Há qualquer coisa de místico a viajar pelas músicas de Ed O'Brien. O guitarrista dos Radiohead anunciou, para 2020, o seu primeiro álbum a solo, utilizando a sigla EOB. Para já, aqui estão dois temas sedutores, Santa Teresa e Brasil, por certo recheados de memórias do tempo em que O'Brien viveu com a família em terras brasileiras.
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sábado, dezembro 07, 2019
EOB, aliás, Ed O'Brien
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sábado, janeiro 27, 2018
10 DISCOS DE 2017 [10]
— Radiohead
[ Arca ] [ Tricky ] [ Lorde ] [ The Rolling Stones ] [ Thelonious Monk ] [ St. Vincent ] [ Robert Plant ]
[ Ambrose Akinmusire ] [ Sampha ]
[ Ambrose Akinmusire ] [ Sampha ]
Nova embalagem, retomando o essencial dos elementos gráficos do original; remasterização, singles, três canções inéditas; um toque de azul na edição em vinyl... A edição comemorativa dos 20 anos de OK Computer, dos Radiohead — título integral: OK Computer OKNOTOK 1997 2017 — impôs-se como objecto de incontornável valor histórico, tanto mais quanto parece ilustrar uma certa deslocação do próprio mercado das edições físicas (bizarra terminologia que o virtual nos impôs) no sentido de revalorizar tudo aquilo que, de uma maneira ou de outra, possa ser recoberto pelo adjectivo "clássico". Talvez haja uma outra maneira de dizer isto. A saber: apesar da aceleração em que esse mercado nos obriga a viver (e não só na música, como é óbvio), continua a ser possível manter uma relação aberta, criativa e inteligente com a memória. Que foi, que é, então, OK Computer? Um trabalho que condensa os caminhos criativos da música dos 20 anos anteriores? Ou uma experiência que antecipa os 20 anos seguintes? Em boa verdade, 2017 foi também o ano dessa maravilhosa ambivalência, porventura impossível de sintetizar. A propósito: por altura da edição original, os Radiohead cantavam assim No Surprises no programa Later with Jools Holland, da BBC — foi a 31 de Maio de 1997.
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domingo, setembro 17, 2017
Aventuras de Thom Yorke num elevador
Thom Yorke entra num elevador e parece nunca mais poder chegar ao seu destino... Realista na ambiência, surreal na ficção, assim é o teledisco de Lift, desconcertante e envolvente aventura filmada por Oscar Hudson — a canção é uma das novidades incluídas no alinhamento de OKNOTOK, a edição comemorativa dos 20 anos de OK Computer.
This is the place
Sit down, you’re safe now
You’ve been stuck in a lift
We’ve been trying to reach you, Thom
This is the place
It won’t hurt ever again
The smell of air conditioning
The fish are belly up
Empty all your pockets
Because it’s time to come home
This is the place
Remember me?
I’m the face you always see
You’ve been stuck in a lift
In the belly of a whale
At the bottom of the ocean
The smell of air conditioning
The fish are belly up
Empty all your pockets
Because it’s time to come home
The smell of air conditioning
The fish are belly up
Let it go
Today is the first day
Of the rest of your days
So lighten up, squirt
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quarta-feira, julho 05, 2017
Glastonbury 2017
Performing arts — assim diz a promoção. O Festival de Glastonbury, todos os anos na região de Pilton, Somerset, continua a ser um evento cujos ecos transcendem a Inglaterra, impondo-se como uma viagem de celebração dos caminhos da música popular contemporânea. Este ano (21/25 de Junho) voltou a deixar uma bela antologia de performances. Aqui ficam três magníficos exemplos:
> Radiohead — o clássico Creep, do alinhamento do primeiro álbum da banda, Pablo Honey (1993).
> Lorde — Green Light, belo tour de force do seu segundo álbum, Melodrama, recentemente editado.
> London Grammar — através de uma sublime vocalização de Hannah Reid, o tema Rooting for You, incluindo no segundo álbum da banda, Truth Is a Beautiful Thing, também há poucas semanas chegado ao mercado.
