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terça-feira, janeiro 17, 2012
Os melhores filmes de 2011
Lançámos há uma semana o desafio aos leitores do Sound + Vison, pedindo que votassem nos melhores filmes do ano. As votações nãom deixam dúvidas, com A Árvore da Vida de Terrence Malick e Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, a destacar-se claramente na votação, abrindo inclusivamente um largo fosso face à votação nos segundos classificados. Aqui ficam as listas finais da votação.
INTERNACIONAL:
1º – A Árvore da Vida – 90 votos
2º – O Cisne Negro – 21
3º – Super 8 - 18
4º - Melancolia - 16
5º - Drive – 14
6º - Um Método Perigoso – 8
7º - O Tio Bonomee que se Recordava das Suas Vidas Anetriores – 7
8º - Essential Killing e A Melhor Despedida de Solteira - 6
Com 5 votos: As Quatro Voltas, Filme Socialismo, Inquietos, Mel, O Discurso do Rei, Submarino, Uma Separação
Com 4 votos: A Pele Onde Eu Vivo, Crazy Horse, Habemus Papam, Indomável, O Deus da Carnificina,
Com 3 votos: A Autobiografia de Nicolae Ceausescu, Hereafter, Nos Idos de Março,
Com 2 votos: A Conspiradora, As Aventuras de Tintin – O Segredo do Licorne, A Toupeira, Carlos, Isto Não é Um Filme, O Miúdo da Bicicleta, Pina, Planeta dos Macacos – A Origem,
Com 1 voto: A Dívida, Amores Imaginários, A Nossa Vida, As Serviçais, O Atalho, Rubber – Pneu, Sem Destino,
Sem votos ficaram os filmes Aurora, Contágio, Copacabana, Despojos de Inverno, Hadewijch, Histórias de Shangai, O Código Base, Potiche, Uivo, Um Dia, Vénus Negra.
Outra escolha: 14 votos
Não vi nenhum destes filmes: 3
NACIONAL:
1º - Sangue do Meu Sangue - 73
2º - Efeitos Secundários – 30
3º - É na Terra não é na Lua – 11
4º - O Estranho Caso de Angélica - 7
5º - 48 – 6
6º - Alvorada Vermelha – 5
7º - Cisne - 4
Com 2 votos: A Cidade dos Mortos, Quinze Pontos na Alma, O Barão,
Com 1 voto: A Espada e a Rosa, Águas Mil, América, A Morte de Carlos Gardel, E o Tempo Passa, Com Que Voz, Complexo Universo Paralelo, Quem Vai à Guerra, Viagem a Portugal
Sem votos ficaram os filmes: Durante o Fim, Palácios de Pena, O Inferno, O Meu Raúl, Trabalho de Actriz Trabalho de Actor, Voodoo
Não vi nenhum destes filmes: 35
Outra escolha – 4
N.G.: Não há dúvidas. A Árvore da Vida é o filme que mais votos soma (nas duas listas). Foi o grande filme de 2011, é um grande filme do nosso tempo e será recordado um dia como um marco deste tempo... Apesar de ter vencido a Palma de Ouro em Cannes, não deixa contudo de ser estranha a sua ausência nas premiações mais mediatizadas. Zero nomeações nos Globos de Ouro... E vamos ver se nos Oscares soma mais que categorias técnicas como Montagem e Direção de Fotografia. Além de ser o Melhor Filme do Ano e Terrence Malick o mais justo ganhador de um qualquer prémio para Melhor Realizador, o filme justificaria por tudo um prémio de interpretação para Jessica Chastain, mas enfim... Verão mais que os êxitozinhos de multiplex os senhores jornalistas que escrevem sobre cinema em Hollywood (que decidem os Globos de Ouro) e os demais profissionais da indústria local (que votam nos Oscares)?... Adiante...
Sangue do Meu Sangue é também claro (e justo) vencedor na tabela local. Curioso é ver ainda os filmes de Gonçalo Tocha e da dupla João Pedro Rodrigues/João Rui Guerra da Mata – respetivamente É na Terra não é na Lua e Alvorada Vermelha) – que só tiveram ainda passagem em festivais, a chamar considerável atenção. Preocupante é, depois, a votação em massa (18% dos votos) na opção “não vi nenhum destes filmes” quando se fala do cinema português...
J.L.: É um facto: entre os espectadores de cinema português, há um lote significativo (mais de um terço nesta votação) que não vê... filmes portugueses. A avaliação do problema (porque de um problema se trata, ao mesmo tempo comercial e cultural) está viciada pelos mais agressivos maniqueísmos, conforme o gosto de quem os manipula: os filmes são "maus", os espectadores são "estúpidos", etc., etc., etc... Talvez valha a pena relembrar o mais evidente. A saber: há mais de três décadas que o audiovisual português deixou triunfar um modelo asfixiante — a telenovela — e só por insuperável inocência ou incorrigível cinismo se pensará que tal dominação (estética e financeira) é indiferente para a simples existência do cinema português. Há muitos anos também, muito para além (ou aquém) do melhor ou do pior que os cineastas vão fazendo, faltam decisões políticas — e de política cultural — que apostem em superar este estado de coisas. That is the question.
segunda-feira, janeiro 09, 2012
2011: as escolhas do Sound + Vision
Um disco:
'Video Games', de Lana del Rey
N.G.: Lana del Rey foi uma das revelações maiores de 2011. Uma música que sabemos ser de agora mas que carrega toda uma história feita de memórias. Uma voz que sabe vestir uma ideia de interpretação como um actor que entra num papel. E duas belíssimas canções neste EP de estreia que abriu apetites para o álbum que agora vem a caminho.
J.L.: Será que estamos a assistir a uma "nova vaga" romântica? E poderá Lana del Rey ser a líder simbólica de tal movimento? Uma coisa é certa: o dramatismo distanciado da sua voz, a nonchalance da sua pose e as qualidades dos seus telediscos transformam-na, desde já, num caso sério de energia criativa. Mais do que uma promessa, uma certeza.
Um filme:
'Alvorada Vermelha' de João Pedro Rodrigues
e João Rui Guerra da Mata
N.G.: 2011 foi um ano particularmente vibrante para o cinema português. E para o panorama em geral um tempo de belíssimas revelações na área do cinema documental. Não é por isso que Alvorada Vermelha represente um eventual dois em um. O filme vale em tudo por si mesmo. Abrindo por um lado a cortina sobre mais imagens e olhares que nos esperam em A Última Vez Que Vi Macau. E mostrando como um documentário pode não ser apenas um retrato do que se vê, mas antes uma interpretação na expressão de um olhar sobre o que observa.
J.L.: Estranho poder o do cinema: o de aplicar um olhar mais ou menos descritivo para, a pouco e pouco, instalar o sentimento desconcertante de passagem para um universo outro, onde realidade e sonho, vida concreta e existência mitológica coexistem num delirante processo de contaminação — não acontece todos os dias, nem em todas as cinematografias; este exemplo (raro) é eminentemente português e sabe confrontar-nos com as memórias paradoxais de Macau.
Um livro: 'Apenas Miúdos'
de Patti Smith
N.G.: Tinha já passado por aqui há um ano em tempo de edição internacional. Em 2011 chegou a tradução portuguesa. Mais não fez senão o sublinhar de um raro talento na escrita de uma voz que não apenas referência do punk mas antes uma força maior da cultura americana do século XX. Ao evocar aqui a Nova Iorque dos setentas, a figura de Mapplethorpe, ecos de músicas, livros e imagens, o livro de Patti Smith é um verdadeiro retrato da cultura do nosso tempo. O que hoje somos passa, de certa forma, por aqui.
