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| Dane DeHaan, Luc Besson e Cara Delevingne |
sábado, julho 29, 2017
Luc Besson: Europa & América
terça-feira, maio 20, 2014
Ver + ouvir:
M.I.A. & The Partysquad, Double Bubble Trouble
Novo teledisco para uma das canções do magnífico álbum que M.I.A. editou em 2013. A realização é assinada pela própria.
terça-feira, março 18, 2014
Novas edições:
CEO, Wonderland
Há sempre um tremendo grau de imprecisão quando de aplicam generalizações sem a cautela que o método científico sugere. Uma das generalizações muitas vezes levantadas quando se fala da oferta pop/rock made in Suécia foca atenções numa fluente e viçosa produção. O país é de facto um dos maiores produtores mundiais de discos pop/rock (e a vitória eurovisiva dos Abba em 1974 abriu definitivamente rotas de comunicação com as atenções à escala global), o que não nos deve contudo fazer crer que só de pop vive a música sueca. CEO, ou seja, o projeto a solo de Eric Berglund (dos The Tough Alliance) é contudo mais um nome a vincar a alma pop que domina a balança de exportações da música sueca do nosso tempo. Três anos depois de se ter estreado em White Magic, CEO reforça em Wonderland o gosto pelo talhar de uma pop garrida (o que a capa desde logo sugere), procurando encontrar possíveis pontes entre referências indie do nosso tempo, um trabalho prioritário com eletrónicas e uma produção polida e arrumada (e, lá voltamos à generalização, essa é mesmo uma das imagens de marca de muita da pop sueca que aqui nos chega). Entre as canções e os instrumentais, entre momentos mais inspirados e outros nem tanto assim, entre uma curiosidade por uma ideia de pop dançavel e ritmicamente empolgante e a construção de cenografias ambientais mais tranquilas e elaboradas, Wonderland é um disco desigual, mas do qual emergem alguns momentos que vale a pena reter. Worehouse, lançado como aperitivo, explora caminhos que podemos entender como uma expressão da canção pop numa idade em que a cultura popular assimilou já os ensinamentos da música feita de uma certa animação circular dos Animal Collective. Wonderland, o tema-título, é mesmo a peça central do alinhamento e mostra como as ideias que o grupo de Baltimore podem ser matéria prima para novas reflexões pop. Já temas como Juju ou In a Bubble on a Stream dão conta de uma personalidade mais cinematográfica que oferece bons episódios de contraste. Com 38 minutos de duração Wonderland é um disco saboroso. Podia ser melhor. Mas dá-nos bons momentos de luz pop, bela banda sonora para uma Primavera que está aí a chegar...
segunda-feira, outubro 07, 2013
Novas edições:
Vários Artistas / Peter Gabriel,
And I'll Scratch Yours
Esta é a segunda parte de um díptico que começou a ganhar forma há uns três anos e que, originalmente, deveria ter sido discograficamente concluído pouco depois do lançamento do primeiro deste par de álbuns. Com Peter Gabriel como protagonista, o par de edições centrava-se numa ideia simples: a partilha de versões. Ou seja, numa etapa Peter Gabriel gravaria canções de outros nomes. E, nesta segunda, caberia a uma série de convidados o desafio de registar versões de canções originais de Peter Gabriel. Editado em 2010, Scratch My Back, de Peter Gabriel, apresentava leituras, personalizadas, de temas como Heroes de David Bowie, The Boy In The Bubble de Paul Simon, My Body is A Cage dos Arcade Fire, Listening Wind dos Talking Heads ou Street Spirit (Fade Out) dos Radiohead, juntando ainda temas de Neil Young, Lou Reed, Regina Spektor, Elbow, Bon Iver ou Randy Newman. Agora, depois de tão bem ter coçado as costas de uma notável multidão de canções (e autores) chega a resposta, que começa logo pela forma direta como o título sugere que agora é a vez dos outros o coçarem... And I’ll Scratch Yours é de certa forma um disco-tributo à obra de Peter Gabriel. Porém, ao contrário de muitos projetos coordenados por editoras, revistas (como o foi o I’m