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sexta-feira, setembro 05, 2014

Para ver: a erupção do Bardarbunga

Foto: Ragnar TH Sirgurdsson / Discover The World
Depois de intensa atividade sísmica detetada durante o mês de agosto, o vulcão Bardarbunga, na Islândia, entrou em erupção, as imagens mostrando um regime efusivo, com jorros de lava a atingir os 50 metros de altura. O vulcão tem a forma de uma longa fissura, com escoadas de lava formadas de ambos os lados.

O site Discover The World apresenta um conjunto de fotografias que dão conta do estado atual da erupção. Umas são captadas pelo fotógrafo Ragnar TH Sigurdsson, a bordo de um pequeno avião (que neste momento promove inclusivamente passeios de observação no local) e outras, vistas a maior distância, tiradas do solo.

Podem ver aqui as imagens aéreas.
E aqui as captadas no solo.

quarta-feira, agosto 06, 2014

Para ler: uma sonda europeia
ao encontro de um cometa

Uma sonda prepara-se para acompanhar o trajeto de um cometa rumo à sua maior aproximação ao sol. Chama-se Rosetta e foi lançada pela ESA (European Space Agency). A BBC apresenta hoje um trabalho sobre a missão.

Podem ler aqui a sua história e ver o que agora a espera.

sexta-feira, agosto 01, 2014

Para ler: Ébola, os outros vírus e a humanidade

Perante a pior epidemia da Ébola de que há registo e que grassa na África Central, um belíssimo (e curto) artigo publicado na New Yorker arruma algumas ideias e traça comparações com outros vírus que a humanidade já enfrentou antes.

Podem ler aqui.

segunda-feira, junho 23, 2014

O cinema nem sempre olha bem o cosmos

Numa altura em que vamos descobrindo, semana após semana, a série Cosmos – A Spacetime Odissey (que depois de um primeiro episódio demasiado “encostado” à figura e memória de Carl Sagan ganhou fôlego e revelou que não é mera repetição da série que fez história há 30 anos) vale a pena prestar atenção ao livro do astrofísico Neil DeGrasse Tyson que está já traduzido entre nós pela Gradiva. Este texto é parte de um artigo publicado na edição de 14 de junho do suplemento Q. do DN, com o título 'Quando o cinema inventa o Cosmos errado'.

No primeiro episódio da série Cosmos: A Spacetime Odissey, Neil DeGrasse Tyson recorda um momento dos seus dias de juventude. Com o desejo em ser astrofísico já bem desenhado no mapa dos seus anseios, Neil dava já conferencias aos 15 anos de idade. Em 1975, tinha ele 17 anos, enviou uma candidatura para a Cornell University. O pedido foi parar às mãos de Carl Sagan. E este tomou a iniciativa de o contactar pessoalmente, convidando-o a ir a Ithaca (no estado de Nova Iorque). O jovem Neil aceitou e fez a visita que o próprio Sagan guiou. E ao fim do dia o famoso astrofísico rabiscou o seu número de telefone. Se perdesse o transporte de regresso ao Bronx, teria ali casa onde dormir. “Já sabia que queria ser um cientista. Mas naquela tarde aprendi, com Carl, que tipo de pessoa queria ser”, explica na série na qual hoje o vemos como um herdeiro natural do criador do Cosmos original. Neil acabaria por escolher Harvard. Mas em Sagan reconheceu desde sempre um mentor.

Além do trabalho de investigação científica e de cargos administrativos, descobriu cedo um talento para a divulgação. Talento que tanto foi manifestando em livros – de Merlin’s Tour of The Universe, de 1989, aos mais recentes The Pluto Files: The Rise and Fall of America's Favorite Planet (de 2009) ou Space Chronicles: Facing the Ultimate Frontier (de 2012) – como em progressivamente mais mediáticas colaborações na televisão. Passou pelo PBS, mais tarde pelos programas de John Stewart ou Stephen Colbert. E em todos eles mostrou uma rara capacidade em falar de ciência num plano de entendimento com assuntos do quotidiano e, frequentemente, incursões pelos universos da cultura pop.

