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quarta-feira, janeiro 04, 2012

Os melhores discos de 2011
Carlos Olivera


Em tempo de revisão do que aconteceu ao logo de 2011 hoje escutamos o melhor do ano segundo Carlos Oliveira, autor do blogue My Mother's Sleeping Pills. Um obrigado ao Carlos pela colaboração.

Sempre foi difícil eleger a minha banda favorita, ou qual é o meu álbum favorito porque sempre ouvi música em grandes quantidades (andava, e ando, sempre a ouvir música) e sempre gostei de muitas bandas ao mesmo tempo, como melómano que sou. Este ano, felizmente para mim, foi prolífico em descobertas de novas bandas e músicos, de novas músicas e sobretudo de uma incrível criatividade por parte de bandas e músicos que adoro e que, em alguns casos, há já muitos anos que os acompanho. Por estes motivos, não ordenarei por preferência os favoritos deste ano, representando, isso sim, aqueles 10 discos que se tivesse que escolher à pressa e só pudesse levar um número tão reduzido de discos, seriam certamente os que estariam mais à mão.

Bon Iver – Bon Iver
Black Keys – El Camino
Destroyer – Kaputt
Metronomy – English Riviera
The Horrors – Skying
St Vincent – Strange Mercy
James Blake – James Blake
PJ Harvey – Let England Shake
Low – C’mon
Eleanor Friedberger – Last Summer

Apostas para 2012
Os novos albuns dos The Shins - Port of Morrow e "Perfume Genius" "Put Your Back N 2 It", e os estreantes The Howler, Toy, Icona Pop e Theme Park.

domingo, janeiro 04, 2009

Herbie Hancock: um concerto de mestre

Permitam-me que proponha um encore do próprio blog. Ou seja: um dos mais brilhantes concertos de 2008, não visto, mas ouvido — via rádio.
Foi um dos momentos altos do Festival de Jazz de Newport: o concerto de Herbie Hancock com um colectivo de luxo, envolvendo os músicos Chris Potter (saxofone), Lionel Loueke (guitarra), Dave Holland (baixo) e Vinnie Colaiuta (bateria), e as vozes de Sonya Kitchell e Amy Keys. Como já é tradição, a rádio nacional americana, NPR, transmitiu esse e outros concertos em directo (no dia 10 de Agosto). Agora, podemos ouvi-lo na íntegra: são cerca de 80 minutos de uma lição de mestre, viajando desde os seus próprios clássicos (ouça-se a entrada do piano de Hancock em Cantaloupe Island) até algumas canções dos álbuns Possibilities (2005) e River - The Joni Letters (2007). Eis o alinhamento:

- Actual Proof (Herbie Hancock)
- River (Joni Mitchell)
- When Love Comes to Town (U2)
- A Song for You (Leon Russell)
- Cantaloupe Island (Herbie Hancock)
- Chameleon (Herbie Hancock)
- Seven Teens (Lionel Loueke) [encore]

Está tudo na área de concertos do site da NPR.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Figura do ano: Barack Obama (4/4)

A campanha de Barack Obama levantou um entusiasmo sem igual na história recente, sobretudo junto da comunidade artística, que respondeu à mensagem de “mudança” e contribuiu activamente das mais variadas formas. Os músicos deram concertos, recolhendo fundos. Will.I.Am marcou mesmo o ano com a criação de Yes We Can, uma canção feita a partir da colagem de fragmentos de discursos de Obama. Depois celebrou a vitória com nova composição. As artes visuais, contudo, marcaram mais que quaisquer outras o empenho de muitos, de artistas desconhecidos a anónimos. De citações de Warhol a apropriações de ícones da BD, partindo depois até onde a imaginação e técnica permitiram, a “Obama art” foi um dos marcos de 2008.

Robert Indiana, um dos nomes-chave da pop art, criou em 2008, para a campanha presidencial, uma nova peça a partir de uma variação do seu histórico “Love”. Chamou-lhe Hope. Uma primeira versão, em escultura, foi revelada publicamente no exterior do centro que acolheu a convenção democrática, em Setembro. Seguiu-se uma versão em poster, pin e T-shirt, cujas vendas reverteram em favor da recolha de fundos para as despesas da campanha eleitoral.

Frank Shepard Fairey (n. 1970), um designer gráfico, foi um dos nomes que maior visibilidade global ganhou na sequência de um envolvimento pessoal com a campanha de Obama. Estava já longe de ser um desconhecido. Com origens na cultura skate, começou por se fazer notar com a campanha de autocolantes “Andre The Giant Has a Posse”, que criou em 1989 enquanto estudava na Rhode Island School Of Design. O seu primeiro êxito nasceu da campanha “obey”, criada para o filme Eles Vivem, de John Carpenter, da qual nasceu uma linha de pronto-a-vestir. Em inícios de 2008, perante o cenário político norte-americano que desenhava já o mapa eleitoral, optou pot Barack Obama, e resolveu apoiá-lo, desenhando um poster. Contactou a campanha do candidato e uma primeira impressão do poster (que faria história), com 15 mil cópias, desapareceu num ápice. Ao longo do ano, à medida que a campanha evoluía, Frank criou variações desta imagem e outras mais. O “seu” Obama foi escolhido para a capa de Figura do Ano da Time. E a Smithsonian quer ter um na sua colecção.

