Como defender o nosso espírito na idade do lixo informativo — mais do que uma interrogação, eis um método de resistência proposto por Yuval Noah Harari, autor de livros como Nexus em que se pensa e problematiza este nosso mundo de redes e avalanches de (des)informação — ei-lo, partilhando alguns contagiantes minutos de reflexão.
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sábado, agosto 16, 2025
quinta-feira, novembro 28, 2024
Energia Nuclear Já!
— a urgência de uma discussão
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| Marie Curie, evocada por Oliver Stone |
Não é todos os dias que uma distribuidora cinematográfica se empenha na criação de condições para que um filme ligado a uma temática actual, social e politicamente urgente, possa ser visto (também) pelos espectadores mais jovens. Acontece agora com Energia Nuclear Já!, documentário de Oliver Stone revelado no Festival de Veneza (extra-competição): a Zero em Comportamento anunciou que, a par da exibição normal, estabeleceu acordos com as principais cadeias de cinema no sentido de criar condições para sessões especiais visando os alunos do ensino secundário.
Assumindo-se como narrador, Stone expõe a sua defesa da energia nuclear como alternativa para combater as alterações climáticas, recordando a vertiginosa evolução que vai desde as experiências de Marie Curie com a radioactividade até à vanguarda das investigações contemporâneas. Não se trata de um banal “prós & contras” para alimentar algumas histerias televisivas, antes de um genuíno labor de investigação que sublinha a urgência de uma discussão que envolve o futuro de todos os seres humanos.
quinta-feira, setembro 20, 2018
Da vida e morte dos pandas
Quando nasce um panda, normalmente nascem dois... E, a maior parte das vezes, só um sobrevive: a mãe tem dificuldade em alimentar os dois recém-nascidos, pelo que tende a descurar um deles, desse modo garantindo a sobrevivência do outro. No Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding, na província de Sichuan, na China, essa é uma realidade bem conhecida — e que os cientistas e tratadores tentam contrariar. De tal modo que se ocupam das mães que têm dois gémeos, trocando regularmente os seus rebentos (cerca de dez vezes por dia), de modo a que ambos possam resistir. É um admirável labor de sofisticação científica, dedicação humana e água com mel... Podemos descobri-lo através de um video divulgado pela BBC, com narração de David Attenborough.
terça-feira, março 11, 2014
Sobre o novo 'Cosmos':
para já foi um "small bang"...
Há sempre um risco à espreita sempre que uma sequela se coloca pela nossa frente: o da comparação com o original. Ainda é cedo para tecer uma opinião "definitiva" sobre a nova série Cosmos: A Spacetime Odissey que ontem teve estreia nos nossos pequenos ecrãs (um episódio não faz uma série, naturalmente)... Mas depois de visto o episódio de estreia deste novo Cosmos, a palavra “desilusão” é a que mais bem descreve o cair por terra (não por Terra) das expectativas que a campanha de lançamento fizera antecipar.
É preciso ter em conta que na origem desta nova série está uma outra que representou simplesmente a melhor que alguma vez levou os espaços da divulgação científica para os pequenos ecrãs. Animada pela visão e conhecimento de Carl Sagan, pelos seus dotes de grande comunicador e evidente entusiasmo na partilha do saber, o Cosmos original juntava o state of the art dos efeitos visuais da época não só para nos mergulhar numa viagem imaginária pelo Valles Marineris como pela Biblioteca de Alexandria, muitas das memórias de homens de ciência e descobertas de outros tempos surgindo em reconstituições de época que assim somavam o passado e o futuro a uma história que se contava no presente. E o presente tinha uma data: 1980.
Antes de mais, que fique claro que não tenho nada contra a novidade (pelo contrário). Nem contra as sequelas. Nem mesmo contra os remakes, desde bem feitos e tragam algo de novo ou confiram nova visibilidade à matéria prima na origem das ideias... O Império Contra-Ataca ou Indiana Jones e A Última Cruzada são dois bons exemplos de belíssimas sequelas. E o remake de Smile, pelo próprio Brian Wilson, é uma pequena maravilha da história da canção pop.
Mais de três décadas depois, o novo Comos partilha a co-autoria de Ann Druyan (que claramente vinca a “marca” Sagan no discurso) e recupera algumas das ideias originais, do calendário cósmico à nave da imaginação com a qual o novo apresentador caminha pelo cosmos. Nova tecnologia digital sugere outras imagens da superfície de Marte, de explosões solares, dos anéis de Saturno... E até aqui, tudo até parece correr bem.
