quinta-feira, abril 25, 2019

O "espírito" de Abril
(ou a estreia dos "Vingadores")

[ disney.pt ]
1. Protagonistas da cena política e mensageiros do espaço mediático falam-nos do "espírito" de Abril. E com boas razões para o fazer — foi há 45 anos, a 25 de Abril de 1974, que o Movimento das Forças Armadas pôs fim a uma ditadura que estava a enviar os mais jovens (da minha geração) para a guerra.

2. Mas importa perceber em que contexto tal acontece. Os discursos daqueles protagonistas e mensageiros mantêm-se confinados a um voluntarismo de pueril utopismo, não revelando a mais simples disponibilidade para... olhar à sua volta.

3. Na verdade, mediaticamente e nos circuitos virtuais, a data surge polarizada em torno da estreia do filme Vingadores: Endgame, confirmando que a circulação de muitos valores dominantes no espaço cultural passou a ser gerida por entidades como a Marvel Pictures.

4. A nossa cultura democrática pode, e deve, exigir-nos que pensemos tal conjuntura a partir de toda uma complexa e, por vezes, perturbante dinâmica passado/presente (que, como é óbvio, nada tem a ver com a demonização de entidades como a Marvel).

5. Trata-se apenas de começar por reconhecer que o "espírito" de Abril não existe como uma espécie de milagroso "abre-te Sésamo", capaz de nos converter em emissários e agentes de uma pureza histórica que, como num filme de super-heróis, nos oferece as flores de um futuro radioso. De facto, neste tempo em que o "social" passou a ser uma questão de redes, a poesia não está na rua — e não creio que seja matéria dominante nos ecrãs de cinema.

MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA
1974

quarta-feira, abril 24, 2019

Madonna + Maluma

Tal como previsto, o "cha-cha-cha" de Madonna já tem teledisco. Medellín, primeiro single do álbum Madame X [14 Junho: SOUND + VISION Magazine, Fnac, Chiado], aí está num exuberante teledisco em que os autores-intérpretes — Madonna e o colombiano Maluma — protagonizam um casamento entrecortado por sinais de uma solidão exposta na confissão inicial: romântico, ma non troppo.


A IMAGEM: Greenpeace, 2019

[Agência: DDB]

Gary Clark Jr. em concerto na rádio

Depois de Blak and Blu (2012) e The Story of Sonny Boy Slim (2015), o terceiro álbum de Gary Clark Jr., This Land, tinha sido anunciado pelo poderoso teledisco do tema-título. A respectiva divulgação levou-o recentemente ao pequeno (e quente!...) espaço da NPR para uma magnífica edição dos 'Tiny Desk Concerts'. Ei-lo, com a sua banda, a interpretar What About Us, When I'm Gone e Pearl Cadillac.

Stan Lee, Vingadores e... Billy Joel

STAN LEE
A promoção do novo filme da Marvel, Vingadores: Endgame, fundamenta-se numa estratégia de ocupação & saturação de todas as plataformas de comunicação — o objectivo é impor um efeito imediato, global e incontornável. Um dos exemplos mais curiosos dessa asfixia mediática que todos atinge (e que, de uma maneira ou de outra, todos confirmamos) surgiu em forma de teledisco: eis o clássico We Didn't Start the Fire, de Billy Joel, reinterpretado pelo elenco do filme (com uma letra que transfigura as memórias pessoais de Billy Joel em antologia de episódios da série Vingadores); em baixo, o original, lançado em 1989.



terça-feira, abril 23, 2019

Os nómadas [citação]

>>> As vidas dos professores raramente são interessantes. Há as viagens, claro, mas os professores pagam as suas viagens com palavras, experiências, colóquios, mesas redondas, falar, falar sempre. Os intelectuais têm uma cultura formidável, têm uma opinião sobre tudo. Eu não sou um intelectual, porque não tenho cultura disponível, qualquer reserva. O que sei, sei-o apenas em função das necessidades de um trabalho actual, e, se volto ao assunto alguns anos depois, tenho de reaprender tudo. É muito agradável não ter uma opinião ou ideia sobre este ou aquele assunto. Não é de incomunicação que sofremos, mas, pelo contrário, de todas as forças que nos obrigam a que nos exprimamos quando não temos grande coisa para dizer. Viajar é ir dizer qualquer coisa algures e regressar para dizer qualquer coisa aqui. A menos que não regressemos e lá construamos a nossa cabana. Daí que tenha pouca vontade de viajar, é preciso não nos movermos muito para não assustar os tempos futuros. Há uma frase de Toynbee que me toca: "Os nómadas são aqueles que não se movem, tornam-se nómadas porque recusam partir."

