terça-feira, março 19, 2019

Dois automóveis numa piscina

Por vezes, a publicidade sabe evitar o tratamento paternalista do consumidor, celebrando, antes de tudo o mais, a exuberância das formas. E a mais insólita elegância. Ou como a agência inglesa BBH colocou dois automóveis Audi a dialogar numa piscina — enjoy.

segunda-feira, março 18, 2019

"Snu" / telenovela / memória / gerações

Como se prova, uma vez mais, através do filme Snu, a telenovela mantém o seu domínio imperial sobre muitas narrativas made in Portugal — este texto foi publicado no Diário de Notícias (14 Março), com o título '"Snu" e o imaginário telenovelesco'.

1. Com a estreia do filme Snu, uma realização de Patrícia Sequeira que evoca Snu Abecassis e Francisco Sá Carneiro, reencontramos na produção portuguesa os efeitos de um drama sem fim à vista: desde a comédia mais básica até ao melodrama com referências históricas (é o caso), o império da telenovela mantém-se todo poderoso. Triunfam, assim, três componentes de encenação que são outros tantos princípios ideológicos:
— maniqueísmo psicológico;
— naturalismo esquemático dos actores;
— confusão entre "duplicação" figurativa (cenários, guarda-roupa, etc.) e realismo.

2. Não está em causa a importância de o cinema de um país arriscar lidar com referências tão próximas da história nacional, para mais atraindo uma energia simbólica — a começar pela celebração de uma vida a dois que não se submeteu a retrógrados valores sociais e religiosos — a que todos podemos ser sensíveis. Em boa verdade, importa reconhecer que esse tipo de risco é muito pouco frequente na produção audiovisual portuguesa. Seja como for, nenhum acontecimento, tema ou memória existe como caução narrativa para o que quer que seja. Dito de outro modo: narrar é um sistema de escolhas para lidar com determinado acontecimento, tema ou memória — neste caso, uma vez mais, prevaleceu a redução de personagens e ambientes a índices mecanicistas de uma época específica. A ponto de o filme não compreender que o seu modo de integração das imagens de arquivo (por vezes, colocando no mesmo plano o actor que interpreta Sá Carneiro e imagens televisivas do próprio Sá Carneiro...) destrói, imagem a imagem, som a som, qualquer hipótese de verosimilhança dramática.

3. Enfim, tudo isto tem sido mediaticamente servido por uma ideologia (complementar) que trabalha para a mais estúpida normalização das memórias do Estado Novo. Não quero com isto dizer que o filme enquanto objecto artístico ou a sua realizadora sejam cúmplices de tal estupidez — nada disso. Acontece que, sempre que há alguma abordagem dos tempos do salazarismo e marcelismo, reaparece na comunicação social (?) essa inanidade jornalística (?) que descreve a ditadura como uma paisagem sem nuances: de um lado havia a repressão que fazia com que todos os cidadãos vivessem enjaulados em suas casas, com medo de sair à rua; do outro lado apenas existiam alguns solitários heróis (p. ex., Snu e Sá Carneiro, eventualmente Eusébio ou os cantores de protesto) que simbolizavam a possibilidade de se viver de outro modo.

4. Como chegámos a semelhante miséria histórica? Claro que mais de quatro décadas de formatação telenovelesca do espaço cultural português têm contribuído (e muito!) para que, também na memória colectiva, se instale um sistema de violentos maniqueísmos, a ponto de não ser possível pensar a ditadura a não ser como um contraste pueril entre os "maus" que proibiam e os "bons" que eram proibidos... Em boa verdade, tal modelo de contrastes passou a contaminar quase tudo, desde as discussões em torno das diferenças de géneros até aos omnipresentes conflitos do espaço futebolístico (estes, em boa verdade, promovidos à condição de compulsiva linguagem quotidiana).

5. Não é, então, verdade que Portugal viveu um tempo ditatorial que marcou os comportamentos e pensamentos de várias gerações? Não é também verdade que a ditadura desembocou no mais cruel menosprezo pela vida íntima da nação, sacrificando muitos jovens na Guerra Colonial? Claro que sim. Tudo isso é verdade, perturbantemente verdade. O que não impede que sublinhemos a diferença que existe entre a exigência de conhecer a complexidade de tais vivências e a redução de tudo o que aconteceu (e acontece) a um imaginário telenovelesco que se enraiza numa militante ignorância do factor humano.

