quarta-feira, janeiro 29, 2020

Custos sociais [citação]

>>> Se os produtores de carvão, petróleo e, talvez numa dimensão menor, gás natural tivessem que pagar realmente a totalidade dos custos que impõem à sociedade, a maior parte do sector encerraria, sendo substituído por energia renovável.

PAUL KRUGMAN

terça-feira, janeiro 28, 2020

Da dependência dos ecrãs

Somos demasiado dependentes dos ecrãs? E de que modo a nossa dependência está a ser injectada, com equívoca naturalidade, para as crianças?
O dossier da edição do dia 29 do jornal Libération pode ter muitos aspectos discutíveis (que, em qualquer caso, merecem discussão), mas a mensagem não deixa de ser linear e perturbante: "um novo estudo publicado esta quarta-feira pormenoriza os perigos de uma exposição demasiado banalizada dos mais pequenos à televisão, aos smartphones e aos tablets — e mostra que os pais estão muitas vezes pouco ou mal informados."
Dito de outro modo: quando é que as nossas sociedades em rede se decidem a questionar o seu estado social?

Bill Ray (1936 - 2020)

Bill Ray em 1947, com 11 anos
The Guardian
O seu trabalho ficou ligado à história das revistas Life e Newsweek: o fotógrafo americano Bill Ray faleceu no dia 8 de Janeiro, vítima de um ataque cardíaco — contava 83 anos.
A sua fama é indissociável das fotografias de Marilyn Monroe, a 19 de Maio de 1962, cantando Happy Birthday, Mr. President para o Presidente John F. Kennedy. São imagens emblemáticas que, em qualquer caso, não bastam para testemunhar a concisão e diversidade do seu trabalho. Dos Beatles aos Hells Angels, dos veteranos Vietname a celebridades como Elvis Presley ou Andy Warhol, Ray foi um exemplo modelar do melhor foto-jornalismo made in USA.
MM, 1962
Charles M. Schulz, 1967
Hells Angels, 1965
>>> Obituário no New York Times.

Oscars: o passado e o presente
— SOUND + VISION Magazine [ 8 Fev. ]


Na véspera da 92ª cerimónia das estatuetas douradas de Hollywood, comentamos factos e memórias dos mais célebres prémios de cinema — dos consagrados aos que foram esquecidos.

* FNAC, Chiado — 8 Fevereiro (18h30).

segunda-feira, janeiro 27, 2020

Max Richter, concerto na NPR

Eis uma especialíssima edição dos 'Tiny Desk Concerts' da NPR: com a colaboração do American Contemporary Music Ensemble, Max Richter interpretou três temas emblemáticos da sua obra, a começar pelo encantatório On The Nature Of Daylight, várias vezes apropriado em cinema, nomeadamente por Martin Scorsese (Shutter Island, 2010) e Denis Villeneuve (Arrival, 2016) — são 17 minutos de precisão, transparência e mistério.

4 Grammys para Billie Eilish

Segundo a Time, a 62ª cerimónia dos Grammys foi um acontecimento amargo e doce, marcado pela notícia da morte de Kobe Bryant. Para além dos erros práticos ou conceptuais do próprio espectáculo, a revista refere algumas ausências de peso — Lady Gaga, Taylor Swift, Beyoncé, etc. —, considerando que ilustram um crescente desinteresse pelo próprio espectáculo, repetindo o que já acontecera em 2019.
De uma maneira ou de outra, Billie Eilish foi a figura da noite, obtendo o quarteto mágico de distinções — não acontecia desde a consagração de Christopher Cross, em 1981. Ou seja: Artista Revelação, Melhor Artista Pop a Solo, Canção do Ano (Bad Guy) e Álbum do Ano (When We All Fall Asleep, Where Do We Go?).
Notável foi a presença de Alicia Keys, ao piano, fazendo o lançamento da cerimónia com uma sobriedade em nada estranha às delícias do entertainment: uma verdadeira lição de saber estar, dizer e cantar — eis os seus 5 esplendorosos minutos e, em baixo, a maravilhosa performance de When the Party's Over, por Billie Eilish, acompanhada ao piano pelo irmão Finneas O'Connell.




