quarta-feira, agosto 16, 2017

A IMAGEM: Murray Close, 1992

MURRAY CLOSE
Madonna
[rodagem do teledisco de This Is Used to Be My Playground]
1992

As agências de comunicação
que tratam os jornalistas por "tu"

PIERRE BONNARD
Auto-retrato
1889
1. Deixou de ser um acidente. Passou a ser um comportamento normalizado. Mais do que isso: ilustra uma forma de cultura que, como todas as formas de cultura, envolve uma percepção específica da identidade do outro.

2. Que acontece, então? Proliferam os emails provenientes de entidades — ditas agências de comunicação — que promovem determinados produtos, na área do audiovisual em particular, tratando-me por "tu" (sem esquecer que eu sou apenas um dos destinatários do colectivo de endereços que gerem). Umas vezes são assinados por homens, outras por mulheres; em qualquer caso, são pessoas que, pura e simplesmente, não conheço — convém, aliás, começar por lembrar que, na era das "amizades" virtuais, ter acesso ao endereço de email de alguém ainda não é uma forma de conhecimento, nem sequer banalmente social, dessa pessoa.

3. Que está a acontecer, realmente? Porque é tais pessoas consideram que podem, ou devem, tratar-me por "tu"?

4. Bem sei que a minha interrogação será lida na maioria dos casos como banal afirmação de autoridade etária ("olha ele ofendido..."). E, humildemente reconheço, não será fácil superar o maniqueísmo de tal visão.

5. Arrisco, de qualquer modo. É verdade que, apesar do meu interesse, estudo e máximo respeito pela cultura anglo-saxónica, ainda não me sinto obrigado a transpor para o português a gramática da língua inglesa. Dito de outro modo: a globalização do "you" não me leva a sentir-me obrigado a lidar com o meu semelhante através de um compulsivo "tu".

6. Em todo o caso, não vejo este infantilismo obrigatório do "tu" como uma banal falta de respeito. Em boa verdade, é muito pior do que isso: esse "tu" triunfante transporta uma brutal indiferença pelo outro.

7. Porquê indiferença? Porque a ilusória proximidade do "tu" pressupõe — ou quer impor — a ideia de que falamos a mesma linguagem.

8. Ora, seria importante que os homens e as mulheres que trabalham nas ditas tarefas de comunicação começassem por perceber uma lei básica da própria comunicação. A saber: podemos utilizar a mesma língua, mas isso não quer dizer que nos reconheçamos nas mesmas linguagens.

9. Ou ainda: não é porque decidem tratar-me por "tu" que eu passo a aplicar (muito menos sou obrigado a aplicar) as mesmas linguagens para falar, escrever ou pensar sobre os produtos que querem promover.

10. Pela evolução dos costumes — entenda-se: das linguagens —, sou mesmo levado a deduzir que os homens e as mulheres que nos tratam por "tu" consideram que os outros, a começar pelos jornalistas, só podem encarar os filmes ou as séries de televisão que promovem como produtos definidos a partir das regras que eles aplicam. Como chegaram a tão simplista visão? Valeria a pena trabalharem um pouco para compreender o mundo plural das linguagens e respectivas especificidades, nomeadamente as singularidades dessa velha arte de comunicação que se chama jornalismo — encore un effort...

terça-feira, agosto 15, 2017

Aaron Sorkin + Jessica Chastain

Aaron Sorkin, argumentista das séries Os Homens do Presidente (1999-2006) e The Newsroom (2012-2014), e de filmes como A Rede Social (David Fincher, 2010) e Steve Jobs (Danny Boyle, 2015), estreia-se na realização com Molly's Game — trata-se da adaptação do livro homónimo de Molly Bloom que, durante alguns anos, dirigiu um clube privado de poker frequentado por algumas das figuras mais poderosas de Hollywood.
Para além da expectativa suscitada pelo novo trabalho daquele que é um dos mais notáveis argumentistas da actualidade, não será arriscado supor que, no papel de Molly, Jessica Chastain surgirá, no mínimo, na linha da frente para uma nova nomeação para o Oscar. Seja como for, registe-se que Molly's Game será revelado em Setembro no Festival de Toronto, chegando aos ecrãs dos EUA no dia 22 de Novembro. 