A “Obama art” começou por se manifestar na rua, mas em pleno Verão de 2008 atingiu as galerias de arte e os museus de arte contemporânea. Não apenas nos EUA. Aqui fica um exemplo de uma peça de Michael Murphy, feita com cabos de alta tensão. Chamou-lhe “Tension”.

A “sreet art” cedo aderiu à campanha de Barack Obama. Os exemplos aqui são muitos, e surgiram por todas as cidades norte-americanas logo durante as primárias. Muitas vezes desenhados por anónimos...

... Outras vezes em campanhas criadas por designers. Como é este caso, com imagens assinadas por Dee.

O impacte e a variedade da criação da “Obama ãrt” foi tal que chegou mesmo a ser criado um blogue inteiramente dedicado a esta movimentação artística que marcou claramente 2008.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Figura do ano: Barack Obama (3/4)

Com o triunfo de Barack Obama nas presidenciais dos EUA, assistimos também ao triunfo de um estilo (popular), uma lógica (discursiva) e um pensamento (político) indissociáveis de uma atitude nova em relação aos meios de comunicação e, muito em particular, ao papel incontornável do espaço televisivo e da Internet.
A mais rudimentar justiça manda que se diga que Obama não pode ser apontado como único protagonista deste processo — se outras razões não houvesse, os debates em que John McCain e ele se confrontaram bastariam para nos lembrar que essas são questões que atravessaram (e continuarão a marcar) todo o espectro político, dentro e fora dos EUA.
Seja como for, a equipa de Obama terá sido a que mais e melhor compreendeu que a conjuntura cultural e tecnológica em que passámos a viver não pode ser encarada — e habitada — como um mero apêndice das regras tradicionais da acção política. Bem pelo contrário: o que está em jogo é a necessidade, prática e teórica, de repensar e transfigurar a herança dessas regras. Em qualquer caso, aconteça o que acontecer, uma coisa é certa: a presidência de Obama será fiel ao voto de mudança que, de princípio a fim, sustentou a sua campanha.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Figura do ano: Barack Obama (2/4)

Esta fotografia foi obtida a 19 de Maio de 2008, cerca de seis meses antes de Barack Obama ser eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos da América. Nela se regista um momento da visita do candidato aos índios Crow, no estado de Montana. Photo-op, como se diz na gíria mais ou menos cínica do jornalismo? Sim, sem dúvida, ou não se tivesse jogado esta eleição, mais do que qualquer outra, em qualquer país do mundo, no espaço multifacetado dos media. Mas muito mais do que isso: através das imagens e dos símbolos, Obama reabriu o imaginário histórico/mitológico da América à sua diversidade interior, colocando o seu discurso — e a sua prática — muito para além da oposição entre Branco e Negro.
Não é, de facto, um mundo a preto e branco, este em que Obama se situa e de que a sua presidência será uma fundamental pedra de toque. É antes um mundo de contrastes — e, por certo, também de contradições, difíceis e complexas — em que a dicotomia maniqueísta, preto E branco, pode ser superada pela pluralidade dialéctica, preto OU branco. Afinal de contas, era essa mesma agilidade simbólica que Michael Jackson cantava em Black or White — foi em 1991, o que apenas confirma algo de que, tantas vezes, por indiferença ou preconceito, nos esquecemos: a cultura pop é quase sempre mais rápida que o trabalho político.

Figura do Ano: Barack Obama (1/4)

Não há memória recente de um ano em que a escolha da figura que mais o marcou menos dúvidas levantou. Barack Obama foi não apenas o rosto, mas a força maior de um ano que viu as eleições presidenciais norte-americanos como um caso planetário. Era, como o próprio o afirmou, o candidato mais “improvável”. Negro, quase um ilustre desconhecido, distante das máquinas da alta política... Mas foi ele quem fez o momento. Começou por afastar Hillary Clinton da corrida à Casa Branca. E resistiu, Mr. Cool, a uma campanha onde a calúnia e o populismo tentaram, sem conseguir, travar a Obamania que invadiu a América. O expressivo voto popular, a 4 de Novembro, trouxe o primeiro capítulo a uma promessa de mudança, que terá 2009 como primeiro palco para a acção. Depois, revelando uma rapidez de resposta, deixou saber com quem ia trabalhar, quais eram as prioridades. Os gestos de primeiras consultas para uma eventual administração, lançados em Setembro (então sob crítica dos adversários, que o diziam estar a levar a carroça para a frente dos bois e de dar a corrida por ganha antes do tempo), deram uma vez mais razão a Obama. Estava preparado. Tinha equipa. E, se bem que só tome posse dia 20, a “sua” Casa Branca já tem a rodagem feita.