Num dos textos que inclui em Morte Por Buraco Negro (livro de 2007 que teve edição entre nós pela Gradiva na coleção Ciência Aberta) comenta o modo como o cinema abordou o livro Contacto, a incursão de Carl Sagan pelos universos da ficção. Em Contacto Sagan aproveitava para refletir sobre o que poderia ser o primeiro “contacto” entre seres humanos e uma mensagem proveniente de uma civilização alienígena, ao mesmo tempo acrescentando à narrativa, através das suas personagens principais, um estimulante debate sobre as diferenças entre o pensamento científico e a fé.

Na adaptação ao grande ecrã, por Robert Zemeckis (com Jodie Foster no papel principal), Neil encontrou o que descreve como “uma gaffe particularmente embaraçosa”. Confessa que nunca leu o livro mas viu o filme. Eu li o livro e vi o filme, e posso acrescentar que ficou mal servido. Num dos diálogos da personagem de Jodie Foster com o ex-sacerdote, interpretado por Matthew McConaughey, ela diz que “só existem 400 mil milhões de estrelas na galáxia, e se só numa num milhão tiver planetas, e só numa num milhão dessas tiver vida e só uma num milhão dessas tiver vida inteligente, isso ainda nos deixa milhões de planetas por explorar”, cita Neil. E acrescenta logo: “Errado!”... Se seguirmos, como explica, os números que apresenta, “isso deixa-nos 0,0000004 planetas que têm vida inteligente, um número ligeiramente mais pequeno que milhões”. Ele mesmo reconhece que “não há dúvida de quem ‘uma num milhão’ soa melhor que ‘uma em dez’, mas não se consegue falsificar a matemática”.

A personagem de Jodie Foster refere-se em concreto à famosa equação de Drake, que Carl Sagan de resto explicara no “seu” Cosmos. Trata-se de um cálculo das probabilidades de existência de vida inteligente no universo. Mas que, no filme, pelos vistos, surge com as contas... erradas.

(continua)

segunda-feira, março 10, 2014

Uma segunda vida para o 'Cosmos'


Originalmente exibida em 1980 no PBS (o canal público norte-americano), Cosmos rapidamente se afirmou como um marco de referencia na história da divulgação científica. Acompanhado por um livro com o mesmo título que passava pelas temáticas e ângulos de abordagem levantados pelos episódios, Cosmos fez de Carl Sagan uma das mais conhecidas vozes na história da divulgação da ciência ao grande público.

Com música de Vangelis e outros compositores, usando os efeitos visuais mais avançados para a época, a série levou-nos através do espaço e do tempo à descoberta do universo e, na verdade, de nós mesmos.

Agora, 34 anos depois, uma segunda série com o título Cosmos volta aos pequenos ecrãs. Trata-se de Cosmos – A Spacetime Odissey, que parte de textos de Ann Druyan (que partilhou vida e obra com Sagan e com ele co-assinou a série original) e conta com apresentação de Neil deGrasse Tyson. Com produção de Seth MacFarlane, a nova série de 13 episódios entrou em produção em 2011 e esta semana chega aos pequenos ecrãs. Teve estreia mundial ontem em dez canais de cabo norte-americanos. E chega hoje até nós, pelas 23.00 no National Geographic... 

Podem ver aqui o trailer desta nova série.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Este mel não me convenceu...

Albert Einstein terá dito que, se as abelhas desaparecessem da face da Terra, a humanidade teria apenas mais quatro anos de existência... “Se as abelhas desaparecessem?...” é a premissa que parece ser lançada pelo documentário de Markus Imhoof Abelhas e Homens, que acaba de ter edição em DVD. O filme acaba todavia ser dar respostas... De resto, este é um claro exemplo de como um conjunto impressionante de imagens, de histórias e situações, de boa direção de fotografia e outros primores técnicos, acaba contudo por ser uma oportunidade perdida.

