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sábado, março 28, 2026

Gus Van Sant desmonta as perversões televisivas

Dacre Montgomery e Bill Skarsgård: do "fait divers" ao drama social

Gus Van Sant inspira-se num “fait divers” de 1977, na cidade de Indianapolis, para analisar o papel social do directo televisivo: Crime em Directo é um dos grandes filmes americanos de 2025 — este texto, com algumas adaptações, tem como base um artigo publicado no Diário de Notícias (25 fevereiro).

Os Oscars deste ano estavam recheados de filmes invulgares: Hamnet, Marty Supreme, Batalha Atrás de Batalha, etc. O certo é que a curiosidade cinéfila gosta de perguntar: quem ficou de fora?... Pois bem, aí temos uma resposta eloquente: Crime em Directo, de Gus Van Sant, um dos títulos mais admiráveis da produção americana de 2025, ficou a zero nas nomeações, e também não surgiu nas listas de prémios das associações de profissionais da indústria ou de críticos dos EUA.
O ponto de partida pertence a um modelo de ficção muito na moda: a adaptação de um caso verídico. Seguimos as surreais atribulações vividas por Tony Kiritsis (1932-2005), cidadão de Indianapolis, Indiana. Em falta no pagamento de uma hipoteca relacionada com a posse de uma valiosa propriedade imobiliária, Kiritsis (notável interpretação de Bill Skarsgård) solicitou um adiamento à entidade financeira, Meridian Mortgage Company, com que assinara um contrato. Depois de sucessivas respostas negativas, no dia 8 de fevereiro de 1977, Kiritsis decidiu “resolver” o seu problema usando uma arma de fogo, fazendo refém Richard Hall (Dacre Montgomery), um dos dirigentes da Meridian Mortgage, exigindo um pedido formal de desculpa e uma compensação de 5 milhões de dólares... Tudo em directo na televisão!
O título original, Dead Man’s Wire, decorre do facto de Kiritsis ter usado um fio metálico para “prender” a sua espingarda ao pescoço de Hall, desse modo dissuadindo as forças policiais de qualquer acção que pudesse pôr em causa a vida do refém. Tendo em conta que podemos conhecer na Internet os arquivos de tudo o que aconteceu — incluindo um video da delirante conferência de imprensa em que Kiritsis quer que “todo o mundo” reconheça a justeza das suas reivindicações —, o menos que se pode dizer é que o génio narrativo de Gus Van Sant sabe olhar o “fait divers” sem o reduzir à caricatura. No seu infantilismo, Kiritsis tem tanto de patético como de verdadeiramente ameaçador — o filme é sobre a sua transfiguração em fenómeno social.
O título português, Crime em Directo, condensa uma componente essencial do que está a acontecer. Assim, a transmissão em directo da agitação protagonizada por Kiritsis expõe o efeito ambíguo, de uma só vez cognitivo e moral, da presença do aparato televisivo no interior do próprio acontecimento — é uma presença capaz de gerar um simulacro de tribunal com que, nos dias que correm, se confundem as mais medíocres matrizes jornalísticas.

Uma estética realista

Vem à memória Um Dia de Cão (1975), de Sidney Lumet, filme admirável da época a que Gus Van Sant agora regressa, também em torno de uma situação verídica (um assalto a um banco), transmitida e ampliada pelo directo televisivo. Aliás, tal paralelismo é mais do que uma curiosidade, já que Crime em Directo se assume como parente próximo da estética realista em que Lumet se distinguiu — da escolha dos enquadramentos até ao ritmo da montagem, sem esquecer a direção fotográfica de Arnaud Potier. Com um pormenor a sublinhar: Al Pacino, protagonista de Um Dia de Cão, surge agora na personagem de M.L. Hall, pai de Richard e patrão arrogante da empresa com que Kiritsis fez a sua hipoteca.
O trabalho de Gus van Sant nunca foi estranho a essa tensão entre o que acontece e as suas diferentes percepções, por vezes mergulhando no poço sem fundo da tragédia — lembremos o incrível Elephant, Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2003. Sobre as perversões dos valores televisivos, lembremos também Disposta a Tudo (1995), misto de “thriller” e comédia centrado numa personagem que quase desapareceu dos ecrãs televisivos (uma apresentadora de meteorologia) e também uma das primeiras grandes interpretações de Nicole Kidman.

