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segunda-feira, setembro 29, 2014

'Something Must Break' vence Queer Lisboa 18


O filme sueco Something Must Break, de Ester Martin Bergsmark venceu o prémio de Melhor Longa Metragem de Ficção, entregue na noite de encerramento do festival, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge.

A lista completa dos prémios é esta:

Longas-Metragens de ficção:
Melhor Longa-Metragem: Something Must Break (Suécia, 2014) de Ester Martin Bergsmark
Menção Honrosa: Atlantida (Argentina, França, 2014) de Inés María Barrionuevo
Melhor Interpretação: Saga Becker, em Something Must Break (Suécia, 2014), de Ester Martin Bergmark, Kostas Nikouli, em Xenia (Greece, France, Belgium, 2014) de Panos H. Koutras, e Angelique Litzenburger em Party Girl (France, 2014,) de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis.
Prémio do Público: Rosie (Alemanha, Suíça, 2013), de Marcel Gisler

Documentários:
Melhor Documentário: Julia (Alemanha, Lituania, 2013), de J. Jackie Baier
Prémio do Público: São Paulo em Hi-Fi (Brasil, 2013), de Lufe Steffen

Curtas-Metragens:
Melhor Curta-Metragem: Mondial 2010 (Líbano, 2014), de Roy Dib
Melhor Curta-Metragem Portuguesa: Frei Luís de Sousa (Portugal, 2014), de Silly Season
Prémio do Público: Cigano (Portugal, 2013), de David Bonneville

Competição In My Shorts:
Melhor Curta-Metragem: Bonne Espérance (Suíça, 2013), de Kaspar Schiltknecht
Menção Honrosa: Gabrielle (Bélgica, 2013), de Margo Fruitier e Paul Cartron.

sexta-feira, setembro 26, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 8


Hoje, penúltimo dia do Queer Lisboa 18, as sessões a apresentar no Cinema São Jorge e Cinemateca Portuguesa são essencialmente centradas em secções não competitivas (apesar de haver ainda exibição de duas longas de ficção e um documentário em competição, assim como duas sessões da secção In My Shorts, dedicada a filmes de escola.

Na Cinemateca passam ainda três filmes de John Waters - Hairspray (15.30), Polyester (19.00) e Pink Flamingos (22.00). Recorde-se que em Polyester haverá distribuição de cartões "odorama", fazendo desta uma sessão de cinema com cheiro... Também na Cinemateca encerra o ciclo dedicado a África com Touki Bouki (19.30).

Entre os títulos fora de competição que passam no S. Jorge ficam aqui três exemplos, acompanhados pelas respetivas sinopses.

Eastern Boys, de Robin Campillo
Eles vêm de todo o leste da Europa: Rússia, Ucrânia, Moldávia. Os mais velhos não parecem ter mais de 25 anos, quanto aos mais novos, não há maneira de adivinhar a sua idade. Eles passam o tempo na Gare du Nord em Paris. Talvez sejam prostitutos. Daniel, um homem discreto nos seus cinquentas tem a atenção virada para um deles, Marek. Com coragem acumulada, ele fala com ele. O jovem aceita visitar Daniel na sua casa no dia seguinte… - 22.00 horas, Sala Manoel de Oliveira

Honeymoon, de Jan Hřebejk
Honeymoon tem lugar nos três dias da festa de casamento de Radim e Tereza. Segredos do passado regressam à vida de Tereza durante o seu próprio casamento, e a festa transforma-se num pesadelo. Tereza já tentara casar antes; e ela está naturalmente hesitante em relação ao actual casamento. Decidiu casar com Radim depois de muita ponderação, tendo vivido com ele durante bastante tempo. O noivo é um tipo amigável que trata Tereza com compreensão e carinho. Todos pensariam que eles eram o casal perfeito… - 17.15 horas, Sala Manoel de Oliveira

