Ahimsa — assim se chama a nova canção dos U2, fabricada com a colaboração do músico indiano A.R. Rahman, vencedor de dois Oscars, música e canção, com o filme Quem Quer Ser Bilionário? (2008). Contando com as vozes das duas filhas de Rahman, Khatija e Raheema, é a primeira composição da banda de Bono desde o lançamento do álbum Songs of Experience (2017) — em sânscrito, ahimsa significa "não-violência".
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sexta-feira, novembro 22, 2019
Nova canção dos U2
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quinta-feira, dezembro 07, 2017
Que está a acontecer aos U2?
Subitamente, Bono aparece de megafone no Saturday Night Live [video], liderando os U2 em American Soul, uma das novas canções da banda — e tudo aquilo parece, não apenas musicalmente débil, mas inapelavelmente falso... Que está a acontecer aos U2? Porque é que toda a expectativa positiva em relação ao novo álbum, Songs of Experience, se desfaz perante a académica "revisão da matéria dada" que nos é proposta?
Dir-se-ia que cada uma das canções do álbum, da balada à celebração épica, não consegue aguentar a comparação com outros temas que, ao longo das décadas, os U2 assinaram. Na sua ambição de hino de estádio (“You! Are! Rock’n’roll!”) não é America Soul uma triste variação da energia musical de Where the Streets Have No Name, além do mais com uma imaginação poética claramente menor? E a singeleza de Summer of Love não está a anos-luz da vibração interior de digressões intimistas como One ou The Fly?
É bem verdade que Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. não podem andar toda a vida a tentar refazer Achtung Baby (1991). Aliás, não é esse o problema e ninguém irá proclamar que, de repente, o colectivo perdeu talento e know how. O problema é que, depois da longa e insólita gestação que se seguiu a Songs of Innocence (2014), Songs of Experience parece esgotar-se num grito de desespero: "Reparem que ainda somos os U2..." Não era preciso avisarem-nos — só esperamos que o sejam mesmo, em vez de imitarem aquilo que o marketing definiu como a sua imagem de marca.
>>> Site oficial dos U2.
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quarta-feira, novembro 01, 2017
Novo álbum dos U2 a 1 de Dezembro
Eli Hewson e Sian Evans: os seus pais são, respectivamente, Bono e The Edge. E esta fotografia, assinada por Anton Corbijn, será a capa de Songs of Experience, 14º álbum dos U2, a lançar no dia 1 de Dezembro. Com as notícias, incluindo o calendário de uma nova digressão [eXPERIENCE + iNNOCENCE Tour], surgiu também mais uma canção, das 13 que constam no alinhamento do álbum — já conhecíamos You're the Best Thing About Me; eis agora o som de Get Out Of Your Own Way (com a colaboração de Kendrick Lamar).
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domingo, outubro 22, 2017
U2 na FNAC — três canções
Eis um breve resumo (audiovisual) da sessão SOUND + VISION, dedicada aos U2, na FNAC do Chiado:
— I Will Follow, do álbum Boy (1980), primeiro teledisco da banda, dirigido por Meiert Avis;
— Night and Day (Cole Porter), do projecto Red + Hot Blue (1990), video de Wim Wenders;
— Ordinary Love, da banda sonora de Mandela: Longo Caminho para a Liberdade (2013), performance em The Tonight Show, de Jimmy Fallon, com a participação de The Roots.
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sábado, outubro 21, 2017
U2: inocência e experiência
— SOUND + VISION Magazine [hoje]
Estaremos hoje, dia 21, na FNAC para uma sessão dedicada aos U2. Pretexto imediato: o lançamento do seu 14º álbum de estúdio, Songs of Experience, registo que "completa" o anterior Songs of Innocence (2014). Programa de trabalho: percorrer as quatro décadas de carreira da banda irlandesa, revisitando sons e imagens, canções e concertos.
* FNAC: Chiado, hoje (18h30)
>>> Lyric video de You’re The Best Thing About Me.
