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quinta-feira, setembro 28, 2023

Paul Verlaine lido por Patti Smith

Patti Smith publica esta foto no seu site, intitulando-a "Outono em Berlim". Serve de imagem para um post sobre a continuação das suas viagens, depois da morte de Cairo, a sua gata que viveu quase 22 anos.
Sempre marcada pela herança literária e moral da poesia de Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, Patti Smith partilha connosco uma tradução de um poema de Verlaine, lido por ela própria — aqui fica também o original.

Chanson d'automne

Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

* * * * *

* Paul Verlaine e Arthur Rimbaud [ France Culture ].

sexta-feira, abril 15, 2016

Berlim, depois do muro


"Berlim é pobre, mas sexy"... É com estas palavras que mergulhamos na capital alemã, cidade reinventada duas décadas passadas sobre a queda do muro como destino desejado para jovens e artistas que ali procuram, como diz Mathilde Ramadier, “melhor qualidade de vida, a demanda de uma certa lentidão desprovida do stress urbano, a conquista de um mercado de trabalho mais moderno, mais prometedor, mais criativo”... Assim entramos em Berlin 2.0, uma novela gráfica que nos coloca perante a promessa de sonho que Berlim parece hoje exercer sobre tantos mas que, sob ecos da experiência pessoal da própria autora, revela também o outro lado da visão de um modelo ultraliberal que, como deixa aqui em jeito de alerta, tem outras faces a considerar.

Com formação como artista gráfica, tendo também estudado filosofia e psicologia, a francesa Mathilde Ramadier junta-se aqui ao desenhador espanhol Alberto Madrigal (que vive na capital alemã) para nos dar em Berlim 2.0 o retrato de uma experiência vivencial pessoal mas que, afinal, transporta também em si um retrato do lugar e dos demais que o habitam. Tal como o fez a autora, também a protagonista é uma francesa (de um país ali tão perto como ela mesma o diz) que parte para Berlim em busca de uma vida diferente em tempo de terminar uma tese. Tem uma bolsa que lhe permite uma base de rendimentos, mas precisa de trabalho. E é nesse processo que, depois da descoberta dos amigos, dos parques, da vida de cafés e discotecas, das festas em casa em que os sapatos ficam à entrada (um bom hábito higiénico nos países do Norte, sublinhe-se), tudo muito cool, tudo muito livre, que descobre o reverso da medalha em horários intensos a preços que nem sequer conhecem uma noção de ordenado mínimo. Porque, diz ela, não existe. E é no confronto com as realidades entre start ups muito jovens e modernas, mas mal pagas, e galerias de arte onde por detrás da criatividade das obras expostas moram outras artes, que a protagonista tece um retrato feito de contrastes.

Fica claro que se trata, logo à partida, de um percurso pessoal. Mas quando o espaço de vida da protagonista se cruza com o ambiente que lhe serve de palco, acabamos a sentir que, no fundo é da cidade no presente, que, afinal Berlim 2.0 acaba por falar. Não há por isso aqui muitas memórias antigas, alusões históricas, explicações enraizadas no passado. Tudo ali começou de novo há pouco tempo. Renasceu. É 2.0... O desenho de Madrigal, que é discreto, moderno e tranquilo, tem por isso cautela em não fazer dos cenários um desfile de postalinhos clássicos de Berlim. Bastam os recortes muito característicos dos prédios e um ocasional olhar conjunto (onde a torre junto a Alexanderplatz se destaca), para dizer que ali estamos. Bom, talvez a alusão ao Porn Film Festival, à omnipresença da música eletrónica ou o bairro de Friedrichshain sejam os postalinhos “modernos” da Berlim de hoje. Mas o livro chama-se mesmo Berlim 2.0. Faz sentido que tenha a sua iconografia atual devidamente assim mitificada.

Há um epílogo de duas páginas no qual se explicam algumas das realidades sociais e económicas da vida berlinense no presente e pelo qual a autora parece querer reforçar a relação desta narrativa com a realidade, inscrevendo este livro num espaço que respira também assim uma alma documentarista.

domingo, fevereiro 20, 2011

Berlinale 2011 - As imagens (3)


Mais um conjunto de imagens de Berlim em tempo de mais uma Berlinale (que termina hoje depois de ontem ter conhecido o seu momento mais mediático com a entrega dos prémios da competição oficial).