Obama foi o ícone de 2008. Foi retratado na pintura, na fotografia, no graffitti. Chegou à música. E dos seus livros (biografia, reflexões, discursos) fez alguns dos maiores best sellers do ano. Com o poder de atracção de uma estrela pop (os discursos em campanha mostraram-no), polarizou uma América descontente. E levou os mais novos, que se julgavam alheados da política (mas afinal não conheciam há muito quem a eles falasse), a intervir.
Com Obama a política ganha um novo paradigma. O da modernidade (no discurso, nas ideias, nas ferramentas de comunicação, na forma de angariar fundos para campanhas). O da seriedade (rejeitando, por exemplo, fazer de questões da vida pessoal dos adversários, como a gravidez da filha de Palin um alvo político). O da competência (preferindo falar aos canalizadores em vez de os levar ao palco para deles fazer maus oradores do tipo basta-juntar-água). Nasceu assim o modelo do político para o século XXI. (pena que sem a mínima correspondência, em que frente seja, por estes lados).

Os melhores de 2008: DVD

Terceira e última série de listas temáticas, hoje fazendo o levantamento dos melhores títulos editados em DVD ao longo do ano.

J.L.

Foi o ano em que Once/No Mesmo Tom, de John Carney, premiado com o Oscar de melhor canção, saíu... directamente em DVD. Que é como quem diz: está posta em causa a relação de equilíbrio e complementaridade entre salas e mercado de DVD. Não que seja possível "retroceder" a uma idade pré-video. Mas não é fácil perceber que vantagens tem o afunilamento da oferta nas salas, com o consequente lançamento de cada vez mais títulos em DVD, porventura acima daquilo que o mercado e o consumo conseguem integrar. Mas não simplifiquemos: o ano foi absolutamente frondoso nas áreas dos "clássicos" ou de outras obras que transcendem qualquer época — símbolo exemplar são as História(s) do Cinema [foto], monumento godardiano de celebração do cinema através do video. Sublinhe-se, em particular, que vários dos títulos a seguir nomeados são apenas um pequeno sintoma de uma (re)descoberta comercial do cinema europeu que merece a máxima atenção e incentivo — inclusive em termos de legislação.

1. História(s) do Cinema, Jean-Luc Godard (Midas)
2. Nos Lábios Não, de Alain Resnais (LNK)
3. Não Toquem no Machado, de Jacques Rivette (Atalanta)
4. Seis Contos Morais, Eric Rohmer (Atalanta)
5. O Dinheiro, Robert Bresson (Midas)
6. A Noite, Michelangelo Antonioni (Costa do Castelo)
7. O Evangelho Segundo São Mateus, Pier Paolo Pasolini (Costa do Castelo)
8. Moloch, Aleksandr Sokurov (Midas)
9. O Poder da Arte, Simon Schama (Lusomundo)
10. Eros, Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh e Wang Kar-Wai (LNK)

N.G.
.
Cada vez mais o DVD afirma uma lógica de complemento ao que os ecrãs não vêem (ou não revêem). Daí que, apesar da ginástica de extras e mais extras que acompanham muitos dos títulos novos (leia-se recentemente estreados) que chegam ao mercado, o mais interessante da produção em DVD se mostre noutros comprimentos de onda. O DVD como o cinema que não vemos no cinema (ou poucas vezes podemos ver). O DVD como a televisão que a televisão não mostra (ou lança em horários pouco práticos ou espaços secundários). O documentarismo, de que se falou já no balanço do cinema em sala, marca importante presença no lote de títulos que fizeram o melhor de 2008, destacando-se The Promise Of Music, um filme sobre o “sistema” venezuelano de orquestras de que hoje é rosto maior Gustavo Dudamel, uma reflexão sobre ao Joy Division por Grant Gee (evocando a banda como um fruto da sua cidade no seu tempo), um retrato de Arthur Russell ou um historial do cenário que permitiu, na Alemanha de finais de 60 e inícios de 70, o florescimento de uma nova música electrónica. Breve referência para o bom momento que a ficção televisiva continua a conhecer. E, no departamento da memoria, assinale-se uma soberba edição do Mishima de Paul Schrader e mais uma proposta de redescoberta do pioneirismo sci-fi de Ray Harryhausen.

1. The Promise Of Music, de Enrique Sánchez Lanson (Deutsche Grammophon)
2. As Curtas da Pixar, de vários realizadores (Disney/Zon Lusomundo)
3. Mishima, de Paul Schrader (Criterion)
4. 1984 (ópera de Lorin Maazel), de Brian Large (Decca)
5. A Linha da Beleza (série), de Saul Dibb (BBC/Prisvídeo)
6. Weeds 2 (série), de Jenji Kohan (Sony Pictures)
7. Joy Divsion, de Grant Gee (Midas)
8. Wild Combination: A Portrait Of Arthur Russell, de Chuck Russell (Plexi Film)
9. Harryhausen Collection (Sony Pictures)
10. Kraftwerk & The Electronic Revolution, de Thomas Arnold (Plastic Head)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Os melhores de 2008: filmes

Segundo dia de listas com os melhores de 2008, hoje revisitando aqueles que foram os filmes mais marcantes do ano.

