É o tema bónus da edição no iTunes do álbum Foreign Tongues, dos Rolling Stones: Bad Luck Hideaway tem agora direito a lyric video — adivinhem quem faz o dueto.
sound + vision
sábado, outubro 10, 2026
A obra-prima de Tom Cruise
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| Tom Cruise, actor & produtor |
Na dupla condição de actor e produtor, Tom Cruise enfrenta no filme Digger, realizado por Alejandro G. Iñárritu, um dos mais espantosos desafios de toda a sua carreira — nas salas, incluindo alguns ecrãs IMAX (este texto foi publicado no Diário de Notícias, 1 de outubro).
Ao vermos e ouvirmos numa sala IMAX um filme tão singular, e também tão fascinante, como Digger, pensamos nos ecrãs gigantes e no seu eventual poder de contrariar a crise de público(s). A história começou no princípio deste século com a utilização do IMAX para despejar filmes medíocres em 3D. Foi uma desastrosa tentativa de mobilização de espectadores que acabou por dar lugar à agressiva avalanche dos super-heróis, na sua maioria com chancela Marvel. Na prática, o IMAX continuava a ser encarado como trunfo fácil de um marketing sem imaginação. Foi necessário que cineastas como Sam Mendes, Todd Philips ou Christopher Nolan — A Odisseia é, obviamente, um marco neste processo — mostrassem e demonstrassem que o IMAX não é apenas uma imagem “grande”, mas sim um aparato técnico que exige outros conceitos formais e novos riscos artísticos.
Digger impõe-se como um momento emblemático de tal processo, resultando da aliança feliz entre um realizador, Alejandro G. Iñárritu, e um actor, Tom Cruise. Aliás, e sem que isso signifique qualquer menosprezo pela trajectória de Iñárritu (lembremos filmes admiráveis como 21 Gramas ou The Revenant: O Renascido, respectivamente de 2003 e 2015), importa sublinhar o facto de esta ser uma prova de fogo para Cruise. Acumulando as funções de produtor, ele edifica aqui uma verdadeira obra-prima na sua carreira de actor — e não só pela incrível maquilhagem do rosto e do corpo...
Descobrimo-lo como Digger Rockwell, magnate do petróleo que, perante um gravíssimo acidente numa perfuração na Gronelândia, aplica todo o seu poder, desde logo junto do Presidente dos EUA (John Goodman), para reverter o desastre em seu favor, mesmo que as consequências envolvam o alagamento de vastas zonas da Europa... Claro que se trata de uma cristalina parábola política que possui a desarmante simplicidade ideológica de um certo cinema de Série B que floresceu, há mais de meio século, perante conjunturas políticas igualmente angustiantes. Contada em tom assumidamente burlesco, essa "história” é um detalhe importante, mas apenas um detalhe, de um filme que aposta numa empolgante reinvenção da própria experiência cinematográfica.
Tudo passa pelo aparato cenográfico de Digger, devolvendo ao cinema algo de saborosamente primitivo (do cinema mudo de Griffith ou das superproduções italianas, a começar pelo lendário Cabíria, de 1914). Não se trata, entenda-se, de uma mera ostentação dos cenários, antes do seu tratamento como um acontecimento específico da experiência cinematográfica, agora engrandecido, literalmente, pelo ecrã IMAX.
A produção de Digger solicita aos jornalistas alguma contenção na divulgação das peripécias do filme e dos respectivos efeitos de surpresa — com toda a legitimidade, entenda-se. Digamos apenas que o espaço em que vive Digger, com a sua gata Maggie e uma galeria de súbditos obedientes (atenção ao admirável Riz Ahmed, cientista com dificuldade em explicar a Digger a hipótese do fim do mundo...), está longe de ser um mero receptáculo físico.
Ao mesmo tempo verosímil e totalmente anti-naturalista, o cenário e as suas prodigiosas mutações condensam, por fim, a própria história enquanto acontecimento vivido e mostrado num ecrã.
Assim, o que nos é oferecido tem que ver com a possibilidade, de uma só vez sensual e abstracta, de olharmos o ecrã como uma janela (ou várias janelas...) para um mundo alternativo — não reproduz o mundo em que vivemos, mas apresenta-se cúmplice do nosso tempo social, político e anímico.
Em várias entrevistas sobre a concepção de Digger, Cruise e Iñárritu têm insistido no uso do IMAX ligado à recuperação do velho formato VistaVision, parente próximo do CinemaScope, mas tecnicamente diferente. Como Alfred Hitchcock foi, na década de 1950, um dos mestres do VistaVision (lembremos apenas o seu Vertigo), é caso para dizer que estamos perante uma verdadeira revolução técnica e formal que começa numa paradoxal revalorização da tradição.
sexta-feira, outubro 09, 2026
TCM, o cinema que não temos
Tempos houve em que o TCM (Turner Classic Movies) era, em Portugal, uma oferta disponível para os nossos ecrãs caseiros. Algures, pelo caminho, a insensibilidade cinematográfica do marketing dominante achou (vivemos no pais dos "achismos") que não era coisa para os consumidores portugueses... Continuamos, por isso, a conhecer apenas as notícias que nos dão conta da actividade de um canal genuinamente cinéfilo. Atentemos, por isso, na respectiva arte de divulgação e promoção — com Martin Scorsese e Steven Spielberg a darem uma lição de comunicação a muitos profissionais do audiovisual.
A morte das cores na música
— Rick Beato
De que falamos quando falamos da música capaz de nos despertar para algo diferente (para lá do som), diferente do que sabemos ou julgamos saber? Rick Beato dá uma preciosa lição sobre as cores da música, deambulando de O Feiticeiro de Oz até aos Radiohead — pedagógico e... colorido.
quinta-feira, outubro 08, 2026
Elanor Moss, You Are Coming Home Tonight
Plano geral. Grande plano. E um gato a (de)compor a imagem aos 2m 12s. Não é preciso mais para voltarmos a escutar uma canção desse belíssimo álbum que é The Knife, The Needle, de Elanor Moss — You Are Coming Home Tonight tem realização de Matthew Thorne.
terça-feira, outubro 06, 2026
Jakob Dylan, Something Good This Way Comes
A canção Something Good This Way Comes pertence ao primeiro álbum a solo de Jakob Dylan, o excelente e, infelizmente, pouco conhecido Seeing Things (2008). Esta gravação provém do programa Later... with Jools Holland (BBC) — foi há 15 anos.
segunda-feira, outubro 05, 2026
domingo, outubro 04, 2026
sexta-feira, outubro 02, 2026
Patient Zero, o video
Eis uma curiosa coincidência. A saber: em paralelo com a estreia de Digger, de Alejandro G. Iñárritu, surge o teledisco de Patient Zero, de Taylor Swift (também realizadora) — são, de facto, dois trabalhos singulares que, através das suas diferenças, espelham o imenso talento de um director de fotografia: Emmanuel Lubezki (n. 1964). Com Taylor Swift, para encenar a sua farsa de amor e traição, estão Dakota Johnson e Colin Farrell.
Alexandre Desplat compôs a música de O Veredicto Social
O novo filme de Aaron Sorkin, The Social Reckoning (O Veredicto Social, 8 outubro) tem música original do grande Alexandre Desplat. Eis o tema-título, além do mais com uma prodigioa apresentação gráfica.
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