6. A minha geração (cujos rapazes, importa não esquecer, foram os primeiros a serem libertos da obrigação "nacional" de pegarem numa G3 e irem combater para o "Ultramar") não está isenta de responsabilidades na instalação dessa visão do Estado Novo em que não houve nada a não ser censura e PIDE... Não que devamos ceder aos nostálgicos de coisa nenhuma que, de forma mais ou menos hipócrita, tentam sugerir que tais entidades de repressão não configuravam uma ditadura. Bem pelo contrário. O certo é que aquela visão de piedosa vitimização do povo português recalca tudo o resto. Será que há pessoas da minha geração que esqueceram (ou fazem por esquecer) as "guerras" entre Beatles e Rolling Stones? Ou a perturbante descoberta de Easy Rider? Ou ainda a indizível estranheza, crua e sensual, misteriosa e criativa, que pudemos pressentir nos romances de Fernando Namora?

7. A minha geração não soube, de facto, construir um legado coerente de memórias que nos faculte instrumentos para lidarmos com as alegrias e tristezas que vivemos sob ditadura — repito: alegrias e tristezas. Dir-se-ia que nem sequer soubemos (ou sabemos) passar a ideia de que, de facto, seriamente, estávamos vivos. E que não queremos que nos reduzam a figurantes passivos, sem ideias nem emoções, de um sistema ditatorial. Até porque viver em democracia renegando a pluralidade das nossas heranças históricas contribui para deixar morrer uma parte do que somos — e do que podemos ser.

Nos 30 anos de "Like a Prayer"
— SOUND + VISION Magazine [ 24 Março ]

Foi em Março de 1989 que surgiu Like a Prayer, quarto álbum de estúdio de Madonna. No nosso habitual encontro na FNAC do Chiado propomos uma revisitação da música e das imagens da Material Girl — e também do tempo em que tudo aconteceu.

* FNAC / Chiado, 24 Março (18h30)

domingo, março 17, 2019

Elza Soares ou o triunfo do presente

Nome mítico da cultura brasileira, Elza Soares é, agora, figura central do filme My Name Is Now, um documentário que é também uma celebração da sua contagiante energia — este texto foi publicado no Diário de Notícias (15 Março).

Como é que, tradicionalmente, o cinema retrata alguém que canta? Pois bem, através da mais simples combinação: imagens das respectivas performances, em palco ou em estúdio, e depoimentos do próprio retratado, comentando a sua história e as singularidades do seu cantar.
O mínimo que se pode dizer de My Name Is Now é que se trata de um objecto paradoxal: por um lado, o filme realizado por Elizabete Martins Campos cumpre essa agenda tradicional, celebrando as canções de Elza Soares em ziguezague entre a bossa nova e o jazz, sem ignorar a soul e o punk; por outro lado, a energia da protagonista faz com que o documentário, sem deixar de cumprir as suas funções informativas, funcione também como um ritual cúmplice do misto de transparência e mistério que define aquela que é uma verdadeira lenda da cultura brasileira.
O título é em inglês, mas não remete para qualquer “versão internacional” em que, por vezes, alguns filmes são difundidos. Nada disso. A expressão “my name is now” (à letra: “o meu nome é agora”) constitui uma espécie de axioma íntimo da própria Elza Soares, definindo a emoção, a urgência e o radicalismo da sua relação com o aqui e agora — para ela, cantar envolve o triunfo do presente, contra as agruras do passado, desafiando todas as formas de futuro.


Com mais de 80 anos de idade (as fontes informativas divergem, apontando 1930 ou 1937 como data do seu nascimento), e para além do seu lugar ímpar na história da música brasileira, Elza Soares é também uma fascinante presença cinematográfica. No sentido mais primitivo que tal presença pode envolver: há nela uma relação com a câmara de filmar que oscila entre a resistência e a entrega, a confissão mais desnudada e o teatro mais elaborado.
Por tudo isso, My Name Is Now é um filme que merece ser descoberto. A provar também uma evidência rudimentar que alguma crítica de cinema não tem deixado de sublinhar ao longo dos últimos 40 anos: as expressões mais genuínas da cultura brasileira não podem ser reduzidas ao universo formatado e repetitivo das telenovelas.