>>> Lista oficial integral dos nomeados e premiados nos Grammy [26 Jan. 2020].

O boom do rock português [memórias]

Xutos & Pontapés, Rui Veloso, Taxi, UHF,
Salada de Frutas e António Variações (esq-dta) / ARQUIVO GESCO
Do Chico Fininho ao Se Cá Nevasse, sem esquecer Cavalos de Corrida... Dos GNR aos Ban, passando por António Variações...
O boom do rock português começou há 40 anos e marcou de forma decisiva o nosso panorama cultural e simbólico, da música e para além da música, durante a primeira metade da década de 80. No Blitz, Rui Miguel Abreu assinala a efeméride e propõe uma revisão, tão didáctica quanto sugestiva, de "40 canções que fizeram história". Aqui fica o exemplo dos Sétima Legião (Glória) — vale a pena ler o texto e escutar a lista.

domingo, janeiro 26, 2020

Mal Waldron Trio — um clássico

Foi há cinquenta anos, mais precisamente em Novembro de 1969, que ocorreu a primeira sessão de gravações da etiqueta ECM. Resultado: o álbum Free at Last do Mal Wadron Trio, com Wadron (piano) na companhia de Isla Eckinger (contrabaixo) e Clarence Becton (bateria). Como o próprio Wadron sublinhou na altura, tratava-se do seu "encontro com o free jazz". Meio século depois, surge uma edição comemorativa ["extended edition"], com várias novas faixas e a certeza de que estamos perante um clássico, genuíno e intemporal.

Versace por Alas/Piggott

Jennifer Lopez é uma das personagens da mais recente campanha da marca Versace, concebida por Donatella Versace e fotografada por Mert Alas & Marcus Piggott — ou como a iconografia do mundo virtual contamina a figuração dos corpos [portfolio: models.com].

sábado, janeiro 25, 2020

Madonna na Antena 3

FOTO: Peter Lindbergh
Harper's Bazaar, Maio 1994
"Os rostos de Madame X" — eis o título de uma emissão especial da Antena 3, capaz de nos ajudar a revisitar/compreender a complexidade do universo de Madonna. O programa tem texto e locução do Nuno, com a colaboração de dois nomes da área da música, Rita Redshoes e Alex d’Alva Teixeira, a jornalista Ana Ventura e o autor deste post. Não é um best of — é caso para dizer que é much better [Antena 3].

Billie Eilish no fundo do mar

Capa do single de EVERYTHING I WANTED
— pintura de Jason Anderson
Nas reedições do magnífico álbum de Billie Eilish, When We All Fall Asleep, Where Do We Go?, foi acrescentada a canção Everything I Wanted, uma das colaborações da cantora com o irmão, Finneas O'Connell.
Diz-se de alguns sonhos que obedecem a um padrão de voo, com o sonhador a experimentar as delícias ou as ameaças de uma libertação da força da gravidade. O teledisco de Everything I Wanted, protagonizado pelos dois irmãos, consegue um efeito algo semelhante, mas deixando-se atrair pelo fundo do mar — tal como em Xanny, a própria Billie Eilish assina a realização.

