Mostrar mensagens com a etiqueta Taylor Swift. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Taylor Swift. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, novembro 07, 2019

Taylor Swift, solo

De que falamos quando falamos de Taylor Swift? Ou como a escutamos?
Digamos que, ao longo dos anos, a temos descoberto entre a facilidade de um descarnado naturalismo e a procura de uma genuína e, de algum modo, confessional teatralidade.
O que nos conduz a uma pergunta clássica: ser uma estrela é apenas a monótona reiteração de um estatuto ou pode ser um sistema coerente de risco e consequência, sedução e desafio?
Integrado na série de performances designadas como 'Tiny Desk Concert', a passagem de Swift pelos estúdios da NPR envolve uma radiosa resposta àquelas dúvidas. Conduzindo-nos a nova interrogação: e se a saturação de efeitos & poses que tem caracterizado o seu protagonismo no país global do entertainment fosse um logro artístico? E se ela arriscasse expor-se através do minimalismo de uma guitarra ou um piano?
É o que acontece aqui. São quatro canções — The Man, Lover, Death by a Thousand Cuts e All Too Well, as três primeiras do recente Lover (2019), a última de Red (2012) — despidas de artificialismos redundantes, devolvidas à sensibilidade primordial da voz. Solo, voilà. Menos é mais. 

terça-feira, março 13, 2018

A confissão de Taylor Swift

Entre as descendentes musicais e iconográficas de Madonna, Taylor Swift é, por certo, de uma só vez, uma das mais aplicadas e também das mais redundantes. O seu teledisco de Look What You Made Me Do, primeiro single do álbum Reputation (lançado em Novembro de 2017), surgiu mesmo como uma apoteose de citações esvaziadas de qualquer sentido narrativo minimamente consistente.
Assim não acontece no seu novo e muito sugestivo teledisco de mais um tema do mesmo álbum, Delicate, realizado por Joseph Kahn. Não só a canção é francamente mais interessante, evitando os excessos de uma típica sobre-produção, como descobrimos Swift num exercício de angústia e paródia gerado pela sua súbita condição... invisível. Tudo trabalhado através de uma genuína coreografia, capaz de escolher a subtileza contra o espalhafato.
Enfim, a abertura de Delicate, com Swift assediada pelos representantes dos media, faz lembrar o começo de Drowned World / Substitute For Love (1998), prodigioso exercício confessional de Madonna com realização de Walter Stern... Mas é caso para dizer: antes assim.

terça-feira, agosto 29, 2017

Taylor Swift ou o vazio da comunicação

Revelado nos cada vez mais retóricos prémios MTV, o teledisco de Look What You Made Me Do (tema do álbum Reputation, a lançar em Novembro) é uma tentativa esforçada, tão esforçada que roça o patético, de apresentar Taylor Swift como uma artista de todos os recursos e todas as invenções — dos filmes de zombies à imitação (?) das coreografias de Beyoncé, há de tudo um pouco, como se nem o realizador Joseph Kahn nem ninguém soubesse o que fazer para vender a imagem da sua vedeta.
Assim se agrava o bloqueio criativo já detectável, no arranque de 2016, em Out of the Woods e, antes, em Bad Blood. A canção, convenhamos, não ajuda muito, de tal modo se apresenta como uma variação mega-produzida (leia-se: sem sensibilidade nem pensamento) daquilo que as Spice Girls fizeram há vinte anos, com outra simplicidade e alegria. Estamos perante um exemplo de hiper-comunicação que, de facto, já não trabalha a não ser para disfarçar o seu trágico vazio interior — isto para não evocarmos em vão o nome de coisas mais materiais.
No universo mínimo (nada a ver com minimalista) de Taylor Swift, o "segredo" está em acumular sugestões e situações que, de alguma maneira, remetam para o historial comercial, mediático e "social" da própria protagonista (o que, há que reconhecê-lo, pode dar origem a curiosos relatórios jornalísticos). No final do teledisco, num gesto de desesperada auto-ironia, a intérprete assume perante a câmara todas as "personagens" que interpretou, com a mais "realista" empunhando um prémio da MTV e debitando esta frase exemplar: "Gostaria muito de ser excluída desta narrativa" — é um bom gag, infantilmente brechtiano, sobretudo se o interpretarmos como uma angustiada confissão realista.