Com pequenas câmaras (mas sem delas fazer depois um corpo coeso como o que também este ano vimos no verdadeiramente assombroso e mais cinematográfico Leviathan), o realizador entra nas colmeias, espreita favos e movimentos das abelhas. Encontra pelo mundo fora, entre propriedades na Califórnia, ilhas junto à costa australiana, terrenos rurais na China ou nas montanhas da Áustria, casos distintos, desde visões mais “tradicionais” de apicultura a expressões de impressionante dimensão industrial. Vemos abelhas e mais abelhas, tratadas nestes últimos casos com os mesmos modos de indiferença das coisas em grande escala com que lembro os pintainhos em tapetes rolantes que tantos (justamente) impressionaram em Baraka, de Ron Friecke. Vemos doenças que surgem, de ácaros a disfunções nas colónias. Vemos estirpes mais dóceis e outras mais violentas (e resistentes)... Vemos favos, vemos mel. Vemos pólen e polinizações. Escutamos profissionais e empresários. Mas no fim nem ficamos a saber exatamente porque estão a desaparecer as abelhas (parecendo apenas claro que em alguns casos as colónias foram artificialmente aumentadas para exploração a nível industrial). Nem vemos que possa haver explorações de apicultura de outro teor. Afinal, o que não se mostra num filme por vezes é tão marcante como o que fica na imagem... Abelhas e Homens é um feito técnico e fotográfico. Mas é narrativamente desarrumado e perde o fio à meada. Ou não o quis ter?...

quinta-feira, dezembro 20, 2012

As imagens de 2012 (9)


Uma das imagens do ano não veio deste mundo, mas de um vizinho: de Marte. A sonda Curiosity, que ali chegou em agosto, fez chegar à Terra imagens em alta definição do Planeta Vermelho, mostrando com mais detalhes e precisão que nunca aspetos da sua morfologia e do solo. A missão, que serviu também já para assegurar a primeira estreia musical vinda de outro planeta, continua em busca de dados científicos, entre eles alguns que nos permitam saber se, afinal sempre há (ou houve) vida em Marte...

PS.A foto mostra-nos uma das primeiras panorâmicas em HD da paisagem da Cratera Gale, onde a sonda aterrou.

quinta-feira, novembro 22, 2012

Quando a ficção é científica

A Gradiva acaba de reeditar no mercado nacional o romance Contacto, a única obra de ficção assinada por Carl Sagan. Este texto foi originalmente publicado na edição de 31 de outubro de 2012 do DN com o título 'Uma narrativa de ficção para discutir o universo'.

Carl Sagan acreditava que a ciência podia chegar a todos. Comunicador nato, fez da série televisiva Cosmos uma voz que deu a volta ao planeta, tornando próximos os distantes planetas, as estrelas e os quasars, os muitos livros que editou antes e depois seguindo o mesmo caminho. Sagan defendia que todos se podiam interessar pelos assuntos da ciência. “É só uma questão de fazer com que esta lhes chegue de uma forma acessível”, disse aos microfones da rádio pública norte- americana em 1996. Falava então da adaptação ao cinema de Contacto, aquele que foi o seu único livro de ficção, que a Gradiva agora volta a publicar entre nós, integrado numa coleção que tem vindo a apresentar a integral das suas obras. É frequente vermos autores de literatura de ficção científica a assinar títulos de ensaio na área da ciência. E basta recordar livros de nomes como Ben Bova ou Arthur C. Clark para termos bons exemplos de textos informados e consequentes. Carl Sagan fez o contrário. Astrónomo, com trabalho importante na área da exobiologia e da busca de vida extraterrestre e colorador de missões da NASA como a Voyager ou Viking, publicara nos anos 70 títulos de divulgação como Dragões do Éden (1977) ou O Cérebro de Broca, antes de em 1980 criar em Cosmos uma das mais celebradas séries de divulgação científica sobre as grandes questões da astronomia.