Queen Antigone: Three Acts, de Telémachos Alexiou
ma jovem vive com o seu pai gravemente doente e o seu irmão adolescente numa pequena cidade costeira grega. Há já algum tempo que ela deixou de receber o ordenado na loja de moda onde trabalha, há meses que não consegue pagar a assistência médica ao pai e desesperadamente tenta proteger o irmão mais novo de bullying na escola. Ela quer gritar mas não encontra as palavras. Ela quer fugir, mas as pernas entrelaçam-se. Um dia, à procura de cigarros na mochila do irmão, ela encontra a Antígona de Sófocles e, aos poucos, deixa-se identificar com a Heroína. Descontrolada e autodestrutiva, torna-se vítima do seu destino, caminhando o caminho para a sua própria queda trágica e catarse final, com um coro de três rapazes que a conduzem no percurso. - 19.15 horas, Sala 3

Podem ver aqui toda a programação de hoje (com respetivos trailers)

domingo, setembro 21, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 3


A estreia nacional de um filme inédito de Derek Jarman, uma mostra de alguns telediscos assinados pelo realizador e ainda a longa-metragem La Partida, de Antonio Hens, integram alguns dos destaques das secções não competitivas a ver hoje no Queer Lisboa 18, entre as salas do Cinema São Jorge.

Will You Dance With Me? nasceu na verdade de imagens captadas numa noite de 1984 quando Derek Jarman, munido de uma câmara VHS, partiu com a equipa do realizador Ron Peck (que então preparava o filme Empire State) para o Benjy's, um clube local britânico num serão de trabalho em que tinha por missão olhar maneiras de retratar as pessoas a dançar. Foi o que fez. E com uma banda sonora (aquela que o DJ ia rodando nos pratos) por onde passava, temas dos Frankie Goes To Hollywood, Shannon, Herbie Hancock ou Break Machine, tomou os figurantes como mais que meros anónimos. Transformou-os em personagens, que assim acompanhou ao longo da noite. Essas imagens ficaram na gaveta anos a foi, foram finalmente divulgadas este ano no London Flare, na sala maior do British Film Institute, em Londres. Hoje o Queer Lisboa apresenta, pelas 17.00 (na sala 3 do Cinema São Jorge) a primeira apresentação do filme após esta estreia absoluta em Londres. Ron Peck estará na sala para evocar como surgiram estas imagens.

Podem ler aqui uma entrevista com Ron Peck, onde (entre outros assuntos) se fala deste filme.

Após a projeção de Will You Dance With Me?, a sala 2 do Cinema São Jorge apresenta (com comentários de um dos autores deste blogue) uma seleção de alguns dos mais significativos telediscos de Derek Jarman para canções de nomes como, entre outros, Marianne Faithfull, os Pet Shop Boys, Marc Almond, The Smiths ou Bryan Ferry.

Também hoje de tarde, mas na Sala Manoel de Oliveira do mesmo cinema passa, integrado na secção Panorama, o filme La Partida, do realizdor espanhol Antonio Hens. Um filme rodado em Cuba e sobre o qual o realizador fala numa entrevista que podem ler no site do festival.

Diz a sinopose: dois rapazes cubanos no limiar da marginalidade lutam por uma vida em conjunto. Mas é duro para ambos: um tem que trabalhar como cobrador dos que têm dívidas para com o sogro. O outro prostitui-se pelas ruas para cumprir as obrigações familiares.

Podem ler aqui a entrevista com Antonio Hens.


Em competição:

Entre os destaques do dia nas secções competitivas de longas metragens há duas ficções e dois documentários a ter em conta. Além disso, pelas 19.15 horas, é apresentada na sala 3 do Cinema São Jorge a primeira sessão de curtas-metragens.



Aqui podem ler o que contam as sinopses dos filmes em  competição:

Prophecy, Pasolini's Africa, de Gianni Borgna e Enrico Menduno:
Depois de Accattone (1961), Pasolini voltou-se para África, à procura de uma força proletária e revolucionária que procurara em vão no norte italiano e nos subúrbios de Roma. Assim nasceu a sua poesia e os filmes La rabbia (1963), Edipo re (1967) e Appunti per un'Orestiade africana (1968-1973). Profezia. L'Africa di Pasolini explora uma esperança que vai acabar em nova decepção: a África é um reservatório de contradições irreconciliáveis ​​que vai explodir nos confrontos, ditaduras, massacres presentes e futuros. África está desgastada nos limites de incerteza, como a periferia do primeiro mundo. A inspiração profética continua a incomodar-nos quando ele descreve, trinta anos antes, o êxodo de africanos nos barcos e a sua "conquista" de Itália. Mas o poeta está destinado a uma morte precoce, como em Accattone. - 15.00 horas, Sala 3

