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domingo, agosto 13, 2023

Blur, Opus 9

Chama-se The Ballad of Darren: o nono álbum de estúdio dos Blur tem qualquer coisa de "revisão da matéria", mas está longe de ser uma banal colecção de nostalgias. Numa síntese feliz, no jornal The Guardian, Kitty Empire apresenta-o como um cruzamento de maturidade e melancolia, com tempero de aventura. Aqui fica a canção The Everglades (For Leonard). A ter em conta a foto da capa, assinada por Martin Parr.

quinta-feira, setembro 10, 2015

Os Blur em emissão digital

O álbum The Magic Whip, dos Blur, nasceu sob o signo de uma iconografia asiática. O tom mantém-se no teledisco de I Broadcast, dirigido por Tony Hung — uma parábola irónica sobre a sociedade dos emissores, quer dizer, a nossa condição digital e em rede.

I love the aspects of another city
The representatives are alright
In circulation the snake and the tiger
Waking up and shaving in industrial life

I broadcast
Closing on another day now
All for a cold sore
Something out of nothing

I love the aspects of another city
It's got your number and your blood type
They been intentious so need some focus
The apparitions of another prodigal night, right?

I broadcast
(...)

I broadcast
I'm running, I'm running, I'm running

I broadcast
(...)

terça-feira, abril 21, 2015

Para ouvir: nova canção dos Blur

Aproxima-se a data de lançamento do álbum. E mais um tema chega para escutar em streaming (numa altura em que alguns territórios têm já o disco para pré-escuta nas respetivas lojas iTunes). Por aqui escutamos hoje o tema My Terracota Heart.

Podem ouvir aqui.

segunda-feira, abril 28, 2014

Novas edições:
Damon Albarn, Everyday Robots


Damon Albarn
“Everyday Robots”
Parlophone
4 / 5

Há 20 anos a música pop made in England preparava-se para entrar em “guerra”. Pelo menos era assim que se retrataria, em 1995, o que parecia um combate entre os dois grupos ingleses que mais paixões acendiam nesse momento em que se começava a falar de um novo valor “caseiro”: chamaram-lhe brip pop. As armas contavam-se entre os dois “rivais”. De um lado, os Oasis. Do outro, os Blur. Na verdade repetindo aquela maneira de ver as coisas a preto e branco que nos sessentas perguntava a muitos: Beatles ou Stones? (E porque não os dois?). Se os Oasis tinham conhecido sucesso imediato com o álbum de estreia, os Blur (formados em 1989) tinham já uma carreira em curso, respeitada na crítica, visível no mercado, mas ainda coisa de culto. Até que, a 25 de abril de 1994, o álbum Parklife tudo mudava, celebrando com hinos pop como Girls and Boys ou To The End a vida do dia a dia na forma de canções pop capazes de entusiasmar grandes plateias. O disco gerou um fenómeno, catapultou os Blur para um plano de popularidade maior (que os chegaria a incomodar) e fez de Damon Albarn, o vocalista do grupo, um ícone pop.

O tempo mostraria que Damon era mais um escritor de canções do que uma “estrela” a habitar a galáxia dos famosos. E quando os Blur entraram em modo de “pausa” (do qual já saíram para concertos, dois singles, havendo a dúvida de eventual álbum no horizonte), vimo-lo a criar com Jamie Hewlett os Gorillaz, a juntar-se a Tony Allen, Paul Simonon (ex-Clash) e Simon Tong (Verve) para formar os The Good The Bad and The Queen, a gravar discos em África e com músicos africanos e a experimentar os palcos da ópera com Monkey: Journey To The West (2008) e Dr. Dee (2012), esta última tendo conhecido gravação em disco, assinada em nome do músico.