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quinta-feira, março 09, 2017
"The Joshua Tree", 30 anos
Where the Streets Have No Name, I Still Haven't Found What I'm Looking For ou With or Without You — são temas emblemáticos do quinto álbum de estúdio dos U2, The Joshua Tree. Contando com as colaborações preciosas de Brian Eno e Daniel Lanois, a banda irlandesa entrava, assim, no espaço americano, de alguma maneira reescrevendo a sua própria história através da geografia cultural made in USA. Nessa perspectiva, o extraordinário teledisco de Where the Streets Have No Name, dirigido por Meiert Avis, envolvia um especial simbolismo: Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. ocupavam o espaço urbano de Los Angeles para uma genuína celebração musical.
The Joshua Tree foi lançado a 9 de Março de 1987, faz hoje 30 anos.
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segunda-feira, janeiro 11, 2016
David Bowie [U2]
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quarta-feira, dezembro 03, 2014
Os melhores álbuns de 2014
segundo a 'Rolling Stone'
Mais uma lista internacional já revelada. Esta a destacar o disco lançado este ano pelos U2 como sendo o melhor de 2014...
Podem conhecer aqui os 50 discos do ano segundo a Rolling Stone.
Podem conhecer aqui os 50 discos do ano segundo a Rolling Stone.
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terça-feira, novembro 18, 2014
Vhils faz um filme para os U2
Com o título Films of Innocence surgirá em dezembro uma coleção de filmes criados para as canções do mais recente álbum dos U2. Segundo podemos ler no iTunes, onde o filme está já em pré-vendas (a 9.99 euros), Films of Innocence nasceu da vontade de estabelecer contrapontos entre as canções e as visões de 11artistas urbanos que tiveram plena liberdade para criar as imagens. Entre os nomes chamados a colaborar está Vhils, que de resto assina também a "capa" do filme, na verdade uma leitura sua da imagem recentemente apresentada na versão em suporte físico de Songs Of Innocence.
Através do iTunes podem ver já o trailer deste filme.
Podem ler aqui uma notícia sobre esta colaboração na edição online do jornal Público.
Através do iTunes podem ver já o trailer deste filme.
Podem ler aqui uma notícia sobre esta colaboração na edição online do jornal Público.
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segunda-feira, outubro 20, 2014
Ver + ouvir:
U2, The Miracle (Of Joey Ramone)
Os U2 lançaram finalmente um teledisco para o primeiro single que extraem do alinhamento do álbum Songs of Innocence, que na passada semana conheceu edição em suporte físico. Aqui ficam as imagens.
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quinta-feira, setembro 18, 2014
Streaming ultrapassa downloads em França
Pela primeira vez em dez anos o mercado de música gravada vendida por download apresentou uma descida. Em sentido contrário, o consumo por streaming aumentou, representando este já 53% (ou seja a maioria) do volume de negócio da música digital. Para completar os números, revelados esta semana no Le Figaro, o digital corresponde neste momento a 17,5% das vendas de música em França.
Em sentido oposto ao aumento da fatia de consumo por streaming o volume geral do negócio da música em suporte de CD caiu 13,6%. A queda brusca nas vendas por download é contudo a que mais se faz sentir nos números de 2014, tendo os números totais dos seis primeiros meses revelado uma queda de 9,2% face ao período homólogo em 2013.
Segundo nota o Le Figaro, há contudo otimismo entre profissionais do mercado da música em França que esperam, com a agenda de lançamentos para os últimos quatro meses do ano, terminar com bons resultados. Recorde-se que 2013 revelou em França um aumento de volume total de negócio face a 2012 na ordem dos 2,3%.
Comentário: Estes números dão por um lado conta do evidente crescimento do consumo de música por streaming e prenunciam o que parece ser um eventual final de vida precoce para os modelos de venda por download que teve no iTunes o seu paradigma. Parece ter razão quem viu na operação de charme com os U2 uma primeira ação para manter viva a imensa nuvem de clientes que o iTunes chamou à Apple. Uma adaptação à modalidade de streaming, eventualmente com exclusivos deste calibre, talvez seja a saída por aqueles lados...