L'Armée du Salut, de Abdellah Taïa:
Em Casablanca, o jovem Abdellah passa os dias em casa, vivendo uma relação de conflito e cumplicidade com o pai. Nas ruas, tem ocasionalmente relações sexuais com homens. Durante as férias, o seu irmão mais velho, que venera, abandona-o. Dez anos mais tarde. Abdellah vive com o seu companheiro suíço, Jean. Ele deixa Marrocos e muda-se para Genebra, onde decide terminar o seu relacionamento e viver uma nova vida sozinho. Procura abrigo com o Exército da Salvação, onde um marroquino lhe canta uma canção do seu ídolo, Abdel Halim Hafez. - 19.30 horas, Sala 1

American Vagabond, de Susanna Helke:
James fugiu da casa dos pais porque eles não aceitavam o facto de ser gay. Ele tenta encontrar refúgio em São Francisco com o seu namorado, Tyler. Eles pensavam que encontrariam uma comunidade na “Meca Gay”. Em vez disso, acabam a dormir num parque e a pedir pelas ruas do bairro gay. Eles encontram-se presos num mundo de sem-abrigos e numa comunidade composta por outros jovens gay rejeitados. Eventualmente, James tem de enfrentar o seu passado e o lugar que deixou para trás. American Vagabond é uma história sobre o crescimento de um rapaz gay de uma cidade pequena na América. Uma história sobre uma família que enfrenta o seu maior medo. - 21.20, Sala 3

Party Girl, de Marie Amachoukeli, Claire Burger e Samuel Theis:
Angélique é uma empregada de bar de 60 anos. Ela ainda gosta de divertir-se, ainda gosta de homens. De noite, ela fá-los beber, num cabaret na fronteira Franco-Alemã. À medida que o tempo passa, os clientes são escasseando, Mas Michel, presença regular na casa, ainda está apaixonado por ela. Certo dia, ele pede Angélique em casamento. 22.00 horas, Sala 1

sábado, setembro 20, 2014

Queer Lisboa 18 - dia 2


O segundo dia do Queer Lisboa 18 apresenta, além do arranque das secções competitivas do festival, o início das retrospetivas dedicadas ao cinema de John Waters (na Cinemateca) e Ron Peck (no São Jorge), assim como o arranque da secção Queer Focus (que decorre na Cinemateca Portuguesa), que este ano procura dar-nos uma série de pontos de vista africanos sobre questões da sexualidade e identidade de género em África. Fiquemos com o que nos contam as sinopses destes filmes:

Polyester, de John Waters: Francine Fishpaw é uma dona de casa suburbana de classe média em Baltimore. Infelizmente, para esta "boa mulher cristã", o dinheiro que sustenta o seu estilo de vida vem dos filmes pornográficos do seu marido. Os seus vizinhos reclamam do ruído, o seu filho é o conhecido "Calcador de Baltimore", a sua filha é engravidada por um bandido local e o seu marido está a ter um caso com a secretária. - Cinemateca, 21.30

Nighthawks, de Ron Peck: Nighthawks é a história de Jim, um professor de geografia numa escola londrina. A viver sozinho num apartamento apertado, a sua sexualidade é um segredo meio aberto a todos, menos aos seus alunos e aos seus pais, ele passa as noites em bares e discotecas gay a procurar em vão o homem certo. Uma sucessão de relacionamentos acabam após duas ou três semanas, e a única estabilidade na sua vida são o seu trabalho e a sua amizade florescente com uma professora substituta, Judy. Ambos estão sob ameaça enquanto o desespero silencioso de Jim ferve em direcção à superfície. - Cinema S. Jorge, 19.15

Touki Bouki, de Djibril Diop Mambety: Com uma deslumbrante mistura entre surreal e naturalista, Djibril Diop Mambety pinta um vívido e fracturado retrato do Senegal no início dos anos 70. Nesta fantasia dramática influenciada pela Nouvelle Vague, dois amantes anseiam trocar Dakar pelo glamour e prazeres de França, mas o seu plano de fuga sofre complicações tanto reais como místicas. Caracterizado por um imaginário e música deslumbrantes, este excêntrico e meditativo Touki Bouki é vastamente considerado um dos filmes africanos mais importantes de sempre. - Cinemateca 19.00


