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sexta-feira, setembro 18, 2015

Ver + ouvir:
Nicolas Godin, Orca


Nicolas Godin, um dos dois elementos dos Air, estreia-se a solo com o álbum Contrepoint, que tem a música de Bach como principal fonte de inspiração. Fica aqui um dos telediscos já criados para temas deste disco.

sexta-feira, junho 26, 2015

Nos 15 anos de 'Virgin Suicides'

A banda sonora que os Air compuseram para o filme As Virgens Suicidas de Sofia Coppola está de regresso 15 anos depois em edições comemorativas em vinil e CD, com extras gravados ao vivo na época. A propósito desta edição assino hoje um texto na Máquina de Escrever no qual digo:

"Passados quinze anos sobre o momento em que a estreia de Sofia Coppola chegou aos ecrãs não sei se As Virgens Suicidas serão hoje mais vezes lembradas pela música dos Air que lhe serviu de banda sonora que pelas imagens e narrativa em si. Mesmo tendo bandas sonoras igualmente poderosas, filmes posteriores da realizadora como Lost In Translation: O Amor é um Lugar Estranho (2003) e Marie Antoinette (2006) fixaram-se na memória pelo todo e não apenas pela parte. Não é falta de mérito de Sofia Coppola, que logo aqui deixou clara uma forma muito particular de trabalhar personagens femininas jovens e impotentes confrontadas com um mundo maior no qual o poder está longe das suas mãos (ou delas escapa) e pode agir contra a sua vontade. A força da memória sonora de As Virgens Suicidas, que para muitos suplantará eventualmente o da recordação do próprio filme em si, cabe em pleno ao trabalho magistral de composição assinado pelos franceses Air que aqui, juntamente com os álbuns Moon Safari (1998) e 10.000 Hz Legend (2001), encontram a troika de referência da sua obra e o conjunto de composições que mais bem define as suas marcas de personalidade. Ou, para sermos mais justos, as que correspondem àquela etapa da sua obra e quem mais os demarcaram entre o panorama ao seu redor."

Pode ler aqui o texto completo.


sábado, março 01, 2014

Os Óscares não ouvem bem as canções...

Este texto sobre canções que os Óscares ignoraram é uma versão editada e atualizada de um outro que foi publicado há cerca de um ano na revista Metrópolis com o título ‘Quando os Oscares não ouvem as melhores canções’.

Em tempo de Óscares, propomos um outro olhar pela história das estatuetas douradas com que Hollywood celebra anualmente os feitos do cinema. Se há categoria onde são mais os tiros ao lado que aqueles em que as escolhas acertam no alvo, ela é a da Melhor Canção Original. E são tantas as ocasiões em que temas que fizeram história passaram ao lado das atenções da Academia, muitas vezes até sem nomeação, que resolvemos apresentar uma lista de dez clássicos criados para o cinema que nunca foram premiados. Mas que mereciam tê-lo sido...

Com nova cerimónia de entrega de Óscares a caminho fazem-se contas, ensaiam-se projeções, antecipam-se cenários... Se em algumas das categorias principais 2014 promete ser um dos anos mais disputados dos últimos tempos, já no espaço da música mora a monotonia de sempre, a sensação de que o que de melhor havia por aí a considerar acabando fora das listas dos nomeados. Não é novidade esta sensação. Tem mesmo sido regra e raras foram as ocasiões nos últimos anos em que uma canção musicalmente estimulante ou até cinematograficamente marcante tenha chegado à lista dos nomeados, muito menos ainda as que subiram ao palco para receber a estatueta dourada. Há um ano a cantora Adele levou o primeiro Óscar para uma das mais tradicionais das famílias musicais da história do cinema: as canções para James Bond. Skyfall ficou assim como a primeira ‘Bond song’ oscarizada, ultrapassando o patamar das nomeações a que chegaram as contribuições de Paul McCartney, Carly Simon ou Sheena Easton também ao serviço do agente 007. E superando também aquelas que continuam a ser, pelos feitos do mercado (ou seja, pelas vendas dos discos) as mais populares ‘Bond songs’ de sempre: a campeã A View To A Kill dos Duran Duran (a única que alguma vez atingiu o número um nos EUA ou Reino Unido) e as não menos aclamadas Live and Let Die de Paul McCartney e Nobody Does It Better de Carly Simon que, tendo igualado nos EUA o número dois na tabela de vendas alcançado por Adele no Reino Unido, conseguiram melhores resultados em Inglaterra que a voz de Skyfall na América...

Podemos olhar para a história de todo um legado de prémios onde, apesar a lista impressionante de clássicos que por ali passam, conhecemos a falta de algumas das canções que fizeram páginas maiores na história da relação da música com o cinema. E para não esquecer hoje quem ficou de fora, mais que recordar a história das canções que os Óscares já premiaram, propomos uma viagem no tempo através de dez outras que, por incrível que possa parecer, ficaram de fora dessa lista.