Your Fan, dedicado a Cohen, conduzido pela Les Inrockuptibles) ou comissariadas por admiradores, esta foi coordenada pelo próprio “homenageado”. Coube de resto a Peter Gabriel a decisão de avançar pela edição deste segundo disco nesta altura do campeonato, cansado que estava de esperar pelas eventuais contribuições planeadas que não se chegaram a materializar. A ideia original era a criação de um par em que os nomes por si abordados num dos álbuns fossem os mesmos que depois avançariam sobre as suas próprias canções. Apesar de algumas diferenças pontuais, And I’ll Scratch Yours apresenta mesmo assim um corpo comum de nomes com o álbum de 2010. O alinhamento final fala todavia por si, e revela um dos mais agradáveis entre os muitos discos de versões / tributos que por aí andam. David Byrne e Arcade Fire assinam leituras espantosas, respetivamente de I Don’t Remember e Games Without Frontiers. Lou Reed faz de Solsbury Hill uma canção “sua”, o mesmo se podendo dizer da abordagem de Stephin Merritt (dos Magnetic Fields) a Not One Of Us ou a Biko, segundo Paul Simon (numa curiosa ligação, via The Boy In The Bubble que Gabriel reinterpretou, à relação com a África do Sul que o músico talhou nos dias de Graceland). O alinhamento apresenta ainda leituras pessoais de Big Time segundo Randy Newman, Blood of Eden por Regina Spektor ou de Feist, com Timber Timbre, em Don’t Give Up. Brian Eno revisita um espaço da música elétrica onde há muito não caminhava em Mother of Violence. Joseph Arthur não impressiona lá muito em Shock The Monkey. E Bon Iver e os Elbow não parecem conseguir vencer a deferência perante os originais em Come Talk To Me e Mercy Street. Mas no fim, ao cabo de 12 versões, a colheita satisfaz. Poucas vezes vemos reunido um tão nutritivo volume de versões num disco só.
segunda-feira, outubro 17, 2011
Realismo, realismos
sábado, dezembro 12, 2009
Os discos da década (16)
TWELVEPatti Smith, 2007
Afinal de contas, esta foi a década em que Patti Smith completou 60 anos (nasceu a 30 de Dezembro de 1946). Que é como quem diz: são muitas memórias e, acima de tudo, são memórias que integram todas as convulsões da história do rock, do punk e dessa energia visceral que faz da música popular uma matéria viva das transformações de usos e costumes. Twelve são doze canções de outros, essenciais na formação artística e humana de Patti Smith. E encontramos aqui a herança mais primitiva de Jimi Hendrix (Are You Experienced?) e dos Doors (Soul Kitchen: em baixo, num registo de 2007, no programa de Jools Holland), a par das derivações de Paul Simon (The Boy in the Bubble) ou dos Nirvana (Smells Like Teen Spirit). Um clássico feito de clássicos.
sábado, junho 06, 2009
Um filme pelo nosso planeta
Home - O Mundo É a Nossa Casa é um filme que nasce de uma experiência balizada pelos valores da fotografia e da ecologia — este texto foi publicado no Diário de Notícias (5 de Junho), com o título 'Defender aquilo que existe'. No curriculum de Yann Arthus-Bertrand, encontramos diversos álbuns fotográficos sobre as paisagens ameaçadas do planeta Terra (incluindo o muito popular A Terra Vista do Céu) e também outros dedicados a cães, gatos e cavalos. Através de um olhar cândido e contemplativo, aliado a uma técnica cada vez mais sofisticada, a sua obra impôs-se como um testemunho e um requiem: trata-se de celebrar todas as formas de vida e o seu valor mais básico de património da humanidade.
O filme Home – O Mundo É a Nossa Casa surge como uma consequência directa desse trabalho fotográfico. Poderemos considerá-lo politicamente naïf, quanto mais não seja porque, aqui, apenas pressentimos a quantidade imensa de problemas políticos e geo-estratégicos indissociáveis das questões ambientais. O certo é que há nele uma coerência primordial a que, por ironia e complementaridade, apetece chamar fotográfica. Como quem diz: isto existe. Acrescentando, num misto de alegria e angústia: e é preciso defender aquilo que existe.
