uma espécie de tábua rasa, apenas porque a banda trabalhou com um génio da criação e produção musical? Será dessa maneira, por certo, que esta nova etapa de The Gift tenderá a ser descrita pelos preconceitos dos que os consideram demasiado in para fazer pose de out (ou talvez o contrário... já que nunca se sabe que novas revoluções musicais serão propaladas semana sim, semana sim).
O concerto pode servir de guia daquilo que está a acontecer — e insisto no tempo em aberto, evitando dizer apenas que "aconteceu". Da pureza pop de Big Fish ao assombramento expressionista (!) de Love Without Violins, Sónia Tavares, Nuno Gonçalves, Miguel Ribeiro e John Gonçalves movimentam-se no oceano das suas próprias tensões criativas. Por alguma razão o concerto se apresentou encenado por um jogo de luzes tão sofisticado quanto austero — tratava-se de ouvir as novas canções e compreender, afinal, que elas refazem um património de 20 anos, abrindo para um território em que The Gift vai cada vez mais soar a um ensemble tão singular na alegria da sua pesquisa como soou em meados da década de 90. Lição filosófica: voltar a tentar fazer o mesmo para se conseguir ser outro.
Aquilo que algumas almas mais apressadas talvez descartem como apenas "ligeiro" — ou, escândalo supremo, apenas pop — está enraizado numa arquitectura de sons e emoções que arrisca continuar à procura de um lugar de apaziguamento. E que Mr. Eno seja o arquitecto-mor, eis o saboroso escândalo — ou apenas a ordem natural das coisas.
Também por tudo isso, Mário Barreiros (bateria), Paulo Praça (guitarra, baixo e voz) e Israel Costa Pereira (guitarra e voz) não são "acompanhantes", mas cúmplices hiper-talentosos de uma celebração musical que, não receemos a contundência dos símbolos, chegou ao seu altar. Faz medo, claro. Mas é por isso que admiramos a cruzada de The Gift.

N.G. - Vitrais e uma luz pouco intrusiva serviram de cenário aos primeiros momentos daquela que estava ainda a ser para muitos a descoberta das canções de Altar, o novo álbum dos The Gift. E foi assim que começou a noite (bem) vivida no Grande Auditório do CCB, escutando os temas mais melancólicos do novo disco, sublinhando não só a capacidade da banda em levar ao palco uma cuidada transposição dos acontecimentos criados em estúdio, como sublinhando na vida em palco para You Will Be Queen, mais do que no encadeamento do alinhamento do disco, a força potencial de mais um single. Não foi por acaso que, ao escutá-la (e esta, como contou Nuno Gonçalves, estava já na carteira dos temas compostos desde os tempos de Explode), Brian Eno lhes terá dito que, naquele tema em concreto, “já lá estava tudo” e que só faltava fazer com que, daqui a 20 anos, ele fosse cantado num karaoke no Japão...

Depois de alguns anos a viver o díptico Explode/Primavera e um alinhamento de memórias que assinalou os 20 anos de carreira da banda era chegada a altura de injetar um novo repertório em palco. E as dez canções de Altar fazem o prato principal desejado, mostrando-se Malifest um momento de puro festim dançável, confirmando Big Fish como um clássico bem nascido (e com pernas para correr ao longo deste verão) e em Love Without Violins o momento central desta nova aventura.

Na hora de revisitar memórias as escolhas reincidiram mais por recordações recentes do que por evocações dos primeiros tempos. De Explode ouviu-se quer a versão completa de The Singles quer (o bem eficaz em palco) RGB. De AM/FM ouviu-se Music. Em português cantou-se Primavera e Clássico. E, para mergulhar por um momento em escolhas menos esperadas, um (belíssimo) The Difference Between Us, dos tempos de Film, que foi na verdade o mais saboroso de todos estes episódios. Bom alinhamento! E com banda que não esconde os quilómetros de estrada que já correu.

terça-feira, abril 18, 2017

Vinyl na FNAC, com John Gonçalves
— magazine SOUND + VISION [hoje]

É o momento de voltarmos a celebrar os discos de vinyl! Em mais uma edição do magazine SOUND + VISION, vamos estar na FNAC evocando factos e memórias da história do vinyl, contando com a presença de John Gonçalves, de The Gift — a banda de Alcobaça acaba de lançar Altar, com produção de Brian Eno, e, além disso, tem um álbum chamado... Vinyl