1937. Someday My Prince Will Come, por Adriana Caselotti
É verdade que a Disney não se pode queixar de falta de atenção por parte dos Óscares, pelo menos na hora de premiar a música dos seus filmes. Só entre 1989 e 1999 somou seis vitórias - com Under the Sea de A Pequena Sereia, o tema título de A Bela e o Monstro, A Whole New World de Aladdin, Can You Feel The Love Tonight de O Rei Leão, Clours of The Wind de Pocahontas e You'll Be In My Heart, de Tarzan - numa lista de mais de dez que remonta a 1940, ano em que somou a primeira com When You Wish Upon A Star, da banda sonora de Pinóquio, e avança até 2012, quando Man or a Muppet, da mais recente encarnação no grande ecrã dos Marretas voltou a cantar triunfo para aqueles lados. Curiosamente, a estreia da Disney nas longas metragens com Branca de Neve e os Sete Anões (em 1937) passou ao lado até mesmo das nomeações. Destino bizarro (na época, claro esta) para uma banda sonora da qual saiu uma mão-cheia de canções que se transformaram em standards, com o é há muito Someday My Prince Will Come, canção que teve a sua primeira versão na voz da cantora Adriana Caselotti para a banda sonora original do filme.

1961. Can't Help Falling In Love With You, por Elvis Presley
Muita da obra de Elvis Presley na primeira metade da década de 60 surgiu associada à multidão de filmes que então protagonizou, as respetivas bandas sonoras apresentando assim as novas canções que ia gravando. Para Blue Hawaii, filme de Norman Taurog, uma das canções inéditas então criadas para a voz de Elvis Presley foi Can't Help Falling In Love With You, que se revelaria mesmo com um dos maiores sucessos do cantor nos anos 60. A canção conheceu depois varias outras vidas. Os U2 usaram a versão original para fechar os concertos da Zoo TV Tour e Bono chegou a gravar uma leitura em nome próprio para a banda sonora de Honeymoon in Vegas, de Andrew Bergman. Entre os muitos que assinaram outras versões estão figuras com Doris Day, Patti Page, Bob Dylan, os UB40 ou Chris Isaac.

1964. Goldfinger, por Shirley Bassey.
Se há canção do "cancioneiro 007" que merecia ter ganho um Óscar ela seria a que em 1964 Shirley Bassey deu ao terceiro filme da série. Traduzindo a essência do encontro de uma pungente secção de metais com a alma orquestral que John Barry transformou em imagem de marca do som para James Bond (sugerindo um paradigma ainda hoje respeitado), esta foi a primeira das três contribuições da cantora para os filmes de 007 (regressando mais tarde para colaborar em Diamonds Are Forever e Moonraker). Varias versões de Goldfinger surgiram mais tarde, por nomes que vão dos Magazine ou Tom Petty aos portugueses Belle Chase Hotel.

1965. You’ve Got To Hide Your Love Away, dos The Beatles
A carreira cinematográfica dos Beatles, um pouco ao jeito da do seu compatriota Cliff Richard (mas sem a dimensão atingida pela de Elvis Presley), nasceu como derivação direta do seu trabalho musical, os seus dois primeiros filmes, ambos realizados por Richard Lester, servindo mesmo de veículo para a apresentação de novas canções e a respetiva edição imediata em álbuns que, em parte, registavam a face vocal das suas bandas sonoras. Help!, estreado em 1965, representou musicalmente a materialização de sinais de mudança iminente na música dos Beatles e deu-nos uma mão cheia de grandes clássicos, entre os quais este tema, na voz de John Lennon.

1967. Mrs. Robinson, de Simon & Garfunkel
Uma das canções de maior sucesso da história da dupla Paul Simon / Art Garfunkel, deu-lhes um número um em 1968 e representou um dos temas centrais do álbum Bookends. Mas uma primeira versão da canção tinha surgido um ano antes, na banda sonora de The Graduate, o histórico filme de Mike Nichols magnificamente interpretado por Dustin Hoffman e Anne Bankroft. Nem uma nomeação conquistou...


1973. Knocking on Heaven’s Door, de Bob Dylan
Tema composto e cantado por Bob Dylan para o filme Pat Garret and Billy The Kid de Sam Peckinpah, no qual o próprio cantor surge como ator, ao lado de nomes como James Coburn e Kris Kristofferson. A canção foi um êxito logo na sua versão original, dando a Dylan o seu maior sucesso no formato de single em toda a década de 70. E conheceu depois inúmeras versões, assinadas por nomes que vão dos Grateful Dead ou Guns N’Roses a Antony and The Johnsons.

1977. New York New York, de Liza Minelli
Canção composta por John Kamber e Fred Ebb para a voz de Liza Minelli, para a banda sonora do filme com o mesmo título, o drama musical realizado por Martin Scorsese após Taxi Driver que, na altura, foi um fracasso na bilheteira. Dois anos depois da estreia do filme uma versão da canção, gravada por Frank Sinatra transformou-se não só num dos maiores êxitos do cantor como numa referência maior do “songbook” americano.

1982. Forbidden Colours, de David Sylvian e Ryuichi Sakamoto
David Sylvian integrava ainda os Japan quando, meses depois de se estrear a solo, na companhia de Ryuichi Sakamoto, com o single Bamboo Houses / Bamboo Music foi convidado pelo músico japonês, que assinava a banda sonora de Feliz Natal Mr. Lawrence, de Nagisa Oshima, a juntar-se a ele para criar a canção-título para o filme. Juntos assinaram assim Forbidden Colours, que, com título inspirado por um livro de Mishima, não só uma das pérolas maiores da obra dos dois músicos como uma das mais belas canções alguma vez compostas para o cinema.

