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segunda-feira, novembro 25, 2019

Leonard Cohen
— na companhia de Cristo e Marx

E reencontramos Leonard Cohen — música para além da morte, mensagens do passado, vibração presente, sempre presente. Aí está o primeiro álbum póstumo do poeta canadiano (falecido a 7 de Novembro de 2016, contava 82 anos), com um título de serena gratidão: Thanks for the Dance. A canção Happens to the Heart chega-nos através de um esplendoroso teledisco, de uma só vez carnal e imponderável — como quem encontra Cristo e lê Marx.

I was always working steady
But I never called it art
I got my shit together
Meeting Christ and reading Marx
It failed my little fire
But it’s bright the dying spark
Go tell the young messiah
What happens to the heart

There’s a mist of summer kisses
Where I tried to double-park
The rivalry was vicious
The women were in charge
It was nothing, it was business
But it left an ugly mark
I’ve come here to revisit
What happens to the heart


I was selling holy trinkets
I was dressing kind of sharp
Had a pussy in the kitchen
And a panther in the yard

In the prison of the gifted
I was friendly with the guards
So I never had to witness
What happens to the heart

I should have seen it coming
After all I knew the chart
Just to look at her was trouble
It was trouble from the start
Sure we played a stunning couple
But I never liked the part
It ain't pretty, it ain't subtle
What happens to the heart

Now the angel’s got a fiddle
The devil’s got a harp
Every soul is like a minnow
Every mind is like a shark
I’ve broken every window
But the house, the house is dark
I care but very little
What happens to the heart

Then I studied with this beggar
He was filthy, he was scarred
By the claws of many women
He had failed to disregard
No fable here no lesson
No singing meadowlark
Just a filthy beggar guessing
What happens to the heart

I was always working steady
But I never called it art
It was just some old convention
Like the horse before the cart
I had no trouble betting
On the flood, against the ark
You see, I knew about the ending
What happens to the heart

I was handy with a rifle
My father’s .303
I fought for something final
Not the right to disagree


domingo, novembro 24, 2019

Prince na FNAC

Na nossa mais recente sessão na FNAC [23 Nov.], percorremos memórias justificadas por algumas reedições musicais (recheadas de inéditos), começando por 1999 (1982), um álbum emblemático de Prince, e passando também pelos universos de David Bowie, George Michael e Leonard Cohen. Eis alguns dos videos apresentados.

* * * * *
Próxima sessão:

SOUND+VISION Magazine
Rolling Stones: "Let it Bleed", 50 anos

Foi o último álbum dos Rolling Stones em que Brian Jones ainda participou: assinalamos os 50 anos do lançamento de Let it Bleed, evocando os caminhos criativos da banda, em estúdio e em palco.

* FNAC, Chiado — 14 Dezembro (18h30).

* * * * *
>>> Prince (Little Red Corvette) + David Bowie (Wide Eyed Boy from Freecloud 2019) + George Michael (This Is How (We Want You to Get High)).





sábado, novembro 23, 2019

Prince: 1982, 1999, 2019
— SOUND + VISION Magazine [ hoje, 23 Nov. ]

A reedição do álbum 1999 (1982), um clássico da discografia de Prince, é pretexto para viajarmos através de memórias musicais (mas também cinematográficas...) que continuam a regressar ao mercado — Leonard Cohen não será esquecido.

* FNAC, Chiado — hoje, 23 Novembro (18h30).

sexta-feira, novembro 22, 2019

Haim — uma canção de Leonard Cohen

Hanukkah é uma celebração hebraica que a banda Yo La Tengo, de Hoboken, New Jersey, assinala através de uma série de concertos, este ano com o lançamento paralelo de um álbum: Hanukkah+ inclui também interpretações de, entre outros, Jack Black, The Flaming Lips e Haim. Eis a contribuição das Haim, refazendo com admirável contenção o clássico If It Be Your Will, de Leonard Cohen.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Kanye West não é Picasso...

Pouco tempo antes de falecer, em 2016, contava 82 anos, Leonard Cohen tinha concluído um livro de poemas. Finalmente editado, The Flame está também disponível numa versão audio, com alguns poemas lidos por personalidades da literatura e do cinema. Num deles, consumando um exercício amargo e doce de fixação de identidades (sobretudo a sua...), Cohen garante que Kany West não é Picasso — eis o poético axioma na voz de sereníssima contundência de Michael Shannon.

