Segunda-feira, Julho 20, 2009

Jean-Luc Godard e o luar

O romantismo sem fronteiras de Jean-Luc Godard colocou Marianne e Ferdinand (aliás, Anna Karina e Jean-Paul Belmondo) sob o efeito de um luar carregado de ironia política. Aconteceu em Pedro o Louco (1965). Afinal de contas, eram tempos da Guerra Fria e o discurso amoroso — do homem para a mulher — envolve algumas pedagógicas considerações sobre russos e americanos na superfície lunar... Avant la lettre.

Lua 1969: A chegada

Foi ao fim do dia que Neil Armstrong desceu as escadas do Módulo Lunar. Activou a pequena câmara que então revelou as imagens que as televisões puderam mostrar. Desceu o último degrau. Foi o primeiro ser humano a pisar um outro mundo. E pela sua voz dizia a frase mais célebre da era espacial: "É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade"... Faz hoje 40 anos.



As imagens mostram o momento da chegada de Neil Armstrong a solo lunar. Eram quase 23.00 quando Armstrong finalmente desceu para a superfície da Lua, Buzz Aldrin juntando-se a si 15 minutos depois. Na verdade estavam já sobre a Lua, todavia dentro do Módulo Lunar, há já algumas horas.
De manhã, bem cedo, Aldrin foi o primeiro a sair do Módulo de Comando, activando a energia do Módulo Lunarl. Armstrong juntou-se a ele uma hora depois, iniciando a verificação dos sistemas. Horas depois separavam-se do Módulo de Comando, no qual Michael Collins permaneceu em órbita.
Os minutos finais da descida sonbre a Lua não foram fáceis. Já perto do solo repararam estar a seis quilómetros do local inicialmente previsto, dirigindo-se para uma cratera. Armstrong tomou os comandos manuais do Módulo Lunar e, numa luta contra o tempo (e as reservas de combustível a terminar), alunou em segurança.
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Armstrong foi o primeiro a sair. Aldrin passou-lhe para as mãos uma máquina fotográfica Hasselbrad antes se abandonar o Módulo Lunar. As fotografias com boa resolução do passeio lunar da Apollo 11 só surgem então. Durante duas horas os astronautas permaneceram na superfície, tirando fotografias, colocando objectos para permitir a execução de experiências científicas e uma bandeira americana em pleno solo lunar. Depois de perdida a "primeira vez" para os soviéticos em anteriores conquistas na era espacial (o primeiro satélite, o primeiro ser humano no espaço e o primeiro cosmonauta em voo no vazio), os astronautas da Nasa davam uma vitória à Nasa.



Este outro vídeo apresenta um resumo de imagens da missão Apollo 11, desde a partida do foguetão ao regresso da cápsula à Terra, incluindo excertos de instantes no solo lunar. Note-se a presença da voz de Walter Cronkite, pivot que acompanhou a histórica emissão televisiva da CBS, nos EUA.

Três astronautas

Esta é a imagem da nova campanha da Louis Vuitton, pensada para assinalar os 40 anos da chegada da Apollo 11 à Lua. Na imagem três astronautas americanos. Da esquerda para a direita, Sally Ride (a primeira americana no espaço), Buzz Aldrin (da Apollo 11) e Jim Lovell (da Apollo 13).

40 anos depois...

Fala de uma contagem decrescente, de uma conversa entre uma missão central de comando e um certo Major Tom, em viagem no espaço. Editado em Julho de 1969, Space Oddity transformou-se num dos clássicos maiores da obra de David Bowie. E ciente dessa força, o próprio nunca desmontou plenamente os sentidos que correm pela canção. Sabe-se que Bowie se deixou marcar pela experiência de ver, alguns meses antes, o filme 2001: Odisseia no Espaço, de Stankey Kubrick. E das raras palavras que deixou transparecer sobre o tema sugeriu que a canção fala sobre alienação... A canção marcou o seu tempo. E a BBC usou-a na noite em que acompanhou, em directo, a chegada do homem à Lua



Hoje, a assinalar os 40 anos da chegada à Lua, David Bowie reedita em CD single este clássico de 1969. A canção surge em misturas estéreo e mono e nas versões então apresentadas no Reino Unido e nos EUA.

Noites assombradas...