Teledisco com... cães


Com berço em Athens (na Georgia, EUA) em finais de 90, a aventura indie criada por Kevin Barnes (e disversos companheiros de trabalho) sob o nome Of Montreal começou por cativar atenções por via da sua filiação entre a “família” do coletivo de bandas Elephant 6 (o mesmo que, entre outros, revelou nomes como os Neutral Milk Hotel, Olivia Tremor Control, Apples In Stereo ou Elf Power). Apesar da designação de “banda”, na verdade o nome Of Montreal – e reza a mitologia que a designação veio de uma relação falhada com uma rapariga de Montreal, no Canadá – traduz essencialmente a expressão da criatividade, angústias, sonhos e desejos de um só homem. Chama-se Kevin Barnes e, depois de quase dez anos afogado no que em tempos designou ser um gueto indie, viu a sua música ser reconhecida em meados da primeira década do século XXI quando lançou os álbuns. Satanic Panic In The Attic (de 2004) e Sunlandic Twins (2005). Coube todavia ao álbum de 2007 Hissing Fauna, Are You The Destroyer o momento de conquista de um relacionamento mais alargado (e não apenas aclamação crítica) através de um disco que, se por um lado confirmava o gosto pela criação de títulos extensos e intrigantes – como tinha ocorrido em 2001 com Coquelicot Asleep In The Poppies: A Variety Of Whimsical Verse – por outro abria uma frente de trabalho (e exposição) que determinaria rumos futuros na obra dos Of Montreal e, sobretudo, do vincar de uma relação prioritária entre a música e a exposição, quase diarística, de factos e reflexões da vida pessoal de Kevin Barnes e do mundo ao seu redor.

Uma terapia exposta, de certa forma, definida sobre horizontes de possibilidades estéticas que tanto passou já por uma pop retro (que não escondeu um encanto pelos Kinks) ou por texturas psicadélicas por vezes com sabor a paletas de referências dos anos 80 (e que por vezes lembraram uns Legendary Pink Dots), a música que Kevin Barnes tem apresentado como Of Montreal viveu, através desse álbum de 2007, a conquista do poder narrativo que um álbum pode conceder a um conjunto de canções. Nem todos os álbuns editados por Kevin Barnes depois deste disco de 2007 – sem dúvida a sua obra de referência – tiveram por base narrativas tão bem estruturadas ou desenharam episódios musicalmente tão empolgantes. Nunca a sua música foi desinteressante, é verdade. Mas salvo ocasionais novas descobertas ou assimilações, aqui e ali com belas canções, as rotas e destinos da música apresentada via Of Montreal foi vivendo progressivamente mais longe do gume das atenções.


Talvez essa quase indiferença possa ser o destino do novo UR FUN, álbum que surge num tempo em que as ementas indie estão, na generalidade, longe dos apetites de quem opina sobre música e das tendências dos furacões de partilhas nas redes sociais. A verdade é que, depois de breves indícios no álbum Innocence Reaches (de 2016) e, mais ainda, no EP White Is Relic / Irrealis Mood (de 2018), UR FUN é um disco que, retomando valores concetuais de um Hissing Fauna, Are You The Destroyer, revela a mais inspirada e cativante coleção de canções que Kevin Barnes nos apresenta desde então. O disco, apesar de assinado como Of Montreal, nasceu de um retiro solitário, com jornadas longas vividas no estúdio que tem em sua casa.

É um disco indie pop e teve na sua génese uma admiração pelo modo como discos como She’s So Unusual de Cyndi Lauper ou Control de Janet Jackson eram feitos de canções que podiam, todas elas, ser lançadas como singles. O som aponta a assimilações de ecos dos oitentas. E o próprio tom da capa vinca essa ideia. UR FUN traduz uma pulsão pop luminosa que, aqui se manifesta em canções que, sem largar a clara assinatura da música de Kevin Barnes, revelam uma outra luz e leveza, deixando às palavras o papel de conferir a cada uma a respetiva carga narrativa e reflexiva. Há muito que não me fixava, tantas vezes, e com tanta vontade de regressar, a um disco dos Of Montreal...

sexta-feira, janeiro 24, 2020

1917 / 2020

George MacKay em 1917
Através de uma espectacular sofisticação técnica, o novo filme de Sam Mendes, 1917, é sobretudo um retrato invulgar da vida e da morte nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial: está na linha da frente para arrebatar o Oscar de melhor filme de 2019 — este texto foi publicado no Diário de Notícias (23 Janeiro), com o título '“1917” ou a guerra como nunca a vimos'.