J..L.: É bem verdade que algumas das grandes figuras da música popular (de todas as origens) são admiráveis contadores de histórias. Patti Smith é um caso tanto mais extraordinário quanto os seus dotes narrativos se aplicam também às zonas mais íntimas da sua história pessoal. Neste caso, evocando Robert Mapplethorpe, Smith consegue combinar com raro fulgor o testemunho social, a memória cultural e a mais secreta arte confessional.
Um site: Glass Engine
em http://www.dunvagen.com/music/glassengine.php#
J.L.: Via Net, como entrar na obra de Philip Glass? Em boa verdade, a partir de qualquer lugar, qualquer tema, qualquer obra. O Glass Engine é um caso exemplar de integração dos poderes do virtual nas formas de divulgação da música, nessa medida ajudando também a entender a dinâmica de trabalho de Glass: um músico capaz de gerar a sua própria geometria criativa, preservando-a e transfigurando-a através de todos os canais de comunicação.
E o melhor álbum de 2011 é...
... Bon Iver, de Bon Iver. Foi intensa e expressiva a colaboração dos leitores do Sound + Vision nesta consulta de opinião, uma das mais participadas de sempre. O álbum de Bon Iver destacou-se como o mais votado, seguindo-se os discos de PJ Harvey e Destroyer. No campo nacional Explode, dos The Gift, foi o que recolheu mais votos, nos lugares imediatos surgindo B Fachada e os You Can’t Win Charlie Brown. Aqui ficam as listas finais da votação dos leitores do blogue:
POP/ROCK INTERNACIONAL
1 – Bon Iver, Bon Iver (52 votos)
2 – Let England Shake, PJ Harvey (47)
3 – Kaputt, Destroyer (35)
4 – Bad As Me, Tom Waits (30)
5 – James Blake, James Blake (27)
6 – Helplessness Blues, Fleet Foxes (25)
7 – We Musy Become The Pityless Censors of Ourselves, John Maus (22)
8 – King of Limbs, Radiohead (19)
9 – The English Riviera, Metronomy (18)
10 – Anna Calvi, Anna Calvi (17)
E além do top ten:
The Strokes (12)
Lykke Li e Nicolas Jaar (10)
Alex Turner, Beyoncé e Feist (9)
Beirut, TV On The Radio e Washed Out (8)
Kate Bush e St. Vincent (7)
Britney Spears, Panda Bear, Patrick Wolf, Son Lux e Tori Amos (5)
Architecture In Helsinki, Brian Eno + Rick Holland, Gang Gang Dance, Julianna Barwick, Lady Gaga, Low, R.E.M. e Tune Yards (4)
Active Child (3)
Austra, Cass McCombs, The Rapture, S.C.U.M. e Wilco (2)
Altas Sound, Cat’s Eyes, Fujyia & Myiagi, Jamie Woon, MEN e Sound of Arrows (1)
David Lynch, Iron & Wine, Thurston Moore e Zomby (0)
Pelo Facebook e via email houve ainda leitores a mencionar os nomes de Björk, M83, Ladytron, Mick Harvey, Coldplay, Trail of Dead, Black Keys, Arctic Monkeys, Isolée, Shabazz Palaces, The Horrors, The Pains Of Being Pure At Heart ou Ryan Adams.
NACIONAL
1 – Explode, The Gift (131 votos)
2 – B Fachada, B Fachada (49)
3 – Chromatic, You Can’t Win Charlie Brown (32)
4 – Automático, Mesa (29)
5 – Animal, Osso Vaidoso (28)
6 – Paus, Paus (23)
7 – Em Busca das Montanhas Azuis, Fausto (22)
8 – Deus Pátria e Família, B Fachada (20)
9 – Mútuo Consentimento, Sérgio Godinho (19)
10 – Lisboa Mulata, Dead Combo (14)
E além do top ten:
Norberto Lobo e Rodrigo Leão (11 votos)
Os Lacraus (9)
Aquaparque, Buraka Som Sistema e Capitães da Areia (8)
Aldina Duarte (5)
Cuca Roseta e Tiago Sousa (4)
Pelo Facebook e por email surgiram ainda referências a nomes como Cão da Morte, Capitão Fausto, Jorge Cruz, JP Simões ou Os Velhos.
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domingo, janeiro 08, 2012
Os melhores filmes de 2011
por Flávio Gonçalves
E estamos quase a fechar as contas ao que aconteceu ao longo de 2011. Hoje escutamos o melhor do ano segundo Flávio Gonçalves, do DN e da revista Première e autor do blogue O Sétimo Continente. Um obrigado ao Flávio pela colaboração.
O ano passado foi prolífico em descobertas e experiências. Sobretudo pessoais, sim, mas também musicais, literárias e cinematográficas.
Na “nossa” literatura realço um nome: Gonçalo M. Tavares (este ano publicou “apenas” Short Movies e Canções Mexicanas, mas começou a ser mais falado pela reedição da epopeia Viagem à Índia e dos vários prémios acumulados, incluindo o Prémio Literário dos Jovens Europeus, para O Senhor Kraus), com quem amadureci e aprendi a ler o mundo de modo diferente. Longe dos romances, destaco o ensaio pertinente, honesto e, a dada altura, comovente A Morte, da investigadora-coordenadora emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Maria Filomena Mónica, publicado em Junho passado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Na música, os lançamentos que mais me entusiasmaram passaram por James Blake (álbum homónimo, sendo que Lindisfarne, primeira e segunda partes, ficou para mim como a canção do ano – e, já agora, teledisco), Bon Iver (a canção Beth / Rest aproxima-se do estatuto pessoal que atribuo a Lindisfarne), Brian Eno (não há nada em Drums Between The Bells que não valha a pena ouvir), Britney Spears (todo o Femme Fatale, sobretudo a canção I Wanna Go, esteve em repeat todo o ano…), Jamie Woon (um nome esquecido, ou ignorado, nos tops do ano de muitos), Lady Gaga (“compreendi” o álbum Born this Way depois de o ter ouvido pela terceira vez e, tal como com a Britney, também canções como Scheiße, Heavy Metal Lover ou The Edge Of Glory passam pelo repertório musical do duche matinal), Patrick Wolf (pelo álbum Lupercalia) e Panda Bear (ouça-se apenas Benfica ou You Can Count on Me…). Os concertos que mais me marcaram em 2011 foram quatro: James Blake (no Optimus Alive!), Sufjan Stevens (no Coliseu dos Recreios), a San Francisco Symphony Orchestra, dirigida por Thilson Thomas, a interpretar a Sinfonia n.º 2 de Mahler (também no Coliseu dos Recreios) e um Passio de Arvo Pärt por Paul Hillier e outros músicos (no Grande Auditório da Gulbenkian).
O meu top dos filmes do ano obedeceu aos seguintes critérios: longas-metragens, portuguesas ou não, que tenham estreado nas salas de cinema nacionais em 2011, excluindo, por isso, as projecções em festivais de cinema. Assim, gostaria antes de mencionar alguns títulos que, não obedecendo a estas restrições, marcaram o meu ano cinematográfico: o documentário, projectado no doclisboa, De Engel van Doel, de Tom Fassaert, que é um magnífico exercício, formal e “narrativo”, sobre a solidão e o sentimento de pertença, e a extraordinária curta-metragem, exibida no IndieLisboa, Alvorada Vermelha, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, pela sua pulsão ao mesmo tempo implacável e lírica. Dito isto, o top dos filmes do ano:
1. A Árvore da Vida (The Tree of Life), Terrence Malick
2. Mel (Bal), Semih Kaplanoğlu
3. Sangue do meu Sangue, João Canijo
4. Submarino (Submarine), Richard Ayoade
5. As Quatro Voltas (Le Quattro Volte), Michelangelo Frammartino
6. Inquietos (Restless), Gus Van Sant
7. O Atalho (Meek’s Cutoff), Kelly Reichardt
8. O Miúdo da Bicicleta (Le Gamin au Vélo), Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
9. Uma Separação (Jodái-e Náder az Simin), Asghar Farhadi
10. Road to Nowhere – Sem Destino (Road to Nowhere), Monte Hellman
Apostas para 2012:
Álbuns de Lana Del Rey (é mesmo caso para lhe dizer: Heaven is a place on Earth with you), Madonna e Lady Gaga; O Cavalo de Turim e a edição dos DVDs do realizador húngaro Béla Tarr; Shame, de Steve McQueen; A Última Vez Que Vi Macau, da dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata; algum filme de Terrence Malick.