Todavia, Everyday Robots é o primeiro álbum de estúdio a solo que Damon Albarn edita. Gravado entre 2011 e 2013, contando, entre outros músicos, com as colaborações de Brian Eno ou Natasha Khan (Bat For Lashes), é um disco musicalmente rico em acontecimentos (seguindo de resto uma maneira curiosa de estar na música que cruza a sua obra) revelando essencialmente trovas suaves e pessoais, o “eu” que é aqui o centro de gravidade das canções cedendo pontualmente protagonismo a um bebé elefante órfão que vira na Tanzânia em Mr. Tembo

O piano, mais que a guitarra, é aqui um ponto de partida, a definição de ambientes (tanto através da instrumentação como pelo trabalho vocal) mostrando um labor atento ao detalhe, que alia à construção poética das palavras e à melodia que as veicula uma noção de espaço cénico que a cada uma atribui uma paisagem, em conjunto o disco propondo uma galeria de quadros suaves e elegantes que convidam à descoberta. Longe do maior imediatismo pop dos hinos que os Blur lançaram faz hoje 20 anos, Everyday Robots é um depoimento seguro de um escritor de canções veterano, certo de que é das canções e não da fama que vive a sua música.

PS. Este texto é uma versão longa de um texto publicado na edição de 25 de abril do DN com o título 'As muitas vidas de um veterano que seguimos há 25 anos'

quarta-feira, abril 23, 2014

Ver + ouvir:
Damon Albarn, Heavy Seas of Love



A dias do lançamento de um álbum a solo, Damon Albarn apresenta mais um tema do seu alinhamento. Estas imagens foram captadas pelo próprio músico. O tema conta com a colaboração vocal de Brian Eno.

sexta-feira, março 14, 2014

Ver + ouvir:
Damon Albarn, Mr. Tembo



Damon Albarn (a voz dos Blur) edita este ano um álbum em nome próprio. Este é um dos temas do disco, apresentado ao vivo no programa de Jimmy Kimmel, transmitido esta semana de Austin, onde decorre o SXSW.

segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Quando os Blur se juntaram aos Pet Shop Boys


Foram já significativas as ocasiões em que os Pet Shop Boys foram chamados a assinar remisturas para canções de outros nomes. Uma delas chegou-nos através de um single alternativo, em 1994. Por essa altura os Blur apresentavam Parklife, o álbum que os colocaria na linha da frente da música pop/rock made in UK nos noventas. E depois de um aperitivo na forma de um single "convencional", um segundo lançamento apresentou o mesmo Girls and Boys, mas numa remistura dos Pet Shop Boys onde as personalidades de ambas as bandas são claramente valorizadas e entram num diálogo fluente e luminoso. Girls and Boys deu aos Blur o seu primeiro top 5 no Reino Unido e tornou-se num dos hinos maiores não só da sua discografia como da história pop dos anos 90.
Os próprios Pet Shop Boys adotariam depois esta leitura da canção, apresentando-a como um dos temas do set list dos concertos da sua Discovery Tour, nesse mesmo ano.

terça-feira, janeiro 21, 2014

Ver + ouvir:
Damon Albarn, Everyday Robots



Damon Albarn apresenta um primeiro tema de um novo álbum a solo cuja edição foi ontem anunciada. Aqui fica o primeiro teledisco de um disco onde colaboram nomes como os de Brian Eno ou Natasha Kahn, dos Bat For Lashes.

segunda-feira, dezembro 24, 2012

As canções de 2012: Damon Albarn

Chama-se Dr. Dee e foi o primeiro álbum a solo de Damon Albarn, editado este ano. Trata-de do registo áudio da música que Damon criou para mais uma ópera. Aqui fica Marvelous Dream, um dos momentos deste álbum.

quarta-feira, dezembro 19, 2012

Figuras de 2012: Damon Albarn

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É indiscutível que Damon Albarn se transformou numa das figuras mais centrais e unânimes da cultura pop made in UK dos últimos vinte e poucos anos. Com os Blur conseguiu partir da assimilação de referencias para da sua música fazer nova referência e parte de um cânone central de toda uma vasta cultura que o reconhece como pilar vivo e atuante. Juntou experiências nos Gorillaz e com músicos africanos, mais tarde conhecendo novo episódio maior via The Good The Bad and The Queen. Este ano não só lançou finalmente um disco a solo (com as composições para a sua ópera Dr. Dee) como com os Blur viveu momentos intensos entre os quais uma grande campanha de reedições, um single novo com dois originais e um concerto em Londres que acabou registado em disco ao vivo.

quinta-feira, novembro 15, 2012

Para celebrar 90 anos de rádio


A BBC desafiou Damon Albarn para que o músico criasse uma peça que assinalasse os 90 anos da estação pública britânica. A peça foi ontem transmitida em directo, pelas 17.33, por todas as estações da BBC. É uma colagem de gravações, com música adicional... Em muitas delas fala-se do futuro. Ouve-se a dada altura alguém que pede para que ainda acreditemos na música.