1986. Absolute Beginers, de David Bowie
A relação de Bowie com o cinema iniciou-se nos anos 70, como ator em The Man Who Fell To Earth, de Nicholas Roeg, e expandiu-se nos anos 80, quando ao trabalho em cena juntou a escrita de uma série de canções, muitas delas editadas em singles, sem representação nos seus álbuns de estúdio da época. O ano de 1986 foi mesmo o mais produtivo nesta relação de Bowie com o cinema, tendo assinado parte da banda sonora de Labirinto, a canção-tema da animação When The Wind Blows e participando (como ator e músico) em Absolutamente Principiantes, de Julian Temple, para o qual compôs o tema-título, que lhe deu um dos seus maiores êxitos nessa década.

2000. Playground Love, dos Air
O álbum de 1998 Moon Safari colocou nas bocas do mundo (que ouve música) o nome dos franceses Air e, com eles, um gosto por um sentido de elegância onde electrónicas com travo vintage faziam canções com sabor a coisa do presente. Sofia Coppola, desafiou então os dois músicos para assinarem a banda sonora original para a sua primeira longa-metragem, As Virgens Suicidas, para a qual, além do score instrumental, compuseram (com Gordon Tracks) e gravaram esta canção que hoje é já um dos “clássicos” da sua carreira.

quarta-feira, abril 24, 2013

Novas edições:
Tomorrow's World, Tomorrow's World

Tomorrow's World
'Tomorrow's World'
Naïve / Popstock
4 / 5

Apesar das belas coleções de canções (e temas instrumentais) que nos deram em 2001 no álbum 10.000 Hz Legend e, três anos depois, em Talkie Waklie, a verdade é que desde 1998 os franceses Air vivem de sucessivas novas colheitas das visões retro futuristas que então nos revelaram em Moon Safari, sem dúvida um dos melhores entre os álbuns editados nos anos 90. Os mais recentes discos da dulpa natural de Versailles - incluindo o disco de 2012 com a música criada para o restauro do histórico Le Voyage dans la Lune de Meliès - foram inclusivamente propostas de calibre menor e algo desinspirados, traduzindo sinais de um eventual esgotamento de um entendimento a dois que, volto a sublinhar, já nos deu momentos suficientes para os colocar no panteão dos episódios maiores da história da música feita com eletrónicas (e, indubitavelmente, grandes responsáveis, juntamente com os Daft Punk, por um recentrar dos focos de atenção na música nascida em França após largos anos de desinteresse internacional). Nas temporadas de pousio a dois, Jean-Benoît Dunckel, um dos dois elementos do duo, tem procurado explorar outros terrenos, na verdade nunca se afastando muito de uma certa zona de conforto que tem vindo a construir nos Air. E agora, alguns anos depois de apresentar o projeto paralelo Darkel, eis que edita novo disco, desta vez sob o nome Tomorrow's World (nome de uma antiga série televisiva de origem britânica). O projeto é um novo duo, partilhando o protagonismo com Lou Hayter, vocalista dos New Young Pony Club. Manifesto de requintada elegância pop, Tomorrow's World é um disco feito de canções tranquilas, talhadas num melodismo clássico, como que imaginando um espaço de diálogo entre a linguagem pop habitual nuns Air com uma visão mais luminosa das canções assombradas que em tempos escutávamos quando David Lynch e Angelo Badalamenti trabalhavam com Julee Cruise. O alinhamento abre pontualmente frestas rumo a memórias mais remotas como quando, por exemplo, escutamos em Drive evidentes heranças dos melhores dias na obra de uns Human League. Plácido e requintado, Tomorrow's World é banda sonora perfeita para sedutora viagem pelas ruas de uma cidade depois da chegada da noite. Sem a carga dramática de uns Chromatics. Procurando antes uma certa doçura chique que, sem ter revoluções ou arrebatamentos maiores em mente nos dá mesmo assim o melhor disco nascido em terreno "distante" Talkie Walkie.

PS. Este texto foi originalmente publicado na edição online do DN de 23 de abril

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Novas edições:
Air, Le Voyage dans la Lune


