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sexta-feira, julho 13, 2012

Chicago... em Manhattan

Tom Waits passou por alguns programas de televisão, promovendo as canções do seu álbum Bad As Me. No programa de David Letterman apresentou Chicago. Aqui ficam as imagens da atuação que, como em todas as edições do programa, decorreu no Ed Sullivan Theatre, na esquina da Broadway com a Rua 53, poucos quarteirões acima de Times Square, em Manhattan.

domingo, dezembro 04, 2011

A primeira banda sonora original

Mês Clássicos Disney - 4 



Em 1937 Walt Disney fez da banda sonora da sua primeira longa metragem um momento igualmete relevante na história da música para cinema.

Etiqueta do 78 rpm original
Não foi apenas no plano da criação cinematográfica que Walt Disney marcou a agenda de 1937 quando estreou a sua visão de Branca de Neve e os Sete Anões. Ao mesmo tempo que levava o filme a sala lançava uma banda sonora em disco. Era uma pequena caixa (mais concretamente um saco de cartão) juntando três discos de 78 rotações por minuto, nos quais se recuperavam as gravações originais das canções que ouvíamos no filme. Esta foi a primeira vez que um filme americano viu a sua banda sonora original ser editada em disco. Até então as versões em disco com música de filmes correspondiam a regravações das peças usadas no cinema.

As canções, entre as quais a célebre Someday My Prince Will Come (na versão original cantada por Adriana Caselotti, que no filme dá a voz à protagonista) era assinadas Frank Churchill e Leigh Harlaine e a partitura orquestral por Paul Jay Smith, Albert Hay Malotte e Mitt Franklin. Ao todo o filme usa 11 canções (três são reprises de temas cantados noutras sequências da narrativa), duas mais tendo sido compostas e deixadas de fora da versão final (Music In Your Soup e You’re Never Too Old To Be Young, ambas recuperadas para as recentes reedições da banda sonora em formato de CD).

A edição original da banda sonora do filme surgiu no catálogo da RCA Victor (a Disney só teria uma editora em nome próprio a partir de 1956). Era este o alinhamento original dos três discos:

Disco 1 (Victor 25735)
Lado A: With a Smile and a Song
Lado B: Dig-a-Dig Dig + Heigh Ho

Disco 2 (Victor 25736)
Lado A: I'm Wishing + One Song
Lado B: Whistle While You Work

Disco 3 (Victor 25737)
Lado A: Dwarfs' Yodel Song
Lado B: Some Day My Prince Will Come


Com o tempo (e o surgimento de outros formatos) a música de Branca de Neve e os Sete Anões conheceu outras edições em disco. Dos tempos do surgimento do LP aos dias do mp3, são várias as edições para os diversos suportes, pelo caminho havendo ainda lançamentos que juntam a música ao narrar da história em spoken word ou títulos que juntam discos a livros.


Ao longo dos anos várias foram as versões feitas de temas desta banda sonora. Uma das canções mais vezes recriada foi Someday My Prince Will Come, que tanto conheceu expressão no jazz por nomes como Miles Davis (que em 1961 chegou mesmo a editar um álbum com a sua versão como tema-título), Dave Brubeck, Chet Baker, Bill Evans ou Herbie Hancock, e chegou a várias latitudes na música popular por vozes como as de Julie Andrews, Cyndi Lauper ou Sinéad O’Connor. Tom Waits criou uma leitura para Heigh Ho num álbum de tributo lançado em 1988. Já este ano Brian Wilson revisitou Whistle While You Work, no seu álbum de versões Songs In The Key of Disney.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Discos Pe(r)didos:
Vários artistas, Red Hot + Blue


Vários Artistas
“Red Hot + Blue” 
Chrysalis Records 
(1990)

Neste 1 de Dezembro de 2011, em que se assinada mais um dia mundial de luta contra a sida, uma memória de 1990. Com Cole Porter na berlinda, uma mão cheia de músicos criaram versões de clássicos maiores da história da música norte-americana para, juntos, assinarem a primeira compilação pensada de raiz para uma campanha de recolha de fundos para programas de luta contra a sida. Não era a primeira vez que músicos se juntavam com semelhante propósito. Elton John, Dionne Warwick, Gladys Knight e Stevie Wonder tinham gravado em 1985 uma versão de That’s What Friends Are For, de Burt Bacharah, aí nascendo o primeiro single-campanha que recebeu mediatização global e levou palavras de luta contra a doença aos quatro cantos do mundo, recolhendo fundos pelas vendas do disco. Colecção de 20 versões de canções de Cole Porter, Red Hot + Blue não só serviu idênticos objectivos como representou o modelo de uma ideia de álbum-tributo que entretanto gerou uma multidão de descendências. Sem mais em comum senão os objectivos humanitários do disco e o facto de morarem criações de Cole Porter na base de cada canção, Red Hot + Blue reflecte essencialmente a diversidade de caminhos que a lista de convidados expressa por si mesma. Neneh Cherry encontra caminhos para I’ve Got You Under My Skin através da assimilação de elementos da cultura hip hop. David Byrne confirma o seu interesse por músicas de latitudes exteriores aos eixos pop/rock em Don’t Fence Me In. Iggy Pop junta-se a Debbie Harry para criar um hino eléctrico em Well Did You Evah. Annie Lennox atinge patamares máximos de emotividade na abordagem minimalista para voz e piano de Every Time We Say Goodbye. Os Les Negresses Vertes levam heranças parisienses a I Love Paris. Tom Waits veste muito ao seu jeito It’s All Right With Me. KD Lang é directa e pungente em So In Love. Os Erasure levam as electrónicas de travo pop a Too Darn Hot. Os U2 mostram, em Night + Day, primeiros sinais de uma transformação linguística em progresso na sua música (e da qual nasceria Achtung Baby)... Podíamos continuar a descrição passando por nomes como os de Salif Keita, Neville Brothers, Jimmy Sommerville, Aztec Camera, Sinead O’Connor ou Fine Young Canibals que, entre outros mais, completam o alinhamento do álbum. Uns mais certeiros, outros menos consequentes. Mas entre todos uma ideia comum e, no fim, um dos mais sólidos e marcantes dos discos-tributo alguma vez registados. E um primeiro episódio numa história que, depois deste, somou já muitos outros títulos a uma obra ainda hoje dedicada à mesma causa.