Podem ouvir aqui a peça a que chamou Radio Reunited.

sábado, agosto 25, 2012

Blur, 2003

Por mais que uma razão - e já falámos aqui de todas elas, de um novo single às reedições, da caixa antológica ao concerto no Hyde Park, mais o cenário (ainda sem resposta) do acaba ou nem por isso - os Blur estiveram em destaque este mês por estes lados. E hoje recordamos o espantoso teledisco que apresentou em 2003 o single Out Of Time, cartão de visita para Think Tank.

quarta-feira, agosto 22, 2012

Reedições:
Blur, Think Tank

Blur
"Think Tank"
Food / EMI Music
5 / 5

A pausa tinha sido longa. Nunca tão longa como esta. Na hora do reencontro rumaram a Marrocos para gravar. Graham chegou mais tarde, mas acabou por ficar de fora. Mas entre novos desafios, heranças de experiências recentes e um clima diferente acabaria por nascer o melhor álbum dos Blur. O último? Pelo menos assim o é desde 2003...

O renascimento criativo dos Blur é notório depois da “libertação” do espartilho em que se tinha transformado a relação da banda com o fenómeno brit pop. Após 13 fez-se silêncio e todos ocuparam os tempo com outras experiências. Herdeiro direto de sugestões nascidas durante as sessões do álbum de fim-de-século, os Gorillaz tornam-se na mais visível das experiências nascidas nesse período. Mas na hora do reencontro não é nem por aí nem pelos caminhos entretanto visitados pelos outros músicos durante a pausa que os Blur renascem. No booklet da reedição Damon explica que a ideia de fazer um novo disco de Blur era a última coisa na sua mente... Parecia uma obrigação a cumprir. Sim ou não, o certo é que meteram mãos à obra e, com novos produtores a bordo (Ben Hillier e Norman Cook), rumaram a Marrocos para trabalhar uma nova mão cheia de canções. Acontece que (por estar em reabilitação), Graham não estava por lá quando começaram. Numa semana tinham já várias canções bem definidas, entre as quais Out of Time, gravada num take direto, ao vivo em estúdio. Segundo recordam a chegada de Graham não resultou da melhor forma. E, deja como foi que aconteceu, o certo é que ficou de fora. Think Tank é assim um álbum não apenas a três, como o único disco dos Blur criado sem a presença ativa de um guitarrista (Damon fez as honras), o que terá certamente contribuído para a sugestão de outros caminhos... Apesar de não fechados a um só caminho, os Blur não repetem aqui a dispersão de ideias e soluções de 13, acabando por definir uma certa coerência que molda o álbum e lhe dá uma personalidade consistente. Mesmo entre extremos, como a fragilidade acústica de Out of Time ou Sweet Song (onde o ausente Graham pode ser entendido como o destinatário das palavras de Damon) e a carga angulosa e processada de Crazy Beat, Think Tank mostra uma banda que, sem perder personalidade, aceita o desafio de se transformar e, uma vez mais, se reinventar. Sente-se a vontade em experimentar ideias, juntando mais que nunca electrónicas, mas também outros instrumentos, os cenários locais não sendo ignorados, como se escuta, por exemplo, em Out of Time, a descoberta de outras músicas africanas passando também por aqui. Longe dos olhares sobre o mundo da classe média brit que haviam começado a tatear dez anos antes e sem o foco tão profundamente pessoal que se afirmara entre Blur e 13, Think Tank é um disco do seu tempo, atento ao mundo e com vontade de sobre ele refletir, todavia sem panfletarismos ou os mais clássicos mecanismos da canção “política”. Quis o tempo que se seguiu (e já lá vão nove anos) que os Blur entrassem num pousio. Dele saíram apenas para alguns concertos. E para dois singles, um em 2009, o outro lançado há poucas semanas. E agora, como é?

A reedição junta ao álbum os lados B da época, onde se alarga o espectro dos horizontes das ideias ensaiadas em estúdio nestas sessões. Há ainda um single lançado para o clube de fãs e um outro editado com uma edição do Observer, bem como uma sessão para a XFM (a inglesa, pois...).

segunda-feira, agosto 20, 2012

Reedições:
Blur, 13


Blur 
“13” 
Food / EMI Music 
4 / 5

Mais que encontrar um caminho, o álbum de 1999 dos Blur é um espaço de experiências e de encruzilhadas. Talvez pouco focado, mas certamente um dos discos mais desafiantes do grupo.

