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quarta-feira, agosto 06, 2014

XL Recordings celebra 25 anos com uma caixa


A XL Recordings assinala no fim deste mês a celebração de 25 anos de atividade com a edição de um caixa antológica que surgirá nos formatos de vinil (quádruplo), CD (duplo) e digital. Compilação em duas partes distintas junta na primeira as memórias fundadoras de uma editora inicialmente centrada nos espaços da música de dança e guarda para a segunda as referências de nomes que entretanto alargaram o seu catálogo a outros horizontes (e a mais altos patamares de sucesso comercial). Aqui fica o alinhamento da versão em CD deste disco que sai a 25 de agosto:

Disco 1
1. SL2 - DJs Take Control 
2. The Prodigy - Out Of Space 
3. Awesome 3 - Don’t Go (Kicks Like A Mule Mix)
4. Liquid - Sweet Harmony
5. Jonny L - Piper
6. Roy Davis Jr. featuring Peven Everett - Gabriel (Live Garage Version)
7. Dem 2 - Destiny
8. Nu-Birth - Anytime
9. Basement Jaxx - Jump N’Shout
10. Dizzee Rascal - I Luv U 
11. Wiley - Igloo
12. Various Production - Hater 
13. Giggs - Talkin The Hardest 
14. SBTRKT - Wildfire (featuring Little Dragon)
15. Jamie xx - All Under One Roof Raving

Disco 2
1. The Prodigy - Firestarter
2. Peaches - Fuck The Pain Away 
3. The White Stripes - Seven Nation Army 
4. Devendra Banhart - I Feel Just Like A Child 
5. Ratatat - Seventeen Years 
6. M.I.A. - Paper Planes 
7. Thom Yorke - The Eraser 
8. Gil Scott-Heron - New York Is Killing Me 
9. Radiohead - Weird Fishes / Arpeggi
10. Tyler, The Creator - Yonkers 
11. The Horrors - Sea Within A Sea 
12. Jai Paul - BTSTU (demo) 
13. Bobby Womack - Please Forgive My Heart 
14. The xx - Angels 
15. Sampha - Too Much 
16. Vampire Weekend - Step 
17. King Krule - Easy Easy 
18. Adele - Rolling In The Deep

quarta-feira, julho 23, 2014

Herbie Hancock x 3

Greetings, Mr. H.
Os três prodigiosos álbuns que Herbie Hancock gravou para a Warner voltam a estar disponíveis, agora numa compilação intitulada The Warner Bros. Years (1969-1972).
São eles:
FAT ALBERTA ROTUNDA (1969)
Mwandishi (1971)
Crossings (1972)
Era uma época balizada, por assim dizer, pelas experiências do próprio Hancock, atraídas pelos domínios da electrónica — ouça-se a banda sonora que compôs para o filme Blow Up (1966), de Michelangelo Antonioni [trailer] — e a referência tutelar de Bitches Brew (1970), de Miles Davis. Mwandishi, justamente, inauguraria uma trilogia de álbuns intensamente electrónicos, prolongada por Crossings (1972) e encerrada com Sextant (1973), este já com a etiqueta Columbia.


Vale a pena referir que, em 1974, de novo sistematizando um novo paradigma, Miles lançaria o genial Get Up with It, coligindo gravações de 1970-74, e definitivamente afastando-se dos que o acusavam de infidelidade às raízes mais "sérias" do jazz. Eis um tema desse álbum, Red China Blues, num video criado David Duchow, disponível no YouTube.


Os músicos que vieram a partilhar esta aventura de Hancock — Buster Williams (contrabaixo), Billy Hart (bateria), Eddie Henderson (trompete), Julian Priester (trombone) e Bennie Maupin (saxofone) — ficaram mesmo conhecidos como o sexteto Mwandishi, depois um septeto, com a integração de Patrick Gleeson nos sintetizadores, incluindo a respectiva programação. São momentos singulares e fascinantes da história do jazz, desde já no top das antologias lançadas em 2014.
Eis o sexteto Mwandishi num registo da televisão francesa, de 1972, interpretando Sleeping Giant, tema de abertura de Crossings, aqui numa versão de 12 minutos, cerca de metade da duração da faixa original.


>>> Site oficial de Herbie Hancock.

sexta-feira, julho 18, 2014

Novas edições:
Vários artistas

“Bowie Heard Them Here First”
Ace
4 / 5

Editado em 1973 o álbum Pin Ups representou uma galeria de referências de David Bowie, mostrada através de uma coleção de versões que fez desse disco não apenas um caso aparte no quadro da sua discografia como nele identifica um dos exemplos mais notáveis desse modelo no qual um autor resolve, por uma vez (pondendo repetir a ideia, claro), fazer todo um disco com canções que não são de sua autoria. Mesmo não tendo gravado um outro álbum apenas com versões, na verdade não foram poucas as que, ao longo da sua carreira, Bowie foi apresentando. E nesta antologia propõe-se um percurso pelas muitas canções de outros autores que Bowie foi encontrando ao longo da sua vida e que, aqui e ali, foi gravando em versões novas, editando-as entre lados a e b de singles e disseminando entre o alinhamento de vários dos seus álbuns. Em Bowie Heard Them Here First ora recuamos a Louie - Go Home, canção de 1963 de Paul Revere & The Raiders, que surgiu como lado B de Liza Jane, single de estreia de Bowie em 1964 (editado sob o nome Davie Jones & The King Bees) ou a I Pity The Fool, de Bobby Bland, que em 65 foi mesmo o tema central do segundo single, que Bowie gravou com os Manish Boys, ora caminhamos por experiências mais recentes como Palblo Picasso, dos Modern Lovers (revisitada em Reality, de 2003) ou I Took a Train on a Gemini Spaceship do Legendary Stardust Cowboy ou Cactus dos Pixies, ambas presentes em Heathen, de 2001. As marcas de personalidade com que Bowie sempre encarou a construção de versões ditaram frequentemente opções que afastaram muitas as suas leituras dos caminhos das canções originais, sendo por isso esta antologia uma coleção não apenas de pontos de partida, mas também um momento para refletir sobre a carga autoral que presidiu às transformações. Escute-se o fabuloso Wild is The Wind, de Johnny Mathis, e compare-se com a brilhante versão que em 1976 Bowie levou a Station to Station para definir uma entre as muitas rotas de metamorfose que fizeram de tão variada matéria prima parte do corpo de uma só obra. Jacques Brel, Television, Lotte Lenya, os Roxy Music, Martha & The Vandellas, Eddie Floyd, os Kinks, Walker Brothers ou Velvet Underground são aqui episódios de uma história que qualquer admirador de Bowie deveria conhecer.