GILLES DELLEUZE
Entrevista a Raymond Bellour e François Ewald
Magazine Littéraire, nº 257, Setembro 1988

A IMAGEM: Philippe Halsman, 1968

PHILIPPE HALSMAN / Magnum
Vladimir Nabokov
1968

domingo, abril 21, 2019

"Uncle Meat", Zappa — 50 anos

Uncle Meat, duplo álbum, quinto registo gravado por Frank Zappa (1940-1993) com The Mothers of Invention, corresponde a uma banda sonora de um filme de ficção científica (?) que nunca foi concretizado. Ou melhor, existe um filme Uncle Meat (lançado em cassete VHS em 1987) que funciona como uma espécie de documentário do projecto que, de alguma maneira, ficou pelo caminho. Nascido da obstinada vontade de desafiar os modelos dominantes de consumo — mas sem os ignorar, convocando elementos do free jazz às raízes do rock'n'roll, passando por admiráveis derivações orquestrais —, constitui uma peça genial de invenção e celebração, ainda e sempre para além de qualquer tempo, moda ou movimento.
Gravado entre Setembro de 1967 e Setembro de 1968, Uncle Meat foi posto à venda no dia 21 de Abril de 1969 — faz hoje 50 anos.

>>> Dog Breath Variations + Uncle Meat: duas faixas do álbum num concerto com o Ensemble Modern, na Alte Oper de Frankfurt, a 17 de Setembro de 1992, sob a direcção do próprio Frank Zappa — foi a sua derradeira performance pública; o respectivo registo seria editado como The Yellow Shark, álbum lançado em Novembro de 1993, cerca de um mês antes do falecimento de Zappa.

SOUND + VISION Magazine
— imagens e sons da FNAC

O nosso SOUND + VISION Magazine de 20 de Abril, em Lisboa, na FNAC do Chiado, teve como ponto de partida o álbum Voulez-Vous, dos ABBA (40 anos!), daí derivando para várias memórias musicais e cinematográficas do ano de 1979... e não só. Aqui ficam algumas das imagens e sons que partilhámos com os que nos acompanharam.

>>> A canção-título: Voulez-Vous, ABBA.

>>> One Night In Bangkok, Murray Head (do musical Chess).

>>> Manhattan, Woody Allen (banda sonora: Rhapsody in Blue, de George Gershwin).

>>> Television, Baxter (do álbum homónimo).

>>> Natural Skin Deep, Neneh Cherry (do álbum Broken Politics).

SOUND + VISION Magazine
— Maio, Junho e Julho

O SOUND + VISION Magazine, em Lisboa, na FNAC do Chiado, já tem calendário definido para os próximos três meses. Aqui fica uma primeira informação:

* 26 MAIO — balanço de dois festivais: Eurovisão + Cannes.

* 14 JUNHO — Madame X, novo álbum de Madonna.

* 29 JUNHO — A Lua em imagens e sons (a propósito dos 50 anos da missão Apollo 11).

* 27 JULHO — [tema a anunciar].

sábado, abril 20, 2019

Cher, Broadway & etc.

A vida e as canções de Cher — é caso para dizer que dava para fazer um musical da Broadway... E deu mesmo: em cena no Neil Simon Theatre, The Cher Show é um espectáculo de celebração e festa em que Stephanie J. Block, Teal Wicks e Micaela Diamond interpretam diferentes momentos da carreira da personagem. O trio esteve com Jimmy Fallon, em The Tonight Show, para interpretar If I Could Turn Back Time — adivinhem quem também lá estava.

