sexta-feira, novembro 22, 2019

Nova canção dos U2

Ahimsa — assim se chama a nova canção dos U2, fabricada com a colaboração do músico indiano A.R. Rahman, vencedor de dois Oscars, música e canção, com o filme Quem Quer Ser Bilionário? (2008). Contando com as vozes das duas filhas de Rahman, Khatija e Raheema, é a primeira composição da banda de Bono desde o lançamento do álbum Songs of Experience (2017) — em sânscrito, ahimsa significa "não-violência".

Haim, Hallelujah

Da ligeireza da pop faz parte o fantasma do drama, porventura a suspensão da tragédia. Assim é a música das Haim, as três irmãs de Los Angeles a atravessar um período de singles, por certo a preparar o álbum que sucederá a Days Are Gone (2013) e Something to Tell You (2017). Depois de Now I'm in It, aí está um belíssimo Hallelujah — a realização, cruzando depuração e elegância, volta a pertencer a Paul Thomas Anderson.

quinta-feira, novembro 21, 2019

Willem Dafoe
— a última tentação cinéfila

Willem Dafoe
A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO (1988)
O actor Willem Dafoe é um dos homenageados do Lisbon & Sintra Film Festival: entre os seus títulos mais emblemáticos inclui-se A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, filme gerado num contexto de produção de Hollywood que já não existe — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 Novembro).

Willem Dafoe, americano, 64 anos, é um actor gloriosamente inclassificável. Não encaixando no típico estatuto de “estrela”, também nunca se deixou devorar por qualquer imagem estereotipada (à maneira de um Robert Downey Jr., talento invulgar há mais de uma década desperdiçado na personagem de Homem de Ferro dos filmes da Marvel).
A versatilidade de Dafoe faz com que, numa filmografia de mais de uma centena de títulos, haja momentos dispensáveis. Ainda assim, todos eles reflectem uma disponibilidade criativa e um genuíno sentido de risco raros no universo dos actores, americanos ou não. O ciclo de homenagem que lhe está a ser dedicado pelo LEFFEST (a decorrer até dia 24) é sintomático das suas qualidades. Na sua didáctica brevidade, inclui mesmo dois filmes preciosos, muito pouco vistos: Viver e Morrer em Los Angeles (1985), policial apocalíptico de William Friedkin, e Auto Focus (2002), de Paul Schrader, admirável retrato interior da televisão dos EUA nos anos 60/70 que, além do mais, nunca teve estreia comercial no nosso país.
Exemplo radical dos riscos que Dafoe tem sabido correr encontramo-lo em A Última Tentação de Cristo (1988), de Martin Scorsese, também incluido na programação do festival. Três décadas depois, a memória das suas atribulações “polémicas” não basta para compreendermos a origem filosófica e as motivações afectivas do trabalho de Scorsese. Não se trata, de facto, de um medíocre objecto de “contestação” religiosa, desrespeitador das crenças seja de quem for. A sua perturbação começa no facto de o autor se situar, convictamente, no interior da própria religião que encena (ou reencena, já que estamos perante uma personagem presente em todas as épocas da história do cinema).
O regresso a A Última Tentação de Cristo adquire novos e pertinentes contornos simbólicos através de declarações recentes de Scorsese, considerando que os actuais filmes de super-heróis, nomeadamente com chancela Marvel/Disney, já “não são cinema”. O seu ponto de vista tem suscitado muitas reacções mais ou menos severas (inclusive de Robert Downey Jr…), quase todas enredadas num maniqueísmo pueril entre “bom” e “mau” cinema. De tal modo que o próprio Scorsese decidiu sistematizar as suas ideias num magnífico artigo publicado em The New York Times (4 nov.). No centro da sua argumentação está um duplo reconhecimento: primeiro, que os filmes de super-heróis resultam da aplicação de fórmulas de produção e narrativa sem risco, ignorando o “confronto com o inesperado” que o cinema sempre procurou; segundo, que tais filmes detêm um poder de ocupação das salas de todo o mundo que leva à marginalização de tudo o que é diferente, destruindo a própria diversidade cinematográfica (e, acrescento eu, deseducando os espectadores para essa mesma diversidade).
Qual a relação desta discussão com A Última Tentação de Cristo? Pois bem, este é um filme gerado no coração de Hollywood, com chancela de um grande estúdio (Universal Pictures), parecendo difícil imaginar que, agora, algum grande estúdio desse luz verde a semelhante projecto. É essa a tragédia: a indústria audiovisual mais poderosa do mundo está a ceder a uma lógica normativa que pode anular a versatilidade artística e comercial que define mais de um século da sua (e da nossa) história.
Sintoma esclarecedor: o projecto do mais recente filme de Scorsese, O Irlandês, foi rejeitado pelos estúdios de Hollywood, acabando por ser financiado por uma plataforma de “streaming”, a Netflix. O que, entenda-se, nos conduz a outra tragédia dos nossos dias: a Netflix dá-se ao luxo de não exibir o filme nas salas de muitos países, incluindo Portugal, aliás nem sequer parecendo empenhada em promover minimamente o seu “produto”. No respectivo site, gastam-se meia dúzia de linhas (literalmente!) para se concluir que se trata de um “aclamado filme de Martin Scorsese”. Sinal dos tempos: com a “aclamação” virtual morre o gosto cinéfilo.