sexta-feira, outubro 18, 2013

Novas edições:
The Orb, History Of The Future


The Orb
“History Of The Future”
Commercial Marketing
3 / 5


Uma das mais interessantes “ressacas” da explosão de acontecimentos gerada pela cultura house em finais dos anos 80 foi o surgimento de uma música que, sem perder o viço e as revelações formais recentes levantadas pelos ecos da house, procurou definir um ponto de diálogo com os domínios da música ambiental. Houve até quem então, naquele hábito herdado dos naturalistas, resolvesse arrumar este espaço sob a designação ambiente house. Entre os casos que ali floresceram, e que envolveram nomes como os 808 State, Orbital, The KLF (apenas sobre o seu álbum de estreia), Pete Namlook ou, mais tarde, Aphex Twin ou The Future Sound of London, este espaço colocou em cena os The Orb. Dupla constituída pelo DJ e produtor Alex Patterson e por Jim Cauty (também elemento dos KLF), surgiram em finais dos anos 80, procurando investigar espaços possíveis de afloramento de ideias nascidas da cultura house segundo trilhos comuns a experiências originalmente lançadas por Brian Eno e seus herdeiros naturais. Editado em 1991, o álbum de apresentação The Orb’s Adventures Beyond The Ultraworld tornou-se rapidamente num paradigma de referência, marcando não só o seu tempo (e demais cultores de ideias em comum) mas influenciando igualmente os terrenos ao seu redor. O disco explorava expressões diretamente assimiladas da cultura house (e de linguagens electrónicas do momento), ensaiando diálogos com formas como o dub e técnicas de corte e colagem então na ordem do dia. Além de um marco na história da música que então se escrevia, o álbum gerou um fenómeno considerável de adesão e fez dos The Orb um relativo caso de popularidade (chegando mesmo a gerar digressões de alguma expressão e até mesmo a edição de um álbum ao vivo em 1993), que manteve a discografia que se seguiu sob alguma atenção generalizada. Mais de 20 anos depois, a restante obra dos The Orb é coisa algo datada e talvez pouco capaz de justificar atenções maiores. Mas o álbum de estreia tornou-se referência. E acaba por ser parte significativa desta antologia que recupera grande parte dos singles lançados entre 1989 e 2001, juntando ainda um tema do alinhamento de Cydonia e ainda uma mão cheia de remisturas. Pode ser um bom ponto de partida para a (re)descoberta dos The Orb e do próprio ambiente house. Mas não substitui em nada o álbum de estreia (esse sim, um clássico dos noventas).

sexta-feira, outubro 19, 2012

Novas edições:
Yazoo, The Collection


Yazoo
“The Collection”
Music Club Deluxe
4 / 5

Foi uma aventura breve. Muito breve mesmo, feita apenas de dois álbuns e uma mão-cheia de singles editados entre 1982 e 83. Mas, 30 anos depois, recorda-nos uma das mais vibrantes histórias dessa primeira geração que fez das electrónicas a ferramenta central para reinventar a pop em solo britânico. Os Yazoo eram Vince Clarke (elemento da formação original dos Depeche Mode que entretanto deixara o grupo após a gravação do seu álbum de estreia Speak & Spell, gravado em 1981) e Alison Moyet, então uma voz estreante. Ele trazia a convivência com uma nova geração de teclados electrónicos que então descobriam as formas da música pop. Ela, dona de uma voz possante, revelava uma afinidade com registos da música soul... Estrearam-se com Only You, uma balada electrónica que virou clássico instantâneo em março de 1982, ao qual fazem seguir Don’t Go, uma canção que explora outro relacionamento mais efusivo com a pista de dança. Mas ao editarem o álbum de estria Upstairs At Eric’s (ainda em 1982) mostravam que havia na sua música mais que uma mera vontade em desenhar linhas pop mais claras e polidas, nas entrelinhas passando uma pulsão de maior ousadia formal e com vontade de, ocasionalmente, ousar ir além dos limites mais convencionais da canção pop. Editaram ainda um segundo álbum em 1983 (You and Me Both), onde parecem mais separadas as águas (entre a pop luminosa de Clarke e a melancolia da alma menos festiva de Alison Moyet), mas quando o disco chegou aos escaparates já cada qual seguia o seu caminho. Ele gravando pontualmente um single como Assembly, outro com Paul Quinn, antes de encontrar em Andy Bell a voz com que faria dos Erasure a banda central da sua carreira. Ela estreando-se a solo numa obra que na verdade pouca expressão teve depois da passagem para os noventas... Encontraram-se há poucos anos para uma digressão de reunião, gravaram um disco ao vivo e voltaram a colocar a vida a dois em modo de pausa. Agora, 30 anos depois do ano que os viu nascer, uma antologia em formato de disco duplo evoca momentos dos seus dois álbuns e singles, junta algumas remisturas (umas da época, outras recentes) e assim celebra uma memória que se transformou numa referência da pop feita com electrónicas. O alinhamento não repete a visão integral que a caixa In Your Room nos deu em 2008 (e deixa de fora algumas das experiências menos convencionais da discografia do duo). Mas como retrato panorâmico dá conta do recado.