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quinta-feira, junho 22, 2017
Radiohead — dia e noite
Está a chegar OKNOTOK, a edição comemorativa do 20º aniversário do álbum OK Computer, dos Radiohead. Das três canções que nunca tinham tido edição oficial, e são agora publicadas, já conhecíamos o teledisco de I Promise. Agora, é a vez de Man of War, encenado numa magnífica realização de Colin Read — um conto de assombramento em que o dia que se transforma em noite, ou a noite devora o dia.
Drift all you like from ocean to ocean
Search the whole world
But drunken confessions and hijacked affairs
Will just make you more alone
When you come home I’ll bake you a cake
Made of all their eyes
I wish you could see me dressed for the kill
You’re my man of war
You’re my man of war
Yeah, the worms will come for you, big boots
So unplug the phones, stop all the taps
It all comes flooding back
To poison clouds and poisoned dwarves
You’re my man of war
[...]
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sexta-feira, junho 02, 2017
Uma nova/velha canção dos Radiohead
Com duas gloriosas décadas de existência (foi lançado a 21 de maio de 1997), o clássico OK Computer, dos Radiohead, vai ser objecto de uma especialíssima edição comemorativa, com o título OKNOTOK. Entre os novos materiais estão três canções — I Promise, Lift e Man Of War — que, embora conhecidas, nunca tinham tido publicação oficial. Eis I Promise, num magnífico teledisco, realista e assombrado, realizado por Michal Marczak.
I won't run away no more, I promise
Even when I get bored, I promise
Even when you lock me out, I promise
I say my prayers every night, I promise
I don't wish that I'm spread, I promise
The tantrums and the chilling chats, I promise
Even when the ship is wrecked, I promise
Tie me to the rotten deck, I promise
I won't run away no more, I promise
Even when I get bored, I promise
Even when the ship is wrecked, I promise
Tie me to the rotten deck, I promise
I won't run away no more, I promise
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quarta-feira, outubro 05, 2016
Mais um teledisco dos Radiohead
por Paul Thomas Anderson
É mesmo o cumprimento de um contrato de trabalho. Depois de Daydreaming e Present Tense, o cineasta Paul Thomas Anderson (Magnolia & etc.) assina mais um teledisco dos Radiohead, porventura ainda mais austero do que o anterior. Desta vez, Jonny Greenwood e Thom Yorke surgem num cenário de campo, luminoso e acolhedor, para interpretar The Numbers, uma canção de A Moon Shaped Pool que nos garante que "os números não decidem". São duas câmaras montadas sobre calhas (aliás visíveis no começo), movendo-se suavemente, enquadrando os músicos como quem participa numa cerimónia de contagiante austeridade — podem crer.
It holds us like a phantom
The touch is like a breeze
It shines its understanding
See the moon smiling
Open on all channels
Ready to receive
And we're not at the mercy
Of your shimmerers or spells
We are of the earth
To her we do return
The future is inside us
It's not somewhere else
One day at a time
We call upon the people
People have this power
The numbers don't decide
Your system is a lie
The river running dry
The wings of a butterfly
And you may pour us away like soup
Like we're pretty broken flowers
We'll take back what is ours
Take back what is ours
One day at a time
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segunda-feira, setembro 19, 2016
Radiohead por Paul Thomas Anderson
Provavelmente, em tempos de tanta acumulação de linguagens redundantes e irresponsáveis, os telediscos terão interesse em regressar a uma espécie de grau zero da música. Ou à sua mais depurada intimidade. É o que faz Paul Thomas Anderson, filmando Thom Yorke e Jonny Greenwood numa austera performance de Present Tense — do álbum A Moon Shaped Pool, dos Radiohead (recorde-se que Anderson já dirigira Daydreaming). Além do mais, onde está um canal de televisão que saiba valorizar estas pequenas pérolas de que se faz, realmente, a música do nosso tempo?