Além do mais, para lá da especificidade dos seus temas, o lançamento de Home possui componentes que ficam para a história, uma vez que podemos ter acesso ao filme, em simultâneo, nas salas, em DVD e num canal de televisão [dia 5, às 20h28, na RTP2]. Em 2005, nos EUA, Steven Soderbergh tivera o gesto pioneiro de fazer o mesmo tipo de lançamento tripartido com esse filme fabuloso que é Bubble. Ninguém acredita que este passe a ser o padrão universal dos mercados. O certo é que a sua simples experimentação permite-nos perceber que muito do cinema do futuro (ou do futuro do cinema) poderá passar por cruzamentos estratégicos deste género.quarta-feira, abril 15, 2009
Sasha Grey por Steven Soderbergh
É este o cartaz do novo filme de Steven Soderbergh — The Girlfriend Experience —, protagonizado por Sasha Grey, vedeta de muitos filmes pornográficos. Tendo em conta os meios digitais com que foi filmado (a câmara Red One) e a pequenez do seu orçamento (menos de 2 milhões de dólares), parece ser mais uma das suas experiências minimalistas, porventura a colocar a par dos magníficos Full Frontal (2002) e Bubble (2005). Especulação inevitável: deverá ser um dos títulos na competição do Festival de Cannes (13/24 Maio) — recorde-se que Soderbergh ganhou a Palma de Ouro, em 1989, com Sexo, Mentiras e Video.domingo, dezembro 28, 2008
Nuri Bilge Ceylan: realismo digital
Melodrama tecido de negrume e desencanto, à maneira clássica expondo a lenta desagregação de uma família e, também seguindo a lógica de muitos clássicos dos anos 50/60 (vale a pena revisitar Vincente Minnelli), explorando o formato largo (scope) das imagens, criando paisagens de cru, por vezes cruel, intimismo — chama-se Os Três Macacos, tem direcção do turco Nuri Bilge Ceylan, foi um grande momento de Cannes 2008 (prémio de realização) e é um dos últimos grandes títulos a estrear este ano entre nós.quinta-feira, maio 22, 2008
Cannes, 22 de Maio de 2008 (1)
Steven Soderbergh foi a descoberta absoluta da edição de 1989 de Cannes, onde arrebatou a Palma de Ouro — para a sua primeira longa-metragem: Sexo, Mentiras e Video —, atribuída por um juri presidido por Wim Wenders. Depois, a sua filmografia evoluiu da produção rigorosamente independente aos grandes estúdios, do classicismo mais depurado a experimentação mais arriscada. Que é como quem diz: de Kafka (1991) a Ocean's Thirteen (2007), passando por Erin Brokovich (2000), Solaris (2002) ou Bubble (2005). Por vezes, esquecemo-nos de uma verdade rudimentar: ele é, afinal, a par de David Fincher, um dos grandes experimentadores do moderno cinema americano.
Digamos, para simplificar, que o seu novo filme em competição em Cannes — Che, com Benicio Del Toro no papel de Ernesto Che Guevara — é um caso raro de riqueza e complexidade criativa. A saber: uma biografia histórica de Guevara que evolui como um imenso fresco histórico, sem nunca deixar de ser uma espécie de viagem interior por uma personagem na corda bamba entre os gestos concretos e a abstraccao mitológica.sábado, setembro 15, 2007
Dancemos no Mundo
Há sete anos, Sérgio Godinho apresentava no álbum Lupa uma canção que, na essência, traduz o que podemos ver o filme The Bubble, de Eytan Fox, que hoje é exibido pelas 22.00 na Sala 1 do Cinema São Jorge, na secção competitiva do festival Queer Lisboa. Dizia a canção (de título Dancemos no Mundo): Seperam-nos cordas / separam-nos creedos / e creio que medos / e creio que leis. Mais à frente: Separam-nos facas / separam-nos fatwas / pai-nossos e datas / e excomunhões / acondicionando paíxões. The Bubble fala precisamente disto. De um amor dividido e talvez "proíbido" aos olhares de alguns dos que envolvem os dois protagonistas. São eles um israelita e um palestiniano. Cada um vivendo do "seu" lado de um conflito que faz as notícas todos os dias. Um conflito que, à partida, habita apenas fora das vidas interiores de Noam e Ashraf, mas que não deixa de conhecer barreiras, das sugeridas pela colisão de ideais e crenças à própria não aceitação da realidade desta paixão por familiares e por uma cultura que rejeita o que une estes dois homens. Um filme poderoso que, como o recente Paradise Now, de Hany Abu-Assad, mostra um olhar de perto, e na dimensão pessoal, do conflito que arormenta aquela região do globo.