Por essa altura trabalhava, juntamente com Ann Druyan ( com quem se casou em 1981), no argumento para um filme de ficção. O projeto não chegou então a bom porto. Mas Sagan não o fechou numa gaveta e desenvolveu a narrativa, acabando nas mãos com um romance de ficção científica. Chamou- lhe Contacto e, através de uma narrativa que acompanha o primeiro “contacto” de seres humanos com uma mensagem extraterrestre ( que os conduzirá à construção de uma “máquina” que eventualmente permitirá o “contacto” entre as civilizações), aproveita para lançar e debater questões, de antigos conflitos entre as visões da ciência e as da fé a uma das dúvidas que mais motivou toda a sua obra científica: estaremos sós?

A história, que encara a matemática como língua universal e apresenta um projeto de busca de sinais de outras civilizações semelhante ao SETI ( em que Sagan colaborou) acabaria por chegar ao cinema em 1997, um ano depois da morte de Carl Sagan.


O argumento que Sagan começou a escrever ( com Ann Druyan) em 1979 e que na altura conheceu ponto final por incapacidade em desenvolver a produção de um filme acabou por chegar ao cinema em 1997, pelas mãos de Robert Zemeckis. Em 1996, falando à NPR, Sagan dizia que, se o filme chegasse “aos calcanhares” do 2001 Odisseia no Espaço de Kubrick já se daria por feliz. Sagan via o cinema como mais uma “ferramenta” para levar mais longe as questões da ciência. E as reflexões e questões que lançara no livro como contexto e também fermento para a condução da própria narrativa fizeram desta aventura mais um espaço de debate sobre a ciência ( e a sua relação até com o mundo da política), os dogmas, a eventualidade da existência de vida (e a própria capacidade de sobrevivência das civilizações) Protagonizado por Jodie Foster, Contacto chegou aos cinemas em 1997, depois da morte do autor. Já doente, Carl Sagan colaborou ainda com a produção e chegou mesmo a dar uma palestra ao elenco e técnicos sobre a história da astronomia.

quarta-feira, novembro 21, 2012

Pipocas, telemóveis e outras histórias

Os anos que passei na faculdade de ciências, assim como (inevitavelmente) a educação em casa, despertaram em mim um interesse ainda bem vivo pelas questões da ciência. E desde sempre recordo os episódios de urticária que sempre chegam com a constatação de enormidades de pseudociência que ao longo dos anos (e não é de agora) fui reconhecendo nos media e em outros espaços da nossa vida quotidiana. Por estas razões (mas não apenas estas mesmas) o belíssimo Pipocas com Telemóvel, livro co-assinado por Carlos Fiolhais e David Marçal, que a Gradiva recentemente publicou, foi como boa música para os meus ouvidos. Alguns dos temas que aqui abordam já tinham sido tratados no blogue De Rerum Natura onde ambos escrevem. Mas convenhamos que a reunião num volume de tão contundentes retratos dos disparates que por aí se dizem nos dá um belíssimo livro.

O título dá-nos logo conta de uma – entre as muitas – falsas verdades que pela Internet têm saltitado de computador em computador. Juntar milho a um telemóvel dá pipocas?... Pois não. Mas quantos dizem que sim só porque um vídeo colocado na Internet o mostra. Não me digam que acreditam que Darth Vader existe... É que também há vídeos com a personagem criada por George Lucas na Internet... Pois... Mas o que o fazem os autores do livro é desmontar claro, sistemático e bem documentado desta e tantas outras manifestações de falsa ciência que andam por aí. É particularmente interessante o capítulo dedicado aos media. Sou jornalista há mais de 20 anos e sei bem do que falam quando referem a “ditaura do engraçadismo”. A dada altura dizem que “numerosos disparates científicos que surgem nos jornais são escritos por jornalistas não especializados, que ocasionalmente têm de escrever sobre assuntos de ciência”. E, acrescentam, “demasiadas vezes, submetem-se à ditadura do engraçadismo: não importa se isto é verdade ou não, o que conta é que tenha piada, que suscite o interesse”. Touché!

