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sábado, março 26, 2016

Quando os Art of Noise
revisitaram Henry Mancini



Foi há precisamente 30 anos. Em março de 1986 os Art of Noise apresentavam em single uma nova leitura para o clássico tema que Henry Mancini tinha composto para o genérico da série policial Peter Gunn, cuja banda sonora se tornou num dos clássicos maiores da história da música ao serviço da ficção televisiva.

Originalmente lançado em 1959, o tema conheceu inúmeras versões ao longo dos anos, por nomes como os Emerson, Lake & Palmer ou Deodato. A primeira das versões surgiu logo no mesmo ano do original num single de Duane Eddy.

Para a sua versão de 1986, que integra o alinhamento do álbum In Visible Silence, os Art of Noise recuperaram a presença de Duane Eddy, com este single tendo assinalado um dos episódios de maior popularidade de toda a sua obra. A versão dos Art of Noise sublinha bem a intenção original do compositor, que sempre viu esta sua composição como mais influenciada pelo (então emergente) rock'n'roll do que pelo jazz.

sexta-feira, agosto 07, 2015

Uma canção para o verão (2015.02)


Corria o ano de 1988 e os Art of Noise faziam uma breve pausa para lançar um best of. Como novidade o disco trazia um single que revelava um tema relativamente recente de Prince, numa leiura à la Art of Noise, e com protagonismo vocal a cargo do veterano Tom Jones. Aqui fica a memória de Kiss.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Novas edições:
Vários Artistas, The Art of 12" - Volume Three"

Vários Artistas
“The Art of 12” – Volume 3”
Salvo
2 / 5

A presente série de lançamentos que assinalam os 30 anos da ZTT Records contempla a edição de um terceiro volume da série The Art of The 12”. Por razões históricas vale a pena recordar que desde cedo, e sobretudo com o trabalho de nomes como os Art of Noise, Propaganda e Frankie Goes To Hollywood, a visão de uma pop grandiosa e com alma sinfonista que Trevor Horn projetou na sua editora conheceu no formato do doze polegadas um espaço perfeito para a projeção de “telas” maiores e mais ousadas na hora de pensar como alongar ou reinventar as canções. São disso exemplo o máxi original de Dr. Mabuse dos Propaganda, a remistura de Two Tribes dos Frankie Goes To Hollywood que integrava avisos sobre a eventualidade de um conflito nuclear, a adaptação da alma do Young Person’s Guide To The Orchestra de Britten a Rage Hard também dos FGTH ou os longos ensaios sobre Moments In Love, dos Art of Noise, que surgiram em formatos de 45 rotações... Este acervo tem passado pelos volumes desta série, que assim se junta a outras que têm assegurado existência em suporte digital para edições de máxis dos oitentas nem sempre fáceis de encontrar nos dias que correm (e vale aqui a pena sublinhar que a presente nova vida do vinil é coisa mais feita no consumo de álbuns que de máxis quando se trata de focar a atenção – e as compras – em reedições). O melhor do catálogo de máxis da ZTT já conheceu devida exposição nos dois primeiros volumes desta série. O novo disco (que junta notas no booklet por Paul Morley – outro dos fundadores da ZTT e alma da sua política verbal) tem os seus melhores instantes nas versões máxi originais de Snobbery & Decay dos Act, Watching The Wildlife dos Frankie Goes To Hollywood e Close To The Edit... Além da “troika” de referência da editora (os Act foram a segunda banda de Claudia Brücken, a vocalista original dos Propaganda), o alinhamento junta peças de alguns outros nomes da memória dos oitentas (mas exteriores ao catálogo, como os Madness, Sigue Sigue Sputnik, ABC ou Belle Stars) e dos noventas insiste (e bem) nos 808 State. Há breves vinhetas dos Art of Noise e Andrew Poppy. E um rol de temas menores de nomes de segunda linha, que sublinham que, por aqui, e neste comprimento de onda, o filão já deu o seu melhor noutras ocasiões.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Eminem recorda a figura de Max Headroom


O novo teledisco de Eminem, Rap God, revela uma canção que retrata um tempo e um ponto de vista. Vale a pena escutá-la, sobretudo tendo em conta a história de quem ali nos fala. O teledisco, em si, é todo um programa de revisitação de ideias e imagens que nos transportam para fenómenos da cultura pop (ou hip hop para sermos ainda mais precisos). Pela montagem passam imagens de figuras icónicas como Busta Rhymes, MC Ren, Rakim, Ice Cube, os Run-D.M.C. e JJ Fad. Mas a mais evidente das citações, recriadas até pelo próprio Eminem, é o apresentador de televisão Max Headroom.