Podem ler aqui o texto do Le Figaro
Em sentido oposto ao aumento da fatia de consumo por streaming o volume geral do negócio da música em suporte de CD caiu 13,6%. A queda brusca nas vendas por download é contudo a que mais se faz sentir nos números de 2014, tendo os números totais dos seis primeiros meses revelado uma queda de 9,2% face ao período homólogo em 2013.
Segundo nota o Le Figaro, há contudo otimismo entre profissionais do mercado da música em França que esperam, com a agenda de lançamentos para os últimos quatro meses do ano, terminar com bons resultados. Recorde-se que 2013 revelou em França um aumento de volume total de negócio face a 2012 na ordem dos 2,3%.
Comentário: Estes números dão por um lado conta do evidente crescimento do consumo de música por streaming e prenunciam o que parece ser um eventual final de vida precoce para os modelos de venda por download que teve no iTunes o seu paradigma. Parece ter razão quem viu na operação de charme com os U2 uma primeira ação para manter viva a imensa nuvem de clientes que o iTunes chamou à Apple. Uma adaptação à modalidade de streaming, eventualmente com exclusivos deste calibre, talvez seja a saída por aqueles lados...
Podem ler aqui o texto do Le Figaro
quinta-feira, setembro 11, 2014
Novas edições:
U2, Songs of Innocence
“Songs of Innocence”
Island
4 / 5
Resolvi dar uns dias às canções de Songs of Innocence antes de escrever mais umas linhas sobre o novo álbum dos U2. Reagi primeiro a quente, alertando o jornal para a notícia e as primeiras palavras que fui escrevendo procuraram sobretudo dar conta do que se passara, ainda de fresco (sem saber ainda, como entretanto foi avançado, que a Apple terá pago uns 100 milhões de dólares pelo disco e que, para breve, este será acompanhado por um segundo álbum, que terá por título Songs of Experience). É sempre bom dar tempo a um disco. E das primeiras (boas) impressões que Songs of Innocence causara ficou a impressão de que poderia “crescer” com novas audições. E assim está a ser revelando, talvez, o melhor disco do grupo desde o já longínquo Zooropa (1993).
Revigorados (e reinventados) nos anos 90 ao som dos magistrais Achtung Baby (1991) e Zooropa e com prova maior de ousadia no projeto paralelo Passengers que então floresceu por um álbum (em 1995) ao lado de Brian Eno, os U2 aproximaram-se do milénio a dar um passo atrás com o mais convencional All That You Can’t Leave Behind (2000), ensaiando mesmo em How To Dismantle an Atomic Bomb (2004) uma rota de reencontro com memórias da sonoridade dos seus primeiros discos, revelando depois sinais de alguma inquietude face à calmaria criativa entretanto instalada no mais interessante No Line on The Horizon (2009). Agora, cinco anos depois, e com um perfil de primeira linha global mais suportado pela força do palco que pela carga dos últimos discos, surpreenderam meio mundo com um álbum-surpresa. E ainda por cima gratuito (cuidado com as referências a In Rainbows dos Radiohead que não era “gratuito” por definição, já que se deixava a cada um a liberdade de pagar o que entendesse, mesmo que não pagasse nada). Não têm faltado textos a lembrar que Beyoncé também causou surpresa recente. Prefiro lembrar que antes de Beyoncé foi David Bowie quem conseguiu, na idade do Twitter, e após dez anos de silêncio, registar um disco novo sem que ninguém – nem mesmo a editora – o soubesse.