sexta-feira, outubro 07, 2011

Novas edições:
Sonic Youth, Hits are for Squares


Sonic Youth
“Hits are For Squares”
Geffen / Universal
5 / 5

Não é a primeira vez que os Sonic Youth editam uma antologia. Depois de uma colecção de gravações ao vivo lançada em 1984, apresentaram em 1995 Screaming Fields Of Sonic Love, um olhar restrospectivo da sua obra até aos dias de Daydream Nation (de 1988) abrindo assim perspectivas (afinal estávamos na era pré-Internet) a uma nova geração de admiradores que os havia descoberto nos álbuns lançados na primeira metade dos noventas. Em 2006 levaram a disco, em The Destroyed Room: B-Sides and Rarities, uma selecção de temas que certamente haviam escapado às atenções de muitos (na verdade em nada havendo ali grandes pérolas “esquecidas” para mais que a naturalmente atenta base de admiradores da banda). O disco que agora chega às lojas na verdade não é exactamente uma novidade. Foi originalmente editado em 2008 para a rede de lojas Starbucks (o mesmo circuito que viu nascer o mais recente álbum de Joni Mitchell, por exemplo) e agora, que o grupo vive nova fase da sua carreira editorial longe da editora que representou o tronco central da sua obra entre 1990 e 2006, o disco apresenta-se um pouco como o que poderia ser um a antologia à la Best of. E o que é o “melhor” dos Sonic Youth? O “melhor” e não exactamente os “greatest hits” que, por marcante que seja a obra da banda norte-americana no panorama da música dos últimos 30 anos, “êxitos” não era coisa que morasse na sua agenda de factos (nem mesmo de intenções), o que não impediu mesmo assim que singles como Kool Thing (de 1990), 100% (1992) ou Bull In The Heather (1994) marcassem presença em lugar de destaque em algumas tabelas de vendas (“êxitos”, portanto). Banda com obra inspiradora, investigadores atentos e ousados da música eléctrica, num espaço que tanto abarca as formas da canção como outras que a transcendem, com discos que tanto vincam a sua relação com a música popular como expressam uma curiosidade sobre os espaços das experiências e “vanguardas”, os Sonic Youth vêm neste novo disco não um mas antes uma soma de olhares retrospectivos, vários músicos assinando as escolhas de um alinhamento que acaba por revelar a pluralidade dos caminhos que a sua obra tem percorrido. Em Hits Are For Squares nomes como Gus Van Sant, Beck ou os Flaming Lips escolhem temas como Bull In The Heather, Sugar Kane, Disappear ou Kool Thing... A eles junta-se o inédito Slow Revolution. Em conjunto um retrato vibrante de uma banda que tem o seu nome garantidamente inscrito na história da música popular do nosso tempo. E que, como o mostrou o ainda relativamente recente Rather Ripped (de 2006) ainda é presença a ter em conta no presente.

sexta-feira, setembro 23, 2011

Novas edições:
808 State, Blueprint


808 State 
“Blueprint – The Best of 808 State” 
Salvo
4 / 5 

A recta final dos oitentas e a primeira etapa dos noventas assistiu ao florescimento de uma nova forma de relacionamento de músicos na área das electrónicas (e da chamada música de dança) com o seu público. Uma das principais novidades em cena ganhou forma no modo como o que antes era coisa (quase) anónima para dançar em discoteca (e pouco mais), eventualmente gerando um single de sucesso, se transformou num regime mais próximo do que fazia o quotidiano de bandas pop/rock, as bandas/músicos ganhando um rosto, um nome, o seu público procurando os seus álbuns, as suas carreiras ganhando forma disco após disco, isto sem esquecer a passagem pelos palcos. Juntamente com nomes como os The Orb, Orbital ou Fluke, os 808 State são referência marcante desse tempo. Na verdade são mesmo contemporâneos da génese de toda essa revolução, os seus primeiros passos ensaiando um relacionamento com as formas acid house, com o tempo evoluindo rumo à exploração de uma outra demanda, mais dada às horas de fim de noite, via ambiente house (em Pacific State tendo mesmo talhado um dos paradigmas do movimento), partindo depois rumo a novas aventuras ritmicamente mais insistentes. Blueprint – The Best of 808 State oferece um percurso através de várias etapas na vida deste projecto nascido em Manchester em finais dos oitentas e rapidamente projectado globalmente como um dos casos maiores da música electrónica nos primeiros tempos dos noventas. Dos caminhos fundadores dos espaços ambiente house ao talhar de ideias que ajudaram a definir o trance, muitas vezes trabalhando peças instrumentais como se fossem canções, ocasionalmente chamando vozes (como as de Björk ou James Dean Bradfield, dos Manic Street Preachers), os 808 State foram uma força sobretudo visionaria entre 1989 e 1993. Ou seja, entre os tempos de Pacific State – e do EP Quadrastate – e os olhares sobre as formas da composição electrónica ao serviço da dança (mas com alma de autor) por alturas do lançamento de Gorgeous, álbum de 1993 A nova antologia cruza “clássicos” nas suas versões originais com algumas remisturas, junta instrumentais a canções. Recolhe os episódios-chave e sabe, por vezes, surpreender (como quando, ao recordar as colaborações com Björk apresenta Qmart em vez do single Ooops). Vinte anos depois, alguma desta música carrega inevitavelmente marcas do tempo em que surgiu. Mas, e como sucede quando contamos uma história, recorda episódios de um percurso que foi central na afirmação dessa nova relação com as electrónicas que então ganhava forma.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Novas edições:
Throwing Muses, Anthology