Podíamos ficar por aqui, mas não resisto a referir o modo como desmontam a astrologia. Lemos no livro, quando se referem às tentativas de adivinhação do futuro: “O físico dinamarquês Niels Bohr (1885-1962), um dos autores da teoria quântica, declarou um dia ‘é muito difícil fazer previsões, especialmente do futuro’ [nota minha: quem não entender aqui a piada, mude já de blogue e leia um best seller da saison]”. Lembram depois como um jogador de futebol “recuperou esta sensata ideia no final do século XX” quando fez o célebre comentário “prognósticos só no fim do jogo”... E vale a pena ler depois o que se segue, com referencias concretas a declarações de nomes mediáticos da astrologia lusitana...

sábado, outubro 27, 2012

A caminho de Marte (parte 2)

Foi hoje colocada online, no blogue Marte Ataca! a segunda parte de um texto originalmente publicado no suplemento Q., do DN, sobre o planeta vermelho. Hoje recordam-se os primeiros estudiosos de Marte e as conclusões de observações, sobretudo algumas que fizeram história em finais do século XIX. Começa asssim...

Marte encanta o homem há séculos. Deram-lhe, pela cor vermelha com que o vemos a olho nu, o nome do deus romano da guerra. Mas teríamos de esperar até 1609 para lermos um primeiro estudo científico sobre os movimentos do planeta, pela pena de Johannes Kepler. O telescópio de Galileu ajudou a ver mais e melhor este mundo vizinho. Em 1636 o italiano Francesco Fontana desenhava Marte tal como o via com a ajuda do telescópio. E em 1659, Christian Huyggens identificava uma primeira estrutura no planeta. Desenhava-a na forma de um triângulo (hoje sabemos ser Syrtis Major). E sete anos depois Giovanni Cassini calculava a duração de um dia marciano: 24 horas e 40 minutos (apenas mais dois minutos do que a medida hoje reconhecida). É também pelo telescópio que, em finais do século XIX, Marte volta a estar na ordem do dia e com mais protagonismo que nunca no panorama científico. Uma maior proximidade entre a Terra e Marte, em 1877, permitiu a descoberta das suas duas luas – Phobos e Deimos. E, no mesmo ano, o italiano Giovanni Schiaparelli (que dirigia o observatório de Brera, em Milão) identificou cerca de 60 estruturas na superfície do planeta.

Podem ler aqui o resto do texto.

domingo, outubro 14, 2012

A caminho de Marte (parte 1)

Comecei hoje a publicar no blogue 'Marte Ataca!' (onde vou escrevendo e colocando imagens de "coisas" marcianas) um extenso texto onde proponho um panorama da história e atual ponto da situação do interesse do Homem pelo Planeta Vermelho publicado recentemente no DN.

Podem ler aqui este primeiro episódio.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Há música em Marte!


Há 41 anos Bowie perguntava-nos se havia vida em Marte. Vida ainda não sabemos, mas música já há! A humanidade entrou hoje numa nova era. Ou, pelo menos, a música entrou hoje numa nova era. Pela primeira vez a Terra escutou uma canção transmitida de um outro planeta. Foi de Marte, claro. A Curiosity emitiu e a Terra ouviu Reach For The Stars, de Will.I.Am.

Podem ver aqui o vídeo do momento em que a equipa que acompanha a missão escutou, em direto, a transmissão marciana.

quinta-feira, agosto 16, 2012

Aqui Marte... dia 10


Algumas das novas imagens de chegam de Marte. Na primeira uma panorâmica da paisagem em frente do Mars Science Laboratory (a Curiosity, para os amigos)... Na segunda, um pormenor de rochas destapadas pela deslocação do ar no momento da aterragem. Na terceira, um olhar do espaço. Captada pela Mars Reconnaissance Orbiter, a Curiosity em plena superfície marciana.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Está lá?... É para dizer que cheguei bem...


