quarta-feira, junho 26, 2019

Edith Scob (1937 - 2019)

Misteriosa e diáfana, senhora de presença inimitável, foi a actriz fetiche de Georges Franju: a francesa Edith Scob faleceu no dia 26 de Junho, em Paris — contava 81 anos.
Aos 22 anos, o protagonismo em Olhos sem Rosto (1960), de Franju, seria suficiente para lhe conferir uma dimensão lendária. Em boa verdade, na maior parte das cenas, o seu rosto surgia tapado por uma máscara, interpretando uma jovem desfigurada na sequência de um acidente — numa espécie de derivação perversa do mito de Frankenstein, o pai, um cirurgião plástico interpretado por Pierre Brasseur, recorria aos meios mais radicais para tentar reconstituir as suas feições.
Trabalharia mais cinco vezes sob a direcção de Franju, nomeadamente em O Pecado de Teresa (1962 e Judex, o Vingador (1963), de tal modo que passou os anos 60, período áureo da Nova Vaga, num universo artístico exterior às respectivas convulsões (o que, de alguma maneira, envolve o próprio Franju, ainda hoje um autor pouco divulgado).
Na sua filmografia, a quantidade de títulos televisivos acaba por ser dominante. Ainda assim, vimo-la em composições, por vezes discretas, mas não menos marcantes, em A Via Láctea (1969), de Luis Buñuel, O Verão Assassino (1983), de Jean Becker, Os Amantes da Ponte Nova (1991), de Leos Carax, Casa de Lava (1994), de Pedro Costa, O Tempo Reencontrado (1999), de Raul Ruiz, Tempos de Verão (2008), de Olivier Assayas, e Holy Motors (2012), de novo sob a direcção de Carax, numa personagem que evocava o seu papel em Olhos sem Rosto. Com uma trajectória igualmente importante no teatro, fundou, em 1976, com o marido, o compositor Georges Aperghis, o ATEM (Atelier de teatro e música) de Bagnolet, arredores de Paris.

>>> Trailers de Olhos sem Rosto e Holy Motors.




>>> Obituário no Libération.