Além destes três clássicos, entre a programação de títulos recentes (e em competição) surgem, entre outros:

Rosie, de Marcel Gisler: Lorenz Meran, de 40 anos, é um bem-sucedido autor gay a sofrer de um bloqueio criativo, que tem que abandonar Berlim e regressar ao Este da Suíça quando a sua já idosa mãe dá entrada no hospital depois de uma queda. Ele encontra-se preso na localidade remota de Altstätten, a sua cidade natal, enfrentando o facto de a adorável Rosie recusar qualquer tipo de ajuda ou querer ir para um lar. Apanhado na caótica batalha de Rosie para manter a sua independência e sentido de dignidade, disputas familiares e segredos há muito escondidos, Lorenz quase que falha em reparar que o amor lhe bateu à porta. Rosie é um estudo divertido e comovente das relações humanas. - São Jorge, 17.15 

Castanha, de Davi Pretto: João é um actor de 52 anos que vive com a sua mãe de 72, Celina. Ele passa o seu tempo entre o trabalho nocturno travestido em pequenos bares gay e os papéis que vai conseguindo em peças de teatro, filmes e televisão. Atormentado pelos fantasmas do passado, o dia-a-dia de João começa a misturar-se com o que ele vive e o que interpreta.- São Jorge, 19.30 

Xenia, de Panos H Koutrass: Depois da morte da mãe, Dany, de 16 anos, deixa Creta para se juntar ao seu irmão, Odysseas, que vive em Atenas. Nascidos de uma mãe albanesa e um pai grego que nunca conheceram, os dois irmãos - estranhos no próprio país -, decidem ir a Salónica procurar o seu pai e forçá-lo a reconhecê-los oficialmente. Ao mesmo tempo, em Salónica, acontece a selecção para o programa de culto “Greek Star”. Dany sonha que o seu irmão Odysseas, um cantor dotado, possa tornar-se a nova estrela do concurso, num país que se recusa a aceitá-los. - São Jorge, 22.00

Veja aqui a programação completa

sexta-feira, setembro 19, 2014

Queer Lisboa 18 - Dia 1


O filme do realizador brasileiro Daniel Ribeiro Hoje eu Quero Voltar Sozinho abre hoje, pelas 21.30, o Queer Lisboa 18, que este ano tem sessões repartidas entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa. O filme (que repete amanhã pelas 15.00) assinala um reencontro do realizador com as personagens e a narrativa de uma curta-metragem que chegou mesmo a ser premiada no Queer Lisboa.

A sinpose descreve assim o filme: "Leonardo é um adolescente cego a lidar com uma mãe demasiado protectora enquanto tenta viver uma vida mais independente. Ele planeia iniciar um programa de intercâmbio que desagrada à sua melhor amiga, Giovana. Quando Gabriel, um novo estudante, chega à sala de aula, novos sentimentos despertam em Leandro fazendo-o questionar os seus planos".

Sobre a relação da longa com a curta, Daniel Ribeiro explicou, em entrevista publicada no site do festival: "Muita gente queria saber o que acontece depois do beijo... E muitos escreviam-me dizendo que queriam ver a continuação. Mas não é uma continuação. Vamos voltar para o começo. A história que queria contar era agora a desse momento da descoberta. Sobre os problemas que chegam na adolescência, que são sempre novos e não sabemos nunca como ligar com eles à medida que vão aparecendo. Essa angústia de estar apaixonado por alguém e não saber se a pessoa gosta de nós. Essa era a história principal... Quando adaptei queria manter o principio e o fim meio parecidos".

Podem ler aqui a entrevista completa.

E aqui há mais informação sobre o filme.

quarta-feira, setembro 17, 2014

Em conversa: Ron Peck


Importante pioneiro na criação de uma cinematografia queer britânica, Ron Peck é um dos nomes em foco na edição deste ano do Queer Lisboa. A sua presença na programação desta edição do Queer Lisboa faz-se também através daquela que é a segunda exibição mundial (ou seja a estreia europeia continental) de Will You Dance With Me?, de Derek Jarman, filme que nasceu de uma fita em vídeo que o autor de Caravaggio e Sebastienne rodou no mítico Benjy's, de Londres (e que teve estreia mundial na edição deste ano do BFI Flare. Antes de um contacto pessoal com o realizador, que estará em Lisboa para apresentar alguns dos títulos desta retrospetiva, fica uma entrevista na qual percorre, entre memórias, os seis filmes que o festival vai exibir.