E há mais em comum entre o álbum dos U2 e o de Bowie que com o de Beyoncé (que, vale a pena dizer, é o seu melhor disco até à data). Mas sem em The Next Day Bowie tomou sobretudo vários destinos passados da sonoridade da sua música como referencias, em Songs of Innocence os U2 procuraram também no passado as memórias, sensações e reflexões que os conduziram a um dos alinhamentos mais pessoais da sua discografia. Sinais do tempo que passa, a carga de histórias, nomes e situações são assim um valor acrescentado de quem, a fazer uma música no presente, reconhece no seu passado uma carteira de valores que não serve apenas para efeitos de nostalgia. Musicalmente Songs of Innocence é o álbum de vistas mais largas que os U2 lançam desde Pop. Do fulgor de raiz punk (mas de formas de produção bem polidas nas guitarras) que apresentam em The Miracle (of Joey Ramone) ao potencial hino de estádio com elaborada textura coral em Volcano, passando pela balada de pulsação electrónica Sleep Like A Baby, a grandiosidade clássica de California (There is No End of Love), a carga algo de Zeppeliniana do riff que define Cedarwood Road, a gastronomia new wave (com deliciosas teclas ao fundo) em This Is Where You Can Reach Me Now, a assinatura evidente da guitarra de The Edge em Song For Someone ou o magnífico dueto que Bono partilha com Lykke Li em The Troubles, fazem deste um disco de muitos caminhos que toma afinal o que foi a pluralidade de rumos que a música já antes experimentou. Ao contrário do que viveram depois de Rattle and Hum – com primeiras pistas ensaiadas na versão de Night and Day apresentada em Red Hot + Blue – desta vez os U2 não procuraram encontrar nova etapa através de um recentrar do foco das atenções nos acontecimentos na linha da frente do presente. É no passado que encontram pistas, sem as fechar contudo num foco específico de sonoridades como o promoveram ao chamar de volta Steve Lillywhite à mesa da produção há dez anos. Com uma carteira vasta de nomes em estúdio – entre eles o velho colaborador Flood (dos dias de Zooropa e Pop) ou Dangermouse – os U2 cantam sobre a sua idade da inocência num disco que junta a candura de quem partilha memórias não zangadas com rotas musicais pelas quais a sua identidade musical (e também o seu mapa de referências) partilhou vários episódios anteriores.
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terça-feira, setembro 09, 2014
U2 oferecem novo álbum
E as vedetas do lançamento do novo iPhone 6 foram os U2... No evento — realizado na sede da Apple, em Cupertino, California —, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, Jr. interpretaram The Miracle (of Joey Ramone) [video], ao mesmo tempo anunciando que o álbum a que a canção pertence, Songs of Innocence, estava disponível, gratuitamente, no iTunes, iTunes Radio e Beats Music. Quando? Agora — ver notícia na Rolling Stone.
Produzido por Danger Mouse, Songs of Innocence permanecerá um exclusivo da Apple, em download gratuito, até 13 de Outubro, data em que terá uma edição física. Tendo em conta que se visam, assim, em simultâneo, 500 milhões de clientes, Tim Cook (CEO da Apple) sublinhou que se trata do "maior lançamento de um álbum" em toda a história da música.
>>> Site oficial dos U2.
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segunda-feira, fevereiro 03, 2014
U2 em luta contra a sida
Os U2 regressam este ano aos discos. E desde ontem, e até amanhã, oferecem um tema inédito. Não se trata necessariamente de um novo single, mas de uma canção para chamar atenções. Sobretudo para uma causa: a luta contra a sida. O tema Invisible pode ser descarregado gratuitamente via iTunes. E por cada download o Bank of America oferecerá um dólar à RED, estrutura que tem promovido ações de combate à doença à escala mundial.
Podem ver aqui um making of desta canção (com algumas memórias partilhadas pelo caminho).
Podem ver aqui um making of desta canção (com algumas memórias partilhadas pelo caminho).