>>> Trailer de Crime em Directo.



>>> Gus Van Sant e Bill Skarsgård numa conversa no BFI (Londres), em novembro de 2025.

sábado, maio 04, 2019

Gus Van Sant no Japão

Matthew McConaughey e Ken Watanabe
Demorou, mas chegou: quatro anos depois da sua passagem no Festival de Cannes, aí está O Mar de Árvores, filme de Gus Van Sant centrado na viagem de um americano que escolhe uma floresta japonesa para se suicidar — este texto foi publicado no Diário de Notícias (27 Abril).

Há filmes que, de forma mais ou menos brutal, são excluídos da vida comum do cinema. São filmes que, por uma razão ou por outra, escapam aos códigos correntes do espectáculo cinematográfico, sendo por isso “castigados” com uma compulsiva marginalização. Esta semana, quatro anos depois da sua revelação no Festival de Cannes, chega ao mercado português um desses filmes: O Mar de Árvores (título original: The Sea of Trees), de Gus Van Sant.
Não se trata, entenda-se, de colocar a questão no plano banal da avaliação, opondo de forma pueril o “gosto muito” ao “não gosto nada” (se isso é importante para o leitor, acrescento, desde já, que pertenço ao primeiro desses grupos). Trata-se, isso sim, de constatar a dramática desvalorização do cinema como fenómeno vital, isto é, ligado às nossas vidas.
Assim, por todo o lado, desde os debates televisivos mais ou menos gritados à agitação impessoal da Internet, encontramos vozes a proclamar a urgência de uma revalorização da dimensão espiritual da vida humana. Pois bem, O Mar de Árvores não é sobre outra coisa.
Tudo começa com a chegada de Arthur (Matthew McConaughey) ao Japão, mais concretamente à floresta de Aokigahara na base do Monte Fuji. O seu projecto é linear: na sequência da morte da mulher, Joan (Naomi Watts), que iremos conhecer através de vários “flashbacks”, Arthur decidiu suicidar-se, escolhendo esse local lendário conhecido como a “floresta dos suicídios”. Na sua metódica viagem, Arthur irá ser acompanhado por um japonês, Takumi (Ken Watanabe), presente no mesmo cenário, com o mesmo objectivo...
O menos que se pode dizer desta tosca sinopse é que passa ao lado da pulsação vital (por oposição a mortal) do trabalho de Gus Van Sant. E escusado será sublinhar a importância figurativa dos elementos naturais. O cineasta de alguns notáveis filmes sobre adolescentes (Elefante, Paranoid Park, etc.) encena, aqui, uma sensação que, no limite, podemos reconhecer como elemento transversal de toda a sua obra. A saber: a impossibilidade de algum reencontro com uma pureza original, já que a Natureza não existe a não ser como componente instável e enigmática (ainda que “natural”) da dimensão humana.
Para além do enigma “policial” (Arthur irá ou não consumar o seu projecto suicida?), O Mar de Árvores expõe o intricado e intrigante enlace da vida humana com a irredutibilidade da morte. Por mais estranho que isso possa parecer, trata-se de um filme libertador, capaz de encontrar no labor da ficção energias (imagens e sons) para lidarmos com o silêncio indizível que pontua a vulnerabilidade humana.
O que, enfim, no contexto actual, não deixa de envolver uma cruel ironia. Observe-se como a pacatez de pensamento de Vingadores: Endgame tem servido (sobretudo nos espaços “juvenis” da Net) para patéticas discussões sobre os cruzamentos do Bem e do Mal, da Vida e da Morte. Curiosamente, Gus Van Sant não filma outra coisa... e “ninguém” lhe dá atenção. Por isso, mais do que nunca, está na ordem do dia a reconquista desse valor que o filósofo celebrou. A saber: a leveza do riso.

segunda-feira, abril 01, 2013

Na América de Gus Van Sant

Seja qual for o contexto de produção, Gus Van Sant continua a ser um paciente analista das tensões internas do seu país — este texto foi publicado no Diário de Notícias (28 Março), com o título 'Uma nova visão da ecologia'.

