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quinta-feira, junho 30, 2022

Wong Kar Wai
— alguns restos românticos

Maggie Cheung e Tony Leung em In the Mood for Love:
memórias e solidões de Hong Kong

Revendo os filmes de Wong Kar Wai numa magnífica edição em DVD, em particular In the Mood for Love, reencontramos um cinema que não desistiu do romantismo — este texto foi publicado no Diário de Notícias (5 junho).

Se o leitor conhece o filme In the Mood for Love (2000), realizado por Wong Kar Wai, saberá que a inspiração para o título provém da canção I’m in the Mood for Love — mais exactamente, da versão interpretada por Bryan Ferry, incluída nesse admirável álbum de “velharias” que é As Time Goes By (1999). Com um paradoxo a ter em conta: a canção não é escutada no próprio filme (mesmo se algumas edições da respectiva banda sonora a incluem). Desenha-se, assim, uma via de cumplicidades românticas que nos remete para o original da canção, composta por Dorothy Fields/George Oppenheimer (letra) e Jimmy McHugh (música), integrando a banda sonora da comédia romântica Every Night at Eight (1935), de Raoul Walsh — a interpretação era de Frances Langford [eis Ferry + Langford].




Sempre senti que a pulsão poética de tudo isto esbarra com o determinismo do título português do filme: Disponível para Amar. É, a meu ver, um dos exemplos “clássicos” de inadequação e, mais do que isso, traição simbólica que um título pode favorecer. A sugestão de que o par interpretado por Maggie Cheung e Tony Leung — dois seres solitários cujos parceiros estão ausentes — vive o amor através de alguma forma de “disponibilidade” situa a acção num terreno de escolhas racionais que, em tudo e por tudo, contraria o espírito romântico da narrativa.
Se Wong Kar Wai filma alguma coisa de palpável é, justamente, a proximidade dos corpos e dos desejos que existe… porque sim. Em boa verdade, é essa a premissa, consciente ou inconsciente, do romantismo cinematográfico. Podemos revisitar agora esse universo através de “Mundo de Wong Kar Wai”, uma magnífica caixa de DVD (Leopardo Filmes).
In the Mood for Love/Disponível para Amar surge num conjunto de sete títulos, em cópias restauradas, com assinatura daquele que é, afinal, um dos nomes fulcrais do cinema de Hong Kong. Cinco são anteriores: As Tears Go By/Ao Sabor da Ambição (1988), Days of Being Wild/Dias Selvagens (1990), Chungking Express (1994), Fallen Angels/Anjos Caídos (1995) e Happy Together/Felizes Juntos (1997); o último, 2046 (2004), enredado em sugestões de ficção científica, é normalmente encarado como uma sequela de In the Mood for Love (também porque os dois argumentos foram escritos em simultâneo).
A tragédia de uma maternidade incerta em As Tears Go By, as duas histórias paralelas de Chungking Express ou a ambiência queer de Happy Together são apenas alguns dos elementos mais óbvios de uma problematização do romantismo que escapa ou, em rigor, transcende a “disponibilidade” dos seus protagonistas. Porquê? Porque o romantismo envolve uma relação dúplice com o tempo presente: as personagens são peões incautos desse tempo, ainda que os seus desejos as projectem num outro calendário.
A esse propósito, Wong Kar Wai nunca deixou de sublinhar a importância simbólica da situação de In the Mood for Love no começo da década de 1960, em Hong Kong, pressentindo memórias de diferentes lugares e outras vivências (o próprio realizador nasceu em Xangai, em 1958). Paradoxalmente ou não, no plano cinematográfico, a sensibilidade romântica afirma-se como expressão de uma paixão narrativa que resiste a rotular as convulsões particulares de cada vida humana. Nesta perspectiva, a redescoberta de Wong Kar Wai através do DVD é tanto mais motivadora quanto vivemos — ou somos compelidos a viver — tempos de avassaladora indiferença por qualquer centelha de romantismo e, por fim, da sua metódica destruição.
Observe-se, a esse propósito, a normalização da noção mecânica e mecanicista segundo a qual há uma continuidade obrigatória entre um qualquer acontecimento, trágico ou não — seja a guerra na Ucrânia, seja o Jubileu de Isabel II —, e a sua “análise”. Que está, então, a acontecer? A instalação de um imaginário social e mediático, logo cultural, que nos obriga a sentir qualquer facto como “coisa” que só existe em determinado momento porque, nesse mesmo momento, o vamos afogar num qualquer “significado”.
Ora, Wong Kar Wai é um daqueles cineastas que sabe que nenhum significado pode esgotar, muito menos racionalizar, a vibração de um instante, por mais efémera ou indiferente que a sua duração possa parecer. Veja-se ou reveja-se a depurada utilização das imagens em câmara lenta para filmar alguns movimentos de Maggie Cheung e Tony Leung — como se o cinema desejasse fixá-los na intensidade de cada momento, libertando-os do desgaste do tempo.