sexta-feira, janeiro 01, 2016

A Natureza segundo Taylor Swift

No universo de Taylor Swift, o requinte, sem dúvida sedutor, da fabricação industrial coexiste com a sensação de um infinito processo de remake de matrizes pop que outros e outras (Blondie, Bananarama, Madonna, hélas!...) já aplicaram com uma subtileza criativa que a ela sempre lhe falta. Porventura um sintoma revelador desse processo que tem tanto de musical como de tecnocrático está na evolução dos seus telediscos e, mais concretamente, na sua contaminação digital.
Há poucos meses, o triunfo de Bad Blood nos prémios MTV emergiu como exemplarmente revelador: a concepção hiper-tecnológica do teledisco significa, em última instância, que a encenação da canção já não é uma prioridade, privilegiando-se a mera ostentação dos meios devedores de matrizes publicitárias.
O novo teledisco de Swift, revelado na noite de fim de ano, representa um passo mais nessa lógica, não por acaso apropriando-se de (ou promovendo) um conceito virtual de Natureza. Vogamos, afinal, num território herdado da degradação figurativa de fenómenos como a saga Twilight, incapaz de tratar dois elementos decisivos — a paisagem e a presença animal — de outro modo que não seja a sua banal e repetitiva instrumentalização digital. No limite mais desconcertante de tudo isto, esta música que se quer sensual e hiper-erotizada não possui qualquer programa ou método para representar os corpos e a sua irredutibilidade — vale a pena conhecer e reflectir sobre a gélida existência de tudo isso.

domingo, setembro 06, 2015

A MTV de Taylor Swift

O triunfo de Taylor Swift nos prémios MTV tem um valor inevitavelmente sintomático sobre a evolução da "televisão da música" — este texto foi publicado no Diário de Notícias (4 Setembro).

O triunfo do teledisco Bad Blood, de Taylor Swift, nos prémios da MTV (vídeo do ano) é significativo daquilo que mudou no canal que, em 1981, nasceu para ser a “televisão da música” (hoje em dia parasitado pela banalidade dos formatos da reality TV). Muitos telediscos da actualidade deixaram de ser concebidos como narrativas em torno, ou através, das canções, para passarem a existir como acumulação de momentos breves, de agressivo e mais ou menos gratuito impacto visual, obedecendo a matrizes de linguagem que vêm da publicidade mais rotineira.

>>> Bad Blood, Taylor Swift.


Escusado será dizer que Bad Blood, dirigido por Joseph Kahn, é um objecto de evidente competência de execução, sustentado por uma sofisticação tecnológica que o coloca a par de muitas produções saídas dos grandes estúdios de cinema (as explosões finais poderiam muito bem pertencer a qualquer das mais recentes aventuras de Vingadores e Homens-Aranhas). Acontece que tudo isso existe menos para servir a canção e mais como colecção de proezas efémeras, vistosas e superficiais, à maneira de muitos spots publicitários.
Os contra-exemplos não faltam. Se recuarmos um pouco mais de um quarto de século e citarmos um caso emblemático como Express Yourself (1989), de Madonna, as diferenças são reveladoras. Num caso como noutro, trata-se de criar uma apoteose de consagração da respectiva intérprete. Acontece que Express Yourself, realizado por David Fincher (cuja primeira longa-metragem, Alien 3, só surgiria três anos mais tarde), trabalha uma complexa teia temática que, para além de um cuidado argumento, sabe recriar temas, figuras e simbolismos que vêm do clássico Metropolis (1927), de Fritz Lang.
A referência à visão de Lang é também reveladora daquilo que mudou. Assim, a aliança Madonna/Fincher move-se no interior de um imaginário em que as memórias cinéfilas constituem uma fundamental matéria de referência. Na MTV actual, a cinefilia não existe, já que a memória, na melhor das hipóteses, se reduz à dimensão pueril do pitoresco.

>>> Express Yourself, Madonna.

quinta-feira, julho 16, 2015

Neil Young: acabou-se o streaming!

FOTO: Wikipedia
Neil Young não está satisfeito com a qualidade da reprodução sonora dos serviços de streaming (recorde-se que ele está ligado ao projecto Pono, companhia que nasceu sob o signo da defesa da qualidade de reprodução, comercializando um leitor portátil e alimentando um serviço de download). Daí a decisão drástica: a retirada de toda a sua música dos serviços de streaming — todos! [notícia: Rolling Stone].
É um gesto que, para além das suas circunstâncias específicas, não pode deixar de ser aproximado da atitude de Taylor Swift quando, há cerca de três semanas, expressou uma visão muito negativa do novo Apple Music. Seja como for, a atitude de Young acrescenta mais um capítulo à já longa odisseia da música na Net — as suas peripécias parecem estar longe do fim.
Entretanto, tudo isto ocorre poucos dias depois do lançamento de The Monsanto Years, 36º álbum de estúdio de Neil Young, uma peça do mais impecável e envolvente primitivismo rock fabricada em conjunto com a banda Promise of the Real — eis um dos seus temas: A Rock Star Bucks a Coffe Shop.