Richard Erdman (1925 - 2019)

É um daqueles secundários do cinema clássico de Hollywood que nunca foi uma estrela, mesmo se o seu talento e versatilidade marcou dezenas de filmes: o actor americano Richard Erdman faleceu no dia 16 de Março, em Los Angeles — contava 93 anos.
Começou na Warner Bros., estreando-se em A Vaidosa (1944), uma realização de Vincent Sherman com Bette Davis e Claude Rains. Surgiu em títulos como Objectivo Burma (1945), de Raoul Walsh, O Desesperado (1950), de Fred Zinnemann (filme de estreia de Marlon Brando), ou Inferno na Terra (1953), de Billy Wilder (título original: Stalag 17 — lendário drama sobre um grupo de prisioneiros americanos capturados pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial).
Na transição para a década de 60, e tal como muitos actores da sua geração, passou a trabalhar sobretudo em televisão — a sua composição mais célebre terá sido em A Kind of a Stopwatch (1963), episódio de The Twilight Zone dirigido por John Rich a partir de um argumento de Rod Serling, centrado num homem que adquire um relógio capaz de parar o tempo. Foi também ilustrador e poeta, tendo publicado uma colectânea dos seus poemas com o título The Apocalyptic Kid.

>>> Genérico de abertura de Stalag 17 + cena de A Kind of a Stopwatch.




>>> Obituário em The Hollywood Reporter.

Inéditos de David Bowie em single

Anunciada a 8 de Janeiro, dia em que David Bowie completaria 72 anos, a edição de Spying Through A Keyhole (com o subtítulo Demos and Unreleased Songs) estará nas lojas a 5 de Abril. Trata-se de uma caixa com quatro singles (mono, 45 rpm), revelando nada mais nada menos que nove gravações inéditas, incluindo dois demos de Space Oddity e um tema até agora desconhecido, intitulado Love All Around (a ele pertence o verso que dá título à edição).
Além do mais, a edição antecipa a passagem do 50º aniversário do lançamento de Space Oddity, a 11 de Julho de 1969 — desse mesmo ano, eis o registo da canção retirado do filme promocional Love You Till Tuesday, dirigido por Malcolm J. Thomson.

sábado, março 16, 2019

Mais um single de Sophie Auster

Mais um single do novo álbum de Sophie Auster (Next Time, 12 Abril), cumprindo a promessa de um delicado intimismo romântico — chama-se Rising Sun e foi divulgado através de um registo efectuado na City Winery, em Nova Iorque.

A IMAGEM: Zoey Grossman, 2019

ZOEY GROSSMAN
Georgia May Jagger
Numero/Japão (Abril 2019)

quinta-feira, março 14, 2019

Kirin J. Callinan revisita The Waterboys

[ Instagram ]
Australiano, 33 anos: Kirin J. Callinan é muitas vezes apontado como um enfant terrible do rock que, depois de passar pela banda Mercy Arms, construiu uma carreira a solo, combinando um pouco de tudo, desde as nuances da pop até aos artifícios do glam. O seu mais recente álbum chama-se Bravado, saíu em 2017 com chancela dos Terrible Records. O próximo, ainda sem título, deverá surgir em Abril e tem, para já, um sugestivo single: nada mais nada menos que uma recriação do clássico The Whole of the Moon, referência lendária do álbum This Is the Sea (1985), de The Waterboys — com um detalhe devidamente destacado no teledisco realizado por Mickey Ratman: "gravado ao vivo". Eis o teledisco e, noblesse oblige, o original.



Augusto Cid (1941 - 2019)

FOTO: DN
É um dos nomes fundamentais na história do cartoonismo português: Augusto Cid faleceu no dia 14 de Março, após doença prolongada.
A sua obra passou por diversas publicações, incluindo A Parada da Paródia, A Mosca, Vida Mundial, O Jornal Novo e O Independente, tendo também colaborado com a estação televisiva TVI e, por fim, no semanário Sol. Através de um traço inconfundível, caricatural e sofisticado, visou, em particular, muitas formas de comportamento de alguns protagonistas da cena política. Também com uma importante obra como escultor, publicou mais de duas dezenas de livros, incluindo PREC - Processo Revolucionário Eventualmente Chocante, O Superman e Alto Cão Traste.