* SOUND + VISION magazine
FNAC (Chiado), hoje, 18 Abril, 18h30

sexta-feira, abril 07, 2017

The Gift em tom brasileiro

Altar, o novo álbum de The Gift, já chegou às lojas — e com um novo e magnífico teledisco. Aí está uma exuberante transfiguração made in Brazil do tema Big Fish, com Sónia Tavares em "deusa funky", numa performance romântica, paródica q. b., de uma Cleópatra vinda de um tempo puramente mitológico — com direcção de Paulo Costa Pinto e produção executiva de Nuno Gonçalves, Big Fish foi rodado no Rio de Janeiro.

quarta-feira, abril 05, 2017

No "Altar" de The Gift

Faltam poucos dias para aparecer o novo álbum de The GiftAltar, com produção de Brian Eno e misturas de Flood (e esta capa magnífica). Produto de uma metódica internacionalização que nunca esqueceu as suas raízes criativas, o trabalho da banda de Alcobaça vai ser apresentado ao vivo numa digressão cujos primeiros concertos estão agendados para:

* ABRIL
13 e 14 - Cine Teatro de Alcobaça
19 - Centro Cultural de Belém / Lisboa
21 - Centro Cultural Vila Flor / Guimarães
22 - Casa das Artes / Vila Nova de Famalicão
25 - Teatro Aveirense / Aveiro
26 - Teatro Municipal de Vila Real
29 - Teatro das Figuras / Faro

* MAIO
1 - Casa da Música / Porto
3 - Auditório do Convento de São Francisco / Coimbra
5 - Cine Teatro Avenida / Castelo Branco
6 - Theatro Circo / Braga

Entretanto, o mercado de língua inglesa adquiriu crescente importância na estratégia da banda. Leia-se, por exemplo, este artigo publicado em The Independent; ou escute-se a performance de um dos novos temas, Big Fish, em Austin, Texas (16 Março), quando The Gift integraram o cartaz do SXSW Festival [video divulgado pelo PASTE Magazine].

sábado, outubro 01, 2016

The Gift / Brian Eno — o teledisco

Já conhecíamos o primeiro single do novo álbum de The Gift, Love Without Violins, com Brian Eno na produção e misturas a cargo de Flood [a edição está agendada para 2017]. Chega agora o respectivo teledisco: um exercício barroco, paradoxalmente austero, em que Sónia Tavares assume a condição de líder cantante de uma performance cujo ponto de fuga é a reconversão do corpo em novas formas e diferentes narrativas — brilhante!

segunda-feira, setembro 19, 2016

The Gift — primeira canção com Brian Eno

Love Without Violins é o primeiro single do novo álbum de The Gift, agendado para 2017. Com Brian Eno associado à respectiva produção, o menos que se pode dizer é que nele descobrimos uma sonoridade com óbvias raízes no património da banda de Alcobaça, mas apontando para novas e surpreendentes paisagens — escutemos, à espera do próximo capítulo...

domingo, dezembro 20, 2015

The Gift, 20 anos — e mais além

Não era um concerto de surpresas, nem concebido exactamente para surpreender. The Gift — na foto, da esquerda para a direita: Miguel Ribeiro, John Gonçalves, Sónia Tavares e Nuno Gonçalves — estiveram no Meo Arena para revisitar 20 anos de carreira, como quem experimenta os seus próprios limites. Ou seja: tacteando os contornos do que podem ser os próximos 20 anos.
Foi uma celebração que teve de tudo um pouco: energia musical, saber de palco, intimismo contido e ruído colectivo, e até alguns benignos percalços com o sistema de video... Em termos práticos, The Gift mostraram o sentido mais essencial da sua persistente e coerente independência — não é uma mera pose, nem um rótulo mediático, antes a genuína verdade de uma banda que continua a saber conciliar uma lógica experimental com uma cuidadosa gestão de carreira. Não faltou sequer, em exercício sem rede (literalmente), uma versão do My Way, de Sinatra, que a voz de Sónia defendeu com serena convicção.
Uma escolha? Se for apenas uma: Laura, do velhinho e insubstituível Digital Atmosphere (1997).