Notre Dame ou os dias da Europa

Perante as imagens de destruição da Notre Dame de Paris, todos evocamos a grandeza histórica da nossa Europa. Será que isso basta para sermos realmente europeus? — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 Abril), com o título 'A Europa do nosso descontentamento'.

Contemplo as imagens de destruição da Notre Dame de Paris. Nos jornais e televisões, nos noticiários televisivos, o fogo acorda em nós a certeza amarga de uma impotência que importa superar, quanto mais não seja porque sabemos que o fazer da história é um infinito labor de construção e reconstrução, perdição e esperança.
Sinto-me, por isso, próximo de todos os discursos que apontam Notre Dame como símbolo de uma entidade em que, subitamente, para além de todas as crises, todos nos reconhecemos. A saber: esse lugar geográfico e mítico a que damos o nome de Europa.
Ao mesmo tempo, a sensação de comunhão face à vulnerabilidade da Notre Dame acorda em mim um outro sentimento que, mal ou bem, é também uma forma de pensamento. Que acontece (que está a acontecer) quando necessitamos de imagens trágicas como as que nos chegam de Paris para nos afirmarmos europeus?
DN (16-04-19)
Não quero encerrar a questão em generalizações automáticas, dessas que podem funcionar meia dúzia de dias nas manchetes televisivas para depois se desvanecerem numa agonia silenciosa de esquecimento. Ainda assim, pergunto-me se esta comunhão não envolve os valores (ou a falta deles) do mais corrente niilismo. Como se os contrastes, porventura as contradições, que todos sentimos — entre a utopia europeia e a sua vivência política — necessitassem de imagens cruas de destruição ou morte para a Europa reaparecer à tona do nosso oceano de diferenças.
Para nos ficarmos pelas imagens, precisamente, lembremos que vivemos numa Europa cujo espaço televisivo está todos os dias contaminado pela miséria conceptual e moral da “reality TV” e seus derivados. A formatação obscena dos comportamentos humanos promovida pela “reality TV” (com especial evidência para a coisificação sexual de homens e mulheres) transformou-se mesmo num elemento corrente de muitos modelos de comunicação televisiva — ou, como dirão os “especialistas”, um formato.
Não vejo, não escuto os protagonistas da cena política a defender uma ideia primordial de Europa face a essa metódica irrisão dos laços humanos e da mais nobre noção de humanismo. Vejo, isso sim, e escuto-os, a dar conta da tristeza radical com que contemplam as imagens de Notre Dame.
No meu recanto individual, partilho tal tristeza e acredito que os projectos de reconstrução se vão consumar, superando a destruição física e renovando o nosso amor por aquela igreja e o seu tocante simbolismo. Pergunto-me apenas se (e como) é possível termos mais Europa nos outros dias, aqueles em que o fogo não nos alerta para a ancestral excelência da nossa identidade colectiva.

ABBA: "Voulez-Vous" faz 40 anos
— SOUND + VISION Magazine [ hoje ]

Recordando um álbum emblemático dos ABBA lançado na idade de ouro do "disco sound" — revisitamos as canções da banda sueca, propondo também uma digressão pelas movimentações artísticas do ano de 1979.

* FNAC / Chiado, hoje, 20 Abril (18h30)

sexta-feira, abril 19, 2019

O futebol à maneira de Manoel de Oliveira

RENÉ MAGRITTE
Le Temps Traversé
1938
O actual tratamento do futebol em televisão envolve um interessantíssimo sistema de linguagens, incluindo mesmo componentes de raiz cinematográfica. Por vezes, fala-se sem se mostrar — este texto foi publicado no Diário de Notícias (11 Abril).

