terça-feira, fevereiro 21, 2017

'Satan Your Kingdom Must Come Down'
[canções]

ROBERT PLANT
Satan Your Kingdom Must Come Down
Band of Joy (2010)





Gerald Hirschfeld (1921 - 2017)

[ Hollywood.com ]
Foi um talento tão brilhante quanto discreto da direcção fotográfica: o americano Gerald Hirschfeld faleceu no dia 13 de Fevereiro, em Ashland, Oregon — contava 95 anos.
Com uma carreira iniciada na televisão, em finais da década de 40, alguns dos seus trabalhos mais importantes surgem associados a um certo romantismo desencantado dos anos 60/70 e, em particular, à obra de Frank Perry (1930-1995) — especialmente significativos são Last Summer/O Verão Passado (1969), Diary of a Mad Housewife/O Diário Íntimo de Uma Mulher (1970) e T. R. Baskin/Encontro com uma Mulher Só (1971). Entre os seus títulos mais importantes, incluem-se ainda Fail Safe/Missão Suicida (1964), de Sidney Lumet, Young Frankenstein/Frankenstein Junior (1971), de Mel Brooks, Neighbors/Mas Que Vizinhos (1981), de John G. Avildsen, e The Car/O Carro (1977), de Elliott Silverstein. Em 2007, foi homenageado com um prémio honorário da American Society of Cinematographers — nunca obteve qualquer nomeação para os Oscars.

>>> Dois trailers de filmes fotografados por Gerald Hirschfeld: Young Frankenstein e The Car.




>>> Obituário no site Deadline.

segunda-feira, fevereiro 20, 2017

Na Lua com Lana Del Rey

Dois dias depois da revelação de Love, Lana Del Rey divulgou o respectivo teledisco: uma viagem romântica, surreal e lunar, com realização de Rich Lee — a canção fará parte de um quinto álbum de estúdio, com data ainda por divulgar.

Matt Damon & Zhang Yimou (2/2)

A Grande Muralha é o filme de uma nova encruzilhada do cinema: Hollywood e a China aliam-se para o mercado global — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Fevereiro), com o título 'A herança de Méliès'.

[ 1 ]

Em 1967, num tempo marcado pelas tensões ideológicas que explodiriam no turbilhão de Maio 68, o italiano Marco Bellocchio realizou um célebre filme em que os conflitos geracionais se cruzavam com as clivagens políticas. Atento à contaminação de tais conflitos por palavras de ordem provenientes da linguagem maoísta, o filme tinha um sugestivo título: La Cina È Vicina (A China Está Próxima). Meio século mais tarde, o misto de inquietação e sedução que tais palavras arrastavam transfigurou-se num espectacular drama económico.
O filme A Grande Muralha aí está, como expressão muito directa das suas componentes: trata-se de encontrar modos de convivência entre Hollywood e a sofisticada máquina de produção da China (que sempre existiu muito para além dos clichés dos filmes de “kung fu” provenientes de Hong Kong).
Retomando a lógica criativa dos seus filmes visualmente mais exuberantes — com inevitável destaque para o assombroso O Segredo dos Punhais Voadores (2004) —, Zhang Yimou assina um objecto de desconcertante fascínio. Não se trata, de facto, de reproduzir a lógica de muitas aventuras de super-heróis em que a confusão narrativa serve apenas de pretexto para experimentar as últimas novidades do departamento de efeitos especiais. Ao narrar a saga de Matt Damon nos cenários da Grande Muralha, Zhang Yimou procura uma espécie de simplicidade primordial, em muitos aspectos próxima da linguagem do cinema mudo (mesmo se estamos perante um notável trabalho de montagem sonora). Dir-se-ia que ele se assume como herdeiro directo do primitivismo de Georges Méliès (1861-1938) e dos poderes encantatórios da imagem cinematográfica. É uma opção tão arriscada quanto sedutora, impossível de reduzir à linguagem tecnocrática de qualquer acordo de produção.

domingo, fevereiro 19, 2017

Lana Del Rey — nova canção

O último álbum de Lana Del Rey, Honeymoon, surgiu em Setembro de 2015. O próximo... sabemos que envolverá outra atitude: "Fiz os meus primeiros quatro álbuns para mim, este é para os meus fãs." Nada contra — para já, a primeira canção divulgada, Love, promete a mais austera fidelidade ao mais clássico romantismo.