sábado, abril 02, 2016

1986: Bryan Ferry + Ridley Scott



Passsam agora 30 anos sobre o momento em que chegou ao formato de single a canção Is Your Love Strong Enough, composta e interpretada por Bryan Ferry, e contando com a colaboração de David Gilmour na guitarra. O tema serviu para acompanhar os créditos finais do filme A Lenda da Floresta de Ridley Scott, filme que entregava a banda sonora restante aos Tangerine Dream, usando ainda uma canção de Jon Anderson. Este é o teledisco original, sobrepondo Bryan Ferry a uma projeção de imagens do filme, projetadas no décor de algumas das sequências.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Novas edições:
Bryan Ferry

“Avonmore”
BMG
2 / 5

Apesar de algumas fugas, a muitos dos discos que Bryan Ferry lançou a solo após o final da segunda etapa de vida dos Roxy Music não são senão herdeiros diretos de uma pop elegante e sofisticada que então criou no belíssimo Avalon (1982), aquele que – apesar das reuniões para novas vidas em palco – ficou registado como o derradeiro álbum de originais do grupo. Com aventuras mais “excêntricas” (porque fora desse foco, não por serem coisa bizarra, entenda-se) num álbum em que visitava memórias antigas de canções de outros tempos (As Time Goes By, de 1999), num outro (algo inconsequente) em que rumava ainda mais atrás, aos dias do jazz dos anos 20, explorando as sonoridades de então (The Jazz Age, de 2012) ou num disco unicamente feito de versões de canções de Bob Dylan (Dylanesque, de 2007), o seu percurso recente a solo não é por isso um espaço onde se espere a surpresa (convenhamos que não é condição necessária para que se façam novos discos). Houve momentos magníficos, sendo de apontar Boys and Girls (1985) ou Frantic (de 2002, onde piscou olho a referências mais antigas, partilhando mesmo um tema com Brian Eno) como títulos a juntar aos melhores que lançou em nome próprio. Avonmore, contudo, não mora nesse patamar. Mais que herdeiro de Avalon, o alinhamento deste seu novo traduz uma colagem preguiçosa não só a modelos já vistos e revistos (a presença de Rhett Davis na produção garante exatidão nessa “afinidade”) como a própria composição não parece muito disposta a ir para além de um certo automatismo. Reconhecem-se as qualidades interpretativas de uma voz única e o rigor instrumental de quem domina as linguagens que aqui novamente convoca e que não escondem a presença de um naipe de convidados de luxo entre os quais estão Nile Rodgers, Regina Spektor, Johnny Marr, Mark Knopfler ou Maceo Parker. Mas não brilha. E traduz aquela sensação de coisa inconsequente que obras recentes de veteranos como Cohen, Bowie ou Dylan não têm deixado alastrar.