>>> Trailer de Molly's Game + extracto de uma conversa com Aaron Sorkin na Loyola Marymount University, em 2016 + entrevista de CinemaBlend com Aaron Sorkin e Jessica Chastain, no ComicCon 2017.





Chelsea Wolfe em teledisco

Já sabíamos que Chelsea Wolfe vai lançar um novo álbum em Setembro. Começámos a conhecê-lo através do tema 16 Psyche que, agora, tem direito a tratamento em teledisco. Fiel ao seu intimismo surreal, a cantora californiana parece querer assumir as influências sonoras e figurativas de Marilyn Manson — et pour cause...

segunda-feira, agosto 14, 2017

Jacques Demy, aqui e agora (1/2)

A reposição de dois filmes de Jacques Demy é o grande evento cinéfilo deste Verão do nosso descontentamento — este texto foi publicado no Diário de Notícias (12 Agosto), com o título 'Quando a música é uma forma de erotismo'.

Vivemos um tempo de muitos delírios musicais, com streaming para todos os gostos, nostalgia do vinyl, concertos e mais concertos — sabemos mesmo que, por mais remota que seja a canção que queremos ouvir, o mundo virtual vai ajudar-nos a encontrá-la. Mas será que tudo isso constitui uma verdadeira memória? Podemos, agora, relançar a pergunta de modo insólito. Ou seja: quem se lembra do francês Jacques Demy?
Pois bem, naquele que é o mais belo acontecimento do nosso Verão cinematográfico, a distribuidora Midas Filmes repõe, em cópias digitais restauradas (a partir do dia 17, no cinema Ideal), duas obras-primas do cinema musical com assinatura de Demy: Os Chapéus de Chuva de Cherburgo (1964) e As Donzelas de Rochefort (1967).
JACQUES DEMY
(1931-1990)
Há qualquer coisa de “ovni” neste nome, até porque quando falamos de filmes musicais não nos lembramos do cinema francês, mas sim da idade de ouro de Hollywood — e convenhamos que Fred Astaire, Judy Garland ou Gene Kelly nos dão boas razões para celebrar tão glorioso período. Apesar de se ter revelado nos tempos heróicos da Nova Vaga francesa, Demy raras vezes surge citado ao lado de Jean-Luc Godard, François Truffaut ou Eric Rohmer.
Curiosamente, era o próprio que gostava de definir a sua primeira longa-metragem, Lola (1960), com Anouk Aimée, como um “musical sem música”, no sentido em que a sua exploração das convulsões do melodrama tinha qualquer coisa de musical. Demy via as relações humanas — e, em particular, as trocas amorosas — como um labirinto de temas e variações. Como se cada um de nós seguisse uma pauta de sentimentos e emoções que o parceiro do lado nem sempre reconhece. Daí as perturbantes dissonâncias. Daí também, em efémeros momentos de felicidade, as espectaculares harmonias — no cinema de Demy, a harmonia (musical ou afectiva) é uma forma de erotismo.

domingo, agosto 13, 2017

O Verbo e o Número [citação]

>>> O reino da retórica mobilizou discretamente o império da estatística. No princípio era o Verbo. No princípio será o Número.

RÉGIS DEBRAY
Gallimard, 2017

Maupassant no cinema

Que bom que é descobrir um filme que, realmente, se interessa pela literatura — este texto foi publicado no Diário de Notícias (10 Agosto), com o título 'Cinema e sensualidade'.

