domingo, março 19, 2023

Eu Sou Clarice
— um grande acontecimento teatral

"Como me encontro, espelho, relaciono com o mundo que nos rodeia e qual a possibilidade de ser feliz nisso" — eis uma via de afirmação/interrogação que Rita Calçada Bastos relança a partir da obra de Clarice Lispector (1920-1977) em Eu Sou Clarice, um espectáculo contagiante. Entenda-se: capaz de nos fazer sentir o teatro como duplo e reinvenção, máscara e revelação da vida que vivemos (ou julgamos viver).
Com cenário da própria encenadora, Eu Sou Clarice centra-se numa luminosa composição de Carla Maciel. Mais do que "retratar" a escritora, a actriz celebra-a como personagem, ora transparente, ora indecifrável, de um universo habitado por uma pluralidade de personagens geradas pelo próprio acto de escrever.
Estreado no São Luiz em outubro de 2021, Eu Sou Clarice está agora no Teatro Aberto (até 2 de abril): um acontecimento singular, capaz de desafiar, de forma tão inteligente quanto delicada, as nossas certezas sobre o acto de representar a vida — ou de viver através da representação. 
 

sexta-feira, março 17, 2023

Bono e The Edge na NPR

Eis uma especialíssima edição dos "Tiny Desk Concerts" da NPR: Bono e The Edge interpretam quatro das canções dos U2, do álbum All That You Can't Leave Behind (2020), agora revistas e reinventadas para o recente Songs of Surrender. Com eles está o Coro da Duke Ellington School of the Arts, com este alinhamento:

* Beautiful Day
* In a Little While
* Stuck in a Moment You Can't Get Out Of
* Walk On

domingo, março 12, 2023

Bob Dylan, os livros e as canções
— SOUND + VISION / FNAC [hoje, 17h00]

Bob Dylan volta a ser referência principal do nosso Magazine — a propósito do lançamento do seu livro sobre "a filosofia das canções modernas", propomos uma viagem através da escrita, da música e das imagens do autor de Like a Rolling Stone.

* FNAC Chiado: hoje, dia 12, 17h00.

domingo, fevereiro 26, 2023

Ice Merchants distinguido
nos prémios Annie

Ice Merchants obteve mais um prémio internacional, desta vez nos Annie, atribuídos pela ASIFA-Hollywood, entidade não lucrativa de promoção do cinema de animação. O filme de João Gonzalez foi consagrado como melhor curta-metragem, numa noite em que o principal vencedor foi Pinóquio, de Guillermo del Toro [trailer], com cinco prémios, incluindo melhor longa-metragem e melhor realização.
Recorde-se que Ice Merchants está nomeado para o Oscar de melhor curta de animação — os prémios da Academia de Hollywood serão entregues no dia 12 de março.

sábado, fevereiro 25, 2023

Prémio do Júri da Berlinale
para filme de João Canijo

Mal Viver, de João Canijo, produzido por Pedro Borges (Midas Filmes), foi distinguido na 73ª edição do Festival de Cinema de Berlim com um Urso de Prata/Prémio do Júri.
Presidido por Kristen Stewart, o júri da Berlinale atribuiu o Urso de Ouro a Sur l'Adamant, do francês Nicholas Philibert [trailer].
Mal Viver integra um díptico completado com Viver Mal, título que também esteve presente em Berlim, na secção Encontros — ambos os filmes têm estreia agendada para 11 de maio.
 

A IMAGEM: Jens Koch, 2023

JENS KOCH
Todd Field
Berlinale, 23 fev. 2023

sexta-feira, fevereiro 24, 2023

Imagens e memórias da Ucrânia

Nas ruínas de Mariupol, ou a tragédia interior do tempo

Consagrado como Melhor Documentário do Cinema Europeu de 2022, Mariupolis 2 é um poderoso testemunho sobre a resistência do povo ucraniano à agressão russa. Ou o cinema a registar os sinais de um tempo trágico — este texto foi publicado no Diário de Notícias, com o título 'A tragédia de Mariupol' (23 fevereiro).