J.L.

Crise — eis a questão. Crise do consumo, com a crescente descaracterização de muitas salas, cada vez mais transformadas em meras "lojas de atracções" de grandes centros comerciais. Crise do próprio cinema, muitas vezes iludido pelas proezas do digital (recurso fascinante, entenda-se) contra as potencialidades de imagens & sons para nos fazerem repensar a nossa frágil condição humana. Crise, enfim, do número de espaços de ideias e para as ideias, contrastando com o infantilismo grosseiro — tragicamente vazio de pensamento — que caracteriza muitas formas contemporâneas de intervenção pública, em particular na Net, desde o futebol ao... cinema. E, no entanto, eles movem-se... Quem? Os filmes, sem dúvida. Dos minimalistas (quem viu o assombroso filme espanhol que é A Solidão?) aos barrocos (Paul Thomas Anderson a trilhar os caminhos abertos por mestres da época de ouro de Hollywood), passando pelos genialmente geométricos (os Coen, finalmente, sem o estigma de se mostrarem "artistas", deram-nos um objecto de inusitada sofisticação formal e filosófica). Além disso, temos os mestres que não sabem envelhecer: os agitadíssimos corações de Resnais [foto], o risonho negrume do reaparecido Skolimowski ou o sentido trágico do sempre pedagógico Lumet vieram mostrar que é um erro irmos atrás da moda da juventude, aliás, da juventude como moda. Godard o disse, uma vez: "Prefiro os velhos." Para baralhar as contas, Manoel de Oliveira fez 100 anos, ensinando-nos, afinal, a esquecer as estatísticas e a amar o cinema.

1. Corações, de Alain Resnais
2. Alexandra, de Aleksandr Sokurov
3. Destruir depois de Ler, de Joel e Ethan Coen
4. Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson
5. No Vale de Elah, de Paul Haggis
6. A Solidão, de Jaime Rosales
7. Quatro Noites com Anna, de Jerzy Skolimowski
8. I’m Not There, de Todd Haynes
9. Antes que o Diabo Saiba que Morreste, de Sidney Lumet
10. A Ronda da Noite, de Peter Greenaway

N.G.
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Apesar das crises, várias, 2008 foi um ano cheio de ideias. Dos filmes que estrearam aos que passaram pela vasta programação dos diversos festivais que podemos seguir ao longo do ano, uma primeira soma de títulos sugere um retrato rápido que, todavia, aqui se não esgota. Da aceitação das mais clássicas heranças (narrativas e estéticas) à invenção de novas linguagens e soluções, de tudo um pouco. O destaque maior recai sobre um filme que traduz a lógica de fragmentação que é transversal à criação artística contemporânea e que reflecte ainda sobre a idade da divisão da atenção de quem vê pelos muitos ecrãs que encontramos pela frente. Trata-se de Fragmentos de Tracey, um claro fruto de uma cinematografia indie actual, e que conta com a música dos Broken Social Scene. Passou, contudo, a Leste das atenções. A música teve no cinema atenção especial este ano. O poético documentário sobre Patti Smith, que deverá ter estreia em sala brevemente entre nós, é exemplo de maturidade no documentarismo ligado ao universo rock’n’roll, que definitivamente ultrapassou já as armadilhas da linguagem televisiva que em tempos dominava o género. Filmes como os que Martin Scoresese e Grant Gee assinam, respectivamente, sobre os Rolling Stones e Joy Division, sublinham a ideia. O documentário, de resto, é género hoje sob a atenção quem inventa (e reinventa) o cinema. Filmes como Persepolis, de M Satrapi e V Ponnaraud ou Valsa Com Bachir, de Ari Folman (que, já mostrado em festivais, estreia esta semana entre nós), mostram como o recurso a abordagens habitualmente usadas na ficção (a animação, em concreto), revelaram este ano formas espantosas de contar o real.

1. Os Fragmentos de Tracey, de Bruce McDonald
2. Patti Smith: Dream Of Life, de Steven Sebring
3. Darjeeling Limited, de Wes Anderson
4. XXY, de Lucia Puenzo
5. Persepolis, de M Satrapi e V Ponnaraud
6. Otto, or up With Dead People, de Bruce LaBruce
7. Nós Controlamos a Noite, de James Gray
8. Valsa com Bachir, de Ari Folman
9. Wall-E, de Andre Stanron
10. Il Pranzo di Ferragosto, de Gianni di Gregorio

Canções de 2008 (7)

Convenhamos que desde inícios de 80 (bom, para não dizer finais de 70) que o mundo pop deixou de ver na Eurovisão um palco com qualquer interesse. E com razão... Não deixou por isso de surpreender meio mundo a opção francesa de, em 2008, escolher Sebastien Tellier para representar o país. Fê-lo com a melhor canção eurovisiva de que há memória nos últimos anos. Pop sem receio em abusar no açúcar. E com uma dose de provocação que, na realidade, não é estranha à história do certame. Aqui fica Divine, uma das canções inevitáveis no evocar da história de 2008.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Os melhores de 2008: discos

Começamos hoje a apresentar as listas dos melhores do ano. Em primeiro lugar, a dos discos que mais marcaram a história de 2008.