Distance
Distance
It's like a weapon
Like a weapon
Of self defense
Self defense
Against the present
Against the present
Present tense
I won't get heavy
Don't get heavy
Keep it light and
Keep it moving
I am doing
No harm
As my world
Comes crashing down
I'm dancing
Freaking out
Deaf, dumb, and blind
In you I'm lost
In you I'm lost
I won't turn around when the penny drops
I won't stop now
I won't slack off
Or all this love
Will be in vain
Stop from falling
Down a mine
It's no one's business but mine
That all this love
Could be in vain
In you I'm lost
(...)
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sexta-feira, maio 06, 2016
Thom Yorke por Paul Thomas Anderson
Cada vez mais perto do nono álbum dos Radiohead, as notícias continuam a chegar: ainda não foi divulgado o título, mas sabe-se que terá edição digital a 8 de Maio; os formatos físicos serão colocados à venda no dia 17 de Junho. Entretanto, depois de Burn the Witch, eis uma nova canção, Daydreaming, sustentada por um notável teledisco com assinatura de Paul Thomas Anderson — Thom Yorke deambula por um mundo em que tudo comunica com tudo (ou em que tudo está isolado de tudo), para desembocar numa expressão enigmática que já começou a gerar especulações sobre a possibilidade de ser lida/ouvida em sentido inverso.
Dreamers
They never learn
They never learn
Beyond the point
Of no return
Of no return
And it's too late
The damage is done
The damage is done
This goes
Beyond me
Beyond you
The white room
By window
Where the sun goes
Through
We are
Just happy to serve
Just happy to serve
You
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terça-feira, maio 03, 2016
Radiohead: uma parábola política
Depois de terem desaparecido em branco, num insólito "apagão" da respectiva presença na Net, os Radiohead reapareceram a cores... Burn the Witch é o prenúncio de um novo álbum (de data obviamente guardada no segredo dos deuses), apresentando-se através de um teledisco que reforça as sugestões de parábola política que a letra da canção contém.
Da aliança de palavras, notas de música e imagens nasce um evento construído a partir do cruzamento de muitas referências temáticas e estéticas — desde a animação britânica até à música de Krzysztof Penderecki, passando pelo filme de terror The Wicker Man (sem esquecer os ecos de Donald Trump que pairam sobre este universo de festividades equívocas, deslizando do infantilismo para o fascismo). Em qualquer caso, Hitchcock já nos avisara sobre a inocência dos pássaros...
Da aliança de palavras, notas de música e imagens nasce um evento construído a partir do cruzamento de muitas referências temáticas e estéticas — desde a animação britânica até à música de Krzysztof Penderecki, passando pelo filme de terror The Wicker Man (sem esquecer os ecos de Donald Trump que pairam sobre este universo de festividades equívocas, deslizando do infantilismo para o fascismo). Em qualquer caso, Hitchcock já nos avisara sobre a inocência dos pássaros...
Stay in the shadows
Cheer at the gallows
This is a round up
This is a low flying panic attack
Sing a song on the jukebox that goes
Burn the witch
Burn the witch
We know where you live
Red crosses on wooden doors
And if you float you burn
Loose talk around tables
Abandon all reason
Avoid all eye contact
Do not react
Shoot the messengers
This is a low flying panic attack
Sing the song of sixpence that goes
Burn the witch
Burn the witch
We know where you live
We know where you live
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segunda-feira, dezembro 28, 2015
007 por... Radiohead!
Pelos vistos, Writing's on the Wall, por Sam Smith, canção-tema da mais recente aventura de James Bond, Spectre, teve concorrência séria. De quem? Dos Radiohead. Como prenda natalícia, a banda de Thom Yorke divulgou o seu Spectre, rejeitado pela produção do filme — com estes votos: "Feliz Natal. Que a força esteja convosco."
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quinta-feira, novembro 27, 2014
Para ouvir: obras de Johnny Greenwood
em concerto no Albert Hall de Manchester
Há cerca de um mês o compositor Johnny Grennwood (um dos guitarristas dos Radiohead) apresentou um concerto com obras suas no Albert Hall de Manchester. Acompanhado pela London Contemporary Orchestra apresentou algumas das composições que assinou para cinema, chamou a participação dos presentes à interpretação de Self Portrait With Seven Fingers (cada um na sala podendo contribuir com o respetivo telemóvel) e estreou ainda uma nova peça.