>>> Site oficial de The Gift.

quarta-feira, outubro 14, 2015

The Gift ou o elogio do classicismo

O título é quase redundante. Porquê? Porque ouvimos a voz de Sónia Tavares a começar, "Fecho a porta...", e sentimos desde logo que a canção se abre para uma paisagem de sóbrio classicismo em que a nostalgia se conjuga como um sentimento eminentemente presente. À beira de celebrarem 20 anos, The Gift oferecem-nos, assim, este Clássico, em tudo e por tudo fiel ao seu espírito inventivo e também à sua intransigente independência — registe-se que as comemorações das duas primeiras décadas integrarão dois grandes concertos: Guimarães/Multiusos (12 Dez.) e Lisboa/Meo Arena (19 Dez.).

segunda-feira, junho 08, 2015

The Gift em Santarém

O alinhamento do concerto de The Gift
Santarém, 06-06-2015
(Foto: JL)
Mesmo sem menosprezar a vasta, diversificada e apetitosa oferta gastronómica de restaurantes e tasquinhas, mesmo reconhecendo a importância económica e o valor cultural dos produtos expostos, permitam-me sublinhar que a abertura da 52ª Feira Nacional da Agricultura (6 Junho), em Santarém, se fez sob o signo da música pop. Como? Graças a um concerto admirável da nossa banda de Alcobaça, The Gift.
Nuno Gonçalves, Sónia Tavares, John Gonçalves e Miguel Ribeiro deram, antes do mais, uma metódica lição de rigor de palco e em palco, através de uma performance que reflecte uma competência acumulada ao longo de muitos anos de estrada — estão, aliás, a preparar as comemorações dos seus 20 anos. E contam também com três impecáveis colaboradores: Paulo Praça (guitarra + voz), Israel Costa Pereira (guitarra) e Mário Barreiros (bateria).
Em todo o caso, evitemos as simplificações descritivas. Não se trata de enaltecer qualquer eficácia tecnicista (mesmo se a equipa técnica de The Gift é, obviamente, brilhante), antes de sublinhar a consolidação de uma atitude, um estilo, um modo de ser e estar. Desde os tempos heróicos de Digital Atmosphere (1997) até à energia de um tema como The Singles [video], do álbum Explode (2011), estamos perante um entendimento da pop que conhece as suas referências, não porque as copie, antes porque as sabe integrar na afirmação/reinvenção de uma identidade.
Aberto a muitas hipóteses futuras, o concerto de Santarém foi também uma espécie de revisão da matéria dada — em tom de celebração, festa e, para que nada nos falte, também de tocante intimidade. Para situarmos o alcance do empreendimento, citemos apenas dois versos de The Singles, justamente:

Romance the 80’s, we dance the 90’s
The last 10 years they passed so fast, I kind of miss them

sábado, setembro 27, 2014

Telediscos dos Pet Shop Boys
e documentário sobre The Gift
no encerramento do Queer Lisboa 18



A 18ª edição do Queer Lisboa chega hoje ao fim com a cerimónia de entrega dos prémios e a exibição do filme brasileiro Flores Raras, de Bruno Barreto, a partir das 21.00 horas na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

O dia vai ter contudo mais sessões, duas delas com a música por protagonista e ambas com entrada gratuita (mediante disponibilidade de bilhete, a levantar no cinema São Jorge).

A Sala Montepio vai acolher às 17.00 a presença dos quatro elementos dos The Gift, que ali estarão para apresentar o documentário The Gift: A Single Hand Documentary, de Gonçalo Covacivic, numa sessão que assinala o aproximar da celebração dos 20 anos do nascimento do grupo.

Pelas 18.30 a mesma sala recebe uma sessão de telediscos dos Pet Shop Boys, com comentários feitos pelos dois autores deste blogue.

segunda-feira, agosto 25, 2014

The Gift em Alcobaça
(20 anos depois...)


