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segunda-feira, janeiro 05, 2015

30 discos de 2014 (J. L.)

Foi o ano da plena revelação de um dos álbuns mais electrizantes de Miles Davis: Miles at the Fillmore reúne os sons de quatro dias (17/20 Junho 1970) no Fillmore East, Nova Iorque, levando-nos a redescobrir um artista de génio numa encruzilhada fascinante entre o património acumulado e a vertigem da experimentação: é um álbum sem tempo, clássico pela excelência, moderno em qualquer conjuntura — e se é preciso escolher um disco do ano, este será o meu.
Em todo o caso, que o leitor não se iluda com a abundância, porventura deselegante, desta lista. Não são 30 discos porque queira fazer valer a quantidade. O excesso é, aqui, sintoma das próprias limitações que não posso deixar de me reconhecer: acredito que não ouvi com a devida atenção (ou, pura e simplesmente, não ouvi) muitos outros que, por certo, mereciam um destaque neste balanço. Digamos que estes podem condensar um panorama de géneros (e séculos!) cujos contrastes nos levam a experimentar a deslocação criativa das próprias fronteiras musicais — didacticamente, ou talvez não, aqui ficam por ordem alfabética dos respectivos títulos.

* The Art of Conversation, KENNY BARRON & DAVE HOLLAND



* Charlie Haden & Jim Hall, CHARLIE HADEN & JIM HALL

* Familiars, THE ANTLERS


* Gary Clark Jr. Live, GARY CLARK JR.

* Gist Is, ADULT JAZZ

* Gone Girl, TRENT REZNOR & ATTICUS ROSS

* The Great Lakes Suites, WADADA LEO SMITH

* High Hopes, BRUCE SPRINGSTEEN



* Last Dance, KEITH JARRETT / CHARLIE HADEN

* Macroscope, THE NELS CLINE SINGERS

* Manipulator, TY SEGALL

* Meshes of Voice, SUSANNA / JENNY HVAL


* The Rite of Spring, THE BAD PLUS

* Road Shows, Vol. 3, SONNY ROLLINS

* Ryan Adams, RYAN ADAMS

* Singles, FUTURE ISLANDS

* Small Town Heroes, HURRAY FOR THE RIFF RAFF

* Songs, DEPTFORD GOTH

* Spark of Life, MARCIN WASILEWSKI TRIO & JOAKIM MILDER

* Stravinsky: Le Sacre du Printemps & Petrouchka, LES SIÈCLES / FRANÇOIS-XAVIER ROTH


* To Be Kind, SWANS

* Trialogue, WESSELTOFT SCHWARZE BERGLUND

* Ultraviolence, LANA DEL REY

quinta-feira, janeiro 01, 2015

Três vezes 2014

Não se trata de escolher o melhor dos melhores nem o de fazer uma lista coletiva. Mas todos os anos, em tempo de balanços, costumamos por aqui encontrar um disco, um filme e um livro que traduzam entusiasmos maiores partilhados entre nós e quem nos lê. E estas são as nossas escolhas de 2014:


Angel Olsen, 'Burn Your Fire For no Witness'

N. G.: Não se trata exatamente de uma estreia, mas este foi não só o primeiro álbum que Angel Olsen gravou com uma banda criada para a acompanhar em estúdio e na estrada, como representou também o cartão de visita que a fez presença importante no mapa mundo das atenções musicais de 2014. É um disco em que o presente mostra como pode dar um passo em frente se souber assimilar raízes. Memórias do indie rock, assim como ecos da country e um saber na escrita que se aprende a ouvir (e a ler) os grandes cantautores, fizeram deste disco um ponto de confluência de argumentos que a voz de Angel Olsen tomou como seu, apresentando-os com a confiança de quem sabe o que está a fazer. Há um ano mal a conhecíamos. Hoje é nome na mira de muitas atenções.

J. L.: Nada contra as experimentações mais ou menos futuristas... Mas é sempre bom encontrar alguém que integra memórias de vários passados, neles ancorando as razões do seu presente. Com 27 anos plenos de maturidade, Angel Olsen tem essa capacidade de se assumir como inesperada "trovadora" dos tempos que correm, fazendo do seu canto uma ponderada e subtil arte de contar histórias — tudo isso com um misto de emoção e distanciação que define uma genuína singularidade artística.



'Debaixo da Pele', de Jonathan Glazer

J. L.: Jonathan Glazer é um minimalista, até pela raridade dos seus trabalhos — o seu filme anterior, Birth - O Mistério, em que Nicole Kidman era confrontada com um perturbante enigma transcendental, tinha surgido quase uma década atrás. A aposta de Debaixo da Pele, encenando a "alien" Scarlett Johansson a partir de matrizes formais insolitamente enraizadas na tradição do realismo britânico, conduz o espectador a fascinantes paisagens narrativas em que, para além das sensações que possamos atribuir às personagens, o que mais conta é a concepção do próprio cinema como genuína e irredutível experiência sensorial. Nesta perspectiva, a evocação do nome de Stanley Kubrick, várias vezes suscitada por este filme, justifica-se muito para além de qualquer caução artística: tal como o realizador de 2001, Glazer é um criador que concebe e pratica o cinema como uma caixa de ressonância humana em que a experiência mais física pode coabitar com a vertigem de uma elaborada pulsão metafísica.