Look at you kids with your vintage music
Comin' through satellites while cruisin'
You're part of the past, but now you're the future
Signals crossing can get confusing


A IMAGEM: Chan Lowe, 2017

CHAN LOWE
U.S. News
18-02-2017

Curta portuguesa ganha Urso de Ouro

Uma curta-metragem portuguesa — Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante — foi distinguida com o Urso de Ouro da respectiva categoria na 67ª edição do Festival de Berlim. Outra curta portuguesa — Os Humores Artificiais, de Gabriel Abrantes — ganhou o direito a concorrer aos Prémios do Cinema Europeu referentes a 2017.
Na categoria de longas, o vencedor do certame foi On Body and Soul, de Ildikó Enyedi (Hungria) — no site oficial do certame, encontramos a lista completa de prémios.

sábado, fevereiro 18, 2017

A música de Terrence Malick

O novo filme de Terrence Malick, Song to Song, vai ser revelado a 10 de Março, no festival South by Southwest, na cidade de Austin, Texas. E não é por acaso: com um elenco que inclui Michael Fassbender, Ryan Gosling, Rooney Mara e Natalie Portman, anuncia-se como uma teia romanesca tendo por pano de fundo, justamente, a cena musical de Austin — ainda sem data portuguesa, já temos cartaz e trailer.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Matt Damon & Zhang Yimou (1/2)

A Grande Muralha é o filme de uma nova encruzilhada do cinema: Hollywood e a China aliam-se para o mercado global — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Fevereiro), com o título 'Matt Damon foi à China para defender Hollywood'.

Será que faz sentido definir um filme como A Grande Muralha como um dos mais ambiciosos trunfos da produção chinesa para conquistar os mercados internacionais? Como podemos, então, interpretar o facto de a sua estrela ser... Matt Damon? Além do mais, se este é um fresco histórico sobre os tempos atribulados do Imperador Renzong, na primeira metade do século XI, como explicar que os inimigos sejam milhares de monstros verdes que mais parecem saídos de um sequela de Alien?
Provavelmente, as respostas a tais interrogações podem organizar-se em torno de duas afirmações tão transparentes quanto complexas. Primeiro que tudo: A Grande Muralha é um dos mais gigantescos projectos já concretizados em contexto chinês — o seu orçamento de 150 milhões de dólares é o maior de sempre para uma rodagem na China —, embora resulte de um acordo de produção entre o China Film Group (a maior entidade estatal no domínio cinematográfico) e a Legendary Entertainment, companhia sediada em Burbank, centro vital da produção de Hollywood. Depois, esta não é uma história da Grande Muralha — uma das maiores construções da humanidade, com mais de 8000 mil quilómetros de comprimento durante a dinastia Ming (séculos XIV/XVII) —, mas sim uma abordagem lendária, assumidamente artificiosa, das suas memórias.
Em boa verdade, o que está em jogo é menos a expansão da produção chinesa no resto do mundo e mais, muito mais, a consolidação e intensificação da presença de Hollywood no mercado chinês. Interpretando um aventureiro que procura essa preciosa e mítica pólvora que poderá vender noutras paragens, Matt Damon (acompanhado por Pedro Pascal, actor chileno popularizado pela série A Guerra dos Tronos) é, afinal, o enviado simbólico de uma produção americana que não pode prescindir dos rendimentos gerados pelo país que está à beira de se tornar o maior mercado cinematográfico do mundo. Qual? A China, precisamente, esse país onde, ao longo de 2015, surgiram, em média, 22 salas... por dia!
Que seja um veterano como Zhang Yimou (nascido na cidade de Xi’an, em 1950) a assinar a realização de tão ambicioso projecto, eis o que está longe de ser um pormenor secundário. De facto, desde a sua revelação como um dos principais autores da chamada “Quinta Geração” (com o filme Milho Vermelho, 1987), ele tem sido um dos que mais e melhor tem feito a ponte com conceitos de espectáculo de raiz ocidental — o que, aliás, lhe tem valido ser alvo dos mais diversos ataques e preconceitos.
Será que o filme conseguirá reforçar os laços industriais e comerciais entre os dois países? É cedo para tirar conclusões... Uma coisa é certa: a exuberância visual (e sonora!) de A Grande Muralha ilustra as singularidades da globalização em que vivemos — este é um filme cuja pátria é o espectáculo e os prazeres da sua mitologia.