Depois de uma pausa, os White Rose Movement anunciam para breve o seu regresso aos discos. O aperitivo para o seu segundo álbum chega na forma do single Small and The Witches Revenge, que para já podemos descobrir neste teledisco realizado por Russell Jones. Mais electrónicos, mais sombrios, mais tensos... Mais assombrados... Interessante, para já, esta evolução no som da banda. Esperemos pelo álbum.

Um 'sample' oficial para os Animal Collective

Os Animal Collective tornaram-se na primeira banda a conseguir a autorização legal para a utilização de um sample dos Grateful Dead. A notícia é veiculada pela Pitchfork, citando uma mensagem publicada no Twitter do management da banda, que dá conta de uma cedência do sample de Unbroken Chain para o tema What Would I Want Sky. Curiosidade adiocional é o facto, apesar de trabalhada originalmente entre Panda Bear e Avey Tare, a canção ganhou forma em ensaios que a banda desenvolveu em Lisboa, em Janeiro deste ano.

Domingo, Julho 19, 2009

Na Lua com Stanley Kubrick

Proezas do génio cinematográfico: um ano antes de Neil Armstrong e Buzz Aldrin caminharem sobre a superfície lunar... Stanley Kubrick já por lá andava! Aliás, a história ensina-nos que o cinema nunca foi um parente pobre nem das proezas da ciência nem das imaginações da literatura — 2001: Odisseia no Espaço, escrito por Kubrick e Arthur C. Clarke, estreou-se em 1968 (6 de Abril, nas salas dos EUA) e rapidamente entrou para essa galeria nobre onde figuram as obras capazes de cruzar o desconhecimento e o maravilhoso de forma de tal modo subtil e intensa que se revela capaz de superar quaisquer tendências, géneros ou modas.
É na Lua, na base Clavius, que decorre a cena essencial do contacto dos humanos com o célebre monolito negro, por um lado ecoando a "alvorada" em que víramos os macacos, por outro lado servindo de ponte para o enigmático final depois da expedição a Júpiter — a imagem da mão humana que toca o monolito tornou-se mesmo um dos símbolos mais fortes do filme.
Essa cena foi rodada, a partir de Dezembro de 1965, nos estúdios de Shepperton, Londres, escolhidos precisamente por causa da sua dimensão permitir a construção do gigantesco cenário da cratera Tycho, onde é descoberto o monolito; depois, as filmagens transferiram-se para os estúdios da MGM, em Borehamwood. Vale a pena revermos o trailer original de 2001, feito num tempo em que não se cortava tudo em planos muito curtos, apenas para criar "velocidade" e simular que acontecem muitas coisas...

A narrativa segundo Lucrecia Martel

Amy Taubin entrevistou Lucrecia Martel a propósito de A Mulher Sem Cabeça. Para além de um precioso retrato, o resultado é uma pequena lição sobre as artes da narrativa — este texto foi publicado no Diário de Notícias (18 de Julho), com o título 'Para além das histórias'.

Vale a pena ler a entrevista de Lucrecia Martel à edição de Julho/Agosto da revista Film Comment. A propósito do seu magnífico filme A Mulher Sem Cabeça (já estreado entre nós), a cineasta argentina considera que trabalha deliberadamente com elementos “falsos”. E afirma: “Para mim, um filme não é apenas o contar de uma história, mas uma tentativa de partilhar algumas percepções com o espectador. (...) Contar uma história é apenas o ponto de partida; é como um estratagema que se usa para poder partilhar algo que está para além da história.”
Eis uma visão estimulante do universo cinematográfico, sobretudo porque, por influência da televisão, somos muitas vezes levados a pensar que uma “boa” história é uma garantia inalienável. De facto, o que Lucrecia Martel recorda pode dizer-se de forma mais básica, porventura tosca, mas sugestiva: nem mesmo a aplicação de um texto de Shakespeare ou William Faulkner é uma garantia automática de um filme interessante. O cinema decide-se numa relação. Entre quem? Quem narra e quem assiste.

Lua 1969: Em órbita...

A 19 de Julho de 1969 a Apollo 11 passava pela primeira vez por trás da Lua e perdia, por momentos, o contacto com a Terra. Uma ignição do motor de bordo desacelerou a nave, assegurando a sua entrada em órbita lunar. A meio da tarde uma emissão televisiva mostrava, de órbita, imagens da superfície da Lua. A alunagem estava a menos de um dia de distãncia.