Vivemos um tempo em que os filmes nascem apenas porque alguém se lembra de usar um telemóvel (em movimentos agitados!) para registar qualquer coisa banalmente pitoresca... É um fenómeno da televisão e da Net, mas também do cinema profissional. Daí o bálsamo redentor que é A Vida de uma Mulher, de Stéphane Brizé, adaptando o romance Une Vie (publicado em 1883), de Guy de Maupassant.
Um velho preconceito poderá fazer pensar que se trata de enaltecer o filme “através” do objecto literário que o inspira. Nada mais errado — basta observar a avalancha de disparates televisivos que se vão fazendo em nome de muitas obras-primas literárias. Acontece que Brizé começa por integrar uma dimensão essencial da herança de Maupassant. A saber: a percepção das convulsões sociais (e, neste caso, muito em particular, dos dramas conjugais) através de uma permanente atenção à vibração dos corpos e olhares — e se isso se escreve, também se filma.
Tal como em A Lei do Mercado (2015), Brizé aplica um método que, à falta de melhor, apetece chamar sensual. Deparamos com uma ligação calorosa, um verdadeiro contrato expressivo estabelecido entre o olhar da câmara e os movimentos dos actores — tudo parece acontecer num ambiente improvisado, quase documental, mas a acumulação dos gestos e do tempo instala a sensação de uma tragédia suspensa.
Pressentimos, assim, a herança do mestre Max Ophüls que, aliás, adaptou alguns contos de Maupassant em O Prazer (1952). Tal como Ophüls, Brizé constrói os seus filmes a partir de uma elaborada discussão do próprio conceito de personagem social — assim acontecia em A Lei do Mercado, protagonizado por Vincent Lindon, assim volta a acontecer em A Vida de uma Mulher, com a admirável Judith Chemla. Em resumo: uma preciosidade cinematográfica.

Oneohtrix Point Never — uma banda sonora

Good Time é um thriller dos irmãos Ben e Joshua Safdie, apresentado, em Maio, na competição de Cannes. Filme menor, a meu ver, confundindo acção com multiplicação de agitação visual, mas com dois elementos a ter em conta:
— primeiro, a esforçada composição de Robert Pattinson, porventura capaz de ganhar alguma evidência no final do ano, na próxima temporada de prémios;
— depois, a brilhante banda sonora original, assinada por Oneohtrix Point Never (aliás, o talentoso Daniel Lopatin, compositor e produtor de uma música electrónica de estranha envolvência poética, cuja intensidade nasce, por vezes, de um obsessivo minimalismo); nela se inclui uma canção de desencantado romantismo, The Pure and the Damned, interpretada por Iggy Pop, também ele em tom minimalista.

Love, make me clean
Love, touch me, cure me

The pure always act from love
The damned always act from love

Every day I think about untwisting and untangling these strings I'm in
And to lead a pure life
I look ahead at a clear sky
Ain't gonna get there
But it's a nice dream, it's a nice dream

Death, make me brave
Death, leave me swinging

The pure always act from love
The damned always act from love
The truth is an act of love

Some day, I swear, we're gonna go to a place where we can do everything we want to
And we can pet the crocodiles

Love
The pure always act from love
The damned always act from love
That's love
The pure always act from love
That's love
The pure and the damned
The pure and the damned
Love
The damned

sábado, agosto 12, 2017

Egipto, 2013

* CLASH
Mohamed Diab
[DN, 11-08-17]

Filme de abertura da secção “Un Certain Regard” do Festival de Cannes de 2016, Clash é, acima de tudo, um singular testemunho sobre a história recente do Egipto. Tendo por pano de fundo o clima de agitação que conduziu ao afastamento do presidente Mohamed Morsi, no Verão de 2013, a acção reúne num espaço claustrofóbico — o interior de uma carrinha de transporte de prisioneiros — elementos do exército, da Irmandade Muçulmana e alguns cidadãos sem identificação ideológica clara.
O resultado é um psicodrama que tende a satisfazer-se com o seu próprio delírio formalista, de alguma maneira secundarizando os elementos dramáticos que colocou em movimento — seja como for, eis um microcosmos capaz de nos levar a olhar (e pensar) um contexto muito particular para além das imagens correntes de raiz televisiva

