sexta-feira, agosto 07, 2026

A crise filosófica do Homem-Aranha

"Quem sou eu?" — dias difíceis para o Homem-Aranha

Tom Holland está de volta na personagem do Homem-Aranha: Spider Man: Um Novo Dia é um filme que tenta emprestar alguma densidade dramática ao seu protagonista, mas a retórica dos super-heróis volta a triunfar — este texto foi publicado no Diário de Notícias (26 julho).

A estreia de Spider Man: Um Novo Dia permite-nos observar uma perversa tendência do mercado cinematográfico. Assim, ao longo das últimas duas décadas, os filmes de super-heróis, em particular os que ostentam a chancela Marvel, adquiriram um poder comercial e simbólico muito particular: mais do que objectos específicos da chamada temporada de verão, são eles que impõem e, de alguma maneira, regulam essa temporada enquanto “conceito”. O fenómeno já não possui a mesma agressividade promocional que teve nos primeiros anos, quanto mais não seja porque Hollywood vive (e sobrevive) através das suas contradições, havendo quem não desista de reagir contra a redução da indústria a uma formatação burocrática, tecnológica e narrativa. Cineastas como Martin Scorsese, Steven Spielberg ou Christopher Nolan têm defendido, com a legitimidade artística que lhes assiste, a necessidade de contrariar aquela formatação, reencontrando valores criativos que, afinal, alimentaram (e alimentam) o grande cinema “made in USA”. Estreados nas últimas semanas, O Dia da Revelação (Spielberg) e A Odisseia (Nolan) aí estão como expressão modelar de tal visão. Entenda-se: a questão de fundo não decorre do facto de tais filmes serem “melhores” — acontece que são manifestações, não apenas de outras estratégias de produção, mas também de genuínas ideias de cinema.
Spider Man: Um Novo Dia
, com Tom Holland a interpretar pela sexta vez o Homem-Aranha, surge como sintoma paradoxal dessa “necessidade” de manter um determinado herói como emblema de toda uma estratégia de espectáculo e marketing. Sintoma curioso, já que se procura relançar a personagem como algo mais do que um boneco gerado por monótonos efeitos visuais. Sintoma inglório, porque as pequenas ousadias do argumento tendem a ser anuladas pela “obrigação” de fabricar um objecto contaminado pela agitação visual (e os ruídos, por vezes insuportáveis) de um banal videojogo.
Este é um modelo de cinema que quer desesperadamente resolver a sua congénita crise narrativa. Como? Encenando o Homem-Aranha como protagonista de uma inesperada crise filosófica. “Quem sou eu?” — eis a pergunta que Peter Parker formula, tentando racionalizar a herança que recebeu da aranha radioactiva que o mordeu, transformando-o no poderoso e angustiado Homem-Aranha.
Sintomático de tal dinâmica é o modo como o filme gere a paixão de Peter por MJ (Zendaya), o “amor da sua vida”. A história provém do filme anterior, No Way Home/Sem Volta a Casa (2023): as memórias de MJ e Ned (Jason Batalon), o grande amigo de Peter, foram “apagadas” através da intervenção da personagem de Doctor Strange (Benedict Cumberbatch) para... enfim, para impedir aquilo que é “tema” obrigatório da Marvel: a destruição iminente deste mundo e do outro...
Tom Holland bem se esforça por exprimir a emoção que resulta do seu confronto com uma MJ que não o reconhece — e convenhamos que Zendaya também dá o seu melhor para emprestar alguma credibilidade dramática à relação com aquele rapaz que a contempla com tão enigmática insistência. O certo é que nada disso é tratado como verdadeira força narrativa: as promessas intimistas de alguns momentos vão sendo “obrigatoriamente” interrompidas pela destruição de mais algumas avenidas de Nova Iorque. Tudo isto acompanhado pelo simplismo retórico de personagens como Punisher, o eterno ”amigo/inimigo” do Homem-Aranha composto por um esforçado Jon Bernthal que parece ainda perturbado pela possibilidade de aparecerem os zombies que heroicamente enfrentou na série The Walking Dead.
Resta dizer que Spider Man: Um Novo Dia tem assinatura de Destin Daniel Cretton, realizador vindo da área independente que conhecemos através de Temporário 12 (2013), com Brie Larson, brilhante retrato de uma instituição de acolhimento de jovens como problemas de inserção social. Sem fazer moralismo fácil sobre as suas opções profissionais, diremos apenas que esta aventura do Homem-Aranha, mesmo com alguns breves momentos de fulgor, não faz justiça ao seu talento.