N.G.

2008 foi um ano intenso em acontecimentos para o verbo ouvir. Veteranos e estreantes assinaram feitos que escreveram a história de 12 meses que nos deram banda sonora da qual é quase difícil fazer agora escolhas (porque necessariamente deixam de lado títulos e nomes não menos interessantes e importantes para a história do ano que os que aqui hoje se ordenam em listas top 10). Já iremos à produção nacional e à clássica. Comecemos pelo espaço pop/rock onde, sem dúvida, o ano elege dois discos fulcrais: o primeiro dos Vampire Weekend (traduzindo inteligente passo adiante para estímulos que brotam da assimilação da herança pop new wave, acrescentando África e memórias da tradição clássica europeia) e o que se revelou no regresso dos Portishead. Third, de resto, acaba por merecer o título de “disco do ano” não apenas pela aposta ousada de novas visões para a canção, como por ser tradução prática da coragem de um nome veterano, e com identidade formada, que aceita o desafio de se reinventar e não jogar no mais do mesmo, enfim, no seguro, na hora de retomar o contacto com quem os ouve. A surpresa arrebatou. E a sua passagem por palcos nacionais tudo confirmou. Da história dos grandes regressos de 2008 convém não esquecer ainda nomes como os Bomb The Bass ou Grace Jones. Jonathan Meiburg “separou-se” dos Okkervil River, ganhando com a decisão os Shearwater. The Notwist assinaram o melhor álbum mais injustamente ignorado do ano. Simon Bookish deixou as electrónicas e descobriu no seu passado que pode colocar o que aprendeu na preparação para ser compositor ao serviço da pop. Kelley Polar já o havia entendido e volta a surpreender. Byrne e Eno dão, por seu lado, uma lição de “mestria” num soberbo álbum de canções que mostra que não é preciso inventar a novidade para criar um disco que possa marcar o presente. De um breve balanço sublinhe-se ainda, e para falar de discos que acabaram fora do top 10, os belos álbuns de estreia de nomes como os Late Of The Pier, MGMT, Fleet Foxes, Last Shadow Puppets, Lykke Li, Santogold...

1. Portishead "Third"
2. Vampire Weekend "Vampire Weekend"
3. Shearwater "Rook"
4. The Notwist "The Devil You + Me"
5. Simon Bookish "Everything / Everything"
6. Kelley Polar "I Need You To Hold On While The Sky Is Falling"
7. The Ruby Suns "Sea Lion"
8. Department Of Eagles "In Ear Park"
9. David Byrne + Brian Eno "Everything That Happens Will Happen Today"
10. Spiritualized "Songs in A & E"

Entre nós o ano foi agitado. Como há muito não se via, sublinhe-se. E a melhor das heranças que 2008 nos deixa é a do reencontro do pop/rock português com a nossa língua. Terminam assim dez anos de yé yé (com mais escorregões que momentos que um dia justifiquem a memória), de sonhos pop que ainda não se concretizaram. E em grande parte porque o nosso pop/rock em inglês soa tão estranho lá fora como para nós o é a pronuncia de KD Lang quando canta o Fado Hilário (se bem que a cantora canadiana lhe dê uma intensidade que nem todo o fadista alcança). Isto para nem falar dos tropeções na gramática das letras, mas enfim. Cada um que cante como entender... Mas se verificarmos o que se passa lá fora, concluímos que o verdadeiro sucesso internacional da produção nacional em 2008 são os Buraka Som Sistema! Valerá então a pena tentar o inglês só para ver se a coisa ganha passaporte?... Alguns dos momentos mais marcantes do ano nacional fizeram-se em português. B Fachada, Samuel Úria, Macacos do Chinês, Tiago Guillul, Os Pontos Negros, João e a Sombra, Feromona... A estes podemos juntar os veteranos Mão Morta (numa aventura falada), Rui Reininho (em estreia a solo que lhe dá o seu melhor disco desde os anos 80) e Rádio Macau. E na selecção de 2009 esperam-se as estreias de Os Golpes e, até que enfim, a dos Doismileoito. Por seu lado, o fado já conheceu anos de colheita mais farta... O melhor do ano, contudo, coube a um regresso (e uma estreia ao mesmo tempo). O regresso é o de António Pinho Vargas, a solo, ao piano. A estreia, a de David Ferreira como editor em nome próprio. Que haja mais “investidas” em 2009!