Mantas Kvedaravicius
Não é possível compreender um filme apenas através da história da sua gestação, mas há casos em que essa história se revela essencial para conhecer as raízes, e também os valores, do respectivo projecto. Assim acontece com Mariupolis 2, do cineasta lituano Mantas Kvedaravicius (1976-2022): revelado em maio do ano passado no Festival de Cannes, venceu o Prémio de Melhor Documentário do Cinema Europeu, sendo esta semana lançado nas salas portuguesas.
O “2” do título remete para um primeiro Mariupolis, rodado em 2014-15, no qual Kvedaravicius registou o dia a dia da população de Mariupol, na região ucraniana do Donbass, então visada pelos ataques dos separatistas apoiados pela Federação Russa. Mariupolis 2 resultou do regresso do realizador à cidade, agora bombardeada pelas tropas de Vladimir Putin, promovendo a metódica destruição de muitas zonas de habitação.
É um filme póstumo, já que Kvedaravicius — cineasta, antropólogo e professor da Universidade de Vilnius — foi morto por soldados russos no dia 2 de abril de 2022, quando tentava sair de Mariupol. A sua companheira, Hanna Bilobrova, assumiu a herança do seu trabalho, primeiro conseguindo preservar o material das filmagens, depois organizando-o com a colaboração da montadora Dounia Sichov.
O menos que se pode dizer de Mariupolis 2 — a meu ver, desde já, um dos acontecimentos fulcrais deste ano cinematográfico — é que nos compele a repensar a presença (aliás, deveremos dizer a omnipresença) da guerra da Ucrânia no nosso quotidiano audiovisual e, mais concretamente, nas reportagens televisivas. Desde logo, porque aqui não encontramos a figura do “narrador” em frente da câmara — observador supostamente omnisciente, microfone na mão, braço a apontar para o horizonte — que constitui a unidade de linguagem mais utilizada pelas televisões de todo o mundo.
Tal demarcação não significa que o filme (ou este texto) pretenda “culpabilizar” os modelos dominantes do trabalho televisivo — importa não esquecer que as respectivas imagens têm sido também fundamentais para conhecermos a brutalidade da agressão russa contra o povo ucraniano. Acontece que as matrizes dominantes da informação audiovisual tendem a privilegiar a acumulação de fragmentos breves, por vezes descontextualizados, capazes de gerar alguma emoção imediatista ou, pior um pouco, um simbolismo simplista.
Que falta a tais matrizes? A tragédia interior do tempo — o tempo vivido, o tempo de coexistência com os sinais da morte. Aliás, devemos completar a palavra tempo com uma outra que, por assim dizer, lhe serve de espelho existencial. A saber: duração. Que é a duração? É essa intimidade do tempo em que tudo parece tornar-se inapelavelmente realista e insustentável — da observação do detrito de uma bomba que ainda queima as mãos até à descoberta de dois cadáveres “esquecidos” no meio dos detritos, passando pela tentativa de atrair alguns pombos à deriva… Mariupolis 2 testemunha a obscenidade da agressão e, por isso mesmo, a tenacidade da resistência.

quinta-feira, fevereiro 23, 2023

Frozen em versão de palco

Assinalando os 25 anos do álbum Ray of Light (lançado a 22 de fevereiro de 1998), Madonna divulgou o registo de palco de Frozen, proveniente da 'Madame X Tour' — a canção foi o primeiro single do álbum, com teledisco de Chris Cunningham, sem esquecer que 'Ray of Light' é também o nome da fundação humanitária criada por Madonna, ainda em 1998.