Há 20 anos, num sótão não muito longe dali, tomavam primeiras decisões, planeavam a primeira apresentação pública (que teria lugar a 28 de setembro de 1994 no mítico Bar Ben). Duas décadas depois, com um historial discográfico reconhecido e feitos concretos somados em palcos por aí fora, a celebração - vivida na noite de ontem - tinha aquele reconfortante sabor de estar em casa, entre os seus, mas com a consciência de que há muito a sua voz foi bem para lá deste lugar. Sem ainda a marca de uma agenda oficial de comemorações, a atuação dos The Gift no terreiro em frente ao Mosteiro de Alcobaça marcou o início do assinalar dos 20 anos de vida do grupo. Foi uma noite intensa (e naturalmente emotiva), com um alinhamento como nunca antes tinham apresentado, cruzando toda a sua discografia entre o já longínquo Digital Atmosphere com que se estrearam em 1997 e o mais recente Primavera, de 2012.

A primeira canção deu o mote... Five Minutes of Everything. Mas em vez de cinco minutos foi todo um serão de memórias cruzadas com vivências mais recentes, das diferenças e afinidades entre as marcas das sonoridades de cada disco surgindo contudo um corpo sólido que traduz, já sem surpresa, uma noção de obra.

Os anos de rodagem em palco não enganam e os muitos que enchiam à pinha o espaço em frente a palco viram uma banda vocal e instrumentalmente em grande forma e acompanhada por uma equipa técnica igualmente segura, com um trabalho de som irrepreensível, que garantiu assim toda a eficácia do alinhamento de canções que sugeriram o efeito familiar do ‘best of’ (afinal celebram-se 20 anos de carreira).

Sem optar por uma arrumação cronológica, o desfile das canções galgou tempos entre saltos adiante ou para trás, espalhando o novo e o antigo numa sequência que vale a pena repetir. A escolha dos temas mais antigos destacou (e com justiça) o alinhamento do magnífico Film, de 2001, talvez o momento musicalmente mais brilhante da discografia do grupo. Sem o estatuto icónico criado pelo impacte do ineditismo de Vinyl (é importante lembrar que foi o disco que os levou a mais gente e inscreveu uma ética de trabalho diferente e eficaz no panorama pop/rock nacional) nem o fulgor dinâmico do mais recente Explode (um álbum inteligentemente talhado para uma vivência de palco), Film revelou um aperfeiçoar das demandas reveladas no álbum de 98, acentuando diálogos com electrónicas e um labor cénico onde estas partilhavam o protagonismo com as cordas. De resto, e se estamos em tempo de celebrar a obra feita – sendo certo que haverá novos passos (ler discos) mais adiante -, vale a pena pensar que terá de chegar o dia de podermos ver estas canções em palco vestidas pelo corpo de uma orquestra, “desejo” que está latente sobretudo entre os temas de Vinyl e Film.

O episódio mais emotivo da noite ficou por conta de um reencontro em palco com Ricardo Braga, elemento da formação original do grupo (mas que seguira um outro caminho depois de 1998) que regressou a cena para partilhar a já distante Laura (que talvez não se escutasse em palco desde 1997) e recordar OK, Do You Want Something Simple?, a canção que foi cartão de visita para o episódio que os levou mais alto e mais longe. A canção nasceu numa longa noite de trabalho, numa cave também não muito longe dali. Raras vezes as celebrações de memórias comportam esta carga que a geografia dá aos acontecimentos. Pelo que aconteceu ao longo de 20 anos, e pelas muitas relações com o espaço onde na noite de domingo estas canções se escutavam uma vez mais, não podia ter sido mais feliz a abertura da celebração de duas décadas de vida dos The Gift.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Os melhores discos de 2012 (N.G.)

É uma tradição que o Sound + Vision respeita anualmente. E a partir de hoje as listas dos melhores do ano vão surgir por aqui. Começamos pelos discos que mais marcaram um ano de muitas (e boas) edições discográficas. E os melhores são...

