quarta-feira, novembro 04, 2026

People Have the Power
— uma canção para o dia 4 de novembro de 2026

"Hoje é dia 4 de novembro de 2026: passaram-se 32 anos desde a morte do meu pai" — para Jesse Paris Smith, este é o momento de recordar a canção People Have the Power cantada pelos seus pais, Patti Smith e Fred ‘Sonic’ Smith. Ou como ela escreve: celebrando uma "vitória azul".

I was dreaming in my dreaming
Of an aspect bright and fair
And my sleeping it was broken
But my dream it lingered near
In the form of shining valleys
Where the pure air recognized
And my senses newly opened
I awakened to the cry
That the people have the power
To redeem the work of fools
From the meek the graces shower
It's decreed the people rule

People have the power
(...)

Vengeful aspects became suspect
And bending low as if to hear
And the armies ceased advancing
Because the people had their ear
And the shepherds and the soldiers
And they lay among the stars
Exchanging visions
And laying arms
To waste in the dust
In the form of shining valleys
Where the pure air recognized
And my senses newly opened
I awakened to the cry

People have the power
(...)

Where there were deserts
I saw fountains
Like cream the waters rise
And we strolled there together
With none to laugh or criticize
And the leopard
And the lamb
Lay together truly bound
I was hoping in my hoping
To recall what I had found
I was dreaming in my dreaming
God knows a purer view
As I lay down to my sleeping
I commit my dream to you

People have the power
(...)

The power to dream to rule
To wrestle the earth from fools
It's decreed the people rule
It's decreed the people rule
I believe everything we dream
Can come to pass through our union
We can turn the world around
We can turn the earth's revolution
We have the power

People have the power
(...)
The power to dream to rule
To wrestle the earth from fools
It's decreed the people rule
It's decreed the people rule
We have the power
We have the power
The people have the power
We have the power

"Tsunami azul", por Jimmy Kimmel

Em boa verdade, fazer televisão sobre política é também uma maneira de pensar a política contemporânea como matéria indissociável das linguagens televisivas. Com o Congresso dos EUA a ter, de novo, uma maioria democrata, eis como Jimmy Kimmel deu conta do tsunami azul que a América pôs em marcha. "That's entertainment!" pode ser, afinal, a mais política das palavras de ordem.

terça-feira, novembro 03, 2026

O filmes não são "gravados"
— ou a ditadura da linguagem das telenovelas

Livremente inspirado em factos reais
Operação TAP: o primeiro filme da Netflix
em Portugal já está em gravações 

[ título de comunicado para a imprensa sobre Operação TAP ]


1. O que choca não é a miséria dos filmes. Neste caso, aliás, trata-se de um filme que ainda só existe como projecto e não se duvida que haja razões parar aguardar um resultado, no mínimo, interessante.

2. O que choca é a miséria cognitiva da linguagem — e a sua absoluta ignorância do cinema como história e património.

3. Ignorância de quem faz os filmes? Não, ignorância de quem os divulga e promove, ou seja, as gloriosas agências de "comunicação" em que, salvo raras excepções, deparamos todos os dias com um apoteótico desconhecimento da identidade cultural das matérias que tratam.

4. Sobre essas agências não diríamos, por certo, que "mastigam" informação — seria grosseiro e ofensivo para o trabalho dos repectivos profissionais. Pois bem, é altura de lembrar que os filmes não se "gravam" — são objectos que se filmam. Durante acontecimentos a que damos o nome de filmagens ou rodagens.

5. "Gravar" como algo que implica a participação de determinados profissionais (técnicos, actores, etc.) é uma vulgaridade técnica e artística que pertence à linguagem das telenovelas, essa praga narrativa que, ao longo de quase meio século, tem contribuído para a consolidação de um público que, de facto, desconhece em absoluto as singularidades do cinema (pior um pouco: um público condicionado pela avassaladora mediocridade "social" de influencers e respectivas reencarnações, desconhecedores da riqueza e complexidade de tudo aquilo que abordam sem um mínimo de contenção e pudor).