A caracterização de Gus Van Sant como cineasta “independente” sempre gerou equívocos mais ou menos moralistas. Ora, as suas raízes (Mala Noche, 1986) estão na produção mais distante dos grandes estúdios, mas isso nunca o afastou desses estúdios nem dos actores com mais forte apelo comercial. Recordemos que já dirigiu Nicole Kidman (Disposta a Tudo, 1995), Sean Connery (Descobrir Forrester, 2000) ou Sean Penn (Milk, 2008). Terra Prometida é mais um filme que congrega o melhor de dois mundos: por um lado, apresenta chancela de distribuição de uma “major”, a Universal; por outro lado, foi produzido pela Focus Features, precisamente a empresa da Universal vocacionada para projectos mais ou menos independentes.
Curiosamente, tudo isto acontece num filme em que, mais do que nunca, Van Sant invoca a nobre herança clássica que se cristaliza nas parábolas sociais filmadas por Frank Capra: Mr. Smith Goes to Town/Doido com Juízo (1936), com Gary Cooper, e Mr. Smith Goes to Washington/Peço a Palavra (1939), com James Stewart. Reencontramos, assim, um modelo narrativo em que tudo se decide a partir do confronto entre os valores mais impessoais (os investimentos de uma grande empresa de gás natural) e a vida de uma pequena “tribo” humana (a comunidade rural que essa empresa quer mobilizar).
Sem abdicar das nuances da psicologia individual, Van Sant consegue fazer um filme sobre temas quentes da ecologia contemporânea, contornando qualquer facilidade panfletária (pró ou contra). Em última análise, este é um cinema que se decide sempre no notável trabalho dos actores: Matt Damon, Frances McDormand, John Krasinski e o veterano Hal Holbrook são o testemunho da subtileza desse trabalho, sempre tão importante para os americanos, dentro e fora de Hollywood.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Os melhores filmes de 2011

J.L.: Para onde vai o cinema quando, cada vez mais, muitos dos seus espectadores foram educados numa cultura de downloads (mais ou menos legais)? Talvez que, roubando uma expressão a Marguerite Duras, possamos dizer que o cinema caminha para a sua perdição. Não por “culpa” desses espectadores – não se trata de pregar moral à maneira da ideologia televisiva dominante. Acontece que, cada vez mais, há uma linha muito nítida que separa os filmes que procuram preservar um gosto primitivo do cinema e todos os que parecem apenas concebidos para satisfazer uma lógica de difusão gerida pelos valores tecnocratas do marketing mais grosseiro (e menos cinéfilo). Não são os downloads, é a falta de cinema no meio disto tudo... Afinal de contas, o filme de Monte Hellman, Sem Destino [foto], sobre uma equipa que está a fazer um filme com uma câmara digital, chama-se no original Road to Nowhere – à letra: “estrada-para-nenhum-lugar”. Voilà!

FILME SOCIALISMO, de Jean-Luc Godard
A AUTOBIOGRAFIA DE NICOLAE CEAUSESCU, de Andrei Ujica
UM MÉTODO PERIGOSO, de David Cronenberg
A CONSPIRADORA, de Robert Redford
CRAZY HORSE, de Frederick Wiseman
SEM DESTINO, de Monte Hellman
VÉNUS NEGRA, de Abdellatif Kechiche
O MIÚDO DA BICICLETA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
A ÁRVORE DA VIDA, de Terrence Malick
ISTO NÃO É UM FILME, de Mojtaba Mirtahmasb e Jafar Panahi


N.G.: Se repararmos, havia já nos filmes anteriores de Terrence Malick sinais de uma demanda que apontava no sentido da busca de uma obra maior na qual, sem perder uma medula narrativa, o cinema buscasse antes um espaço mais próximo da relação poética que podemos ter com a música. Se A Árvore da Vida representa ou não o cumprir desse caminho, mas o certo é que, sem quaisquer sinais de ruptura face à sua obra anterior, no filme que estreou este ano (e que venceu Cannes) Malick concebe aquela que é não apenas a sua obra maior (até este momento) como aqui atinge um daqueles raros momentos que, certamente, a história do cinema nunca esquecerá. Pelos ecos da memória, buscando a redenção, olhando não apenas a “acção” e protagonistas mas também o que sentem e o mundo em seu redor, escutando na música (que vai de Preisner a Berlioz passando por Mahler, Resphigi ou Gorécki) ideias afinal tão determinantes como as imagens para o todo que procura. O ano viveu ainda de histórias (e imagens) vividas longe da cidade, contando-nos a vida do filho de um apicultor turco (Mel), a história de dois estagiários numa quinta alemã (Stadt Land Fluss) ou a odisseia, em espaços sem estradas do Oregon, de uma caravana do século XIX (O Atalho), esta última mostrando que o western pode ser ainda cenário onde há novos pontos de vista a explorar. Dois notáveis filmes de Gus Van Sant e dos irmãos Dardenne completam a etapa de ficção de uma lista que soma três documentários, sinal da cada vez mais marcante presença deste espaço no panorama cinematográfico do nosso tempo.