Nighthawks foi a primeira longa metragem inglesa com temática gay. Que impacte teve o filme na sociedade e cultura britânica da época?O filme foi notado e recebeu muita atenção da imprensa porque deu uma nova visibilidade ao tema. Também encontrou um grande público tanto a nível nacional como internacional e todo o tipo de controvérsias apareceram à sua volta, o que lhe deu até maior longevidade nas salas de cinema. Por exemplo, o filme dividiu o público gay por concentrar atenções na cena cruising, nos bares e clubes. Havia quem quisesse uma história de amor mais convencional com um final feliz. Outros queriam ver uma cena gay alternativa. Mas outro dos aspetos muito discutido na época foi o uso de atores não profissionais e a presença da improvisação. A melhor reação foi que o filme levou as pessoas a falar e a discutir, tanto defendendo-o como atacando-o. Abriu as temáticas gay um pouco a um público bem maior.

De que forma o quadro de Edward Hopper – Nighthawks (de 1942) – foi uma influência para o filme?
Descobri a pintura de Hopper na mesma altura em que regressava a Londres após alguns anos vividos fora, na universidade. Foi na altura em que fui para a London Film School. Foi também por essa altura que descobri a cena gay londrina – por acaso – e inicialmente achei difícil lidar com isso. Era um jovem tímido. As pinturas de Hopper, como expressões, correspondem muito de perto face ao que eu sentia sobre os ambientes em que vivia. Um bar gay pode estar apinhado como uma estação de metro em hora de ponta mas podemos sentirmo-nos tremendamente isolados lá dentro. O Nighthawks do Hopper captou para mim o clima, a essência da coisa.

Foi ao preparar a rodagem de Empire State que uma noite na discoteca Benjy’s acabou por ser filmada por Derek Jarman. Essas ideias por ele captadas foram de facto úteis para a rodagem do filme?
Teriam sido úteis na concepção inicial do filme. O trabalho do Derek mostra essencialmente o que um homem pode soltar com uma simples câmara. Está muito mais perto do espírito do Nighthawks e, claro, do trabalho do Derek em Super-8 muito particularmente. É cinema livre no maior sentido da palavra. O Empire State, com o seu financiamento mainstream, teve se ser feito em moldes bem diferentes.

Aquelas imagens captadas por Derek Jarman ficaram ali guardadas anos a fio. Como regressou a elas e como é que delas depois nasceu o filme Will You Dance With Me?
Nunca me tinha esquecido daquela cassete do Derek. Com toda a publicidade em volta dos acontecimentos e projeções deste ano, assinalando os 20 anos da morte do Derek, voltei a ver a cassete, mas na companhia de outros amigos realizadores e eles ficaram espantados. Por isso mostrei-a depois ao Brian Robinson no BFI e ele programou-o imediatamente para o auditório do BFI onde decorria tanto o festival de cinema London Flare como uma retrospetiva do trabalho do Derek. Foi um exercício, uma experiência, e naturalmente não tinha titulo. E porque a dada altura o Derek pergunta a alguém para dançar com ele no filme, e como toda a peça anda à volta dele a filmar a dança, o título Will You Dance With Me? pareceu-me apropriado.

Podem ler aqui a entrevista completa

O festival vai apresentar uma retrospetiva com seis dos seus filmes, entre os quais o histórico Nighthawks (1978), a primeira longa metragem de ficção britânica com temática gay. A retrospetiva junta a este filme as longas de ficção Empire State, (1987) Real Money (1996) e Cross Channel (2011) e os documentários Strip Jack Naked (1991) e Fighters(1996).

A abertura do ciclo faz-se sábado, dia 20, pelas 19.15, na sala 3 do Cinema São Jorge com uma exibição de Nighthawks que contará com a presença em sala do realizador.