A libertação do espartilho brit pop tinha sido conquistada com Blur que, em 1997, dera finalmente à banda um reconhecimento nos EUA que já tardava. Pouco dados a repetir soluções (até porque certamente não se tinham esquecido do que acontecera quando tinham feito de The Great Escape uma continuação direta de Parklife), lançaram as bases para nova demanda, chamando a bordo, após longa colaboração com Stephen Street, o produtor William Orbit (com reconhecida experiência nos campos das electrónicas e suas periferias, tendo trabalhado no ano anterior em Ray of Light, de Madonna). Mas nem só de ingredientes “técnicos” viveu o tempo que assistiu ao nascimento de 13, uma vez que o clima emocional vivido entre a banda (a separação de Damon e a nova vida do vocalista, partilhando um apartamento com Jamie Hewlett, que entretanto se juntara a uma antiga namorada de Graham... e parece coisa de telenovela, mas foi mesmo assim) acabou por definir os caminhos de um álbum mais melancólico, magoado, que reflete sobretudo a perda, a dor, o fim... De resto, canções como 1992 (uma antiga maquete composta anos antes e que Damon reencontrara numa cassete) ou o magnífico No Distance Left To Run são verdadeiros cantos de dor e separação, que por si só já justificariam a inclusão deste disco numa lista de breakup albums... Musicalmente o ambiente de trabalho foi intenso e livre, mas em nada uma expressão simples das linguagens mais habituais em William Orbit. Ou seja, os Blur não fizeram um álbum electrónico. Mas, mais que nunca, trabalharam texturas e cenografias (escute-se Caramel), encontrando em Battle um dos maiores feitos da sua discografia. O álbum é contudo mais coeso nos temas e nos climas sugeridos que nas formas como se expressa. B.L.U.R.E.M.I. reencena (algo inconsequentemente) a face mais punk de outras etapas na vida (e interesses) da banda. Coffee & TV herda linhagens pop, resultando contudo em mais um belíssimo single. O álbum foi apresentado por Tender, balada de travo gospel que mora hoje, merecidamente, entre os clássicos maiores da obra dos Blur. Mais que um terreno encontrado, 13 é um álbum de demandas. Como, de certa forma, de um retrato, instantâneo de um work in progress se tratasse... E sugere diretamente dois episódios seguintes. Por um lado, em Mellow Song escutamos um definitivo aperfeiçoar da escrita de baladas de Damon, que quatro anos depois ainda melhores resultados nos daria em Think Tank. Por outro, ao escutar Trailer Park sentimos claramente o que hoje reconhecemos como os primeiros passos de uma história que ganharia pouco depois forma nos Gorillaz (projeto liderado por Damon e Jamie Hewlett). De resto, entre os extras desta reedição conta-se a maquete de I Got Law, que seria a base de trabalho da qual nasceria, precisamente, Tomorrow Comes Today, o single de estreia dos Gorillaz.

Além deste extra, o CD adicional junta ainda alguns lados B (uns melhores, outros nem por isso) e o por vezes injustamente ignorado Music Is My Radar, single de 2000 (não representado em nenhum álbum de originais) que revela um momento ao estilo beco-sem-saída, com os Blur a mergulhar mais ainda no trabalho com eletrónicas. O álbum seguinte tomaria outras direções. Mas que interessante que seria um álbum de Blur que eventualmente nascesse deste single...

sábado, agosto 18, 2012

Blur, 1999

Continuamos a revisitar alguns momentos "clássicos" da história em canções e imagens dos Blur. Este mês estão em todo o lado, é verdade... Hoje recuamos a No Distance Left To Run, o terceiro single extraído do álbum 13, de 1999, para recordar o espantoso teledisco que então foi criado pelo realizador dinamarquês Thomas Vinterberg, usando imagens reais dos quatro elementos do grupo a dormir.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Reedições:
Blur, Blur


Blur 
“Blur” 
Food / EMI Music
4 / 5

Farto do clima ao seu redor, da euforia brit pop e daquilo em que os Blur se estavam a transformar, Damon Albarn fez um dia as malas e rumou à Islândia. Três dias depois contactava Alex James, o baixista. Dizendo o melhor possível do que ali encontrara, pedindo-lhe que fosse ter com ele...