O ano passado foi prolífico em descobertas e experiências. Sobretudo pessoais, sim, mas também musicais, literárias e cinematográficas.
Na “nossa” literatura realço um nome: Gonçalo M. Tavares (este ano publicou “apenas” Short Movies e Canções Mexicanas, mas começou a ser mais falado pela reedição da epopeia Viagem à Índia e dos vários prémios acumulados, incluindo o Prémio Literário dos Jovens Europeus, para O Senhor Kraus), com quem amadureci e aprendi a ler o mundo de modo diferente. Longe dos romances, destaco o ensaio pertinente, honesto e, a dada altura, comovente A Morte, da investigadora-coordenadora emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Maria Filomena Mónica, publicado em Junho passado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Na música, os lançamentos que mais me entusiasmaram passaram por James Blake (álbum homónimo, sendo que Lindisfarne, primeira e segunda partes, ficou para mim como a canção do ano – e, já agora, teledisco), Bon Iver (a canção Beth / Rest aproxima-se do estatuto pessoal que atribuo a Lindisfarne), Brian Eno (não há nada em Drums Between The Bells que não valha a pena ouvir), Britney Spears (todo o Femme Fatale, sobretudo a canção I Wanna Go, esteve em repeat todo o ano…), Jamie Woon (um nome esquecido, ou ignorado, nos tops do ano de muitos), Lady Gaga (“compreendi” o álbum Born this Way depois de o ter ouvido pela terceira vez e, tal como com a Britney, também canções como Scheiße, Heavy Metal Lover ou The Edge Of Glory passam pelo repertório musical do duche matinal), Patrick Wolf (pelo álbum Lupercalia) e Panda Bear (ouça-se apenas Benfica ou You Can Count on Me…). Os concertos que mais me marcaram em 2011 foram quatro: James Blake (no Optimus Alive!), Sufjan Stevens (no Coliseu dos Recreios), a San Francisco Symphony Orchestra, dirigida por Thilson Thomas, a interpretar a Sinfonia n.º 2 de Mahler (também no Coliseu dos Recreios) e um Passio de Arvo Pärt por Paul Hillier e outros músicos (no Grande Auditório da Gulbenkian).
O meu top dos filmes do ano obedeceu aos seguintes critérios: longas-metragens, portuguesas ou não, que tenham estreado nas salas de cinema nacionais em 2011, excluindo, por isso, as projecções em festivais de cinema. Assim, gostaria antes de mencionar alguns títulos que, não obedecendo a estas restrições, marcaram o meu ano cinematográfico: o documentário, projectado no doclisboa, De Engel van Doel, de Tom Fassaert, que é um magnífico exercício, formal e “narrativo”, sobre a solidão e o sentimento de pertença, e a extraordinária curta-metragem, exibida no IndieLisboa, Alvorada Vermelha, de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, pela sua pulsão ao mesmo tempo implacável e lírica. Dito isto, o top dos filmes do ano:
1. A Árvore da Vida (The Tree of Life), Terrence Malick
2. Mel (Bal), Semih Kaplanoğlu
3. Sangue do meu Sangue, João Canijo
4. Submarino (Submarine), Richard Ayoade
5. As Quatro Voltas (Le Quattro Volte), Michelangelo Frammartino
6. Inquietos (Restless), Gus Van Sant
7. O Atalho (Meek’s Cutoff), Kelly Reichardt
8. O Miúdo da Bicicleta (Le Gamin au Vélo), Jean-Pierre Dardenne & Luc Dardenne
9. Uma Separação (Jodái-e Náder az Simin), Asghar Farhadi
10. Road to Nowhere – Sem Destino (Road to Nowhere), Monte Hellman
Apostas para 2012:
Álbuns de Lana Del Rey (é mesmo caso para lhe dizer: Heaven is a place on Earth with you), Madonna e Lady Gaga; O Cavalo de Turim e a edição dos DVDs do realizador húngaro Béla Tarr; Shame, de Steve McQueen; A Última Vez Que Vi Macau, da dupla João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata; algum filme de Terrence Malick.
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Balanço do ano - 2011
sexta-feira, janeiro 06, 2012
Os melhores discos de 2011
por Paulo Garcia
E estamos quase a fechar as contas ao que aconteceu ao longo de 2011. Hoje escutamos o melhor do ano segundo Paulo Garcia, autor do blogue Planeta Pop. Um obrigado ao Paulo pela colaboração.
No ano de todas as crises, valeu-nos a música para nos ajudar a ultrapassar uma austeridade que nos sufoca e que, pouco a pouco, parece conduzir este país para um poço sem fundo.
Ainda assim, não se pode dizer que 2011 tenha sido um ano excepcional em matéria de música gravada e editada. Na verdade, não me lembro de um início de década tão morno. E já passei por três: 80s, 90s e 00s. Não pretendo com isto dizer que 2011 tenha sido um mau ano. Não foi. Foi apenas um ano razoável. Pior que 2010, mas muito melhor que 2009.
2011 acabou por ser salvo por um punhado de bons singles e boas canções, uma vez que em matéria de álbuns, o ano ficou muito aquém do desejável, confirmando assim uma tendência que tem vindo a acentuar-se de ano para ano. Tirando 5 ou 6 excepções, diria que faltaram grandes álbuns em 2011. E com grandes álbuns refiro-me aquele tipo de discos que, de alguma forma, definem uma época. Ou que apontam novos rumos. Ou que, simplesmente, exibem uma consistência acima da média. Discos sem "gordura", daqueles que apetece ouvir repetidas vezes do início ao fim, sem saltar de faixa. Não houve muitos desses.
Seguem-se, então, os discos, as canções, os sons e as imagens que me acompanharam e fizeram parte da minha vida em 2011. Como sempre, optei por não atribuir uma ordem numérica às minhas escolhas. Apenas as separei por secções e organizei por ordem alfabética.
ÁLBUNS | TOP 10
BLOOD ORANGE | COASTAL GROOVES
DEATH IN VEGAS | TRANS-LOVE ENERGIES
FRIENDLY FIRES | PALA
THE HORRORS | SKYING
KATE BUSH | 50 WORDS FOR SNOW
S.C.U.M | AGAIN INTO EYES
WASHED OUT | WITHIN AND WITHOUT
DURAN DURAN | ALL YOU NEED IS NOW (Deluxe Edition)
PAUS | PAUS
RADIOHEAD | THE KING OF LIMBS
ZOLA JESUS | CONATUS
CANÇÕES/TEMAS | TOP 20
BLOOD ORANGE | DINNER
DURAN DURAN | TOO BAD YOUR'E SO BEAUTIFUL
THE DRUMS| IF HE LIKES IT LET HEM DO IT
FRIENDLY FIRES | BLUE CASSETTE
GLASS CANDY | WARM IN THE WINTER
THE HORRORS | STILL LIFE
JOAKIM | FOREVER YOUNG
KATE BUSH | SNOWED IN AT WHEELER STREET
THE KICK | IN THE END
LANA DEL REY | VIDEO GAMES
LADYTRON | WHITE ELEPHANT
MIRACLE | THE VISITOR
MIRRORS | SOMEWHERE STRANGE
MIRROR MIRROR | INTERIORS
PLANNINGTOROCK | THE BREAKS
PATRICK WOLF | TOGETHER
RADIOHEAD | CODEX
S.C.U.M | CAST INTO SEASONS
WASHED OUT | ECHOES
WIN WIN feat ALEXIS TAYLOR | INTERLEAVE
CONCERTOS
THE ARCADE FIRE @ SBSR 2011
DURAN DURAN @ COACHELLA 2011
PRIMAL SCREAM @ ALIVE!11
FRIENDLY FIRES @ ALIVE!11
THE STROKES @ SBSR 2011
KANYE WEST @ SWTMN 2011
JANELLE MONAE @ SWTMN 2011
GRINDERMAN @ ALIVE!11
FOALS @ ALIVE!11
Podem ler aqui uma lista completa das escolhas do Paulo Garcia.