Mas por muito que seja uma figura interessante e informada, o novo apresentador Neil deGrasse Tyson não é um Sagan (e ao apresentar um “Cosmos” não se livra de uma comparação desfavorável que, numa série com outro título e talvez outra agenda, seria problema inexistente). Falta-lhe o entusiasmo quase juvenil e familiar com que Sagan fazia das anãs brancas e dos puslares coisas que pareciam lá de casa. A ver como a evolução dos episódios permite ou não a sua “descolagem” das evidentes ligações “gravíticas” a Sagan que, para já, não venceu.
As imagens digitalmente criadas são interessantes. Mas se esse é “o valor maior” da nova série, então vale a pena recordar as propostas do britânico Brian Cox em Wonders of The Solar System ou Wonders of The Universe onde, pelo menos do que podemos comparar com o que se viu neste episódio de estreia, os resultados parecem bem melhores.
O que é mesmo mau neste novo Cosmos é a animação e a música. As sequências que evocam Giordano Bruno são histórica e cientificamente interessantes, mas o registo de animação “clássica” está longe do melhor que o desenho tem levado aos ecrãs. E a música, assinada por Alan Silvestri (que tem coisas do calibre de um Capitão América, G.I Joe e afins) é de pompa sinfonista desinteressante e incaracterística, vincando um contraste negativo na comparação com a presença de peças de Vangelis (sobretudo do álbum Heaven and Hell) na série original. Não havia entre os novos valores da música eletrónica quem desse melhor conta do recado?
Volto a sublinhar que ainda é cedo para assinar uma opinião definitiva sobre a série. Mas convenhamos que não começou lá muito bem...
É preciso ter em conta que na origem desta nova série está uma outra que representou simplesmente a melhor que alguma vez levou os espaços da divulgação científica para os pequenos ecrãs. Animada pela visão e conhecimento de Carl Sagan, pelos seus dotes de grande comunicador e evidente entusiasmo na partilha do saber, o Cosmos original juntava o state of the art dos efeitos visuais da época não só para nos mergulhar numa viagem imaginária pelo Valles Marineris como pela Biblioteca de Alexandria, muitas das memórias de homens de ciência e descobertas de outros tempos surgindo em reconstituições de época que assim somavam o passado e o futuro a uma história que se contava no presente. E o presente tinha uma data: 1980.
Antes de mais, que fique claro que não tenho nada contra a novidade (pelo contrário). Nem contra as sequelas. Nem mesmo contra os remakes, desde bem feitos e tragam algo de novo ou confiram nova visibilidade à matéria prima na origem das ideias... O Império Contra-Ataca ou Indiana Jones e A Última Cruzada são dois bons exemplos de belíssimas sequelas. E o remake de Smile, pelo próprio Brian Wilson, é uma pequena maravilha da história da canção pop.
Mais de três décadas depois, o novo Comos partilha a co-autoria de Ann Druyan (que claramente vinca a “marca” Sagan no discurso) e recupera algumas das ideias originais, do calendário cósmico à nave da imaginação com a qual o novo apresentador caminha pelo cosmos. Nova tecnologia digital sugere outras imagens da superfície de Marte, de explosões solares, dos anéis de Saturno... E até aqui, tudo até parece correr bem.
Mas por muito que seja uma figura interessante e informada, o novo apresentador Neil deGrasse Tyson não é um Sagan (e ao apresentar um “Cosmos” não se livra de uma comparação desfavorável que, numa série com outro título e talvez outra agenda, seria problema inexistente). Falta-lhe o entusiasmo quase juvenil e familiar com que Sagan fazia das anãs brancas e dos puslares coisas que pareciam lá de casa. A ver como a evolução dos episódios permite ou não a sua “descolagem” das evidentes ligações “gravíticas” a Sagan que, para já, não venceu.
As imagens digitalmente criadas são interessantes. Mas se esse é “o valor maior” da nova série, então vale a pena recordar as propostas do britânico Brian Cox em Wonders of The Solar System ou Wonders of The Universe onde, pelo menos do que podemos comparar com o que se viu neste episódio de estreia, os resultados parecem bem melhores.
O que é mesmo mau neste novo Cosmos é a animação e a música. As sequências que evocam Giordano Bruno são histórica e cientificamente interessantes, mas o registo de animação “clássica” está longe do melhor que o desenho tem levado aos ecrãs. E a música, assinada por Alan Silvestri (que tem coisas do calibre de um Capitão América, G.I Joe e afins) é de pompa sinfonista desinteressante e incaracterística, vincando um contraste negativo na comparação com a presença de peças de Vangelis (sobretudo do álbum Heaven and Hell) na série original. Não havia entre os novos valores da música eletrónica quem desse melhor conta do recado?
Volto a sublinhar que ainda é cedo para assinar uma opinião definitiva sobre a série. Mas convenhamos que não começou lá muito bem...
quarta-feira, abril 27, 2011
Em contagem decrescente (3)
quinta-feira, janeiro 13, 2011
A próxima fronteira do turismo