Fiona Apple na banda sonora de "The Affair"

Já sabíamos que Fiona Apple tinha gravado o clássico The Whole of the Moon, de The Waterboys, para o episódio final da série televisiva do canal Showtime, The Affair. Embora correndo o risco de envolver alguns spoilers, a nova versão já circula pela Net através das imagens da própria série — grande canção, admirável Fiona Apple.

Prince: 1982, 1999, 2019
— SOUND + VISION Magazine [ 23 Nov. ]

A reedição do álbum 1999 (1982), um clássico da discografia de Prince, é pretexto para viajarmos através de memórias musicais (mas também cinematográficas...) que continuam a regressar ao mercado — Leonard Cohen não será esquecido.

* FNAC, Chiado — 23 Novembro (18h30).

Terry O'Neill (1938 - 2019)

[FOTO: Misan Harriman / The Guardian]
Fotógrafo de moda muito ligado ao imaginário da década de 60, o inglês Terry O'Neill faleceu a 16 de Novembro, em Londres, vítima de cancro — contava 81 anos.
Judy Garland, os Beatles e os Rolling Stones estão no seu imenso portfolio, embora seja insuficiente defini-lo como um retratista de personalidades do mundo do espectáculo. O desporto e a política foram também áreas que despertaram o seu interesse, sendo sempre capaz de fixar as figuras mais conhecidas e célebres, contrariando a procura de qualquer pose abstracta, privilegiando antes uma espontaneidade (quase) naturalista — recordemos apenas o exemplo modelar da fotografia de "reportagem" de Winston Churchill, em 1962, saindo do hospital em que tinha estado internado.


A família real britânica e a actriz Faye Dunaway (com quem foi casado) são também referências fundamentais no seu universo fotográfico. No cinema, desempenhou as funções de produtor executivo num filme protagonizado por Dunaway: Mommie Dearest/Querida Mãezinha (1981), de Frank Perry, evocação biográfica de Joan Crawford.


Entre os livros que publicou incluem-se Celebrity (2003), Every Picture Tells a Story (2016) e Bowie by O'Neill: The definitive collection with unseen images (2019). O seu trabalho está representado na National Portrait Gallery, em Londres, através de um conjunto de 77 imagens.
Audrey Hepburn (1966)
David Bowie (1977)
Jerry Hall (1988)

>>> Obituário na BBC.
>>> Terry O'Neill em Iconic Images.

quarta-feira, novembro 20, 2019

Le Mans — cinema & velocidade

Foi em 1966 que a Ford desafiou o domínio da Ferrari nas 24 Horas de Le Mans. O novo filme de James Mangold, Le Mans ‘ 66: o Duelo evoca esse momento de grande espectáculo, contando com excelentes interpretações de Matt Damon e Christian Bale — este texto foi publicado no Diário de Notícias (19 Novembro).