A IMAGEM: Ben Toms, 2016

BEN TOMS
Fei Fei Sun
Vogue / China (Dez. 2016)

Trump, política e stress

"Não há nada para ver aqui", garante Donald Trump na capa da revista Time (data: 27 Fev./6 Março; ilustração: Tim O'Brien), fazendo pose numa Casa Branca assolada por um tempestade interior. Não é uma simples caricatura. Ou melhor, não é uma caricatura simples — é mesmo uma reflexão, ao mesmo tempo pedagógica e angustiada, sobre o "caos" que tem marcado as primeiras semanas da presidência Trump.
De tal modo que Nancy Gibbs, editora principal da Time, considera mesmo que aquilo que está a acontecer envolve um stress que vai produzindo desgaste na resistência anímica dos cidadãos e na consistência prática das instituições — veja-se e ouça-se a sua breve, mas eloquente, entrevista no programa Morning Joe (MSNBC).

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

World Press Photo — as imagens e o mal

FOTO: Burhan Ozbilici
Ankara, Turquia (19 Dez. 2016)
O fotógrafo turco Burhan Ozbilici venceu o prémio de fotografia do ano, atribuído pelo World Press Photo, com a imagem do polícia Mevlüt Mert Altintaş pouco depois de matar Andrei Karlov, embaixador da Rússia na Turquia, protestando contra o envolvimento russo na guerra civil na Síria — este texto foi publicado no Diário de Notícias (14 Fevereiro), com o título 'O mal está feito'.

A fotografia do assassino do embaixador Andrey Karlov perturba-nos pela sua primordial quietude (já nos esquecemos que nem todas as imagens são “em movimento”), contrariando a preguiça de pensamento gerada pela monótona repetição de imagens do nosso dia a dia televisivo.
A televisão inventou mesmo uma expressão — “em tempo real” — que tem contribuído para a nossa indiferença pelas imagens. Deleitamo-nos nesse infantilismo cognitivo: se o tempo daquilo que nos é mostrado “coincide” com o tempo daquilo que está a ser vivido, então a imagem torna-se descartável. Celebramos a coincidência “temporal” e tratamos a representação que nos chega como natural e inimputável. Por alguma razão, o tique mais frequente dos repórteres televisivos consiste em virarem-se para trás e apontar: acreditam que o seu dedo indicador identifica uma verdade insofismável, sem rugas nem ambiguidades — “Se eu estou a apontar para lá, só pode ser verdade”.
A fotografia de Burhan Ozbilici pertence a outra linguagem. A sua “mensagem” é desarmante, já que o fotógrafo apenas pode acrescentar: “Eu estava lá”. Ou como diria Roland Barthes: “Isto aconteceu”. O tempo não é real, precisamente porque já aconteceu. Dessa distância, entre um real que já é passado e a sua dramática inscrição no nosso presente, nasce a mais arriscada forma de conhecer o mundo através das imagens: o realismo.
Muitas formas de informação televisiva tentam mascarar os nosso medos, alimentando a ilusão pueril de que qualquer imagem tende para um destino gratificante, separando, como que por magia, a “justiça” e a “injustiça” daquilo que nos é dado ver. Face a fotografias como a de Ozbilici, só podemos confirmar que o mal existe — nestes tempos difíceis, a tragédia visual ensina-nos a amar a humanidade que nos resta.

"X Offender" [canções]

BLONDIE
X Offender
Blondie (1976)


Foi você que disse Blondie?...

... exactamente! Debbie Harry y sus muchachos vão lançar, em Maio, Pollinator, 11º álbum de estúdio dos Blondie (três anos depois de Ghosts of Download). A acreditar no primeiro single, Fun, dir-se-ia que as memórias gloriosas dos anos 70/80 estão mais vivas do que nunca...