Para redescobrir Claude Chabrol

Por certo uma das concretizações mais depuradas do assombramento conjugal (sexo + crime) que Claude Chabrol (1930-2010) filmou como ninguém, A Mulher Infiel (1969) está de volta. Assim o anuncia o BFI, para setembro, com cópia restaurada em 4K. Esperando que, por cá, haja ecos desta redescoberta, aqui fica o novo trailer.
 

quinta-feira, agosto 06, 2026

Mr. Charm
— no estúdio com os Rolling Stones

Não é um teledisco... Mas poderia ser... Não é a gravação de uma única performance... Mas quase parece... Eis Mr. Charm, canção do álbum Foreign Tongues, no estúdio, com os Rolling Stones em festiva celebração — dir-se-ia um inusitado improviso, mas é um trabalho de insuperável rigor.

When I was oh-so-young, I used to want to go to Mars
And burn the rubber on the road
And drive around in fancy cars
And who would take you into space?
Who would you really trust?
Is it Boeing, is it NASA, is it mad mogul Mr. Musk?
Now I'm older, I would like to ask you if tonight
We could stay at home, you see, I'm really quite polite
I would make you cocktails, pour you wine, you're obviously so erudite
Do anagrams, spew epigrams
I don't give a damn, Madame


segunda-feira, agosto 03, 2026

Jóhann Jóhannsson, por Alice Sara Ott

O compositor islandês Jóhann Jóhannsson (1969-2018) deixou um legado em que as componentes clássicas se combinam, com invulgar elegância, com sonoridades contemporâneas, ligadas, em particular, ao uso de instrumentos electrónicos. Com diversos trabalhos para diferentes experiências artísticas, a sua obra inclui algumas magníficas bandas sonoras, duas delas nomeadas para o Oscar de melhor música (A Teoria de Tudo e Sicário - Infiltrado, respectivamente em 2015 e 2016).
Para a pianista Alice Sara Ott, autora de John Field - Complete Nocturnes, um dos grandes álbuns de 2025, tocar a música de Jóhannsson envolveu uma peculiar reinvenção instrumental: "O que é incrível na música de Jóhannsson é o modo como as suas composições, originalmente escritas para grandes ensembles e diferentes instrumentos, passam de forma tão harmoniosa para o piano."
O álbum Jóhann Jóhannsson - Piano Works possui essa magia de sonoridades que resistem a uma evidente manipulação, ao mesmo tempo preservando a austeridade da sua verdade existencial — como um mapa de emoções ligadas por caminhos secretos.

>>> Temas de A Teoria de Tudo e The Shadow Play.



Novas memórias da contracultura

William S. Burroughs na Nova Convention (Nova Iorque, 1978)

William S. Burroughs foi a figura central da Nova Convention, em 1978, um misto de espectáculo e forum de ideias: Nova ‘78 é um documentário feito a partir das respectivas imagens: está nas salas e também na Filmin — este texto foi publicado no Diário de Notícias (29 julho).