Era preciso mudar. E no booklet da reedição de Blur, Dave Ronwtree confessa que, a dada altura, Graham Coxon queria fazer um disco que ninguém quisesse ouvir. Coisa que, acrescenta, seria sempre algo impossível numa banda com um compositor de canções como é Damon. Mas, ao que parece, Graham chegou a escrever uma carta ao vocalista, onde lhe explicava que queria fazer música para assustar as pessoas; em particular as adolescentes aos gritos que nos últimos tempos eram quem estava pela sua frente, nas primeiras filas dos concertos. A vontade de mudar de rumo, procurar novos horizontes e desafios era, no fundo, partilhada pelos quatro. E mãos à obra... Damon explicou já em palavras suas que é mais um escritor de canções que um pensador dos sons... Esse é mais o terreno de Graham... E foi em equipa, com algumas sessões registadas na Islândia, outras em Londres, que um novo disco ganhou forma. As palavras olhavam menos para o espaço à sua volta, mas antes para a expressão de algo mais pessoal. A música escutava ecos de ideias vindas da cultura indie do outro lado do Atlântico (dos Pavement muito se falou logo por alturas da edição do disco). E de repente tudo parecia diferente. Coube a Beetlebum o papel de ser o cartão de visita para um disco editado em 1997 ao qual, sugerindo uma ideia de renascimento e de recentrar de ideias numa ideia mais primordial do que queriam ser, chamaram muito simplesmente Blur. Mas apesar do número um britânico com esse primeiro single, foi o segundo, Song 2, quem fez história, abrindo-lhes de vez as portas à América... O álbum revela uma banda sólida no saber da escrita de canções, mas claramente entregue ao desafio de reinventar as suas formas, em temas como Death of A Party ou Country Sad Ballad Man sentindo-se sinais de abertura a ideias que dariam frutos mais profundos em álbuns seguintes. Mais que um destino alcançado, Blur é um ponto de viragem nas agulhas que definem os azimutes de um rumo. “Salva” a banda do destino de bibelot a que a condição de heróis brit pop os poderia votar. Abre mais que nunca o gosto pela experiência de novas formas e o ensaio de novos sons... E sugere rumos que, pouco depois, os levariam aos seus dois maiores feitos musicais.

A reedição acrescenta, no CD2, a dose habitual de lados B de singles onde, além de algumas gravações ao vivo, há a destacar o início de uma relação mais interessante do grupo com as dinâmicas e mecânicas da remistura (e das potencialidades de expansão de horizontes que permitem perante o desafio a outras colaborações).

quinta-feira, agosto 16, 2012

Reedições:
Blur, The Great Escape


Blur 
“The Great Escape” 
EMI Music 
3 / 5

A história até começou “favorável” aos Blur, com Country House a chegar ao número um, “derrotando” assim Roll With It dos Oasis... Mas a batalha das bandas ia acabar por gerar mau ambiente, a superficialidade oca do “combate” reduzindo os dois nomes a um menor denominador feito de clichés, os Oasis tidos como porta-voz de um realismo direto, capaz de comunicar com tudo e todos, os Blur vistos como coisa mais complicada, entre metáforas e uma música menos direta... Como se reduzissem ambas a tão coxo retrato... Mas assim foi.