domingo, março 11, 2007
Soderbergh na Alemanha (2/2)
Depois de uma inglória passagem pelos Oscars (sem prémios, apenas uma nomeação para Thomas Newman na categoria de melhor banda sonora), O Bom Alemão, de Steven Soderbergh, com Cate Blanchett e George Clooney [na foto], chegou finalmente às salas portuguesas. Esta é a segunda parte de um texto publicado na revista "6ª" (Diário de Notícias), de 9 de Março, com o título 'Labirinto de solidões':>>> À partida, estamos perante um dispositivo mais ou menos policial sobre os bastidores político-diplomáticos do pós-guerra. Assim, através de Jacob Geismer (George Clooney), correspondente de guerra americano, compreendemos que o interesse de americanos e russos pela figura de Emil Brandt (Christian Oliver), o “bom alemão” do título, é tudo menos inocente: o seu eventual envolvimento em experiências científicas durante a guerra transformou-o numa peça valiosa para as estratégias de qualquer uma das partes que, na mesma altura, discutiam o futuro da Europa e do mundo na Conferência de Potsdam. Mais do que isso: a descoberta da mulher de Emil, a judia Lena Brandt (Cate Blanchett), com quem Jacob tivera uma relação antes da guerra, baralha todos os dados, fragilizando ainda mais o destino de cada personagem.
Seja como for, a estranheza e o fascínio de O Bom Alemão resultam menos do seu look mais ou menos romântico e mais, muitíssimo mais, de todo um labor de metódica decomposição das convenções do cinema (clássico) que o inspira. Soderbergh lança-nos num labirinto em que, afinal, nos sentimos espectadores em estado de orfandade dramática. De facto, de um modo ou de outro, os clássicos melodramas de guerra garantiam-nos a possibilidade de nos identificarmos com alguma personagem em que víssemos o “bem” ou, pelo menos, o “sentido” da história colectiva. Agora, todas as certezas nos vão falhando, pouco mais restando que a evidência da solidão — política e afectiva, carnal e espiritual — em que se move cada uma das personagens. E não é das coisas menos maravilhosas de O Bom Alemão que, tanto Clooney como Blanchett, saibam representar esse desespero brando de quem, apesar de tudo, sobreviveu ao terror dos tempos. Nesse aspecto, Lena (que “fez o que tinha de fazer” para sobreviver ao Holocausto) é uma personagem de comovente convulsão emocional, e tanto mais quanto Blanchett a representa num tom de decomposição adiada, misto de pragmatismo e silenciosa angústia.
Soderbergh confirma, aqui, a sua espantosa agilidade criativa (lembremos que o filme anterior, Bubble, era um extremado exercício de produção independente, seguindo-se, este Verão, Ocean’s Thirteen, mais uma sequela de um blockbuster). Ele é, afinal, um cineasta que não ficou paralisado na retórica de algum cinema pós-moderno: sabe recuperar as formas do cinema clássico, mas não é um formalista. O Bom Alemão é um fabuloso filme sobre as ambiguidades e os silêncios da história colectiva.