Será que o cinema é essa coisa estranha e sedutora que pode ser “maior que a vida”?… Não há nenhuma resposta linear, muito menos científica, a tal pergunta. O certo é que, face a 1917, o novo filme de Sam Mendes (desde quinta-feira nas salas portuguesas), reencontramos a magia de tal expressão.
Porquê? Porque o filme não nos enreda nessa arte menor de novelas e telenovelas, tentando disfarçar a sua pequenez narrativa com a sugestão de que a vida é “mesmo” assim. E escusado será dizer que também não estamos perante a rotina entediante dos filmes de “super-heróis”, Marvel & afins, que insistem em promover o cinema como uma acumulação preguiçosa de “efeitos especiais”.
Dito de outro modo: o cinema pode ser algo que nos convoca para a vida, não porque a “reproduza”, mas porque o nele acontece… tem vida! Mais do que isso: o cinema pode ser hiper-sofisticado na sua fabricação técnica sem que isso implique qualquer endeusamento beato da própria tecnologia.

A técnica

Comecemos pela técnica, justamente. Muito se tem falado, e com toda a pertinência, do facto de Sam Mendes ter apostado em fazer o seu filme num só plano: a sua duração de perto de duas horas corresponde, de facto, a uma acção que decorre em continuidade, também ao longo de duas horas. O complexo trabalho da sua equipa, em particular desse genial director de fotografia que é Roger Deakins, atesta a grandeza do desafio [video].


Em qualquer caso, o que importa reter não é o trabalho técnico enquanto mero “fogo de artifício”. Aliás, como os seus criadores explicam, a continuidade temporal de 1917 é obtida através de diversas “takes”, mais ou menos longas, “coladas" através de uma montagem subtil que acaba por gerar essa noção de que não há interrupção temporal.
Se Sam Mendes quis contar a sua história em continuidade, isso decorre, não de qualquer forma de ostentação técnica, mas sim da necessidade (narrativa, justamente) de preservar a urgência do que está a acontecer com dois jovens elementos do exército britânico. Para Will e Tom, interpretados pelos admiráveis George MacKay e Dean-Charles Chapman, a missão de avisar um batalhão que pode estar sujeito a uma emboscada dos alemães, é vivida, em todos os sentidos, como uma luta contra o tempo.

A história

Da primeira à última imagem, 1917 é um filme assombrado pela crueza e crueldade de um conflito que, de modo algo desconcertante, não tem um peso muito significativo na história do chamado “filme-de-guerra”. Na verdade, esse é um género que, em grande parte, se definiu e consolidou através de relatos da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ao encenar um episódio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Sam Mendes está também a fazer um exercício de prospecção histórica, talvez capaz de produzir algum efeito revelador junto das gerações de espectadores cuja noção de “acção” tem sido dramaticamente condicionada por jogos de video e aventuras de super-heróis. Além do mais, estabelecendo um laço de cumplicidade com alguns clássicos sobre o primeiro conflito mundial como Paths of Glory/Horizontes de Glória (1957), de Stanley Kubrick.
Há outra maneira de dizer isto: através do vanguardismo dos seus recursos técnicos, 1917 é um objecto primitivo de cinema — ou, talvez melhor, um objecto de cinema primitivo. O que nele se celebra não é o cinema como “reprodução” da história, antes como máquina de revisitação e reinvenção dessa história. No limite, trata-se mesmo de dar a ver a guerra como nunca a vimos [trailer].


Através da claustrofobia das trincheiras, da violência dos combates corpo a corpo e, por fim, da evidência incontornável da morte, o espectador é convocado para qualquer coisa de eminentemente físico: o cinema é, realmente, maior que a vida. Ou melhor: maior que a percepção corrente (leia-se: televisiva) da própria vida. Sendo um filme em tudo e por tudo concebido para a dimensão grandiosa de um ecrã numa sala escura, 1917 é também um dos raros exemplos de um conceito de espectáculo que adquire a sua máxima energia através da projecção numa sala IMAX.