>>> Três cartoons de Augusto Cid e, em baixo, um video do Município de Oeiras sobre uma das suas obras escultóricas.


>>> Obituário no Notícias ao Minuto.

Glauber Rocha (1939 - 1981)
— o jogo dramático da cultura

>>> A forma do meu cinema, com todos os altos e baixos, com todos os pontos brilhantes e obscuros, com tudo o que tem de feio e de bonito é a expressão da minha personalidade. Então, eu assumo o meu ego, mas não de um ponto de vista narcisista ou individualista, mas de um ponto de vista órfico, no sentido de não tentar mudar o mundo, mas, como Orfeu, tentar criar um novo mundo audiovisual. Se eu criei condições históricas e económicas para produzir um tipo de filme segundo a minha pulsão (que é a única forma de sobreviver) tenho que assumir os riscos da incompreensão — isso para mim faz parte do jogo dramático da cultura.

GLAUBER ROCHA
— entrevista para catálogo da Cinemateca Portuguesa
Sintra, 8 de Abril de 1981

Quando entrevistei Glauber Rocha em Sintra, ninguém poderia antecipar, como é óbvio, a notícia que receberíamos cerca de quatro meses mais tarde, pouco tempo passado sobre o seu regresso ao Brasil: na sequência de uma infecção pulmonar, Glauber faleceu a 22 de Agosto de 1981, no Rio de Janeiro, contava 42 anos. A retrospectiva (integral, como ele confirmou) que a Cinemateca Portuguesa lhe dedicara em Abril ficou, assim, como memória didáctica e urgente de um criador ímpar na história do Brasil e da cultura de língua portuguesa.
Vendo ou revendo os seus filmes, podemos reconhecer que, desde a primeira longa-metragem, Barravento (1962), até ao título final, A Idade da Terra (1980), Glauber foi um incansável viajante da(s) história(s) entre identidade brasileira e uma visão cósmica do factor humano, não poucas vezes entre as verdades mais cruas da tradição e as utopias menos transparentes do progresso. Lembrá-lo é, por isso, reaprender esse jogo dramático da cultura como questão íntima e incontornável, não apenas do seu trabalho, mas também do nosso incerto presente.
Glauber nasceu no dia 14 de Março de 1939, em Vitória da Conquista, estado da Bahia — faz hoje 80 anos.

>>> A Idade da Pedra — entrevista de Luís Fernando Silva Pinto, Veneza, 1980.


>>> Enciclopédia Itaú Cultural: Glauber Rocha.

Free — meio século depois

Para falarmos do blues rock britânico, não podemos deixar de celebrar os emblemáticos Led Zeppelin. Mas importa iluminar as zonas mais ocultas das memórias históricas e não esquecer os Free. A sua discografia inicia-se também em 1969 com o álbum Tons of Sobs — foi lançado no dia 14 de Março de 1969, faz hoje 50 anos.

>>> Goin' Down Slow, Free.

terça-feira, março 12, 2019

Marvel — masculino ou feminino, tanto faz...

Capitão Marvel é o primeiro filme de super-heróis do ano. Com uma novidade: desta vez, trata-se de uma super-heroína... O resto é rotina — este texto foi publicado no Diário de Notícias (7 Março).

