quarta-feira, setembro 01, 2010

Em conversa: Perfume Genius (2)


Continuamos a publicação de uma entrevista com Mike Hadreas, que acaba de lançar Learning, um primeiro álbum como Perfume Genius. A entrevista serviu de base ao texto ‘As confissões de uma alma solitária’ publicado na edição de 7 de Agosto do DN Gente.

Quem é o Mike Hadreas?
Quem sou?... Cresci num subúbrio de Seattle... Muitas das canções surgiram num período mais tarde.... Bla bla bla... Não sei. Vivi durante algum tempo com a minha mãe, depois com o meu irmão mais velho. E agora estou de regresso à cidade... Saí por alguns tempos para me afastar de algumas coisas. Das drogas... Mas agora estou de volta. E não me proecupo tanto...

Já pensava na música como uma possível forma de expressão antes de começar a fazer canções?
Não sabia se era isto o que queria fazer no futuro. Andei numa art school. Era a forma artística de que mais gostava. Mas também a mais difícil para mim. Até porque tinha já ouvido muita música e pensava se alguma vez seria capaz de fazer o que quer que fosse ao nível do que estava a ouvir feito por outros. E quase desisti... Encontrava sempre motivos e outras coisas para fazer... Mas foi só quando comecei a fazer música que compreendi que era mesmo o que queria fazer.

Houve alguém, um músico, um disco, uma canção, que o chamasse para a música e não outra das artes?
Não sei bem se houve uma pessoa... Via mais a múisica como um todo. Um objectivo que queria atingir. Procurava chegar a uma espécie de veículo que me pudesse transportar... Sei que parece uma ideia pretenciosa (risos). Mas que captasse uma maneira de estar e a transmitisse às outras pessoas.

A edição e reconhecimento que o disco tem merecido tem mudado algo na sua vida?
Ainda não sei bem. Mas sei, por exemplo, que muitas destas coisas, que pensava que nunca consegiria enfrentar, como lidar com as outras pessoas, manter-me sóbrio, estão a acontecer... Estou apenas a tentar ser genuíno. Tenho falado com mais pessoas, nos últimos temopos, mas não quero ter as respostas certas para as perguntas. Quero ser verdadeiro.

Nas fotografias promocionais aparece com um olho negro. Um olho pisado… Por algum motivo em especial?
Eu tinha, de facto, um olho pisado quando tirei uma das fotos que hoje usamos. E já tive uma dose decente de olhos negros ao longo da minha vida. Mas a foto promocional... Não sei porque o fiz. Não sei mesmo... Acho que há uns dias atrás deveria ter uma resposta melhor, mas não é o caso agora... Gosto de coisas dramáticas. Gosto de coisas com que as pessoas podem lidar. E que tanto podem ser poderosas como até mesmo ridículas. E em função do ambiente e do que queremos criar o olho pisado pode ser um perfeito exagero. Ou não... Não sei... Gosto de olhos pisados...

Fez entretanto vídeos para acompanhar as suas músicas...
Nem sei como falar sobre os vídeos, porque na verdade não pensei muito sobre eles... Sempre gostei de tirar coisas do contexto e dar-lhes uma volta... Foi um pouco isso o que fiz com os vídeos.