Ford GT40
A velocidade já não é o que era. Eis a lição, não exactamente automobolística, mas ética e estética, que encontramos num filme como Le Mans ‘ 66: O Duelo. De facto, neste tempo em que a aventura se mede pelo ruído ensurdecedor dos super-heróis digitais, cada vez mais repetidos e repetitivos, sabe bem encontrar um filme que, sendo sobre a vertigem da velocidade (e também com muito ruído, há que reconhecer...), se apresenta, acima de tudo, como uma saga humana e, no plano cinéfilo, uma reinvenção das parábolas clássicas sobre os labirintos da amizade.
Em boa verdade, está em cena um momento fulcral na evolução da história industrial dos automóveis, desde a sua tecnologia até ao seu apelo mitológico. O título original do filme resume a situação, quer dizer, o confronto de duas marcas lendárias: Ford v. Ferrari. Dito de outro modo: em 1966, perante o domínio dos italianos da Ferrari nas 24 Horas de Le Mans, com vitórias consecutivas nas seis edições anteriores, a Ford americana, liderada por Henry Ford II (neto do fundador Henry Ford), arriscou tudo no sentido de criar um novo modelo de automóvel capaz de desafiar o poder da Ferrari.
Encontramos aqui um misto de dramatismo e ironia cujas raízes simbólicas estarão, não exactamente no género dos “filmes-sobre-automóveis”, mas sim nas aventuras do velho Oeste. A relação entre Carroll Shelby, o construtor do espectacular Ford GT40, e o piloto Ken Miles actualiza toda uma tradição de histórias sobre as alianças entre homens que desafiam os seus próprios limites, cristalizada em “westerns” tão admiráveis como Rio Vermelho (1948), de Howard Hawks, ou, numa época de componentes ideológicas bem diferentes, Dois Homens e um Destino (1969), de George Roy Hill.
James Mangold, o realizador, está longe de ser estranho a estas questões, ele que, com sofisticado saber artesanal, já assinou títulos tão interessantes como Copland – Zona Exclusiva (1997), um policial com Sylvester Stallone, ou Walk the Line (2005), sobre a vida e a música de Johnny Cash. Neste caso, a sua visão é tanto mais elaborada e consistente quanto mostra saber que o essencial decorre de um metódico equilíbrio entre a dimensão mais física da acção e os seus vectores humanos e humanistas.
O tratamento dos automóveis, desde os treinos até às corridas propriamente ditas, é genuinamente espectacular, demonstrando (se dúvidas ainda houvesse...) que os mais modernos efeitos especiais podem servir para algo mais do que colocar os corpos metálicos de alguns super-heróis aos pulos... O efeito de vertigem das imagens na pista de Le Mans é tanto mais forte quanto a equipa de Mangold soube resistir a qualquer “embelezamento” dos carros de meados da década de 60: dos materiais de construção à percepção da pista, estamos perante uma encenação que sabe respeitar as componentes vitais de realismo que o contexto exige.
Matt Damon e Christian Bale, respectivamente como Shelby e Miles, são exemplares na transfiguração dramática desse realismo. O que nos faz sentir envolvidos com o seu empreendimento — construir, em poucos meses, um carro para vencer a Ferrari em Le Mans — não decorre da mera “ostentação” dos efeitos especiais. O mais importante é o facto de esse empreendimento se impor, em última instância, como um resgate das suas próprias histórias de vida: Shelby ainda marcado pelo facto de, devido a razões de saúde, ter sido levado a desistir da condição de piloto; Miles vivendo numa permanente tensão, por vezes dramática, outras vezes burlesca, entre o seu comportamento conflituoso e a procura obsessiva da perfeição absoluta para o seu carro e, claro, para a sua própria condução.
Alguns espectadores recordar-se-ão que toda a acção e mitologia típicas dos cenários de Le Mans ficou consagrada num filme de 1971, intitulado apenas Le Mans, realizado por Lee H. Katzin: as suas características quase documentais cruzavam-se com a consagração cinéfila do seu actor principal, Steve McQueen, ele próprio com uma carreira paralela de piloto de alta velocidade. Digamos que Le Mans ‘66: O Duelo é um descendente tardio desse filme (curioso, mas menor), de alguma maneira revalorizando a vocação mitológica inerente ao classicismo do cinema “made in USA”. Estamos, enfim, perante uma proposta realmente original no actual panorama da produção de Hollywood, com um toque simples, mas contagiante, de nostalgia.

Pet Shop Boys, ecologia & etc.

Hotspot, 14º álbum de estúdio dos Pet Shop Boys, chega a 24 de Janeiro de 2020. Para já, dois magníficos lyric videos dão-nos pistas para uma viagem musical & simbólica que parece marcada por ecos sociais e ecológicos — eis Dreamland (com a colaboração de Years & Years) e Burning the Heather.



terça-feira, novembro 19, 2019

José Mário Branco (1942 - 2019)