Criado nos anos 80 (mais concretamente em 1984), Max Headroom surgiu como uma primeira forma de inteligência artificial. Seria, supostamente, uma figura criada digitalmente, e teve forte impacte na época, não apenas no programa que apresentou como em anúncios de TV em que participou, tendo até protagonizado uma colaboração com os The Art of Noise no single (e teledisco) Paranoimia. Max Headroom não era contudo uma figura digital. A tecnologia de então não permitia ainda a geração deste tipo de imagens, pelo que na verdade aquela figura resultava da presença de um ator, que se submetia a quatro horas de um longo processo de caracterização antes de cada filmagem.

Podem ver aqui o novo teledisco de Eminem.
E aqui podem recordar o teledisco de Paranoimia, dos The Art of Noise.

sábado, agosto 25, 2012

Debussy, a olhar para o século XXI

Esta semana assinalaram-se os 150 anos sobre o nascimento de Claude Debussy. Foi dia 22 para sermos mais precisos. Este texto foi publicado na edição de 11 de agosto do suplemento Q. do DN com o título 'Quando a música de Debussy foi metáfora para um fim de século'

Se a obra de Claude Debussy foi fundamental para definir os caminhos que a música tomaria no século XX, porque não evocar semelhante visão (e espírito visionário) numa altura em que os calendários colocavam a pouca distância a chegada do século XXI? Não que os Art Of Noise se imaginassem, como Debussy o foi, capazes de encontrar na sua obra motivos igualmente marcantes para sugerir a passagem do século (nomes como os Radiohead, Björk ou Sigur Rós pareciam, na altura, mais capazes de transformar semelhante sonho em realidade), mas porque citando Debussy lembravam como há mais que uma mudança de datas a ter em conta quando de uma época passamos para a seguinte.

É a voz do ator John Hurt quem nos conduz nesta visita a memórias de Claude Debussy que, em 1999 o quarteto britânico registou no álbum a que chamou muito simplesmente The Seduction of Claude Debussy. Conta-nos o narrador, logo nos primeiros instantes, que “quando Debussy morreu, a 25 de março de 1918, Paris estava a ser bombardeada pelos alemães. E estava a chover”... Ao longo do disco vamos encontrando, sem uma lógica narrativa necessariamente cronológica, ecos de memórias e factos da vida e marcas da personalidade do compositor. Mas, mais que um biopic sob a forma de uma mão cheia de composições feitas de eletrónicas, cenografias meticulosamente elaboradas e palavras, The Seduction of Claude Debussy é, na essência, uma metáfora sobre a passagem de século, recordando como, cem anos antes, também os sonhos e as dúvidas se acotovelavam a caminho de mais um 31 de dezembro. Mais uma ideia de percurso temático que um recriar da noção do modelo conceptual (que teve maior expressão em várias obras pop/rock nos anos 70) o álbum dos The Art of Noise recupera o sentido agit prop que caracterizara as primeiras afirmações da alma da banda e da própria editora à qual nascia associada, jogando com palavras e frases lapidares, todavia aqui diluídas no texto que escutamos na voz do narrador. A música cita elementos de obras de Debussy e do próprio passado dos Art of Noise, ao mesmo tempo que desenha, quadro após quadro, uma visão que passa pelo drum'n'bass, o downtempo, as estéticas ambient e mesmo a ecos da música pop. A voz da cantora lírica Sally Bradshaw partilha os momentos de protagonismo vocal com a postura mais pop de Donna Lewis ou o rap de Rakim (que faz rimas de palavras de Baudelaire).