quinta-feira, novembro 13, 2014

Bryan Ferry, como num espelho

O espelho de Bryan Ferry devolve-nos a pose, o estilo e a música de... Bryan Ferry. Não há que enganar: dois anos depois de The Jazz AgeAvonmore, o seu 14º álbum de estúdio, exalta o romantismo de sempre e respectivas ambivalênciais sexuais e morais — a prova aí está, no teledisco do tema de abertura, Loop De Li. São dez canções, oito originais e duas versões (Send in the Clowns, de Stephen Sondheim, e Johnny & Mary, de Robert Palmer), com Rhett Davies na produção e ajudas pontuais de alguns companheiros de sempre: Nile Rodgers, Marcus Miller e Johnny Marr — durante alguns dias (até ao lançamento oficial, a 17 de Novembro), Avonmore pode ser escutado no site da NPR.

sexta-feira, julho 04, 2014

segunda-feira, maio 05, 2014

Novas edições:
Roxy Music, Showing Out

Roxy Music
“Showing Out”
Easy Action
4 / 5

A edição de gravações de arquivo de gravações feitas começa a ganhar hábitos de rotina. E se há bem poucas semanas vimos chegar a disco o registo de um concerto que Patti Smith deu sob a atenção dos microfones de uma estação de rádio em meados dos anos 70, agora é a vez de ver a luz do dia a memória de uma noite da digressão que assinalou o regresso à atividade dos Roxy Music (após breve pausa) em finais dos anos 70. Animados pela descoberta de novos horizontes (que a versátil paleta instrumental do grupo soube valorizar), os Roxy Music tinham apresentado em Manifesto (editado em março de 1979) uma visão pop nova e desafiante, distante dos tons do glam rock de outros tempos e pontualmente atenta à presença do disco, e mais que nunca sob uma evidente liderança de Bryan Ferry. O álbum (que surgira após um hiato de quatro anos durante o qual os músicos se tinham concentrado em projetos a solo) devolveu o grupo também à estrada. E o concerto que agora surge em disco sob a designação Showing Out teve lugar durante a digressão que acompanhou o lançamento do álbum, captado em concreto numa noite em Oakland, a gravação surgindo originalmente destinada a uma emissão de rádio. O alinhamento destaca a presença das novas canções, mas junta o que então eram já os “clássicos” dos primeiros anos de vida do grupo, não faltando aqui os “inevitáveis” Ladytron, Love Is The Drug, A Song For Europe, Do The Strand ou Re-Make, Re-Model. Aqui encontramos uma banda reanimada pela reinvenção do rumo da sua sonoridade, um Bryan Ferry em pico de forma e um lote de canções que não deixam dúvidas sobre o facto de esta ter sido uma das bandas com mais vincada personalidade entre as muitas que surgiram nos anos 70.

quinta-feira, maio 09, 2013

5 Dias 5 Discos
Anton Corbijn (4)

Ao contrário da sua obra nos Roxy Music, entre a discografia a solo de Bryan Ferry abundam retratos do músico. A capa de Taxi, álbum que editou em 1993, utiliza uma fotografia de Anton Corbijn.

sábado, fevereiro 09, 2013

O jazz segundo Bryan Ferry

Surpresa? Não exactamente: afinal de contas, se nada mais soubéssemos de Bryan Ferry & Roxy Music, não nos custaria acreditar que a sua idade de ouro teria acontecido algures entre os dois conflitos mundiais, na agitação dos roaring twenties... Pois bem, tomando a sua própria mitologia à letra, Ferry constituiu uma nova banda, contando com a colaboração preciosa dos arranjos do pianista Colin Good. E o resultado aí está: The Bryan Ferry Orchestra toca The Jazz Age. Que é como quem diz: uma série de temas emblemáticos do património do cantor e dos Roxy Music (Avalon, Slave to Love, Virginia Plain, etc.), em ambiente sonoro de Big Band — para ouvir no site da NPR.
Aqui em baixo, um video promocional de The Jazz Age. Para recordar, mais em baixo, está o teledisco de Slave to Love (1985), assinado por Jean-Baptiste Mondino.



