Mostrar mensagens com a etiqueta imagens que ninguém vê. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta imagens que ninguém vê. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, janeiro 18, 2011

As imagens que ninguém vê (V)


São imagens e palavras que todos vemos, mas que descartamos como neutras ou indiferentes — em boa verdade, é como se não as víssemos.

[I] [II] [III] [IV]

Assim mesmo: em plena página de alinhamento dos mails, um convite para arriscar um palpite. Não para adivinhar quem vai ganhar a principal liga de futebol. Nada disso... Desta vez, a coisa é tão séria (as eleições presidenciais) que foi preciso arranjar um prémio adequado (um Mercedes)... Se queremos saber por onde passa, todos os dias, a irrisão da política, deparamos aqui com uma esclarecedora porta de entrada. Pelo caminho, podemos até relançar a mais básica pergunta que este imaginário de "festa & concursos" não pode deixar de suscitar: porque é que os políticos portugueses nada dizem sobre esta infantilização galopante da sociedade portuguesa? Entretanto, podemos descobrir a ironia de não ter meios para sustentar o automóvel que nos arriscamos a ganhar.

domingo, janeiro 16, 2011

As imagens que ninguém vê (IV)


São imagens e palavras que todos vemos, mas que descartamos como neutras ou indiferentes — em boa verdade, é como se não as víssemos.

[I] [II] [III]

E deparamos com a "adivinhação" do futuro transformada em mercadoria também na Internet. Porventura inevitável em função da vulgaridade mercantilista dos nossos tempos, o anúncio resume bem a lógica de instrumentalização figurativa que nos rege: a imagem do bébé remete para um ser imponderável, de toda a gente e de ninguém, puro signo sem história — nem direito a ela. A "democracia" online faz com que exista outra versão do mesmo anúncio com o laço de cor azul...

domingo, janeiro 09, 2011

As imagens que ninguém vê (III)


São imagens e palavras que todos vemos, mas que descartamos como neutras ou indiferentes — em boa verdade, é como se não as víssemos.

[I] [II]

A pobreza estética desafia, aqui, qualquer hipótese ou intenção de criatividade. No sistema iconográfico das telenovelas, assumido e multiplicado por um sector importante da imprensa, prevalece mesmo uma homogeneização cruel: actores e personagens equivalem-se nas respectivas descrições, sendo tratados como entidades intermutáveis, a ponto de já ninguém ter direito a ser distinguido pela sua identidade. É um processo de sistemática e quotidiana desumanização — e o mais chocante é que a maior parte dos actores não reage, de nenhum modo, à sua obscena instrumentalização.

terça-feira, janeiro 04, 2011

As imagens que ninguém vê (II)


São imagens e palavras que todos vemos, mas que descartamos como neutras ou indiferentes — em boa verdade, é como se não as víssemos.

[I]

O pano de fundo de Morangos com Açúcar é para ser tomado à letra. Que é como quem diz: uma imagem supostamente "genérica", fornecendo, precisamente, um pano de fundo para as matérias do site. Nele se consagra a extraordinária asseptização a que têm sido sujeitas as personagens dos jovens, aliás em clara consonância com o imaginário visual e dramático das telenovelas (neste caso, com a caução suplementar do "Natal"). No limite, o jovem já só é representado como uma marioneta feliz (a "felicidade" é o produto base deste universo comercial) de acesso ao consumo. Passado poucos anos, as mesmas personagens surgirão em anúncios de cerveja, quase sempre em cenas machistas promovidas por "eles" e toleradas por "elas".

segunda-feira, janeiro 03, 2011

As imagens que ninguém vê (I)


São imagens e palavras que todos vemos, mas que descartamos como neutras ou indiferentes — em boa verdade, é como se não as víssemos.

Nas caixas de e-mail, o amor passou a ser um teste disponível... Não que avaliar o amor seja uma actividade estranha aos humanos: de Shakespeare a Godard, a tragédia pode mesmo definir-se como o espaço de coexistência do amor dos homens e das exigências dos deuses, sempre com um saldo difícil (trágico, hélas!). Mas o que aqui se encena é de outra dimensão: pede-se (exige-se?) ao consumidor que ceda a sua intimidade a mecanismos de avaliação pueris e frívolos, dados como fiáveis, porventura científicos. Não poucas vezes, fazemos click — é essa a nova tragédia.