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quinta-feira, abril 25, 2024

Chet Baker *, Ashes and Fire (1961)

* Chet Baker (1929-1988) deixou um legado em que o som do seu trompete é indissociável da mágoa das suas vocalizações — esta antologia, editada pela Bandcamp, surgiu a 23 de abril.

sexta-feira, agosto 18, 2017

Chet Baker — jazz & cinema

Ethan Hawke
Há quase um ano e meio, assinalava-se aqui a trajectória de um filme que suscitava muita curiosidade e expectativa: Born to Be Blue tinha Ethan Hawke a interpretar Chet Baker! Infelizmente, confirmaram-se as mais cépticas previsões. Ou seja: o filme nunca chegou às salas portuguesas. Agora, anda discretamente a circular pela televisão por cabo, para mais identificado por um título português, no mínimo, equívoco: O Homem dos Blues. Fica o essencial: importa descobrir tão frágil diamante — este texto foi publicado no Diário de Notícias (13 Agosto), com o título 'Chet Baker contra Chet Baker'.

A canção Born to Be Blue, composta em 1946 pela dupla Mel Tormé/Robert Wells é um lendário standard do jazz, conhecido através de versões de Dexter Gordon, Ella Fitzgerald, Helen Merrill, Ray Charles ou Chet Baker. Born to Be Blue é também o título de um belo filme canadiano de 2015, sobre o trompetista Chet Baker, precisamente, agora disponível na televisão por cabo (TVCine).
Como qualquer outro filme, também este vale por si, independentemente das condições (ou, como agora se diz, das plataformas) da sua divulgação. Ainda assim, como não lamentar que tão delicado objecto de cinema surja no pequeno ecrã sem ter passado pelas salas escuras? A sua odisseia comercial surge também assombrada pelo infeliz título português, O Homem dos Blues. Mesmo tendo em conta as muitas contaminações entre jazz e blues (recorde-se o valor pedagógico da série televisiva The Blues, produzida por Martin Scorsese em 2003), a definição de Chet Baker como “homem de blues” carece de pertinência histórica e estética.
Será preciso acrescentar que o “blue” de Born to Be Blue não é uma classificação musical, antes remete para um misto de desencanto e melancolia? De facto, a existência de Chet Baker (1929-1988) foi uma tragédia suspensa entre o confronto com os grandes intérpretes negros do seu tempo (a começar por Miles Davis) e uma violenta dependência da heroína. Robert Budreau, argumentista e realizador de Born to Be Blue, encena-o nesse ziguezague entre uma cruel pulsão auto-destrutiva e a nunca vencida utopia da música.
Como intérprete de Chet Baker, Ethan Hawke encontra, aqui, um dos maiores desafios da sua carreira. Desde logo, pela aposta em “reproduzir” o olhar triste, a fragilidade da voz e a pose cansada da personagem. Mas sobretudo porque seria demasiado fácil apresentar Chet Baker através de algumas explicações “psicológicas” mais ou menos redentoras.
Daí o jogo de espelhos que Budreau propõe, arriscando para além das obrigações “factuais” de uma biografia. Born to Be Blue oscila entre a vida vivida e a vida imaginada (o filme dentro do filme em que Chet Baker teria interpretado o seu próprio papel), numa ambivalência em que a personagem se define contra a sua própria identidade. Nesse sentido, este é um filme eminentemente jazzístico, não pelos factos narrados, mas pela sua própria construção: trata-se de saber que variações dramáticas são possíveis a partir do tema “Chet Baker” — mesmo quando a melodia inicial parece perder-se pelo caminho, há uma emoção que persiste.

domingo, março 27, 2016

Ethan Hawke interpreta Chet Baker

Revelado no Festival de Toronto de 2015 e só agora lançado em algumas salas dos EUA, Born to Be Blue é daqueles filmes que, a pouco e pouco, vai construindo o seu impacto. A ponto de algumas vozes americanas apontarem, desde já, Ethan Hawke como merecedor de uma nomeação para os Oscars... Seja como for, o desafio não é pequeno: trata-se, nada mais nada menos, de interpretar Chet Baker (1929-1988). Fiquemos com o trailer. Notícias de distribuição em Portugal? — para já, não há.

domingo, abril 20, 2014

Chet Faker em desenho animado

Mais uma descoberta do belo álbum Built on Glass, do australiano Chet Faker. Neste caso, as paisagens electrónicas duplicam-se em deliciosos desenhos animados, num teledisco com imagens de Grace Lee e realização de Domenico Bartolo: chama-se 1998 e é uma elegante viagem de desencanto romântico — We used to be friends / We used to be in a circle / I don't understand / What have I become to you...

quinta-feira, abril 17, 2014

Chet Baker? Chet Faker...

Não é engano: o nome Chet Faker constitui uma humilde homenagem ao grande Chet Baker, aliás inteiramente assumida pelo seu portador. Dito de outro modo: Chet Faker é o cognome artístico do australiano Nicholas James Murphy, admirador militante do criador de Chetty's Lullaby e, como ele próprio sublinha, formado numa pedagógica mistura de jazz e Bob Dylan, com tempero dos sons Motown (dos discos da mãe) e do chill out de Ibiza (mais frequente nas prateleiras do pai).
Digamos que o resultado, patente no seu álbum de estreia — Built On Glass — integra a pluralidade e a elegância de tudo isso, devidamente administradas por uma apurada sensibilidade electrónica, além do mais servida por uma voz de sereno e invulgar dramatismo. A prova: Talk Is Cheap, num belo teledisco sobre a passagem das estações e o espírito anti-natural da mãe Natureza.