sexta-feira, novembro 23, 2012

Novas edições:
Roxy Music,
The Complete Studio Recordings


Roxy Music 
“The Complete Studio Recordings” 
EMI Music 
5 / 5

Entre as forças maiores nascidas do panorama pop/rock dos anos 70 os Roxy Music moram junto das que conseguiram ser, ao mesmo tempo artística e comercialmente consequentes, vários sendo os episódios da sua carreira que geraram importante descendência. Surgiram em clima glam rock, mas tal como David Bowie, os seus horizontes cruzavam outras linguagens e ambições, a vivência art school de alguns dos seus elementos tendo condicionado os desejos de não fechar a música no plano das formas existentes, um sentido de demanda plástica cedo lançando desafios que os discos tão bem registaram. Podemos delimitar quatro grandes etapas na obra dos Roxy Music. Uma primeira, entre 1972 e 73, durante a qual Brian Eno integrou a formação da banda, imprimindo uma visão de saudável inquietude que soube aliar a tecnologia disponível à busca de novas formas para entender a construção dos ambientes e das canções. Desavenças no plano empresarial ditaram o afastamento de Brian Eno, deixando a Bryan Ferry a condução clara dos destinos da banda, uma segunda etapa de procura de caminhos pós-glam desenhando-se então entre 1974 e 76. O grupo separou-se então, voltando a reunir em 1978 sob nova orientação, partilhando inicialmente algum interesse pela assimilação de elementos escutados no disco, depois afinando progressivamente um sentido de elegância e sofisticação que culminaria no álbum Avalon, de 1982. A quarta etapa é a que o grupo vive desde o reencontro em 2001, ocasionalmente reunindo-se para concertos, o sonho de um eventual novo álbum de originais parecendo cada vez menos uma possibilidade. A caixa editada neste 2012 que assinala os 40 anos sobre o início da vida da banda recorda a integral da sua obra em estúdio e, por isso, encerra as memórias gravadas entre 1972 e 82 que recordam as suas três primeiras fases de vida (a quarta, apesar de ter gerado gravações de palco, não foi ainda criativamente consequente ao ponto de nos dar temas inéditos). Cronologicamente arrumados, apresentados em miniaturizações dos álbuns originais, os álbuns contam-nos uma história que parte ao som do visionário Roxy Music (1972) e do seu sucessor natural For Your Pleasure (1973). Avança pela memória de álbuns que aferiram em volta da personalidade de Ferry uma visão pop mais clacissista e sofisticada entre Stranded (1973), Country Life (1974) e Siren (1975), assinala o reencontro com o intrigante, mas novamente desafiante Manifesto (1979) e arruma o atingir de uma linguagem mais polida em Flesh + Blood (1980) e Avalon (1982). Deixando de lado os registos ao vivo Viva! (1976) e The High Road (EP de 1983), como de resto o próprio título da caixa o sugeria (afinal, é uma integral de estúdio!), esta edição completa a história com um CD duplo onde recolhe os temas editados entre os lados A e B dos singles e máxi-singles que o grupo editou entre Virginia Plain (1972) e Take A Chance With Me (1982). Falta-lhe um bom texto histórico. Mas convenhamos que o livro Unknown Pleasures, de Paul Stump (editado em 1988), já deu conta desse mesmo recado.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Novas edições:
Vários Artistas,
Chimes of Freedom - The Songs of Bob Dylan