Throwing Muses 
“Anthology” 
4AD Records 
4 / 5 

O que se espera na hora de ter em mãos uma antologia? Que nos conte uma história ou, pelo menos, nos dê um retrato do que se propõe a evocar... Anthology, a comopilação agora lançada pelos Throwing Muses (muitas vezes chamávamos-lhe “as” Throwing Muses, à conta do protagonismo no feminino da banda que nasceu e viveu os primeiros anos com Kristin Hersh e Tanya Donelly como rostos de referência) não deixa de o fazer. Mas em lugar do que seria de esperar – ou seja,a habitual soma ordenada dos momentos que fizeram os momentos mais notados ou significativos da sua obra – o que Anthology nos propõe é antes um olhar por si mesmos, sobre si mesmos, a banda escolhendo não os temas “antologicamente correctos”, mas antes as canções da sua preferência... Note-se que o título deixa claro que estamos perante uma “antologia” e não um “best of”, pelo que a opção faz em tudo sentido... E pelas faixas do CD1 (ou do CD extra que junta 22 lados B, raridades e até mesmo um inédito), sugerem-se episódios de um percurso que hoje evocamos como marcante na história indie norte-americana, a sua obra (juntamente com a dos Pixies, Breeders e alguns mais) tendo assegurado uma importante etapa de transição entre os ecos do punk e uma nova ordem “alternativa” de maior visibilidade que chegaria nos noventas. Foram mesmo a primeira banda americana a assinar pelo catálogo da 4AD (numa altura em que esta era uma das mais atentas e surpreendentes das editoras independentes em acção), a sua aposta abrindo logo caminhos e cativando atenções. Talvez se sinta a falta de singles como um Dizzy ou Counting Backwards (já Bright Yellow Gun marca presença) ou de mais vasta representação dos alinhamentos de Hunkpapa e The Real Ramona (discos marcantes na sua obra, respectivamente editados em 1989 e 1991). Talvez haja mais representações da etapa mais intensa, angulosa e angustiada dos primeiros álbuns e menos traços da descoberta de novas formas de encarar o melodismo pop que o grupo foi assimilando e explorando... Mas não deixa de ser um importante retrato de um nome-chave a (re)descobrir para compreender os caminhos que o rock indie tomou na América de finais dos oitentas e inícios dos noventas.

sexta-feira, setembro 09, 2011

Novas edições:
Vários artistas, 12" / 80s


Vários artistas 
“12” / 80s – Alternative” 
UMC 
3 / 5 

Há um momento na história da vida de séries discográficas em que o que até então fora uma boa ideia se transforma numa repetição de mais do mesmo e, onde antes havia motivos de interesse passa a haver uma mera repetição de ideias, frequentemente com ingredientes menores. Lançada há já alguns anos, esta é uma série centrada numa ideia-chave: a recuperação de versões longas de canções dos oitentas (nas remisturas apresentadas nos máxi-singles originais). Sempre em doses familiares na forma de um triplo CD, o novo volume da série 12”/80s arruma uma série de memórias segundo um critério temático: o som alternativo. E na verdade há muito que contar na história de uma década que muito ganhar neste comprimento de onda, sobretudo depois da verdadeira revolução que chegou com o punk (com a consequente entrada em cena de pequenas editoras independentes, muitas delas verdadeiros faróis de novas ideias no panorama pop/rock de então). Ao longo dos alinhamentos destes discos ora encontramos nomes que fizeram as páginas mais sonantes da história, mas também outros que a memória quase esqueceu. Igualmente interessante é sempre a coexistência de clássicos maiores da época – como o são Blue Monday dos New Order, Nightporter dos Japan, P-Machinery dos Propaganda, Cities In Dust dos Siouxsie & The Banshees, Faron Young dos Prefab Sprout ou April Skies dos Jesus & Mary Chain – a temas que não conheceram semelhante exposição na época – como serão os casos de um Suffer The Children dos Fears For Fears, Memorabillia dos Soft Cell, Every Lover’s Sign dos The Lover Speaks ou Frequency 7 dos Visage. Apesar de propor uma colheita tão variada que nem destaca sabores ou tendências, este volume garante ainda a esta série um episódio recomendável. Resta saber se ainda nos dão mais alinhamentos deste calibre ou se estará para episódios próximos aquele momento de que se falava no início deste texto.

