Mostrar mensagens com a etiqueta Visage. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Visage. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Steve Strange (1959-2015)


Mais que apenas a voz (e alma) dos Visage, Steve Strange foi um dos grandes arquitetos do movimento new romantic. Simon Le Bon (dos Duran Duran) disse mesmo ontem no Twitter, ao assinalar a morte do velho amigo, que Steve tinha sido mesmo a força mais inventiva do movimento. Morreu ontem aos 55 anos, num hospital no Egito.

Vestido a rigor para dar corpo a um ideal que dele fez um ícone do seu tempo Steve Strange ficou para muitos na história como a voz de Fade to Grey, o único single dos Visage que atingiu um patamar de grande notoriedade global (mas não o único momento da sua discografia merecedor de atenção). Mas mais que vocalista dos Visage (nas suas várias vidas e formações) e, depois, dos Strange Cruise, Steve Strange foi o rosto maior de um movimento musical que, mesmo longe dos apetites de muitos dos críticos de então, acabou por marcar a cultura pop (musical e visual) da alvorada dos anos 80.

Podem ler o resto do texto no obituário que assino na Máquina de Escrever.


E aqui podemos recordar o teledisco que em 1981 acompanhou o lançamento de Visage, single extraído do álbum com o mesmo nome.

sexta-feira, março 14, 2014

Reedição:
Strange Cruise, Strange Cruise

Strange Cruise
“Strange Cruise”
Cherry Red
1 / 5 

Em 1984 Steve Strange tentou fazer dos Visage uma banda diferente. Sem a colaboração de Midge Ure que, depois de importantes contribuições em Visage (1980) e The Anvil (1982), tinha concentrado as atenções nos Ultravox, o álbum Beat Boy reduzia substancialmente a presença das eletrónicas e das linguagens escutadas na new wave, o alinhamento do disco valorizando uma presença algo incaracterísticas da guitarra e até mesmo do saxofone. Sob resultados de dieta o disco acabou por conduzir a um ponto final para essa encarnação dos Visage (que entretanto se reuniram recentemente com novos músicos). Steve Strange juntou então alguns dos seus colaboradores nos Visage, juntou outros (entre os quais a cantora Wendy Wu) e formou o projeto Strange Cruise que, contudo, teria vida breve e, convenhamos, inconsequente. Antecedido pelo single Rebel Blue Rocker, que reafirmava os desejos de criar uma “live band” e vincava o desvio para uma sonoridade mais rock que o disco de 84 dos Visage já antecipava, Strange Cruise é mesmo o momento menos entusiasmante da obra discográfica de uma figura que teve um papel marcante no movimento new romantic na Londres de finais dos setentas e inícios dos oitentas (e com o magnífico Fade To Grey como coroa de glória) mas que, desde então, pouco acrescentou à história da cultura pop. Apesar de pontuais instantes com interesse (sobretudo na relação dos metais com a secção rítmica em Love Addiction ou a alma pop de Animal Call), o alinhamento é coisa para constrangedora dieta de ideias. E se o single de estreia não lançava grandes ideias o segundo, uma versão de The Beat Goes On, vincou a má equação de ingredientes e opções que fez do álbum um tiro ao lado. 28 anos depois o disco tem a sua primeira edição no suporte de CD, juntando ao alinhamento uma remistura de Rebel Blue Rocker (editada no máxi então lançado) e Silver Screen Queen que surgiu no lado B do segundo single. Só para os mais fiéis admiradores de Steve Strange. E mesmo assim...

