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Circula por tudo isto a ilusão paternalista de que a cultura de outro povo é, obrigatoriamente, a cultura de qualquer povo... A maior parte dos dispositivos televisivos amplia o vazio de ideias até à histeria — por exemplo, transformando em acontecimento nacional a viagem de um autocarro desde o Marquês de Pombal até ao Aeroporto da Portela —, postando em sítios estratégicos repórteres que, além da frase "é a loucura!", parecem ter esgotado qualquer interesse pela pluralidade da língua portuguesa.
O mais interessante — leia-se: o futebol — há muito foi excluído de todos estes rituais. Afinal de contas, desde a saga populista de Scolari, as estruturas do futebol português conseguiram produzir uma selecção que quase só se distingue por grandes vitórias contra o Lichenstein e outras equipas afins... Apesar disso, ou precisamente por causa disso, os impulsos para o consumo populista do futebol são cada vez maiores. E, com as vuvuzelas, tais impulsos conseguem ser, literalmente, mais ruidosos — um dos princípios rudimentares deste tipo de histeria nacional é mesmo conseguir que já ninguém ouça ninguém.