sábado, março 10, 2007
Soderbergh na Alemanha (1/2)
O Bom Alemão, de Steven Soderbergh, com Cate Blanchett [na foto] e George Clooney, tem sido, aqui, objecto de algumas referências. O filme, finalmente, estreou e vale a pena sublinhar que raras vezes um objecto se coloca, assim, no centro irradiante da modernidade — estamos perante um exercício de memória histórica que, em última instância, desmonta os próprios mecanismos de representação dessa mesma história. Esta é a primeira parte de um texto publicado na revista "6ª" (Diário de Notícias), de 9 de Março, com o título 'Labirinto de solidões':>>> Assim que começa o genérico de abertura de O Bom Alemão, o espectador não poderá deixar de sentir um duplo e paradoxal impulso: por um lado, as imagens de arquivo, a preto e branco, lançam a acção num contexto histórico muito preciso, ou seja, a cidade de Berlim, em grande parte destruída, nos meses finais da Segunda Guerra Mundial (pouco tempo antes do lançamento de uma bomba atómica sobre Hiroshima, a 6 de Agosto de 1945); por outro lado, o tipo de letras do próprio genérico e, depois, a ficção (que continua a preto e branco) projectam o filme numa memória mais ou menos nostálgica do melodrama de guerra, tal como foi praticado em Hollywood, especialmente durante a década de 40. Daí o segundo paradoxo: O Bom Alemão corre o risco de ser recebido como um mero exercício de revivalismo decorativo quando, em boa verdade, estamos perante uma subtil reavaliação de leis e códigos daquele tipo de melodrama.
Grande parte das resistências que O Bom Alemão encontrou nos EUA explicam-se, provavelmente, por esse equívoco: Steven Soderbergh não quis fazer uma “cópia” das aventuras românticas de Hollywood — a começar, como é óbvio, por Casablanca (1942) —, mesmo se é verdade que todo o seu trabalho aposta numa espécie de sobreposição perversa com o look dessas mesmas aventuras. Nesse aspecto, a démarche de Soderbergh é tanto mais intencional e controlada quanto, à semelhança do que já aconteceu em outros dos seus filmes (Bubble, por exemplo, entre nós apenas lançado em DVD), ele próprio acumula as funções de director de fotografia, assinando com o pseudónimo de Peter Andrews. Trata-se, aliás, de um trabalho altamente sofisticado, não só pela iluminação que implica, mas também porque as imagens resultam de uma filmagem a cores (veja-se, no genérico final, a referência ao laboratório da Technicolor) e de uma complexa pós-produção digital para passagem a preto e branco.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Soderbergh: Ocean's 11 + 12 + 13
Eis um caso singular de sequela sobre sequela. E com um somatório de ironia. Depois de Ocean's Eleven (2001) e Ocean's Twelve (2004), anuncia-se para este Verão Ocean's Thirteen (8 de Maio nos EUA, 7 de Junho em Portugal). Enquanto o leque base de actores persiste — George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, etc. —, a lista de convidados vai-se diversificando, desta vez incluindo Al Pacino. O primeiro teaser pode ser visto no site da Apple, em formato HD.O realizador Steven Soderbergh segue, assim, uma lógica plural de trabalho, alternando com agilidade as pequenas (pequeníssimas) produções como Bubble e os grandes empreendimentos como este Ocean's Thirteen ou o anterior The Good German/O Bom Alemão (estreia portuguesa: 8 de Março). Nessa perspectiva, ele é um dos autores contemporâneos que mais, e melhor, tem sabido contrariar qualquer oposição maniqueísta entre os grandes orçamentos e as produções independentes.