N. G.: Já tinha feito telediscos, publicidade e até cinema. Mas foi com Debaixo da Pele que Jonathan Glazer deixou claro que é um dos maiores talentos em afirmação no nosso tempo. Numa altura em que a ficção científica mais vezes pensa em efeitos digitais, velocidades estonteantes na criação de narrativas e no ritmo da montagem, deu-nos precisamente o oposto. Uma história com mais questões que respostas, capaz de sugerir a estranheza alienígena pelas imagens e música e que, como a melhor sci-fi, no fim de tudo não fala senão de nós mesmos. Belíssima interpretação de Scarlett Johansson, num filme que define o seu tom, o seu ritmo, criando uma atmosfera tão peculiar que com nada se parece.



'The Lyrics: Since 1962', de Bob Dylan

N. G.: Quando me perguntam quem merecia ganhar o Nobel da Literatura, gosto sempre de responder um destes dois nomes: Leonard Cohen ou Bob Dylan. Se do primeiro tivemos este um álbum de originais que deu conta de uma espantosa vitalidade aos 80 anos, do segundo estamos em contagem decrescente para a edição de um álbum onde vai interpretar canções imortalizadas na voz de Frank Sinatra (e que sucede a uma espantosa edição de material de arquivo que nos revelou o grande tesouro registado em 1967 como 'Basement Tapes'). Para justificar o porquê do gosto em ver Dylan distinguido pela sua escrita poderíamos passar pelas Crónicas, já editadas em livro. Mas 2014 juntou mais um dado: uma edição antológica das letras (poemas) das suas canções desde o início da sua carreira. Será que é desta que reparam que há ali quem mereça a mais alta distinção da literatura?

J. L.: De Tony Bennett a Bruce Springsteen, são muitos os que têm estado a (re)organizar o seu passado, através de edições mais ou menos antológicas. Escusado será dizer que a publicação dos poemas de Bob Dylan envolve uma dimensão suplementar que talvez possamos definir através de um misto de absurdo e ironia: mesmo que ele nunca tivesse pegado numa guitarra para os cantar, a sua simples existência bastaria para o definir como um admirável homem das letras — o livro pesa 6 quilos, pormenor cujo simbolismo está longe de ser irrelevante.

terça-feira, dezembro 30, 2014

As canções de 2014: David Bowie



Um ano depois de um regresso que calou dez anos de ausência, David Bowie trouxe a 2014 um par de inéditos que lançou no formato de single, um deles apresentando-se como faixa de abertura de uma antologia que assinalou os 50 anos de atividade discográfica do músico. Sue (Or In a Season of Crime) assinalou uma experiência em terrenos novos, revelando, num trabalho conjunto com a orquestra de Maria Schneider, uma incursão (bem interessante) pelos domínios do jazz.

As imagens de 2014:
o Museu do Brinquedo (quase fechou)


Chegou a ter data de encerramento marcada, mas acabou por ser "salvo". O Museu do Brinquedo, que exibe uma enorme e magnífica coleção que passa por várias épocas e objetos, mora num edifício próximo do Palácio da Vila, em Sintra. Se tivesse fechado as portas faria um silêncio injutsto sobre as memórias e histórias que passam pelas coleções. Uma melhor museografia não deixa contudo de ser um possível tema de reflexão para aquela (magnífica) casa que, afinal, continua viva.

O melhor de 2014, segundo Isilda Sanches

Além das nossas continuamos a publicar também as listas de alguns amigos convidados. Hoje é vez da Isilda Sanches (Oxigénio) nos dar o seu retrato do ano na música. Um muito obrigado à Isilda pela colaboração.

Álbuns internacionais (ordem alfabética)

Actress "Ghettoville"
Andras Fox "Vibrate On Silent"
Art Wilson "Overworld"
Cooly G "Wait Til Night"
Dangelo "Black Messiah"
Flying Lotus "You're Dead"
Fumaça Preta "Fumaça Preta"
Moodymann "Moodymann"
Shabazz Palaces "Lese Majesty"
Silk Rhodes "Silk Rhodes"


Canções/Temas 

1 DJ Lycox "O Tempo da Vida"
2 Solar Shield "Reesis"
3 House of Spirits “Holdin On” (remix Peaking Lights)
4 Banks "Waiting Game"
5 Omar S "Frogs"
6 Moodymann "Lyke u use 2"
7 Capicua "Vayorken"
8 Jamie XX "All Under One Roof Raving"
9 FKA Twigs "2 Weeks"
10 Far Out Monster Disco Orchestra "Don't Cha Know He's Allright"


Produção nacional

Atropelando as considerações gerais sobre um ano que não parece ter sido bom para (quase) ninguém, passa-se directamente à música. Pelo menos nesse capiíulo continuamos em contra corrente.