Esta não era a primeira vez que os universos da pop e da música clássica dialogavam com semelhante profundidade (não falamos, portanto, das mais banais versões orquestrais de canções pop/rock, tantas que as houve ao longo da história e sem quaisquer expressões de novas ideias em qualquer dos dois universos). E basta recordar peças históricas como o foram as abordagens eletrónicas a composições de nomes como Bach, Haendel ou Beethoven por Wendy Carlos em finais dos anos 60 - que podemos ouvir em Switched on Bach (1968) ou The Well-Tempered Synthesiser (1969) - , o álbum que Frank Zappa gravou em 1979 com o compositor e maestro Pierre Boulez, os diálogos de heranças do canto lírico com a pop de um Klaus Nomi, a visão pop (mais caricata que consequente) de Malcolm McLaren sobre árias de óperas célebres no álbum Fans (1985), as colaborações de Phlilip Glass com nomes como os de Paul Simon, David Byrne ou Suzanne Vega em Songs From Liquid Days (1986), o entusiasmo com que uma série de músicos de correntes eletrónicas responderam ao apelo para participarem no álbum de reconstruções remisturadas de obras de Steve Reich e a nova composição que este estreará brevemente inspirada pela música dos Radiohead ou a presença de fantasmas da música dos tempos da corte de Luis XIV no álbum The Versailles Sessions de Murcof (2008) para repararmos que a aventura dos The Art of Noise estava longe de ser coisa invulgar ou mesmo inédita. A música de Claude Debussy já havia sido inclusivamente visitada pela pop quando, no alinhamento do álbum de 1991 Tenement Symphony, o cantor britânico Marc Almond integra uma breve citação às Trois Chansons de Bilitis (um ciclo de canções que Debussy compôs em 1897 a partir de três dos poemas eróticos publicados três anos antes por Pierre Louys).

Uma das mais inventivas forças da pop britânica dos anos 80, os Art Of Noise (cujo nome alude a um histórico ensaio do futurista Luigi Russolo) tinham cativado originalmente atenções através de uma música feita de colagens, ideias, palavras de ordem e recontextualização de fragmentos, e um mais evidente interesse pela construção de temas instrumentais e a utilização da voz fora das fronteiras tradicionais do canto, com obra-prima registada no visionário Who's Afraid of The Art of Noise. Lançado em 1984, o álbum afirmava-se ainda como um rosto da voz revolucionária que então ganhava forma através da ZTT Records (a mesma editora que por essa altura ganhava fama e somava êxitos com os Frankie Goes To Hollywood). Depois de uma etapa de mais evidentes flirts com os formatos da canção pop – durante o qual geraram temas de sucesso maior como Peter Gunn, Paranoimia ou uma versão de Kiss, de Prince, com a colaboração vocal de Tom Jones – e de uma outra fase, mais discreta, em inícios dos anos 90, em território ambient, os Art of Noise tinham feito silêncio. Que voltaram a interromper apenas em 1999 quando – numa nova formação, juntando os esforços de Anne Dudley, Trevor Horn, Paul Morley e Lol Creme – apresentaram o disco que evocava a figura de Debussy como amante de gatos, narcisista, estrela do seu tempo e inventor do século XX. De então para cá a obra do grupo juntou mais títulos à sua discografia, todos eles contudo juntando ora peças de arquivo ou gravações históricas em antologias claramente destinadas aos aficionados da sua muito peculiar forma de entender uma certa arte de fazer pop.

Debussy
O álbum de 1999 no qual os Art of Noise evocaram Debussy é talvez a mais evidente das expressões da memória do compositor nos espaços da cultura popular. A história do cinema revelou contudo frequentes momentos onde Debussy surge ora como representação de um tempo, força motriz de uma visão ou, simplesmente, compositor de obras inevitavelmente marcantes. Basta recordarmos o momento da Expiação (2007) de Joe Wright em que se escuta Clair de Lune, na presença de uma gravação de Après un Rêve no Vale Abraão (1993) de Manoel de Oliveira ou de Arabesque No 1 na cena do jantar em Os Pássaros de Alfred Hitchcock para evocarmos três das muitas representações possíveis da música de Debussy no grande ecrã. A figura do próprio Debussy foi revisitada por Ken Russell em Monitor (com o sub-título Impressions of the French Composer, um tele-filme rodado para a BBC em 1965 no qual Oliver Reed veste a pele do compositor.