1. António Pinho Vargas "Solo"
2. Rui Reininho "Companhia das Índias"
3. Mão Morta "Maldoror"
4. B Fachada "Viola Braguesa"
5. Dead Combo "Lusitania Playboys"
6. Noiserv "One Hunderd Miles From Thoughtlessness"
7. Tiago Guillul "IV"
8. Rocky Marsiano "Outside The Pyramid"
9. Buraka Som Sistema "Black Diamond"
10. Camané "Sempre de Mim"

O universo da “clássica” tem quase mil anos de composições escritas à disposição de todos os que acreditam que a música começou antes de Elvis ter entrado nos estúdios da Sun Records para gravar os seus primeiros singles. Porém, quem programa o que se escuta nos palcos portugueses muitas vezes parece esquecer-se dos últimos cem anos (assim como os primeiros 500), acabando a oferta por navegar, salvo pontuais excepções (como o foram este ano os centenários de Messiaen e Carter ou no ano passado o de Shostakovich), em volta de uma espécie de cânone de mestres e eleitos. Nada contra o que se ouve. Falta apenas poder ouvir mais, sobretudo os compositores vivos, aqueles que, tal como os Portishead, Animal Collective ou Radiohead, fazem a história do nosso presente. Valem-nos os discos. E aí o ano tanto nos deu sublimes novas gravações de peças fundamentais na história da música (a Criação de Haydn por McCreesh ou Brahms por Kent Nagano), como redescobriu pérolas esquecidas (os concetros com que Boulez encerra a gravação da obra orquestral de Bartók). A elas juntam-se primeiras gravações de obras de Nico Muhly ou Giya Kancheli. O ano destacou ainda talentos em afirmação como, sobretudo, o maestro venezuelano Gustavo Dudamel, que registou em Fiesta o ambiente, de facto festivo, que tem corrido palcos do mundo com a Orquestra Simón Bolívar. O centenário de Messiaen foi devidamente assinalado em edições e reedições. Já o de Eliott Carter passou ao lado... O ano deu-nos ainda uma magnífica antologia de Philip Glass. E uma sublime caixa com gravações históricas de obras de Bernstein, dirigidas pelo mesmo. Mas do seu 90º aniversário (assinalado pelo mundo fora), nicles junto de quem faz os programas de concertos de música sinfónica mais mediatizados por estes lados... No surprises, como diriam os Radiohead...

1. Leonard Bernstein "Bernstein Conducts Bernstein"
2. Kent Nagano "Brahms - Symphony Nº 4"
3. Gustavo Dudamel "Fiesta"
4. Nico Muhly "Mothertongue"
5. Philip Glass "Glassbox"
6. Paul McCreesh "Haydn - The Creation"
7. Giya Kancheli "Little Imber"
8. Pierre Boulez "Bartók - Concertos"
9. Andreas Scholl "Crystal Tears"
10. Leif Segerstam "Rautavaara - Manhattan Trilogy"

J.L.

Discos? Em boa verdade, quase toda a gente passou a falar de downloads: numa sociedade de fetichização dos "objectos", o objecto-disco entrou em crise económica e, sobretudo, simbólica. Mas quando ouvimos Patti Smith (acompanhada pelos sons assombrados de Kevin Shields) a ler a sua obra poética em The Coral Sea, será que pode fazer sentido a noção de que se vai fazer o download de... um poema? Talvez, mas isso não impede que possamos continuar a desejar um disco como... um livro. Em todo o caso, a dificuldade de estabelecer hierarquias (e também aquilo que não ouvi), levam-me a valorizar o retorno à matéria primordial dos sons: a voz humana. E também, nem que seja pelo prazer do contraste, às arrebatadoras paisagens electrónicas (?) que nascem das experiências da alemã Antye Greie-Fuchs, aliás, AGF.

1. Patti Smith e Kevin Shields "The Coral Sea"
2. AGF "Words Are Missing"
3. Aldina Duarte "Mulheres ao Espelho"
4. Spiritualized "Songs in A & E"
5. Portishead "Third"
6. Beck "Modern Guilt"
7. The Cinematic Orchestra "Live at the Royal Albert Hall"
8. The Fireman "Electric Arguments"
9. Vampire Weekend "Vampire Weekend"
10. Amy Winehouse "Frank & Back to Black"