Kanye West is not Picasso,
I am Picasso.
Kanye West is not Edison,
I am Edison.
I am Tesla.
Jay-Z is not the Dylan of anything,
I am the Dylan of anything.
I am the Kanye West of Kanye West,
The Kanye West of the great bogus shift of bullshit culture,
From one boutique to another.
I am Tesla,
I am his coil.
The coil that made electricity soft as a bed.
I am the Kanye West Kanye West thinks he is,
When he shoves your ass off the stage.
I am the real Kanye West,
I don't get around much any more,
I never have.
I only come alive after a war,
and we have not had it yet.

quarta-feira, janeiro 11, 2017

De que falamos quando falamos dos mortos?

Harriet Andersson
LÁGRIMAS E SUSPIROS (1972), de Ingmar Bergman
Como lidamos com os nossos mortos? Que cultura jornalística e mediática rege a nossa relação com o silêncio da morte? — este texto foi publicado no Diário de Notícias (2 Janeiro), com o título 'Quando encontramos o silêncio'.

Ao longo de 2016, a sucessão de mortes de grandes figuras do espectáculo foi alimentando uma pobre religião mediática. David Bowie e Prince, Leonard Cohen e George Michael surgiram envolvidos num determinismo simbólico (em grande parte induzido pela agitação “social” da Internet) desembocando numa pueril perplexidade: que sentido devemos atribuir à avalanche de notícias fúnebres? Entretanto, a morte, em dois dias consecutivos, de Carrie Fisher e sua mãe Debbie Reynolds, agravou as invocações mais ou menos metafísicas — era preciso que as notícias “explicassem” a proximidade de tantos obituários.
Há em tudo isto uma formatação emocional que importa identificar. Será que só sabemos lidar com as imagens dos mortos se as integrarmos numa narrativa que confira algum sentido ao seu desaparecimento? E se a morte for essa “coisa” estúpida que esvazia todos os sentidos, expondo a nossa primordial vulnerabilidade?
Carrie Fisher e Debbie Reynolds
Poderíamos, aliás, perguntar por que passou a haver uma hierarquia informativa dos que morrem. Não para discutir prioridades ou privilégios. Bem pelo contrário. Acontece que 2016 foi também o ano em que, entre muitas outras pessoas excepcionais, faleceram Jacques Rivette, Harper Lee, Umberto Eco, Michael Cimino, Abbas Kiarostami, Edward Albee, Michèle Morgan... Será que o luto pela sua perda é dispensável? Ou só lhes reconheceríamos importância se as televisões gastassem horas a dizer tudo e coisa nenhuma sobre os seus talentos?
A ironia insinua-se em tudo isto, mas importa resistir-lhe. No fundo, deparamos com a fragilidade de uma cultura saturada de imagens, cada vez mais carecida de dimensão humana: duas mortes próximas no tempo são forçadas a “conter” um enigma que, supostamente, o jornalismo irá revelar ao mundo?
As perguntas multiplicam-se: de onde provém o impulso mediático que faz com que sejamos compelidos a canonizar a existência de quem morreu? O branqueamento das tensões e conflitos inerentes a qualquer biografia é uma boa maneira de administrar a herança de alguém que já não está connosco?
A nossa cultura virtual sente-se atraída por tudo o que é catastrófico (observe-se a proliferação de filmes com super-heróis sempre em missão para nos salvar do apocalipse), mas não sabe como lidar com o silêncio da morte — esse silêncio que nos deixa sem palavras nem imagens. Penso no filme Lágrimas e Suspiros (1972), de Ingmar Bergman, e na sua história de alguém que vai morrer. Há nele uma pulsão de vida que nos pode ajudar a sermos dignos daqueles que nos faltam.

terça-feira, novembro 22, 2016

SOUND + VISION Magazine / FNAC
— especial LEONARD COHEN [hoje]

Memórias de Leonard Cohen (1934-2016), canções e emoções: vamos ouvir e comentar a herança do bardo canadiano em mais uma sessão do nosso Magazine na FNAC; sem esquecer alguns destaques da actualidade musical e cinematográfica — hoje, terça-feira, no forum da FNAC/Chiado, às 18h30.