Inventar o século XX

Não é fácil definir qual é o momento que assinala, musicalmente, o início do século XX. No seu livro The Rest Is Noise, Alex Ross aponta a ópera Salomé, de Richard Strauss, como um importante ponto de viragem. De facto é um momento marcante. Mas as fronteiras aqui não são precisas. E, tanto antes como depois, há obras e autores onde se revelam indícios, sinais de mudança que antecipam linhas e destinos que a música depois tomou e que, assim, se afrirma igualmente fundamentais na definição da transição para um século XX que alargou em muitos sentidos os destinos da criação musical. Uma dessas peças indicadoras de sinais de mudança, apesar de estreada já em 1902 (em Viena), foi composta ainda em 1899. Trata-se de Verklärte Nacht (habitualmente traduzida para português como Noite Transfigurada), e representa uma das primeiras composições de Arnold Schoenberg. São inúmeras as gravações disponíveis deste sexteto, tendo a Deutsche Grammophon apresentado, na magnífiica série 20th Century Classics, em meados dos anos 90, uma interpretação pelo LaSalle Quartet, ao qual se junta Donald McInnes (viola) e Jonathan Pegis (violino).

Arnold Scoenberg (1874-1951) revelar-se-ia uma das principais figuras e referências da história da música no século XX. É sobretudo conhecido pelo trabalho que desenvolveu no que acabou conhecida como a “segunda escola de Viena”, que abriu alas à exploração da atonalidade. Desenvolveu a escala de doze tons, colocando em cena uma nova forma de usar as doze notas da escala cromática e foi o primeiro compoistor a propor uma música independente da presença de uma ideia melódica central ou de referência. As suas ideias marcaram as gerações seguintes de compositores, gerando reacções de devota admiração, mas também de total rejeição. Professor e teórico, reflectiu sobre uma nova forma de abordar a música através de um prisma mais analítico que teve depois influência directa nos compositores que contribuiram para a definição de caminhos de “vanguarda” em meados do século. Entre os seus discípulos contam-se nomes como os de Anton Webern e Alban Berg (as outras duas centrais da segunda escola vienense) e, mais tarde, John Cage. Em início de carreira, Schoenberg foi admirado por conterrâneos como Richard Strauss e Gustav Mahler, mas apenas este último o acompanhou até ao fim apesar de, a partir de certa altura, reconhecer que as suas músicas seguiam por caminhos bem diversos.

As origens da obra de Schoenberg assentam numa série de ensinamentos e ideais característicos da música alemã em finais do século XIX. E o sexteto Verklärte Nacht traduz não apenas sinais de inquietude de quem experimentava primeiros olhares além do horizonte, mas igualmente as marcas do pós-romantismo alemão, nomeadamente traduzindo a presença de Brahms e Wagner. A obra é um sexteto para cordas em apenas um andamento, dividido em segmentos que correspondem às cinco estrofes do poema homónimo de Richard Dehmel. Schoenberg fez uma versão para orquestra de cordas em 1971 e uma revisão da partitura em 1943 (na qual o compositor traduz a sua experiência como maestro). Ao longo dos anos esta música tem servido de “banda sonora” a várias produções de dança como, por exemplo, uma assinada por Ana Teresa de Keersmaeker, de que acima se mostra uma imagem.



Imagens de parte da interpretação de Verklärte Nacht, de Schoenberg, captadas ao vivo durante um concerto no Festival Internacional de Música de Câmara de Zagreb, em 2007.

Ecos um encontro há 500 anos

Versão editada de um texto publicado no DN, a 7 de Julho de 2009, com o título, "Ayutthaya quer novo museu sobre a presença portuguesa".