Começando por um olhar por um dos edifícios de Potsdamer Platz onde vemos o cartaz com a imagem oficial da 61ª edição do festival. Segue-se mais um dos ursos ex-libris do festival, este colocado frente à porta das galerias Arkaden, na mesma zona da cidade (e que serve de coração à Berlinale). E a fechar, uma imagem da Niederkirchener Strasse, com cartazes de alguns dos filmes apresentados no festival, num passeio diariamente percorrido por muitos profissionais da industria do cinema entre as salas de cinema e os hotéis, restaurantes e cafés de Potsdamer Platz e o European Film Market, que durante os dias em que decorre a Berlinale se instala no Martin Gropius Bau.

sábado, fevereiro 19, 2011

Berlinale 2011 - As imagens (2)


Mais uma série de imagens da edição 2011 da Berlinale, que está já na sua recta final este fim de semana. Hoje três olhares sobre o Arkaden, o centro comercial em Potsdamer Platz cuja alameda central serve, durante o festival, de bilheteira. As bilheteiras abrem às nove da manhã. Mas quem ali passar antes vê, todas as manhãs, longas filas feitas de gente que ali passou a noite, não faltando mesmo sacos-cama sobre a passadeira vermelha que encontramos ao centro da enorme galeria.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Berlinale 2011 - As imagens (1)


Decorre até domingo a 61ª Berlinale (que é como quem diz o Festival Internacional de Cinema de Berlim). Com mais público e movimento que na edição do ano passado, mas com menos “nomes”, o festival segue o seu caminho como uma das mais estáveis rotinas da cidade em tempo de Inverno. O festival é na verdade um acontecimento que envolve espaços por toda a cidade, do Colessum em Schonhauser Allee ao velho Zoo Palast em Kurfurstendamm, do belíssimo (e confortável) Cubix, mesmo ao lado de Alexandreplatz ao Filmpalast Friedrichstrasse em Friedrichstrasse, com uma maior concentração de sessões (e de salas) na zona de Potsdamer Platz, o coração da Berlinale. É aí que, além do Berlinale Palast (a gigantesca sala que é o espaço das sessões centrais da competição oficial e das galas de abertura e fecho), moram os multiplexes Cinestar e Cinemaxx, a estes juntando-se também as mais pequenas salas do Arsenal, que servem a Filmhaus (a cinemateca) durante o resto do ano, durante o festival apresentando as projecções da secção Forum.


Iniciamos hoje um breve panorama com imagens da 61ª Berlinale. Primeiro com um dos “ursos” que são ex-libris do festival, este em plena Potsdamer Strasse (junto à Praça Sony). Depois, em sequência, olhares por três das salas de cinema que acolhem a Berlinale: o Cubix, o Cinestar e a entrada do Berlinale Palast (aqui na noite da estreia do novo filme de Miranda July).

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Três olhares por Berlim (5)


Três imagens em volta dos enormes tubos de espelhos que permitem a iluminação natural ao átrio principal da estação ferroviária nos subterrâneos de Potsdamer Platz.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Três olhares por Berlim (4)


Continuamos, esta semana, a correr pelas ruas de Berlim olhando detalhes. Hoje espreitando, uma vez mais (é verdade…) os caminhos em volta dos edifícios de arquitectura contemporânea em Potsdamer Platz.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Três olhares por Berlim (3)


Mais três imagens de Berlim hoje olhando… candeeiros. Sim, candeeiros. Há-os de todas as formas pela cidade, por aqui mostrando-se formas que ora evocam linhas com história a visões do mais recente design.

terça-feira, novembro 30, 2010

Três olhares por Berlim (2)


Mais três olhares pela cidade, desta vez observando exemplos de arquitectura da segunda metade do século XX, o betão aqui como protagonista. As duas primeiras imagens olham a torre de televisão que mora mesmo em frente à câmara municipal e a paredes meias com Alexandreplatz. A terceira observa um pormenor da Haus der Kulturen der Welt.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Três olhares por Berlim (1)


Três olhares sobre Berlim. Olhares em torno do pólo arquitectonicamente deslumbrante que hoje mora em torno de Potdsamer Platz, olhando em concreto alguns dos edifícios de escritórios que ali encontramos. Na terceira imagem, um conjunto de espelhos junto a uma das entradas da estação ferroviária.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Na Berlim de Christopher Isherwood


Foi no número 17 de Nollendorfstrasse que morou o escritor britânico Christopher Isherwood quando viveu em Berlim. A sua passagem está assinalada numa placa junto à porta. As experiências que ali tiveram pólo central inspiraram os seus célebres contos Mr Norris Changes Trains (1935) e Goodbye to Berlin (1939), muitas vezes publicados em conjunto sob o título The Berlin Stories e que inspirariam mais tarde o filme Cabaret, de Bob Fosse. A passagem de Isherwood por Berlim serve também o mais autobiográfico Christopher and His Kind (de 1976).