Figura emblemática da Geração Beat, a par de outros escritores como Jack Kerouac e Allen Ginsberg, William S. Burroughs (1914-1997) deixou um peculiar legado como inspirador, personagem ou fantasma de projectos cinematográficos muito variados. Lembremos o seu breve e muito céptico diálogo com Matt Dillon no filme Drugstore Cowboy/No Trilho da Droga (1989), de Gus Van Sant. E destaquemos, sobretudo, dois títulos admiráveis, tão ousados quanto inclassificáveis, inspirados nos seus romances: Naked Lunch (David Cronenberg, 1991) e Queer (Luca Guadagnino, 2024). Podemos redescobri-lo agora através de um belo documentário, Nova ‘78, elaborado a partir de imagens da chamada Nova Convention, um evento de 1978 organizado para celebrar o regresso de Burroughs à América — tem assinatura de um americano, Aaron Brookner, e um português, Rodrigo Areias, e conta com música original de The Legendary Tiger Man.
Burroughs regressara aos EUA em 1974, iniciando um processo de superação da toxicodependência que contou com o apoio essencial do seu amigo Ginsberg. Recuperando o título da “Nova Trilogy” (com os romances The Soft Machine, The Ticket That Exploded e Nova Express, publicados no período 1961-64), a Nova Convention realizou-se em Nova Iorque, ao longo de três dias de 1978 (30 nov., 1 e 2 dez.). O programa contemplou uma série de conversas, performances e concertos que, em última instância, corresponderam a um “balanço” da contracultura da década de 1970 que elegera Burroughs como um inspirador e, no plano simbólico, um guru — recorde-se que o termo “contracultura” surgira em 1969 num livro do escritor e filósofo Theodore Roszak.
Esquematizando, poderá dizer-se que a contracultura, fortemente marcada pela contestação do envolvimento militar dos EUA no Vietname, funcionou como uma superação cultural e política das ilusões libertárias da década de 1960. No limite, o que estava em causa era a desmontagem dos valores de uma sociedade cada vez mais conservadora e com um crescente aparato legal de monitorização das diferenças individuais — neste contexto, Burroughs emergia, mais do que nunca, como “filósofo do futuro”.
Foi Howard Brookner, tio de Aaron Brookner, que obteve as imagens da Nova Convention — ele viria, aliás, a realizar o documentário Burroughs: The Movie (1983). Aaron e Areias evitam a facilidade de “descrever” tais imagens através de uma voz “off” convencional, preferindo preservar a contagiante espontaneidade de um registo que acaba por ser contaminado pelos sobressaltos da própria organização.
Os momentos têm tanto de variado como de surpreendente, incluindo o discurso de uma Patti Smith algo desorientada, mobilizada para explicar à assistência que a anunciada presença de Keith Richards (que tinha atraído a maioria dos espectadores) não vai acontecer... sendo “substituído” por Frank Zappa! Para lá das intervenções nos debates, deparamos ainda, por exemplo, com a leitura de um poema por Ginsberg, uma performance de Merce Cunningham, com John Cage, um discurso utópico de Laurie Anderson e um solo de sintetizador por Philip Glass. A deficiente logística de tudo isso não impede que se sinta o acontecimento como uma tentativa contracultural, precisamente, empenhada em definir os caminhos de pensamento e acção que estavam (ou estão) por percorrer.
Apostando na pluralidade dos actuais circuitos de difusão, a Nitrato Filmes, distribuidora de Nova ‘78, lança o filme em simultâneo nas salas e na plataforma Filmin.

sábado, agosto 01, 2026

Daniel Lanois em concerto

Produtor, aliás, super-produtor (com Dylan e U2 no curriculum), o canadiano Daniel Lanois é também um criador com identidade muito própria. Lançou recentemente um novo álbum, Belladonna Nocturne (ecoando o seu Belladonna, de 2005), ao mesmo tempo que colocou online este registo de JJ Leaves LA, tema do álbum Shine (2003) interpretado ao vivo. Lanois, na guitarra havaiana, conta com a companhia de Jim Wilson (baixo) e Jermaine Holmes (bateria).