Air
"Le Voyage dans la Lune"
Virgin / EMI
3 / 5

No principio eram as imagens. A preto e branco, sem som. Mas revelando uma visão que encetou, em 1902, a história do cinema fantástico, sonhando uma viagem da Terra à Lua que tomava como principais fontes de inspiração os livros Da Terra à Lua de Jules Verne (de 1865) e Os Primeiros Homens na Lua, de H.G. Wells (de 1901), dois títulos de importante pioneirismo da literatura de ficção científica. A descoberta, nos anos 90, de uma cópia colorida à mão de Le Voyage dans La Lune, de Georges Meliès, abriu portas a um processo de restauro que se fez longo, mas de vistas largas, à recuperação das imagens tendo sido pedida aos Air uma nova banda sonora para acompanhar a versão recuperada, a cores e... com som. Quiseram os músicos não deixar as ideias entretanto criadas aos 16 minutos do filme e daí partiram para a criação de todo um álbum que, mais que a banda sonora de um reencontro com a memória do cinema, resulta assim numa expressão de como a história das imagens serve afinal de motor para a criação de visões feitas de sons. Menos centrado em ferramentas electrónicas que alguns dos títulos da obra dos Air, reencontrando ainda alguma lógica mais próxima de heranças progressivas que escutávamos nos instrumentais de Moon Safari (1998) e até mesmo nos singles que antecederam a edição desse marcante álbum de estreia (mais tarde reunidos sob o título Premiers Symptomes). O disco é essencialmente instrumental, abrindo espaço à colaboração vocal de Victoria Legrand (dos Beach House) em Seven Stars e às Au Revoir Simone em Who am I Now?, as duas únicas canções do alinhamento (sendo que há ainda interessantes elementos vocais em Cosmic Trip). Focado numa ideia, definido pela solidez de um conceito, Le Voyage dans La Lune é um álbum não apenas mais próximo da essência da alma primordial dos Air como representa o seu melhor esforço conjunto desde Talkie Walkie (de 2004). Porém estamos longe, muito longe, dos dias em que as canções de Moon Safari, 10.000 Hz Legend ou a música para As Virgens Suicidas, de Sofia Coppola, fazia da dupla francesa uma das bandas mais inspiradas e inspiradoras em tempo de chegada de um novo milénio.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Air + Victoria Legrand: um aperitivo


Um aperitivo para o album novo dos Air (a editar em Fevereiro de 2012), que nasce na sequênncia de uma banda sonora que a banda criou para uma versao restaurada e colorida de Le Voyage Dans La Lune, de Meliès. Entre o alinhamento do album conta-se Seven Stars, uma colaboração com Victoria Legrand, dos Beach House.

Podem escutar o tema no site do NME.

quarta-feira, novembro 30, 2011

A Lua, segundo os Air


Na noite de abertura da edição deste ano da Festa do Cinema Francês vimos uma nova versão restaurada e colorida do histórico Le Voyage Dans la Lune, de Meliès com nova banda sonora assinada pelos Air. Desse trabalho para o cinema de Meliès nasceu entretanto a música para um novo álbum da dupla francesa que conta com a participação vocal de Victoria Legrand (dos Beach House) num dos temas e a colaboração das Au Revoir Simone na escrita de letras. Com o título Le Voyage Dans La Lune, o novo álbum dos Air deverá ter edição em inícios de Fevereiro de 2012.

segunda-feira, novembro 21, 2011

Num filme (com música dos Air)


Não se trata exactamente de um teledisco, mas antes um filme que conta com música inédita dos franceses Air. O filme é a mais recente proposta da campanha da Cartier que lança o desafio sob a forma da pergunta “How Far Would You Go For Love”. É claro que há uma colecção nova da marca por detrás desta campanha. Nomes como os de Lou Reed ou Phoenix já colaboraram em campanhas anteriores.

sábado, outubro 08, 2011

Festa do Cinema Francês (dia 3)


Hoje a Festa do Cinema Francês apresenta, pelas 19.30, no Cinema São Jorge, o filme Le Moine, de Dominik Moll, com Vincent Cassel no papel principal. Uma história que nos leva a um convento, no século XVII, e a conhecer um monge que ali foi criado e que pensa estar a salvo das tentações. À noite, na Sala 3 do mesmo cinema, sessão pelas 21.30 dedicada a Sylvain Chomet, com a passagem de La Veille Dame et Les Pigeons e da longa-metragem Les Tripettes de Belleville. A sessão principal do dia, pelas 22.00 propõe Le Nom des Gens, de Xavier Leherpeur.

Podem ver a programação do dia aqui.


Uma nota de opinião:



Exibida na noite de abertura (e repetindo na sexta-feira), a versão colorida de Le Voyage Dans La Lune, de Georges Meliès (1902) trouxe a Lisboa um dos momentos maiores da edição deste ano do Festival de Cannes. Descoberta em 1993 numa cinemateca em Barcelona, a única cópia existente desta versão colorida à mão (e até então dada como perdida) foi entretanto digitalmente recuperada. E acolheu uma nova banda sonora expressamente criada para o filme pelos Air.

O filme é um espantoso exercício de um visionário que olhou além do seu tempo (e do nosso espaço físico) para criar a visão de uma viagem que, já sonhada em títulos pioneiros da literatura de ficção científica, aqui conhece a sua primeira expressão no cinema. Inventa-se um futuro, um mundo e até mesmo os que neles habitam. Pena que apenas a música dos Air não tenha sabido sublinhar esse mesmo tom simultaneamente visionário e familiar que as imagens traduzem. Mesmo assim, este fica registado como um dos mais belos momentos da história da Festa do Cinema Francês.

terça-feira, agosto 16, 2011

Uma canção para o Verão (4.10)


Mais uma memória, esta do final dos anos 90. Uma das canções do belíssimo álbum de estreia dos fanceses Air, All I Need foi o terceiro single extraído do alinhamento de Moon Safari.

terça-feira, maio 31, 2011

Georges Méliès em Cannes/2011


Por mais desconcertante que isso possa parecer, um dos grandes acontecimentos de Cannes/2011 foi um filme com nada mais nada menos que 109 anos — este texto foi publicado no Diário de Notícias (29 de Maio), com o título 'Redescobrindo Méliès em Cannes'.