1 . A Árvore da Vida, de Terrence Malick
2 . Mel, de Semih Kaplanoglu
3 . Sangue do meu sangue, de João Canijo
4 . Stadt land Fluss, de Benjamin Cantu
5 . Inquietos, de Gus Van Sant
6 . O miúdo da bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
7 . An angel van Doel, de Tom Fassaert
8 . Não é na terra, é na lua, de Gonçalo Tocha
9 . O Atalho, de Kelly Reichatdt
10 . Histórias de Shanghai - Quem me dera saber, de Zhang Ke Jia

terça-feira, novembro 15, 2011

A morte fica-lhe tão bem

Henry Hopper e Gus Van Sant
— rodagem de Restless
Fiel às personagens mais jovens, Gus Van Sant continua a fazer um cinema que transcende as gerações e as suas barreiras. Incluindo a barreira da morte: Inquietos/Restless é um filme sobre um jovem que frequenta funerais e também um exercício sobre os limites com que encenamos a nossa própria vida — este texto foi publicado no Diário de Notícias (12 de Novembro).

Enoch Brae (Henry Hopper), o herói do filme Inquietos/Restless, não é deste tempo. Não pertence, pelo menos, a essa histeria de êxtases com que o mundo televisivo e publicitário representa os mais novos: os jovens surgem quase sempre como patetas risonhos cuja identidade depende do telemóvel que usam e da marca de cerveja que escolhem ou, então, distinguem-se por dar pulos quando para eles se aponta uma câmara... Enoch é uma pessoa séria. A sua actividade mais regular consiste em frequentar cerimónias fúnebres. Não sabemos bem porque o faz, nem o filme gasta tempo a racionalizar o seu comportamento. Aliás, tendo em conta que há um fantasma de um kamikaze japonês que o visita com frequência, convenhamos que a racionalização não é a coisa mais importante para a realização de Gus Van Sant. Trata-se apenas de verificar que a convivência com a morte não é o contrário da vida, mas uma estranha e tocante forma de intensificação dos seus factos e valores.
Como todos os aventureiros à deriva, Enoch terá que lidar com o reverso da sua modesta utopia: o encontro com Annabel (Mia Wasikowska) implicará o reconhecimento de que não há fronteira nítida entre a morte dos outros e a nossa própria morte. A tal descoberta podemos dar muitos nomes: filosofia, amor, religião... Em todo o caso, o filme de Gus Van Sant faz-se da serena coexistência de todos esses elementos, díspares na sua lógica, cúmplices na sua expressão. É um filme contra o determinismo dos tempos e essa obscenidade com que nos querem fazer existir apenas em função de um rótulo (familiar, social ou geracional). O seu lema poderia ser a célebre frase de Jean Cocteau: “O cinema filma a morte no trabalho.” Não parece, mas é uma comédia.

sábado, novembro 05, 2011

Lisbon & Estoril Film Festival 2011 (dia 2)


Foi perante as imagens de Restless (que entre nós vai ter em breve estreia como Inquietos), de Gus Van Sant, que abriu ontem (em Lisboa) a edição 2011 do agora designado Lisbon & Estoril Film Festival.