domingo, novembro 13, 2016

Kate McKinnon evoca Leonard Cohen

Eis uma maneira inteligente de fazer política — televisivamente, entenda-se. Poucos dias depois da vitória de Donald Trump, Kate McKinnon, popularizada pelas suas imitações de Hillary Clinton no programa Saturday Night Live (NBC), abriu a edição do dia 12 evocando Leonard Cohen através de uma sóbria interpretação de Hallelujah. No final, deixou estas palavras: "Não vou desistir, e vocês também não devem fazê-lo". 

quarta-feira, setembro 21, 2016

Leonard Cohen: 82 anos, uma nova canção

21 de Setembro de 2016 — no dia do seu 82º aniversário, Leonard Cohen divulgou a canção-título do seu 14º álbum de estúdio, You Wanted It Darker (a lançar a 21 de Outubro): uma delicada e pungente reflexão, aceitando o negrume do que já não cabe no poder das palavras.

If you are the dealer, I'm out of the game
If you are the healer, it means I'm broken and lame
If thine is the glory then mine must be the shame
You want it darker
We kill the flame

Magnified, sanctified, be thy holy name
Vilified, crucified, in the human frame
A million candles burning for the help that never came
You want it darker
Hineni, hineni
I'm ready, my lord


There's a lover in the story
But the story's still the same
There's a lullaby for suffering
And a paradox to blame
But it's written in the scriptures
And it's not some idle claim
You want it darker
We kill the flame

They're lining up the prisoners
And the guards are taking aim
I struggled with some demons
They were middle class and tame
I didn't know I had permission to murder and to maim
You want it darker

Hineni, hineni
I'm ready, my lord

Magnified, sanctified, be thy holy name
Vilified, crucified, in the human frame
A million candles burning for the love that never came
You want it darker
We kill the flame

If you are the dealer, let me out of the game
If you are the healer, I'm broken and lame
If thine is the glory, mine must be the shame
You want it darker

Hineni, hineni
Hineni, hineni
I'm ready, my lord


>>> Site oficial de Leonard Cohen.

sexta-feira, junho 05, 2015

Novas edições:
Leonard Cohen

"Can’t Forget: A Souvenir of The Grand Tour"
Sony Music

Numa época na qual muitos consumos na cultura popular valorizam sobretudo os valores da novidade imediata, a próxima chegando logo a seguir em regime rei morto rei posto, a perenidade e vitalidade obra de veteranos como Bob Dylan, David Bowie, Tom Waits ou Leonard Cohen são verdadeiros bálsamos, muitas vezes traduzindo mais verdade e frescura que tantas novidades fabricadas ao jeito dos sabores do momento (e que logo serão esquecidas mal mude o azimute dos paladares). Em 2014, aos 80 anos, apresentou o álbum de estúdio Popular Problems no qual ficou claro que ainda tem histórias para contar e até mesmo desejos em, alguns instantes, explorar musicalmente novos desafios. Ainda em 2014 lançou depois o disco ao vivo Live in Dublin. Agora, um ano depois, em Can’t Forget: A Souvenir of the Grand Tour, revela-se uma outra face do seu trabalho num disco que traz registos captados durante a sua mais recente (e longa) digressão.

Se por um lado este é já o quarto título nascido de registos gravados durante a digressão, por outro Can’t Forget: A Souvenir of the Grand Tour é um álbum diferente uma vez que junta a instantes de concertos, alguns outros momentos captados durante soundchecks, havendo assim ali um espaço para experimentar ideias antes de as mostrar frente a uma plateia. Se por um lado há aqui um ou outro velho clássico – como Field Commander Cohen, com um cheirinho de Rhum and Coca Cola, o velho clássico de 1945 das Andrews Sisters – os acepipes mais desejados entre o alinhamento do novo disco são dois temas nunca antes mostrados em disco e versões de La Manic de Georges Dor e Choices, de George Jones. Never Gave Nobody Trouble, um blues em tons próximos de alguns instantes de Popular Problems, o também novo Got A Little Secret (em tempero R&B clássico) e uma nova leitura de Joan of Arc, gravados em ensaios, são tesouros maiores de um alinhamento que justifica a soma de mais um título na discografia de Cohen.