A IMAGEM: Ihor Tkachov, 2023

IHOR TKACHOV
Uma igreja atingida na região de Kharkiv, Ucrânia
New York Times, 22-02-2023

quarta-feira, fevereiro 22, 2023

Joe Henry, Opus 16

Nascido em Charlotte, Carolina do Norte, em 1960, o americano Joe Henry não está comprometido com nenhum "efeito" de actualidade. Que é como quem diz: mantém-se fiel ao património folk que o inspira, evitando reduzi-lo a um estereótipo de "world music", celebrando uma deriva poética de discreto e envolvente intimismo. Aí está All the Eye Can See, o seu 16º álbum de estúdio, uma magnífica colecção de canções trabalhadas com contenção e dramatismo — eis Karen Dalton, em luminoso teledisco assinado por Ray Foley.

Spielberg + Libération - cinefilia

Libération [22 fev. 2023]

* A cinefilia não é um reino unanimista, antes um território de muitas e salutares diferenças que, em todo o caso, se reconhecem no respeito básico pela pluralidade da história do cinema. Uma das suas regras clássicas proclama que, em nome dos seus próprios valores, se pode defender o que quer que seja... mas não se pode dizer não importa o quê.

* Na sua edição de 22 de fevereiro, o jornal Libération aborda Os Fabelmans, de Steven Spielberg, celebrando aquilo que chama o "ineditismo" do seu "nível de intimidade". O mínimo que se pode dizer face a esta afirmação é que há algumas realidades que a tornam, no mínimo, discutível. Os seus nomes são: Encontros Imediatos do Terceiro Grau, E.T., o Extraterrestre, Império do Sol, Sempre, A Lista de Schindler, A.I. - Inteligência Artificial...

* Eis um esclarecedor exemplo das diferenças interiores à cinefilia. Resta saber se isso confere qualquer tipo de pertinência ao texto da capa do jornal, em que encontramos esta apresentação do "Homem Cinema" que o Libération agora consagra:

>>> Os Fabelmans, filme autobiográfico poderoso e emocionante que mistura história do cinema e tragédia íntima, impõe o realizador, noutros tempos menosprezado pelos cinéfilos, como último guardião do templo de Hollywood.

* Há uma dúvida que este entusiasmo suscita: a facilidade com que se escreve "noutros tempos menosprezado pelos cinéfilos" mascara mais de meio século de muitas diferenças de leitura da obra de Spielberg — lembremos que Duel/Um Assassino pelas Costas tem data de 1971 —, rasurando as posições dos que, ao longo das décadas, manifestaram admiração pelo seu trabalho, inclusive nos tempos heróicos em que era chic acusá-los de "defender o imperialismo americano".

* E há também uma pergunta triste que emerge: estará o Libération a esquecer-se da sua própria história e, mais concretamente, das avaliações de muitos filmes de Spielberg, no mínimo reticentes, publicadas nas suas páginas?

* Registemos, em qualquer caso, o salutar entusiasmo do Libération: afinal, há mais formas de pensar para lá do anti-americanismo primário que se manifesta (um pouco por todo o lado) face à riqueza e complexidade dessa entidade a que se dá o nome de Hollywood. Ficamos mesmo a saber que Hollywood é (ou tem) um "templo" e, mais do que isso, que o seu "guardião" merece todos os elogios — eis uma visão a partir da qual podemos concordar e repensar as atribulações da cinefilia.