domingo, junho 21, 2015

Taylor Swift em confronto com a Apple

"Não vos pedimos iPhones de borla. Por favor, não nos peçam que vos forneçamos a nossa música sem qualquer compensação" — as palavras são de Taylor Swift e estão numa carta aberta dirigida à Apple (To Apple, Love Taylor). Em causa está o lançamento do novo serviço de streaming Apple Music, agendado para 30 de Junho. A sua oferta inicial envolve a oferta de três meses de apreciação sem quaisquer encargos e Swift considera essa medida um atentado aos direitos dos músicos: "Três meses é um longo período sem qualquer pagamento e não é correcto pedir a alguém que trabalhe por nada. Digo-o com amor, reverência e admiração por tudo aquilo que a Apple já fez."
Num contexto em que a discussão do perfil dos serviços de streaming é mais actual do que nunca (recorde-se o exemplo do Tidal e o apoio que recebeu de nomes tão emblemáticos como Madonna), a posição assumida representa, no mínimo, uma ferida simbólica numa estratégia sempre empenhada em cultivar uma imagem cool e equilibrada. Resta saber se Swift vai ficar isolada na sua reivindicação ou desencadear uma vaga de efeitos imprevisíveis entre os criadores musicais.

quarta-feira, dezembro 24, 2014

2014 segundo João Moço

Além das nossas continuamos a publicar também as listas de alguns amigos convidados. Hoje é vez do João Moço (DN e DIF) nos dar o seu retrato do ano em discos, concertos, canções e filmes. Um muito brigado ao João pela colaboração.

Fazer um balanço do ano tem de passar obrigatoriamente pelo dia 3 de setembro. Porque nessa noite vi Kate Bush no Hammersmith Apollo, em Londres, a apresentar o espectáculo Before the Dawn (sem sombra de dúvida o concerto mais inacreditável a que algum dia terei o privilégio de assistir) e nessa manhã ouvi parte daquele que, facilmente, se veio a tornar o meu álbum do ano, 1989, de Taylor Swift. Além de toda a conversa sobre o Spotify, o que verdadeiramente interessa são as canções e Taylor, mesmo cortando de vez com a raiz country, mostrou que até na pop é, sem rodeios, a melhor compositora de canções da última década. À vontade. Foi com muita facilidade que escolhi o 1989 para o topo da lista porque 2014 não foi propriamente um ano brilhante, no que diz respeito a álbuns.

Estando, intuitivamente, cada vez mais distante daquilo que vem sendo propagado em 90% da crítica musical, noto agora que este foi um ano em que me voltei a embrenhar ainda mais na música country. Foi um belo ano nesse sentido, de Platinum, de Miranda Lambert, passando pela sua colega nas Pistol Annies Angaleena Presley, com American Middle Class, a Blue Smoke, da diva Dolly Parton, a Band f Brothers, de Willie Nelson, ou o excelente regresso de Lee Ann Womack com The Way I’m Livin’.

O r&b vive tempos nebulosos, preso num fetichismo pós-Cassie, mas há quem fuja a essa norma que quer branquear tudo à sua volta: Toni Braxton com Babyface, Kehlani (a miúda mais promissora do momento), Mariah Carey, King (e o álbum teima em não aparecer) ou Trey Songz. Já D’Angelo deu numa de Beyoncé em 2014 e provou porque é que fazer listas do ano em novembro pode não ser uma boa ideia.

Muitos outros momentos ficam por mencionar, como o facto dos One Direction se terem apropriado dos Fleetwood Mac (e de Bruce Springsteen e dos Tears for Fears e dos The 1975) no Four, que prova que esta não é uma boy band como qualquer outra (o que não diminui, em nada, essa herança rica que os antecede), de Gerard Way ter feito melhor disco de glam rock desde a estreia dos Placebo, de Nick Jonas se ter revelado um excelente herdeiro da escola Justin Timberlake ou de Young Thug voltar a ser o melhor rapper (é ouvir a mixtape de Rich Gang, “O” disco de hip hop de 2014).