Imagens para o teledisco que, na altura, Wim Wenders rodou para a versão de Night and Day, assinada pelos U2 em Red Hot + Blue.

E desde então? 
Red Hot + Blue abriu a série de compilações editadas pela Red & Hot Organization, sempre sob os mesmos objectivos de recolha de fundos para campanhas de luta contra a sida. Depois deste disco foram editados outros títulos como Red Hot + Dance (1992, nas áreas da pop e da música de dança), No Alternative (1993, com nomes da cena indie da época), Red Hot + Cool: Stolen Moments (1995, dedicado a cruzamentos entre o jazz e novas formas de hip hop e suas vizinhanças), Red Hot + Rio (1996, com diálogos com a música do Brasil), Red Hot + Lisbon: Onda Sonora (1998, com a cidade de Lisboa na berlinda), Red Hot + Rhapzody (1998, um tributo a George Gershwin) ou Dark Was The Night (2009, novamente entre a cena indie). O mais recente título da série é um segundo volume dedicado ao Brasil. Editado este ano, Red Hot + Rio 2 junta nomes como Beck, Seu Jorge, Beirut, Caetano Veloso, Of Montreal, Mutantes, Marisa Monte ou Devendra Banhart.

quinta-feira, novembro 10, 2011

Satisfação (a preto e branco)


Tom Waits regressou aos discos, sete anos depois de Real Gone, com Bad As Me. Agora apresenta um teledisco para acompanhar Satisfied, um dos temas do novo disco. A realização é de Jesse Dylan.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Novas edições:
Tom Waits, Bad As Me


Tom Waits 
“Bad As Me” 
Anti 
4 / 5 

Foram sete anos de espera. Não de silêncio, apenas de espera por um verdadeiro sucessor para Real Gone. E foram de facto tudo menos silenciosos estes últimos anos na carreira de Tom Waits que, após esse álbum lançado em 2004, editou uma antologia de raridades, um disco gravado ao vivo e andou pela estrada. Bad As Me, anunciado há algumas semanas através das janelas de comunicação que a tecnologia hoje coloca à disposição de quem tem algo a dizer, é o 17º álbum de originais de Tom Waits, uma vez mais produzido por Kathleen Brennan, palco para algumas colaborações de vulto, o elenco revelando a presença de nomes como Keith Richards (dos Rolling Stones), David Hidalgo (Los Lobos), Marc Ribot ou Flea (Red Hot Chilli Peppers). Bad As Me devolve Tom Waits a terreno “clássico”, pelo alinhamento passando referências aos blues, ao rockabilly, rhythm’n’blues ou folk, entre outros caminhos que, aqui ou ali, moraram já por outros episódios de uma obra hoje conhecedora de uma rara quase unanimidade. Ao mesmo tempo apresenta-o num patamar de grande forma vocal. E continua, em alguns instantes, a descoberta de uma linguagem mais política tão bem experimentada em Real Gone e que agora ora comenta o desgoverno económico que faz as notícias do dia a dia (em Talking At The Same Time) ou a guerra, de um ponto de vista crítico (em Hell Broke Luce). Sem uma lógica de maior arrumação de ideias, como se constara tanto no díptico Blood Money / Alice de 2002 ou em Real Gone, Bad As Me opta antes por caminhar por trilhos onde a cada canção (e todas são relativamente curtas) damos por nós em cenário diferente, tão depressa caminhando entre os blues assombrados de Talking At The Same Time ou pelos ecos de um rockabilly projectado para o século XXI em Get Lost, entre o clima texano do belíssimo Back In The Crowd ou a folk de New Year’s Eve. Nesta altura do campeonato será difícil esperar de Tom Waits um momento de reinvenção de si mesmo como o fez, por exemplo, em Swordfishtrombones. Mas ao dar-nos uma tão nutritiva colecção de canções, de tamanhas vistas largas na abordagem às formas e de tão cuidada cenografia vai bem para lá de mínimos olímpicos, fazendo mesmo de Bad As Me o seu melhor momento desde Alice.