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sexta-feira, maio 27, 2016

Adult Jazz, opus 2

Os Adult Jazz estão de volta. Dois anos depois do magnífico Gist Is, os britânicos de Leeds apresentam Earrings Off!, segundo álbum que elege a dialéctica corpo/sociedade como tema aglutinador das suas canções. O menos que se pode dizer do primeiro tema divulgado, Eggshell, é que a sua liberdade poética volta a enraizar-se num gosto experimental que será jazzístico, pelo menos, no espírito — o teledisco, austero e magnífico, tem realização de Sam Travis.

I stuff my courage with a sock
I stuff my courage and I know what's going on
And now the language is stuck
Maybe the language doesn't know what's going on

I shrug my luggage off
I shrug my luggage and be painless in a month
I will be holy and bold
Without a handle, as a doll with only a bump

And my body cases lead smoke
Like an eggshell full of black wool

I stuff my courage with some socks
I stuffed my courage, strutted foxy like a fox
And if the body is a rock
Rock body tell me what I'm not

I mark a circle on the floor
I take a breath, and then a toothbrush to my core
And it's a sacred fight
I mist the mirror and it tells me that I'm right

And my body cases lead smoke
Like an eggshell full of black wool

A boy with a bow or a girl without one
A boy with a bow or a girl without one
Is easier said than done
I'm pacing up the edge of my room
Half-proud

Compulsory, essential song
Each line
I sing along, I know that it's wrong
Even now
I still feel fear
Feel caked in wrong
It's in the bell curve
I lick along
And get moral feelings

We'll feast on moths
With salted wings
We'll drink the blood of anything
So let's talk
Creature to creature

segunda-feira, janeiro 05, 2015

30 discos de 2014 (J. L.)

Foi o ano da plena revelação de um dos álbuns mais electrizantes de Miles Davis: Miles at the Fillmore reúne os sons de quatro dias (17/20 Junho 1970) no Fillmore East, Nova Iorque, levando-nos a redescobrir um artista de génio numa encruzilhada fascinante entre o património acumulado e a vertigem da experimentação: é um álbum sem tempo, clássico pela excelência, moderno em qualquer conjuntura — e se é preciso escolher um disco do ano, este será o meu.
Em todo o caso, que o leitor não se iluda com a abundância, porventura deselegante, desta lista. Não são 30 discos porque queira fazer valer a quantidade. O excesso é, aqui, sintoma das próprias limitações que não posso deixar de me reconhecer: acredito que não ouvi com a devida atenção (ou, pura e simplesmente, não ouvi) muitos outros que, por certo, mereciam um destaque neste balanço. Digamos que estes podem condensar um panorama de géneros (e séculos!) cujos contrastes nos levam a experimentar a deslocação criativa das próprias fronteiras musicais — didacticamente, ou talvez não, aqui ficam por ordem alfabética dos respectivos títulos.

* The Art of Conversation, KENNY BARRON & DAVE HOLLAND



* Charlie Haden & Jim Hall, CHARLIE HADEN & JIM HALL

* Familiars, THE ANTLERS


* Gary Clark Jr. Live, GARY CLARK JR.

* Gist Is, ADULT JAZZ

* Gone Girl, TRENT REZNOR & ATTICUS ROSS

* The Great Lakes Suites, WADADA LEO SMITH

* High Hopes, BRUCE SPRINGSTEEN



* Last Dance, KEITH JARRETT / CHARLIE HADEN

* Macroscope, THE NELS CLINE SINGERS

* Manipulator, TY SEGALL

* Meshes of Voice, SUSANNA / JENNY HVAL


* The Rite of Spring, THE BAD PLUS

* Road Shows, Vol. 3, SONNY ROLLINS

* Ryan Adams, RYAN ADAMS

* Singles, FUTURE ISLANDS

* Small Town Heroes, HURRAY FOR THE RIFF RAFF

* Songs, DEPTFORD GOTH

* Spark of Life, MARCIN WASILEWSKI TRIO & JOAKIM MILDER

* Stravinsky: Le Sacre du Printemps & Petrouchka, LES SIÈCLES / FRANÇOIS-XAVIER ROTH


* To Be Kind, SWANS

* Trialogue, WESSELTOFT SCHWARZE BERGLUND

* Ultraviolence, LANA DEL REY

quinta-feira, julho 31, 2014

Adult Jazz: the next big thing?

Os Adult Jazz estão disponíveis, para audição, na NPR. Ao apresentá-los, Tom Moon atreve-se (e muitíssimo bem!...) a evocar a herança plural, complexa e difícil de Frank Zappa (e também os King Crimson e os Dirty Projectors). Que é como quem diz: estamos perante uma banda que, à maneira de muitos colectivos contemporâneos, exibe uma abundante colecção de referências (enraizadas sobretudo na Net?) que, em qualquer caso, nunca se impõe como razão "escolar" do seu trabalho — o que conta é o desafio sistemático ao próprio conceito de canção, de acordo com uma lógica que procura menos a estabilização académica de um "estilo" e mais a criação de genuínas aventuras narrativas.
Apetece dizer, por isso, que na sua frondosa diversidade, o álbum de estreia dos Adult Jazz — Gist Is — se escuta como quem lê um romance em que a personagem central é a própria sensualidade dos contrastes que a música pode acolher. Sem esquecer, claro, a delicada inquietação lírica de tudo isto (por exemplo, no tema Springful):

Right honor, coat of armor
And I'm proud
Let my left die, dreams are led like
And I'm down
Still a lover but no further
Then a board game
Still a lover but for sugar
In my vein

São de Leeds e, de acordo com uma entrevista no Stereogum, dizem frases maravilhosas como "as mãos e os gestos são coisas semanticamente tão ambíguas" (a propósito da capa de Gist Is). Há neles uma educada insolência juvenil que justifica o rótulo adulto no seu nome. E mesmo se é verdade que os Adult Jazz não serão, em rigor, um projecto de jazz, a ideia de que tudo é possível justifica a conotação jazzística desse mesmo nome.
Eis o teledisco de Springful, seguido do som do imenso e sinfónico Spook. E se eles não forem the next big thing, não creio que haja muitos outros para reivindicar o epíteto — em qualquer caso, os Adult Jazz são um caso exemplar de singularidade criativa.