6. Não se espera que um simples filme, seja ele qual for, possa libertar-nos de tal praga — era preciso uma reconversão, não apenas de mentalidades, mas de todo um sistema de produção que está tragicamente parasitado pelos valores industriais e narrativos das novelas, para mais com a proteção das mais medíocres formas de jornalismo.

7. Em todo o caso, para quem lida com matérias do chamado audiovisual seria de esperar que, no mínimo, conhecesse as singularidades das linguagens que aplica. É uma questão cultural de fundo. E para evitar as visões piedosas, convém lembrar que cada vez que um de nós, seja quem for, usa a palavra "cultura", isso não significa que estejamos a falar do mesmo — a cultura é sempre uma guerra de linguagens.

segunda-feira, novembro 02, 2026

Simone de Beauvoir, o existencialismo e Deus

Sartre e Beauvoir
Numa entrevista de 1959, Simone de Beauvoir fala da atitude existencialista perante a questão de Deus, afinal falando de uma consciência que resiste à abstração das ideias e dos gestos humanos, incluindo algumas referências subtis a O Ser e o Nada, de Sartre — meia dúzia de preciosos minutos.

Alanis Morissette, Rest

Publicada em 2021, Rest é uma canção de Alanis Morissette agora relançada em single. Trata-se de uma uma versão de contagiante energia, num espectáculo em Londres, com a participação do coro Trans Voices.
 

domingo, novembro 01, 2026

Edvard Grieg por Vladimir Feltsman

[ Wikipedia ]

As Peças Líricas do compositor norueguês Edvard Grieg, publicadas entre 1867 e 1901, constituem uma referência nuclear de um espírito romântico que, com o passar do tempo, transcendeu qualquer nomenclatura tradicional ou enquadramento académica. Interpretadas pelo pianista russo-americano Vladimir Felstman, surgem agora num triplo CD (Nimbus) que ficará, por certo, como uma das grandes edições de 2026 — eis um exemplo do lirismo que nos enlaça [Livro 2, Op. 38: VIII. Canon. Allegretto con moto].
 

O Homem que Veio do Espaço, 50 anos

Foi há meio século. Entre as efemérides cinematográficas deste ano, The Man Who Fell to Earth/O Homem que Veio do Espaço (1976), de Nicolad Roeg, é, por certo, um dos exemplos mais desconcertantes. Pela encenção quase kitsch da visita de um alien humanóide ao planeta Terra e também pelo facto de David Bowie, no papel central, ter encontrado aqui uma pose e uma matriz que pontuaram diversos aspectos da sua carreira posterior.
No Reino Unido, vai ser reposto em cópias restauradas, assinalando 50 anoa de um projecto que acabou por ter influências marcantes em diversas experiências de ficção cientítica — será que Portugal também está na lista desta reposiões?

sábado, outubro 31, 2026

Bryan Adams vs. Donald Trump

Quando um ícone do rock'n'roll que desfruta de uma audiência planetária utiliza o seu poder comunicacional para dar conta dos abusos de poder de Donald Trump, importa dizer que há, continua a haver, uma cultura popular que não desiste de apontar, com serenidade e veemência, as monstruosidades que circulam por algumas linguagens políticas.
Aí está Bryan Adams a lembrar que o seu país, o Canadá, não é nem será o 51º estado dos EUA — a canção chama-se 51st. State e faz parte do alinhamento do seu novo álbum, How's It Goin' (6 novembro).
 

Mathieu Roger-Lacan — o desejo da escrita

Como chegámos a um ponto em que a agilidade da fala passou a existir através de uma assustadora decomposição da escrita? Que é feito do desejo de escrever?
Mathieu Roger-Lacan coloca essas questões de forma directa e construtiva, a propósito do seu livro Une Langue à Soi — questão francesa, questão universal (no programa Quotidien, de Yann Barthès, no canal TMC).

sexta-feira, outubro 30, 2026

Duran Duran, Notorious faz 40 anos
— SOUND + VISION Magazine, FNAC [hoje, 31 out.]

Com o álbum Notorious a celebrar 40 anos, revisitamos a história dos ingleses Duran Duran, banda lendária do pop rock que também escreveu uma canção para James Bond.

> FNAC Chiado, 31 outubro (hoje, 17h00).