2014 foi um ano em que a editora Príncipe Discos continuou a explorar a musica que nasce nos subúrbios de Lisboa a partir de raízes em África (destaque para o maravilhoso "Tá Tipo Já Não Vamos Morrer", Ep de Tia Maria Produções, mas também para a internacionalização dos Djs Marfox e Nigga Fox, no caso de Marfox também pela edição do ep "Terra Batida" na nova-iorquina Lit City Trax e pela remistura para Tune Yards). Ainda com fortes ligações a Africa, 2014 foi o ano da confirmação de Batida com o álbum "2" na Soundway Records e colaborações com gente como Spoek Mathambo (África do Sul) e Dj Satélite (Angola) ou a remistura para “Heavy Seas Of Love” de Damon Albarn. África também no coração de Rocky Marsiano em "Meu Kamba", construído a partir dos discos dos Palop da colecção de Rui Miguel Abreu. 

Capicua encabeça a lista do girl power e sacode as estruturas do hip hop em português com "Sereia Louca". Fora da caixa Corona e o seu "Lo Fi Hipster Sheat", hip hop sujo com sotaque nortenho, humor corrosivo e excedente de street cred, além de beats exploratórios. No hip hop, destaque ainda para Kilu ("Frequência"), Bling Projekt & Beware Jack ("A Memória do Futuro") e o regresso de Allen Halloween. Por fim "Bombas Em Bombos" de Stereossauro, marcou a estreia em álbum de um dos produtores portugueses mais activos e ousados. Ainda perto do hip hop mas cada vez mais dentro da soul, NBC merece nota + em 2014 sobretudo pela conquista do público em espectáculos ao vivo.

Na parte da música de dança/electrónica assinala-se a estreia em Portugal da Tink Music, editora que tem sede e anos de história em Amesterdão e agora também uma delegação em Lisboa que se destaca pela edição, em 2014, do ep "Without Your Love" de Daino e pela colaboração de Kaspar com Thunder & Co no certeiro "Do it".Tiago (Miranda) continuou do lado certo da força, não apenas pelos lançamentos na sua editora Interzona 13, incluindo um excitante ep de Black /Nelson Gomes (Gala Drop), mas também pela edição do álbum "Emotional Poverty" na Noisendo. Miguel Torga e o seu “Hexágono Amoroso” também fizeram diferença pela combinação de pulso, intelecto e ironia em formato techno house. 2014 também foi um bom ano para a família One Eyed Jacks dos Photonz pelo lançamento de "Osiris Ressurected" (Photonz) e pela remistura/versão de Violet para "Una Fiesta Diferente" de Matias Aguayo incluída em "The Visitor Covers"com selo da Comeme. Já De Los Miedos/ Sebastião Delerue juntou-se ao grupo de Djs e produtores do mundo inteiro que se interessam pela exotismo retro em geral e pela música turca do passado em particular e editou “Edits vol1” na sua editora Ostra discos, conseguindo com isso merecida projeção internacional.

"Oito" dos Sensible Soccers foi claramente um dos discos que melhor se esquivou aos rótulos para afirmar um território próprio, tal como "How Can We Be Joyful In A World Full of Knowledge" de Bruno Pernadas. Destaque inevitável para a nova encarnação de Gala Drop em "II", e nota final para um cdr (“506”) de aspirações cósmicas dos Niagara que induz à autorreflexão e tem consideráveis virtudes pacificadoras (o que é sempre recomendável em tempos difíceis como estes). Não foi nada mau.

segunda-feira, dezembro 29, 2014

Os melhores filmes de 2014 (N.G.)


Já o tinha visto em 2013, integrado então no programa de um festival de cinema. Mas mesmo assim não houve competição possível para o mais recente filme de Jim Jarmusch, a mais inventiva abordagem dos últimos tempos ao universo temático das “histórias com vampiros”, procurando olhar para pontos de vista diferentes. Ao colocar a narrativa entre Detroit (mostrada como cidade moribunda) e Tânger e, chamando nomes como os de Tilda Swinton ou John Hurt ao elenco, Jarmusch dá-nos acima de tudo uma narrativa noturna de almas diferentes. Marginais, de certa maneira, um dos protagonistas tendo na sua relação com a música a razão de existir ao longo dos séculos, a galeria de figuras que conheceram tendo-os alimentado sobretudo de ideias. O melhor do ano inclui ainda a mais interessante produção de ficção científica desde o Moon de Duncan Jones, confiormando em Jonathan Glazer um talento que alguns dos seus telediscos já sugeriam e, em Scarlett Johansson, uma atriz de versatilidade bem maior que muito do cinema para o qual a chamam por vezes não explora. Mais um belíssimo filme de Kelly Reichartd, uma surpresa vinda da Polónia (em Ida), com um olhar diferente sobre ecos de uma época que o cinema já visitou tantas vezes e esse espantoso exemplo de grande escrita, direção de fotografia e interpretação que se revela em Nebraska completam o lote de topo das escolhas do ano. Há ainda um filme de cortante (mas luminosa e esperançosa) atualidade pelos irmãos Dardenne, uma história de solidão (e luta) com apenas um ator (Robert Redford, em Quando Tudo Está Perdido), uma confirmação do talento de Xavier Dolan, mais um belíssimo olhar sobre a identidade de género chegado da América Latina e um novo exemplo de narrativa suportada por um rigoroso trabalho visual via Wes Anderson. Do melhor do ano podíamos referir ainda o filme sobre Nick Cave que esbate a fronteira entre o documentário e a ficção, o olhar sobre o crescimento/envelhecimento de uma família segundo Linklater, um dos melhores filmes de Scorsese nos últimos anos com o melhor papel de DiCaprio ao seu serviço, a prequela de Heimat, o assombroso Ilo Ilo ou magníficos documentários em O Acto de Matar e A Imagem Que Falta.