A imagem que abre o post é do filme 'Cross Channel

segunda-feira, setembro 15, 2014

Em conversa: Daniel Ribeiro


Depois das curtas Café com Leite e Eu Não Quero Voltar Sozinho (premiado no Queer Lisboa 16 como Melhor Curta Metragem), o realizador brasileiro regressa com Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, a sua primeira longa-metragem. O filme recupera as personagens e o essencial da narrativa de Eu Não Quero Voltar Sozinho, mas aprofunda uma série de elementos. Em entrevista, o realizador do filme de abertura do Queer Lisboa 18, que venceu o Teddy Award e o Prémio Fipresci na Berlinale este ano, conta-nos como curta e longa fazem parte de uma mesma história comum.

A ideia de fazer uma longa-metragem à volta das personagens e narrativa de Eu Não Quero Voltar Sozinho surgiu depois do impacte que a curta teve ou era já uma ideia antiga?
A ideia veio desde o começo e os dois filmes nasceram juntos. Quando pensei no personagem do garoto cego que descobria que era gay eu queria que essa fosse a minha primeira longa. Só que resolvi fazer a curta antes, como uma espécie de piloto. Era um personagem complexo, teria de trabalhar com um adolescente interpretando um cego e que topasse fazer um personagem gay... Então eu achava que ia ser difícil encontrar esse ator, por isso decidi experimentar tudo antes numa curta, ver o que funciona e não funciona e depois ir para a longa.

O filme tem um protagonista cego. E é raro vermos o cinema a abordar a cegueira, desta forma. Era fundamental para a narrativa ter um cego?
Cinematograficamente era essencial e podia jogar um pouco com o que vê e não vê para falar do que é, quando estamos apaixonados, o medir dos detalhes, das dicas que as outras pessoas dão... A personagem funcionava nesse caminho. Mas era importante também para falar da sexualidade. Esse personagem cego nasce para mim quando eu me questiono sobre como um garoto cego, que nunca viu um homem ou uma mulher, sabe que pode ser gay. Esse elemento é para mim essencial. A nossa sexualidade vem de dentro de nós, não tem só a ver com o que vemos.

A curta foi parar à Internet por vontade sua? O que aconteceu?
Foi meio um acidente. E foi um acidente muito bom. O filme estava no Festival do Rio e participava numa competição que era para ser votada na Internet e eles colocaram o filme online. Durante uma semana no site ficou lá. O filme já tinha sido muito falado no Brasil porque tinha entrado noutros festivais e ganho prémios. E quando foi parar à Internet muita gente viu o filme, descarregou-o e meteu-o no YouTube. Tiravam do site da competição e metiam no YouTube. Eles colocavam e a gente apagava. Várias vezes... E chegou uma hora em que achamos que não dava mais para ficar a perder tempo a apagar. Então decidimos colocar nós mesmos e com qualidade boa. E aí foi o sucesso que foi. Acho que tudo o que aconteceu depois, até a força que a longa teve, com tanta gente que viu o filme, veio por causa disso. Hoje agradecemos às pessoas que fizeram isso.

Podem ler aqui a versão completa desta entrevista.

O filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho passa - integrado na programação do Queer Lisboa 18 - na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge no dia 19 pelas 22.00 (na sessão de abertura do festival) e repete, na mesma sala, dia 20, pelas 15.00 horas.

domingo, setembro 14, 2014

Cinema e cultura queer em livro


Foi ontem apresentado no jardim do Museu do Chiado, em Lisboa, o livro bilingue Cinema e Cultura Queer, um volume de textos críticos e ensaios da responsabilidade do Festival Queer Lisboa, numa edição da Associação Cultural Janela Indiscreta. 

Lançado no dia que assinalava o 18º aniversário daquele que é o mais antigo festival de cinema da cidade de Lisboa, o livro junta textos de alguns colaboradores e programadores do festival, entre os quais os autores deste blogue.