As suas palavras ocasionais, de contador de histórias bem humorado, juntam a dada altura instantes igualmente memoráveis a este conjunto de gravações. Nos últimos anos habituámo-nos a esperar mais a surpresa e menos o silêncio de um vulto que teima (felizmente) em não baixar braços e a sair de cena. Can’t Forget: A Souvenir of the Grand Tour tem tudo menos o tom de despedida que em tempos julgávamos estar registado no álbum Old Ideas ou na primeira coleção de gravações nascida da digressão que depois o devolveu à estrada (com várias e bem sucedidas visitas a estes lados). Ou seja, ficamos à espera das cenas dos próximos capítulos…

Este texto foi originalmente publicado na Máquina de Escrever

quinta-feira, março 05, 2015

Para ler: Leonard Cohen na 'New Yorker'

Ele, Leonard Cohen, chegou aos oitenta. E Hallelujah recentemente passou a barreira dos trinta. Na verdade nem eram precisos números tão redondos para voltarmos a falar de Leonard Cohen.

Podem ler aqui um belo texto publicado na New Yorker.

quarta-feira, dezembro 03, 2014

Discos: as edições desta semana




Há um verdadeiro festim de edições de discos ao vivo a chegar esta semana aos escaparates das novidades. Além dos álbuns de John Grant com a BBC Philharmonic Orchestra – Live In Concert – e de BjörkBiophilia – de que já aqui falámos nos dois últimos dias, foram lançados esta semana os discos Live In Dublin de Leonard Cohen (que inclui 3CD e um DVD), Winterland Night 1978 de Bruce Springsteen (triplo CD), The 1972 Broadcast dos Crosby Stills Nash & Young, Live In Orlando 1989 dos R.E.M., Through Yellow Curtains de Joni Mitchell (com gravações de finais dos anos 60), Chicago 1992 dos Pearl JamTwenty Thousand Roads de Emmylou Harris e Live at The Sands do Rat Pack.

O departamento das grandes antologias também vibra nesta altura do ano. E há edições em versões económicas e nem por isso e em todas as frentes. Os Wilco editam a caixa Alpha Mike Foxtroot: Rare Tracks 1994-2014 em caixa e, ao mesmo tempo, a versão compactada What’s Your 20?. A obra de Donna Summer é recuperada na caixa The CD Collection e em várias reedições avulsas. Há uma nova integral em álbum de Simon & Garfunkel sob o título The Complete Album Collection. Peter Hammil lança a caixa ...All That Might Have Been. De Serge Gainsbourg e Jane Birkin surge Jane + Serge 1973. Dos Blondie há uma caixa em vinil com os LPs do grupo.

Em formato ‘best of’ mais “clássico” há que ter atenção para com o Best Of (literalmente) dos The Czars, a banda onde em tempos militava John Grant.

Há ainda mais espaços para a memória no plano das reedições. Brian Eno lança versões expandidas de alguns dos seus álbuns dos anos 80: Nerve Net, Neroli, The Drop e The Shutov Assembly. E dos Pixies chega a muito esperada edição alargada do seu álbum de 1989: Doolittle 25, com lados B, sessões na rádio e maquetes, entre os extras. 

Nos terrenos da música contemporânea há notar a chegada, via Naxos, de gravações de Beltane Fire de Peter Maxwell Davies e Airline Icarus de Brian Current, assim como uma interpretação, por Tom Winpenny (organista) de La Nativité du Seigneur, de Messiaen

Entre novidades, mais algumas antologias e reedições, há ainda a assinalar:
Boris Blank - Electrified
Future Sound of London – Environments 2 (agora em vinil)
Klaus Schulze – Schulze Boot Vol 1 – Stars are Burning
Mark Kozelek – Sings Christmas Carols
Mogwai – Industry 3 Fitness Industry 1 EP
She + Him – Classics

domingo, setembro 21, 2014

Nos 80 anos de Leonard Cohen



Mais que fazer um historial de memórias, no dia em que celebra os seus 80 anos Leonard Cohen é notícia pelo facto de amanhã lançar Popular Problems, um novo disco de originais. Em breve falarei aqui do disco. Para já ficam imagens para acompanhar o tema (e a letra) que antecipa o lançamento do disco.

terça-feira, setembro 16, 2014

Para ouvir: novo álbum de estúdio
de Leonard Cohen em primeira escuta

A editar na próxima semana, Popular Problems é o novo álbum de estúdio de Leonard Cohen. O disco surge dois anos depois do magnífico Old Ideas e promete dividir opiniões (a seu tempo darei a minha). O jornal britânico The Guardian tem o disco para escuta por streming via Sound Cloud.