Podem ver aqui o concerto, que nos próximos dias estará a passar em loop na Boiler Room.
Podem ver aqui o concerto, que nos próximos dias estará a passar em loop na Boiler Room.
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domingo, outubro 12, 2014
Uma ponte entre os Radiohead
e a música de Steve Reich
Ao contrário de Philip Glass, que desde inícios dos anos 80 estabeleceu várias pontes com figuras do universo da música pop/rock e suas periferias – trabalhando, entre tantos outros, com nomes como os de David Byrne, Suzanne Vega, Marisa Monte, Aphex Twin ou Leonard Cohen, tendo mesmo criado das sinfonias com álbuns de David Bowie como ponto de partida – Steve Reich não tinha até aqui experimentado esse tipo de diálogos. A sua música, é verdade, há muito que é citada entre as principais fontes de inspiração de muitos músicos de gerações mais jovens – particularmente nomes nas áreas da música electrónica -, tendo mesmo surgido em 1999 um álbum de remisturas juntando contribuições de Howie B, os Coldcut ou DJ Spooky, a que chamaram Reich Remixed (o título não deixa dúvidas, tratando-se de uma coleção de abordagens, via remistura, a composições de Steve Reich).
Mas há encontros que servem como momentos de charneira em tantas carreiras e situações. E, quando em 2010, Steve Reich viu Johnny Greenwood a atuar num festival em Cracóvia, interpretando o seu Electric Counterpoint, a ligação entre ambos estabeleceu-se, criando no compositor norte-americano o desejo de conhecer a música dos Radiohead, banda na qual Greenwood é guitarrista. Reich conhecia Greenwood pelo seu trabalho para cinema, imaginando-o um herdeiro de Messiaen. A obra dos Radiohead chegou assim como uma descoberta. E dessa experiência nasceu o estímulo que mais tarde, sob encomenda do coletivo Alarm Will Sound, gerou um trabalho de “rescrita” de duas canções do grupo inglês: Everything in it’s Right Place, do álbum de 2000 Kid A e Jigsaw Falling Into Place, de In Rainbows, de 2007. Radio Rewrite é assim um exercício de descoberta de uma voz com uma personalidade clara (e uma sonoridade claramente ligada a um certo conjunto de instrumentos, que aqui convoca) sobre os caminhos possíveis de encontrar através de duas canções de berço pop/rock. Ecos das canções, sobretudo elementos das linhas melódicas renascem assim diluídas num corpo novo, surpreendente, com aquele valor de soma de experiências que podemos imaginar segundo a velha máxima que diz que quem conta acrescenta um ponto. E mesmo sendo aqui e ali claras as raízes desta “rescrita”, no fim estamos claramente em território Reichiano.
Mas há encontros que servem como momentos de charneira em tantas carreiras e situações. E, quando em 2010, Steve Reich viu Johnny Greenwood a atuar num festival em Cracóvia, interpretando o seu Electric Counterpoint, a ligação entre ambos estabeleceu-se, criando no compositor norte-americano o desejo de conhecer a música dos Radiohead, banda na qual Greenwood é guitarrista. Reich conhecia Greenwood pelo seu trabalho para cinema, imaginando-o um herdeiro de Messiaen. A obra dos Radiohead chegou assim como uma descoberta. E dessa experiência nasceu o estímulo que mais tarde, sob encomenda do coletivo Alarm Will Sound, gerou um trabalho de “rescrita” de duas canções do grupo inglês: Everything in it’s Right Place, do álbum de 2000 Kid A e Jigsaw Falling Into Place, de In Rainbows, de 2007. Radio Rewrite é assim um exercício de descoberta de uma voz com uma personalidade clara (e uma sonoridade claramente ligada a um certo conjunto de instrumentos, que aqui convoca) sobre os caminhos possíveis de encontrar através de duas canções de berço pop/rock. Ecos das canções, sobretudo elementos das linhas melódicas renascem assim diluídas num corpo novo, surpreendente, com aquele valor de soma de experiências que podemos imaginar segundo a velha máxima que diz que quem conta acrescenta um ponto. E mesmo sendo aqui e ali claras as raízes desta “rescrita”, no fim estamos claramente em território Reichiano.