terça-feira, fevereiro 21, 2023

Fotografia: olhar & escrever

Eis um título, no mínimo, inesperado para um livro sobre fotografia: Lágrimas de Crocodilo tem chancela da editora Pierrot le Fou (Porto, 2022) e propõe uma elaborada e interessantíssima antologia de textos sobre 'Fotografia e crítica em Portugal 1980-2000'. Como escreve Susana Lourenço Marques, responsável pela organização do volume, trata-se de "uma selecção de trinta e sete artigos sobre fotografia, publicados na imprensa portuguesa nas décadas de 1980 e 1990, que revelam precisamente a mudança na cena fotográfica nacional e o aparecimento de uma pluralidade de vozes que assumiram esse activo debate."
Através de tal selecção, Susana Lourenço Marques aponta aquilo que foi um "novo movimento da crítica" para o qual importava "validar a sua emergência no espaço público e questionar as estratégias de arquivo, colecção e exposição fotográficas que se desenrolaram um pouco por todo o país."
Encontramos, assim, textos de Susana Lourenço Marques, Margarida Medeiros, Ernesto Sousa, Joaquim Pinto Vieira, António Sena, Pedro Miguel Frade, Jorge Calado, João Pinharanda, Jorge Pires, Alexandre Pomar, Maria Leonor Nunes, Sérgio Andrade, Maria Antónia Fiadeiro, Manuel Miranda, Tereza Siza, António Cerveira Pinto, João Lopes [responsável por este post], Alexandre Melo e Bernardo Pinto de Almeida.

* * * * *
O título não é estranho a um misto de nostalgia e desencanto. Também na apresentação, uma nota de Susana Lourenço Marques esclarece a memória que nele se transporta: "A par do significado da expressão popular, o título do livro faz referência à livraria de poesia e desenho, nunca concretizada, com pretensa atividade editorial, da responsabilidade do poeta Herberto Helder e do historiador de fotografia António Sena, que teria o nome amotinador de Lágrimas de Crocodilo."
Tudo isto transfigura-se e, de alguma maneira, enriquece-se com a consciência da fotografia como facto que atravessa, na qualidade de testemunho & personagem, a história das nossas imagens — ou a nossa história através das imagens. A recordação de um texto emblemático de Ernesto de Sousa, publicado em 1962, tem tanto de sugestivo como de pedagógico, porventura intrigante:

>>> Com o progresso do cinema, do jornalismo e da publicidade, a prova fotográfica isolada tende a deixar de constituir um fim em si própria, e a ser integrada num determinado conjunto: o livro, a reportagem, o cartaz, a fotomontagem, etc. Com frequência, a fotografia é hoje elemento decorativo insubstituível ou impressionante testemunho do nosso tempo.

* * * * *
Através das suas multifacetadas reflexões — plenas de ideias, sugestões e contrastes que ecoam no nosso presente —, Lágrimas de Crocodilo acaba por ilustrar (paradoxal palavra neste contexto...) a peculiar condição de qualquer abordagem crítica. A saber: o cruzamento de uma vontade de compreensão e sistematização com as singularidades da história daquele que olha e escreve.
Num dos textos de Jorge Calado que o volume integra, dedicado a Robert Mapplethorpe (publicado em 1988), encontramos essa duplicidade, ou melhor, a multiplicidade de relações e implicações com que as fotografias nos convocam, desafiando o mundo e a sua representação — o seu ponto de partida é um retrato de Philip Glass e Robert Wilson, marcado pela memória tutelar de Roland Barthes:
ROBERT MAPPLETHORPE
1976
Philip Glass and Robert Wilson

>>> Devo a Robert Mapplethorpe o meu interesse pela fotografia. A aventura começou com o famoso retrato duplo de Philip Glass e Robert Wilson (1976) que Barthes reproduz e discute em La Chambre Claire. Para Barthes, o punctum está algures no homem de teatro — é o bonitão Bob Wilson que ele gostaria de conhecer. Mas o que me fere nesta fotografia é o ar esgrouviado do compositor Philip Glass, com a cabeça rochosa e vagamente equídea, coroada por uma cabeleira em desalinho. A postura arrumada de Wilson faz ressaltar as meias caídas e as botas cambadas que já viram melhores dias de Glass — só falta a gravata a sair do bolso do colete incongruente... Apesar de captadas em trânsito, as mãos de Robert Wilson exsudam calma e equilíbrio; pelo contrário, as de Philip Glass aprisionam-se uma à outra e denunciam um grande poder de gesticulação. Juntos, estão irremediavelmente separados, cada um em sua célula. Até as cadeiras em que se sentam de través se voltam mutuamente as costas. Não fora Robert Wilson o profeta dos silêncios e das desacelerações do tempo teatral, dir-se-ia que este retrato punha uma vez mais em equação a antinomia da música e das palavras.