Vários Artistas
"Chimes of Freedom - The Songs of Bob Dylan"
Universal
2 / 5

Reza a velha máxima que não se pode agradar a gregos e troianos ao mesmo tempo. Mas podemos juntar gregos e troianos em torno de uma ideia comum... É o que acontece em tempo de assinalar os 50 anos da Amnistia Internacional (AI), num álbum quádruplo (coisa que já não se usa, é verdade) que soma 72 versões de canções de Bob Dylan por figuras e vozes das mais variadas frentes da criação musical, das mais interessantes às nem por isso... Em primeiro lugar o denominador comum. Dylan. Como explica um texto que apresenta o disco num site ligado à AI recorda-se a forma como a obra de Dylan acompanhou a essência da atividade desta organização, sublinhando que “tem explorado e expressado a angústia e a esperança da condição humana moderna”. Símbolo da luta pela paz e pela igualdade e ainda voz maior entre uma geração que devolveu à música um poder político nos anos 60, Dylan é por um lado uma figura de reconhecimento global e transversal e, ao mesmo tempo, denominador comum ao leque de referencias de inúmeros músicos que o souberam escutar e entender. A escolha não podia ter sido mais acertada... A arte de recriar canções de Dylan é outra velha máxima com uma longa (e apetitosa) história de grandes versões, que vão dos “clássicos” reinventados pelos Byrds ainda nos sessentas às leituras que fizeram história em Bryan Ferry ou ao mais recente Ring Them Bells por Sufjan Stevens ou a reinvenção de Knocking on Heaven’s Door por Antony & The Johnsons (que não moram neste disco, sublinhe-se). O pequeno mundo de contribuições aqui recolhidas abre horizontes a muitos caminhos e gentes. Mas, na verdade, Chimes Of Freedom é disco que brilha mais na carteira das intenções que na soma de feitos musicais que encerra. Porque, com ou sem causas, um disco afinal é um disco. Do CD1 vale a pena reter a leitura de Patti Smith para Drifter’s Escape, a recuperação de uma gravação de Johnny Cash em One Too Many Mornings, valendo ainda (pela invulgaridade cromática) a abordagem Mariachi El Bronx a Love Sick. O segundo disco mostra um bem encenado Rainy Day Women por Lenny Kravitz, uma segura leitura folk , de travo western, para One More Cup Of Coffe (Valley Below) por Steve Earle e Lucia Micarelli, abre uma janela no tempo quando Joan Baez canta Seven Curses e espaço para algum mimetismo (mas com tempero moderno) num Mr Tambourine Man pelos Jack’s Manequin. O CD 3 é o que joga em vistas mais largas, da versão de K’naan de With God on Our Side ao arranjo de Philip Glass para Don’t Think Twice, It’s Alright, pelo Kronos Quartet, juntando ainda bons momentos por Neil Finn (She Belongs To Me), Bryan Ferry (clássico, em Bob Dylan’s Dream), Zee Avi (cruzando latitudes em Tomorrow Is a Long Time) ou Carly Simon (Just Like a Woman). Já o quarto CD é mais desmotivador, valendo apenas pelo Subterranean Homsick Blues de Michael Franti ou Baby Let Me Follow, por Marianne Faithfull. Para quem gosta de mais-do-mesmo, nomes como os de Sting, Mark Knopfler, Adele ou Diana Krall aqui moram em leituras nos seus habituais comprimentos de onda... No fim, apesar das boas intenções, o somatório é de dieta...

sábado, novembro 06, 2010

Bryan Ferry, 1977


Continuando a revisitar ecos mais remotos da obra a solo de Bryan Ferry (numa altura em que acaba de lançar um novo disco em nome próprio), viajamos hoje até ao álbum que editou em 1977, num período em que os Roxy Music viviam a sua primeira pausa. In Your Mind era então o quarto álbum que o músico lançava a solo. This Is Tomorrow foi então lançado como single de apresentação do álbum. Aqui fica o teledisco.




Bryan Ferry
‘This Is Tomorrow’ (1977)

sábado, outubro 30, 2010

Bryan Ferry, 1976


No momento em que chega um novo álbum de Bryan Ferry, uma viagem no tempo a 1976 e a um dos temas que, então, incluía no álbum Let’s Stick Together, o seu terceiro a solo. The Price Of Love foi então extraído do alinhamento do disco e editado como tema central de um EP. Aqui fica a memória do teledisco que, então, acompanhou a edição desse EP a que chamou, simplesmente, Extended Play.


