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quinta-feira, novembro 21, 2013

Nos 50 anos da morte de Kennedy (4)


Uma das mais recentes representações da memória da morte de Kennedy – e também do “idílio” da nova Camelot que segundo alguns se projetava na Casa Branca de então – surgiu no teledisco que acompanhou o tema National Anthem, de Lana del Rey. Uma das canções do seu álbum Born To Die, surgiu acompanhada por imagens que colocavam a cantora na pele de Jackie Kennedy, apresentando a seu lado um homem negro que assim tomava o lugar do Presidente. As ressonâncias parecem claras, num teledisco que assim não só evocava a figura de JFK e da sua mulher, mas estabelecia pontes para com um presente em que, desde 2008, um afro-americano não só ocupa a mesma Casa Branca como representa o mais carismático líder que os Estados Unidos conhecem desde então.

Podem recordar aqui o teledisco.

Há todo um conjunto de outras canções que nasceram pouco depois do atentado e que, de certa forma, traduzem o clima que se instalou. O melancólico Warmth of The Sun, dos Beach Boys foi composto por Brian Wilson e Mike Love pouco depois da notícia da morte de JFK e projeta a dor do momento numa narrativa que toma outros protagonistas, outros cenários e contexto. Também The Sound of Silence, da dulpla Simon & Garfunkel, conheceu primeiro esboço pouco depois do atentado em Dallas, apesar de só mais tarde o duo ter encontrado a sua forma final.

quarta-feira, novembro 20, 2013

Nos 50 anos da morte de Kennedy (3)


Continuando a recuperar representações e ecos do assassinato de John F. Kennedy em 50 anos de história da cultura popular, recordamos hoje a capa de Bullet, um EP editado em 1978 pela banda punk The Misfits. Graficamente explícita, apresenta uma imagem de JFK no carro descapotável, acrescentando, em jeito de linguagem BD, os efeitos do impacte da bala. O tema que dava então título a este 45 rotações focava claramente o caso, dirigindo parte da letra à figura de Jackie Kennedy. A canção estaria supostamente alinhada para integrar o álbum Static Age, que o grupo gravou em 1978 mas que durante anos ficou na gaveta (sendo apenas lançado em 1997, muito depois da separação do grupo, que aconteceu em 1983).

O cinema visitou várias vezes este tema. Mas houve produções (ou, pelo menos ideias) que nunca saíram da gaveta. Uma delas, conta-se, teria a ver com o argumento para o segundo filme da saga Star Trek, que colocaria em cena uma viagem no tempo na qual Kirk e Spock teriam de garantir que o curso da história não seria alterado... O receio de ferir suscetibilidades terá travado a evolução desta linha narrativa. Em seu lugar foi retomada a figura de Khan. E o resto é história...

Um dos três filmes que Oliver Stone rodou sobre presidentes recentes dos EUA (os outros trataram as figuras de Nixon e George W Bush), JFK (1991) foi baseado nos livros On The Trail of The Assassins de Jim Garrison e Crossfire: The Plot That Killed Kennedy de Jim Marrs, levantando cenários de uma possível conspiração até mesmo a possibilidade da existência de um segundo atirador, além de Lee Oswald. O realizador descreveu esta visão como um contra-mito, referindo-se ao “mito” que reconhece ter nascido do célebre relatório Warren entregue a Lyndon Johnson em 1964 que implicava apenas Oswald no caso.

terça-feira, novembro 19, 2013

Nos 50 anos da morte de Kennedy (2)


Lembramos ao longo desta semana algumas expressões na cultura popular do impacte da morte de John F. Kennedy, hoje através de uma canção dos Human League.

Uma das canções do mítico álbum Dare!, editado em 1981 pelos Human League, evocava o assassinato de John F. Kennedy em 1963. Seconds fala de um tiro que se fez escutar à volta do mundo e dirige-se pessoalmente ao assassino dizendo-lhe que lhe bastaram segundos do seu tempo para tirar a vida a JFK. Originalmente incluída no alinhamento do álbum, a canção surgiu também depois como lado B do single Don’t You Want Me.



Mais um livro a recordar. Este, ainda por cima, acabado de publicar entre nós numa tradução para português pela Sextante. Trata-se de Libra, romance de 1988 de Don DeLillo (que na semana passada esteve em Lisboa por ocasião da edição deste ano do LEFFEST). O livro acompanha por um lado a vida de Lee Oswald e, por outro, apresenta os bastidores de um plano secreto que visava a realização de um atentado (que deveria falhar o tiro) contra o presidente, com vista a agravar as relações dos Estados Unidos com Cuba e levantar o cenário de uma eventual ação contra Castro.

segunda-feira, novembro 18, 2013

Nos 50 anos da morte de Kennedy (1)


Assinalam-se esta semana os 50 anos sobre a morte de John F Kennedy. Apesar de oficialmente encontrado um “culpado” na figura de Lee Oswald que, segundo o relatório Warren entregue em 1964 ao presidente Lyndon Jonhson, terá agido sozinho e por motivos pessoais, vivemos cinco décadas de suspeitas e teorias da conspiração sobre o atentado. Assim foi? Ou houve outros poderes ou mandantes? Ao longo destes 50 anos não faltaram leituras possíveis sobre o que sucedeu, como sucedeu e porque sucedeu. Não tentaremos, de todo, dar respostas ao que talvez nunca o venha a ter. Mas ao longo desta semana recordamos aqui alguns momentos em que a cultura popular retratou e refletiu sobre a morte de Kennedy.

E começamos com Coma White, um teledisco criado em 1999 para uma canção do álbum Mechanical Animals, de Marilyn Manson. Realizado por Samuel Bayer, o pequeno filme evoca o atentado em Dallas, com o músico vestindo a pele de JFK e a sua namorada de então, Rose MacGowan, de cor-de-rosa, taol e qual nesse dia vestia Jackie Kennedy, colocando a ação em clima sombrio, recorrendo ao slow motion e não sendo graficamente demasiado explícito (não há sugestão de sangue, apenas da violência do sucedido). Apesar da controvérsia que gerou pela proximidade do tiroteio na Columbia High School e da morte do filho de Kennedy, o vídeo representa um dos momentos visuais mais marcantes da obra de Marilyn Manson. O músico, em resposta às críticas, explicou então que o vídeo representava uma metáfora da obsessão americana pela violência.





Entre os muitos livros que foram refletindo ou ecoando o atentado conta-se o relativamente recente 11/22/63, romance de Stephen King que nos apresenta um viajante no tempo que tenta travar o sucedido. A ideia para o livro surgiu em 1971 (menos de dez anos após o atentado) e é mesmo anterior à publicação do hoje célebre Carrie. A acção transporta um professor de inglês até 1958, ano no qual tenta marcar os movimentos de Lee Oswald, procurando assim travar os acontecimentos de 22 de novembro de 1963. Uma possível adaptação ao cinema deste livro chegou a ser avançada, levantando Jonathan Demme como possível realizador. Alegados desentendimentos com Stephen King terão entretanto conduzido ao seu afastamento. Neste momento parece mais provável uma adaptação televisiva.