O álbum agora editado, no qual os Alarm Will Sound registam a estreia em disco de Radio Rewrite, junta ainda uma interpretação de Johnny Greenwood de Electric Counterpoint e uma de Piano Counterpoint por Vicky Shaw, do coletivo Bang on a Can All Stars. O ciclo “counterpoint” surgiu sob uma ideia de juntar um solista a faixas pré-gravadas, multiplicando assim a sua presenta no corpo musical da peça. Electric Counterpoint teve na origem uma leitura por Pat Metheney e teve estreia em disco em 1989. Já Piano Counterpoint não é senão uma transcrição de Six Pianos, apresentando pré-gravadas quatro das partituras para piano, juntando a quinta e sexta numa só, que se entrega assim a um virtuoso do piano. Convenhamos que em conjunto o disco nos dá interessantes olhares sobre a música de Reich e, entre Radio Rewrite e Electric Counterpoint fixa uma ponte para com a música e os músicos dos Radiohead. Será ponte a continuara explorar?
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quarta-feira, outubro 01, 2014
Os Radiohead, segundo Steve Reich
Foi hoje editado o álbum Radio Rewrite, de Steve Reich, que apresenta como peça central a primeira gravação dessa obra que nasce de uma abordagem do compositor a Everything in Its Right Place e Jigsaw Falling into Place, duas canções dos Radiohead.
O disco, lançado pela Nonesuch, inclui ainda novas gravações das obras de Steve Reich Electric Counterpoint (1987) e Piano Counterpoint (esta última uma transcrição de Six Pianos). Estas duas obras são respetivamente interpretadas por Johnny Greenwood (dos Radiohead) e Vicky Chow (que integra o coletivo Bang on a Can All-Stars).
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segunda-feira, setembro 29, 2014
Novas edições:
Thom Yorke
“Tomorrow’s Modern Boxes”
ed. Autor
4 / 5
A surpresa começa a ganhar peso de norma na hora de lançar
álbuns de nomes de relevância maior no panorama atual da música popular. E
poucos dias depois de termos visto os U2 a oferecer, via iTunes, um novo álbum
de originais a todos os utilizadores desse serviço da Apple, agora, e também
sem qualquer anuncio formal prévio, foi a vez de Thom Yorke ter apresentado um novo disco de originais da noite para o dia. A
grande diferença é que o faz usando um método novo: via BitTorrent, mas a troco
de um pagamento.
Com o título Tomorrow’s Modern Boxes, o segundo álbum a
solo do vocalista dos Radiohead surge oito anos após The Eraser – o seu primeiro disco em
nome próprio – e um ano após a experiência no projeto paralelo Atoms For Peace,
que lançou em 2013 o álbum Amok. A edição do novo disco convoca contudo
memórias do que houve de pioneiro – e desafiante – em In Rainbows, álbum de
2007 dos Radiohead que teve um primeiro lançamento digital (pedindo a cada um
que pagasse o que entendesse, prevendo mesmo o preço zero como viável) antes de
ter conhecido, mais tarde, uma edição em suportes físicos mais convencionais.
O disco de aprofunda a sua relação com um labor de fino detalhe nas
electrónicas e apresenta oito novos temas entre os quais A Brain In a Bottle,
a melhor canção de Thom Yorke (a solo ou em grupo) em largos anos. O disco tem nas memórias de Kid A e Amnesiac
importantes pontos de referencia para parte do alinhamento e assinala uma vontade em explorar espaços de composição onde voz e texturas desenham linhas que avançam num
regime algo líquido, envolvendo-se num corpo de formas que, mesmo aparentemente turvas num primeiro contacto, se revelam afinal mais claras e consequentes que em outros episódios da obra mais recente do músico. Parte do
alinhamento traduz, num outro sentido, preocupações de arrumação ditada pelo
ritmo, aproximando-se aí de eventuais heranças do trabalho coletivo via Atoms
For Peace.