Podem escutar aqui.

quarta-feira, agosto 20, 2014

Para ouvir: uma nova canção de Leonard Cohen

Chama-se Almost Like The Blues e é um primeiro tema à escuta do alinhamento de nove canções que integram o novo álbum de Leonard Cohen, que será editado em setembro. Relativamente minimalista na instrumentação, com discretos fundos lançados por teclas, uma teia rítmica mais evidente e pontuais afloramentos do piano e outros instrumentos, é uma canção que segue em linha com os caminhos recentes da obra de Cohen, com palavras que, afinal, são aqui as protagonistas.

Podem ouvir aqui a canção.

terça-feira, agosto 12, 2014

Leonard Cohen edita novo álbum em setembro

A noticia foi avançada pela Rolling Stone, e revela que Popular Problems, um novo álbum de Leonard Cohen, terá edição em setembro, por ocasião do 80º aniversário do cantor. A notícia da Rolling Stone refere a localização de uma data na Amazon.fr (em concreto o dia 22 de setembro) que anunciava já a chegada do disco que, oficialmente, não foi ainda apresentado. Este álbum chegará assim aos escaparates das novidades dois anos após Old Ideas, o seu mais recente disco de estúdio.

segunda-feira, outubro 08, 2012

O homem que engana o tempo

Foto: João Girão, na edição online no DN

Estive lá ontem. Uma vez mais, para um reencontro que correspondeu em pleno ao que esperava. Este é o texto que escrevi para o DN:

"Leonard Cohen sabe, de facto, enganar bem o tempo. Sabe enganar os 78 anos, cumpridos no passado mês de setembro, não só pelo modo como, pouco depois das nove da noite, entrou no palco a correr ou quase dançou durante as primeiras canções como, da primeira vez que se dirigiu ao Pavilhão Atlântico quase deu a sugerir que esta podia não ser a última vez. Cohen falou até mesmo num futuro possível. Mas ao mesmo tempo sublinhou que nesta noite ia dar aos presentes tudo o que tinha para lhes mostrar. E assim foi. Tanto que, quando já depois da uma da manhã tira pela última vez o chapéu da cabeça para cumprimentar os músicos e agradecer aos aplausos, foi com a mesma vitalidade que, naquele passo que é meio de dança, meio de caminhar, que saíu de vez do palco. Perante um pavilhão quase cheio (mas não esgotado), a etapa europeia da Old Ideas Tou não podia ter terminado melhor."

Podem ler aqui o texto completo, na edição de hoje do DN.

quinta-feira, abril 19, 2012

A caminho do Record Store Day (2)

Mais três exemplos de edições especialmente apontadas à edição 2012 do Record Store Day, que se realiza já este sábado. O primeiro, Live at Fredericton é um EP em doze polegadas com quatro temas captados ao vivo na mais recente digressão de Leonard Cohen: Dance Me To The End of Love, In My Secret Life, Heart With No Companion, Bird On The Wire e Who By Fire. O segundo é um picture disc, em sete polegadas, de Starman, de David Bowie, com uma versão, captada ao vivo no Top of The Pops da mesma canção no lado B. O single tem edição limitada e numerada. E depois surge 4X1, uma caixa para colecionador que recolhe quatro sete polegadas dos Beatles. O alinhamento inclui Ticket To Ride / Yes It Is (single 1), Hey Jude / Revolution (single 2), Something / Come Together (single 3) e Yellow Submarine / Eleanor Rigby (single 4).

sábado, março 24, 2012

Nos 75 anos de Philip Glass (7)

Continuamos a publicação integral de um extenso texto sobre o compositor Philip Glass publicado no suplemento Q. do Diário de Notícias, assinalando os seus 75 anos. O texto, com o título 'Acordar cedo e trabalhar todo o dia é o segredo de Philip Glass' foi publicado a 28 de janeiro.

