Não é a primeira vez que Tim Burton aborda o formato musical. Fê-lo, exemplarmente, por duas vezes, tanto em O Estranho Mundo de Jack e A Noiva Cadáver, ambos os casos filmes de animação, com canções expressamente criadas para o efeito pelo seu regular parceiro Danny Elfman. Sweeney Todd, contudo, representa um passo de outra ousadia, não só ao trazer o musical para os corpos de carne e osso dos actores como ao “ousar” adaptar ao cinema, seguindo a rigor as canções originais, o musical com o mesmo nome, assinado por Stephen Sondheim. Antigo mito urbano londrino, Sweeney Todd é um barbeiro que, atirado para a prisão por um juiz corrupto que lhe fica com a mulher, regressa para se vingar. A navalha, afiada, faz mais que a barba a quem visita a barbearia e nunca mais de lá regressa. A ajudá-lo, a dona do restaurante no rés-do-chão, que outrora fazia as empadas menos desejadas de Londres e que, com carne “nova”, transforma o negócio e faz do menu renovado um dos mais populares repastos da cidade... A história não poderia fugir nunca a Tim Burton, cabendo que nem uma luva no seu livro de estilo. Burton adapta o musical com rigor musical (Sondheim assistiu e aprovou), mas visualmente chama a história, personagens e lugares ao seu universo sombrio, gótico e muito pessoal. E é aí que Sweeney Todd “brilha”. A cor mal surge numa cidade de clima e gente desbotada e só o vermelho, exacerbado, do sangue, rompe a “harmonia” desmaiada dos cenários. Nota maior para Johnny Deep na sua sexta colaboração com Burton (a segunda cantada, na sequência de A Noiva Cadáver) e para um espantoso Sacha Baron Cohen, o rival barbeiro Pirelli.
domingo, fevereiro 03, 2008
Navalha ataca
Não é a primeira vez que Tim Burton aborda o formato musical. Fê-lo, exemplarmente, por duas vezes, tanto em O Estranho Mundo de Jack e A Noiva Cadáver, ambos os casos filmes de animação, com canções expressamente criadas para o efeito pelo seu regular parceiro Danny Elfman. Sweeney Todd, contudo, representa um passo de outra ousadia, não só ao trazer o musical para os corpos de carne e osso dos actores como ao “ousar” adaptar ao cinema, seguindo a rigor as canções originais, o musical com o mesmo nome, assinado por Stephen Sondheim. Antigo mito urbano londrino, Sweeney Todd é um barbeiro que, atirado para a prisão por um juiz corrupto que lhe fica com a mulher, regressa para se vingar. A navalha, afiada, faz mais que a barba a quem visita a barbearia e nunca mais de lá regressa. A ajudá-lo, a dona do restaurante no rés-do-chão, que outrora fazia as empadas menos desejadas de Londres e que, com carne “nova”, transforma o negócio e faz do menu renovado um dos mais populares repastos da cidade... A história não poderia fugir nunca a Tim Burton, cabendo que nem uma luva no seu livro de estilo. Burton adapta o musical com rigor musical (Sondheim assistiu e aprovou), mas visualmente chama a história, personagens e lugares ao seu universo sombrio, gótico e muito pessoal. E é aí que Sweeney Todd “brilha”. A cor mal surge numa cidade de clima e gente desbotada e só o vermelho, exacerbado, do sangue, rompe a “harmonia” desmaiada dos cenários. Nota maior para Johnny Deep na sua sexta colaboração com Burton (a segunda cantada, na sequência de A Noiva Cadáver) e para um espantoso Sacha Baron Cohen, o rival barbeiro Pirelli.