Num comunicado que emitiu, juntamente com o produtor Nigel
Godrich (que há muito trabalha não apenas com os Radiohead mas também nas
experiências a solo do vocalista do grupo), Thom Yorke explicou que este modelo
de edição discográfica, que usa uma nova versão do BitTorrent, é assumido como
uma experiência para avaliar se “as mecânicas do sistema são algo com que o
público em geral possa lidar” acrescentando que, se correr bem, “este poderá
ser um meio eficaz para devolver algum do comércio através da Internet às
pessoas que criam as obras”, permitindo assim encontrar um modelo que permita
ao artista “que faz música, jogos ou quaisquer outros conteúdos digitais
vendê-los ele mesmo”. A declaração aponta ainda que este sistema “finta” assim
os “auto-eleitos guardiões” e lembra que o mecanismo usado “não requer custos
de uploading ou arquivo” e que a rede que assim opera “não só permite o tráfego
como ela mesma contém os ficheiros”.
O BitTorrent é um dos mais populares protocolos de partilha de
ficheiro peer to peer e tornou-se conhecido na década passada em casos de troca
de conteúdos pirateados. É reconhecido como um protocolo que torna mais rápidos
os downloads de grandes ficheiros uma vez que usa os vários computadores onde estão
alojados como fontes onde são colhidos elementos que depois são agrupados e ordenados
no computador que os recebe. Não é a primeira vez que músicos usam o sistema,
mas ao associar este modelo de distribuição a um pagamento (sem o qual não se
acede aos ficheiros) representa uma novidade. E, como se infere pelas palavras
de Thom Yorke, uma declaração de esperança numa nova forma de viabilizar não
apenas a venda de músico mas de estabelecimento de uma relação mais direta
entre quem faz a música e quem a quer escutar.
Apesar da surpresa que surgiu com a chegada do álbum (e o
modo de o vender) a verdade é que nas últimas semanas tinham surgido nas redes
sociais várias pistas indicando movimentações possíveis em terreno próximo do
vocalista dos Radiohead. O próprio Thom Yorke revelara, esta semana, que os
Radiohead estão a terminar uma etapa de gravações de um novo álbum. Tomorrow’s
Modern Boxes junta-se assim a títulos recentes de David Bowie, Beyoncé ou U2
que usaram também a surpresa em favor de uma capitalização de atenções,
contrariando assim modelos clássicos de marketing.
PS. Este texto é uma versão editada e acrescentada de um outro publicado na edição de 29 de setembro do DN
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sexta-feira, agosto 15, 2014
"Creep" (Radiohead) por Tori Amos
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FOTO: Bells for Her
|
Como se escreve no site Consequence of Sound, já que os Radiohead há vários anos não incluem Creep nos seus concertos, ao menos que o faça... Tori Amos! O resultado aí está, em registo amador (com várias câmaras) de um concerto em Nova Iorque — ou como a fidelidade ao original não exclui, antes reforça, a singularidade de quem canta.
domingo, abril 13, 2014
Três meses, três discos (clássica)
Continuando a fazer um balanço do que marcou os três primeiros meses do ano, hoje passamos pelas edições de discos de música clássica. Em comum os três títulos que destaco partilham o facto de serem lançados pela mesma editora – a Deutsche Grammophon – um deles sendo contudo uma antologia. Começo por destacar o álbum que tem como protagonista Bryce Dessner, músico que até aqui conhecíamos sobretudo através do seu trabalho nos The National e que a uma obra sua junta uma outra de Johnny Greenwood, guitarrista dos Radiohead que tem também trabalhado em música para cinema.