Uma das sessões mais emocionantes do 64º Festival de Cannes (11/22 Maio) durou apenas 15 minutos. É o tempo de projecção do lendário filme Le Voyage dans la Lune/Viagem à Lua, realizado em 1902 por Georges Méliès (1861-1938). Tradicionalmente consagrado como símbolo perfeito dos primeiros envolvimentos do cinema com a fantasia figurativa (e, em boa verdade, da invenção dos efeitos especiais), era um daqueles títulos que tinha dado entrada na história do cinema como um objecto para sempre amputado. De quê? Das suas cores originais.
Sabia-se que Méliès, também pioneiro na técnica de colorir os fotogramas dos filmes, tinha produzido uma versão a cores. A sua existência passou a ser um elemento nostálgico da memória mitológica do cinema e Le Voyage dans la Lune foi, para sucessivas gerações, apenas um filme a preto e branco. Até que, no começo dos anos 90, a Cinemateca de Barcelona recebeu (de um doador anónimo) uma cópia colorida. Era uma boa notícia, mas também um imbróglio porventura sem solução: Le Voyage dans la Lune apresentava-se num avançado estado de degradação e qualquer manipulação demasiado brusca ameaçava pegar fogo ao delicado material (nitrato) utilizado nas cópias do período mudo. O que descobrimos em Cannes é o resultado (deslumbrante!) de um trabalho de mais de uma década, conduzido pelos laboratórios Technicolor, com o apoio da Fundação Groupama Gan (mecenas do cinema francês que financia, em particular, a recuperação do património cinematográfico e a produção de filmes de novos cineastas).
Foi preciso tratar quimicamente o nitrato de modo a torná-lo mais manipulável (processo que ocupou os técnicos de 1999 a 2002), para só depois se passar ao restauro das imagens, tomando como referência uma cópia a preto e branco disponibilizada pelos herdeiros de Méliès. Na prática, foram restaurados, um a um, nada mais nada menos que 13375 fotogramas.
Para criar a banda sonora do “novíssimo” filme de Méliès, foi convidado o grupo francês Air, célebre pelas suas composições electrónicas, autor de álbuns como Moon Safari (1998) e Talkie Walkie (2004), ou ainda da banda sonora do filme As Virgens Suicidas (2000), de Sofia Coppola. O menos que se pode dizer é que a estranheza futurista da música dos Air joga muito bem com o gosto experimental de Méliès, gerando, à distância de 109 anos, uma insólita cumplicidade artística. Mais do que isso: a escolha dos Air reflecte a dinâmica criativa, económica e simbólica do próprio cinema contemporâneo, ligando as memórias mais remotas com os modernos recursos digitais.
A esse propósito, vale a pena referir que alguns dos mais interessantes filmes de Cannes exibiram o fascinante paradoxo do digital. Exemplo: o extraordinário Once Upon a Time in Anatolia, do turco Nuri Bilge Ceylan, produto admirável de um realismo austero, rodado com uma sofisticada câmara digital.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Discos da semana, 12 de Outubro

Há uma espécie de magia em volta da noção de “álbum perdido”. Veja-se os casos de um Toys de David Bowie (no qual regravou sob novos arranjos, em 2000, canções que originalmente registara nos anos 60) ou de Reportage dos Duran Duran (com as sessões abandonadas antes da ligação a Timbaland e dos outros mais com quem depois registaram Red Carpet Massacre)… Estão gravados, talvez não misturados como o seriam se agendado um lançamento, mas moram num arquivo, à espera de uma eventual edição um dia (ou nem por isso)… Foi, assim, durante 17 anos, com Let’s Change The World With Music, o álbum que Paddy McAloon compôs e gravou sozinho (na companhia do engenheiro de som Calum Malcolm) em 1992 e que, na altura, chegou a apresentar à sua editora como sendo o sucessor de Jordan (The Comeback), na discografia dos Prefab Sprout… A reunião de apresentação do disco à editora acabara numa série de equívocos e o álbum, pouco depois, posto de lado. Estava desde então na gaveta. E, por sugestão de um amigo (na verdade também seu manager), McAloon voltou a ouvi-lo há pouco tempo… Gostou. E ainda bem que gostou, porque a sua vontade em fazer do disco perdido um disco achado acaba de representar um dos grandes momentos que a música pop conheceu em 2009. Claramente dominado por marcas instrumentais do seu tempo, ritmicamente ginasticado, Let’s Change The World With Music é um absoluto monumento de composição. Com uma agenda temática, alguns poderão mesmo dizer “conceptual”, o disco reflecte sobre a espiritualidade, ora abordando a relação do homem comum com Deus, ora discutindo o poder redentor da música. Celebra heranças que vão de um Debussy, Boulez ou Irving Berlin a Nile Rodgers e Bernard Edwards (todos eles inclusivamente citados na letra de I Love Music) e revela a mesma versatilidade de formas que em tempos escutámos em discos maiores como Steve McQueen (1985), From Langley Park To Memphis (1987) ou o já citado Jordan (The Comeback) (1990), por vezes alargando horizontes e luminisidade a terrenos quase próximos de uma Broadway. Com um viço pop que não habitava nas canções do não menos interessante The Gunmann And Other Stories (2001) e mais dado a falar ao mundo que o que nos mostrou, a solo, em I Trawl The Megahertz (2004), Let’s Change With Music abre uma janela a memórias, nelas reencontrando um dos grandes escritores de canções revelados na década de 80. Que a aclamação que o disco está a conhecer o leve a registar as pilhas de canções que, certamente, ao longo dos anos terá acumulado em gavetas como a que, desde 1992, mantivera esta música em segredo.
Prefab Sprout
“Let’s Change The World With Music”
Kitchenware
4 / 5
Para saber mais: site não oficial