Um retrato de uma época
A Missa (Mass, no original), de Leonard Bernstein (1918-1990), nasceu para surpresa de tudo e todos quando, em 1971, o John F. Kennedy Center For Performing Arts (em concreto, Jacqueline Kennedy) lhe encomendou uma obra para ser estreada na noite da sua inauguração, não especificando junto do compositor (e também reconhecido maestro) que tipo de peça pretendia. Bernstein tinha há muito uma admiração por Kennedy e, de resto, havia-lhe dedicado a sua terceira sinfonia, na sequência do assasinato do Presidente em Dallas, em 1963. De formação pessoal judaica, Bernstein optava pela composição de uma missa (um dos géneros mais importantes da tradição musical na velha Europa cristã) não apenas para assinalar o facto de Kennedy ter sido o Presidente católico apostólico romano dos EUA, mas também porque, nem inícios de 70, a Igreja vivia tempos de mudança (da emergência da teologia da libertação à revisão de velhos dogmas e rituais), que assim fazia questão de sublinhar. A Missa, de Bernstein, mais que apenas uma obra religiosa, é uma obra política, servindo a forma musical (e a sua carga histórica) como catalisador para uma demonstração do poder unificador das artes em volta da memória de uma figura e a crença uma ideia. Na sua Missa, Bernstein cruza a exploração concreta de questões do foro religioso (que abordara já, tanto na já referida Terceira Sinfonia e nos Chichester Psalms), com uma reflexão sobre as concretas condições sociais da vida do dia-a-dia, que por si fora já abordada na música de West Side Story. Os dois mundos, não apenas temáticos, mas igualmente musicais (juntando aqui, claramente, tradições da música erudita a marcas da cultura popular, nomeadamente a herança do musical), juntam-se numa obra absolutamente espantosa, que apela a uma necessidade de espiritualidade. Musical, política e socialmente, a Missa de Bernstein é um retrato do seu tempo. Teatralizada, cruza linguagens, sublinhando também na sua interpretação a noção de diversidade que a própria música em si transporta. A nova gravação, dirigida por Kent Nagano, abre novas visões sobre uma obra até aqui essencialmente conhecida em gravações dirigidas pelo próprio Bernstein. Trabalho notável de Nagano, acompanhado pela Sinfónica de Berlim, contando ainda com solistas do Pacific Mozart Ensemble e o Rundfunkor Berlin. Edição em CD duplo pela Harmonia Mundi.
O sexo, aliás, o medo
Sex, 1992

Editado a 21 de Outubro de 1992, o livro Sex (Warner Books) terá sido a obra de toda a carreira de Madonna que mais inimigos lhe criou. Porquê? Pelo carácter "provocatório" das imagens? Talvez, mas o certo é que as fotografias de Steven Meisel, muito ao contrário da pornografia dominante, recusam qualquer "verismo" simplista, antes afirmando-se através de uma luminosa e honesta teatralidade.
Ou ainda pelo desafio a todos os moralismos que queiram ver/represen-tar o sexo recusando a ambiguidade dos prazeres que o habitam e, mais do que isso, a pulsão de morte que o atravessa? Sim, sem dúvida por isso. Mas não através da obscenidade do "escândalo" pré-fabricado (obscenidade que, aliás, se tornou a lei dominante de muitas formas de jornalismo televisivo, sem que os guardiões dos bons costumes ao menos formulem alguma dúvida metódica sobre a sua pertinência informativa...). De facto, e como muito bem recorda a própria Madonna quando agradece o decisivo contributo de Meisel, tratava-se de colocar em cena (como num teatro de desejos, justamente) o medo inerente ao sexo — e a vertigem que o rasga.
Com a sua célebre capa metálica, fechado numa embalagem de papel de alumínio (com o rosto de Madonna a emergir a azul), Sex surgiu como um objecto que devolve o leitor à sua solidão: era preciso rasgar o papel e reconhecer que nenhuma imagem escapa ao labor metódico do fantasma. Num certo sentido, havia algo de infantil em todo o dispositivo (mediático, figurativo e narrativo) de Sex — como lidar com o medo que as histórias fazem? Ou ainda: como ter medo e continuar a contar histórias?
A mulher e o símbolo
Foto de Steven Meisel - campanha Versace, 1995
O livro de Lucy O’Brien sobre Madonna chama-se Como um Ícone (no original Like na Icon, lançado no Verão de 2007 pela Bantam Press). E faz sentido que assim seja. De facto, não estamos perante uma vulgar biografia de uma personagem famosa. Mesmo detalhes como os que atrás se referem não resultam de uma abordagem mais ou menos pitoresca, antes surgem integrados num trabalho enraizado numa sólida estratégia jornalística: trata-se de tentar perceber como é que uma mulher americana nascida em 1958, numa típica família católica de Bay City (estado do Michigan), se transforma, primeiro num singularíssimo fenómeno da música popular, depois numa entidade de fama e impacto realmente global. Como um ícone, de facto. Ou, para falarmos em termos mitológicos: como uma Rainha (do mundo da pop).Como se compreenderá, Como um Ícone não é um livro de espectaculares “descobertas” ou revelações “escandalosas”. Do impacto inicial de canções como Holiday ou Burning Up (1983) até à sofisticação dos espectáculos da “Drowned World Tour” (2001), passando pelas polémicas em torno do livro Sex (1992), Lucy O’Brien vai percorrendo a evolução temática e artística de Madonna, não à procura do efeito gratuito, antes iluminando as ligações entre a vida privada e a expressão pública, a obra pessoal e as transformações da cultura popular nas últimas duas décadas.