Sobre este disco escrevi aqui: “Apesar de uma certa tradição autodidata que domina muitas das histórias pessoais de tantos músicos em terreno pop/rock, a verdade é que tanto Bryce Dessner como Johnny Greenwood têm formação clássica. Bryce tem na verdade um mestrado em música em Yale e durante a sua formação encontrou importantes referencias em obras de figuras como Morton Feldman ou Steve Reich. Além do trabalho com os The National tem também colaborado com os Bang on a Can e o Kronos Quartet. O seu St Carolyn by the Sea (título inspirado pela escrita de Kerouac), que aqui se apresenta em gravação pela Orquestra Filarmónica de Copenhaga, dirigida por Andre de Ridder é uma obra orquestral de grande fôlego que cruza heranças que cão dos românticos a espaços da música orquestral do século XX (de Bartók a Glass) e, sem abdicar da presença da guitarra (na verdade há duas guitarras em cena – interpretadas por si e pelo seu irmão Aaron – e são mesmo a medula desta obra originalmente encomendada como um concerto para duas guitarras elétricas para a American Composer’s Orchestra) nem de um interesse pela melodia, expressa personalidade e demarca-se dos territórios habitualmente por si visitados nos The National. Johnny Greenwood, por seu lado, explora aqui uma derivação direta do seu trabalho de composição para cinema, apresentando uma suite baseada na música intensa e cromaticamente rica, herdeira tanto de Ligeti como de Predrecki, que criou para o filme Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson.”
Depois vale a pena assinalar a estreia mundial de The Passion Acording To The Other Mary, uma obra coral nova de John Adams, numa gravação pela Los Angeles Philharmonic, sob direção de Gustavo Dudamel.
Deste álbum disse aqui que: “A obra tem como base um libreto assinado por Peter Selllars, colaborador regular de John Adams (peça central em Nixon in China, a primeira ópera do compositor, estreada em 1987). Sellars juntou textos de origens diversas, passando por autores como Dorothy Day, Louise Erdrich, Primo Levi, Rosario Castellanos, June Jordan, Hildegard von Bingen ou Rubén Darío, além claro está das palavras do Velho e do Novo Testamento. A oratória foca atenções na Paixão de Cristo, mas procura um ponto de vista algo diferente escutando sobretudo as vozes de duas mulheres (...), nomeadamente Maria Madalena e Marta, a irmã de Lázaro. Musicalmente a oratória segue os caminhos estimulantes que a música orquestral e vocal de Adams tem seguido nos últimos anos, aliando um belíssimo trabalho do canto a uma noção de espaço acolhedor (e capaz de suportar intenções dramáticas) na cenografia ao seu redor, apesar de pontualmente revisitar ecos mais próximos das heranças minimalistas da sua obra nos oitentas no modo como usa ocasionalmente figuras repetitivas. Num dos momentos de clímax dramático uma aproximação a formas ligetianas contribui para novo alargamento das linhas e cores com que a música de Adams aqui se renova e desafia”.
A terceira referencia surge com o primeiro volume de uma recolha antológica das gravações de Leonard Bernstein para a editora, numa caixa com 59 CD e um DVD.
E sobre esta caixa escrevi aqui: “Há antologias e antologias... Mas esta bate as demais aos pontos. Não apenas pela dimensão (inclui 59 CD, um DVD, um livro, e tudo isto numa caixa com as dimensões da capa um álbum de vinil), como também pelo protagonista que coloca na berlinda e a vastidão de obras (épocas e formas) que as gravações aqui documentam. Apresentada como The Leonard Bernstein Collection – Volume One, esta caixa antológica enceta assim uma revisão do catálogo que o compositor e maestro norte-americano registou no período em que esteve ligado à Deutsche Grammophon (sendo importante referir aqui que outra etapa significativa do seu percurso discográfico foi registada pela Columbia Records, etiqueta hoje integrada na Sony Music).”
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domingo, março 09, 2014
Para lá das fronteiras dos géneros
A Deutsche Grammophon continua a alargar o seu catálogo aos acontecimentos do nosso tempo. E edita um álbum com obras de Bryce Dessner e Johnny Greenwood, músicos mais conhecidos pelo seu trabalho nos The National e Radiohead, respetivamente.