Já o relógio entrava na contagem final para a chegada do milénio e era de uma banda francesa que chegava uma das mais interessantes visões de um futuro capaz de olhar em frente mas reconciliado com linhas e heranças do passado. Era como que uma passagem de testemunho, abrindo horizontes, assegurando a comunicação entre o antes e o depois. Chamou-se Moon Safari e colocava assim os Air na linha da frente do que mais promissor havia para acompanhar na alvorada do século XXI. Convenhamos que cumpriram as promessas, fazendo suceder a esse marco fulcral da discografia pop de 90 uma série de outros discos que cimentaram a sua linguagem pop feita de electrónicas, placidez e capacidade de diálogo. Convenhamos que a agenda de ideias parecia caminhar para o esgotamento, quando o quase inconsequente Pocket Symphony (2007) entra em cena. O novo Love 2 resolve o impasse num disco que parece procurar num reencontro com os seus primeiros sintomas (na verdade leia-se os dias de Moon Safari) um ponto de reflexão para, quem sabe, lançarv num futuro próximo uma nova demanda. Love 2 retoma muitos dos princípios que edificaram esse disco histórico de 1998. Divide o espaço entre ocasionais canções e frequentes instrumentais, devolve a exploração das texturas a estatuto de protagonismo no plano de trabalhos. Só não traz a bordo pérolas maiores como o foram Sexy Boy ou um Kelly Watch The Stars. Love 2 assegura porém o reencontro dos Air com um rumo. E sabe bem voltar a ouvi-los assim.
Air
“Love 2”

Virgin / EMI Music
3 / 5
Para ouvir: MySpace


Editado há dois anos, o segundo álbum dos Editors era um entre uma multidão de valentes tropeções que então pareciam deitar por terra muitos dos estreantes da “classe de 2004-05”, que então haviam entrado em cena animados pela redescoberta de referências pós-punk. Ao terceiro álbum parecem contudo dar-nos agora agradáveis sinais de uma capacidade de regeneração que An End Has A Start não traduzira, conseguindo assim o passo seguinte que a promissora estreia de The Back Room nos propusera em 2005. Arrumam no armário as roupas negras e alargam os horizontes para lá do espaço definido pelos Joy Division, Chameleons e alguns pilares do gótico com que tinham definido a sua agenda inicial. Juntam electrónicas, claramente escutadas entre discos de finais dos anos 70 (Gary Numan, Cabaret Voltaire e até mesmo as bandas sonoras de John Carpenter) e, sem abdicar das sombras, apresentam-se com uma série de canções que revelam um inesperado renascimento. Papillon, o single de avanço, capta as mecânicas do ritmo como fizeram em tempos muitas bandas que, como eles, partiram da negritude urbano-depressiva para descobrir, pela assimilação das electrónicas, que a dança era possível. In This Light And On This Evening não é contudo um disco festivo. É ainda nocturno, todavia capaz de caminhar sob as luzes e olhar além dos túneis e caves onde outrora nasciam as suas canções. Uma boa (e inesperada) surpresa, portanto.
Editors
“In This Light And On This Evening”

PIAS
3/5
Para ouvir: MySpace


Num compasso de espera entre Release The Stars e o álbum que se segue, chegando num mesmo ano em que parte das atenções de Rufus Wainwright se concentraram na estreia da sua primeira ópera, este é na verdade o primeiro registo ao vivo feito de música sua que chega a disco. Rufus tinha já levado uma gravação de um concerto a um DVD oferecido como extra numa das edições de Want (Two). De facto foi gravado ao vivo o CD que ilustra o concerto de homenagem a Judy Garland. Mas Milwaukee At Last representa o seu primeiro álbum ao vivo capaz de traduzir o tom e som característicos dos seus concertos… Convenhamos, contudo, que o disco é aqui, e apesar do protagonismo que a edição lhe dá, apenas um retrato áudio de uma realidade maior com a qual apenas podemos contactar no DVD que é servido como extra e que documenta a totalidade deste concerto captado em Milwaukee, no Wisconsin (EUA) em finais de Agosto de 2007 e no qual se juntam as imagens de palco a alguns momentos de bastidores (nem todos igualmente consequentes). O alinhamento do CD opta por ali concentrar, em versões de palco, grande parte das canções de Release The Stars, acrescentando-lhes versões de Macushla (cantada sem amplificação) e If Love Were All (de Noel Coward) e Gay Messiah, que fecha o concerto. Para o “party number”, ao som de Get Happy, nada como espreitar depois o DVD…
Rufus Wainwright
"Milwaukee At Last"