Daí duas significativas consequências: por um lado, somos levados a compreender que, para além dos efeitos de moda ou das estratégias de marketing, a obra de Madonna possui uma dimensão eminentemente pessoal, por vezes confessional (releiam-se os poemas do álbum American Life, de 2003); por outro lado, a sua trajectória e, em particular, o seu intransigente individualismo são inseparáveis das transformações do papel social das mulheres nas últimas duas décadas.
Aliás, é sintomático que a própria Lucy O’Brien (nascida em Londres, em 1962) reconheça que a força simbólica desse papel feminino tenha sido fundamental na sua própria relação com o universo de Madonna, primeiro como fã das músicas da década de 80, mais tarde como investigadora. Daí que Como um Ícone seja uma dupla viagem de descoberta: de Madonna como entertainer e dos efeitos sociais e simbólicos do seu trabalho.
Astérix, ma non troppo
Saudades de Christian Clavier... A sua composição de Astérix era um primor de humor e musicalidade; agora, Clovis Cornillac limita-se a "cumprir" de forma académica, sendo sempre secundarizado pelo modo natural, dir-se-ia quase mimético, como Gérard Depardieu encarna Obélix. Em todo o caso, os problemas maiores de Astérix nos Jogos Olímpicos provêm da pompa escusada do seu final "saturado" de efeitos especiais. Ficam alguns gags da primeira parte e, em particular, as deliciosas composições de Alain Delon e Benoît Poelvoorde, respectivamente como Júlio César e Brutus. Seja como for, não é desta que o cinema francês consegue gerar um grande objecto de entertainment global, apesar de — com os seus 78 milhões de euros de orçamento — este ser um dos mais caros filmes da história do cinema europeu.sábado, fevereiro 02, 2008
Estrada fora
Na raiz de O Lado Selvagem, o mais recente filme de Sean Penn, está um livro com uma história real: a do jovem Christopher McCandless que, terminado o curso universitário, abandonou tudo e todos, iniciando uma longa viagem sem destino aparente que o conduziria à morte, solitária, no Alasca, aos 24 anos de idade. O livro, assinado por Jon Krakauer, jornalista e alpinista (com trabalhos publicados na Geo e National Geographic), acaba de conhecer edição entre nós pela Editorial Presença.Como o filme, o livro relata-nos a aventura, estrada fora, de Christopher McCandless. Filho de uma família de classe média da Virgínia, terminou o curso de História e Antropologia em 1990 com boas notas. Fisicamente saudável e ávido leitor, encontrara entretanto sentido para a sua vida nas palavras de escritores como Jack London, Lev Tolstoi e Henry David Thoreau. Tomou algumas das suas sugestões como quase uma fé, alimentando uma progressiva vontade de ruptura com as regras da sociedade, nas quais criticava atitudes que descrevia como materialistas e vazias. Os livros inspiraram--lhe uma fuga rumo a um idílio de contemplação solitária. E, terminado o curso, partiu... Doou o dinheiro que lhe restava na conta à Oxfam e seguiu caminho. Primeiro no seu carro. E, depois de uma avaria, a pé, pedindo boleia. Da Geórgia até à Califórnia. Os pais contrataram detectives, mas nenhum localizou Christopher. Viveu ocasionalmente entre comunidades migrantes ou de hippies, aceitou trabalhos de ocasião. Fazia amigos com facilidade e alimentava um sonho: viver, só, no Alasca.Em Fevereiro de 1992 compra mantimentos e prepara-se para a grande viagem. Chega a Fairbanks a 27 de Abril e, daí, procura boleia que o leve ao sopé das montanhas. Um camionista deixa-o na base de um trilho, que segue, a pé, até encontrar um autocarro abandonado, abrigo a caçadores no Verão. Com um saco de cinco quilos de arroz, um livro sobre plantas selvagens, uma espingarda (que lhe permitiu pequena caça ocasional) e vontade em vencer os desafios da natureza, Christopher McCandless - conhecido na sua vida nómada como Alex) - regista, sistematicamente, num diário, tudo o que faz, observa e sente. A 2 de Junho acaba de ler A Felicidade Conjugal, de Tolstoi. E conclui: "A única felicidade certa na vida é viver para os outros." Resolve regressar. Mas o desespero instala-se quando repara que o rio que passara a pé quando a neve cobria a região era, afinal, uma torrente rápida e perigosa. Inultrapassável. "Calamidade", escreve... Progressivamente mais fraco, escreve menos. Regista as últimas palavras a 12 de Agosto. Seis dias depois, o seu corpo, com apenas 30 quilos, é encontrado dentro do saco- -cama, no autocarro que habitou, solitário, entre as montanhas.