Depois da promessa sugerida no impressionante Learning, em 2012 Mike Hardeas confirmou em Put Your Back N2 It a visão e a personalidade de um autor que se encontrou a si mesmo num espaço pleno de verdade e personalidade. Sem perder as características, temas e demandas, a voz criativa do seu projeto Perfect Genius avançou e, para lá das fronteiras lo-fi, encontrou outra nitidez, fazendo deste seu segundo álbum o “grande” acontecimento discográfico pop/rock (e cercanias) do ano. Um ano que mostrou, sobretudo, interessantes casos de cruzamentos de linguagens, em discos que, aos poucos, definem o início do século XXI como um tempo de diálogos e cruzamentos. Vejam-se os casos de Gold Dust, onde Tori Amos revisita com um a orquestra as canções de 20 anos de discos e nelas encontra novos pontos de vista. Ou Rework onde, sob curadoria de Beck, uma série de músicos (de Amon Tobin a Johann Johansson) procuram olhares pessoais sobre momentos marcantes da obra de Philip Glass. Ou ainda Dr. Dee, onde Damon Albarn (depois da experiência de Monkey: Journey To The West), regressa ao espaço da ópera contemporânea, desta vez assinando aqui o seu primeiro disco a solo. Do balanço do ano destaque-se ainda a proeminência de Frank Ocean e Miguel, novas vozes que definitivamente se afirmam no espaço do R&B, também aqui em franco diálogo com outras referências (em ambos morando aquele olhar transversal que fez a diferença para Prince nos anos 80). De 2012 ficam ainda as memórias do melhor álbum dos Pet Shop Boys desde os dias de Behaviour, a “estreia” (sim, porque já tinha editado antes sob outro nome) de Lana del Rey – que criou uma “estrela” nos moldes dos tempos dos ícones de outrora -, das melhores electrónicas que ouvimos ao longo do ano em Fin de John Talabot e o belíssimo regresso (agora a solo) do ex-Blue Nile Paul Buchanan. A história discográfica do melhor do ano podia ainda juntar nomes como os de Patti Smith, St. Etienne, Andrew Bird, David Byrne com St Vincent, Brian Eno, Ombre, Grizzly Bear, Lemonade, Jack White, Beach House, Leonard Cohen ou Matthew Dear. Mas um Top 10 é um Top 10 e, assim sendo, aqui fica...

1. Perfume Genius, ‘Put Your Back N2 It’ (Matador Records)
2. Tori Amos, ‘Gold Dust’ (Deutsche Grammophon)
3. Pet Shop Boys, ‘Elysium’ (Parlophone)
4. Philip Glass, ‘Rework’ (Orange Mountain Music)
5. Frank Ocean, ‘Channel Orange’ (Def Jam)
6. Miguel, ‘Kaleidoscope Dream’ (Epic Records)
7. Lana del Rey, ‘Born To Die’ (Universal)
8. Damon Albarn, ‘Dr Dee’ (EMI Music)
9. John Talabot, ‘Fin’ (Permanent Vacation)
10. Paul Buchanan, ‘Mid Air’ (Essential Newsroom)

Nacional

Tirando o álbum da Sétima Legião, que é uma antologia de ‘memórias’, é curioso reparar que o melhor do ano editorial português ficou por conta de editoras independentes, acentuando uma tendência que se vem a acentuar nos anos mais recentes. Do panorama destaca-se claramente a estreia em álbum de Moullinex, um dos rostos centrais do catálogo da editora Discotexas, com um disco onde promove um franco (e compensador) diálogo entre a música de dança e o formato da canção, num espaço onde o presente sabe escutar ecos e grandes lições do disco sound, da soul, do funk e da pop. Sem dúvida, a grande surpresa do ano. A memória, além das canções da Sétima Legião (que viram a sua obra ser editada em formato remasterizado, mas ainda sem o tratamento arquivístico que justificava), mora ainda na abordagem de B Fachada, Minta e João Correia ao alinhamento do clássico Os Sobreviventes de Sérgio Godinho. O aprumar da visão de Norberto Lobo (cada vez mais um nome maior no panorama local), o encontro dos The Gift com o piano como voz maior na composição e os diálogos entre a raiz e a modernidade, em sede açoriana, pelo projeto O Experimentar são ainda notas maiores num ano onde convém ainda reter as propostas de DJ Ride, Gaiteiros de Lisboa e o coletivo Orelha Negra.(*)

1. Moullinex, ‘Flora’ (Discotexas)
2. Sétima Legião, ‘Memória’ (EMI Music)
3. B Fachada + Minta + João Correia ‘Os Sobreviventes’ (Mbari)
4. Norberto Lobo, ‘Mel Azul’ (Mbari)
5. The Gift, ‘Primavera’ (La Folie)
6. O Experimentar, ‘Sagrado e Profano’ (O Experimentar)
7. DJ Ride, ‘Life in Loops’ (Optimus Discos)8. Orelha Negra, ‘Orelha Negra’ (VC)
9. B Fachada, ‘Criôlo’ (Mbari)
10. Gaiteiros de Lisboa, 'Avis Rara' (D'Euridice)