“Glass pode ter-se tornado um compositor de ópera por acaso, mas está a definir um rumo nos seus termos. Os seus temas são escolha sua e ele procura as circunstâncias para fazer com que os trabalhos para o palco sejam viáveis. É o oposto da situação com o seu trabalho orquestral, que tem resultado de respostas frutíferas a vários pedidos.” (49)

A abertura de Glass à música para orquestra não aconteceu, de facto, como fruto de uma demanda pessoal, mas de desafios que lhe lançaram, muitos deles tendo na figura do maestro Dennis Russel Davies um importante parceiro de trabalho. Antes mesmo de ensaiar pela primeira vez o formato da sinfonia, experimentou em finais dos anos 80 o desafio de criar um concerto para violino, que compôs tendo em mente a figura do seu pai, criando algo de que ele tivesse gostado. Outros concertos, como o Tirol Concerto (2000) ou o Concerto para Violoncelo (2001) surgiram de encomendas concretas, a primeira do gabinete de turismo tirolês, a segunda para o Festival de Música de Pequim.

A sua primeira Sinfonia data de 1991 e representa uma reflexão nascida de momentos do álbum histórico Low, que David Bowie criou (contando com importante colaboração de Brian Eno) em 1977. Uma segunda sinfonia centrada nos universos de Bowie e Eno surgiria em 1994 na forma da Heroes Symphony.

O relacionamento próximo com figuras (e formas) da música pop é uma característica antiga e recorrente ao longo da obra de Philip Glass. Em 1983 colaborou com David Byrne (50) na composição de A Gentleman’s Honour, canção que integrou a música para The Photographer (1983). Três anos depois, a Byrne juntou as presenças de nomes como Suzanne Vega (51), Laurie Anderson (52), Paul Simon (53) ou Linda Rondstat (54) para criar Songs from Liquid Days, um ciclo de canções que representa aquilo que podemos ver como a maior aproximação da música de Glass face aos universos da música pop. Escreveu depois uma canção para a voz de Mick Jagger (55) e uma outra para Natalie Merchant (56). Fez arranjos para Marisa Monte (57) e Pierce Turner (58). Criou um ciclo para poemas de Leonard Cohen (59). Colaborou por duas vezes com Aphex Twin (60) e remisturou uma canção dos S-Express (61). Produziu e tocou com os Polyrock (62). Em 2003, o álbum Glasscuts apresentava remisturas de temas seus por músicos e DJs latino-americanos. Neste momento está a ser preparado o lançamento de um novo disco de remisturas, este com Beck entre os protagonistas. Ao mesmo tempo fez-se referência para novos e talentosos jovens compositores. Editou na Point Music um disco de Arthur Russell (63). E entre os que consigo trabalharam (e hoje o admiram) conta-se o promissor Nico Muhly (64).

A sua relação com os universos e figuras da música pop é de resto antiga. “No início dos anos 70 toquei muito com o ensemble na Alemanha e grupos como os Kraftwerk ou os Can tinham um bom relacionamento comigo, de franco diálogo.” (65). E é também sabido que entre uma das plateias que assistiram a Music with Changing Parts numa digressão europeia em inícios dos setentas, Bowie e Eno estava na plateia a assistir. Glass diz mesmo que o relacionamento com a pop é “gratificante” e que sempre o entusiasmou. De resto, concluía assim essa conversa: “Esta dicotomia que separa a música popular da clássica é recente! Os primeiros bailados de Stravinsky não seriam possíveis sem os estudos sobre a música popular russa de Rimsky Korsakov. Stravinsky trouxe para uma linguagem sinfónica as raízes da música popular do seu tempo. De certo modo continuo essa tradição. Há um puritanismo protecionista em relação à música clássica que me assusta. O diálogo entre as diversas músicas é entusiasmante e produtivo.” (66) Glass é, de resto, uma figura que não esgota a sua atenção pela música no ato de compor e interpretar o que escreve. Apesar de etapas ligadas a editoras como a CBS ou a Nonesuch, sempre teve editoras discográficas (primeiro a Catham Square, nos anos 70, mais tarde a Point Music, um selo do grupo Universal, nos anos 90 e, hoje em dia, a Orange Mountain Music).