Personalidade central na história da música portuguesa do último meio século, José Mário Branco faleceu na noite de 18 para 19 de Novembro, vítima de um acidente vascular cerebral — contava 77 anos.
A presença de José Mário Branco nos caminhos portugueses da música reflecte uma invulgar versatilidade criativa, desde os tempos de resistência ao Estado Novo através de um álbum tão emblemático como Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades (1971), até ao recente Sempre (2018), álbum de Katia Guerreiro por ele produzido.
Desde muito jovem envolvido na luta política, como militante do Partido Comunista Português, exilou-se em França em 1963, só regressando a Portugal no imediato pós-25 de Abril. Conjugando autores como Luís de Camões, Alexandre O’Neill, Natália Correia e Sérgio Godinho, Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades seria uma das bandeiras da canção de protesto anti-fascista, registo que se transfiguraria em novos modos de intervenção social e política em álbuns como A Mãe (1978), Ser Solidário (1982), A Noite (1985), Correspondências (1990) ou Resistir É Vencer (2004) — este seria o seu derradeiro álbum de originais.
Na condição de produtor, a sua trajectória artística cruzou-se, entre outros, com José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto Bordalo Dias, Carlos do Carmo e Camané. A colaboração com Camané, iniciada com Uma Noite de Fados (1995), é normalmente apontada como um momento decisivo de reconversão da estética clássica de encenação musical do fado. Em 2014, a sua vida e obra foi tema de Mudar de Vida (2014), documentário da autoria de Nelson Guerreiro e Pedro Fidalgo.

>>> Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades + Ser Solidário + Dueto com Katia Guerreiro (Quem Diria).






>>> Obituário no Diário de Notícias.
>>> Emissão especial na Antena 1 [19-11-2019].

A IMAGEM: Philippe Halsman, 1948

PHILIPPE HALSMAN
Georgia O'keeffe
Novo México, 1948

domingo, novembro 17, 2019

Redes sociais, ódios sociais

Na CNN, palavras de um sobrevivente do Holocausto:
"As redes sociais são um instrumento poderoso na disseminação do ódio."
Muitas formas publicitárias de representação dos telemóveis tratam-nos como objectos inocentes e transparentes, a ponto de nos fazerem desistir de perguntar o que significa estar “em rede”: será preciso ir para lá das explicações de Mark Zuckerberg — este texto foi publicado no Diário de Notícias (9 Novembro), com o título 'Os ódios sociais'.

Entre as imagens que vi esta semana, registei esta com especial atenção. Pertence a um video da CNN que acompanha uma notícia (colocada online na quinta-feira) sobre a italiana Liliana Segre, senadora vitalícia de 89 anos responsável pela criação de uma comissão parlamentar contra o ódio, o racismo e o anti-semitismo. Segundo dados do centro de documentação da Fundação Judaica sediada em Milão, Segri tem sido alvo de mensagens “particularmente agressivas”, publicadas nas chamadas redes sociais à média de duas centenas por dia.
A imagem surge num registo audiovisual muito breve (pouco mais de dois minutos) que complementa a notícia. As legendas não são opcionais: por certo reconhecendo a importância do que é dito pelas duas pessoas entrevistadas — o alemão Manfred Goldberg e a francesa Freda Wineman, ambos sobreviventes do Holocausto —, a CNN inscreveu-as nas próprias imagens.
Campo de concentração de Auschwitz
As palavras de Goldberg são especialmente incisivas e pedagógicas: “O que me traz uma tremenda preocupação é que, em nome da liberdade de expressão, parecemos ignorar a lição da história.” Que lição? O video vai mostrando imagens do campo de concentração de Auschwitz, evitando a convencional voz off para “comentar” o que está a ser visto, optando antes por introduzir esta legenda: “Manfred diz que as redes sociais são um instrumento poderoso na disseminação do ódio.”
Por uma coincidência que está longe de ser irrelevante, esta foi também a semana em que Hillary Clinton teceu algumas considerações sobre a decisão anunciada pelo Facebook de não verificar a veracidade (“fact-check”) das informações incluídas na publicidade política que integra nas suas páginas. O seu testemunho teve como cenário a apresentação, em Nova Iorque, do documentário The Great Hack, produção da Netflix sobre o escândalo de manipulação de dados de milhões de pessoas, envolvendo a empresa Cambridge Analytica e o Facebook. Recordando o facto de, em 2016, o Facebook ter espalhado uma notícia (falsa) segundo a qual o Papa Francisco manifestara apoio a Donald Trump, seu adversário na eleição presidencial, Clinton considerou que Mark Zuckerberg “deveria pagar um preço” pelo que está a fazer à democracia.
Não se trata de demonizar os muitos e fascinantes recursos que a tecnologia nos proporciona. A questão é outra. No video da CNN, há também algumas imagens de uso de computadores associadas a mais algumas palavras de Goldberg: “Agora, a comunicação instantânea significa que qualquer pessoa individual que queira propagar pontos de vista contaminados por ódios raciais, pode fazê-lo de modo muito mais efectivo do que os nazis alguma vez conseguiram.”
A Rede Social
Claro que o video está longe de esgotar os dados de toda uma conjuntura que é política, económica e simbólica, numa palavra, cultural (o mesmo se poderá dizer, aliás, deste texto). Em qualquer caso, creio que importa reconhecer o valor de imagens como esta, capazes de resistir às mais agressivas representações publicitárias que endeusam os telemóveis como objectos dotados de uma vocação virginal de transparência e ecumenismo.
Nestas pequenas clivagens figurativas trava-se muito da guerra contemporânea das imagens. E em especial nos domínios globais — a começar pela Internet, suas informações e práticas publicitárias — em que o triunfo de um “naturalismo” supostamente imanente tende a esmagar as possibilidades de ver e pensar de maneiras diversas.
“Os utilizadores estão interligados, é esse o único objectivo” — quem o diz é Zuckerberg, ou melhor, a sua personagem tal como surge encenada num filme genial e premonitório sobre os malefícios do Facebook chamado A Rede Social (David Fincher, 2010). Resta saber se nós, adultos, estamos a usar os poderes de educação dos mais novos para lhes fornecer alguma consciência sobre o que significa estar “em rede”. Será que quando um adolescente pergunta o que foi Auschwitz, nos limitamos a dizer para procurar no telemóvel?...