quarta-feira, maio 29, 2013

Novas edições:
Visage, Hearts and Knives

Visage
“Hearts and Knives”
Blitz Club
2 / 5

Ai os regressos, os regressos... Na verdade a ideia de um eventual regresso dos Visage é menos surpreendente que o que parece, apesar de não terem corrido da melhor forma as tentativas de criação de uma nova banda que Steve Strange protagonizou nos últimos anos (os Visage Mark II de há dez anos eram mesmo candidatos a uma das piores “ressurreições” da história)... Convém antes fazer um flashback... Criados em finais dos anos 70, em volta de um núcleo definido por Steve Strange e Rusty Egan (respetivamente o porteiro e o DJ das noites mais ‘in’ do momento no Blitz londrino, o “berço” da cultura new romantic), os Visage cedo se afirmaram como paradigma de uma nova ideia de celebrar a cultura pop através de uma redescoberta do sentido de apelo visual do glam rock e cruzando musicalmente ecos da etapa berlinense de Bowie com a emergente geração de ideias em volta das novas electrónicas e da sua expressão na pista de dança. Com elementos dos Ultravox e Magazine a completar o alinhamento de uma banda que na verdade tinha como rosto a figura de Steve Strange (apesar de serem determinantes na sua obra as contribuições de Midge Ure, Billy Currie e Rusty Egan), definiram com Fade To Grey o hino maior do movimento e editaram entre 1980 e 82 os álbuns Visage e The Anvil, que mostraram que havia ali mais que uma mera expressão de hedonismo para noites dançantes, revelando os respetivos alinhamentos belas canções pop e até espaço para alguma experimentação de ideias, nomeadamente na definição de texturas ambientais com electrónicas e no ensaios sobre percussão (mais evidentes no disco de 82)... A saída de Mide Ure após The Anvil fez-se sentir bem evidente no inconsequente Beat Boy (1984), o grupo anunciando um ponto final pouco depois. Steve Strange formou então os Strange Cruise, com os quais gravou um ainda mais desinteressante álbum temperado a mau rock’n’roll em 1986, seguindo-se uma travessia de longa etapa difícil, com pontuais (mas raros) episódios musicais, da qual só emergiria depois da viragem do milénio (muito graças ao refocar de interesses na memória dos seus primeiros discos, provavelmente via impacte do fenómeno electroclash e dos Fisherspooner, de longe os mais claros herdeiros dos Visage). Anunciada há alguns meses, a nova formação dos Visage junta a Steve Strange um outro antigo elemento do grupo (Steve Barnacle), um antigo colaborador dos Ultravox e Magazine (Simon Robin) e a cantora Lauren Duvall. Hearts and Knives, que assim surge como o quarto álbum de originais, 29 anos depois de Beat Boy, chama ainda colaborações de velhos parceiros de trabalho como Dave Formula, Midge Ure e Rusty Egan, sendo que é deste conjunto de nomes que surge o maior dos feitos do disco: a recuperação (fiel) da sonoridade “clássica” que definira os dois primeiros álbuns dos Visage (de resto é fácil ouvir os novos temas e identificar com que faixas da sua obra se relacionam diretamente). Mas depois eram precisas novas canções. Mas apesar do esforço relativamente bem sucedido de construção de um single de travo clássico que se materializa em Shameless Fashion (com pura genética Visage vintage), de uma curiosa aliança entre marcas primordiais (leia-se Kraftwerk e disco sound) em Dreamer I Know e de um ensaio de novas ideias que se tenta em On We Go, o álbum mais vezes parece procurar canções que se ajustem à sonoridade e não o oposto, a escrita acabando assim subjugada a uma mais evidente presença dos ingredientes... Aconteceu o mesmo na recente reunião dos Ultravox que, tal como este disco dos Visage, parece procurar a ilusão de uma viagem no tempo três décadas depois... Ou seja, o contrário do que encontramos em All You Need Is Now, dos Duran Duran, onde se recuperavam marcas da sonoridade do histórico Rio (de 1982) para fazer um disco claramente consciente do presente em que vivia e do tempo que havia passado. Hearts and Knives é assim um disco que tenta ser hoje o que em tempos foi. Traduz com solidez instrumental uma noção de identidade. Mas faltam-lhe as canções. E basta reencontrar os dois primeiros álbuns do grupo para compreender do que aqui se fala.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Discos pe(r)didos:
Visage, The Anvil


Visage 
“The Anvil” 
Polydor 
(1982) 

Muitas vezes reduzidos à memória de Fade to Grey e ao papel de Steve Strange na afirmação de um espaço de revolução no panorama da noite londrina de finais dos anos 70 e início dos 80, os Visage foram contudo um espaço de confluência de talentos e voz maior de um movimento que então deu a conhecer nomes como os Duran Duran, Spandau Ballet ou Classix Nouveaux. O grupo teve como pilares estruturais Steve Strange (de facto, um dos rostos centrais do movimento new romantic, um dos figurantes no teledisco de Ashes to Ashes de Bowie e célebre “porteiro” do clube Blitz, diz-se que tendo mesmo chegado a negar a entrada a Mick Jagger, porque não ia bem vestido) e Rusty Egan, este o DJ que servia a banda sonora das míticas Bowie Nights que acabariam por definir importantes rumos para a pop na alvorada dos oitentas. Mas com eles estavam ainda elementos dos Magazine (entre eles Barry Adamson) e dos Ultravox, tendo os Visage sido mesmo o espaço que aproximou Midge Ure do grupo que pouco depois viria a servir como vocalista após a saída de John Foxx. Depois do quase invisível Tar (single editado em 1978) editaram em 1980 Visage, um álbum de estreia que podemos entender como o paradigma do movimento new romantic, aliando uma pop animada pela alma new wave, maquilhada depois com elaborado trabalho de cenografia (onde os sintetizadores marcavam importante presença). Dois anos depois um segundo álbum entrava em cena e, apesar do ainda mais afinado trabalho visual (bem visível na capa e fotos promocionais da época), era contudo um disco com um plano musical igualmente focado, optando desta vez por explorar uma relação mais profunda com as electrónicas (podemos mesmo vê-lo como uma expressão pioneira de sugestões electro em clima pop) e com o trabalho de percussões e metais, criando um híbrido novamente apontado a cenários noturnos. The Anvil é na verdade mais desafiante que a galeria de quadros requintados do álbum de estreia, o tom tribal de Wild Life, o fulgor quase teatral de Night Train, a vibração metronómica de Move Up e as pérolas mais elegantes servidas ao som de Damned Don’t Cry e Whispers fazem do alinhamento de The Anvil um disco não menos interessante que o álbum de 1980, tradicionalmente aquele que se evoca quando se lembra os Visage. O grupo editaria ainda em 1984 Beat Boy, um terceiro álbum de originais já revelador da ausência de Midge Ure e outros talentos maiores na equipa criativa, dando sinais de um fim eminente, que de facto não tardou.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Xavier... anyways