Eram seis e meia da manhã (hora portuguesa) e os técnicos da Nasa podiam respirar fundo... A Curiosity (na verdade chama-se Mars Science Laboratory) tinha chegado ao seu destino. Pariu da Terra em novembro do ano passado e desde hoje de manhã é o mais recente “habitante” de marte... Na verdade, entre os objetivos da sua missão leva a tentativa de resposta a uma velha questão: afinal há ou não marcianos?... Ou, admitindo uma variação: houve em tempos marcianos?... Nem que sob formas microscópicas ou até mesmo moleculares. A busca vai ter lugar na região da cratera Gale (não muito distante da região equatorial do planeta), onde a sonda (que transporta cerca de 75 quilos de material científico) vai caminhar ao longo dos dois próximos anos.


Esta é a primeira imagem que a Curiosity nos enviou depois de chegada ao solo marciano...

Podem acompanhar aqui, a par e passo, as revelações desta missão.

terça-feira, julho 10, 2012

Um panorama marciano


É quase como se estivéssemos em Marte. Uma nova imagem panorâmica, resultante da soma de mais de 800 imagens captadas pela Opportunity, revela-nos um olhar próximo da zona equatorial do planeta. Estamos numa planície chamada Meridiani Planum, numa região conhecida como Terra Meridiani, na verdade não muito longe do início do enorme sistema de canyons (que se podem ver do espaço) do Vallis Marineris, alguns quilómetros a Oeste. A imagem cobre 360 graus da paisagem. O Norte a centro, o Sul nos dois extremos. O espaço corresponde ao local onde a Opportunity viveu este último inverno marciano.

Podem saber mais sobre esta imagem no site da Nasa
E aqui podem fazer zoom e “caminhar” sobre esta panorâmica

terça-feira, fevereiro 28, 2012

O sistema solar (em alta definição)


A história já foi contada. E bem contada, por Carl Sagan, no inesquecível Cosmos, série (e depois também livro) que ficou na história do documentarismo televisivo como um dos episódios mais marcantes da divulgação científica no pequeno ecrã (e é ainda hoje a produção da PBS, o canal público americano, de maior sucesso à escala global). Mas passaram mais de 30 anos desde que, a bordo da sua nave imaginária (e ao som da música de Vangelis), Carl Sagan caminhava entre os satélites de Júpiter, os abismos do Velles Marineris (em Marte) ou nos explicava a equação de Drake (que tenta avaliar o número possível de civilizações na galáxia). Ou seja, não só o conhecimento científico sobre o mundo em que vivemos e o universo em nossa volta aumentou significativamente, como temos novas imagens de mundos que nos dias de Cosmos ainda não tinham sido visitados por sondas com a capacidade de nos mostraram o que ali se escondia, assim como a tecnologia de efeitos visuais permite hoje completar o que o Homem já viu com recriações digitalmente criadas do que ainda está por ver ou que, em certos ângulos e movimentos de câmara, as nossas máquinas ainda não alcançaram.

Estes três podem ser os primeiros argumentos para abrir a curiosidade sobre Wonders Of The Solar System, a série que o físico Brian Cox apresenta e que resulta de uma co-produção da BBC com o Science Channel. Inicialmente exibida em 2010, a série propõe um panorama do nosso sistema solar em cinco episódios de 60 minutos cada. Não numa lógica de arrumação sistemática, planeta a planeta, satélite a satélite, mas antes cruzando informação de forma a mostrar como tudo, no fundo, está ligado a uma história conjunta, com características comuns e seguindo regras que o mundo da física pode explicar. E com o valor extra que s imagens de alta definição podem garantir a este tipo de documentários, a opção pelo Blu Ray em detrimento do DVD sendo aqui escolha mais que justificada.