1. Apenas os Amantes Sobrevivem, de Jim Jarmusch
2. Debaixo da Pele, de Jonathan Glazer
3. Night Moves, de Kelly Reichardt
4. Ida, de Pawel Pawlikowski
5. Nebraska, de Alexandre Payne
6. Dois Dias, uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
7. Quando Tudo Está Perdido, de J.C. Chandor
8. Tom na Quinta, de Xavier Dolan
9. Pelo Malo, de Mariana Rondón
10. Grand Hotel Budapest, de Wes Anderson




Festivais / sessões especiais

Como sempre as programações dos festivais abrem espaço a outras cinematografias e a muitos títulos que (muitas vezes) esgotam ali a sua presença em sala entre nós. Sendo certo que entre o lote de filmes da lista que se segue há pelo menos um com estreia já certa entre nós (o de Bruno Dumont) e um outro teve uma breve vida em sala em sessões especiais (o de David Lynch), muitos dos títulos que aqui recordo foram experiências “festivaleiras” que é pena que não possam ser partilhadas por mais plateias. Talvez seja ainda cedo para dar como encerrado o ciclo “em sala” de muitos destes filmes, mas poucos destes títulos teráo hipótese de regressar a um grande ecrã perto de nós. Se se compreende que Will You Dance With Me?, de Derek Jarman, estreado no London Flare este ano, seja sobretudo uma peça de aquivo que assim tem oportunidade de ser vista, já o belíssimo Stand Clear of The Closing Dorrs (passou no Indie), a história de um autista que se perde durante dias no metro no Nova Iorque, merecia mais. E foi mesmo um dos grandes filmes do ano.

1. Stand Clear of The Closing Doors, de Sam Fleischner
2. Will You Dance With Me, de Derek Jarman
3. P’tit Quinquin, de Bruno Dumont
4. Duran Duran Unstaged, de David Lynch
5. Lilting, de Hong Khao
6. Rosie, de Marcel Gisler
7. Angels of Revolution, de Aleksey Fedorchenko
8. American Vagabond, de Susanna Helke
9. Kidergarten Teacher, de Nadav Lapid
10. Mouton, de Gilles Deroo e Marianne Pistone



DVD / Blu-ray

Nunca houve tantos lançamentos em DVD de títulos “clássicos” entre nós. Porém, com o Blu-ray a chamar hoje a si a fatia mais gourmet da atenção de quem compõe lançamentos de home vídeo, muitos destes títulos trazem pouco mais que o próprio filme. Os “extras” são coisa que não parece ter mais o mesmo valor de marketing de outrora (pelo menos no DVD). Mesmo assim a mais interessante das edições do ano foi a que, resultado de um programa de restauro do BFI, nos devolveu o belíssimo documentário The Epic Of Everest, relato (em 1924) de uma missão histórica ao pico mais alto do mundo nos anos 20. Com imagem restaurada e uma banda sonora alternativa criada por Simon Fischer Turner, o filme surgiu numa dual edition – ou seja, juntando um DVD e um Blu-ray – tanto avulso como num pack recuperando o documentário The Great White Silence (também de 1924) sobre a missão do Capitão Scott ao Pólo Sul, que em 2011 tinha sido alvo de um processo de restauro e reedição semelhante.

1. The Epic Of Everest, de J.B.L. Noel
2. A Oeste nada de Novo, de Lewis Milestone
3. Coleção Jarmusch, de Jim Jarmusch
4. Biophilia Live, de Nick Fenton e Peter Strickland
5. Série Bergman, de Ingmar Bergman
6. House of Cards (Season 2), de Beau Willimon
7. Asfalto Quente, de Steven Spielberg
8. Charada, de Stanley Donen
9. Monty Python Live Mostly, de Aubrey Powell
10. Visitors, de Godfrey Reggio



Bandas sonoras


Com cada vez menos visibilidade nas prateleiras das lojas de discos, as boas bandas sonoras – as medíocres, essas nunca faltam – são peças importantes para contar as histórias do melhor cinema de cada ano que passa. E em 2014 o melhor disco com música criada para o cinema foi o que juntou o coletivo Sqürl (onde toca o próprio Jim Jarmusch) ao compositor Jozef van Wissim, com a música de Apenas os Amantes Sobrevivem, afinal de contas uma peça fulcral num filme que tem um músico como um dos protagonistas e os discos, as guitarras e até mesmo um clube de rock como espaços que cativam a atenção da câmara. Nota ainda para a confirmação do (brilhante) entendimento entre David Fincher e a dupla Trent Reznor / Atticus Ross no terceiro filme que fazem juntos. E uma outra referencia ainda ao belíssimo trabalho de composição ao serviço de Debaixo da Pele de Jonathan Glazer, num daqueles claros exemplos de como a música pode por vezes ajudar a “falar” quando as palavras pouco dizem e há todo um mundo de sugestões a definir.