Não será preciso apresentar grandes investigações estatísticas para afirmar que a actividade social com maior visibilidade televisiva é o futebol. E também não creio que seja abusivo reconhecer que tal visibilidade existe através de um imenso silêncio de pensamento. Ou seja: o futebol tornou-se um elemento dominador na cultura portuguesa, mas quase ninguém o pensa (ou quer pensar) enquanto factor cultural.
HITCHCOCK
Podemos resumir a sua intensidade cultural através de duas simples componentes. Primeiro, a da própria identidade nacional: o jogador de futebol, sobretudo o jogador de futebol com grande sucesso financeiro (a começar pela referência de Cristiano Ronaldo), é frequentemente apresentado como matriz universal do ser português, quase sempre como modelo ideal para os mais jovens. Segundo, o da identidade laboral: da sugestiva arte de fazer fintas ao saber colocar a bola milimetricamente ao segundo poste, o jogador de futebol é, por certo, aquele que desfruta de mais e mais elogiosas considerações sobre o “trabalho” (“trabalhámos muito bem” é mesmo um lema quase universal de jogadores e treinadores).
Nesta interessante conjuntura, temos assistido à consagração de um dispositivo televisivo com curiosas componentes cinematográficas. Assim, vale a pena observar os modos de acompanhamento televisivo de jogos em directo... sem que o jogo nos esteja a ser mostrado. Deparamos com quê? Pois bem, com os comentadores a olharem para fora de campo (conceito eminentemente cinematográfico, vital em autores tão diversos como Alfred Hitchcock ou Andrei Tarkovski), dissertando sobre aquilo que não vemos. Mais do que isso: ocupando o ecrã em longuíssimos planos fixos.
TARKOVSKI
A situação, convenhamos, tem graça. Por um lado, este é o país em que muita gente séria, com assumida seriedade, se gaba de saber (?) que os filmes de Manoel de Oliveira são insuportáveis colecções de planos fixos... Tal proclamação pode mesmo envolver a “certeza” de que é assim mesmo, sem sequer haver necessidade de conhecer os filmes. Por outro lado, a televisão explora durações intermináveis que não encontram qualquer equivalência em nenhum filme de Oliveira... e isso é tratado como coisa “normal”.
A conclusão rudimentar não tem a ver com questões pueris de “verdade” ou “mentira”, muito menos com a dignidade profissional seja de quem for. Acontece apenas que a televisão detém um poder de “normalização” que deixou de ser pensado nas suas implicações culturais. Em boa verdade, o que está em causa é a nossa identidade de espectadores: habituámo-nos a encarar a televisão como coisa “natural”, deixando de a pensar como um complexo, muitas vezes fascinante, sistema de linguagens.
Por mim, fã da tradição burlesca da comédia, tenho estado a redescobrir a sua perversa herança nestas personagens que conversam entre si, dirigindo o olhar para fora de campo. Ou como o futebol serve de veículo para uma forma incauta de experimentalismo.

Memórias chinesas por Wang Bing

Acontecimento de excepção no mercado cinematográfico português: Almas Mortas, de Wang Bing, traça ao longo de oito horas as memórias da Campanha Anti-Direitista desencadeada na China em 1957 — este texto foi publicado no Diário de Notícias (6 Abril).

Há filmes capazes de desafiar de forma radical todos os nossos hábitos — não apenas os hábitos cinematográficos, mas as rotinas com que, muitas vezes atendendo apenas às manchetes da paisagem mediática, organizamos a percepção do mundo. Almas Mortas, de Wang Bing, é um desses filmes, singular e prodigioso.
A sua singularidade envolve, como é óbvio, a sua inusitada duração: oito horas (em rigor, 495 minutos). Entenda-se: não é apenas essa duração que o torna excepcional. Mas é um facto que Wang Bing terá sido o primeiro a sentir que a sua temática o compelia a elaborar uma narrativa que não podia ser abreviada, condensada ou arbitrariamente fragmentada.
Estão em jogo as memórias cruéis de um período dramático da história da China. Assim, como consequência da Campanha Anti-Direitista do Partido Comunista Chinês, desencadeada em 1957, muitos dos designados “ultra-direitistas” morreram à fome em campos de reeducação na província de Gansu — foi uma das maiores purgas montadas pelo regime de Mao Tsé-Tung.
Em termos esquemáticos, digamos que Almas Mortas segue uma lógica clássica do olhar documental: Wang Bing visita aquela zona e recolhe testemunhos de sobreviventes e familiares. Trata-se de um verdadeiro resgate dos mortos, num processo em que o cinema se assume como elo frágil, mas essencial, com a verdade primordial da memória. Com uma componente que determina todos os elementos do filme e, por isso mesmo, a sua relação com o espectador: em vez de acumular materiais de arquivo seleccionados de forma mais ou menos “ilustrativa”, Wang Bing escuta pacientemente as palavras dos que recordam e explicam o que aconteceu.
Esta resistência das palavras à violência de um sistema repressivo nada tem a ver com os métodos televisivos que privilegiam a condensação fácil e, por fim, a proliferação de “soundbytes”. Predomina, aqui, um princípio de escuta, misto de pedagogia e ternura — os sobreviventes são transportadores de palavras que resistiram a todas as mortes.
Talvez seja inevitável referir que o método de trabalho de Wang Bing faz lembrar a abordagem do Holocausto por Claude Lanzmann no monumental Shoah (1985), este com uma duração superior a nove horas. Num caso como noutro, a história não é um conjunto de dados adquiridos, garantidos pela frieza dos arquivos. A história tem de passar pela fala: falar, verbalizar são actos de inventariação e persistência da complexidade das convulsões históricas.
Revelado no Festival de Cannes de 2018 (extra-competição), Almas Mortas é mais um momento exemplar na trajectória de Wang Bing — entre os seus filmes, lembremos os casos também admiráveis de A Fossa (2010) e Três Irmãs (2012), ambos estreados no nosso país. Em termos simples, no contexto português, estamos perante um dos acontecimentos maiores deste ano cinematográfico.
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* Almas Mortas está programado o fim de semana do Monumental (Lisboa):