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segunda-feira, janeiro 20, 2014
A arte de (saber) reinventar os U2
Desde cedo ficou claro que os Pet Shop Boys seguiram uma das mais clássicas tradições da canção pop: criar versões. E uma delas, que transformou profundamente o “clássico” de Elvis Presley Always on My Mind valeu-lhes mesmo um êxito estrondoso à escala global. Ao longo dos anos ouvimos canções de nomes tão distintos como Madness, Coldplay ou Leonard Bernstein sob a clara ação transformadora dos Pet Shop Boys. E em 1991 surpreenderam tudo e todos não apenas pelo facto de assinarem uma versão de um original dos U2, mas por cruzarem essa mesma canção com uma outra, de um tempo e um “clima” musical diferente, que recordamos na voz de Frankie Valli. Surgiu assim Where the Streets Have No Name (I Can't Take My Eyes off You), um dois em um que então acompanhou How Can You Expect to Be Taken Seriously? para criar o terceiro single do alinhamento do álbum Behaviour. Esta segunda canção serviu para explicitar uma crítica à forma como muitas estrelas pop se aliaram nos anos 80 a campanhas de grandes causas humanitarias nem sempre da forma mais sincera, debate que de resto está igualmente bem explorado nas páginas de Literally, o livro de Chris Heath sobre a primeira digressão do grupo, em 1989.
O teledisco que então acompanhou a edição deste single usou algumas imagens de um outro previamente criado para o tema How Can You Expect to Be Taken Seriously?
O teledisco que então acompanhou a edição deste single usou algumas imagens de um outro previamente criado para o tema How Can You Expect to Be Taken Seriously?
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sábado, outubro 27, 2012
50 anos de James Bond,
Tina Turner, 1995
A queda do muro de Berlim levou consigo a guerra fria e, durante, alguns anos, James Bond esteve fora do mapa. O regresso, com Pierce Brosnan como novo agente 007 fez-se em 1995 em Goldeneye, filme que teve Eric Serra como responsável pela banda sonora, a canção tema cabendo todavia à voz de Tina Turner. Por trás de Goldeneye, a canção, está todavia um dos pares de autores mais notáveis entre os que assinaram temas para James Bond: Bono e The Edge, dos U2. Retomando o cânone clássico da série, a canção foi top 10 em vários territórios europeus (atingindo mesmo o número 10 no Reino Unido).
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domingo, maio 27, 2012
Entrevistas de arquivo: U2, 2005
Este texto é uma versão editada da entrevista com Adam Clayton foi publicada no DN a 14 de agosto de 2005, o dia da passagem por Lisboa da Vertigo Tour dos U2.
Foi necessário refrear o aparato visual dos vossos concertos depois das grandes digressões dos anos 90, a Zoo TV e a Pop Mart?
Creio que foi necessário para nós a ideia de um regresso ao que era fundamental, e devolver as atenções novamente à música. Quando fizemos essas grandes digressões, e juntava-lhes a essas duas a Joshua Tree, o que aconteceu foi que somámos, de seguida, três grandes digressões para estádios. E é mais difícil apresentar as canções num contexto de estádio. Particularmente na América, onde não há o bilhete “geral” [relva], e tocamos para um público sentado. E parte dos objectivos da etapa americana desta actual digressão, tal e qual acontecera na última, foi conseguir ter esses bilhetes de geral, em pé. E isso assegurou o regresso da sensação do concerto rock’n’roll para nós.
Em termos de criação musical foi-vos também indispensável regressar a um som mais “convencional” depois dos álbuns que gravaram nos anos 90, com mais elementos pop e electrónicas?
Nós somos grandes fãs de pop. Gostamos desses discos, gostamos dessas canções. O que nos excitou nestes últimos discos foi o facto de podermos trabalhar muito mais depressa, sendo apenas nós, a banda, numa sala. Quando se trabalha com computadores, com samples, com elementos processados, o trabalho é mais longo. E no álbum anterior, como neste último, gostámos dos resultados que estávamos a obter ao ouvir a banda a tocar junta. E começámos também a nos aperceber que uma banda que toca há tanto tempo como nós tem uma personalidade, uma qualidade que levamos às coisas, uma identidade, que só pode ter a ver connosco. Isso tem um valor muito especial, e foi entusiasmente para nós.
Mesmo assim reconhece a importância, na história dos U2, do momento de reinvenção com Achtung Baby e Zooropa?