1. Only Lovers Left Alive, Sqürl + Jozef van Wisse
2. Gone Girl, Trent Reznor + Atticus Ross
3. Under The Skin, Mica Levy
4. The Epic Of Everest, Simon Fischer Turner
5. Night Moves, Jeff Grace
6. The Congress, Max Richter
7. Eastern Boys, Arnaud Rebotini
8. Palo Alto, Vários artistas
9. Possibilities Are Endless, Edwyn Collins + Sebastian Lewsley
10. Frank, Vários artistas

O melhor de 2014, segundo Nuno Carvalho

Além das nossas continuamos a publicar também as listas de alguns amigos convidados. Hoje é vez do Nuno Carvalho (DN) nos dar o seu retrato do ano em filmes. Um muito obrigado ao Nuno pela colaboração.

O mais interessante cinema que se fez em 2014 veio, de certa maneira, das margens (ou é um cinema “à margem, de certa maneira”). Um top 10 que este ano poderia ser um top 15 (ou um top 10 + 5). Por isso, merecem também uma menção títulos como Ilo Ilo, de Anthony Chen, Água Prateada – Um Autorretrato da Síria, de Wiam Bedirxan e Ossama Mohammed, Quando Tudo Está Perdido, de J.C. Chandor, Dois Dias, Uma Noite, de Jean-Pierre e Luc Dardenne, ou Mapas para as Estrelas, de David Cronenberg.

1) Debaixo da Pele, de Jonathan Glazer
2) Só os Amantes Sobrevivem, de Jim Jarmusch
3) Nebraska, de Alexander Payne
4) Stand Clear of the Closing Doors, de Sam Fleischner
5) Eastern Boys, de Robin Campillo
6) Night Moves, de Kelly Reichardt
7) Mãe e Filho, de Calin Peter Netzer
8) Ruína Azul, de Jeremy Saulnier
9) O Senhor Babadook, de Jennifer Kent
10) Grand Budapest Hotel, de Wes Anderson

quarta-feira, dezembro 24, 2014

Os melhores livros de 2014 (N.G.)

Quando o trabalho toma conta das novas leituras o retrato de um ano de livros acaba por ser um pouco como o que mostra a lista que se segue. Há que ter em conta que um ano de leituras não se esgota nos livros que acabaram de ser editados, e muito do que li este ano surgiu antes da vriagem do milénio. Mas entre as novidades há que assinalar sobretudo três olhares antológicos sobre três obras notáveis. A primeira, a de Nick Drake, figura que através de uma recolha de cartas, depoimentos, artigos publicados e novos ensaios tem em Remembered For a While o seu mais completo retrato em livro até aqui realizado. Depois Derek Jarman. Através de uma seleção de páginas dos seus ‘sketchbooks’ descobrimos muito do realizador e do seu processo criativo. E depois Wes Anderson (que tal como o ‘Making of’ de Star Wars são livros da reta final de 2013, mas que só li este ano), cuja obra podemos aqui conhecer num permanente confronto com as referências (do cinema à música, da fotografia aos livros) que a alimenta. Nota ainda para um bom ano para a música portuguesa em livro. Do retrato das origens da nossa indústria fonográfica a um abc dos nomes das primeiras gerações do rock que aqui se fez, não esquecendo uma evocação de António Sérgio, houve motivos para ler o que aqui fomos e vamos ouvindo. 

1. Nick Drake: Remembered For a While, ed. Gabrielle Drake e Cally Callomon
2. Derek Jarman’s Sketchbooks, ed. Stephen Farting e Ed Webb-Ingall
3. The Wes Anderson Collection, de Matt Zoller Seitz
4. The Invisibles, de Sébastien Liefschitz
5. The Making of Star Wars, de Peter Jackson e J.W. Rinzler
6. Machinas Fallantes, de Leonor Losa
7. Biografia do Ié Ié, de Luís Pinheiro de Almeida
8. The Greatest Albums You’ll Never Hear, de Bruno MacDoland
9. O Uivo da Matilha, com textos de vários autores
10. Finches of Mars, de Brian Aldiss

2014 segundo João Moço

Além das nossas continuamos a publicar também as listas de alguns amigos convidados. Hoje é vez do João Moço (DN e DIF) nos dar o seu retrato do ano em discos, concertos, canções e filmes. Um muito brigado ao João pela colaboração.

Fazer um balanço do ano tem de passar obrigatoriamente pelo dia 3 de setembro. Porque nessa noite vi Kate Bush no Hammersmith Apollo, em Londres, a apresentar o espectáculo Before the Dawn (sem sombra de dúvida o concerto mais inacreditável a que algum dia terei o privilégio de assistir) e nessa manhã ouvi parte daquele que, facilmente, se veio a tornar o meu álbum do ano, 1989, de Taylor Swift. Além de toda a conversa sobre o Spotify, o que verdadeiramente interessa são as canções e Taylor, mesmo cortando de vez com a raiz country, mostrou que até na pop é, sem rodeios, a melhor compositora de canções da última década. À vontade. Foi com muita facilidade que escolhi o 1989 para o topo da lista porque 2014 não foi propriamente um ano brilhante, no que diz respeito a álbuns.