Wonders Of The Solar System começa por visitar o Sol e a forma como a sua presença e evolução marcam a história do sistema solar. Depois procura mostrar como o comportamento do movimento dos planetas afeta as características das suas paisagens e visita não apenas os anéis de Saturno mas também a sua lua Encelado. Num terceiro episódio Brian Cox sobe, num vôo especial, aos limites da atmosfera para reconhecer quão delicada é esta fina camada que envolve a Terra, caminhando depois numa “visita” a Marte e Titã. O quarto episódio aborda a vitalidade geológica de vários mundos do nosso sistema solar. Parte do Grande Canyon, no Arizona para estabelecer paralelos com o Valles Marineris em Marte. Passa depois pelo Kilauea, no Hawai, para nova comparação marciana, desta vez com o Monte Olimpo. Passa ainda por Io (para contemplar formas de vulcanismo bem distintas) e analisa ainda o efeito que Júpiter tem sobre os asteroides (alguns deles projetados sobre os planetas interiores como meteoritos). O quinto e último episódio procura refletir sobre a possibilidade de água e vida noutros lugares do sistema solar, começando com uma descida a dois quilómetros de profundidade no mar mexicano a bordo do submarino Alvin (para encontrar toda uma fauna bem diferente) e seguindo depois rumo a Marte e a Europa, levantando hipóteses que em breve poderão ter respostas mais concretas.


Vale a pena falar ainda do autor e apresentador da série. Brian Cox é um físico inglês na casa dos 40 anos. Tem um passado pop (foi teclista de duas bandas uma delas, os D:Ream, tendo mesmo somado uma mão cheia de êxitos em inícios dos anos 90) e ensina da Universidade de Manchester. Autor de outras séries (entre as quais a sequela Wonders of The Universe, de 2011), Brian Cox é um claro herdeiro da “escola” David Attenborough, o seu aventureirismo sendo evidente pela forma como não olha a limites para se deixar juntar, com a câmara, ao lugar que conta para a história que interessa mostrar, seja o limite de um penhasco monumental, o bordo de um lago de lava ou uma ilha de gelo em pleno glaciar... O seu entusiasmo ecoa também as memórias do encanto do grande divulgador que foi Carl Sagan. Talvez lhe falte a eloquência literária com que Sagan moldava Cosmos (e toda a sua obra em livro) à expressão de uma personalidade vincada que refletia os dotes de um comunicador invulgar. Mas convenhamos que não se sai nada mal... E tem nesta série uma belíssima equipa que garante aos programas qualidades técnicas na realização, captação e tratamento de imagem que explicam o sucesso que obteve e os prémios que alcançou.

quarta-feira, dezembro 28, 2011

E chegámos a Vesta...


Continuamos a olhar para o mundo à nossa volta. E em 2011 chegara-nos as primeiras imagens de boa definição da superfície de Vesta.

Apesar de terminado o programa Space Shuttle, a Nasa mantém várias missões activas, uma delas prevendo a exploração dos dois maiores corpos da cintura de asteroides que se situa entre Marte e Júpiter. São eles Vesta e Ceres, o primeiro dos quais encontrando-se já sob o olhar atento da sonda Dawn. O segundo maior dos grandes asteroides, Vesta é inclusivamente tido por alguns astrónomos como sendo eventualmente um proto-planeta. A missão Dawn tem neste momento em curso a tarefa de criar um mapa detalhado da sua superfície, e as primeiras imagens de órbita do asteróide acabam de ser reveladas pela Nasa.

A missão Dawn partiu da Terra em 2007 tendo alcançado Vesta já este ano, desde o Verão observando de perto o asteróide. Além do conhecimento que a missão nos dará de Vesta e Ceres (onde chegará em 2015), a sonda Dawn tem ainda como objectivo prioritário do seu programa o ensaio de um novo sistema de propulsão que permite deslocações distintas dos modelos de vôo anteriormente usados. Usando o chamado “ion drive” a sonda desloca-se assim segundo as necessidades... Mais um passo, portanto, na procura de equipamentos que permitam uma eficaz conquista do espaço.


Três imagens do asteróide Vesta captadas em órbita baixa pela sonda Dawn. Note-se, na terceira imagem, o delinear suave do bordo de uma cratera relativamente recente.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

O nosso vizinho mais distante



É o nosso vizinho mais distante. E que, despromovido numa recente reunião de astrónomos, deixou de ser Planeta (agora é um planeta anão). Seja como for Plutão é um dos mundos mais intrigantes do nosso sistema solar, tendo até sido palco para Icehenge, um dos romances do escritor de ficção científica norte-americano Kim Stanley Robinson. E é o objecto da atenção de um bem interessante livro de Barrie W. Jones.