sexta-feira, dezembro 29, 2006
2006: Os Filmes
Cinema1º 'Juventude em Marcha', de Pedro Costa
2º 'Gabrielle', de Patrice Chéreau
3º 'Entre Inimigos', de Martins Scorsese
4º 'A Senhora da Água', de M. Night Shyamalan
5º 'Uma História de Violência', de David Cronenberg
6º 'A Criança', de Luc e Jean-Pierre Dardenne
7º 'Maria Madalena', de Abel Ferrara
8º 'Nada a Esconder', de Michael Haneke
9º 'Infiltrado', de Spike Lee
10º 'Boa Noite, e Boa Sorte.', de George Clooney
DVD
Talvez a marca mais importante do ano seja também a mais preocupante: o número crescente de títulos lançados directamente em DVD (sem terem passado pelas salas) significa uma boa abertura do mercado, mas pode também querer dizer que alguns distribuidores/exibidores tendem a apostar cada vez menos na tão importante diversificação da oferta nas salas. Além do mais, embora haja casas editoras com estratégias precisas (a Costa do Castelo foi a que deu o maior salto qualitativo e quantitativo do ano), outras existem que não têm nenhum programa coerente de marketing e, mais do que isso, olham com olímpica indiferença o trabalho jornalístico de informação e opinião. Entre os grandes filmes "esquecidos", recuperados pelo DVD, incluem-se F de Fraude (Welles, 1974) e Noite e Nevoeiro (Resnais, 1955), este incluído na edição de Hiroshima Meu Amor.
1º 'Sympathy for the Devil', de Jean-Luc Godard
2º 'Bubble', de Steven Soderbergh
3º 'F de Fraude', de Orson Welles
4º 'L'Atalante', de Jean Vigo
5º 'Hiroshima Meu Amor', de Alain Resnais
6º 'Aurora', de F. W. Murnau
7º 'O Sacrifício', de Andrei Tarkovski
8º 'A Quadrilha Selvagem', de Sam Peckinpah
9º 'Um Eléctrico Chamado Desejo', de Elia Kazan
10º 'O Rio Sagrado', de Jean Renoir
NG:

Houve filmes que nem sequer passaram pelas nossas salas (Bubble, de Steven Soderbergh; Glastonbury, de Julien Temple ou Segredos Urbanos de Chris Terrio). E outros pelos quais esperámos mais de um ano (Uma História de Violência, de David Cronenberg; Amor Suspeito de Emmanuel Carrère ou Eu, Tu e Todos os Que Conhecemos, de Miranda July). Mesmo assim somaram-se alguns feitos. Arrepiante, Ninguém Sabe mergulha numa espiral de caos em microcosmos familiar de pais ausentes. Deslumbrante, Marie Antoinette é retrato impressionista do vazio das vidas na Versailles no ocaso do antigo regime. Prémio para pior filme do ano (onde havia muitos candidatos) para Modigliani.
1º 'Ninguém Sabe', de Hirokazu Kore-eda
2º ‘Marie Antoinette’, de Sofia Coppola
3º ‘Amor Suspeito’, de Emmanuel Carrère
4º ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, de Ang Lee
5º ‘A Lula e a Baleia’, de Noel Baumbach
6º ‘Match Point’, de Woody Allen
7º ‘Nada a Esconder’, de Michel Haneke
8º ‘Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos’, de Jonathan Dayton e Sylvia Faris
9º ‘Uma História de Violência’, de David Cronenberg
10º 'Sonhar Com Xangai’, de Xiaoshuai Wang
DVD
As edições directas para o DVD (ou seja, as que não passaram por sala), fazem parte da ementa dos melhores títulos do ano (o que dá que pensar sobre as políticas de exibição em sala). Mas houve outros episódios notáveis. Em primeiro as séries de televisão, cada vez mais um espaço de destaque no panorama editorial do DVD. Destaque inevitável para a pouco mediatizada, mas sublime, A Feira da Magia (Carnivale no original), verdadeiro monumento de cinema para ver no pequeno ecrã. Igualmente em alta, excelente Roma e a primeira época de Lost (que parece estar a perder-se na terceira). E não nos esqueçamos dos clássicos, que este ano chegaram em farta e boa oferta, sobretudo via Costa do Castelo, assinalando-se ainda a boa série de títulos (sem extras, contudo) da Fox, que entretanto começaram a ser regularmente editados entre nós. Nesta lista optei por apontar apenas edições no mercado português.