Estando, intuitivamente, cada vez mais distante daquilo que vem sendo propagado em 90% da crítica musical, noto agora que este foi um ano em que me voltei a embrenhar ainda mais na música country. Foi um belo ano nesse sentido, de Platinum, de Miranda Lambert, passando pela sua colega nas Pistol Annies Angaleena Presley, com American Middle Class, a Blue Smoke, da diva Dolly Parton, a Band f Brothers, de Willie Nelson, ou o excelente regresso de Lee Ann Womack com The Way I’m Livin’.

O r&b vive tempos nebulosos, preso num fetichismo pós-Cassie, mas há quem fuja a essa norma que quer branquear tudo à sua volta: Toni Braxton com Babyface, Kehlani (a miúda mais promissora do momento), Mariah Carey, King (e o álbum teima em não aparecer) ou Trey Songz. Já D’Angelo deu numa de Beyoncé em 2014 e provou porque é que fazer listas do ano em novembro pode não ser uma boa ideia.

Muitos outros momentos ficam por mencionar, como o facto dos One Direction se terem apropriado dos Fleetwood Mac (e de Bruce Springsteen e dos Tears for Fears e dos The 1975) no Four, que prova que esta não é uma boy band como qualquer outra (o que não diminui, em nada, essa herança rica que os antecede), de Gerard Way ter feito melhor disco de glam rock desde a estreia dos Placebo, de Nick Jonas se ter revelado um excelente herdeiro da escola Justin Timberlake ou de Young Thug voltar a ser o melhor rapper (é ouvir a mixtape de Rich Gang, “O” disco de hip hop de 2014).

Por cá destaco três guitarristas que fizeram aqueles que são, para mim, os seus três melhores discos: Ricardo Rocha (com Resplandecente), Norberto Lobo (com Fornalha) e Filipe Felizardo (com Volume 2: Sede e Morte). Foram muitas as noites que passei embrenhado nas reflexões sobre paranóia (pelo menos é assim que sinto essa música) mas com algum balanço rítmico criadas por Ondness (projeto de Bruno Silva), que só este ano lançou Death Weekend/Rituals, Absolute Elsewhere, Surf e Performance e Filho do Dono. Rodrigo Amado foi outros dos mais activos, fosse com o melhor trio de jazz do momento, o Motion Trio (The Freedom Principle e Live in Lisbon, ambos gravados com Peter Evans), fosse com o Wire Quartet (que editaram o meu disco de jazz preferido do ano).

Mensalmente o MusicBox tem continuado a receber as tão importantes Noites Príncipe, onde gente como DJ Maboku, DJ Lilocox, Nigga Fox, Blacksea Não Maya, Puto Anderson ou DJ Firmeza fazem verdadeira magia. Não há nada assim noutro lugar e o disco Tá Tipo Já Não Vamos Morrer, do coletivo Tia Maria Produções, é a prova física disto mesmo.

Foi no MusicBox que vi há dias B Fachada (que voltou este ano da pausa sabática) a mostrar como, em matéria de canções pop, está a milhas de qualquer outro nome que tenha surgido neste país.


Dez discos:

1.º Taylor Swift – 1989
2.º Ricardo Rocha – Resplandecente
3.º Miranda Lambert – Platinum
4.º D’Angelo – Black Messiah
5.º Toni Braxton & Babyface – Love, Marriage & Divorce
6.º Excepter – Familiar
7.º DaVinChe/Katie Pearl – Make It Official
8.º Torn Hawk – Through the Force of Will
9.º One Direction – Four
10.º Kehlani – Cloud 19

Dez canções:

1.º One Direction – Fireproof
2.º Taylor Swift – Style
3.º King – Mister Chameleon
4.º Torn Hawk – Blindsided
5.º T.I. & Young Thug – About the Money
6.º Chase Smith – Vaporub
7.º Kira Isabella – The Quarterback
8.º Nicole Scherzinger – Your Love
9.º Tinashe – 2 On (feat. Schoolboy Q)
10.º Kridinhux – Pensar em Ti

Dez concertos:

1. Kate Bush no Hammersmith Apollo
2. Excepter na Galeria Zé dos Bois
3. África Negra no B.Leza
4. Peter Evans no Panteão Nacional
5. Bill Callahan no Cinema São Jorge
6. Beyoncé na Meo Arena
7. Miley Cyrus na Meo arena
8. One Direction no Estádio do Dragão
9. Justin Timberlake no Parque da Bela Vista
10. Rodrigo Amado Motion Trio com Hernâni Faustino na Galeria Zé dos Bois

Dez filmes:
1. Blue Ruin – Jeremy Saultier
2. The Act of Killing – Joshua Oppenheimer & Christine Cynn
3. Cavalo Dinheiro – Pedro Costa
4. Nebraska – Alexander Payne
5. Under the Skin – Jonathan Glazer
6. 12 Years A Slave – Steve McQueen
7. Nightcrawler – Dan Gilroy
8. 22 Jump Street – Phil Lord & Chris Miller
9. Stand Clear of the Closing Doors – Sam Fleischner
10. Gone Girl – David Fincher

terça-feira, dezembro 23, 2014

10 filmes de 2014 (J. L.)