sexta-feira, julho 31, 2026

Rubber Soul regressa em outubro

Era uma questão de tempo: Rubber Soul, sexto álbum de estúdios dos Beatles, datado de 1965, vai ter uma especalíssima edição em outubro, De Luxe & etc. — lá encontramos Norwegian Wood, Michelle, Girl, I'm Looking Through You, In My Life... Para já, fiquemos com Michelle, "Take 1".

quinta-feira, julho 30, 2026

As redes sociais segundo Bruxelas

Matthew Broderick em Jogos de Guerra (1983)

Proteger a saúde física e mental dos europeus? Eis um programa que não pode ignorar as questões básicas de educação — este texto foi pubvlicado no Diário de Notícias (17 julho).

No portal oficial da Comissão Europeia, leio um texto de Bruxelas publicado a semana passada (10 de julho). Com um título motivador: “Comissão considera, a título preliminar, que a concepção geradora de dependência do Instagram e do Facebook viola o Regulamento dos Serviços Digitais”. Em causa está o facto de a Meta (proprietária do Facebook e de várias outras plataformas, incluindo o Instagram e o WhatsApp) não ter acautelado os efeitos “sociais” das suas “redes”.
Escusado será dizer que não se trata de julgar quem usa, ou não usa, tais dispositivos. O texto surge acompanhado por uma eloquente citação de Henna Virkkunen (vice-presidente executiva da Comissão responsável pela Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia). A saber: “A proteção da saúde física e mental dos europeus deve ser uma prioridade para as plataformas de redes sociais. O Regulamento dos Serviços Digitais prevê um quadro claro para responsabilizar as plataformas pela concepção geradora de dependência e pelos efeitos dos seus serviços. Estamos totalmente empenhados em fazer cumprir a nossa legislação na Europa.”
As boas intenções do texto não podem deixar de suscitar algumas memórias paradoxais sobre o entendimento político do “fenómeno” Facebook & afins. Importa não esquecer que a expressão ”redes sociais”, generalizada a partir da mudança de século, resulta de um roubo simbólico que nunca foi devidamente encarado no território, político por excelência, da educação. No sentido mais genuíno, redes sociais foram durante séculos entidades como a família de cada cidadão, o espaço profissional dos que partilham uma determinada forma de trabalho, porventura a instituição religiosa a que alguns possam pertencer. Como e, sobretudo, em nome de quê passámos a usar, automaticamente, sem reflexão, o adjectivo “social” para descrever e, mais do que isso, legitimar como um progresso civilizacional o facto de pertencermos a uma “rede” digital? Que “social” é esse em que podemos ser “amigos”, sem rituais de apresentação nem partilha de ideias, de um faroleiro da Noruega ou um pastor da Mongólia? Como é que semelhante infantilismo existencial foi vendido (e acolhido, Santo Deus!) como o êxtase da transparência humana?
O Facebook foi lançado em 2004. Quer isto dizer que 22 anos depois temos um documento (“a título preliminar”) que nos alerta para gravíssimos problemas que foram contaminando a nossa vida, pública e privada, perante um obsceno vazio de pensamento político. Claro que tem havido figuras políticas e vários governos a dar mostras de preocupações, e a promover medidas, para contrariar o esvaziamento social promovido pelas ditas redes. O certo é que o voluntarismo burocrático — fiscalizar & sancionar —, mais do que tardio, decorre de um total alheamento das questões educacionais que estavam em jogo.
A maioria dos políticos gosta de aparecer em consagrações de artistas, mas dá muito pouca atenção ao modo como alguns desses artistas vão observando, por vezes de modo profético, as convulsões do mundo. No campo do cinema, nem sequer estou a pensar apenas na obra-prima de David Fincher, A Rede Social (2010), escrita por Aaron Sorkin, sobre o nascimento do Facebook, não como um modelo de comunicação, mas uma estratégia de negócio. Penso, em particular, no premonitório Jogos de Guerra, realizado por John Badham em 1983 (um ano antes do nascimento de Mark Zuckerberg). Em contagiante tom de “thriller”, aí se demonstrava que a generalização dos computadores, em particular no quotidiano dos adolescentes, anunciava novos comportamentos, diferentes valores sociais, enfim, também uma nova linguagem. Porquê? Porque, como escreveu Ludwig Wittgenstein há mais de um século, “os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo” — eis uma ideia interessante para partilhar com os amigos.