O fenómeno brit pop pode ter reconhecido nos Blur um dos seus mais importantes impulsionadores, a visão levantada em Modern Life is Rubbish (1993) e o sucesso estrondoso de Parklife (1994) representando duas peças-chave na sua instituição como caso sério para consumo local e, imediatamente, rótulo de exportação de uma nova cool britania que, de facto, cruzou fronteiras. Mas em pouco tempo, e como sucede sempre em tantos outros “movimentos”, não só o mapa estava povoado de nomes menores (que trataram de apanhar o comboio em andamento), como até mesmo alguns dos que tinham ajudado a criar a onda de entusiasmo ora se entregavam a receitas de mais do mesmo, ora pensavam em como sair dali para fora antes de se afundarem com o barco... Os Blur sentiram na pele não apenas o efeito de um combate criado sob uma premissa fictícia, mas com consequências reais (e basta lermos as memórias que escrevem no booklet da presente reedição para verificarmos como lhes deu mais dores de cabeça que alegrias) como da própria atmosfera sufocante em que se terá transformado a dada altura a febre brit pop. Eles mesmos terão uma quota parte de responsabilidade no caso, uma vez que fizeram suceder a Parklife um álbum que em tudo segue linhas e repete soluções. The Great Escape foi, de facto, criado num ambiente em que Parklife era a música de que se falava, a projeção de uma noção de sequela sendo por isso mais que natural num tempo sem espaço para a pausa e a reflexão. Apesar de amplamente aclamado na altura, passados estes anos é talvez o álbum da banda que menos entusiasmo parece revelar, os mesmos modelos de assimilação de heranças pop(ulares) e os olhares críticos sobre o mundo inglês ao seu redor seguindo premissas já ensaiadas, a produção polindo as ideias e puxando o brilho às formas finais... Talvez os cânticos de fundo de Top Man visitem o então esquecido Adam and The Ants, talvez Entertain Me pisque, a momentos, o olho aos The Fall... Mas na essência as canções visitam os mesmos terrenos que Parklife antes percorrera. Há espaço para algumas canções magníficas, como são os casos de Best Days (que nunca foi single, não se sabe porquê) ou The Universal (versão revista da ideia ensaiada em To The End)... Mas pouco mais acontece... Atenção, portanto, ao alinhamento com alguns instantes interessantes no CD de extras, onde encontramos o belíssimo dueto com Françoise Hardy em La Comedie (versão francesa de To The End) ou os temas gravados ao vivo, quer no Budokan (Tóquio) como no estádio Mile End (Londres).

terça-feira, agosto 14, 2012

Novas edições:
Blur, Parklive

Blur 
“Parklive” 
EMI Music 
4 / 5

Foi ou não o último concerto?... As dúvidas remontam a abril, quando Damon Albarn o sugeria numa entrevista ao Guardian. Haveria um derradeiro single (e se é Under The Westway, então está editado) e um último concerto (que se pensa ter sido o de domingo, no Hyde Park)... Mas houve ditos dados como não ditos. Poderia não ser bem assim... Depois houve gravações para um eventual disco novo, mas ficaram pelo caminho. Há poucos dias o baixista Alex James afirmava que, corresse mal, o concerto seria mesmo o último. Mas correu bem... E perante a falta de uma resposta mais definitiva, a verdade é que os Blur acabam de lançar Parklive, o registo áudio do concerto de domingo. Num disco para já apenas disponível por download, a versão física desde já agendada para a próxima semana, através do seu site, uma edição especial chegando em novembro numa caixa com cinco discos, entre os quais um DVD com o filme deste mesmo concerto e um CD com Blur Live at the 100 Club, gravado há poucos dias. Se a coisa é para dizer adeus, ficará na história como uma das mais volumosas operações de despedida da história. Se, pelo contrário, ainda há história pela frente, então esperamos para ver. Porque, tal como valeram a pena os 22 anos de discos que nos deram (os últimos nove vividos em pousio, é certo), o concerto de domingo nos deu a ouvir e o recente single nos mostrou, estamos perante uma banda ainda no seu prazo de validade. A rush release da gravação áudio dá conta do que se escutou em Londres, na mesma noite em que a pop britânica era celebrada na cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos. O alinhamento juntou 26 temas, percorrendo sem fugir aos arranjos originais, memórias de todos os sete álbuns de originais da banda, a colheita mais centrada em Parklife, o evidente clássico “brit pop” que os levou de herdeiros da pop britânica a herança maior da música do seu tempo. Dos 26 temas, 15 foram singles e dois lados B, os restantes nove recuperando momentos do alinhamento de álbuns, como que mostrando que o melhor dos Blur não é unicamente um panorama feito dos êxitos mais óbvios. Não faltou Phil Daniels na hora de recordar o tema-título do álbum de 1994. Nem faltou, do mesmo Parklife, o clássico This Is A Low. Faltou apenas, estranhamente, To The End, a canção que seria de imaginar que fosse servida na hora de dizer adeus. Quererão dizer-nos algo ao deixar de fora essa canção que fala de despedida?...