- 1ª Parte - 20 de Abril (12h00)
- 2ª Parte - 21 de Abril (12h00)

quinta-feira, abril 18, 2019

Billie Eilish — celebração e medo

When We All Fall Asleep, Where Do We Go? — o título pressupõe a possibilidade de encontrar, porventura edificar, paisagens alternativas nascidas no abandono do sono, talvez do sonho, até mesmo do pesadelo. Projecto típico de alguém com uma longa vida e a consequente aptidão para deambulações introspectivas da memória?... Não exactamente: este é o álbum de estreia de Billie Eilish, nascida em Los Angeles a 18 de Dezembro de 2011 — 17 anos, isso mesmo.
You Should See Me in a Crown pode servir de matriz simbólica do seu tom de celebração, cruzando ideias eléctricas de pop e hip hop, para desembocar em regiões de estranhos e inquietantes assombramentos. Visualmente, a canção existe em duas versões: a primeira num video vertical capaz de desafiar a mais rudimentar aracnofobia, a segunda em animação de inspiração japonesa, monstros incluídos — tenham medo.



Terrence Malick na competição de Cannes

A HIDDEN LIFE: Valerie Pachner e August Diehl
Oito anos depois de ter arrebatado a Palma de Ouro, com A Árvore da Vida, o americano Terrence Malick está de regresso à secção competitiva do Festival de Cannes com A Hidden Life [à letra: "Uma vida escondida"]. Inicialmente intitulado Radegund, o filme evoca Franz Jägerstätter (1907-1943), cidadão austríaco, objector de consciência que recusou integrar o exército nazi, vindo a ser condenado e guilhotinado pelo Terceiro Reich. Com August Diehl no papel central, o elenco do filme conta ainda Valerie Pachner, Matthias Schoenaerts, Jürgen Prochnow, Franz Rogowski, Michael Nyqvist e Bruno Ganz (os dois últimos já falecidos).
Malick é um dos habitués a reaparecer na selecção oficial de Cannes, a par do italiano Marco Bellochio (Il Traditore), dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (le Jeune Ahmed), do francês Arnaud Desplechin (Roubaix, une Lumière), do espanhol Pedro Almodóvar (Dolor y Gloria) ou do inglês Ken Loach (Sorry We Missed You); entre os muitos títulos que não concorrem para a Palma de Ouro estão os mais recentes trabalhos do francês Claude Lelouch (Les Plus Belles Années d'une Vie, com Jean-Louis Trintignant e Anouk Aimée) e do americano Abel Ferrara (Tommaso, com Willem Dafoe) — a lista oficial do certame, incluindo competição e extra-competição, e também a secção paralela "Un Certain Regard", está disponível no site oficial do festival.