Mesmo em tempo de crise, o turismo espacial não desaparece da agenda de quem ali vê um mundo de novas possibilidades. A Virgin Galactic continua a trabalhar o seu projecto com um veículo desenvolvido por uma companhia californiana. O veículo tem por nome de trabalho Enterprise e deverá fazer os primeiros voos de ensaio ainda este ano.

Ao mesmo tempo o projecto europeu, ligado à Astrium, que, depois de anunciado em 2007, chegara a ser travado por consequência directa do panorama financeiro global, está afinal também a ser desenvolvido. Com as dimensões de um pequeno avião particular, este veículo levantará voo como qualquer outro avião, atingindo uma altitude de 12 km e só então ligando propulsores que o levarão a 100 km da superfície.
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Um mundo a 560 anos-luz

É a primeira grande descoberta científica comunicada em 2011. A Nasa anunciou a descoberta do primeiro exoplaneta (ou seja um mundo exterior ao nosso sistema solaer) de solo rochoso. Com um raio que se calcula ser apenas 1,4 vezes o da Terra, o planeta Kepler 10b foi inicialmente detectado em 2009 ao passar frente à sua estrela, a 560 anos-luz de distância. A descoberta revela assim o primeiro planeta fora do sistema solar com uma superfície rochosa. A localização deste mundo rochoso deve-se ao telescópio Kepler, da Nasa. Kepler 10b completa uma órbita em torno da sua estrela em menos de um dia (o que faz com que, por o próximo da estrela, a sua superfície possa apresentar parte das rochas num estado de fusão) e não está na chamada “zona habitável”, aquela cujas temperaturas permitem a presença de água no estado líquido.
Imagens de um vídeo da Nasa com uma visualização artística do planeta e a estrela que tem por perto.
quinta-feira, janeiro 06, 2011
Os planetas, segundo Björk
Björk criou música para uma nova aplicação para o iPad. Em concreto, cedeu uma versão instrumental de um tema que integrará o seu próximo álbum para uma aplicação que, entre textos e imagens 3D, apresenta os diversos mundos do nosso sistema solar.
segunda-feira, dezembro 27, 2010
Acontecimentos do ano:
Nasa revela novas formas de vida