Podem ler aqui sobre o livro e consultar o índice completo.

sexta-feira, setembro 05, 2014

Queer Lisboa 18 apresenta programação


Um filme inédito de Derek Jarman (e uma seleção dos telediscos por si realizados), retrospetivas de John Waters e Ron Peck, um documentário sobre Nan Goldin, um foco especial sobre África, a estreia em sala de um documentário dos The Gift e uma homenagem, feita com telediscos, aos 30 anos de carreira dos Pet Shop Boys são, além dos muitos títulos das secções competitivas e não competitivas, alguns dos destaques da maior edição de sempre do festival Queer Lisboa, que este ano decorre entre os dias 19 e 27 de setembro entre o Cinema S. Jorge e a Cinemateca Portuguesa.

O filme de abertura do festival será Hoje Não Quero Voltar Sozinho (primeira imagem), do realizador brasileiro Daniel Ribeiro, que nasce diretamente de uma curta-metragem do mesmo realizador que foi premiada na edição de 2011 do Queer Lisboa. O encerramento ficará a cargo de um outro título brasileiro, Flores Raras, de Bruno Barreto.

Um dos títulos centrais da programação é Will You Dance With Me?, de Derek Jarman (segunda imagem), filme que resulta de imagens captadas em vídeo numa discoteca local britânica em 1984 (em tempo de preparação de Empire State, de Ron Peck - que será também exibido no festival) e que durante anos esteve na gaveta. Estas imagens só conheceram primeira exibição pública na edição deste ano do London Flare, no BFI, em Londres. Esta será a sua segunda projeção mundial.

À retrospetiva dedicada a John Waters, que já havia sido noticiada em julho, o Queer Lisboa 18 junta uma outra, que apresentará a integral da obra do realizador britânico Ron Peck. O realizador estará em Lisboa para apresentar não apenas este ciclo - que integra o histórico Nighthawks, de 1978 (terceira imagem) - mas também o inédito de Derek Jarman que o festival apresenta na tarde de dia 20 no Cinema S. Jorge.

A secção Queer Pop apresenta o documentário The Gift: A Single Hand Documentary (dia 27, pelas 17.00), filme de 2000 de Gonçalo Covacivic que terá aqui a sua primeira exibição em sala, assinalando um momento na celebração dos 20 anos de carreira do grupo. Haverá ainda duas sessões comentadas de telediscos - pelos autores deste blogue - uma com filmes realizados por Derek Jarman, a outra recordando momentos da obra dos Pet Shop Boys.

Podem ver aqui a programação completa do festival.

terça-feira, julho 15, 2014

John Waters em retrospetiva no Queer Lisboa 18


Uma retrospetiva do cinema de John Waters integra o Queer Lisboa 18 - Festival Internacional de Cinema Queer, que decorre entre os dias 19 e 27 de setembro no Cinema S. Jorge e Cinemateca Portuguesa. Este ano uma das novidades do festival será a sua chegada ao Porto, que acolherá, na Casa das Artes, entre os dias 3 e 4 de outubro, três dos títulos desta retrospetiva dedicada a John Waters.

Figura de culto e referência nos espaços do chamado queer trash, John Waters tem cinco dos filmes da primeira etapa da sua obra em revisitação no festival. São eles Pink Flamingos (1972), Female Trouble (1974), Desperate Living (1977), Polyester (1981) e Hairspray (1988). De Polyester será retomada uma experiência que acompanhou a estreia do filme em 1981. Entre a plateia será novamente distribuído o cartão Odorama, com cheiros que assim acompanharão momentos específicos da evolução da narrativa.

Na conferência de imprensa que decorreu esta tarde em Lisboa foram apresentadas ainda outras novidades desta edição do festival, nomeadamente um programa dedicado a África, a estreia de cinco filmes de António da Silva e alguns dos títulos da secção Panorama (espaço extra-competição que procura apresentar alguns dos filmes mais significativos da produção queer do último ano.

O Queer Lisboa vai ainda apresentar este ano um livro no qual reunirá alguns textos apresentados em catálogos de edições anteriores, assim como novos ensaios, resenhas e uma entrevista expressamente feitos para este volume. Com o título Cinema e Cultura Queer, o livro será lançado a 13 de Setembro, no Museu do Chiado (Lisboa) e a 3 de Outubro, na Galeria Wrong Weather (Porto).

A conferência de imprensa revelou ainda que, depois deste "ano zero" no Porto, em 2015 haverá a primeira edição de um novo festival: o Queer Porto 1.

Podem ver aqui mais informação sobre o Queer Focus sobre África.