No ano de todas as crises, valeu-nos a música para nos ajudar a ultrapassar uma austeridade que nos sufoca e que, pouco a pouco, parece conduzir este país para um poço sem fundo.
Ainda assim, não se pode dizer que 2011 tenha sido um ano excepcional em matéria de música gravada e editada. Na verdade, não me lembro de um início de década tão morno. E já passei por três: 80s, 90s e 00s. Não pretendo com isto dizer que 2011 tenha sido um mau ano. Não foi. Foi apenas um ano razoável. Pior que 2010, mas muito melhor que 2009.
2011 acabou por ser salvo por um punhado de bons singles e boas canções, uma vez que em matéria de álbuns, o ano ficou muito aquém do desejável, confirmando assim uma tendência que tem vindo a acentuar-se de ano para ano. Tirando 5 ou 6 excepções, diria que faltaram grandes álbuns em 2011. E com grandes álbuns refiro-me aquele tipo de discos que, de alguma forma, definem uma época. Ou que apontam novos rumos. Ou que, simplesmente, exibem uma consistência acima da média. Discos sem "gordura", daqueles que apetece ouvir repetidas vezes do início ao fim, sem saltar de faixa. Não houve muitos desses.
Seguem-se, então, os discos, as canções, os sons e as imagens que me acompanharam e fizeram parte da minha vida em 2011. Como sempre, optei por não atribuir uma ordem numérica às minhas escolhas. Apenas as separei por secções e organizei por ordem alfabética.
ÁLBUNS | TOP 10
BLOOD ORANGE | COASTAL GROOVES
DEATH IN VEGAS | TRANS-LOVE ENERGIES
FRIENDLY FIRES | PALA
THE HORRORS | SKYING
KATE BUSH | 50 WORDS FOR SNOW
S.C.U.M | AGAIN INTO EYES
WASHED OUT | WITHIN AND WITHOUT
DURAN DURAN | ALL YOU NEED IS NOW (Deluxe Edition)
PAUS | PAUS
RADIOHEAD | THE KING OF LIMBS
ZOLA JESUS | CONATUS
CANÇÕES/TEMAS | TOP 20
BLOOD ORANGE | DINNER
DURAN DURAN | TOO BAD YOUR'E SO BEAUTIFUL
THE DRUMS| IF HE LIKES IT LET HEM DO IT
FRIENDLY FIRES | BLUE CASSETTE
GLASS CANDY | WARM IN THE WINTER
THE HORRORS | STILL LIFE
JOAKIM | FOREVER YOUNG
KATE BUSH | SNOWED IN AT WHEELER STREET
THE KICK | IN THE END
LANA DEL REY | VIDEO GAMES
LADYTRON | WHITE ELEPHANT
MIRACLE | THE VISITOR
MIRRORS | SOMEWHERE STRANGE
MIRROR MIRROR | INTERIORS
PLANNINGTOROCK | THE BREAKS
PATRICK WOLF | TOGETHER
RADIOHEAD | CODEX
S.C.U.M | CAST INTO SEASONS
WASHED OUT | ECHOES
WIN WIN feat ALEXIS TAYLOR | INTERLEAVE
CONCERTOS
THE ARCADE FIRE @ SBSR 2011
DURAN DURAN @ COACHELLA 2011
PRIMAL SCREAM @ ALIVE!11
FRIENDLY FIRES @ ALIVE!11
THE STROKES @ SBSR 2011
KANYE WEST @ SWTMN 2011
JANELLE MONAE @ SWTMN 2011
GRINDERMAN @ ALIVE!11
FOALS @ ALIVE!11
Podem ler aqui uma lista completa das escolhas do Paulo Garcia.
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Balanço do ano - 2011
quinta-feira, janeiro 05, 2012
Os melhores discos de 2011
por Daniel Skramesto
Em tempo de revisão do que aconteceu ao longo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo Daniel Skramesto, autor do blogue Actas do Pequeno Almoço. Um obrigado ao Daniel pela colaboração.
Para o meu top de albuns escolhi aqueles que de facto fazem mais sentido enquanto conjunto de canções, os que se podem ouvir do principio ao fim sem saltar nenhuma faixa. 2011 foi um ano com uma excelente colheita musical. Talvez não tanto um ano de grandes álbuns mas a minha playlist "reduzida" de 2011 tem 462 canções!
1. Kate Bush - "50 words for snow"
Um regresso inesperado que ultrapassou todas as expectativas. Clássico instantâneo.
2. Loney Dear - "Hall Music"
Depois de uma mão cheia de albuns cheios de boas ideias, o homem-banda Emil Svanängen conseguiu finalmente criar uma peça de extrema coerência alicerçada numa linguagem muito pessoal. Emocionante, introspectivo e épico. "Largo" é a minha canção do ano. Tive também o privilégio de o ver ao vivo num daqueles concertos que nos revelam toda a mestria de um músico. Aplaudi de pé.
3. Destroyer - "Kapput"
Quando "Bay of pigs" apareceu como single em 2008 tinha aparência de OVNI. "Kapput" veio pôr essa canção em perspectiva e recomenda-se vivamente a versão em vinyl deste álbum cujo lado três faz a ponte entre "bay of pigs" e o restante conjunto de canções. Talvez seja um desconcertante passo ao lado na carreira de Destroyer mas depois disto, estamos todos dispostos a segui-lo para onde quer que vá.
4. Ane Brun - "It all starts with one"
ok, reconsiderando, este é que é o disco mais inesperado do ano. Eu sempre tinha tido a Ane Brun numa prateleira de "Country para meninas" (a voz assemelhada à Dolly Parton ajudava à classificação) mas este disco levou-a para um sítio que é só dela. Boas canções apoiadas por impressionantes percursões e uma produção impecável tornaram este um dos discos inconformáveis de 2011. Ajudou tê-la visto no que foi o melhor concerto que vi este ano. Dois bateristas numa canção como "These days" foi épico. E na primeira parte descobriu-se o potencial a solo da violoncelista Linnea Olsson, nome a ter em atenção em 2012 quando lançar o seu primeiro álbum.
5. The Antlers - "Burst apart"
Talvez seja este o disco que muita gente gostava que os Radiohead fizessem… bom do princípio ao fim.
6. Other Lives - "Tamer animals"
O primeiro álbum desta banda passou completamente despercebido em 2009 e embora fosse bonito qb não tinha o o lado mais escuro que fez de "Tamer animals" um dos discos mais viciantes do ano.
7. Wild Beasts - "Smother"
Chamem-me parvo, mas só quando os vi em concerto a semana passada é que me apercebi que os Wild Beasts têm dois vocalistas. Excelente concerto e excelente disco que já mereceria estar nesta lista só por causa da última canção "End comes too soon", mas é muito mais do que isso. São canções simples, talvez algo monótonas a uma primeira audição, mas cheias de pormenores e alma e que se vão entranhando até fazerem parte de nós.