sábado, dezembro 27, 2008

Figuras do ano: Gilberto Madaíl

Que se pode fazer com 650 milhões de euros? Para nos ficarmos pelo cinema português, lembremos o mais simples: podem fazer-se 1000 filmes (isto é, em quantidades médias, o equivalente a 100 anos da nossa actual produção cinematográfica). Pois bem, em Portugal, com esse dinheiro, no ano de 2004, fizeram-se 10 estádios de futebol.
Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, quer prosseguir essa saga de futebolização do país, da televisão e das mentes, continuando a militar pela organização do Mundial de Futebol de 2018 no nosso país (em associação com a Espanha). Este simples facto transforma-o numa personalidade marcante do ano que agora termina e, mais do que isso, na figura cultural do ano. Porquê? Porque nada disto tem a ver com o esplendoroso espectáculo que é (ou pode ser) o futebol. Antes porque o projecto de Madaíl pode vir a marcar os valores colectivos e as grandes opções do país na próxima década, voltando a colocar sectores importantes — construção civil, publicidade, mobilização da juventude — a reboque do futebol.
Sabemos também que Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência, não rejeitou a hipótese: "Não posso comentar [...]. Mas Portugal já tem as infra-estruturas do Euro 2004 e estamos a falar de uma hipótese para 2018, que não tem nada a ver com a crise conjuntural actual." Quer isto dizer que FPF e Governo poderão vir a estar em sintonia para — num dos países com menores recursos económicos da Europa, sofrendo os efeitos de uma crise global que o afecta de modo muito específico (e muito drástico) — encarar seriamente a possibilidade de organizar um... Mundial de Futebol!
Mesmo não comentando esse bizarro conceito político (?) que considera que tal possibilidade não tem nada a ver com a conjuntura actual, importa referir também que é espantoso como nem uma voz das oposições tem algo a dizer sobre este delírio económico e conjuntural. Dito de outro modo: Gilberto Madaíl é, desde já, candidato a figura do ano em 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Figuras do ano: Jon Stewart

Os espaços dos talk shows (os mais interessantes, entenda-se) estão a transfigurar os seus próprios métodos e a relação que propõe com os seus espectadores. Ao longo de 2008, Jon Stewart foi um modelo exemplar de tal atitude: o seu The Daily Show baralhou de forma inteligente os conceitos tradicionais de espaço de "entrevistas" e programa de "intervenção política", não se coibindo de assumir posições políticas verdadeiramente críticas e, por isso mesmo, reduzindo a pó a noção beata de um entertainment "despreocupado" e "inconsequente".
No fundo, Stewart e a sua equipa são um pilar de uma ética que, mais do que nunca, importa sublinhar: a de que nenhuma forma de televisão funciona como espelho neutro seja do que for. Nesta perspectiva, The Daily Show disse aquilo que alguns discursos críticos na área da televisão não se cansam de repetir: que não vale a pena tentarem vender-nos a televisão como uma visão espontânea seja do que for... Trabalhar com imagens e sons é sempre reconfigurar o mundo, reconverter os seus significados, pensar e ser pensado.

Imagens de 2008 (8)

Foi das imagens mais consultadas do ano na Internet. E também uma das melhores ideias que o ano político nos deu: o cruzamento da arte de fazer música com a vontade de passar uma mensagem concreta, com um fim evidente: a vitória numa eleição (primeiro nas primárias, mais tarde nas presidenciais). A ideia foi de Will.I.Am, usando pedaços de discursos de Barack Obama (e da musicalidade natural do “flow” do presidente entretanto eleito), transformando-os numa canção. Para título, Yes We Can, o slogan do ano, aqui adaptado a refrão. Não foi a primeira vez que músicos apoiaram candidatos. Mas nunca uma campanha conheceu o envolvimento e dedicação de tantos e tão diferentes artistas, como a que este ano fez a “mudança” nos EUA.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

As revelações de 2008

Os leitores do Sound + Vision participaram em quantidade, ajudando-nos a escolher os nomes que com mais visibilidade e consequência entraram em cena ao longo de 2008. No plano internacional, o nome mais destacado chegou de Nova Iorque. Deles já se ouvira falar em 2007. O álbum de estreia chegou no início de 2008 e confirmou em pleno as expectativas. O top three ficou por conta de bandas norte-americanas. Os primeiros não-americanos foram os Last Shadow Puppets, ingleses. Fora do eixo EUA/Reino Undio, a lista dos dez mais internacionais acolhe a estreia da sueca Lykke Li, em sétimo lugar. Aqui fica o resultado da votação internacional:

1º Vampire Weekend – 25%
2º Fleet Foxes – 18%
3º MGMT – 17%
4º Last Shadow Puppets – 11%
5º Santogold – 9%
6º Hercules & Love Affair – 8º
7º Lykke Li – 5%
8º Black Kids – 1% (*)
9º Late Of The Pier – 1%
10º Ra Ra Riot – 0% (**)

(*) – Apesar da igualdade no arredondamento à unidade, os Black KIds somaram mais um voto que os Late Of The Pier.
(**) – Zero no arredondamento, mas com dois votos somados.


