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quinta-feira, dezembro 04, 2014

Novas edições:
Antony and The Johnsons

“Turning”
Secretly Canadian
4 / 5

Pode ser uma banda sonora mas, ao mesmo tempo, é também um disco gravado ao vivo, documentando memórias de 2006 num tempo em que Antony Hegarty contou com a colaboração do realizador Charles Atlas para criar uma experiência em palco que explorasse questões ligadas com a identidade de género. Questões e experiências que ganharam depois expressão no filme Turning – onde ambos são necessariamente protagonistas – e do qual surge finalmente este retrato. Estão aqui o filme – em DVD – mas também o registo áudio de uma presença em palco cénica e instrumentalmente elaborada. Com a presença de instrumentação bem mais variada que em muitas das digressões habituais de Antony and The Johnsons, o registo de palco documenta assim uma sucessão de leituras com arranjos bem elaborados de canções na sua maioria retiradas do alinhamento dos seus primeiros álbuns, em alguns casos abrindo horizontes a outras que nasceriam discograficamente mais tarde. A atitude “de câmara” que preside à direção musical do espetáculo garante um sentido de unidade a peças de épocas distintas, integrando sobretudo ecos do álbum de estreia – como o belíssimo Cripple and The Starfish – num corpo comum onde a voz não é assim p único elo de ligação possível. São momentos de palco como este, onde se junta mais que uma soma simples dos acontecimentos já antes registados em disco, que justificam os grandes álbuns ao vivo. E este é claramente o mais cativante dos vários discos “ao vivo” de Antony & The Johsnons (mesmo que em algumas discografias seja essencialmente encarado como apenas uma banda sonora).

segunda-feira, agosto 27, 2012

Novas edições:
Antony & The Johnsons, Cut The World


Antony and the Johnsons 
“Cut The World” 
Secretly Canadian / Popstock
4 / 5

Não é um ‘best of’. Tecnicamente não o é... Mas na verdade não está longe de o ser, o alinhamento deste disco ao vivo gravado no ano passado em Copenhaga com a Danish Chamber Orchestra a partilhar o palco, mais não sendo que uma seleção de canções que, em pouco mais de dez anos (ou apenas sete, se pensarmos que até I’m A Bird Now quase ninguém lhe prestou atenção) fizeram de Antony Hegarty uma das mais únicas e aclamadas das vozes do nosso tempo. E quando falo em vozes não me refiro apenas ao canto (onde é único, de facto, assimilando heranças de uma Nina Simone a um Boy George, mas de forma indubitavelmente sua), mas a toda a expressão de uma identidade artística e até mesmo uma personalidade como figura que sabe que é afinal a diferença que existe entre nós a maior força que nos une como ser coletivo e social. É essa a voz que, logo após Cut The World, o tema-título que abre o disco (um inédito, que provém da peça de teatro The Life and Deadth of Marina Abramovic, de Robert Wilson), nos fala, durante mais de sete minutos, de uma mudança de paradigma de um poder patriarcal para um outro, matriarcal. De feminismo. Um outro feminismo. De se ser bruxa logo à nascença por se ser transgénero... Um discurso tranquilo no modo, mas pungente nas ideias. Arrebatador. Como se definindo um prólogo que nos transporta para o mundo que, depois, ganha expressão, cor, linhas, som, na mão-cheia de canções recuperadas das várias etapas da sua obra, porém sob novos (e magníficos) arranjos para orquestra. E aqui, como em tudo na obra de Antony, as opções não se fazem num caminho ou no outro, antes nos dois. Ou seja, tanto habita entre estas canções a lógica quase ambiental e minimalista que faz de Another World um canto de profunda solidão, como uma expressão de luxuriante sinfonismo, que povoa outros momentos. O alinhamento reencontra peças anteriores a I’m A Bird Now como The Cripple and the Starfish do álbum de estreia ou o single I Fell In Love With a Dead Boy. Deixa de lado algumas das magníficas versões que Antony costuma levar ao alinhamento dos seus concertos. Mas, e pelo valor das duas faixas inéditas e dos novos arranjos, mostra que, na hora de pensar um equivalente a um “o melhor de”, optou por nos dar, além disso, uma ideia de reinvenção e novidade. O ouvinte agradece.

quinta-feira, agosto 09, 2012

Antony: imagens cortantes

Willem Dafoe está no novo teledisco de Antony Hegarty, ou melhor, Antony and the Johnsons: chama-se Cut the World e serve também de título a um novo álbum, feito no essencial de novas versões de temas de álbuns anteriores, agora ao vivo com a Orquestra de Câmara Nacional da Dinamarca (e arranjos de Nico Muhly, Rob Moose, Maxim Moston e Antony).
Com realização de Nabil Elderkin, Cut the World faz jus ao seu título — uma história literal e simbolicamente cortante, sanguínea q. b., espalhando um perfume perturbante de feérica ambiguidade sexual. Aliás, noutra faixa do álbum, intitulada Future Feminism, Antony declama um texto com tanto de stand up como de confissão, formulando um princípio existencial: "(...) estou muito interessado na feminização das divindades." Em resumo: um acontecimento que, apetece dizer, corta a direito.


For so long i've obeyed that feminine decree
I've always contained your desire to hurt me

But when will i turn and cut the world?

My eyes are coral, absorbing your dreams
My skin is a surface to push to extremes
My heart is a record of dangerous scenes

But when will i turn and cut the world?

>>> Site oficial de Antony and the Johnsons.

terça-feira, junho 19, 2012

Para revisitar os Fleetwood Mac



Vem aí Just Tell Me That You Want Me, um tributo aos Fleetwood Mac, com alinhamento pleno de nomes de primeiro plano, de Marianne Faithfull a Antony, dos MGMT a Lee Ranaldo. A edição é da Hear Music (a editora associada aos cafés Starbucks) e está agendada para meados de agosto. Aqui fica para escuta a contribuição dos New Pornographers. E o alinhamento, tal e qual o avançou a Pitchfork.

Lee Ranaldo Band [com. J Mascis]: "Albatross"
Antony: "Landslide"
Trixie Whitley: "Before The Beginning"
Billy Gibbons & Co.: "Oh Well"
Best Coast: "Rhiannon"
The New Pornographers: "Think About Me"
Marianne Faithfull: "Angel"
Lykke Li: "Silver Springs"
Karen Elson: "Gold Dust Woman"
Matt Sweeney e Bonnie 'Prince' Billy: "Storms"
Washed Out: "Straight Back"
Tame Impala: "That's All For Everyone"
Craig Wedren com St. Vincent: "Sisters of the Moon"
The Kills: "Dreams"
Gardens & Villa: "Gypsy"
The Crystal Ark: "Tusk"
MGMT: "Future Games"

segunda-feira, maio 28, 2012

Anthony e a música coral

Antony tem um ano de agenda cheia pela frente. Recentemente anunciou um novo álbum – Cut The World, feito de leituras de orquestra de algumas das suas canções, a editar a 7 de agosto – tem uma digressão pela frente (que passa por Cascais a 25 de julho, em concerto conjunto com a orquestra Sinfonietta de Lisboa) – e agora podemos ouvir uma nova canção sua no trailer de um filme. A canção, Rise, integra assim a banda sonora de Coral Rekindling Venus, de Lynette Wallwort, literalmente um mergulho no mundo dos corais.



Imagens do trailer do filme, ao som da canção de Antony and The Johnsons Rise está disponível para download no site do filme, mediante uma pequena contribuição para o Australian Research Council Centre for Excelence for Coral Reef Studies.