A reinvenção é mais um termo usado pelos media. De certa maneira sempre fizemos o mesmo, a questão é apenas se aumentamos o som das percussões no disco, ou se aumentamos o som da banda. É um jogo de equilíbrios, e por vezes quase uma batalha. E neste disco, como no All That You Can’t Leave Behind também usamos aqueles sons adicionais de electrónica que são, de resto, uma componente do som da banda desde o Unforgetable Fire.
Ao regressarem a mecânicas e colaboradores de há 25 anos em How To Dismantle An Atomic Bomb como se sentiram novamente junto de um som e uma identidade que já viveram no passado, mas com mais 25 anos de experiência vivida?
O mais interessante com este disco foi que, quando começámos a juntar elementos e ideias, verificámos que o que regressou às origens foi o som da guitarra. E muito do que estava a aparecer fez-nos lembrar territórios que tínhamos já percorrido nos anos 80. E foi interessante ver que, com tudo o que aprendemos nos últimos 25 anos, como é que iríamos fazer as coisas de uma forma diferente.Voltámos a escutar as canções de Boy e reparámos que eram mesmo boas. Vinham de um lugar de inocência, mas sem saber bem qual era o caminho que havia pela frente. Este disco, agora, é aquele que reconhece qual foi esse caminho, onde nos levou e no que fez de nós.
Como reage ao rótulo “a maior banda do mundo” que vos é frequentemente apontado?
Junto-lhe sempre a expressão “de hoje” no fim... Porque há sempre alguém mais a fazer qualquer coisa que respeitamos e admiramos. O rock’n’roll é uma realidade transitória, as bandas são transitórias. É bom ser-se reconhecido dessa forma, mas só se é tão bom quanto o nosso mais recente risco.
Vê cada novo disco ou concerto como um desafio a vencer?
Sim. Quando começamos a fazer um disco novo temos de querer fazer mesmo um disco novo. Não por ser aquela altura do mês em que o temos de ir para estúdio. Temos de sentir que temos coisas para dizer, e por vezes leva temo a encontrar esses sumos criativos. A descobrir o que é relevante, em que área devemos estar. Levamos algum tempo a focar-mo-nos, até que chegamos à essência da ideia do que a banda deve ser. Este álbum e esta digressão têm sido interessantes porque nos estão a revelar muitas coisas à media que o tempo passa. Isto num tempo em que os direitos humanitários estão a ser desafiados em todo o mundo. Esse é um tema central do espectáculo. E nesta era em que vivemos num mundo aterrorizado é importante não perdermos a nossa humanidade.
Nestes dias de neurose global em que vivemos acha que uma banda deve ser mais política ou escapista?
Isso difere consoante as bandas em questão. Penso que os artistas sempre tiveram uma consciência da política. A pintura sempre espelha o que o mestre comentou, e revela se o mestre é justo ou não. Creio que com a música se passa o mesmo. Especialmente quando consideramos quais são as origens da música folk, que conta histórias, como por exemplo a dos donos das terras que olham sobre os camponeses... Acho que as pessoas querem que as canções sejam relevantes. Acho que mão querem canções de amor, mas antes canções que reflictam as suas vidas e os valores que defendem. Para nós é importante que o contexto das nossas canções seja politizado. Mesmo que possa haver um tema de amor, ou sobre o poder do amor, é sempre contextualizado numa qualquer luta que nos pareça que esteja a acontecer.
Acha que os U2 tiveram o seu peso político quando falaram da Irlanda nos anos 80, ou na Bósnia nos anos 90?
Julgo que temos sorte por termos provindo de um certo lugar e de termos aparecido no lugar certo na hora certa. Se temos acesso a grandes mentes, a grandes pensadores, se podemos fazer parte de um processo, então é aí que queremos estar.
O actual peso político de Bono pode fazer das mensagens dos U2 uma força eficaz?
As coisas ajudam-se umas às outras, assim como entram em conflito umas com as outras. Parte da celebridade do Bono e da sua credibilidade deve-se naturalmente à banda. Mas penso que ele se porta muito bem nessas situações. É um grande comunicador. Quando levanta certas questões com políticos, homens das finanças ou religiosos, consegue fazer com que falem uns com os outros.