8. My Morning Jacket - "Circuital"
Os primeiros segundos deste discos são desarmantes. Aqui está uma banda que se está a divertir com o que faz. Grandes canções e grande diversão com momento maior em "Holdin on to black metal"
9. Gang Gang Dance - "eye contact"
Da minha lista este é o disco mais difícil de "engolir" mas provavelmente o que mais recompensa repetidas audições.
10. GusGus - "arabian horse"
Este não merece um décimo lugar, mas é a minha maneira de agradecer aos GusGus por me terem consecutivamente salvo de extremo tédio no ginásio ao longo do ano.
Apostas para 2012:
Lana Del Rey - "Video Games"
Eu e mais uns quantos milhões descobrimo-la na internet, num dos vídeos/canção mais entusiasmantes dos últimos tempos. Há-de ser um dos melhores discos de 2012.
Diamond Rings - "Special affections" Descobri este rapazito canadiano quando fez a primeira parte do concerto de Junior Boys. Embora parecesse estar a actuar na sala para a família tinha "qualquer coisa" que talvez seja verdadeiro talento. Quando crescer vai ser alguém.
Mary Ocher - "war songs"
Talvez tenha uma voz um pouco irritante. Talvez o estilo Anne Clark esteja fora de moda mas canções como "on the streets of hard labor" e "trampoline" soam a frescas e importantes. E os seus vídeos são visualmente mais ousados do que os de uma Lady Gaga.
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Balanço do ano - 2011
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Cinema & televisão, história & ética
A Dívida, de John Madden, é um filme que, por razões temáticas, teria merecido algo mais do que a indiferença típica do mercado natalício — este título foi publicado no Diário de Notícias (2 Janeiro), com o título 'Como é que o cinema revê a história?'
Os balanços anuais da frequência das salas de cinema confirmam, nos mais diversos contextos, uma retracção regular das audiências. Em todo o caso, valerá a pena acrescentar que tal fenómeno não pode ser reduzido a índices meramente quantitativos. Desde as séries apoiadas num marketing devorador (Transformers, Harry Potter, Twilight) até às sequelas de animação (Carros, Kung Fu Panda), muitos sucessos dos nossos dias parecem enraizar-se numa sistemática exclusão da história e da espessura, enigmática ou perturbante, das suas memórias. Decididamente, este não é o tempo de Lawrence da Arábia (1962) e outros épicos feitos há mais ou menos meio século.
O fenómeno está longe de ser estritamente cinematográfico. É mesmo de raiz televisiva, já que as chamadas “reconstituições históricas” (expressão profundamente equívoca: reconstituir é sempre criar algo novo) constituem, no espaço imenso das séries, um regular recurso. Muitas vezes, a complexidade da história é mesmo “resolvida” através de uma grelha de leitura dominada pelo determinismo dramático e por algum tipo de gratificação moral. Veja-se os exemplos sintomáticos de Downton Abbey, celebrando a coexistência mítica das classes, ou Os Bórgia, parábola de banal anticlericalismo, antecipadamente decidida numa visão maniqueísta do “mal” e da “violência”.
Sem dúvida por isso, alguns filmes de temática especificamente histórica têm cada vez mais dificuldades em ser reconhecidos pelo grande público (em boa verdade, por vezes são também secundarizados no espaço jornalístico). No arranque do novo ano, vale a pena referir um desses filmes, estreado entre nós há cerca de um mês. É, a meu ver, uma obra menor, mas talvez merecesse uma reflexão mais alargada: A Dívida, o filme de John Madden, com Helen Mirren e Jessica Chastain, sobre um grupo de agentes da Mossad israelita envolvido na localização de um criminoso nazi.
Distribuído pela Miramax, o filme surgiu secundarizado pelo próprio mercado (desde logo porque o seu lançamento, nos EUA, foi perturbado pelas atribulações decorrentes da compra da Miramax, à Disney, pela Filmyard Holdings). Além do mais, o seu ziguezague narrativo (entre os anos 60 e 90) carece de consistência dramática, baralhando de forma pouco feliz a simples percepção dos acontecimentos. Ainda assim, há em A Dívida um princípio ético, e também uma forma de afectividade, que vale a pena sublinhar: nasce do confronto com o horror que a história pode envolver (neste caso, o Holocausto) e da necessidade de lidar com os seus factos, não apenas através das grandes “evidências” colectivas, mas também nunca menosprezando a singularidade das experiências individuais. É um bom princípio a ter em conta, sobretudo quando o mercado e muitos espectadores parecem dominados pelo triunfo de uma noção tecnocrática do cinema como mero repositório de “efeitos especiais”.
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terça-feira, janeiro 03, 2012
As melhores canções de 2011
Ainda a fechar a época de balanços de 2011 (só começaremos a ouvir discos novos, ou alguns ainda “esquecidos” da recta final do ano passado na próxima semana), deixamos hoje uma lista de dez canções que marcaram o ano.
1 . Brian Eno – Pour It Out
2 . Panda Bear – Benfica
3 . James Blake – Lindisfarne
4 . Lana del Rey – Video Games
5 . Cat’s Eyes – I’m Not Stupid
6 . Bon Iver – Beth / Rest
7 . Jai Paul – BTSTU
8 . Jamie Woon – Street
9 . S.C.U.M. – Whitechapel
10 . MEN – Credit Card Babie$
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Os melhores discos de 2011
por Miguel Simões
Em tempo de revisão do que aconteceu ao logo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo Miguel Simões, autor do blogue Anita vai ao Mel. Um obrigado ao Miguel pela colaboração.
Se a Pop Lo-fi não é de hoje, e a recente digressão europeia do ancião R.Stevie Moore assim o prova, 2011 foi talvez o ano em que a pureza da estética de quarto extravasou a forma e assumiu a maturidade alcançada no ano anterior em Before Today, de Ariel Pink. Para isso muito contribuiu o esforço da quase artesanal editora norte americana Not Not Fun, que sozinha editou três das mais interessantes experiências de 2011: a ironia hipnótica de One Nation (Hype Williams), a dub invertida feita perfeição do enorme 936 (Peaking Lights), a disco-pop de quarto tão inocente quanto cerebral de Cabaret Cixous (Maria Minerva). Esta ultima jovem, Maria Juur de nome e recentemente a viver em Lisboa, foi a clara revelação do ano aqui para nós, com três EPs e um album absolutamente essenciais e todos saidos num espaço inferior a 12 meses.
Os pózinhos da lo-fi continuaram a espalhar magia por terrenos menos evidentes para além da pop (John Maus regressou em grande), como os do hip-hop: Exmilitary dos Death Grips é cru como peixe a morrer na proa, barulhento e apostado a destruir de vez qualquer estereótipo que ainda exista sobre o lugar do artista de hip-hop no status quo.
Sobre todos os outros, não valerá a pena acrescentar mais ao que já foi escrito um pouco por todo o lado, excepção feita para True Loves, dos Hooray For Earth: os Metronomy apresentaram um grande disco, mas True Love é para a Anita o grande disco indie-pop do ano.
Maria Minerva - Cabaret Cixous
Pj Harvey - Let England Shake
Hype Williams - One Nation
John Maus - We Will Become The Pitiless Censors of Ourselves
Panda Bear - Tomboy
Peaking Lights - 936
Julia Holter - Tragedy
James Blake - James Blake
Death Grips - Exmilitary
Hooray for Earth - True Loves
Menção Honrosa: Kurt Vile - Smoke Ring For My Halo
Aposta para 2012:
Julia Holter
Se a Pop Lo-fi não é de hoje, e a recente digressão europeia do ancião R.Stevie Moore assim o prova, 2011 foi talvez o ano em que a pureza da estética de quarto extravasou a forma e assumiu a maturidade alcançada no ano anterior em Before Today, de Ariel Pink. Para isso muito contribuiu o esforço da quase artesanal editora norte americana Not Not Fun, que sozinha editou três das mais interessantes experiências de 2011: a ironia hipnótica de One Nation (Hype Williams), a dub invertida feita perfeição do enorme 936 (Peaking Lights), a disco-pop de quarto tão inocente quanto cerebral de Cabaret Cixous (Maria Minerva). Esta ultima jovem, Maria Juur de nome e recentemente a viver em Lisboa, foi a clara revelação do ano aqui para nós, com três EPs e um album absolutamente essenciais e todos saidos num espaço inferior a 12 meses.