Jon Krakauer, que assinou em 1992, na Outside, um primeiro artigo sobre Christopher McCandless, caracteriza-o, n'O Lado Selvagem quer através de os relatos dos que o conheceram na estrada quer nas palavras que deixou nos seus registos. E assim relata uma aventura que mostra como a intensidade da crença de McCandless foi inversamente proporcional à sua real preparação para a tão sonhada odisseia. O filme segue as pistas do livro mas aproveita, como o próprio Christopher McCandless o fez, para fugir para espaços maiores de uma outra América que hoje pouco mora no cinema. Em ambos, a reflexão implícita sobre a demanda de um idealista que tinha tanto de ingénuo como de rebelde e que pagou com a vida real uma interpretação algo excessiva de palavras de ficção. sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Cem anos depois...
1 de Fevereiro de 1908. Lisboa, 17 horas... Foi há cem anos. A família real regressava de Vila Viçosa. De comboio até ao Barreiro e, depois, de vapor até ao Terreiro do Paço. Vinham de viagem o Rei, a rainha D. Amélia e D. Luis Filipe, o príncipe herdeiro. A esperá-los, no cais, estava o infante D. Manuel. Por vontade do próprio D. Carlos, a viagem daí até ao Palácio das Necessidades seria feita de landau (carro aberto, puxado a cavalo) e não em viatura fechada. Poucos metros de pois de iniciado o percurso, um homem de barbas sai da multidão, atrás do landau real. É Manuel Buíça, que tira uma carabina do capote, aponta e acerta em D. Carlos, que imediatamente tomba morto. Entretanto um outro homem, Alfredo Costa, sai das arcadas do Terreiro do Paço, sobe o estribo da carruagem e dispara sobre o pescoço do Rei, fracturando-lhe a coluna vertebral. D. Luis Filipe levanta-se, puxa do seu revólver, mas é atingido no peito, sobre o esterno. Relatos contam que o príncipe terá disparado sobre Costa, sendo novamente atingido, desta vez por Buíça, a bala rasgando-lhe a face e saindo pela nuca. D. Manuel, tentando ajudar o irmão, é ferido num braço. O cocheiro é atingido na mão, mas põe os cavalos em movimento, em ritmo rápido rumo ao Arsenal da Marinha. Buíça tenta fugir, mas é morto à espada. Costa é agarrado, arrastado e alvejado. Ambos morrem no local, assim como um terceiro civil, inocente. D. Luis Filipe ainda chega com vida à sala de curativos do Arsenal da Marinha, mas perde a vida logo depois. Acto de terrorismo, o regicídio, mesmo sem o aval de muitos partidários da república, foi fatal para a monarquia portuguesa, que sobreviveria por apenas mais dois anos, sob o trono do jovem infante D. Manuel (que reina como D. Manuel II) que, ao invés do irmão assassinado, não estava preparado para as funções de estado que foi forçado a desempenhar... O centenário do regicídio, mais que um dia parara dar voz às causas monárquica e republicana, serve para revisitar a uma distância segura, portanto, racional, os acontecimentos desse 1 de Fevereiro de 1908. Às livrarias chegaram, nas últimas semanas, vários livros sobre os eventos ou por ele inspirados. Vejamos dois casos:
Mataram o Rei!, de Joaquim Vieira e Reto Monico (livro de capa dura publicado pela Pedra da Lua) é uma antologia, essencialmente visual, de páginas publicadas, na época, na imprensa estrangeira, documentando a forma como o regicídio foi acompanhado pelo mundo fora nos dias imediatos ao atentado. O livro abre com uma sóbria contextualização política dos eventos (em Portugal e na sua relação com uma Europa igualmente abalada por outros assassinatos políticos), descrevendo depois com o rigor possível os acontecimentos da tarde de 1 de Fevereiro de 1908, dos funerais de estado que se seguiram e das consequências desse dia. O olhar pela imprensa estrangeira não se esgota na exposição das páginas, sendo recordados fragmentos de textos da época.