sexta-feira, julho 08, 2011

Novas edições:
New Order, Total


New Order
“Total”
Rhino
2 / 5

Se há coisa que não nos tem faltado são antologias dos New Order... A coisa começou em 1988 com Substance, um primeiro olhar sobre parte de uma obra que, até então, não estava representada no formato de álbum. Foi um primeiro passo... Mas seguiram-se outros mais. Em concreto, The Best Of New Order (1994), (The Rest Of) New Order (1995), International (2002) ou Singles (2005), isto mais a caixa de quatro discos Retro (de 2002)... Ao mesmo tempo, e em paralelo, iam surgindo compilações dedicadas ao legado da banda que precedeu e da qual nasceram os Nwe Order. Ou seja, os Joy Division... Juntaram-se mais tarde reedições e repackages dos álbuns. Tudo isto operações mais que justificadas perante duas bandas que não só ajudaram a definir uma noção de identidade alternativa no panorama pop/rock britânico em clima pós-punk, como (e particularmente no caso dos New Order) ajudaram a definir outros patamares de encontro entre as guitarras e as electrónicas, a dada altura ensaiando mesmo formas próximas da chamada música de dança. A discografia de ambas as bandas é por isso peça fundamental na história da música popular. A discografia original, entenda-se, pelo que o anuncio de mais uma antologia, mesmo trazendo um inédito como extra, não é mais senão um exercício de mais do mesmo. Total soma, num alinhamento só, New Order com Joy Division. Mas no fundo não acrescenta nada realmente significativo ao que já havia em disco. E a verdade é que, quase 25 anos depois, as antologias de ambas as bandas lançadas sob o título Substance são ainda hoje o melhor ‘best of’ que alguma vez editaram.

sexta-feira, julho 01, 2011

Novas edições:
Jean Michel Jarre, Essentials & Rarities


Jean Michel Jarre
“Essentials and Rarities”
Les Disques Dreyfus
3 / 5

O nome de Jean Michel Jarre atravessou já várias etapas de relacionamento com diversos públicos. Pioneiro numa forma pop de encarar as electrónicas nos setentas viu-se, nos anos 80, transformado ora no artista que fez de Music For Supermarkets um disco editado com uma só cópia, ora no protagonista de grandes eventos de som e luz. A partir dos noventas perdeu contudo, e progressivamente, alguma visibilidade... À medida que se ia reinventando enquanto autor, foi espaçando a edição de nova música entre registos ao vivo e uma série de ‘best of’... Ao longo da sua discografia são já várias as antologias que Jean Michel Jarre assinou. Mas desta vez, porém, propõe um “pacote” diferente. Essentials and Rarities é um dois em um. O primeiro dos discos é um simples ‘best of’ evocando sobretudo os tempos históricos de Oxygene, Equinoxe, Magnetic Fields ou Zoolook, juntando depois uma discreta representação de composições posteriores. Rarities, como o título sugere, é um percurso por caminhos menos visitados. Na verdade o segundo CD desta antologia (também disponível separadamente) permite-nos (re)descobrir o Jean Michel Jarre pré-Oxygene, através de uma sucessão de gravações originalmente efectuadas entre 1968 e meados dos anos 70, algumas das mais remotas correspondendo ao período em que trabalhou ao lado de Pierre Schaeffer, um dos mais importantes pioneiros da música electrónica. Do single La Cage (diálogo para percussões e electrónicas) de 1971 à banda sonora de Les Granges Brûlées (1973), de vários fragmentos do álbum Deserted Palace (1972) a Black Bird (lado B de um single que editou em 1972 sob a designação Jammie Jefferson and the Popcorn Orchestra), Rarities soma ainda ao passado duas novas remisturas de Vitalic. Mais interessante enquanto memória da uma pré-história de uma identidade (que só emergiria devidamente estruturada em 1976) que como espaço de deleite musical, Rarities é contudo o elemento que justifica a pertinência de mais esta antologia de Jean Michel Jarre.

sexta-feira, março 04, 2011

Novas edições:
Vários Artistas, Kitsuné Maison 10


Vários Artistas
“Kitsuné Maison 10”

Kitsuné

2 / 5


É já uma instituição, o seu nome valendo para uma nova visibilidade de caminhos entre o electro e algum pop/rock de alma indie como, para o acid jazz valeu a série Tottaly Wired, para o jazz hip hop a Rebirth Of Cool ou, para o dub, as compilações Pay It All Back, da On-U Sound. E tal como sucedeu com essas mesmas séries, também por aqui o viço das edições foi esmorecendo de disco a disco, o presente volume 10 (editado no formato de CD duplo) representando uma das mais magras colheitas de sempre. Como nos anteriores volumes, a proporção de nomes praticamente desconhecidos esmaga os já instituídos, Yelle, Digitalism e os Two Door Cinema Club sendo os cartões de visita com familiaridade garantida (do single La Musique, de Yelle, nascendo mesmo um dos melhores instantes do alinhamento). Há algumas surpresas, como a inesperada leitura, com protagonismo acústico, de Walker (Cascadeur), a paisagem chill out de Get Related (Wild At Heart), a electro pop de Manners (Icona Pop) ou um piscar de olho a recuerdos pop dos oitentas em The Red Kiss (The Ainkiu)... Há mais evidente presença das guitarras, como disso é exemplo South Pacific, dos Is Tropical. Mas, entre um alinhamento de 25 temas, não vai além da pouco mais de meia dúzia o volume de propostas verdadeiramente interessantes, pelos restantes espaços deste Volume 10 morando exemplos de mais do mesmo, repetindo formas e fórmulas, entre o electro e um rock animado a heranças pós-punk, mas na maior parte dos casos em colheita de segunda linha.