Os pózinhos da lo-fi continuaram a espalhar magia por terrenos menos evidentes para além da pop (John Maus regressou em grande), como os do hip-hop: Exmilitary dos Death Grips é cru como peixe a morrer na proa, barulhento e apostado a destruir de vez qualquer estereótipo que ainda exista sobre o lugar do artista de hip-hop no status quo.
Sobre todos os outros, não valerá a pena acrescentar mais ao que já foi escrito um pouco por todo o lado, excepção feita para True Loves, dos Hooray For Earth: os Metronomy apresentaram um grande disco, mas True Love é para a Anita o grande disco indie-pop do ano.
Maria Minerva - Cabaret Cixous
Pj Harvey - Let England Shake
Hype Williams - One Nation
John Maus - We Will Become The Pitiless Censors of Ourselves
Panda Bear - Tomboy
Peaking Lights - 936
Julia Holter - Tragedy
James Blake - James Blake
Death Grips - Exmilitary
Hooray for Earth - True Loves
Menção Honrosa: Kurt Vile - Smoke Ring For My Halo
Aposta para 2012:
Julia Holter
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segunda-feira, janeiro 02, 2012
Menos espectadores nas salas...
Das mais diversas origens, de Portugal aos EUA, chegam notícias de uma baixa da frequência nas salas de cinema, em 2011 (com excepções significativas: por exemplo, a França). Vale a pena, por isso, ler o artigo de Roger Ebert [foto] com um título de sugestiva ironia: "Eu explico-vos porque é que a receita do cinema está a cair...". Entre os factores enumerados pelo crítico americano encontram-se o preço dos bilhetes, a degradação dos comportamentos nas salas escuras (incluindo a praga dos telemóveis...) e a concorrência de outras formas de consumo (incluindo o cada vez mais importante aluguer directo, "VOD"). Mas há um factor que, mais do que nunca, importa sublinhar, até porque está longe de ser especificamente americano. Ou seja: a falta de alternativas.
É um factor tanto mais importante quanto surge frequentemente mascarado por um jornalismo (de todos os quadrantes) que confunde a vida económica do cinema com os milhões dos blockbusters. Não poucas vezes, esse jornalismo rejubila com os 100 milhões feito por um filme, "esquecendo-se" de referir que custou, por exemplo, 200 e que, para mais, como é normal na grande indústria, se gastou pelo menos outro tanto na campanha de lançamento (isto para já não falar da percentagem que fica para o exibidor).
Escusado será dizer que um filme não é "bom" nem "mau" por ter custado um milhão ou um tostão. Mas é um facto que essa visão maniqueísta do mercado tende a escamotear a boa performance por vezes conseguidas por filmes "difíceis" ou "atípicos". Como refere Ebert, em 2011, no mercado americano as melhores receitas por ecrã (valor relativo, fundamental para avaliar o grau de aceitação de um filme) pertenceram a títulos independentes, estrangeiros ou de carácter documental.
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Os melhores discos de 2011
por Gonçalo Sá
Em tempo de revisão do que aconteceu ao logo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo Gonçalo Sá, autor do blogue Gonn1000. Um obrigado ao Gonçalo pela colaboração.
Em 2011, no que toca a listas, não muda a sensação deixada por balanços de outros anos: daqui a uns meses (ou dias?), a selecção seria certamente diferente. E tendo em conta os discos que ficaram por ouvir (e por digerir - não é bem a mesma coisa), número que vai parecendo cada vez maior, o retrato só pode ser muito parcial. Mas deixando as habituais ressalvas de lado, de 2011 guardam-se sobretudo estes:
10 discos:
"Let England Shake", PJ Harvey
"Feel It Break", Austra
"Wounded Rhymes", Lykke Li
"Wolfram", Wolfram
"Talk About Body", MEN
"Nuit de Rêve", Scratch Massive
"Le Danse", Slove
"Gravity the Seducer", Ladytron
"Share the Joy", Vivian Girls
"Past Life Martyred Saints", EMA
3 discos portugueses:
"Automático", Mesa
"Disco Voador", Clã
"Mútuo Consentimento", Sérgio Godinho
3 concertos:
Arcade Fire no Super Bock Super Rock
Hercules and Love Affair no Lux
Crystal Castles em Paredes de Coura
3 filmes:
"A Nossa Vida", Daniele Luchetti
"Cisne Negro", Darren Aronofsky
"X-Men: O Início", Matthew Vaughn
Aposta para 2012
O (inspirado) regresso dos Garbage (porque a esperança é a última a morrer, sobretudo em tempos de crise)
Em 2011, no que toca a listas, não muda a sensação deixada por balanços de outros anos: daqui a uns meses (ou dias?), a selecção seria certamente diferente. E tendo em conta os discos que ficaram por ouvir (e por digerir - não é bem a mesma coisa), número que vai parecendo cada vez maior, o retrato só pode ser muito parcial. Mas deixando as habituais ressalvas de lado, de 2011 guardam-se sobretudo estes:
10 discos:
"Let England Shake", PJ Harvey
"Feel It Break", Austra
"Wounded Rhymes", Lykke Li
"Wolfram", Wolfram
"Talk About Body", MEN
"Nuit de Rêve", Scratch Massive
"Le Danse", Slove
"Gravity the Seducer", Ladytron
"Share the Joy", Vivian Girls
"Past Life Martyred Saints", EMA
3 discos portugueses:
"Automático", Mesa
"Disco Voador", Clã
"Mútuo Consentimento", Sérgio Godinho
3 concertos:
Arcade Fire no Super Bock Super Rock
Hercules and Love Affair no Lux
Crystal Castles em Paredes de Coura
3 filmes:
"A Nossa Vida", Daniele Luchetti
"Cisne Negro", Darren Aronofsky
"X-Men: O Início", Matthew Vaughn
Aposta para 2012
O (inspirado) regresso dos Garbage (porque a esperança é a última a morrer, sobretudo em tempos de crise)
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domingo, janeiro 01, 2012
Três fotogramas de 2011 (3)
[1] [2] Quando Sabina Spielrein (Keira Knightley) se senta para a primeira sessão com Carl Jung (Michael Fassbender), não estamos apenas a assistir ao nascimento da psicanálise — é toda uma reconfiguração do espaço humano que está em jogo. Aliás, Jung começa por chamar a atenção de Sabine para a sua mise en scène das cadeiras e para o modo como ela pressupõe um desejo de mais verdade. Ao filmar Um Método Perigoso, David Cronenberg não está, por isso, a ceder aos lugares-comuns das "reconstituições" históricas de raiz televisiva e ao seu banal determinismo. Nada disso. Antes de Jung, é ele que decide a posição das cadeiras, emprestando à composição da imagem uma tensão preciosa, para mais enraizada na dinâmica de dois olhares que não se cruzam. Filmar essa ignorância que nos aproxima, sobretudo filmá-la como um dado espacial, eis a marca de um cineasta de génio.
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Cronenberg
sábado, dezembro 31, 2011
Para onde vai o cinema português?