A República Nunca Existiu é um curioso exercício de história alternativa, um género pouco frequente na literatura portuguesa. O livro, editado pela Saída de Emergência, é uma colecção de contos que partem, todos, do princípio que o regicídio não aconteceu ou, pelos menos, não foi plenamente consumado. Daí partem visões, umas curiosas, outras nem por isso, em muitos sendo interessante a forma como a história real (e suas personagens, de Salazar a Cunhal) acabam recontextualizadas nestas histórias alternativas. João Aguiar ensaia um modelo narrativo linear que faz de D. Luis Filipe o Rei Luis II que, morrendo sem descendência, entrega a coroa ao tronco miguelista, hoje representado por D. Duarte de Bragança. O mais interessante destes contos é Ao Serviço de Sua Majestade, a história de uma divisão X-Files à portuguesa, fruto do interesse pelo oculto de uma certa D. Maria III... Nova vaga
Rei morto rei posto? Não é bem o caso, mas está encontrada a sucessora mediática do krumping (que teve ponto alto no filme Rize de La Chapelle e nos telediscos de Hung Up e Sorry de Madonna). Chama-se tecktonik. Ou, simplesmente, tck... Floresce em França, sobretudo no centro de Paris. É uma dança estilizada, mais elegante que o krumping, apesar de partilhar (distante) relação com a herança hip hop. Cabelos empapados em gel, roupas justas, braços e pernas em movimento, pose cuidada... A banda sonora colhe referências electro e inscreve-se claramente entre as muitas descendências da França digital de finais de 90. Um primeiro "clássico" tck já se pode escutar no irresistível A Cause des Garçons, da francesa Yelle. Aqui fica o teledisco, coreografado a rigor...Kitsune Vol 5 chega dia... 5
As noites mais dançadas de 1981
‘Nite Romantics’ (EP), 1981
Editado apenas no Japão, o EP Nite Romantics encetou um hábito que os Duran Duran manteriam vivo na sua discografia até 1987, a compilação de remisturas originalmente lançadas nos máxi-singles, fechando a selecção de temas ao álbum mais recente. Assim foi em 1981, naturalmente com os temas do álbum de estreia Duran Duran como protagonistas. Com capa usando a linha gráfica que Malcolm Garrett (da Assorted Images) havia seguido em todos os lançamentos ligados ao álbum de estreia, Nite Romantics encerrava esse capítulo recolhendo as remisturas de Planet Earth e Girls on Film, juntando-lhes dois temas colhidos no lado B do máxi de Careless Memories: Khanada (um dos melhores lados B da discografia dos Duran Duran) e uma segura versão de Fame, original de David Bowie. Além de Nite Romantics, outros dois EPs de remisturas, um apenas para efeitos promocionais: With Compliments e Night Versions foram igualmente lançados contendo temas de 1981, mas sem o impacte do EP japonês.
With Compliments foi um EP lançado na Primavera de 1981 pela EMI. Usado para efeitos meramente promocionais, tendo essencialmente por objectivo o circuito dos DJs e das discotecas, apresentava a versão longa de Planet Earth e, na face B, as versões dos singles Planet Earth e Careless Memories. O EP teve edição portuguesa, igualmente apenas para efeitos promocionais. A capa é uma variação do grafismo do álbum de estreia.
Apenas lançado no mercado australiano, Night Versions serviu de suporte à primeira digressão local dos Duran Duran, em inícios de 1982. O EP é, na verdade, apenas um máxi-single com ambas as faces de igual peso, incluindo, uma delas Girls On Film, a outra, Planet Earth, ambas nas respectivas versões longas. Apesar de editado já em tempo de preparação de Rio, o grafismo e alinhamento mostram ligação ao álbum de estreia.