Já não há surpresas no universo dos super-heróis. Agora, com a estreia de Capitão Marvel, os estúdios Marvel recuperam mais uma personagem do seu imenso baú de histórias aos quadradinhos, tentando, pelo menos, diversificar a oferta.
O certo é que impera a rotina de produção, embora com uma diferença “simbólica” que contaminou todo o marketing em torno do filme: já sujeito a diversas encarnações masculinas e femininas, o Capitão Marvel surge agora na “versão” de uma mulher, Carol Danvers — em boa verdade, por simples respeito dessa lógica figurativa, o filme deveria ter o título português “Capitã Marvel” (como acontece, aliás, no mercado brasileiro).
A questão acaba por ser meramente anedótica, já que os estúdios Marvel (desde 2015 integrando o império Disney) não não mostras de qualquer mudança de estratégia, estilo ou narrativa. Além do mais, promover a personagem de Carol como “mensageira” de uma qualquer verdade feminina será tão gratuito como considerar que Superman, se fosse cidadão eleitor, votaria Donald Trump...
Acontece que estamos perante um cinema cada vez mais formatado em que o esquematismo de personagens e situações torna os filmes intermutáveis. De tal modo que até mesmo a utilização de actores evidentemente talentosos soa a desperdício. Neste caso, a performance de Brie Larson na figura central tem qualquer coisa de patético: não tendo muito para fazer (além de olhar para os efeitos especiais que o filme vai colocando à sua volta), assistimos ao apagamento de uma intérprete que vimos brilhar, por exemplo, no filme Room/Quarto, de Lenny Abrahamson (que lhe valeu o Oscar de melhor actriz de 2015).
Há mesmo algumas situações bizarras na sua performance, em particular quando contracena com outra notável actriz, Annette Bening, aqui a interpretar a figura da “Inteligência Suprema”. Os seus encontros ocorrem numa paisagem supostamente onírica, de alguma maneira ligada às reminiscências traumáticas que assombram os sonhos de Carol... Que acontece? As bolas (planetas?) em suspensão e os raios de luz que atravessam o cenário são de tal maneira toscos que mais parecem o resultado de alguns desastrados técnicos de efeitos especiais que não sabem dominar a conjugação digital das imagens. Isto num filme que custou 150 milhões de dólares...
O facto de chegarmos aos números do orçamento como uma espécie de ponto de fuga compulsivo é significativo. Aliás, nas últimas semanas, têm proliferado as especulações dos analistas da indústria americana, prevendo as receitas para o fim de semana de abertura de Capitão Marvel, para a exibição nas salas dos EUA e para as receitas globais em todo o mundo (cerca de 65, 175 e 520 milhões, respectivamente). Uma tristeza, enfim: dir-se-ia que já não é possível falar de cinema, mas apenas de performances financeiras.
Steven Spielberg + George Lucas
Bem sabemos que um filme não é “melhor” nem “pior” por nele se investirem milhões ou tostões. O que está em causa não são os movimentos de tesouraria, mas sim os conceitos de espectáculo. Dito de outro modo: mesmo não esquecendo as honrosas excepções, o universo cinematográfico dos super-heróis está reduzido a uma linha de montagem em que as rotinas tecnológicas tendem a anular qualquer energia criativa. No masculino ou no feminino, Capitão Marvel é mais uma penosa ilustração dessa situação.
Reconhecer tal situação não é, de modo algum, uma questão que decorra de qualquer visão enraizada no universo da crítica de cinema. São várias as personalidades que têm chamado a atenção para a “normalização” da produção americana através dos gigantescos gastos em filmes de super-heróis e afins, menosprezando a herança, plural e fascinante, da arte clássica de contar histórias. Uma dessas personalidades chama-se Steven Spielberg e disse-o pela primeira vez num debate realizado no Verão de 2013, na Universidade da Califórnia, chamando a atenção para o risco de “implosão” que Hollywood está a correr. A seu lado estava um tal George Lucas.

Elza Soares — o nome, aqui e agora

Eis um verdadeiro acontecimento para descobrir nas salas escuras — um nome lendário da canção brasileira num filme que, mais do que documentar a sua arte, com ela se liga numa invulgar cumplicidade estética e afectiva: Elza Soares está no centro de My Name is Now, uma reportagem surreal, capaz de nos reconciliar com a ideia de que o cinema pode ser um exercício de realismo, não imediatista, mas transcendental.

domingo, março 10, 2019

The Chemical Brothers no planeta dos cães

Enquanto aguardamos pelo novo álbum de The Chemical Brothers (No Geography, 12 Abril), eis que chega mais uma canção. Depois de Got To Keep On, aí está We've Got To Try, tema marcado pela mesma energia criativa, transfigurado numa bela aventura canina com realização de Ninian Doff.