Bryan Ferry
‘The Price Of Love’, 1976

terça-feira, outubro 26, 2010

Novas edições:
Bryan Ferry, Olympia


Bryan Ferry
“Olympia”
Virgin / EMI Music
2 / 5

Muito se falou nos últimos anos sobre a eventualidade de um reencontro em estúdio dos Roxy Music. Na verdade, e acompanhado por Phil Manzanera e Andy McKay, Bryan Ferry tem reactivado o grupo em várias ocasiões desde o ano 2001. Mas, discograficamente, apenas dali resultou um registo ao vivo, o regresso a edúdio não se concretizando afinal, confirmando Bryan Ferry que as muitos noticiadas sessões em estúdio com Brian Eno (que integrara a formação original dos Roxy Music, em inícios dos anos 70) não se traduziria num novo álbum do grupo, mas sim num novo disco a solo. Ei-lo. Tem por título Olympia e junta de facto Brian Eno, Phil Manzanera e Andy McKay. Tocam todos em várias faixas, mas juntos estão apenas numa onde propõem uma versão inconsequentemente sofisticada de Song To The Siren, de Tim Buckley… Mas há mais figuras de renome por aqui. Jake Shears e Babydaddy (dos Scissor Sisters) compuseram Heartache By Numbers. Flea (dos Red Hot Chili Peppers) toca em vários temas. David Guilmour marca presença em duas canções, o baterista Steve Ferrone numa outra. Contudo, e apesar do elenco galáctico, Olympia é talvez o menos interessante de todos os discos da obra a solo de Bryan Ferry. Seguindo um modelo de pop elegante que atingiu, ainda com os Roxy Music, em Flesh + Blood e Avalon, e que depois manteve como destino em álbuns posteriores a solo como Boys & Girls (1985), Bête Noire (1987) ou Mamouna (1994), Olympia mostra um Bryan Ferry em piloto-automático em canções sem brilho, todavia sob moldura chique e produção bem polida. A dose de maquilhagem que se aplica aqui a Song To The Siren, numa versão nos antípodas da sensualidade crua que recordamos na belíssima leitura de 1984 dos This Mortal Coil, é um entre os vários exemplos de uma lógica à la hotel de cinco estrelas que domina o alinhamento. Coisa cara e muito chique. E pouco mais. E, convenhamos que nos últimos anos, o melhor de Ferry chegou quando, ou no disco de versões de outros tempos As Time Goes By (1999) ou em Frantic (2002), se afastou desta sua ideia de pop bem vestida e penteada.

domingo, outubro 24, 2010

Olympia (aliás, Kate Moss) por Bryan Ferry



No imaginário de Bryan Ferry, a Olympia, pintada por Édouard Manet em 1863, pode renascer em 2010 com os traços de Kate Moss. É ela que surge na capa do novo álbum a solo do cantor — título: Olympia —, para sempre assombrado pela magia nostálgica dos Roxy Music. Em boa verdade, este é quase um come back da banda, quanto mais não seja porque o protagonista aqui se reencontra com Phil Manzanera, Andy Mackay e Brian Eno, com quem não gravava desde 1973, ano de lançamento de For Your Pleasure. Entre os ilustres convidados, incluem-se ainda David Gilmour (Pink Floyd), Jonny Greenwood (Radiohead) e Flea (Red Hot Chili Peppers).
A que soa? A coisa antiga, claro, para mais com uma dessas canções (a fechar o álbum) vocacionadas para o mito, exibindo o mais belo dos títulos que Ferry poderia roubar a alguém: Tender Is the Night. Dito de outro modo: aos 65 anos, Bryan Ferry mantém-se impecavelmente clássico, gloriosamente fora do tempo — Olympia pode ser escutado, na íntegra (até ao dia 26 de Outubro), no site da NPR. Este é o teledisco do primeiro single, You Can Dance.