Em inícios dos anos 80, num episódio do documentário televisivo Four American Composers, realizado por Peter Greenaway, Philip Glass descrevia assim os admiradores da sua música: “Há quem goste porque é barulhenta, e quem goste porque é rápida, há quem goste porque é muito clássica, há quem goste porque não é clássica, há quem goste porque soa a música indie e quem goste porque acha que não soa a música indie... Tem tudo a ver com a idade de cada um e com o que cada pessoa traz à música.” E deste aparente paradoxo nasceu uma voz que, transcendendo as fronteiras de género da música, podemos antes encarar como uma figura do nosso tempo.

49 - in Glass, A Portrait, de Robert Maycock, Sanctuary, 2002, pag 129 
50 – David Byrne (n. 1952) Ex-vocalista dos Talking Heads, é um dos mais aclamados músicos do nosso tempo e também editor discográfico. Trabalhou com Philip Glass em The Photographer (onde assina a letra de A Gentleman's Honour) e Songs From Liquid Days (onde co-assina Liquid Days e Open The Kingdom). 
51 – Suzanne Vega - Autora das letras de Lightning e Freezing, em Songs From Liquid Days 
52 – Laurie Anderson - Autora da letra de Forgeting, em Songs From Liquid Days. É uma das vozes na gravação em disco da ópera Civil Wars (edidada em 1999). 
53 – Paul Simon - Autor da letra de Changing Opinio, em Songs From Liquid Days. 
54 – Linda Rondstat - Voz de Freezing e Forgeting, em Songs From Liquid Days. É a voz também na gravação em disco de 1000 Airplanes On The Roof. 
55 – Mick Jagger - Vocalista dos Rolling Stones, canta a versão original de 'Streets of Berlin' na banda sonora do filme 'Bent', onde surge também como ator.
56 – Natalie Merchant - Canta 'Planctus', canção de Philip Glass estreada em 1997
57 – Marisa Monte - Glass assina o arranjo de 'Ao Meu Redor'
58 – Pierce Turner - Philip Glass fez arranjos de várias canções dos dois primeiros álbuns a solo do músico.
59 - Leonard Cohen - Glass compôs em 2007 um ciclo de canções a partir de poemas do 'Book of Longing' de Cohen
60 – Aphex Twibn- Colaborou com Glass em 'Icct Hedral', tema editado no EP 'Donkey Rhubarb'. Assinou depois uma remistura de 'Heroes' de Bowie, tomando como ponto de partida a abordagem à canção segundo Philip Glass na sua 'Heroes Symphony'.
61 – S-Express- Philip Glass assinou uma remistura de 'Hey Music Lover', editada em máxi-single em 1989.
62 – Polyrock  - Banda new wave nova iorquina, contou com colaborações de Glass nos seus dois primeiros álbuns
63 – Arthur Russell  - Glass editou 'Another Thought' na sua editora Point Music, em 1994
64 – Nico Muhly - Compositor norte-americano, trabalhou algum tempo nos Looking Glass Studios.
65 – in DN, 30 de Outubro de 1996 
66 – ibidem

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Leonard Cohen, segundo Philip Glass


Apesar do permanente trabalho vocal que a música de Philip Glass tem vindo a conhecer nas suas muitas experiências para os palcos da ópera, há muito que não o víamos a escrever canções. Na verdade a sua obra só conhecera mesmo um ciclo de canções, que em 1986 registara no álbum Songs From Liquid Days, que assinalou não apenas um importante espaço de diálogo com figuras do universo da música popular como representou uma importante janela de comunicação com novos públicos.

Em meados da década dos zeros Philip Glass voltou a ter pela frente o desafio da criação de um ciclo de canções. De novo, face ao que propusera em Songs From Liquid Days (que tinha entre os letristas figuras como David Byrne, Suzanne Vega ou Paul Simon), surgia o fechar das atenções nos poemas de um livro de Leonard Cohen. Surge assim Book of Longing (precisamente o título do livro de Cohen), que parte de uma seleção de poemas para várias vozes, a do próprio Leonard Cohen surgindo a dados momentos, recitando algumas das palavras que escreveu.

Philip Glass começou por apresentar em palco o projeto Book of Longing, que acabaria depois por registar em disco, editado no formato de duplo CD pela Orange Mountain Music em 2007.