Attacca Quartet + Beethoven

Já conhecíamos, aqui, o Attacca Quartet através da sua colaboração com a extraordinária Caroline Shaw. A interpretação do Quarteto nº 15, Op. 132, de Ludwig van Beethoven, pode ser um novo exemplo do depurado sentido dramático com que têm sabido abordar as composições mais complexas, difíceis e abertas a metódicas releituras — eis o emblemático III andamento, um tour de force com um pouco mais de 20 minutos.

sábado, novembro 16, 2019

"Le Mans '66" tem playlist no Spotify

Em paralelo com o lançamento nas salas do magnífico Le Mans '66: o Duelo, de James Mangold, o Spotify disponibiliza uma playlist "inspirada" pelo filme. Assim, além de vários fragmentos instrumentais da banda sonora original, composta por Marco Beltrami e Buck Sanders, encontramos uma série de canções seleccionadas por Jon Bernthal, Joss Lucas e Tracy Letts, três dos secundários da ficha de intérpretes do filme. Eis a lista e, em baixo, a memória de um dos temas escolhidos — The Weight, por The Band —, tal como surge no filme A Última Valsa (1978), de Martin Scorsese.

JON BERNTHAL
Ronny & The Daytonas – GTO
Dean Martin – Ain’t That a Kick in the Head
Grateful Dead – Friend of the Devil
Leadbelly – John Hardy
Dion DiMucci – Runaround Sue

JOSH LUCAS
Stevie Wonder – Fingertips (parts 1 & 2)
The Beatles – Norwegian Wood
The Doors – The End
The Band – The Weight
Jefferson Airplane - White Rabbit

TRACY LETTS
Cannonball Adderley Quintet – Mercy, Mercy, Mercy
Wayne Shorter – Footprints
Sergio Mendes and Brasil ’66 – Mais Que Nada
Lee Morgan – Sunrise, Sunset
Wayne Shorter – Speak No Evil

Miles Davis, jazz, pop & etc.
— SOUND + VISION Magazine [ hoje ]


A propósito da edição de um álbum inédito de Miles Davis, Rubberband, celebramos um gigante do jazz e o seu envolvimento com outros domínios musicais — com derivações pelo mundo do cinema.

* FNAC / Chiado — hoje, 16 Novembro, 18h30.

sexta-feira, novembro 15, 2019

Impeachment, em 7 minutos

Conhecer o presente, compreender os acontecimentos para além da espuma mediática: eis um trabalho eminentemente jornalístico que alguns videos do New York Times ilustram de modo exemplar — aqui, para entender melhor o processo de destituição [impeachment] de Donald Trump, eis 7 didácticos minutos.

As jóias de Amie Milne

Se fosse necessário alguma justificação artística, evocaríamos, talvez, a idade de ouro da pintura dos Países Baixos... Mas não precisamos de cauções. As fotografias da australiana Amie Milne, sediada em Londres, distinguem-se por um tratamento de luz e cor que lhes confere uma verdade própria, para além (ou através) de todas as referências que possam ter influenciado a autora. Eis alguns exemplos do seu magnífico trabalho com a modelo Lorna Foran, tendo como tema as jóias incluídas na campanha de Natal da Liberty London — portfolio completo em Models.com.