Foi importante para os U2 tocar, 20 anos depois do Live Aid, no Live 8?
Foi um privilégio, uma honra tremenda, ser convidados para abrir o Live 8. E foi particularmente espantoso estar em palco com o Paul McCartney. Tínhamos outro concerto nesse dia. Abrimos assim o Live 8, felizes por ali estar, e saímos... E na verdade não vimos mais nada, porque passámos o dia a viajar. E quando acabámos o nosso concerto nessa noite, já tinha acabado. Mas foi um bom alinhamento.
O que sente quando olha para veteranos como, precisamente McCartney ou mesmo os Rolling Stones? Pensa no seu futuro e no dos U2?
Essa é difícil!... Não penso exactamente se vou ser como eles daqui a 20 anos. Porque vão ser os pequenos degraus da vida que me vão levar até então. Temos de pensar no próximo disco, e no seguinte e no outro a seguir. E se fizermos as coisas bem feitas, daqui a 20 anos ainda poderemos ter uma carreira credível.
Numa entrevista recente Bono falava dos U2 como uma banda que terá ainda a audácia para fazer um disco pop. O vosso futuro passará por aí? Um novo desafio?
Creio que ainda haverá muitos desafios para nós, e esse será um deles. Um disco pop! Penso que, nesta altura, estamos mais interessados no lado rock das coisas, mas um disco pop será sempre uma boa ideia.
Em finais dos anos 80, Neil Tennant criticava a falta de sentido de humor nos U2 e fez, com os Pet Shop Boys, uma versão disco de Where The Streets Have No Name. O que pensa da crítica e da versão?
Gosto muito da versão dos Pet Shop Boys. Penso que a sua crítica, na altura, baseava-se no que era a imagem pública dos U2 na época.
Uma imagem demasiado séria?
Sim... E há uma coisa que vem com o facto de se ter uma vida pública e ter criado uma “persona” que é, se tivermos o nariz um bocadinho grande, o público dirá que temos um nariz enorme e a imprensa dirá que temos um nariz enorme. Mesmo não tendo um nariz enorme, porque é apenas um bocadinho maior que o habitual... Nos anos 80, os U2 eram vistos como sérios e ninguém parava para pensar que, nas nossas vidas pessoais, tínhamos tanto sentido de humor como qualquer um! E por termos sentido de humor gostámos da versão dos Pet Shop Boys. Tínhamos sentido de humor, mas estávamos apenas a a ser sérios relativamente à música.
Aquelas fotos convosco travestidos em Berlim, por Anton Corbijn, ou o personagem MacPhisto criado por Bono na Zoo TV foram uma resposta de quem queria dizer que tinha mesmo bom sentido de humor?
Mostraram um outro lado da banda. Mostraram coisas que muitos não esperavam nos U2 nessa altura. Mas o que há de fantástico nos U2, e o que é a essência do que somos, é o facto de nos podermos lançar em qualquer direcção. Podemos fazer coisas espantosas.
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quarta-feira, fevereiro 29, 2012
U2 + Frank Valli = Pet Shop Boys
Fechamos este mês dedicado aos Pet Shop Boys recordando uma entre as muitas versões de temas de outras vozes que chamaram assim à sua discografia. Combinando Where The Streets Have no Name, dos U2, com I Can’t Take My Eyes Out Of You, de Frank Valli, os Pet Shop Boys criaram uma canção que lhes valeu em 1991 o seu segundo maior êxito dos anos 90, superado apenas pela sua leitura de Go West, dos Village People, editado quase um ano depois.
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quarta-feira, janeiro 04, 2012
Para revisitar 'Achtung Baby'
O assinalar dos 20 anos do lançamento de Achtung Baby, álbum de 1991 dos U2, gerou não apenas uma mão cheia de reedições (umas com mais, outras com menos extras), mas também um novo documentário que não só evoca a criação do álbum como olha o tempo que, entretanto, passou.