segunda-feira, julho 27, 2026

Pedro Costa distinguido com o Prémio Robert Bresson

Pedro Costa

Na sua 27º edição, o Prémio Robert Bresson foi atribuído ao cineasta português Pedro Costa. A sua entrega está agendada para o dia 5 de setembro, no Lido de Veneza, durante a 83ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza.
Promovido pela Fondazione Ente dello Spettacolo e pela Rivista del Cinematografo, após consulta ao Dicastério para a Cultura e Educação e ao Dicastério para a Comunicação, trata-se do único prémio de cinema do mundo concedido pela Santa Sé. Criado em 1999, o Prémio Robert Bresson é atribuído anualmente a um cineasta “que tenha testemunhado, com sinceridade e intensidade, a difícil jornada em busca do sentido espiritual das nossas vidas.” É também um dos prémios paralelos oficiais do Festival de Veneza.
O Prémio Robert Bresson foi entregue pela primeira vez, no ano 2000, ao cineasta italiano Giuseppe Tornatore. Na lista dos distinguidos encontramos também, por exemplo, os nomes do alemão Wim Wenders (2002), o português Manoel de Oliveira (2004), o russo Aleksandr Sokurov (2007), o brasileiro Walter Salles (2009) e o iraniano Mohsen Makhmalbaf (2015).
A par de outros festivais de cinema, como Cannes ou Locarno, a obra de Pedro Costa tem encontrado em Veneza, ao longo das décadas, uma montra importante de divulgação. Foi lá que se estrearam os seus filmes O Sangue (Semana da Crítica, 1989) Ossos (competição oficial, 1997), e Onde Jaz o Teu Sorriso? (secção Nuovi Orizzonti, 2001). A sua mais recente longa-metragem, Vitalina Varela, recebeu o Leopardo de Ouro na edição de 2019 do Festival de Locarno — a protagonista, Vitalina Varela, foi também distinguida com o prémio de melhor actriz; o filme recebeu ainda uma menção especial do prémio do Júri Ecuménico.


Robert Bresson (1901-1999) é um dos nomes grandes da história do cinema francês, com uma filmografia que inclui clássicos como Fugiu um Condenado à Morte (1956), O Carteirista (1959) ou Mouchette/Amor e Morte (1967). Tocada por um radical desejo de espiritualidade, a obra de Bresson evolui, ao mesmo tempo, como a procura material da imagem capaz de conter os enigmas da dimensão humana, sempre através de uma montagem apostada em discutir os conceitos tradicionais de espaço e tempo.
Os conceitos e aforismos de Bresson sobre a prática do cinema estão condensados num pequeno livro, Notes sur le Cinématographe, publicado em 1975, cerca de um ano depois do lançamento do seu filme Lancelot du Lac. Inspirada em Tolstoi, a derradeira longa-metragem de Bresson, O Dinheiro, surgiu em 1983.

domingo, julho 26, 2026

Tricky, Different When It's Silent

Fiel ao espírito trip hop (eis um género a que faz sentido atribuir um espírito...), Tricky, o rapper nascido em Bristol, em 1968, prossegue a sua deambulação musical com Different When It's Silent. Marcado por uma envolvente poesia dramática, em que os sons mais agrestes não excluem, antes parecem atrair, uma contemplação austera, este é também um novo capítulo da sua colaboração com a cantora polaca Marta Zlakowska — lembremos o álbum Ununiform (2017). Com um teledisco de enigmáticas sobreposições dos rostos de Tricky e Zlakowska, Out of Place pode servir de símbolo exemplar desta nova aventura seduzida pelo silêncio.