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Novas edições:
Vários Artistas, Caloiros da Canção


Vários Artistas
“Caloiros da Canção”
iPlay
4 / 5

Foi em finais de Outubro de 1960 que a história começou. Na verdade há havia sinais de vida rock’n’roll portuguesa em finais de 50, nomeadamente com os Babies, banda nascida por Coimbra. Mas em disco, a história do rock português começa a escrever-se em 1960. Há precisamente 50 anos. Um EP assinalou então a gravação do primeiro episódio rock’n’roll em língua portuguesa. Na sequência de um concurso na rádio, Caloiros da Canção apresentava, num dos lados, duas canções pel’Os Conchas (que haviam vencido na categoria “conjuntos”) e, no outro, a “revelação” de Daniel Bacelar. Os primeiros traziam duas versões (uma de Neil Sedaka, a outra dos Everly Brothers), o segundo, muitas vezes apontado como o Ricky Nelson português, estreava-se com originais. Nos anos seguintes o rock português evoluiu, gradualmente, de olhares directos a modelos escutados lá fora, aos poucos assimilando referências, primeiro encontradas nos Shadows, mais tarde nos Beatles. Caloiros da Canção (recuperando assim o título e a própria capa desse histórico EP de 1960) recorda alguns episódios desta história num duplo CD, juntando no disco 1 o alinhamento do disco lançado há 50 anos e, no segundo, uma selecção de 25 canções de nomes como, entre outros, o Conjunto Mistério, o Zeca do Rock, o Conjunto Académico João Paulo, os Espaciais, os Álamos, o Quarteto 1111 ou os Sheiks, uns num regime de compreensível ingenuidade, outros experimentando já soluções mais pessoais e novas ideias. Com texto de apresentação de Luís Pinheiro de Almeida (que definiu o alinhamento), pequenas biografias das bandas e até memórias dos músicos contadas nas primeiras pessoas, Caloiros da Canção é mais uma importante contribuição para a revisitação de memórias do Portugal musical que há que continuar a devolver ao presente.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Novas edições:
Vários Artistas, Kitsuné X Ponystep


Vários Artistas
“Kitsuné X Ponystep”

Kitsuné
3 / 5

Um retrato, tipo Polaroid, do que dita a moda, com ar fresco e garrido de cena hipster, na Europa in de 2010? Et volià: a compilação Kitsuné X Ponystep pode fazer as honras da casa. Na verdade o disco traduz uma história de bom relacionamento entre um par nascido entre Paris e Londres. Tendo revelado nomes como, por exemplo, Yelle, Digitalism ou Two Door Cinem Club, a etiqueta francesa Kitsuné revelou-se como uma das mais interessantes editoras da década dos zeros num comprimento de onda próximo das esferas indie mas com gosto pelas cores da pop e alma de noite dançante (com o electro frequentemente por perto). Por seu lado, a Ponystep não só se afirmou como um importante espaço de informação sobre moda, a noite e a música, como ganhou notoriedade ao criar festas em nome próprio. O entendimento não deve ter sido difícil. E a compilação, com selecção e mistura a cargo de Jerry Bouthier, traduz uma das visões possíveis do que estev “in” em 2010. Não como um catálogo de linhas, cores e sons, mas servindo, como quando se chega a uma festa, de um conjunto de impressões que, juntas, servem um retrato. Entre o electro e periferias indie vive um alinhamento por onde passam (muitas vezes em remisturas) temas de nomes como os de Roisin Murphy, Lindstrom (espantosa remistura do fabuloso I Feel Space), Bag Riders ou Adamski (há que anos que dele não se ouvia falar!)… Já o booklet serve o discurso do método, com um texto de Tim Blanks que nos coloca no contexto, as fotos mostrando o “rosto” do que é também moda via Kistuné. Não é “a” compilação de dança do ano, mas um interessante conjunto de experiências entre um dos espaços vibrantes da club culture neste arranque dos anos dez.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Novas edições:
Pet Shop Boys, Ultimate


Pet Shop Boys
“Ultimate”
Parlophone / EMI Music
3 / 5

É verdade que estão em tempo de pausa entre álbuns e que a estrada tem sido a “casa” dos Pet Shop Boys ao longo dos últimos meses (pelo caminho o grupo tendo até editado já um álbum/DVD ao vivo). É também verdade que em Yes, o seu mais recente álbum de originais, nos deram o seu melhor disco de novas canções desde o já algo distante Very (de 1992). Nada contra o facto de parar para recuperar energia, ao som de uma antologia… O modelo volta a ser o do ‘best of’ de êxitos. Juntando depois a 18 temas com história um único inédito. Tem por título Together a nova canção que volta a apostar num relacionamento atento dos Pet Shop Boys com as linguagens da música pop, as electrónicas e os métodos da dança do presente, convocando à mesa da produção um ex-Xenomania). Contudo, e apesar da boa surpresa que representa Together, o alinhamento de Ultimate é pouco surpreendente e revela um pálido olhar pela etapa que se seguiu à edição do magnífico Pop Art (o best of de 2003 que representa um dos títulos essenciais da obra do duo). Na verdade, não só não resolve a grande falta do alinhamento de Pop Art (o single Absolutley Fabulous, a sua memória tendo entretanto apenas sido reconduzida no CD de extras de uma reedição de Very), como reduz a história recente do grupo a apenas um single por cada um dos dois álbuns editados depois dessa antologia. Contudo a falta maior de Ultimate não mora num alinhamento que pouco acrescenta à obra do grupo, mas antes na opção pela edição local de apenas a versão ‘magra’ da antologia, ignorando o que verdadeiramente interessava: a edição especial que, ao CD acrescenta um DVD com 27 actuações televisivas e ainda o registo da actuação do grupo na edição deste ano do Festival de Glastonbury.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Novas edições:
A-ha, 25


A-ha
“25”