Imediatamente a sul da ilha que em tempos definia o coração da capital do reino do Sião morava a comunidade portuguesa que ali se instalou depois de estabelecida uma relação entre os dois povos, não muito tempo após o primeiro contacto, em 1511. Destruída por um ataque birmanês em 1767, a cidade de Ayutthaya ficou reduzida a escombros. O rei, corte e organismos oficiais deslocaram-se então para sul, estabelecendo nova capital em Banquecoque. E com os tailandeses também muitos dos portugueses que até então residiam em Ayutthaya caminharam para Banguecoque, instalando--se alguns no que é hoje o bairro de Santa Cruz, outros talvez juntando- -se aos que, desde o século XVII, viviam, na outra margem do rio, no bairro de Conceição.
Em Ayutthaya, contudo, permanece a memória da presença portuguesa. E recentes escavações arqueológicas começaram a devolver à luz do dia marcas concretas da mais antiga comunidade ocidental no reino de Sião, que chegou, a dada altura, a ter perto de mil habitantes.
À luz do dia, num local hoje musealizado, encontramos o que resta da igreja dominicana (foto que abre o post), uma das três que, à beira do rio Chao Phraya, serviam em tempos a comunidade portuguesa ali residente. Terminadas em 1984, as escavações junto a esta igreja revelaram não apenas as suas fundações e restos de paredes em tijolo vermelho, mas também uma série de esqueletos, alguns deles em exposição num edifício junto ao que resta do templo. As inundações de há 11 anos afectaram muito o espaço musealizado, tendo levantado as ossadas. Pelo que hoje parte do que se vê neste pequeno museu não são mais que moldes em resina. Duas ossadas reais estão contudo preservadas em vitrinas, acima do nível do solo, prevendo a eventualidade de nova inundação pelas águas do rio que corre poucos metros abaixo.
O director do museu explicou que é seu o desejo de poder construir um novo edifício para este museu, "talvez no próximo ano", estando neste momento "à procura de um financiamento junto do Governo tailandês". E falou de contactos com a Fundação Gulbenkian com vista a "uma possível ajuda neste orçamento". A construção em vista custaria perto de 160 mil euros (edifício), mas o director reconhece que precisa de juntar a essa soma mais 100 a 120 mil euros para cobrir todos os custos em vista. O novo museu ficaria situado entre o actual e o rio, e passaria a expor artefactos ali encontrados que estão guardados na reserva do museu da cidade, a não muitos quilómetros de distância, e que, por enquanto, não estão em exposição.

Não muito longe do local, uma recente campanha arqueológica revelou as fundações do que se pensava ser a igreja jesuíta. O director do museu atribui contudo as estruturas agora descobertas a um antigo templo budista (segunda imagem).
A terceira igreja, franciscana, continua ainda por localizar. Recentemente, agricultores acharam ossadas na zona que se pensa corresponder ao local onde terá existido em tempos. O terreno é hoje, contudo, uma propriedade privada. Pelo que a possibilidade de eventuais escavações existe, mas exigirá esforços oficiais para as viabilizar.

Sábado, Julho 18, 2009

Cinefilia no TCM

Os tradicionais valores cinéfilos e as mais modernas ideias de marketing não têm que ser incompatíveis. Bem pelo contrário: podem coexistir em alianças plenas de imaginação e sedução. Assim acontece, uma vez mais, com a campanha de Verão do canal TCM. Desta vez, o tradicional "Summer under the stars" é acompanhado pela criação de um novo visual para os títulos apresentados. São doze os filmes que evocam outros tantos actores:

- Sidney Poitier, ADIVINHA QUEM VEM JANTAR (1967)
- Cary Grant, LADRÃO DE CASACA (1955)
- Bette Davis, A CARTA (1940)
- Glenn Ford, GILDA (1946)
- Sterling Hayden, DR. STRANGELOVE (1963)
- Henry Fonda, AS VINHAS DA IRA (1940)
- Gloria Grahame, CORRUPÇÃO (1953)
- Yul Brynner, OS SETE MAGNÍFICOS (1960)
- Fredric March, O MÉDICO E O MONSTRO (1932)
- Harold Lloyd, O HOMEM-MOSCA (1923)
- Elvis Presley, O PRISIONEIRO DO ROCK AND ROLL (1957)
- Frank Sinatra, ALTA SOCIEDADE (1956)

As escolhas são tanto mais curiosas quanto nem sempre servem para citar os nomes mais óbvios (por exemplo, Rita Hayworth em Gilda, Glenn Ford ou Lee Marvin em Corrupção, Grace Kelly em Alta Sociedade). A colecção de todas as imagens pode ser descoberta no site do TCM, na secção dedicada ao ciclo 'Summer under the stars'.

Memórias do American Film Institute

O American Film Institute (AFI) continua a evoluir no sentido de valorizar e promover o seu património. Assim, passa a contar com um canal de video, cujo objectivo primeiro é a divulgação do seu arquivo, incluindo os registos das cerimónias de homenagem, "Life Achievement Award" — o lançamento do canal ocorre em paralelo com a transmissão televisiva da cerimónia deste ano, a 37ª, cujo homenageado é Michael Douglas. Este é um dos muitos videos já disponíveis, com Steven Spielberg num seminário no AFI, em 1977 (ano de Encontros Imediatos do Terceiro Grau).