Estreado em Setembro no Festival de Toronto, From The Sky Down, de Dennis Guggenheim relata a história de um álbum clássico. Com os condimentos narrativos essenciais, começa por mostrar o momento em que, em palco, Bono encerra os anos 80 afirmando que se afastarão algum tempo para “sonhar tudo outra vez”... Segue para Berlim, onde começam as sessões de trabalho que rapidamente se transformam num verdadeiro terreno de conflito... Os confrontos, o receio de uma eventual ruptura e o encontrar da luz ao fundo do túnel quando One ganha forma, por acaso, a meio de uma sessão. Dennis Guggenheim usa imagens captadas em ensaios para a actuação em Glastonbury e uma visita de regresso aos Hansa Studios de Berlim para estabelecer contactos entre a memória, o presente e os vinte anos que passaram. É Bono quem diz que Achtung Baby foi o disco que fez com que ainda hoje aqui estejam. A frase pode carregar aquele tom característico das ideias que fazem a mitologia da cultura pop. Mas o vocalista tem razão quando o diz. Porque não fosse a ousadia e o fôlego que encontraram em Achtung Baby (e na expressão de palco que ganhou forma na Zoo TV Tour e, depois, na etapa de estádios sob o nome Zooropa), e o grupo nunca teria conhecido os patamares de maior fama global que, já levantada nos dias de Jushua Tree, só aqui voou mais longe.
segunda-feira, dezembro 12, 2011
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Vários artistas, Ahk-toong Bay-bi Covered
Vários Artistas
"Ahk-toong Bay-bi Covered"
Q4C
2 / 5
Assinalando os 20 anos do lançamento de Achtung Baby, o álbum de 1991 que não só revolucionou a linguagem dos U2 como garantiu à banda as fundações de uma existência mais sólida (que o próprio Bono disse já ser a razão principal pela qual o grupo ainda hoje existe), um tributo desafia uma série de músicos e bandas a reinventar as 12 canções do álbum, arrumando as versões pela mesma sequência com a qual os originais surgiram originalmente no alinhamento do álbum. Não deixa de ser curioso o facto de ter sido num outro tributo, editado em 1990, que ganharam forma os primeiros sinais de mudança que o grupo começara a convocar às sessões de um álbum cujos primeiros passos eram então dados em Berlim, e sob um clima de algum conflito. Foi com Night and Day, versão de um clássico de Cole Porter, apresentado em Red Hot + Blue, que pela primeira vez entrou em cena uma forma de encontrar diálogos entre as electrónicas, as programações rítmicas e a alma “clássica” dos U2 que ganharia depois forma em Achtung Baby. Agora, 20 anos depois, o tributo Ahk-toong Bay-bi Covered (lançado fisicamente com a revista Q e com edição digital que recolhe fundos para a Concern Worldwide) abre com uma versão de Zoo Station assinada por uma das bandas que então inspiravam a transformação: os Nine Inch Nails, numa leitura menos visceral, interessante enquanto fechar de um ciclo e surpreendente na forma de repensar o original, reinventando-o por outros azimutes. A versão dos Nine Inch Nails representa mesmo o melhor momento de uma montra de versões assinadas por figuras ilustres, a visão acústica de Until The End Of The World por Patti Smith ou a abordagem sem corantes nem conservantes de Love Is Blindness por Jack White completando o trio de excelência de um alinhamento que caminha depois entre a mediania de um So Cruel por uns Depeche Mode em piloto automático ou um The Fly sem rasgo maior segundo Gavin Friday, momentos inconsequentes como um One por Damien Rice ou Who's Gonna Ride Your Wild Horses pelos Garbage, passando por abordagens falhadas de Mysterious Ways pelos Snow Patrol ou Acrobat pelos Glasvegas. Pelo caminho Jacques Lu Cont (ou seja, Stuart Price) remistura Even Better Than The Real Thing, versão que acaba creditada aos U2 e que repersenta outro dos momentos altos do tributo. Um possível futuro colaborador para a banda irlandesa? Não era nada má ideia...
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