Rhino / Warner
3 / 5

Em primeiro lugar a capa… Absolutamente desmotivadora, parecendo mais de anúncio modernaço de algo new age ou super-saudável e fresquinho, longe, muito longe, do design mais personalizado (e ainda por cima com um logo forte e bem nascido) com que o grupo se apresentara em meados dos oitentas, ao som de Take On Me… Mas passaram 25 anos e os A-ha estão a anunciar a retirada (já se tinham afastado uma vez, mas foi pausa de pouca dura)… Estão na estrada em digressão, editaram um single de despedida e eis que surge uma antologia para arrumar as memórias num três em um (dois CD e um DVD). E vamos por partes… Nascidos num tempo em que a pop mainstream experimentava a assimilação das heranças ainda próximas de algumas consequências directas das visões propostas no pós-punk e, ao mesmo tempo, a generalização do uso das electrónicas, e reconhecendo as potencialidades do teledisco como importante ferramenta de comunicação, os A-ha viram-se rapidamente transformados em fenómeno planetário ao som de canções como Take on Me ou The Sun Always Shine On TV. E entre meados e finais de 80 foram edificando uma carreira firme nesses caminhos, todavia sempre mais sólida no departamento dos singles, uma vez que, salvo no seu seguro disco de estreia, nunca assinaram um álbum capaz de, algum, dia chegar a figurar entre listas dos que mais marcaram a história da música pop. Nos noventas a sua relevância popular praticamente desapareceu, chegando mesmo o grupo a estar de folga na segunda metade da década. Regressaram em 2000 com um disco melhor que os imediatamente anteriores (Minor Earth Major Sky), mas depois pouco mais de relevante juntaram ao seu cardápio, sendo de destacar apenas o facto de, ao contrário de muitos outros da sua geração, não terem vivido apenas do apelo nostálgico das suas canções ao serviço dos admiradores cativados nos oitentas. Cinco anos depois de uma outra antologia, 25 traduz esta história. Com algumas belas canções no CD1 (como Take On Me, The Sun Always Shines On TV, Hunting High and Low, Manhattan Skyline ou Stay On These Roads), peças a raiar o inconsequente na esmagadora maioria da oferta do CD2. E uma bela mão cheia de telediscos no DVD (onde faltam alguns “clássicos”).

quinta-feira, outubro 28, 2010

Novas edições:
David Sylvian, Sleepwalkers


David Sylvian
“Sleepwalkers”
Samadhi Sound
5 / 5

Desde cedo David Sylvian mostrou que reconhece nos trabalhos em colaboração com outros músicos um espaço importante para o alargar de horizontes da sua música. Ainda os Japan estavam juntos e já tinha editado Bamboo Houses/Bamboo Music, um single a solo em colaboração com Ryuichi Sakamoto. Nos anos que se seguiram à separação dos Japan vimo-lo em encontros com nomes como Holger Czukay, Virginia Astley, Robert Fripp, John Hassell ou até mesmo o ex-Japan Mick Karn… Bons hábitos são para manter, e nos noventas e na dácada dos zeros David Sylvian foi somando novas experiências de colaboração. De resto,nos noventas, ouvimo-lo mais em parcerias que em gravações a solo… Sleepwakers é o retrato mais recente desta história feita de experiências com outros músicos. Em concreto, é uma antologia que junta, num alinhamento comum, uma série de composições que, ao longo da década dos zeros, David Sylvian assinou com parceiros musicais, seja em discos seus (onde foi ele quem fez os convites), seja em títulos onde surgiu, por sua vez, como convidado. Apesar de contemporâneos de álbuns como os mais recentes Blemish (2003) e Manafon (2009), os temas aqui reunidos juntam a esses outros caminhos, revelando em alguns casos uma relação mais próxima com a estrutura mais “clássica” da canção (como se sente em World Citizen, na companhia de Sakamoto, em Wonderful World, com Stina Nordenstam, ou em Ballad Of A Dead Man, em conjunto com Joan Wasser e Steve Jansen). Estão aqui representações da banda que entretanto Sylvian criou com Steve Jansen e Burnt Friedman (os Nine Horses), um dos dois singles que gravou com o projecto Tweaker (de Chris Vreena, dos Nine Inch Nails) e belíssimos resultados de encontros com nomes como Martin Brandlmayr, no tema que dá título à compilação, ou Christian Fennez, no belíssimo Transit (um dos melhores momentos do alinhamento)… E, a fechar, um espantoso instrumental a solo, na verdade um outtake das sessões de Blemish. Uns temas levantam ideias, outros sublinham experiências anteriores. Mas por todos correm fortes marcas de personalidade que, mesmo perante outros, David Sylvian acaba inevitavelmnente por registar na música que faz. Magnífico!

PS. Da multidão de colaborações que assinou na década dos zeros muito ficou ainda de fora. Zero Landmine (com Sakamoto e outros mais), Linoleum (com o projecto Tweaker), Before and Afterlife com Arve Henriksen, The Librarian, com Burnt Friedman e Jaki Liebezeit ou a remistura de Late Night Shopping, por Fennez, são apenas agumas das pérolas que justificariam um volume 2… Será que a ideia pega?

sexta-feira, setembro 17, 2010

Novas edições:
Visage, The Face - The Best of Visage


Visage
“The Face – The Best of Visage”