Clássica

25 anos depois da sua estreia, a ópera Nixon In China regressou este ano aos palcos e, numa espantosa produção do Met, confirmou essa obra de John Adams como uma das peças maiores da história deste espaço de criação musical (dela falaremos na tabela dos melhores DVD e Blu-ray do ano). Mas de John Adams o ano recorda mais que apenas essa nova vida para a sua obra-prima. E o igualmente fundamental Harmonielehre, de quem havia uma gravação dos anos 80 dirigida por Edo de Waart, conheceu nova gravação, pela mesma San Francisco Symphony, numa direção de Michael Tison Thomas que se destacou claramente como o mais vibrante instante musical do ano discográfico nos domínios da música clássica. Do ano editorial destaca-se ainda a estreia em disco de Out Of Nowhere e Nyx, de Esa Pekka Salonen, parecendo cada vez mais certo que, se perdemos um maestro tão presente em palcos e gravações, passámos a contar com mais um valor maior no panorama da composição do século XXI. Tudo isto num mesmo ano em que Max Richer mostrou como uma editora (neste caso, a Deutsche Grammophon) pode ser também catalisadora de novas visões, ao propor um olhar diferente pelas Quatro Estações de Vivaldi no mais recente volume da série Re-Composed. Em tempo de assinalar os seus 75 anos, Philip Glass estreou duas sinfonias, tendo editado uma gravação da sua empolgante “nona” logo no início do ano. O melhor de 2012 passou ainda por obras para piano de Debussy por Alexei Lubimov e pela abordagem aos concertos para piano de Shostakovich por Menlikov. Simon Rattle gravou uma arrebatadora visão “completa” da nona de Bruckner e Gardiner completou o ciclo de gravações da obra orquestral de Brahms com um belíssimo Ein Deutsches Requiem. Notas ainda para Wagner’s Dream, editado ainda em vida de Jonathan Harvey e o inteligente programa, ao estilo de um recital, de Adès e Isserlis para, de obras de outros compositores, chegar aos Lieux Retrouvèes do primeiro.

1. John Adams, ‘Harmonielehre’ M. Tilson Thomas / San Francisco Symphony (SFS Media)
2. Esa Pekka Salonnen, ‘Out of Nowhere’ Salonen / Finnish Radio Symphony Orchestra (Deutsche Grammophone)
3. Claude Debussy, ‘Preludes’ – Alexei Lubimov (ECM)
4. Max Richter, ‘Recomposed – Vivaldi Four Seasons’, Daniel Hope
5. Philip Glass, ‘Symphony N. 9’ – Bruckner Orchester Linz
6. Anton Bruckner, Symphony N. 9’ – Simon Rattle / Berliner Philharmoniker
7. Thomas Adès ‘Lieux Retrouvées’ – T. Adès + S. Isserlis (Hyperion)
8. Johannes Brahms, ‘Ein Deutsches Requiem’ – J Eliot Gardiner / Orch Revolutionarie et Romantique
9. Dmitri Shostakovich, ‘Piano Concertos’ A. Menlikov / Mahler Chamber Orchestra, dir. Teodor Currentzis (Harmonia Mundi)
10. Jonathan Harvey, ‘Wagner’s Dream’ dir. Martyn Brabbis (Cypress)

(*) Uma lista originalmente publicada incluía o disco a solo de Manuel Fúria, que na verdade só será publicado em 2013.

terça-feira, dezembro 18, 2012

E os melhores discos do ano são...

... Bloom, dos Beach House. Em segundo lugar ficou o segundo álbum de Perfume Genius, Put Your Back n2 It e, em terceiro, Born To Die de Lana del Rey. Entre os muitos que votaram ‘outro’ surgiram citações a nomes como os de Frank Ocean, Nils Bech, Bat For Lashes, Kindness, Blanche Blanche Blanche, Chromatics, Lambchop, How To Dress Well, Kendrick Lamar, Japanddroid, Alt J, Py, Emily Portman, Ava Luna. Na tabela nacional, B Fachada liderou sempre a votação com Criôlo, seguindo-se o álbum dos TV Rural e o mais recente disco dos The Gift. Entre os que escolheram a opção “outro” houve quem apontasse os discos de nomes como as Pega Monstro, Diabo na Cruz, Black Bombaim ou Trêsporcento. Aqui ficam os resultados finais das votações dos leitores.