sábado, agosto 11, 2012

Blur, 1993

Em tempo de revisão da obra dos Blur, fica aqui a memória do single que anunciava em 1993 a sua "reinvenção" como observadores e herdeiros da alma britânica. Aqui fica o teledisco que então acompanhou o lançamento de For Tomorrow.

sexta-feira, agosto 10, 2012

Reedições:
Blur, Parklife


Blur 
“Parklife” 
Food / EMI Music 
5 / 5

E, de repente, eram famosos... Algo que não morava, pelo menos no patamar que atingiram, nos seus horizontes, uns tendo lidado melhor que outros com o novo estatuto. Mas estas foram as consequências. A causa resultou da forma como um álbum foi o disco certo no lugar certo na altura certa...

Tudo começara, na verdade, com a focagem de interesses e caminhos que haviam feito em 1993 em Modern Life Is Rubbish, onde descobriam no universo ao seu redor (ou seja, o Reino Unido e os espaços da classe média) a matéria prima para uma forma de olhar e comentar. Aplaudido, o disco não foi contudo um sucesso (ficando mesmo aquém dos resultados de Leisure), pelo que as finanças dos Blur não eram coisa que se invejasse naqueles dias. E estavam ainda na estrada quando começaram a compor novas canções, gravando maquetes aos poucos, à medida que o tempo e o orçamento disponíveis iam permitindo. De heranças britânicas ia vivendo o que, aos poucos, iam compondo e pensando, entre ecos de memórias da pop dos anos 60, do psicadelismo, do punk e mesmo da new wave surgindo pistas que, sem uma agenda de arrumação antológica, não deixava de transportar para o álbum em construção uma coleção de heranças fulcrais de episódios maiores da história da canção popular inglesa. Em fevereiro de 1994 o aperitivo surpreendia tudo e todos. Revelava um novo rosto, e resultava num êxito sem precedentes na carreira da banda, levando-os ao top 5 no Reino Unido. Sob atmosfera disco e com alma pop, Girls and Boys era aquilo a que, no booklet da presente reedição, Graham Coxon recorda como um momento em que entre a banda havia quem julgasse que estava nos Wire, nos Duran Duran, ou a escrever observações sobre o mundo à sua volta... O single definiu necessariamente um rumo, nem para o álbum nem para o futuro dos Blur, mas revelava por um lado uma nova forma de herdar e assimilar influências, experiências e formas de comentar. Ao mesmo tempo constatando o sucesso obtido que o mainstream tinha entretanto rumado ao encontro da mesma ideia. O entusiasmo ‘brit’ pela sua pop ganhava fôlego. E o álbum Parklife, que nasceria em abril de 1994, era aclamado como o rosto central de uma nova cool britannia. O brit pop era oficialmente aclamado não só pela imprensa musical, mas pelos media generalistas e via nos Blur um dos seus rostos centrais. Hoje é mesmo impossível revisitar o disco sem recordar o contexto que o viu nascer e transformar em retrato de uma época. Eram tempos de prosperidade e entusiasmo, esse sentido otimista cruzando um alinhamento onde tanto coexistem os momentos de entusiasmo entre copos (como no tema-título, onde colabora Phil Daniels e quase imaginamos um pub em festa), primeiras reflexões sobre o envelhecimento (em End of a Century) ou expressões de considerações mais pessoais (como em To The End, onde se levantam sinais de um registo que Damon Albarn aprofundaria em episódios seguintes) e uma expressão de inesperada grandiosidade sinfónica no magnífico This Is a Low (que, nunca tendo sido single, é um dos “clássicos” deste alinhamento. Herdeiros de Ray Davies, de David Bowie, de Syd Barrett, de Paul Weller, os Blur escreviam em Parklife o seu grito do Ipiranga. De herdeiros começavam a caminhar para se transformar, com o tempo, nume herança. E passados todos estes anos, é coisa que parece ter atingido aquele raro patamar do reconhecimento unânime.

Na presente reedição entre os extras do segundo disco encontramos sobretudo os lados B dos quatro singles extraídos, entre os quais se destacam uma ainda mais luminosa remistura dos Pet Shop Boys para Girls and Boys ou uma leitura em francês para To The End. Há ainda ecos de uma sessão acústica para a BBC e uma leitura igualmente acústica de End of a Century editada num promo espanhol.