quarta-feira, outubro 28, 2009

O século de Francis Bacon

FRANCIS BACON
Study for Head of George Dyer
1967

Na pintura de Francis Bacon encontramos os despojos de um incessante combate com os corpos e suas imagens. São cenas, retratos, coisas realistas e outros fantasmas criados por alguém que se reconhecia de uma geração marcada pelo signo da guerra: "Nasci em 1909. Desde então, houve dúzias de guerras e conflitos em todo o mundo, a começar pelos acontecimentos da Irlanda e a Primeira Guerra Mundial, pouco depois do meu nascimento. Tenho a impressão que as pessoas da minha geração não conseguem, de facto, imaginar uma humanidade sem guerra" (in Entretiens, Michel Archimbaud; Gallimard, 1996) — Francis Bacon nasceu em Dublin, a 28 de Outubro de 1909, faz hoje cem anos.
O maior legado de Bacon [foto] está na sua obstinada fidelidade à figura humana. Fideli-dade ou infidelidade, já que, embora manten-do-se distante da tentação abstraccionista, ele foi pintando corpos alheios a qualquer forma "natural", por assim dizer expondo-os a partir do avesso e, nessa medida, emprestando-lhes uma vibração cruelmente realista. Atraído pela fotografia e pelo cinema (em particular, pela singularidade dos fotogramas), Bacon deixou uma obra imensa e fascinante que resiste a dissolver-se num universo de imagens estereotipadas, enredadas no determinismo da sua "mensagem". Ele foi, afinal, um viajante solitário das euforias e medos do factor humano — faleceu em Madrid, a 28 de Abril de 1992.

>>> Site oficial de Francis Bacon.
>>> Francis Bacon no arquivo da
BBC.
>>> 11 Set. 2008/4 Jan. 2009: exposição na
Tate Britain.