"Moonlight" por Jay-Z

Parece uma imagem típica de uma série como Friends?... Parece, sem dúvida. Com uma diferença: desta vez, a cor da pela das personagens não é branca, mas negra. Estamos perante o novo teledisco de Jay-Z, para Moonlight, mais um tema do seu álbum 4:44 (poucos dias depois de Adnis) — entre os actores incluem-se LilRel Howery e Tessa Williams que conhecemos, respectivamente, dos filmes Foge, de Jordan Peele, e Creed: O Legado de Rocky, de Ryan Coogler.
Dirigido por Alan Young, este Moonlight não é estranho ao filme Moonlight, de Barry Jenkins... Mas dizer mais do que isto seria retirar ao leitor/espectador a possibilidade de descobrir por si próprio aquilo que está em jogo, a começar pela citação/recriação de Friends. Lembremos apenas que, no contexto carregado de informação & desinformação em que vivemos, há uma cultura popular que, através de uma calculada esquizofrenia, nasce da discussão das suas próprias mensagens e matérias informativas — Jay-Z é, afinal, um brilhante transformador de linguagens.

Yeah, got Lil Cos up here with me
Yeah, yeah

We stuck in La La Land
Even when we win, we gon' lose
We got the same fuckin' flows
I don't know who is who
We got the same fuckin' watch
She don't got time to choose
We stuck in La La Land
We got the same fuckin' moves

Y'all niggas still signin' deals? Still?
After all they done stole, for real?
After what they done to our Lauryn Hill?
And y'all niggas is 'posed to be trill?
That's real talk when you behind on your taxes
And you pawned all your chains
And they run off with your masters
And took it to Beverly Hills
While we in Calabasas
And my head is scratchin'
'Cause that shit is backwards
That shit ain't right
Lucian is cool but Lucian don't write
Doug ain't this tight, so
Fuck what we sellin'
Fuck is we makin'?
'Cause their grass is greener
'Cause they always rakin' in mo'
Nah, nah, nah...

quinta-feira, agosto 10, 2017

Marilyn x 4

Os Homens Preferem as Louras (1953)
A partir de hoje, nos TVCine, podemos ver ou rever quatro títulos emblemáticos de Marilyn Monroe — este texto foi publicado no Diário de Notícias (8 Agosto), com o título 'Reencontrando as memórias felizes de Marilyn Monroe'.

Habituados que estamos às datas “redondas”, não nos apercebemos que no dia 5 de Agosto se completaram 55 anos sobre a data da morte de Marilyn Monroe.
Niagara (1953)
É verdade que a proliferação de efemérides nem sempre nos permite conhecer melhor o passado que nos assombra. No caso de Marilyn, podemos mesmo dizer que a sua condição de ícone universal há muito a libertou da dependência de datas e celebrações. Daí que o regresso de quatro dos seus filmes — a partir do dia 10, nos canais TVCine — possa envolver um misto de reconhecimento e surpresa.
São quatro títulos originalmente lançados no espaço de pouco mais de dois anos: Niagara (primeira exibição: dia 10) e Os Homens Preferem as Louras (dia 31) são estreias de 1953; Rio sem Regresso (dia 17) é de 1954 e O Pecado Mora ao Lado (dia 24) surgiu em 1955. Antes, Marilyn apenas tinha interpretado papéis secundários, como em Eva (1950), de Joseph L. Mankiewicz, ou A Culpa Foi do Macaco (1952), de Howard Hawks; depois, entre os momentos mais emblemáticos da sua carreira, podemos destacar Paragem de Autocarro (1956), de Joshua Logan, e Quanto Mais Quente Melhor (1959), de Billy Wilder, desembocando nesse filme simbolicamente terminal que é Os Inadaptados (1961), de John Huston.