Internacional:

1º Beach House, Bloom - 42
2º Perfume Genius, Put Your Back N2 It – 25
3º Lana del Rey, Born To Die – 22
4º Django Django, Django Django – 19
5º Jack White, Blunderbuss – 17
6º Grizzly Bear – Shields – 16
7º Fiona Apple, The Idler Wheel – 15
7º Grimes, Visions – 15
7º The XX, Coexist – 15
10º Ariel Pink’s Haunted Graffiti, Coexist – 10
10º Dirty Projectors, Swing Lo Magellan – 10
10º John Talabot, Fin – 10
13º Paul Buchanan, Mid Air - 9
13º Cat Power, Sun – 9
15º Andrew Bird – Break It Yourself – 8
15º Madonna – MDNA – 8
15º Pet Shop Boys, Elysium – 8
15º Spiritualized, Sweet Heart Sweet Light – 8
19º Patti Smith, Banga – 7
20º Damon Albarn, Dr. Dee – 6
20º Animal Collective, Centipede Hz – 6
22º David Byrne + St Vincent, Love This Giant - 5
22º Crystal Castles, III – 5
24º Miguel, Kaleidoscope Dream – 4
25º Tori Amos, Golden Dust – 3
25º Brian Eno, Lux – 3
27º Santigold, Master Of My Make Believe – 2
28º Andrew Bird, Hands on Glory – 1
28º Magnetic Fields, Love At The Bottom of The Sea – 1
28º Patrick Wolf, Sunligt & Riverlight - 1



Nacional:

1º B Fachada, Criôlo – 119
2º TV Rural, Balada do Coiote – 100
3º The Gift, Primavera – 38
4º Norberto Lobo, Mel Azul – 31
5º António Zambujo, Quinto – 26
6º Moullinex, Flora – 23
7º B Fachada + Minta + J Correia – Os Sobreviventes – 20
8º David Fonseca, Seasons Rising / Falling – 18
8º Minta & The Book Trout, Olympia – 18
8º Orelha Negra, Orelha Negra – 18
11º Ana Moura, Desfado – 11
12º Salto, Salto – 8
12º Wray Gunn, L’Art Brut – 8
14º Gala Drop, Broda – 7
15º Walter Benjamin, The Imaginary Life of Rosemary – 6
16º Gaiteiros de Lisboa, Avis Rara – 5
17º DJ Ride, Life in Loops – 4
18º Balla, Canções – 3
18º Carminho, Alma – 3
20º Papercutz, The Blur Between Us – 0

sábado, novembro 24, 2012

The Gift: 18 anos depois...

Este texto é um excerto da crítica ao concertos dos The Gift a 23 de novembro no Coliseu do Porto que hoje publico no DN Online. Podem ler aqui o texto completo.

Foi com os músicos no corredor central da plateia, com um Coliseu do Porto em silêncio, escutando uma última canção de um alinhamento que então via o ponteiro a indicar três horas de atuação que a festa terminou. Sala cheia, esgotada há já vários dias, acolhia o segundo de um par de concertos diferentes dos que fizeram a última digressão do grupo. Afinal, juntamente com a noite de casa cheia há precisamente uma semana, no Coliseu dos Recreios (em Lisboa), as duas noites assinalavam, com um programa diferente e uma noção de arrumação dos acontecimentos em três atos (como se fosse um musical), os 18 anos de vida dos The Gift. Quem os viu, em finais de 1998, num lisboeta São Luiz, então também cheio, a apresentar as canções de Vinyl (o seu segundo disco, que antes tinham editado o hoje algo esquecido EP Digital Atmosphere), talvez não imaginasse que uma ideia tão afastada do que era então o terreno comum do espaço pop/rock português, algum dia chegasse a este patamar de reconhecimento mainstream (e atenção que esta expressão não é palavrão que implique juízo de valores, quer apenas traduzir uma noção de relacionamento com o "grande público"). Mas chegou. E se há uma primeira palavra para explicar o que sucedeu, essa palavra será: "trabalho".