>>> Entrevista com Bryan Ferry (Pitchfork).

sábado, julho 24, 2010

Roxy Music, 1980


Em tempo de regresso à actividade, mas ao que parece apenas com concertos em agenda (“um eventual” novo álbum parecendo cada vez mais um sonho impossível), os Roxy Music estão de volta aos palcos. Assinalamos assim a sua nova vida reencontrando um dos singles do alinhamento de Flesh + Blood, o seu álbum de 1980. Aqui fica o teledisco de The Same Old Thing, canção pop com travo ‘disco’, num registo que deixa claro como estavam a definir caminhos que muitos dos seus “seguidores” tomariam logo a seguir na invenção de uma pop para os oitentas.

sexta-feira, julho 16, 2010

Bryan Ferry, novo disco e velhos amigos

Bryan Ferry está de regresso aos discos, anunciando para Outubro a edição de Olympia, um novo álbum de originais. Ainda não é desta que os Roxy Music gravam nova música, mas a verdade é que Ferry conseguiu levar a estúdio, para este seu novo álbum, os músicos Phil Manzanera, Andy MacKay e até mesmo Brian Eno. Ou seja… os Roxy Music!

terça-feira, março 06, 2007

Discos da semana, 5 de Março

Arcade Fire “Neon Bible”
Não havia, no horizonte, tarefa mais difícil que aquela que os Arcade Fire tinham em mãos. Ou seja, criar, depois do que o seu espantoso álbum de estreia, Funeral, conquistou, um sucessor capaz de satisfazer uma multidão de melómanos à espera do melhor... Neon Bible é a resposta. E justifica a espera (injustificada sendo, pelo contrário, a expectativa exacerbada de quem esperava impossível nova revolução em dois anos). Sem sinais de desejo de ruptura, Neon Bible é uma evolução na continuidade, apresentando um conjunto de soberbas canções que sabem suportar arranjos sinfonistas sem que o peso as esmague. De resto, mais ainda que no inesquecível Funeral (que será claramente recordado como um dos álbuns de referência da presente década), Neon Bible mostra uns Arcade Fire mais arrumados e de programa estético mais evidente (o que não significa que o caos ordenado que antes neles escutássemos fosse capaz de feitos menores). A mitificação, sazonal, de novos “messias” na cultura pop/rock trouxe ao universo dos Arcade Fire uma noção de “religiosidade”, expressão que pode ter conhecido génese no facto de optarem pela acústica de igrejas para nelas gravar uma música que é mais prece libertária que cumprimento de mera exigência formal em estúdio. Intervention é, assim, hino maior de uma grandiosidade pop que conhece hoje nos Arcade Fire um importante pólo de referência. É curioso verificar que neles não mais procuramos as dentadas e assimilações de nacos de Talking Heads, Pixies, Neutral Milk Hotel ou Bowie (se bem que Springsteen espreite, evidente, em Antichrist Television Blues). Hoje escutamos Arcade Fire como senhores de uma identidade firmada, líderes de uma nova mensagem da qual Neon Bible é sólido e seguro Opus 2. Um disco cuja único senão é o facto de suceder a um daqueles álbuns que não admitem igual. Mesmo assim, um magnífico afirmar de que Funeral não foi momento, com morte a seguir. Eles vivem!

Air “Pocket Symphony”
Uma das grandes desilusões do ano. Apesar de longe de medíocre, o novo álbum dos Air contrasta com um passado de saudável inquietude criativa, que deles fez, a começar, a mais sedutora reinvenção de memórias em finais de 90 (com Moon Safari a figurar no Top 5 dos melhores álbuns da década) e, depois, espantosos transformadores de uma realidade que, disco a disco ensaiava e experimentava novas variações, novos sabores. Pocket Symphony é, pelo contrário, uma espécie de Talkie Walkie 2.0, em versão piloto-automático, repetindo a químico as mesmas estratégias, afogando as canções em texturas que quase raiam o new age, travando a força pop que outrora era motor de grandes canções. Banda sonora para o filme errado, a sinfonia de bolso, mesmo assim, mostra, perdida a meio de um qualquer andamento longo, lento e inconsequente, uma das maiores pérolas da pop paisatgista electrónica de que os dois franceses são paradigma. Chama-se Photograph e, apenas por si, quase justifica o disco. Mas o resto...