A marca de Preminger

Para muitos espectadores, a surpresa estará, por certo, no filme assinado por Otto Preminger: Rio sem Regresso é, de facto, um “western”, género estranho tanto na filmografia do realizador como da actriz. Rezam as crónicas da época que Preminger terá assumido a tarefa apenas por obrigações contratuais com a 20th Century Fox; era, aliás, reconhecido como um dos mais sofisticados especialistas nos cruzamentos do melodrama com o “noir”, tendo já assinado clássicos como Laura (1944) e Turbilhão (1949), ambos com Gene Tierney.
Rio sem Regresso (1954)
Não admira que Rio Sem Regresso seja bem diferente dos “westerns” produzidos na época, com destaque para Vera Cruz, de Robert Aldrich, o grande sucesso do género nesse ano de 1954. Pouco empenhado em coreografar as chamadas cenas de acção, Preminger deslocou o peso dramático do filme para os dilemas morais da personagem de Robert Mitchum, confrontado com a necessidade de explicar ao seu filho em que condições tinha morto um homem. Não sendo secundarizada, Marilyn surge, em todo o caso, como uma espécie de espelho emocional de Mitchum naquela que é uma das suas composições mais contidas e subtis.
Rio sem Regresso foi também um objecto pioneiro de um fenómeno técnico — a generalização do CinemaScope — que, na altura, funcionou como um fundamental factor comercial. Tentando contrariar o facto de os espectadores consumirem cada vez mais televisão, Hollywood apostava no formato “largo” de modo a oferecer uma grandiosidade com que, obviamente, os ecrãs caseiros não podiam competir. Os filmes em CinemaScope tinham começado a aparecer nas salas no ano anterior e, curiosamente, Marilyn participara num deles: Como se Conquista um Milionário, de Jean Negulesco, com Lauren Bacall e Betty Grable.

“Technicolor” e felicidade

Os outros títulos a exibir nos TVCine constituem uma trilogia que resume e consagra a transformação de Norma Jean Mortenson, “pin-up” de Hollywood, em Marilyn Monroe, estrela capaz de transcender o próprio modelo de “loura fatal” que herdou de Jean Harlow (1911-1937) ou Lana Turner (1921-1995).
O Pecado Mora ao Lado (1955)
Howard Hawks, perverso retratista das convenções narrativas de Hollywood, soube como poucos exponenciar essa vocação de Marilyn, em particular contrapondo-lhe a morena Jane Russell em Os Homens Preferem as Louras, não exactamente uma comédia erótica, antes uma comédia capaz de brincar com as próprias regras de definição do erotismo e, em particular, das fronteiras entre masculino e feminino. A lendária fotografia de Marilyn num exuberante vestido dourado, com o decote em “V”, pertence à campanha publicitária do filme, tendo ficado como uma das suas imagens mais universais.
Dir-se-ia que Marilyn foi um grãozinho na engrenagem dos melodramas conjugais típicos da idade de ouro de Hollywood. Sob a direcção de Billy Wilder, O Pecado Mora ao Lado, centra-se, aliás, na convivência de Marilyn e um homem casado (Tom Ewell) que ficou em Nova Iorque enquanto a mulher e o filho foram para férias — a cena em que o vestido branco de Marilyn se agita com o ar que sopra das entranhas do metropolitano gerou outra das suas imagens mais conhecidas (em particular através das fotografias daquele que foi um dos seus amigos mais próximos, Sam Shaw).
Enfim, Niagara, de Henry Hathaway, constitui uma espécie de dicionário básico de Marilyn. A radiosa exuberância do “technicolor”, intensificando o louro do cabelo e o vermelho dos lábios — e do célebre vestido em que interpreta a canção Kiss [audio] —, corresponde a um momento em que Hollywood e o esplendor do espectáculo se confundiam numa só mitologia. Sabemos que nem tudo aconteceu assim, mas isso não é razão para abdicarmos das memórias mais felizes.

A excelência da Canon

Como se pode confirmar pelo ritual desta singularíssima selfie [sugere-se ampliação da imagem], a Canon, para além da excelência das suas câmaras, é também uma marca com um trabalho promocional de rara invenção e contagiante humor. A agência novaiorquina Grey tem sido uma das entidades a produzir alguns dos seus mais espantosos anúncios — veja-se o caso do novo 'Perfect Moments', a provar que os milagres digitais podem ser utilizados sem anular o gosto criativo nem menosprezar a paixão narrativa.