CAVALO DINHEIRO, de Pedro Costa
DEBAIXO DA PELE, de Jonathan Glazer
MAPAS PARA AS ESTRELAS, de David Cronenberg
JERSEY BOYS, de Clint Eastwood
EM PARTE INCERTA, de David Fincher
DOIS DIAS, UMA NOITE, de Luc e Jean-Pierre Dardenne
BOYHOOD, de Richard Linklater
A TEMPORADA DO RINOCERONTE, de Bahman Ghobadi
CIÚME, de Philippe Garrel

... o contraste, e a comovente cumplicidade, das fotografias de Jacob Riis e das imagens do filme de Pedro Costa.
... a sala onde se sentam as personagens de Alain Resnais para assistirem a algo que, sendo um filme, é sobretudo uma mensagem que transcendeu o próprio silêncio da morte.
... os olhos firmes, translúcidos, à beira das lágrimas, de Marion Cotillard filmada pelos irmãos Dardenne.
Num certo sentido, são apenas essas coisas que contam. Os filmes não são o seu "tema", muito menos o seu "orçamento" ou os seus "efeitos especiais" — a pior televisão que se faz (aqui e por todo o lado) muito se empenha em enganar-nos com tais clichés, afastando-nos do que realmente acontece no interior dos filmes. E é um facto que, num universo audiovisual parasitado pela mediocridade formatada das telenovelas, estar disponível para os acontecimentos específicos de um filme se tornou, afinal, o mais difícil. Clint Eastwood o disse, de forma acutilante e poética, quando respondeu a insinuações mais ou menos pueris sobre o facto de ter feito "apenas" um filme musical... Esclareceu ele que não fez um musical, mas sim um filme com uma acção que envolve personagens que cantam — aqui fica, por isso, como símbolo do melhor cinema do ano, uma imagem do cineasta no local de trabalho.

Os melhores discos de 2014 (N.G.)


Se ainda houvesse dúvidas o concerto no Cinema São Jorge trataria de as dissipar. O impressionante fôlego irado e seguro com o qual Mike Hadreas animou a alma do seu terceiro álbum não só o confirmou como um dos grandes cantautores do nosso tempo como lhe deu o disco do ano. Em tempo de fazer balanços, o melhor de 2014 está cheio de discos que marcaram um ano rico em boas gravações e ideias. Entre encontros e reencontros, entre a linha da frente da invenção e uma relação não nostálgica com a memória vale a pena guardar uma mão-cheia de álbuns, entre os quais aquele que assinala o reencontro de Beck com o espaço da orquestra (que lhe deu essa obra-prima chamada Sea Change) e a estreia (finalmente) a solo de Dean Wareham num disco onde a novidade das canções traduz uma tranquila familiaridade com a sua voz e uma escrita amadurecida. Se estes são dez discos eleitos, da produção de 2014 vale a pena não esquecer nomes como os de Angel Olsen, TV on The Radio, Aphex Twin, Fujiya & Myiagi, Leonard Cohen, Brian Eno (que em dois álbuns se aliou este ano a Karl Hyde), Damon Albarn, Andrew Bird, Eels, Tori Amos ou Blonde Redhead. Mas dez são dez, e a que se segue é a lista “oficial”...

1 Perfume Genius, ‘Too Bright’
2 Beck, ‘Morning Phase’
3 Dean Wareham ‘Dean Wareham’
4 Ariel Pink ‘Pom Pom’
5 Owen Pallett ‘In Conflict’
6 St Vincent ‘St Vincent’
7 Caribou ‘Our Love’
8 Teleman ‘Breakfast’
9 The Notwist ‘Close to the Glass’
10 Neneh Cherry ‘Blank Project’


Nacional


Vivi os dias do ‘boom’ do “rock português” de 1980 e 81 e também o frenesi criativo que nascia semana após semana no palco do Rock Rendez Vous, mas o que temos assistido nos últimos anos entre nós mostra um fulgor de ideias, talentos e vontade de fazer (e ouvir) como nunca. Se as tabelas de vendas estão ensopadas pelo mais do mesmo e os concursos de “talentos” dão mediatismo por 15 minutos, a melhor nova música que se faz entre nós passa por outros discos e outros palcos. Precisava de uma lista bem mais extensa para um retrato mais fiel de um ano que fez perder de conta os discos e nomes que mostraram como por aqui a coisa mexe (e bem). Não posso deixar de assinalar o melhor disco de Norberto Lobo até à data, as fulgurantes estreias de Sensible Soccers, Bruno Pernadas e do projeto Jibóia, e as provas de solidez reforçada da obra de Legendary Tigerman, Rita Redshoes ou Clã. Birds are Indie, Xinobi e You Can’t Win Charlie Brown fecham o top 10. Mas nomes como os de Sérgio Godinho, Mão Morta, Walter Benjamin (em despedida), Real Combo Lisbonense, Capicua, B Fachada, Capitão Fausto, Dead Combo ou António Zambujo fazem também parte da história de um ano que, assinalou ainda as Bodas de Ouro da carreira de Carlos do Carmo.