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| Manoel de Oliveira / CANNES, 12 Maio 2011 |
Para onde vai o cinema português? Tendo em conta alguns recentes ecos internacionais, vale a pena recordar que a International Press Academy, distinguiu Mistérios de Lisboa, de Raúl Ruiz, como o melhor filme estrangeiro estreado em 2011 nos EUA. Em Hollywood, José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, integra a prestigiosa lista de 63 títulos da qual sairão os cinco candidatos ao Oscar de melhor filme estrangeiro (nomeações a 24 de Janeiro).
Entretanto, em 2011, três filmes de Pedro Costa (Ossos, No Quarto da Vanda e Juventude em Marcha) surgiram no catálogo da Criterion Collection, uma das marcas de excelência do DVD. Internamente, este foi um ano de estreias de invulgar pluralidade criativa, incluindo títulos tão diversos como Sangue do Meu Sangue (João Canijo), Viagem a Portugal (Sérgio Tréfaut) ou O Estranho Caso de Angélica (Manoel de Oliveira).
Que sobra disto tudo? Pois bem, um mercado audiovisual que continua dominado pelo modelo “telenovelesco”, a ponto de os filmes serem tratados como objectos descartáveis de algumas programações televisivas (é mesmo frequente encontrar para alguns espaços a informação “filme a anunciar”...). Reside aí o cerne de uma questão que, em boa verdade, permanece adiada: a de saber se existe, ou pode existir, uma visão política para definir e estabilizar as formas da produção cinematográfica em Portugal. Que um determinado filme seja incensado por uns e repudiado por outros, eis um pormenor sem importância. A história das linguagens faz-se sempre dessa guerra.
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sexta-feira, dezembro 30, 2011
As canções de 2011 (17):
The Sound of Arrows, Wonders
Mais uma das canções a reter entre a história de 2012. Pop bem luminosa. E dançável. Para ouvir em Wonders, dos suecos The Sound of Arrows.
Há cerca de um mês, quando se apresentava aqui o álbum de estreia dos suecos The Sound of Arrows lançava-se uma simples sugestão: “e que tal uma nota de luminosidade sorridente e doce como contraste aos dias assombrados que vivemos e ao clima muitas vezes tenso ou magoado que passa por tanta música que ouvimos?”... Sabido que em clima ligeirinho a luz é coisa que não falta, o certo é que raras são as propostas que a enquadram de forma a vincar mais a personalidade de quem as fez e não as regras e modas em voga no momento. Talvez por isso os Sound of Arrows sejam ainda nome a descobrir num patamar alargado, certo sendo o potencial da sua música para ir mais longe, assim haja quem neles aposte... Já os conhecíamos de primeiros singles lançados nos dois últimos anos. Voyage, um dos melhores momentos pop do ano, é uma colecção de canções entre as quais não faltam candidatos a ser single... E “nem nos mais recentes álbuns dos Pet Shop Boys encontramos tantas canções capazes de justificar vida em single. A menção à dupla britânica não surgindo aqui por acaso, sendo evidentes as heranças que os dois elementos dos Sound of Arrows captam da longa e frutuosa obra dos criadores de West End Girls”, afirmava aqui. “Sem a carga indie de tantas outras aventuras recentes no mundo da pop (de uns Metronomy ou Monarchy a Architecture In Heksinki) os Sounds Of Arrows apresentam um álbum que parece mais interessado em servir uma ideia pop para saborear tranquilamente em vez da busca de uma caução junto dos oráculos e ditadores de gosto do nosso tempo. E talvez por isso seja mais bem sucedido que esses outros projectos, todos eles com discos interessantes, mas nenhum deles a vencer aquele patamar onde tanta coisa acontece e pouca música se destaca”, acrescentava o texto. Wonders foi mais um exemplo deste potencial à espera de mais vasta concretização... Se tiverem a sorte a seu favor (e o investimento certo) poderão ir longe em 2012.
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The Sound Of Arrows
Os melhores filmes de 2011
por Vasco Câmara
Em tempo de revisão do que aconteceu ao logo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo Vasco Câmara, jornalista do Público. Um obrigado ao Vasco pela colaboração.
Com muitos destes filmes, voltei a aprender a ser espectador.
1. Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
2. As Quatro Voltas, de Michelangelo Frammartino
3. O Tio Boonmee que se Lembra das Suas Vidas Anteriores, de Apichatpong Weerasethakul
4. Essential Killing - Matar para Viver, de Jerzy Skolimowski
5. Aurora, de Cristi Puiu
6. Isto Não É um Filme, de Jafar Panahi
7. Inquietos, de Gus Van Sant
8. Autobiografia de Nicolae Ceausescu, de Andrei Ujica
9. 48, de Susana sousa dias
10. Tournée - Em Digressão, de Mathieu Amalric
Apostas para 2012:
Aguardo por Captured, de Brillante Mendoza, e por Simon Killer, de Antonio Campos.
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quinta-feira, dezembro 29, 2011
Três fotogramas de 2011 (2)
[1] E, na verdade, não está lá nada... Já esteve, mas já não está. Os actores foram filmados (o cão não existia); a partir de cada um deles foi concebida uma figura de computador; e a partir de tudo isso desenhou-se uma nova animação — performance capture. Tudo aquilo regurgita uma nova (i)materialidade do cinema, neste fotograma tanto mais surpreendente quanto nele contemplamos um puro exercício de olhar, exponenciado pela fascinante rugosidade do papiro. É verdade que ninguém pode garantir a perenidade (artística) e a viabilidade (comercial) deste tipo de animação, para mais associado ao 3D. Mas com As Aventuras de Tintin — O Segredo do Licorne, Steven Spielberg provou que o modelo é possível. E que ele, pelo menos, acredita.
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As canções do ano (16):
Patrick Wolf, Together
Mais uma canção marcante em 2011. Aqui fica Together, o tema mais luminoso do alinhamento do mais recente álbum de Patrick Wolf.
Há momentos em que dar o dito por não dito é boa opção. E com o mais recente álbum de Patrick Wolf temos um bom exemplo de como uma mudança de planos pode ser uma boa ideia. Havia, na verdade, outro disco em mente. Teria por título, supostamente, Battle, e seria um duplo álbum lançado em duas partes. A primeira fora The Bachelor (que escutámos em 2009), a segunda anunciando-se com o título The Conqueror... Afinal não foi bem assim... “Com um título que ecoa memórias de um antigo ritual de purificação, Lupercalia é um disco de paz encontrada. Uma paz que se expressa não apenas no desviar das linhas de tensão para outros comprimentos de onda, como se revela numa mais suave ordenação de ideias, inclusivamente aceitando uma redução de elementos em cena fazendo deste talvez o mais contido dos discos de Patrick Wolf”, escrevia aqui em Junho ao apresentar o disco. Lupercalia “parece querer estabelecer um patamar de síntese de ideias pop, conciliando electrónicas e orquestrações, grandiosidade e intimidade, cores e silêncios. Não será nunca “o” álbum de referência da sua discografia. Mas é um belíssimo disco que em tudo nele confirma um dos grandes autores pop do nosso tempo”. E em Together tem o seu momento maior.
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Patrick Wolf
Os melhores DVD / Blu-ray de 2011
N.G.: A confirmação da viabilidade de um novo formato e o upgrade da tecnologia abrem alas a reencontros com outros momentos na história de qualquer espaço de produção artística. E, assim como os avanços no tratamento de som hoje disponíveis em CD conduziram a novas reedições e o surgimento dos e-books asseguraram novos lançamentos a velhos livros, também o Blu Ray está a trazer ao mercado de home vídeo novos encontros com títulos que, muito provavelmente, já nos acompanharam na era das cassetes vídeo ou do DVD... Com o valor acrescentado da alta definição e, em grande parte dos lançamentos, com mais e melhores conteúdos extra, as edições em Blu Ray ganharam espaço de mercado este ano. E com elas regressaram obras-chave da história do cinema, de grande parte da filmografia de Kubrick a obras igualmente marcantes como a saga Star Wars ou a trilogia das cores de Kieslowski. O impacte de A Árvore da Vida gerou ainda entre nós a criação de uma caixa com a filmografia de Malick em DVD, ao Blu Ray faltando ainda os lançamentos dos seus dois primeiros filmes.