Como desperdiçar Herman José

Herman José regressou à televisão num concurso de grande pobreza espectacular: é um sinal da televisão que (não) temos — este texto foi publicado no Diário de Notícias (17 de Julho), com o título 'A "questão" Herman'.

O concurso Nasci P'ra Cantar (TVI) é uma concretização rudimentar das promessas de “sucesso” individual que, hoje em dia, comandam a máquina televisiva. Nele podemos assistir a confrangedoras imitações de figuras nacionais e estrangeiras do mundo musical, ao mesmo tempo que a banalidade de tais imitações é consagrada como uma grande proeza “artística” (sublinhada pelas mais caricatas formas de paternalismo, incluindo a lírica exaltação do “trabalho” e a vivência de conto de fadas de cada “família”).
Por vezes, precisamos de sarcasmo para sobreviver ao entorpecimento que nos impõem. Por mero sarcasmo, diga-se, então, que este é um programa a que podemos reconhecer os méritos da dialéctica, uma vez que Nasci P’ra Cantar possui, pelo menos, as qualidades de uma perversa pedagogia: afinal de contas, as imitações de Tony Carreira ou João Pedro Pais podem ser tão boas como os originais, quiçá melhores...
No meio de tudo isto está, como apresentador, uma das pedras preciosas do nosso entertainment: Herman José. E é uma depressão imensa observar como o seu talento entrou no limbo do subaproveitamento. Não que eu pretenda julgar a pessoa. Fulanizar a “questão” Herman é mesmo passar ao lado do essencial: parece-me irrelevante montar processos de intenção e grosseiro transformar a praça pública em “tribunal” das vedetas populares. Além de que qualquer profissional, em qualquer área, tem toda a legitimidade para fazer as escolhas que muito bem entender.
Herman a apresentar Nasci P’ra Cantar não passa de um sinal, entre muitos, da metódica e agressiva formatação da paisagem televisiva. Passa-se o mesmo, por exemplo, com talentosos actores afogados nas rotinas das telenovelas. O que choca não são as escolhas individuais, mas a incapacidade do espaço televisivo para defender, preservar e, se possível, ajudar a desenvolver as qualidades dos seus profissionais. O que choca é a súbita irrupção de três mágicos segundos em que Herman imita os Bee Gees (ou empurra uma senhora para fora do enquadramento!) e a sensação de desperdício que perpassa no ecrã. De facto, o populismo televisivo serve-se com muito ruído e cores agressivas, mas a sua tristeza gela a alma.

Walter Cronkite (1916 - 2009)

CBS Evening News
20 de Julho de 1969

Foi o jornalista que ficou para a história como aquele em quem o povo podia confiar: "the most trusted man in America"; o Presidente Obama definiu-o como símbolo modelar de "uma indústria de ícones" — Walter Cronkite faleceu a 17 de Julho, contava 92 anos.
Tendo começado na rádio WKY (Oklahoma City), Cronkite teve a sua grande e decisiva viragem profissional quando, em 1950, entrou para a CBS, convidado por Edward R. Murrow, então figura marcante da estação (essa época está evocada no filme Boa Noite, e Boa Sorte, realizado por George Clooney em 2005; David Strathairn interpreta a personagem de Murrow). Quer isto dizer que Cronkite é produto de um jornalismo de raiz liberal, intransigentemente empenhado no conhecimento dos factos e na defesa da dignidade humana.
Em 1952, os seus trabalhos nas convenções dos partidos Democrata e Republicano impuseram um novo modelo de reportagem. Mas seria como apresentador do noticiário CBS Evening News (1962-1981) que Cronkite forjaria a sua imagem de marca: a de um apresentador atento às nuances das informações, mantendo sempre uma relação de proximidade afectiva com o espectador.
A notícia da morte do Presidente Kennedy, a guerra do Vietname, a chegada do homem à Lua ou o escândalo Watergate foram acontecimentos que entraram no imaginário americano também através das notícias apresentadas por Cronkite. Retirou-se do CBS Evening News a 6 de Março de 1981, tendo-lhe sucedido Dan Rather. Alguns anos depois, o sector de estudos jornalísticos da Universidade do Arizona recebeu a designação de The Walter Cronkite School of Journalism.

>>> 22 de Novembro de 1963: a notícia da morte de John Kennedy.



>>> Evocação de Walter Cronkite por Barack Obama.