Com um raro aparato (e lançando desde logo expectativas) sobre uma descoberta que se sabia ser do campo da exobiologia, a Nasa revelou, já na recta final do ano, a descoberta de um novo tipo de bactérias encontradas no Lago Mono, na Califórnia, com um metabolismo à base de arsénico (o que até aqui se julgava impossível em função dos mecanismos biológicos conhecidos). A revelação permite sobretudo um alargar do leque de hipóteses para a busca de vida extra-terrestre...
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Para o infinito (e mais além)

O programa de viagem apontava para 2015 a chegada a um lugar, já fora do sistema solar, em que os ventos solares deixam de se sentir e a vastidão do espaço interestelar dita novas regras. Mas de acordo com a equipa que monitoriza a viagem da Voyager 1, a pequena sonda lançada em 1977 atingiu já a heliopausa neste momento. Este não é contudo o ponto final de uma viagem que, ao longo dos anos nos deu não apenas olhares próximos sobre outros corpos do sistema solar (sobretudo os sistemas em torno de Júpiter e Saturno) como todo um conjunto de outras leituras importantes sobre o nosso sistema solar. Ao longo dos próximos anos a nave vai conhecer uma gradual desactivação dos seus sistemas, devendo deixar de funcionar dentro de 15 anos.



Três imagens que a Voyager 1 nos fez chegar. A primeira observando de perto a grande mancha que conhecemos na superfície de Júpiter. A segunda observando uma erupção vulcânica em Io (satélite de Júpiter). A terceira, olhando um pormenor da atmosfera de Titã (satélite de Saturno).
quinta-feira, setembro 23, 2010
A Travessia do Mar Vermelho (em versão científica)

Moisés, aliás Charlton Heston, conseguiu assim a proeza de separar as águas do Mar Vermelho, garantindo a passagem dos israelitas, escapando ao jugo do Faraó do Egipto — é uma imagem emblemática, universalmente conhecida, do clássico de Hollywood Os Dez Mandamentos (1956), de Cecil B. de Mille. Episódio bíblico narrado no Livro do Êxodo, a Travessia do Mar Vermelho foi recriada ao longo dos séculos, nomeadamente na pintura [em baixo, o exemplo magistral de Poussin].
Agora, a ciência achou por bem dar o seu contributo. Que é como quem diz: cientistas americanos do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR), da Universidade do Colorado, apresentaram um trabalho teórico sobre o modo como o vento poderá ter gerado o fenómeno de divisão das águas (embora num local diferente daquele que a Bíblia refere).
A notícia está nos meios de informação de todo o mundo [exemplo: BBC], ironicamente não desencadeando grandes inquietações. De facto, assistimos assim a mais um episódio típico do "cientismo" dos nossos dias, empobrecendo de igual modo crentes e não crentes.
Não está em causa que a investigação científica contemporânea possa aplicar os mais sofisticados recursos para compreender os mais complexos fenómenos naturais. Acontece, porém, que a "verdade" asséptica dos relatórios científicos tende a ocupar o espaço tradicionalmente pertença de um dos maiores legados da história da humanidade. A saber: o património de histórias que gerações e gerações transmitiram entre si, ao longo de séculos e séculos.
Não está em causa que a investigação científica contemporânea possa aplicar os mais sofisticados recursos para compreender os mais complexos fenómenos naturais. Acontece, porém, que a "verdade" asséptica dos relatórios científicos tende a ocupar o espaço tradicionalmente pertença de um dos maiores legados da história da humanidade. A saber: o património de histórias que gerações e gerações transmitiram entre si, ao longo de séculos e séculos.
Mais concretamente: será que vamos começar a dispensar os livros, preferindo as investigações científicas capazes de os "substituir"? Será que alguém anda a estudar o modo como a madeira se pode converter em carne humana, evitando assim que percamos tempo a ler o Pinóquio?

NICOLAS POUSSIN (1594-1665)
Travessia do Mar Vermelho
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