Christopher Isherwood chegou pela primeira vez a Berlim ainda nos anos 20, na cidade encontrando um sentido de liberdade que lhe permitiria descobrir-se a si mesmo de outra forma que até então não havia conseguido na sua Inglaterra natal. Respirou o ar da República de Weimar, abandonando a cidade em 1933, ano no qual Hitler ascendeu ao poder. As suas histórias e memórias de Berlim cruzam a ficção com uma forte presença do real, servindo-nos retratos de um tempo de mudanças na cidade, as suas gentes e lugares.

Casa de Christopher Isherwood
(não visitável)
Nollendorfstrasse, 17
Metro: Nollendorf Platz (várias linhas de U-bahn)

quinta-feira, novembro 25, 2010

A casa da fotografia


Começou por ser apenas uma casa dedicada à enorme colecção pessoal que o fotógrafo Helmut Newton legou a Berlim. Mas com o tempo, e pelo alargar do âmbito das suas colecções e pela forma como têm sido programadas as várias exposições, transformou-se num museu da fotografia. O Newton-Sammlung mora junto à estação de S-bahn do Zoologischer Gerten. É um edifício imponente, uma das mais célebres séries de Newton dominando a parede frente à escadaria que acolhe quem ali entra. O rés-do-chão apresenta uma colecção de imagens de Newton, a reconstrução de uma sala de trabalho, as suas câmaras e alguns outros objectos pessoais. No piso intermédio estão expostas séries marcantes da sua colecção. No andar superior, as exposições temporárias. Junto à entrada, no piso térreo, a loja do museu apresenta uma boa oferta de livros de arte em geral, com a fotografia naturalmente em destaque.

PS. Fica a foto apenas do exterior. Lá dentro não é permitido tirar fotografias. "Já foram tiradas uma vez", respondeu a senhora na bilheteira. E tinha razão...

Newton-Sammlung
Jebenstrasse, 2
Metro: Zoologischer garten (várias linhas de S-bahn e U-bhan)

quarta-feira, novembro 24, 2010

Berlin, Alexanderplatz


É uma das praças mais centrais de Berlim (e uma das maiores da cidade), tendo representando em tempos o centro da metade Leste nos dias do muro, dela partindo a gigantesca Karl Marx Alee. Surgiu no século XIX orignalmente como um espaço de comércio fora de muralhas, a sua fixação surgindo mais tarde quando ali é levantada uma estação ferroviária. Hoje ainda é um espaço em remodelação. Foi ali que teve lugar a gigantesca manifestação de descontentamento que mobilizou os alemães de leste pouco tempo antes da queda do muro. A história registou entretanto o nome de Alexandreplatz na literatura (num histórico romance de 1929 de Alfred Doblin) e nas suas duas adatpações aos ecrãs, uma delas assinada por Fassbinder.


Há lojas e grandes armazéns à sua volta, um multiplex ali perto. E uma enorme estação de metro, acolhendo linhas de S-bahn e U-bahn (a mais antiga linha ali instalada, a U-2, data de 1901).


Um olhar sobre a passagem que liga Alexanderplatz ao largo contíguo que alberga a torre da televisão e a câmara municipal. Por cima passam as linhas de S-bahn.


Mais três olhares de pormenor em volta de Alexandreplatz… Num final de tarde. Em dia de chuva.

terça-feira, novembro 23, 2010

Memória de uma cidade dividida


Era em tempos uma das artérias comerciais centrais da Berlim Ocidental, mantendo hoje uma impressionante oferta de lojas (incluindo o enorme Ka De We). Não é o pólo de referência das lojas mais caras, como podemos ver ali perto, em Kurfunstendamm, a oferta revelando-se um pouco mais em conta. A Tauentziestrasse apresenta contudo um outro motivo de interesse além do muito comércio: uma estátua que evoca os dias em que a cidade viveu dividida.