Somos um pouco aquilo que vemos, ouvimos e lemos. E o que fazemos traduz por isso aqueles que admiramos, mas também a forma como os integramos em nós, o que deles assimilamos e o modo como os reinventamos. De geração espontânea, convenhamos, o mundo tem pouco, muito pouco... Xavier Dolan é por isso, e naturalmente, espelho dos modelos e das referencias que o entusiasmam. Nada de mal nisso, antes pelo contrário... Depois de um surpreendente J’ai Tué Ma Mère (2009) sobretudo autobiográfico e de uns falhados Amantes Imaginários (2010) talvez demasiado próximos da soma Godard + Kar Wai + Almodóvar que então juntava, o novo Laurence Anyways, que ontem teve antestreia nacional ao passar na secção competitiva do LEFF, representa não o seu grito do Ipiranga face às suas referências (porque não mostra vontade em romper com aqueles que o inspiram), mas o momento em que o mesmo “eu” que dominava as personagens e clima do filme de estreia aprende a dominar as citações e figuras que quer levar ao seu cinema.

Com dimensões de alguma ambição épica (são 169 minutos de filme) Laurence Anyways em nada rompe com o que Dolan já nos mostrou. Barroco nas formas, ocasionalmente histriónico nos diálogos e com alma de grande teledisco, o filme acompanha retalhos da vida de um professor que vive um dia a dia arrumado. Trabalho, uma relação estável... Mas que desde sempre sentiu que nascera com o corpo errado. O processo de transição, a forma como a mulher com que vive, a família e colegas reagem evoluem entre saltos no tempo, porém sob uma condução narrativa que partilha um permanente diálogo com uma demanda de sons e imagens que faz afinal do filme um corpo que se afirma essencialmente como uma experiência estética (o que não significa, note-se, um abafar do tema, antes juntando esse texto ao contexto, um diluindo-se no outro).

Se a personalidade compósita que é expressão natural de uma linguagem em formação na era da informação – onde tantos dados circulam e podem ser assimilados – tem aqui a sua mais evidente expressão de um “eu” ainda em construção, as citações continuam a morar sem receio no cinema de Xavier Dolan. Das folhas que caem do céu como no Written In the Wind de Douglas Sirk ao desfile de rostos e poses como na versão do teledisco de Fade To Grey dos Visage que está disponível no DVD antológico da banda, Laurence Anyways herda elementos de uma genética que, afinal, é o DNA que constrói este olhar. Junta-se ainda a música de uns Fever Ray, Depeche Mode, Tindersticks, Kim Carnes, Beethoven ou Duran Duran (dando maior visibilidade que nunca ao brilhante The Chauffeur, a canção do álbum Rio que nunca foi single – e devia ter sido), somam-se olhares que por vezes abandonam a medula da narrativa para observar gentes e lugares ao seu redor e uma espantosa composição do protagonista por Melvil Poupaud, e encontramos em Laurence Anyways uma das melhores supresas deste ano. É que, depois do passo em falso de Amores Imaginários, a ambição evidente deste projeto poderia ter acabado num verdadeiro tropeção. Pelo contrário, e mais que nunca, mostra porque em Xavier Dolan podemos encontrar uma das vozes mais interessantes da sua geração.


Três imagens para “escutar” sons que integram a espantosa banda sonora de Laurence Anyways. Memórias pop que passam pelos Visage, Duran Duran e Depeche Mode.


Lisbon & Estoril Film Festival (dia 3)

Hoje o LEFF apresenta , pelas 19.00, no Cinema Monumental, Holy Motors, o muito esperado novo filme de Leos Carax. Ali perto, no Nimas, pelas 20.00, inicia-se o ciclo dedicado ao cinema de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, hoje com duas sessões entre as quais passam Parabéns, Esta é A Minha Casa, O Pastor, O Fantasma e China China. Pelas 22.00, no Monumental, Winter Go Away, de vários realizadores, é um retrato de espaços de oposição a Putin na Rússia dos nossos dias.
 

sábado, março 31, 2012

Visage, 1982

Editado em março de 1982, The Anvil foi o segundo álbum dos Visage, o grupo liderado por Steve Strange, figura central da noite londrina em finais dos anos 70 e um dos rostos do movimento neo romântico (que então revelou nomes como os Duran Duran, Spandau Ballet ou Classix Nouveaux). Os Visage juntavam na altura músicos de bandas como os Ultravox e Magazine em volta de Steve Strange e Rusty Egan (o DJ das famosas Bowie Nights no Blitz, em Londres) e The Anvil seria o último disco deste projeto a contar com a colaboração (preciosa) de Midge Ure. A assinalar os 30 anos da edição do álbum recordamos aqui o primeiro single extraído do seu alinhamento. Aqui fica o teledisco que então acompanhou o lançamento de The Damned Don't Cry.