A produção

Neste tempos em que, não poucas vezes, se fala da noção de “globalização” como uma espécie de “gadget” (económico ou político) sem conteúdo palpável, vale a pena acrescentar que 1917 é também um sugestivo exemplo de um processo realmente global de produção.
O filme tem chancela da Universal Pictures, um dos grandes estúdios da produção americana (e não deixa de ser curioso lembrar que, fundado em 1912, se trata do mais antigo sobrevivente entre os pioneiros de Hollywood). Na montagem do projecto encontramos a Amblin, de Steven Spielberg, e também o estúdio DreamWorks, de que Spielberg foi também um dos fundadores em 1994 (com Jeffrey Katzenberg e David Geffen). Trata-se, aliás, da continuação de uma já longa colaboração, iniciada em 1999 com a primeira realização de Sam Mendes, Beleza Americana — foi, aliás, com esse título que a DreamWorks ganhou o seu primeiro Oscar de melhor filme [trailer].


A estas entidades será preciso acrescentar o nome da Reliance Entertainment, estúdio da Índia com uma presença crescente na grande produção internacional, nomeadamente através de vários títulos de Spielberg, incluindo Lincoln (2012) e A Ponte dos Espiões (2015).
Pois bem, nada disto é produto do acaso, uma vez que Spielberg foi uma das primeiras personalidades de Hollywood a ter a clara percepção de que os mercados asiáticos iriam desempenhar um papel cada vez mais importante na economia global do cinema. Na verdade, Spielberg estabeleceu um acordo de produção com a Reliance há mais de uma década, em 2009, envolvendo uma verba de 1,5 mil milhões de dólares (qualquer coisa como 1,35 mil milhões de euros). Se 1917 confirmar a maior parte das apostas e arrebatar o Oscar de melhor filme do ano, é caso para dizer que, pelo menos desta vez, será mesmo o triunfo de uma bela ideia de globalização.

A IMAGEM: Pierre Bonnard, c. 1910

PIERRE BONNARD
La Bouillabaisse
c. 1910

quinta-feira, janeiro 23, 2020

Pearl Jam, "Dance of the Clairvoyants"

Matt Cameron + Jeff Ament + Mike McCready + Eddie Vedder + Stone Gossard
Gigaton, 11º registo dos Pearl Jam, chega a 27 de Março — o álbum anterior, Lightning Bolt, foi editado em 2013. Para já, temos Dance of the Clairvoyants, canção de inesperada energia funk que, como escreve Brian Hiatt na Rolling Stone, ilustra a sempre épica "perversidade anti-comercial" da banda.

Alicia Keys x 4

Alicia Keys + Alicia Keys + Alicia Keys + Alicia Keys — vai ser assim a capa do sétimo álbum de estúdio da criadora de Girl on Fire. Chama-se ALICIA e chega a 20 de Março. Eis uma preciosidade do seu alinhamento: Underdog, com teledisco realizado por Wendy Morgan.

She was walking in the street, looked up and noticed
He was nameless, he was homeless
She asked him his name and told him what hers was
He gave her a story about a life
With a glint in his eye and a corner of a smile
One conversation, a simple moment
The things that change us if we notice
When we look up, sometimes

They said I would never make it
But I was built to break the mold
The only dream that I've been chasing is my own

So I sing a song for the hustlers trading at the bus stop
Single mothers waiting on a check to come
Young teachers, student doctors
Sons on the frontline knowing they don't get to run
This goes out to the underdog
Keep on keeping at what you love
You'll find that someday soon enough
You will rise up, rise up, yeah

She's riding in a taxi back to the kitchen
Talking to the driver about his wife and his children
On the run from a country where they put you in prison
For being a woman and speaking your mind
She looked in his eyes in the mirror and he smiled
One conversation, a single moment
The things that change us if we notice
When we look up, sometimes

They said I would never make it
[...]

So I sing a song for the hustlers trading at the bus stop
[...]

Everybody rise up
You're gonna rise, yeah

I sing a song for the hustlers trading at the bus stop
Single mothers waiting on a check to come
[...]