1 . Stanley Kubrick – Visionary Fillmaker Collection (Blu Ray, WB)
2 . Colecção Completa Terrence Malick (DVD, Zon Lusomundo)
3 . Star Wars – A Saga Completa (Blu Ray, 20th Century Fox)
4 . West Side Story (ed 50º aniversário), de Robert Wise (Blu Ray)
5 . Three Colours Trilogy (Blu Ray, Artificial Eye)
6 . George Harrison – Living in The Material World, de Martin Scorsese (DVD, Zon Lusomundo)
7 . A Noite do Caçador, de Charles Laughton (DVD, Alambique)
8. Soundless Wind Chime, de Kit Hung (DVD, Pecadillo)
9. Colecção Peter Greenaway (DVD, Midas)
10 . Masculino-Feminino, de Jean-Luc Godard (DVD, Clap)
J.L.: Ah!... O esplendor do cinemascope de Godard, em 2 ou 3 Coisas sobre Ela. Ou como o DVD nos permite fruir aquilo que, tristemente, já ninguém mostra nas salas. Há no mercado do DVD e do Blu-ray essa nostalgia militante que, apesar de tudo, não nos deixa esquecer que o cinema tem uma história, quer dizer, não foi criado pela última campanha de spots de 20 segundos com muita confusão a passar e nada para ver. E que bom é encontrar neste contexto um filme como Aniki-Bobó, de Manoel de Oliveira, devidamente recuperado graças ao trabalho do ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento), da Cinemateca — acreditar no passado é escrever o presente.
OUTUBRO (1928), de Serguei Eisenstein (Costa do Castelo)
A REGRA DO JOGO (1939), de Jean Renoir (Costa do Castelo)
ANIKI BOBÓ (1942), de Manoel de Oliveira (ZON Lusomundo)
LOLA (1960), de Jacques Demy (Midas)
A AVENTURA (1960), de Michelangelo Antonioni (Costa do Castelo)
MAMMA ROMA (1962), de Pier Paolo Pasolini (Castello Lopes)
MURIEL OU O TEMPO DE UM REGRESSO (1963), de Alain Resnais (Clap)
2 OU 3 COISAS SOBRE ELA (1966), de Jean-Luc Godard (Clap)
DILLINGER MORREU (1969), de Marco Ferreri (Clap)
NOIVOS SANGRENTOS (1973), de Terrence Malick (ZON Lusomundo)
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Os melhores discos de 2011
por João Moço
Em tempo de revisão do que aconteceu ao logo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo João Moço, jornalista do DN. Um obrigado ao João pela colaboração.
2011 foi o ano de Peter Evans. Trompetista verdadeiramente genial, não só pelos dois discos que se encontram neste top 10, mas por outros também editados este ano como The Coimbra Concert (a bordo dos Mostly Other People Do the Killing) ou Electric Fruit (ao lado de Weasel Walter e Mary Halverson). Há muito que não ouvia um músico tão consciente da tradição jazz e, ao mesmo tempo, tão capaz de criar um possível caminho futuro, revigorante, inovador e indubitavelmente pessoal. E, claro, houve Beyoncé, a cantar melhor que nunca, a não se vergar a produções over the top vazias de conteúdo à la David Guetta (e o mal que este senhor já fez ao mundo pop dava uma tese). Foi assombroso ver Kanye West no Sudoeste e Peter Brötzmann no Jazz em Agosto (chegar aos 70 anos com aquela energia é para quem pode, não para quem quer). Além dos discos acima referidos, tenho que destacar como 2011 foi um ano de ouro para o r&b. As mixtapes de Jhené Aiko, Trey Songz, Nikkiya, Teedra Moses ou Diddy Dirty Love são, cada uma da sua maneira muito particular, provas da vitalidade do r&b, que não precisa de falsos esquemas para revelar as suas qualidades (como toda a histeria à volta do fenómeno The Weeknd). Na música portuguesa Sei Miguel e Pedro Gomes deram-nos uma obra inigualável e muito além de formatações rígidas - Turbina Anthem -, mas há que destacar também os discos de Joana Sá, B Fachada, Buraka Som Sistema, RED Trio, Aquaparque ou Tiago Sousa. E Os Passos em Volta. Eu, que raramente acredito no indie rock, tenho fé na música e na atitude despretensiosa destes miúdos. Porque com o que aí vem em 2012, precisamos todos de não nos levarmos assim tão a sério.
Discos do Ano Internacionais:
1. Peter Evans Quintet – Ghosts
2. Beyoncé – 4
3. Peter Evans & Nate Wooley – High Society
4. Panda Bear – Tomboy
5. James Blake – James Blake
6. John Maus – We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves
7. Chris Corsano & Joe McPhee – Under a Double Moon
8. Nate Wooley Quintet – (Put Your) Hands Together
9. Kate Bush – 50 Words for Snow
10. Lady Gaga – Born This Way
Discos do ano Nacionais:
1. Sei Miguel & Pedro Gomes – Turbina Anthem
2. Joana Sá – Through this Looking Glass
3. B Fachada – B Fachada
4. Buraka Som Sistema – Komba
5. RED Trio & John Butcher – Empire
6. Aquaparque – Pintura Moderna
7. Tiago Sousa – Walden Pond’s Monk
8. Aldina Duarte – Contos de Fados
9. Norberto Lobo – Fala Mansa
10. Os Passos em Volta – Até Morrer
Canções do ano:
1. Beyoncé – Love On Top
2. Gang Gang Dance - Mindkilla
3. Ne-Yo feat. Trey Songz & T-Pain – The Way You Move
4. Jhené Aiko – Stranger
5. James Blake – I Never Learnt to Share
6. Lloyd – Naked
7. John Maus – Believer
8. Panda Bear – Benfica
9. Purpl Pop – The Way (The Living Graham Bond Dub Remix)
10. One Direction – What Makes You Beautiful
Concertos do ano:
1. Kanye West no Festival Sudoeste
2. Ben Frost no Teatro Maria Matos
3. Peter Brötzmann’s Hairy Bones no Jazz em Agosto
4. John Maus na Galeria Zé dos Bois
5. Mostly Other People Do the Killing no Portalegre JazzFest
6. Schlippenbach Trio no Out.Fest
7. Ricardo Rocha no Teatro Maria Matos
8. Buraka Som Sistema no Coliseu dos Recreios
9. Primal Scream no Optimus Alive
10. Ken Vandermark (solo) no Jazz ao Centro Coimbra
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quarta-feira, dezembro 28, 2011
Figuras do ano: Rita Blanco
Ser actriz — eis a questão. Não de televisão ou de cinema. Não de "telenovela" ou de "filmes". Mas apenas isso: ser actriz. Ser. Rita Blanco é uma actriz assim e, se dúvidas ainda houvesse, a sua participação no notável Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, bastaria para as dissipar. Mérito de Canijo, sem dúvida, que soube criar um dispositivo de representação raro no cinema português. Mérito também de um elenco que, incluindo as igualmente brilhantes Anabela Moreira e Cleia Almeida, corresponde para além de todos os clichés dramáticos, sociais ou figurativos. Nesse contexto (e um actor/actriz é também o seu contexto), Rita Blanco ensina-nos a olhar para o que realmente acontece no ecrã, garantindo uma verdade existencial que integra, e supera, todos os artificialismos que qualquer representação necessariamente envolve. Ser actriz — eis o milagre.
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