John Adams, 70 anos

JOHN ADAMS
[FOTO: Chris Bannion]
Figura fundamental do minimalismo americano, John Adams é um daqueles compositores que nos ajuda a compreender a passagem dos clássicos para os modernos e, desse modo, a singular e, por assim dizer, paradoxal presença dos primeiros nos segundos.
Entre os trabalhos mais célebres da sua imensa obra (piano, orquestra, música coral, etc.) inclui-se a ópera Nixon in China (1987), sobre a visita de Richard Nixon à China, em 1972, e On the Transmigration of Souls (2002), lembrando os que morreram nos atentados de 11 de Setembro de 2001 (Pulitzer de Música em 2003). Recorde-se que, em 2009, várias das suas composições foram escolhidas por Luca Guadagnino para integrar a banda sonora do seu filme Eu Sou o Amor.
Adams nasceu em Worcester, Massachusetts, no dia 15 de Fevereiro de 1947 — faz hoje 70 anos. Em jeito de parabéns, escutemos a sua peça Short Ride in a Fast Machine, de 1986, numa interpretação da San Francisco Symphony, sob a direcção de Michael Tilson Thomas.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Donald Trump está na televisão

Jack O'Connell e George Clooney
MONEY MONSTER
Como falar de Donald Trump sem pensar na sua dimensão televisiva? Eis uma pergunta que os membros da classe política não enfrentam — esta crónica foi publicada no Diário de Notícias (12 Fevereiro).

Pergunto-me se o leitor terá visto Money Monster, filme realizado por Jodie Foster, com George Clooney, Julia Roberts e Jack O’Connell nos papéis principais (estreado em Maio de 2016 e, entretanto, já disponível em DVD). De facto, apesar dos nomes envolvidos, passou mais ou menos despercebido. Nem mesmo a sua abordagem do populismo televisivo suscitou especial atenção.
Recordo a sua linha básica: Clooney interpreta o apresentador de um programa (“Money Monster”) que, em tom de espectáculo ligeiro, analisa os mercados financeiros, sugerindo aos espectadores os bons investimentos... Até que um dia, um jovem cuja vida ficou destruída por um desses investimentos entra no estúdio, em directo, com uma arma na mão...
Terá prevalecido um juízo de valor negativo sobre a realização de Foster, tida como ligeira e até irresponsável. Estou longe de concordar com tal ponto de vista — penso mesmo que, além de uma extraordinária actriz, ela é também uma cineasta de fina inteligência —, mas não é essa a questão. Acontece que as nossas sociedades raras vezes mostram alguma disponibilidade para pensar o papel (social, justamente) dos dispositivos televisivos.
Veja-se, ou melhor, escute-se o silêncio ensurdecedor com que se tem passado ao lado da dimensão televisiva do “fenómeno Trump”. Nem mesmo o facto de Donald Trump ter consolidado a sua imagem pública através de um “reality show” (14 temporadas de The Apprentice, na NBC) parece motivar os analistas no sentido de, pelo menos, nomear o poder da “caixa que mudou o mundo”.
Claro que qualquer sugestão nesse sentido tende a ser automaticamente atacada por um outro discurso (igualmente populista) segundo o qual os “intelectuais” tendem a demonizar a televisão. Essa é, aliás, uma maneira cínica de recalcar os contrastes que estão em jogo: por um lado, é no espaço televisivo que encontramos alguns dos fenómenos mais fascinantes do audiovisual contemporâneo; por outro lado, importa saber se isso nos dispensa de pensar a degradação humana e humanista que ocupa horas e horas dos nossos ecrãs (exemplo quotidiano: a visão obscena da sexualidade promovida pelo Big Brother e seus derivados).
O problema é suficientemente complexo para evitarmos cair na ingenuidade de supor que Trump “sem televisão” seria um detalhe insignificante. O problema começa no facto de a dimensão televisiva de uma figura pública poder ser uma componente essencial de poder. Estranhamente, os membros da classe política (direitas e esquerdas) têm medo de lidar com tudo isto.

Beyoncé, a Rainha Mãe

Adele ganhou o Grammy de álbum do ano com o seu 25. E, num gesto pouco comum, fez saber que, segundo ela, era Beyoncé "que devia ter ganho" (com o prodigioso Lemonade). Saudemos a sua lucidez e celebremos a performance de Beyoncé, em pose de Rainha Mãe [eis o seu discurso, ao receber o prémio de melhor "álbum urbano"].


>>> Nomeados e vencedores — Grammys.