Decca / Universal
3 / 5
Para ouvir: MySpace


Com os New Order novamente desactivados, Bernard Sumner reolveu avançar, não para uma carreira a solo, mas formando uma nova banda. Já o tinha feito antes, aliando-se a Johnny Marr (e inicialmente som a ajuda de Neil Tennant e Chris Lowe dos Pet Shop Boys), criando os Electronic, com os quais gravou três álbuns durante a primeira etapa de pousio nos New Order. Agora trouxe consigo Phil Cunningham (que substituíra Gillian Gilbert nos New Order já na presente década) e, em alguns dos temas, o baterista Stephen Morris. Contando com a presença de Alex James (Blur) em alguns temas, os Bad Lieutenant são assim como uma espécie de New Order onde falta a presença de Peter Hook… E se a soma das partes o sugere, a música na verdade não foge em nada ao que dela seria de esperar. As electrónicas e as vitaminas dançantes são cada vez mais memória distante dos dias de 80… Pelo que deste primeiro exercício pós-New Order (fase II) não mais acontece que uma natural continuação do regime pop para guitarras que definira os álbuns Get Ready (2001) e Waiting For The Siren’s Call (2005), em regime ainda menos surpreendente… Há dois ou três bons momentos pop (Sink Or Swim é um deles) e ocasionais fugas à regra (como Head Into Tomorrow). Mas, no todo, Never Cry Another Tear é um disco absolutamente inconsequente.
Bad Lieutenant
“Never Cry Another Tear”
Triple Echo /Nuevos Medios
2 / 5
Para ouvir: MySpace


Também esta semana:
Kraftwerk (reedições), Editors, Bob Dylan, Flaming Lips, Echo & The Bunnymen, Bad Liutenant, David Bowie (reedição), Morrissey (lados B), Tod Gustavsen Ensemble, Erasure (EP)

Brevemente:
19 de Outubro: Sufjan Stevens, Annie, Atlas Sound, Leonard Cohen (live 1970), Spandau Ballet, Lyle Lovett, Bauhaus (reedições), Ray Davies (best of), Frankie Goes To Hollywood (reedição)
26 de Outubro: António Pinho Vargas, The Hidden Cameras, Michael Jackson, U2 (reedição), Flight Of The Conchords, Elbow (reedição), R.E.M. (live), Britney Spears (best of), Erasure (reedição), Luke Haines, Tegan and Sara, Michael Nyman + McAlmont
2 de Novembro: Julian Casablancas, The Killers (live), David Fonseca, Weezer, Nirvana (live),Frankie Goes To Hollywood (best of), Bryn Terfel, Rickie Lee Jones, World Party


Novembro: Robbie Williams, Atlantic Records (antologia), Shirley Bassey, Foo Fighters, Kraftwerk (caixa), The Cinematics, Spiritualized (reedição), Ryuichi Sakamoto
Dezembro: Echo & The Bunnymen (live), Rolling Stones (reedição), Joni Mitchell (reedições), Cluster

terça-feira, março 06, 2007

Discos da semana, 5 de Março

Arcade Fire “Neon Bible”
Não havia, no horizonte, tarefa mais difícil que aquela que os Arcade Fire tinham em mãos. Ou seja, criar, depois do que o seu espantoso álbum de estreia, Funeral, conquistou, um sucessor capaz de satisfazer uma multidão de melómanos à espera do melhor... Neon Bible é a resposta. E justifica a espera (injustificada sendo, pelo contrário, a expectativa exacerbada de quem esperava impossível nova revolução em dois anos). Sem sinais de desejo de ruptura, Neon Bible é uma evolução na continuidade, apresentando um conjunto de soberbas canções que sabem suportar arranjos sinfonistas sem que o peso as esmague. De resto, mais ainda que no inesquecível Funeral (que será claramente recordado como um dos álbuns de referência da presente década), Neon Bible mostra uns Arcade Fire mais arrumados e de programa estético mais evidente (o que não significa que o caos ordenado que antes neles escutássemos fosse capaz de feitos menores). A mitificação, sazonal, de novos “messias” na cultura pop/rock trouxe ao universo dos Arcade Fire uma noção de “religiosidade”, expressão que pode ter conhecido génese no facto de optarem pela acústica de igrejas para nelas gravar uma música que é mais prece libertária que cumprimento de mera exigência formal em estúdio. Intervention é, assim, hino maior de uma grandiosidade pop que conhece hoje nos Arcade Fire um importante pólo de referência. É curioso verificar que neles não mais procuramos as dentadas e assimilações de nacos de Talking Heads, Pixies, Neutral Milk Hotel ou Bowie (se bem que Springsteen espreite, evidente, em Antichrist Television Blues). Hoje escutamos Arcade Fire como senhores de uma identidade firmada, líderes de uma nova mensagem da qual Neon Bible é sólido e seguro Opus 2. Um disco cuja único senão é o facto de suceder a um daqueles álbuns que não admitem igual. Mesmo assim, um magnífico afirmar de que Funeral não foi momento, com morte a seguir. Eles vivem!