Bryan Ferry “Dylanesque”
Dylanesque nasceu num ímpeto fulminante. Num impasse criativo em processo de gravação do álbum de reencontro dos Roxy Music, Bryan Ferry convocou músicos, fechou-se num estúdio e, uma semana depois, dele saiu com um disco nas mãos. Porém, se “terapeuticamente” a coisa foi eventualmente positiva para o cantor, discograficamente Dylanesque representa uma das mais dietéticas das suas ideias. O alinhamento abre relativamente bem, numa versão encorpada a guitarras rock’n’roll, mas sob o inevitável charme vocal à la Ferry, de Just Like Tom Thumb’s Blues, num registo que não foge da pop elegante que Taxi aplicara aos originais escolhidos em 1993 para operação em tudo semelhante. Pouco depois, para eloquência mais classicista, brilha uma soberba versão de Make You Feel My Love. Mas logo depois, The Times They Are A-Changin’, é banal... E, à medida que avançamos no disco, nele reconhecemos a aplicação, sistemática, da mesma paleta transformadora, reduzindo a potencial variedade “oferecida” por Dylan a um menor denominador comum que reduz Dylanesque a uma desilusão. Isto se não falarmos nas débeis versões Knockin’ On Heaven’s Door ou All Along The Watchto~wer, cuja presença se parece justificar apenas pelo facto de serem necessárias faixas suficientes para um álbum. E, numa semana de estúdio, não se deve ter gravado muito mais..

Mika “Life In Cartoon Motion”
Híbrido bem nutrido de festividade ao jeito de uns Scissor Sisters, com pompa à la Queen, Grace Kelley (o single de avanço do álbum) não é a bitola de referência para todo o disco de estreia de Mika, mas define um caminho bem claro: pop até mais não, mas longe da noção de fuga escapista, mantendo firme uma vontade de ligação ao real, mesmo que através do recurso à fantasia. Contudo, só o tempo nos confirmará se este é álbum com mais que um fruto. Na verdade, Life In Cartoon Motion tem tudo o que habitualmente encontramos em one hit wonders. A canção certa na hora certa, mais meia dúzia de temas para ajudar a festa. E muitas dúvidas ao fundo da estrada... Porém, mais que um grande performer e intérprete, Mika procura aqui afirmar-se como compositor. E por aqui há belos exemplos de sólida escrita pop (em canções como Lolipop, Love Today, Billy Brown e Over My Shoulder), apesar de, por vezes, o pé lhe fugir para calçado menos “chique”...

Também esta semana:
Tracey Thorn, Ry Cooder, Stooges, RJD2, Seeds (best of), Mint Royal, Depeche Mode (reedições), !!!, Grinderman, Howard Devoto

Brevemente:
12 de Março: LCD Soundsystem, Magazine (reedições), Blind Zero, Talking Heads (best of – reedição), Fratellis, Heróis do Mar (best of)
19 de Março: Andrew Bird, Panda Bear, Low, Rakes, David Bowie (reedições), Kronos Quartet, Neil Young, Jah Wobble, Christian Gansch (Beethoven)
26 de Março: Brett Anderson, Gary Numan (BBC Sessions), Kieran Hebden + Steve Reid, Norton, Bananarama (reedições), OneTwo, Laura Veirs, Teresa Salgueiro, Doors (reedições), Wedding Present (BBC Sessions), Herbert, Vários (Mute Archive 1), Yardbirds (best of)


Abril: Patti Smith, Bright Eyes, Spiritualized, Modest Mouse, The Bees, Nine Inch Nails, The Knife (DVD), Da Weasel, Arctic Monkeys, Maria João
Maio: Rufus Wainwright, OMD (reedição), Tori Amos

Estas datas podem ser alteradas a todo o momento

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Bob... Ferry

Não será a primeira vez que Bryan Ferry canta Dob Dylan. Nem a primeira que edita um álbum de versões. Mas Dylanesque, a editar em Março, é o primeiro disco de Ferry, a solo, integralmente dedicado às canções de Dylan. Simple Twist Of Fate, Positivley 4th Street, If Not For You ou All Along The Watchover, entre outros temas, a descobrir, brevemente, com tempero a charme Ferry, na voz de Bryan.

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