sábado, fevereiro 18, 2023

Raquel Welch (1940-2023)

[FOTO: Terry O'Neill, 1966]

Figura icónica do cinema das décadas de 1960/70, a actriz americana faleceu no dia 15 de fevereiro, na sua casa de Los Angeles, na sequência de uma breve doença — contava 82 anos.
A abundância de notícias que caracterizaram Raquel Welch através de um velho rótulo — sex symbol — envolve qualquer coisa de desconcertante. Não que o seu trabalho como modelo e actriz — da aventura pré-histórica One Million Years B.C./Quando o Mundo Nasceu (1966), de Don Chaffey, até ao portfolio na revista Playboy (dez. 1979), assinado por Chris von Wangenheim — possa ser desligado de conotações sexuais.
Em qualquer caso, a suposta universalidade do rótulo, além de pressupor que a sua significação actual "duplica" o respectivo uso jornalístico há 50 ou 60 anos, mascara o facto de a própria Raquel Welch sempre ter tentado demarcar-se do seu simplismo descritivo, embora, com desarmante franqueza, reconhecendo a importância decisiva que teve no desenvolvimento da sua carreira — veja-se e escute-se a deliciosa conversa de Raquel Welch com Dick Cavett no Lincoln Center, a 12 de fevereiro de 2012 [video], precedendo uma projecção de Os Três Mosqueteiros (1973), de Richard Lester.
Exemplo revelador de tais dualidades pode ser a foto, em pose crística, feita por Terry O'Neill para a promoção de Quando o Mundo Nasceu. De facto, sabendo dos purificadores de todos os quadrantes ideológicos que pululam na cena cultural, valerá a pena colocar uma pergunta de bolso: como é que os guardiões do "iconicamente correcto" tratariam esta imagem se fosse uma produção do nosso presente?
Isto para dizer que Raquel Welch foi, de uma só vez, veículo e símbolo, revelação e máscara, exposição e suspensão, de uma conjuntura de profunda reconversão do estatuto do feminino (não necessariamente feminista): um processo dinâmico, pontuado por muitos contrastes e contradições, vivido ao longo das déc adas de 1960/70.
Com papéis que oscilaram entre as variantes dessa "imagem" e funções mais ou menos "decorativas", Raquel Welch pontuou, afinal, uma época de Hollywood em que a decomposição, ora trágica, ora irónica, das matrizes clássicas foi vivida (e filmada) em tom de "tudo é possível"... Além dos textos já citados, lembremos a ficção científica Viagem Fantástica (Richard Fleischer, 1966), o western Bandolero! (Andrew V. McLaglen, 1968), o policial Uma Mulher no Cimento (Gordon Douglas, 1968), de novo o western 100 Armas ao Sol (Tom Gries, 1969), a comédia burlesca Myra Breckinridge (Michael Sarne, 1970), a comédia dramática A Noite do Pecado (James Ivory, 1975), ou ainda a estranha, estranhemente ambivalente, e muito esquecida comédia "social" que é Mother, Jugs & Speed/Ambulância para Todo o Serviço (Peter Yates, 1976).
Em 1978, a sua participação no show de Os Marretas [video] poderá servir de símbolo exemplar da sua trajectória artística: uma actriz enredada na sua imagem de marca, ao mesmo tempo, inteligentemente, sabendo desmontar os seus próprios clichés.

>>> Trailer de Ambulância para Todo o Serviço (1976).


>>> The Muppet Show (gravado em 25-27 abril 1978).


>>> Lincoln Centre, 12 fevereiro 2012, com Dick Cavett.


>>> Obituário no jornal Los Angeles Times.