Air “Pocket Symphony”
Uma das grandes desilusões do ano. Apesar de longe de medíocre, o novo álbum dos Air contrasta com um passado de saudável inquietude criativa, que deles fez, a começar, a mais sedutora reinvenção de memórias em finais de 90 (com Moon Safari a figurar no Top 5 dos melhores álbuns da década) e, depois, espantosos transformadores de uma realidade que, disco a disco ensaiava e experimentava novas variações, novos sabores. Pocket Symphony é, pelo contrário, uma espécie de Talkie Walkie 2.0, em versão piloto-automático, repetindo a químico as mesmas estratégias, afogando as canções em texturas que quase raiam o new age, travando a força pop que outrora era motor de grandes canções. Banda sonora para o filme errado, a sinfonia de bolso, mesmo assim, mostra, perdida a meio de um qualquer andamento longo, lento e inconsequente, uma das maiores pérolas da pop paisatgista electrónica de que os dois franceses são paradigma. Chama-se Photograph e, apenas por si, quase justifica o disco. Mas o resto...

Bryan Ferry “Dylanesque”
Dylanesque nasceu num ímpeto fulminante. Num impasse criativo em processo de gravação do álbum de reencontro dos Roxy Music, Bryan Ferry convocou músicos, fechou-se num estúdio e, uma semana depois, dele saiu com um disco nas mãos. Porém, se “terapeuticamente” a coisa foi eventualmente positiva para o cantor, discograficamente Dylanesque representa uma das mais dietéticas das suas ideias. O alinhamento abre relativamente bem, numa versão encorpada a guitarras rock’n’roll, mas sob o inevitável charme vocal à la Ferry, de Just Like Tom Thumb’s Blues, num registo que não foge da pop elegante que Taxi aplicara aos originais escolhidos em 1993 para operação em tudo semelhante. Pouco depois, para eloquência mais classicista, brilha uma soberba versão de Make You Feel My Love. Mas logo depois, The Times They Are A-Changin’, é banal... E, à medida que avançamos no disco, nele reconhecemos a aplicação, sistemática, da mesma paleta transformadora, reduzindo a potencial variedade “oferecida” por Dylan a um menor denominador comum que reduz Dylanesque a uma desilusão. Isto se não falarmos nas débeis versões Knockin’ On Heaven’s Door ou All Along The Watchto~wer, cuja presença se parece justificar apenas pelo facto de serem necessárias faixas suficientes para um álbum. E, numa semana de estúdio, não se deve ter gravado muito mais..

Mika “Life In Cartoon Motion”
Híbrido bem nutrido de festividade ao jeito de uns Scissor Sisters, com pompa à la Queen, Grace Kelley (o single de avanço do álbum) não é a bitola de referência para todo o disco de estreia de Mika, mas define um caminho bem claro: pop até mais não, mas longe da noção de fuga escapista, mantendo firme uma vontade de ligação ao real, mesmo que através do recurso à fantasia. Contudo, só o tempo nos confirmará se este é álbum com mais que um fruto. Na verdade, Life In Cartoon Motion tem tudo o que habitualmente encontramos em one hit wonders. A canção certa na hora certa, mais meia dúzia de temas para ajudar a festa. E muitas dúvidas ao fundo da estrada... Porém, mais que um grande performer e intérprete, Mika procura aqui afirmar-se como compositor. E por aqui há belos exemplos de sólida escrita pop (em canções como Lolipop, Love Today, Billy Brown e Over My Shoulder), apesar de, por vezes, o pé lhe fugir para calçado menos “chique”...

Também esta semana:
Tracey Thorn, Ry Cooder, Stooges, RJD2, Seeds (best of), Mint Royal, Depeche Mode (reedições), !!!, Grinderman, Howard Devoto

Brevemente:
12 de Março: LCD Soundsystem, Magazine (reedições), Blind Zero, Talking Heads (best of – reedição), Fratellis, Heróis do Mar (best of)
19 de Março: Andrew Bird, Panda Bear, Low, Rakes, David Bowie (reedições), Kronos Quartet, Neil Young, Jah Wobble, Christian Gansch (Beethoven)
26 de Março: Brett Anderson, Gary Numan (BBC Sessions), Kieran Hebden + Steve Reid, Norton, Bananarama (reedições), OneTwo, Laura Veirs, Teresa Salgueiro, Doors (reedições), Wedding Present (BBC Sessions), Herbert, Vários (Mute Archive 1), Yardbirds (best of)


Abril: Patti Smith, Bright Eyes, Spiritualized, Modest Mouse, The Bees, Nine Inch Nails, The Knife (DVD), Da Weasel, Arctic Monkeys, Maria João
Maio: Rufus Wainwright, OMD (reedição), Tori Amos

Estas datas podem ser alteradas a todo o momento

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Sinfonia de bolso

Os franceses Air prometem para 5 de Março a edição mundial de um novo álbum de originais. Tem por título Pocket Symphony e, como avanço, o single Once Upon A Time, de que se escuta já um excerto no My Space oficial da banda (na verdade, pela amostra, parece uma canção pouco entusiasmante, com ar de banda em piloto automático). O disco reúne a mesma equipa que trabalhou no desinspirado álbum de Charlotte Gainsbourg 5.55, nomeadamente Jarvis Cocker e Neil Hannon, ambos com participações vocais. Os Air já confirmaram que ao disco se segue nova digressão, primeiro em salas convencionais europeias, depois pelos festivais de verão.

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