Chama-se Pluto: Sentinel of The Solar System e é um olhar de síntese sobre tudo o que até hoje sabemos sobre o distante Plutão, desde o fascinante relato da sua descoberta (por comparações entre pontos em duas chapas fotográficas) em 1930 a uma análise (ainda feita à distância) sobre o que poderá ser a superfície do planeta, a sua eventual atmosfera, os três satelites que o orbitam (Caronte, Nyx e Hydra), a sua composição e estrutura interna… Dados que em 2015 poderão ser confirmados, amplificados (ou refutados) com a chegada da sonda New Horizons, que segue neste momento já para lá da órbita de Júpiter, para assinara a primeira visita de um objecto construído pelo homem às cercanias do mundo distante deste pequeno planeta.

O livro junta à descrição do que se sabe sobre Plutão alguma informação adicional sobre mundos que estão imediatamente mais próximos (Urano e Neptuno, em concreto, relatando até como foram descobertos) e, depois, avançando pela Cintura de Kuiper, espreitando o que o espaço do nosso Sistema Solar poderá ter para lá do planeta anão que lhe serve de “sentinela”.

Destaque-se a capacidade do autor em entender dois níveis distintos de leitura neste livro. Um deles, correndo capítulo após capítulo falando num patamar de divulgação científica para o não especialista, um outro, mais adiante, aprofundando detalhes em pequenas inserções complementares de texto.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

A caminho de Marte:
Mars Global Surveyor (1996)


Uma das mais importantes missões orbitais na história da exploração marciana, a Mars Global Surveyor representou o regresso da Nasa ao planeta vermelho após longo hiato que se seguiu às duas bem sucedidas sondas Viking. Lançada em Novembro de 1996, atingiu a órbita de Marte em Julho de 1997, iniciando trabalhos que se prolongaram até 2006. A bordo, além dos sistemas de captação de imagem (que permitiram a construção de um detalhado mapa da superfície do planeta), a sonda orbital levava a bordo um altímetro, um espectrómetro e um magnetómetro, além de outros instrumentos. Das observações feitas foi concluído que o solo marciano é essencialmente feito de rocha vulcânica, que a sua crosta é estratificada e terá 10 quilómetros de espessura, que as ravinas identificadas em vários locais poderão ter resultado da circulação de água líquida no passado, que as formas de “queijo suíço” (buracos na calote polar Sul do planeta) poderão indiciar um aumento gradual da temperatura.


Por estas três imagens da superfície marciana podemos ver, em primeiro lugar, ravinas que têm gerado a hipótese de modelos com circulação de água que justifique as suas formas. A segunda imagem mostra o Arsia Mons, um dos grandes vulcões que podemos encontrar em Marte. A terceira imagem revela a calote polar Norte do planeta.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Um lugar ao Sul


Em certas porções da sua área a calote de gelo chega a ter perto de 2,5 quilómetros de espessura sobre o solo rochoso. Um mapa, resultante de 1,9 milhões de medições, permitira ter um olhar com algum detalhe sobre a Antárctida, o grande continente gelado que mora sobre o Pólo Sul do nosso planeta. Agora o Bedmap 2, um estudo apresentando numa reunião anual de geofísica (a decorrer em San Francisco, na Califórnia) revelou um “afinar” da informação através de um novo mapa da Antárctida, resultante de 27 milhões de medições. No mapa as zonas a azul representam o espaço abaixo do nível da água do mar, quanto mais escuro maior a profundidade. Amarelos, laranjas e vermelhos traduzem, por seu lado, altitudes progressivamente maiores acima desse nível. O estudo ganha particular importância num período em que, perante cenários de aquecimento global, se questiona que papel podem ter os gelos da Antárctida num quadro planetário.

Podem ler mais aqui sobre este projecto.