Criada por Brigitte e Martin Matschinsky-Denninghoff, a estátua foi simplesmente intitulada ‘Berlin’ e foi ali colocada em 1987, assinalando os 750 anos da cidade.

‘Berlin’
Tauentziestrasse (junto à esquina com a Marburger Strasse)
Metro: Wittenberg Platz (U-1, U-2, U-3)

segunda-feira, novembro 22, 2010

O muro (onde antes havia mais)


O muro foi derrubado há já mais de 20 anos. Há porém pedaços de muro ainda dispersos pela cidade de Berlim, memórias que não deixam assim esquecer os dias em que a cidade viveu dividida. Já por aqui referimos por várias vezes que a zona que hoje respira modernidade em Potsdamer Platz era em tempos cortada pelo muro. E a memória desse muro está ainda viva por aqueles lados. Não numa extensão de muro, como vemos ali perto junto ao Martin Gropius Bau, nem como na East Side Gallery, junto às margens do Spree. Dois pedaços de muro, isolados, como se uma escultura se tratasse, moram hoje nos relvados que encontramos na reconstruída Potsdamer Platz.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Som e imagem


Mora em pleno Sony Center, perto de Postamer Square e é uma loja integralmente dedicada a material electrónico relacionado com som e imagem. A Sony Style Store estende-se por vários andares perto da entrada para o multiplex Cinestar e expõem entre outros, sistemas de som, máquinas fotográficas, câmaras de vídeo, consolas e ecrãs 3D, o design da loja naturalmente sendo pensado para sugerir uma ideia de modernidade.

Sony Style Store
Sony Center
Metro: Potsdamer Platz (várias linhas de S-bahn e U-bahn)

quinta-feira, novembro 18, 2010

Um templo entre museus


É um dos mais imponentes tempos berlineses e mora em plena Ilha dos Museus, muito perto do Altes Museum. O Berliner Dom foi construído entre 1747 e 1750 onde antes se encontrava uma Igreja Dominicana. Foi depois alvo de várias remodelações, o seu aspecto actual devendo muito à que ocorreu entre 1894 e 1905. Muito danificada na II Guerra Mundial foi entretanto reconstruída, não contando contudo mais com a capela dos Hohenzollern, que acabou por ser desmantelada.


Um olhar pela cúpula em cobre do Berliner Dom, vida da ponte que encontramos em Unter den Linden. Coberta por cobre, a cúpula atinge os 98 metros de altura.


Paga-se bilhete para entrar no Berliner Dom. Nesta imagem um aspecto interior da cúpula. O aspecto interior do Berliner Dom deve muito a uma remodelação efectuada em inícios do século XX.

Berliner Dom
Lustgarten
Metro: Hasckescher Markt (várias linhas de S-bahn)

quarta-feira, novembro 17, 2010

De regresso a Potsdamer Platz


Não é a primeira vez que passamos por Potsdamer Platz, o núcleo arquitectónico que, nascido de um vasto terreno deixado vazio há 20 anos, quando o muro caiu, gerou entretanto um dos mais vibrantes centros da Berlim dos nossos dias.


Três olhares hoje por obras de Renzo Piano que podemos encontrar em volta de Potsdamer Platz. Começando pelo edifício que acolhe a sede da Pricewaterhouse Coopers, depois passando por um dos prédios residenciais que encontramos em torno das galerias Arkaden e acabando numa visão sobre a sede da Debis (que é vizinha do Berlinale Palast).

terça-feira, novembro 16, 2010

Memórias da pintura europeia


São vários os museus que encontramos no chamado Kulturforum, espaço perto de Potsdamer Platz onde mora ainda a Philharmonie e uma grande biblioteca. Um dos museus do núcleo que ali encontramos é a Gemäldgalerie, um museu essencialmente dedicado à pintura europeia dos séculos XV a XVIII.


A colecção começou a ser montada em inícios do século XIX e foi, desde então, escolhida por especialistas que procuraram representar ali as principais escolas de pintura europeias. Na imagem de cima, um Bosch. Na de baixo, o célebre Provérbios Holandeses, de Bruegel.


Três outros olhares sobre as colecções expostas na Gemäldgalerie. Em cima um Caravaggio de 1615. No meio um Francesco di Giorgio Martini (de finais do século XV). E a fechar, O Copo de Vinho, de Vermeer.

Gemäldgalerie
Mattaikirschplatz, 4-6
Metro: Potsdamer Platz (várias linhas de U-bahn e S-bahn)