1º ‘A Feira da Magia’, criada por Daniel Knauf
2º ‘Roma’, criada por J. Millus e B. Heller
3º ‘Bubble’, de Steven Soderbergh
4º ‘Tarnation’, de Jonathan Caoette
5º ‘L’Atalante’, de Jean Vigo
6º ‘Segredos Urbanos’, de Chris Terrio
7º ‘Glastonbury’, de Julien Temple
8º ‘Zombie’, de Jacques Tourneur
9º ‘Loud Quiet Loud’, de Stevemn Cantor
10º ‘Metropolis’, de Fritz Lang
MAIL
quinta-feira, dezembro 28, 2006
2006: Top 5
IN THE MAYBE WORLD>Lisa Germano<
JL: Em tempos de excessos perpretados em nome do "espectáculo" e da "tecnologia", este é um exercício que se vira para o interior, percorrendo o mapa da solidão, não temendo aproximar-se das fronteiras do país da morte. Afinal de contas, a música popular não teme as vertigens de todos os intimismos.
1 filme
1 livro
PARAÍSO PERDIDO JL: Projecto: traduzir os clássicos. Efeito desejado: retirar esses mesmos clássicos da prisão das coisas adquiridas, relançando-os na vertigem do mundo e das palavras de hoje (sim, porque nem só de imagens vivemos). Ou como — através da tradução de Daniel Jonas — pode ser possível regressar ao século XVII par redescobrirmos as certezas e enigmas do nosso presente.
1 revista
NG: Cada vez mais uma leitura fundamental. Não apenas porque a cibercultura faz já parte dos nossos hábitos, mas porque é cada vez mais uma fonte ou veículo de ideias fundamentais para as mais diversas formas de expressão cultural. Um ano onde não só lemos sobre novos gadgets e espaços online mas, também, e antes de outros o descobrirem, o potencial do MySpace e YouTube, as novas economias de especialidade nas indústrias culturais ou o encarar da Internet como uma nova fé em tempo de outros ateísmos.
sexta-feira, julho 28, 2006
Soderbergh (só) com legendas
O filme chama-se Bubble e nele se conta uma história, ao mesmo tempo banal e cruel, de um assassinato numa pequena cidade dos EUA, envolvendo uma galeria de personagens que trabalham num fábrica de bonecas — objecto de um espantoso e inquietante minimalismo realista, alicerçado numa inovadora utilização dos meios digitais (esteticamente remetendo para a produção de Hollywood, em plenos anos 50, marcada pela emergência do formato CinemaScope) Bubble é, muito simplesmente, no contexto português, um dos momentos marcantes de 2006.Com Bubble, Steven Soderbergh arriscou uma estratégia cujos efeitos práticos e simbólicos ainda não podemos medir: o lançamento simultâneo, nos EUA, em sala, DVD e na televisão por cabo. Em Portugal, o filme sai apenas em DVD, o que, não deixando de ser positivo (antes isso que o completo esquecimento comercial), impede que o descubramos num grande ecrã para o qual, obviamente, também foi concebido.
Ponto muito negativo da edição em DVD é o facto de a opção de legendas... não existir. Isto porque só é possível ver o filme... com legendas. Não é caso único no panorama recente do mercado, o que faz temer que se esteja a desenhar mais uma "tendência" típica do novo-riquismo que invade todos os campos da vida cultural. Sendo o DVD, por princípio, um sistema que favorece a multiplicação das opções do consumidor, obrigar esse mesmo consumidor a ter sempre legendas num filme é um absurdo que, em última instância, o poderá repelir — até porque no mundo global em que vivemos, a maior parte dos interessados tem acesso automático a compras noutros mercados, capazes de satisfazer as suas opções de consumo.
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Soderbergh: salas + DVD + Net
Promete ser um dos grandes acontecimentos do começo de 2006 (a estreia americana está marcada para 27 de Janeiro): rodado em alta definição, Bubble, o novo filme de Steven Soderbergh, volta a ser um exercício minimalista de produção, com actores completamente desconhecidos e o próprio realizador a assumir as funções de director de fotografia e montador — recorde-se que Soderbergh já tentara algo semelhante em Full Frontal/Vidas a Nu (2002), embora nesse caso com grandes vedetas.