Por cá destaco três guitarristas que fizeram aqueles que são, para mim, os seus três melhores discos: Ricardo Rocha (com Resplandecente), Norberto Lobo (com Fornalha) e Filipe Felizardo (com Volume 2: Sede e Morte). Foram muitas as noites que passei embrenhado nas reflexões sobre paranóia (pelo menos é assim que sinto essa música) mas com algum balanço rítmico criadas por Ondness (projeto de Bruno Silva), que só este ano lançou Death Weekend/Rituals, Absolute Elsewhere, Surf e Performance e Filho do Dono. Rodrigo Amado foi outros dos mais activos, fosse com o melhor trio de jazz do momento, o Motion Trio (The Freedom Principle e Live in Lisbon, ambos gravados com Peter Evans), fosse com o Wire Quartet (que editaram o meu disco de jazz preferido do ano).

Mensalmente o MusicBox tem continuado a receber as tão importantes Noites Príncipe, onde gente como DJ Maboku, DJ Lilocox, Nigga Fox, Blacksea Não Maya, Puto Anderson ou DJ Firmeza fazem verdadeira magia. Não há nada assim noutro lugar e o disco Tá Tipo Já Não Vamos Morrer, do coletivo Tia Maria Produções, é a prova física disto mesmo.

Foi no MusicBox que vi há dias B Fachada (que voltou este ano da pausa sabática) a mostrar como, em matéria de canções pop, está a milhas de qualquer outro nome que tenha surgido neste país.


Dez discos:

1.º Taylor Swift – 1989
2.º Ricardo Rocha – Resplandecente
3.º Miranda Lambert – Platinum
4.º D’Angelo – Black Messiah
5.º Toni Braxton & Babyface – Love, Marriage & Divorce
6.º Excepter – Familiar
7.º DaVinChe/Katie Pearl – Make It Official
8.º Torn Hawk – Through the Force of Will
9.º One Direction – Four
10.º Kehlani – Cloud 19

Dez canções:

1.º One Direction – Fireproof
2.º Taylor Swift – Style
3.º King – Mister Chameleon
4.º Torn Hawk – Blindsided
5.º T.I. & Young Thug – About the Money
6.º Chase Smith – Vaporub
7.º Kira Isabella – The Quarterback
8.º Nicole Scherzinger – Your Love
9.º Tinashe – 2 On (feat. Schoolboy Q)
10.º Kridinhux – Pensar em Ti

Dez concertos:

1. Kate Bush no Hammersmith Apollo
2. Excepter na Galeria Zé dos Bois
3. África Negra no B.Leza
4. Peter Evans no Panteão Nacional
5. Bill Callahan no Cinema São Jorge
6. Beyoncé na Meo Arena
7. Miley Cyrus na Meo arena
8. One Direction no Estádio do Dragão
9. Justin Timberlake no Parque da Bela Vista
10. Rodrigo Amado Motion Trio com Hernâni Faustino na Galeria Zé dos Bois

Dez filmes:
1. Blue Ruin – Jeremy Saultier
2. The Act of Killing – Joshua Oppenheimer & Christine Cynn
3. Cavalo Dinheiro – Pedro Costa
4. Nebraska – Alexander Payne
5. Under the Skin – Jonathan Glazer
6. 12 Years A Slave – Steve McQueen
7. Nightcrawler – Dan Gilroy
8. 22 Jump Street – Phil Lord & Chris Miller
9. Stand Clear of the Closing Doors – Sam Fleischner
10. Gone Girl – David Fincher

terça-feira, junho 04, 2013

"As Tears Go By": a história continua...

Chicago, 3 de Junho de 2013
A história de As Tears Go By é uma infindável antologia romanesca... Escrita em 1964 por Mick Jagger e Keith Richards, constitui um dos primeiríssimos exemplos de autonomia criativa dos Rolling Stones que, até então, exploravam a tradição do blues, recorrendo sobretudo a standards.
Reza a história que os autores a consideraram demasiado "piegas" para a banda, ainda que a tivessem gravado em single, em 1965. O certo é que se impôs, sobretudo, como tema fundador da carreira de Mariane Faithfull (que manteve uma relação com Jagger, até 1970), tendo o respectivo single surgido ainda em 1964. Na prática, os Stones só voltariam a interpretar As Tears Go By no ano de 2005, durante a digressão 'Bigger Bang', surgindo depois no concerto do filme Shine a Light (2008), de Martin Scorsese.
Agora, a canção voltou ao palco, com Jagger em dueto com Taylor Swift — foi em Chicago, na noite de 3 de Junho, em mais uma performance da digressão '50 & counting...'. Aqui fica uma história condensada de As Tears Go By, com a interpretação de Swift e duas vezes Marianne Faithfull: a primeira, a cappella, no filme Made in USA (1966), de Jean-Luc Godard; a segunda, em concerto de 2005.