1. Norberto Lobo ‘Fornalha’
2. Sensible Soccers ‘8’
3. Bruno Pernadas ‘How Can We Be Joyful in a World Full of Knowledge’
4. Jibóia ‘Badlav EP’
5. The Legendary Tigerman ‘True’
6. Birds are Indie ‘Love is Not Enough’
7. Xinobi ‘1975'
8. Rita Redshoes ‘Life is a Second of Love’
9. Clã ‘Corrente’
10. You Can’t Win Charlie Brown ‘Diffraction/Refraction’


Reedições / antologias



Gravadas em 1967, as ‘basement tapes’ registadas por Bob Dylan juntamente com os músicos com quem tinha andado pela estrada meses anos (e que no ano seguinte se estreariam em disco como The Band) começaram a dar sinais de vida quer em versões de nomes como Julie Driscoll ou os Byrds ou em bootlegs. Em 1975 um duplo álbum deu-lhes finalmente uma voz oficial. Mas só agora, 47 anos depois, a música que ali ganhou forma (e que não só transformou Dylan como lançou as bases daquilo a que hoje chamamos ‘americana’) chegou, sem filtros nem silêncios, a todos nós. O 11º volume das Bootleg Series de Dylan traz-nos um tesouro histórico – talvez o mais importante que esta série de edições de arquivo já nos deu a conhecer. É o mais significativo dos lançamentos de material antigo que este ano chegou a disco, partilhando esta importante fatia da oferta editorial ao lado da mais representativa antologia alguma vez criada para a música de Bowie, a reedição (com extras) do melhor disco de Grace Jones, o reencontro com o primeiro álbum a solo de Max Richter ou a caixa com as edições em mono dos álbuns dos Beatles, agora em novas prensagens em vinil.

1. Bob Dylan ‘The Complete Basement Tapes’
2. David Bowie ‘Nothing Has Changed’
3. Grace Jones ‘Nightclubbing’
4. Max Richter ‘Memoryhouse’
5. The Beatles ‘Beatles in Mono’
6. The Velvet Underground ‘The Velvet Underground’
7. Underworld ‘Dubnobasswithmyheadman’
8. Tears For Fears ‘Songs From The Big Chair’
9. Pixies ‘Doolittle 25’
10. The The ‘Soul Mining’


Clássica



A música do século XXI – mesmo continuando inexplicavelmente invisível em muitas frentes de programação por estes lados – consegue arrebatar atenções por aqui, e dominar parte significativa do panorama dos melhores discos na área da música “clássica” de 2014. Obras posteriores à chegada do novo século por compositores como Max Richter, John Adams, Bryce Dessner, Johnny Greenwood, Nico Muhly e António Pinho Vargas dão conta da atenção dos discos para com a música que está a nascer no nosso tempo. Do melhor de 2014 há ainda a assinalar a continuação do esforço de justa (re)descoberta de Weinebrg (agora com uma importante contribuição de G. Kremer) e o fim da integral sinfónica de Shostakovich por Petrenko, com a “sua” orquestra de Liverpool. Mas o melhor de 2014 (em disco) foi mesmo a belíssima gravação de West Side Story, de Bernstein, pela San Francisco Symphony, dirigida por Michael Tilson Thomas, correspondendo à primeira vez que a obra teve uma apresentação integral em versão de concerto. 

1. L. Bernstein ‘West Side Story’, San Francisco Symph + M Tilson Thomas 
2. Max Richter ‘Retrospective’
3. M. Weinberg, ‘Mieczyslaw Weinberg’, Kremerata Baltica + G Kremer 
4. Steve Reich ‘Radio Rewrite’
5. Philip Glass ‘Heroes Symphony’, Sinfonieorchester Basel + D R Davies
6. John Adams, ‘City Noir’ St Louis Symphony + D Robertson 
7. Bryce Dessner + Johnny Greenwood ‘St Carolyn By The Sea / Suite from ‘There Will Be Blood’ Copenhagen Phil + A de Ridder
8. D. Shostakovich, ‘Symphony No 13 – Babi Yar’, Liverpool Phil. Orchestra + V Petrenko 
9. Nico Muhly ‘Two Boys’ Metropolitan Opera and Chorus + D Robertson
10. António Pinho Vargas ‘Requiem’ Orq. e coro Gulbenkian + J Carneiro e F Eldoro

sexta-feira, dezembro 19, 2014

As canções de 2014:
Angel Olsen, Hi-Five



Um dos grandes discos do ano, o álbum que, depois de algumas edições menos visíveis, nos apresentou Angel Olsen, é um marco na história de 2014. Esta canção foi uma das primeiras que apresentámos no Sound + Vision este ano. Quase doze meses depois ainda tem o sabor daquelas coisas que entusiasmam. É nome para continuar a acompanhar!

As imagens de 2014:
O regresso ao palco de Kate Bush


Dificilmente haveria competição à altura... Após longos anos de ausência, Kate Bush regressou ao palco com um espetáculo que, diz quem viu, é daquelas coisas que nunca se esquece. Before The Dawn, não corresponde ao modelo da digressão, mas a uma residência fixa numa mesma sala durante uma série de noites. E como num espetáculo de ópera, com principio, meio e fim (por esta ordem), a música e cenografia aliando-se assim a uma narrativa. Agora é esperar pelo registo do que ali aconteceu, para que os muitos que não passaram por Londres possam partilhar (mesmo à distância) a experiência.

Podem recordar aqui o que o João Moço nos contou depois de lá ter estado.