domingo, junho 28, 2009

Mais que apenas os números

É habitual ouvir falar-se de Thriller com uma mão cheia de números. Como se os feitos nas vendas, na quantidade de singles extraídos do disco ou a quantidade dos prémios que arrebatou fossem por si explicação para o facto de ser um dos mais importantes casos da história da música gravada. De facto os números importam. Mas apenas porque traduzem a realidade de um corpo de canções que os justifica (e aquela frase um tanto ignorante, e tantas vezes usada, "é só marketing..." não teria sentido não houvesse, antes da arte da comunicação ao mercado, um disco realmente capaz e um artista ao seu nível).
Thriller foi, em 1982, o sucessor natural de Off The Wall (1979). Michael Jackson, que assina parte do alinhamento, voltou a convocar Quincy Jones para a produção. E, com ele, trabalhou novamente a construção de uma visão igualmente atenta a legados da música soul e da música de dança, juntando mais evidente contaminação rock'n'roll e uma ainda mais fluente e luminosa alma pop. Os feitos musicais são inequívocos e por si justificam o atribuir a Thriller (talvez em conjunto com Off The Wall) o título de obra-prima de Michael Jackson. Porém, o estatuto que o álbum atingiu muito deveu ao facto de ter nascido num momento em que se descobria o potencial do teledisco como nova ferramenta de divulgação musical, tendo Michael Jacskon sido dos primeiros a compreender qual seria a forma ideal de, através desse novo veículo, trabalhar uma imagem para dar forma física a um som.



Este é o teledisco de Beat It, o primeiro com personalidade narrativa na obra videografica de Michael Jackson. Note-se que, tal como na canção, por aqui passa uma evidente homenagem a West Side Story.