Apesar de não serem muito frequentes, as colaborações entre nomes dos espaços da música pop/rock e os dos universos da música (dita) erudita não são também oásis assim tão raros. Longe daquelas operações de “encher” canções com orquestra, que tantas vezes dão a vozes da pop uma cenografia mais encorpada para alguns momentos da sua carreira, falamos mesmo de diálogos entre músicos e formas musicais. Como o fez Philip Glass em Songs From Liquid Days ou na sua brilhante colaboração com Leonard Cohen em Book of Longing. Como o tem feito Nico Muhly em parcerias com vários outros músicos. Como o fizeram Rufus Wainwright, The Knife ou Damon Albarn ao ensaiar os espaços da ópera. Como o fazem Owen Pallett ou Craig Armstrong. Ou até mesmo (mas decididamente com resultados menos estimulantes) Paul McCartney ou Sting. Bryce Dessner e Johnny Greenwood são figuras de referencia no firmamento indie do nosso tempo, o primeiro a bordo dos The National, o segundo nos Radiohead (e já com algum trabalho reconhecido na escrita de música para cinema). Apesar de uma certa tradição autodidata que domina muitas das histórias pessoais de tantos músicos em terreno pop/rock, a verdade é que tanto Bryce Dessner como Johnny Greenwood têm formação clássica. Bryce tem na verdade um mestrado em música em Yale e durante a sua formação encontrou importantes referencias em obras de figuras como Morton Feldman ou Steve Reich. Além do trabalho com os The National tem também colaborado com os Bang on a Can e o Kronos Quartet. O seu St Carolyn by the Sea (título inspirado pela escrita de Kerouac), que aqui se apresenta em gravação pela Orquestra Filarmónica de Copenhaga, dirigida por Andre de Ridder é uma obra orquestral de grande fôlego que cruza heranças que cão dos românticos a espaços da música orquestral do século XX (de Bartók a Glass) e, sem abdicar da presença da guitarra (na verdade há duas guitarras em cena – interpretadas por si e pelo seu irmão Aaron – e são mesmo a medula desta obra originalmente encomendada como um concerto para duas guitarras elétricas para a American Composer’s Orchestra) nem de um interesse pela melodia, expressa personalidade e demarca-se dos territórios habitualmente por si visitados nos The National. Johnny Greenwood, por seu lado, explora aqui uma derivação direta do seu trabalho de composição para cinema, apresentando uma suite baseada na música intensa e cromaticamente rica, herdeira tanto de Ligeti como de Predrecki, que criou para o filme Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson. Ambas as peças representam assim aberturas de horizontes tanto para os compositores como para o catálogo da editora e os públicos que a estas gravações possam aderir. Sem dúvida um acontecimento editorial para marcar 2014.
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quarta-feira, fevereiro 26, 2014
Para ouvir:
Greenwood e Dessner com orquestra
Johnny Greenwood (dos Radiohead) e Bryce Dessner (dos The National) estão juntos num novo disco a lançar a 3 de março, pela Deutsche Grammophon. Gravado pela Orquestra Filarmónica de Copenhaga, dirigida por André de Ridder, o disco inclui uma suite baseada na banda sonora do filme Haverá Sangue, criada por Greenwood e a peça St Carolyn By The Sea, de Dessner.
Podem ouvir aqui o disco em avanço, via Pitchfork.
Podem ouvir aqui o disco em avanço, via Pitchfork.
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sexta-feira, junho 28, 2013
Radiohead: um concerto para download
Pablo Honey, opus 1, saíra em 1993, transformando o nome dos Radiohead numa referência modelar do rock alternativo. Cerca de dois anos mais tarde, a 13 de Março de 1995, surgia The Bends — dir-se-ia que a banda de Thom Yorke e Jonny Greenwood afirmava, desde logo, o seu direito ao estatuto de referência clássica, enraizado em temas como High and Dry [video], Just e Street Spirit.
Pois bem, pouco mais de três meses passados sobre o lançamento de The Bends, a 1 de Junho de 1995, os Radiohead estavam no Tramps, em Nova Iorque, para um magnífico concerto — agora, o seu download surge oferecido pela revista Paste ou, então, através do site Noisetrade. Para sublinharmos a importância do momento, importa recordar que o grupo estava a consolidar uma sonoridade que, dois anos mais tarde, se expressaria de forma eloquente em... OK Computer.
>>> Site oficial dos Radiohead.
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