Escrevi, aqui, no Sound + Vision, em dezembro de 2007:
"Poucas semanas depois de editar um dos melhores discos da sua obra, Ascent, Bernardo Sassetti volta a marcar o ano musical com a edição em disco de uma das melhores bandas sonoras alguma vez compostas para um filme português. Em espaço não-jazz, a música de Alice é um espantoso universo de caminhos definidos ao piano (nos dedos do próprio Bernardo Sassetti), com intervenções do clarinete de Rui Rosa e do contrabaixo de Yuri Daniel, envolvendo ainda, a dados momentos, elementos ambientais da sonoplastia do filme, colocando esta música no seu lugar de origem: uma Lisboa de horas perdidas e sofridas, uma Lisboa actual e desencantada, melancólica. Os ciclos melódicos aceitam a ideia de temas e variações, num jogo em ciclos que nos encanta. Por vezes lembra os diálogos entre o piano e o clarinete do Facades, de Glassworks (Philip Glass, 1982), mas a personalidade de Sassetti e as intenções de contextualização desta música num espaço e numa história definem vida própria. Aplauda-se não só a excelente banda sonora, mas também a ousadia da aposta da Trem Azul numa edição de música para cinema feita entre nós. Coisa rara. Muito rara!"
Recordamos aqui um pequeno filme de Cláudia Varejão sobre a música de 'Alice', criado por alturas da sua apresentação ao vivo, no Teatro Maria Matos, em Lisboa.