Dois estranhos que se conhecem. Esta é das premissas mais velhas da ficção (e na verdade das vidas de todos nós). Mas estes dois conhecem-se num velório. Ela (interpretada por Mia Wasikowska) está sentada, despedindo-se. Ele (Henry Hopper) é apenas um estranho. Que ali passa porque não faz outra coisa senão assistir a velórios de pessoas que nunca conheceu. Veste-se de negro, fato antigo, botas altas e gravata... Mas terá as suas razões para ali estar... Ela observa-o, procura comunicar, mais tarde entende-lo. Ele, habituado a falar com Hiroshi, um fantasma de um aviador kamikaze que se despenhara contra o alvo no já longínquo 1941, encontra nela uma companhia diferente. E ela, afinal uma doente terminal com um tumor, e ele o companheiro que não esperava num momento em que não tem senão três meses pela frente.

Gus Van Sant, um dos mais interessantes realizadores do cinema independente norte-americano do nosso tempo, tem desenhado uma carreira capaz de conciliar (de forma rara, é certo) uma pulsão mais autoral (como são os bilhantes exemplos de Elephant, Gerry ou Paranoid Park) com episódios mais próximos de uma certa linguagem ‘mainstream’ (como em Disposta a Tudo ou, mesmo Milk). Inquietos está algures entre os dois mundos, formalmente talvez mais perto de uma ideia de cinema para grandes plateias, todavia mantendo claros alguns interesses que passam por alguns dos seus filmes mais pessoais (nomeadamente o tema da morte, uma relação com a música alternativa e um recurso aos espaços físicos ao seu redor como cenários para a narrativa que nos apresenta). Longe de ser um filme bicéfalo, Inquietos resolve de forma delicada o que poderia parecer haver de desafiante num encontro entre esses dois rumos na obra de Van Sant. Com boa direcção de actores, belíssima música (partitura original de Danny Elfman e canções de Sufjan Stevens ou Nico), um argumento que sabe não tropeçar nas armadilhas da lágrima fácil de um Love Story mas, ao mesmo tempo, manter todo um programa emotivo como tutano que alimenta a narrativa e um saber (já várias vezes demonstrado) no encontrar de bom relacionamento entre espaço e acção, Inquietos é, afinal, uma bela surpresa. E confirma, depois do já sólido Milk, que o realizador parece ter encontrando uma forma de lidar com os seus projectos para o grande público (longe portanto dos equívocos que deitaram por terra os menos interessantes Descobrir Forrester ou O Bom Rebelde).

Podem ler aqui a programação para hoje.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Filme de episódios para os 60 anos de Cannes

David Cronenberg, Manoel de Oliveira, Alejan-dro González Iñárritu, Nanni Moretti e Gus Van Sant são alguns dos autores do filme Chacun son Cinéma, produzido pelo Festival de Cinema de Cannes para comemorar a sua 60ª edição. De acordo com um comunicado de Gilles Jacob, presidente do certame, 35 realizadores (dos cinco continentes e de um total de 25 países) foram convidados a exprimir-se, de forma brevíssima — 3 minutos — sobre o seu actual estado de espírito "inspirado pela sala de cinema". Nenhum dos autores viu os fragmentos dos outros, não tendo sequer qualquer informação sobre as respectivas sinopses. O resultado, sublinha Jacob, é "surpreendente" e "improvável". Por exemplo, "[Wim] Wenders filmou no Congo, Tsai Ming Liang em Kuala Lumpur e Cronenberg... na casa de banho!"
O conjunto das 35 contribuições forma uma longa-metragem, a apresentar no dia 20 de Maio, em sessão especial do Festival (esta 60ª edição decorrerá entre 16 e 27 de Maio). É a seguinte a lista completa dos realizadores de Chacun son Cinéma:

* Theo Angelopoulos
* Olivier Assayas
* Bille August
* Jane Campion
* Youssef Chahine
* Chen Kaige
* Michael Cimino
* Ethan & Joel Coen
* David Cronenberg
* Jean-Pierre & Luc Dardenne
* Manoel De Oliveira
* Raymond Depardon
* Atom Egoyan
* Amos Gitai
* Hou Hsiao Hsien
* Alejandro González Iñárritu
* Aki Kaurismaki
* Abbas Kiarostami
* Takeshi Kitano
* Andrei Konchalovsky
* Claude Lelouch
* Ken Loach
* Nanni Moretti
* Roman Polanski
* Raoul Ruiz
* Walter Salles
* Elia Suleiman
* Tsai Ming Liang
* Gus Van Sant
* Lars Von Trier
* Wim Wenders
* Wong Kar Wai
* Zhang Yimou.