Polydor
3 / 5

Em finais dos setentas a noite londrina conhecia nas chamadas ‘Bowie Nights’ um dos mais agitados focos de invenção de um futuro que se projectava festivo e garrido, olhando de perto os oitentas que estavam quase a bater à porta. O Blitz, clube no centro da cidade, acolheu durante algum tempo essas noites que aliavam uma selecção musical que cruzava Bowie (claro está) com Kraftwerk, Japan ou Cabaret Voltaire a um sentido visual ditado por visuais elaborados, imaginativos e, no mínimo, invulgares. Nos gira-discos, como DJ, encontrávamos Rusty Egan. À porta, seleccionando quem entrava e quem ficava de fora, Steve Strange. Juntos acabariam pouco depois por ser o núcleo do qual nasceu a banda que seria o paradigma do movimento neo-romântico que nasceu dessas mesmas ‘Bowie Nights’ (e que for berço de nomes como os Duran Duran, Spandau Ballet ou Classix Nouveaux). Apresentaram-se como Visage, juntando músicos dos Magazine e dos Ultravox (entre estes Midge Ure, que então tomava o lugar de John Foxx no grupo). Depois de um discreto single em 1979 deram nas vistas ao fazer de Fade To Grey um dos hinos da nova pop “futurista” de inícios de 80, editando entre 80 e 82 dois álbuns onde retrataram a essência do movimento através de canções pop animadas com temperos de apelo à dança. Após uma cisão (que levou à saída, entre outros, de Midge Ure), um terceiro álbum, em 1984, revelava um grupo já sem rumo evidente. A cada vaga de nostalgia dos oitentas, uma nova antologia dos Visage recorda esta história. The Face aposta na memória mais dançável do grupo, juntando ao alinhamento algumas versões dos máxi-singles da época, mais duas novas remisturas do inevitável Fade To Grey. No fundo não acrescenta nada de absolutamente novo ao que edições anteriores propuseram, ficando ainda por editar uma antologia definitiva que junte os singles, lados B e máxis sob uma capa comum.

sexta-feira, setembro 10, 2010

Novas edições:
Art Of Noise, Influence


Art Of Noise
“Influence”
ZTT / Salvo
4 / 5

Uma das mais visionárias experiências que a pop conheceu nos anos 80, os Art of Noise nasceram de uma série de experiências de estúdio envolvendo profissionais da equipa de produção de Tevor Horn que então trabalhavam num álbum dos Yes… Uma ideia musical feita de colagens chamou a atenção do ex-Buggles, que ao engenheiro de som Gary Langan e ao programador J.J. Jeczalik, juntou os arranjos de Anne Dudley e as visões do jornalista Paul Morley. A ZTT Records (que pouco depois revelaria nomes como os dos Frankie Goes To Hollywood, Propaganda ou Anne Pigalle) conhecia então neste colectivo um pequeno laboratório através dos quais se talhou um paradigma que serviu de primeira expressão da ideia que a editora queria lançar no panorama pop do seu tempo. Nasciam os Art Of Noise que, com o seu álbum de estreia Who’s Afraid Of The Art Of Noise (1984) colocavam em cena um dos mais inventivos discos da década, alargando os horizontes da pop a novos patamares de experimentação, algumas das suas técnicas e sugestões acabando entretanto assimiladas pelo universo ao seu redor. Um conflito interno afastou-os de Horn, de Morley e da própria ZTT Records, seguindo caminho numa outra editora na qual, ao longo da segunda metade da década somaram mais uma mão cheia de importantes episódios de visão pop, aliando novamente um sentido de ousadia formal a uma alma de clara identidade pop em álbuns como In Visible Silence (1986) e In No Sense? Nonsense! (1987) e singles como Peter Gunn ou uma bem sucedida versão de Kiss (de Prince) com a voz de Tom Jones. Separados depois do inconsequente Below The Waste (1989), passaram a década de 90 a ver a sucessiva edição de antologias. Até que, reunidos (novamente com Horn e Morley a bordo) gravaram em 1999 o álbum The Seduction of Claude Debussy… Influence não é, está visto, a primeira antologia dos Art Of Noise. De resto, ainda há quatro anos a caixa And What Have You Done With My Body, God? Procurava um olhar profundo sobre a etapa inicial de vida do grupo, revelando uma série de inéditos que ajudam a relatar a história de uma aventura que, como poucas, soube de facto reinventar a pop. Na verdade, nos campos da pop electrónica, poucos além dos Kraftwerk ou Yello souberam, como os Art Of Noise, aliar uma evidente agenda experimental a uma identidade pop com projecção mainstream. Então que traz de novo Influence? Arruma num primeiro CD uma história completa dos singles editados (e mais alguns extras) para um olhar retrospectivo. No segundo, acrescenta raridades (e mesmo inéditos) que completam o retrato. E junta um extenso booklet com informação histórica útil e imagens que ajudam a relatar esta narrativa. Para os admiradores, na verdade, não acrescenta muito ao que podem já conhecer. Para os que agora os descobrem é, mais que os best of de finais de 80 e inícios de 90, o cartão de visita ideal para descobrir um nome-chave na história da pop pensada com electrónicas.

terça-feira, agosto 24, 2010

É verão, yé yé...


É a grande edição de Verão por estes lados. Uma viagem a outros Verões, nos dias do yé yé por estas bandas. Em dois CD recordam-se clássicos que fizeram a banda sonora de verões no Portugal dos sessentas e setentas. Com selecção de Luís Pinheiro de Almeida, por aqui passam canções como Milena do Conjunto Académico João Paulo, Verão de Carlos Mendes, O Vento Mudou de Eduardo Nascimento, Dona Vitória do Quarteto 1111, Oh! de Mafalda Sofia, Lonely Lost and Sad dos Sheiks ou É Verão do Duo Ouro Negro. Não faltam versões como a Marionette por Simone de Oliveira (nada mais senão o Puppet On A String de Sandie Shaw), S. Francisco de Marco Paulo (a recriar o célebre hino de Scott McKenzie) ou Sem Ti Não Sei Viver, do Conjunto Mistério (na verdade o I’ll Get You dos Beatles). Nem faltam, naturalmente, os incontornáveis Óculos de Sol, de Natércia Barreto. Ou não se chamasse a compilação Óculos de Sol - Os Sucessos de verão de 60 e 70.