No plano nacional, a votação foi mais disputada, com vários nomes a dominar a votação ao longo da semana. A vitória coube aos Macacos do Chinês, que abriram 2008 com o promissor EP de estreia, Pluto. A alguma distância ficaram ex-aequo, os Pontos Negros (que na verdade já haviam editado um disco, embora sem a visibilidade do que lançaram este ano) e João e a Sombra. E logo depois os Feromona. Assinale-se o facto dos quatro mais votados se apresentarem com canções em língua portuguesa, confirmando o que foi uma das boas notícias do ano musical português. Aqui fica a lista da muito concorrida votação nacional:

1º Macacos do Chinês – 18%
2º João e a Sombra – 15% (*)
.. Pontos Negros – 15%
4º Feromona – 12%
5º Rita Redshoes – 11%
6º Peixe:Avião – 8%
7º Foge Foge Bandido – 6%
8º Noiserv – 5%
9º B Fachada – 4%
10º The Portugals – 1%

(*) Votação de João e a Sombra com o número de votos de Os Pontos Negros.

Imagens de 2008 (7)

Foto: M Vatsyayana - AFP, publicada no Guardian
.
Em ano de olimpíadas em Pequim, a causa Tibetana marcou a agenda das atenções. Os primeiros sinais de protestos que se fizeram sentir globalmente até à abertura dos jogos tiveram lugar a 10 de Março, data que assinalou o 49º aniversário da fuga do Dalai Lama para a Índia, na sequência da ocupação chinesa. Na imagem, monges e activistas em marcha em Dharmsala, na Índia, no dia em que idênticas manifestações se fizeram sentir em vários locais, inclusivamente em Lhasa, outrora capital secular e espiritual do povo tibetano.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Imagens de 2008 (6)

É verdade que Sarah Palin foi uma das figuras do ano político norte-americano... Sem tecer juízos de valor sobre a sua adequação (ou nem por isso) para o cargo a que concorreu, o certo é que ninguém ficou indiferente à sua entrada em cena. Que o digam os humoristas, que na governadora do Alaska encontraram a “figura” do ano. Entre eles ninguém melhor que Tina Fey, um dos rostos do programa Saturday Night Live, “usou” em seu favor a imagem e estilo Palin, criando uma imitação irresistível. Ficou, de resto, na história do ano televisivo o instante em que a verdadeira Palin se cruzou com a Palin de imitação, num sketch do programa em antevésperas da eleição...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Figuras do ano: Wolf Blitzer

Wolf Blitzer é o rosto protagonista daquela a que chama, e com razão, “the best political team on television” que, diariamente, consigo convive no programa da CNN The Situation Room. É um noticiário alargado, na origem com três horas de duração, em fim de tarde e início de serão (horário da costa Leste), que entre nós chega através da emissão internacional do canal, já de noite, todavia a horas de ver... O programa foi este ano assumido pela CNN como âncora para o acompanhamento do processo eleitoral, acolhendo além da equipa habitual a presença regular de outras “estrelas” da estação como Anderson Cooper ou John King. Wolf Blitzer foi assim o pivot de serviço ao acompanhamento das eleições na CNN. Diariamente, mas também em noite de primárias, de debates e, claro, na maratona dos resultados finais, a 4 de Novembro. O jornalista veterano, que em tempos foi correspondente na Casa Branca, mostrou em 2008 como uma tranquila informalidade na gestão da notícia, dos que a relatam e comentam pode ser usada em favor de uma informação séria e televisivamente eficaz.

sábado, dezembro 20, 2008

Imagens de 2008 (5)

O mundo político em que Barack Obama foi eleito coabita — e, mais do que isso, interage — com o mundo pop cuja realeza possui, há 25 anos, uma referência essencial no trabalho de Madonna. Por isso, o apoio da 'Rainha da Pop' ao 44º Presidente dos EUA está para além da mera simpatia política — decorre de uma cumplicidade visceral gerada a partir do gosto, da prática e do risco da mudança. Obama não o diria assim, mas ela encarregou-se de o fazer, no Petco Park de San Diego, no concerto da "Sticky & Sweet Tour" da noite de 4 de Novembro de 2008: "This is an historial evening, this is a motherfucker important evening!" [foto de Alecio: Madonna Tribe].

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Canções de 2008 (6)

The Last Shadow Puppets
'The Age Of Understatement'

Foram uma das revelações do ano. Alex Turner (dos Arctic Monkeys) e Miles Hunt (dos The Rascals) mostraram nos Last Shadow Puppets e no seu álbum de estreia um dos mais interessantes projectos da pop britânica dos últimos anos, assente sobre raízes clássicas e revelando sólida composição, acolhendo ainda elegantes arranjos de cordas de Owen Pallett (Final Fantasy). O disco teve primeiro aperitivo em Abril com The Age Of Understatement, com este opulento teledisco de Romain Gavras.

Imagens de 2008 (4)

NASA
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Marte esteve sob o olhar atento da Terra em 2008. Além da missão (mais longa que o previsto) da sonda Phoenix, a Mars Reconaissence Orbiter continuou a olhar para a superfície do planeta. E a 17 de Dezembro viu esta avalanche. A ravina que vemos na esquerda da imagem, e ao fundo da qual cai a nuvem de poeira, tem um desnível de 700 metros.