>>> Obituário em The New York Times.
>>> Walter Cronkite em
The Huffington Post.
>>> Universidade do Arizona:
The Walter Cronkite School of Journalism.

Orchestral Manouevers In The Dark, 1983

Continuamos a assinalar o 30º aniversário da estreia em disco dos Orchestral Manouevers In The Dark visitando hoje o single de apresentação do álbum que se sucedeu ao marcante (e comercialmente bem sucedido) Architecture & Morality. Este é Genetic Engineering, single escolhido entre os raros momentos de pop melodista e "clássica" num álbum onde o grupo procurou várias experiências, nomeadamente ideias de colagem e repetição. Dazzle Ships (assim se chamava o álbum) foi um tropeção monumental nas vendas. Mas na verdade, e quase 30 anos depois, sobreviveu como um dos mais interessantes manifestos de inquietude entre a primeira geração da pop electrónica britânica. Revelando, sobretudo, a vontade em expandir horizontes de uma banda que não parecia então plenamente realizada no circuito tradicional apenas centrado numa lógica de singles de sucesso. Pena que o escorregão nas vendas os tenha assustado, desviando a carreira, em episódios futuros, para caminhos progressivamente menos desafiantes.



Imagens de uma actuação no programa televisivo 'The Tube', em 1983. Registo vocal ao vivo sobre fundo pré-gravado.

Lua 1969: Dia 3

Os astronautas foram acordados às 9.41, uma hora mais tarde que o suposto. Depois do pequeno almoço a manhã a bordo foi dedicada a tarefas de manutenção e limpeza. Às 16.40 iniciam nova transmissão televisiva em directo que, em quase uma hora e meia de emissão os mostra a abrir a escotilha do Módulo Lunar (na imagem) e a visitar o seu interior. Ao fim do dia estão a dois terços da distância entre a Terra e a Lua...

Sexta-feira, Julho 17, 2009

A pequena aventura de Harry Potter

Os filmes de Harry Potter chegaram ao grau zero da industrialização: nenhum trabalho dramatúrgico e a mera exibição de uma tecnologia sem alma — este texto foi publicado no Diário de Notícias (16 de Julho), com o título 'A agonia da grande aventura'.

Já se passaram quase oito anos desde o lançamento do primeiro título cinematográfico da saga “Harry Potter” (foi em Novembro de 2001). Entretanto, consta que alguns efeitos especiais do novo Harry Potter e o Príncipe Misterioso foram aplicados a “rejuvenescer” os seus actores principais (parecendo que não, Daniel Radcliffe, à beira de completar 20 anos, rodou o primeiro filme ainda com 11 anos). Não se trata, entenda-se, de censurar os processos de manipulação figurativa. Podemos mesmo perguntar: por que não? Afinal de contas, não vivemos no planeta de Michael Jackson em que o corpo-espectáculo existe como um objecto de permanentes e inusitadas transfigurações?
A questão que se levanta está para além do poder dos famosos efeitos especiais. O que importa reter é que os filmes de Harry Potter chegaram a um ponto de total fingimento em que o problema do “envelhecimento” dos actores principais é apenas um detalhe. Em 1981, Steven Spielberg lançou o magnífico Os Salteadores da Arca Perdida sob o signo de uma veemente palavra de ordem: “o regresso da grande aventura”. Agora, assistimos à metódica agonia da sua herança.
De facto, dir-se-ia que já ninguém se preocupa em fazer valer dois valores fundamentais da aventura: em primeiro lugar, a aplicação dos imensos e sofisticados recursos técnicos, não para serem exibidos como um fim em si mesmo, mas para servir o espectáculo; depois, a elaboração narrativa e a tensão dramática que é suposto a aventura conter. Aliás, em relação a este aspecto, a sinopse das longuíssimas duas horas e meia de Harry Potter e o Príncipe Misterioso poderia ser qualquer coisa como: não acontece nada até que, a poucos minutos do fim, há uma personagem que diz “o príncipe sou eu”. Pof!

Os bastidores de Mary Ellen Mark

MARY ELLEN MARK
Federico Fellini
Roma, rodagem de Satyricon (1969)

Grande senhora da fotografia americana, Mary Ellen Mark (n. 1940) tem uma parte fundamental da sua obra ligada ao cinema e, mais especificamente, aos bastidores das rodagens de filmes. Para fazer o balanço desse seu trabalho, acaba de lançar o livro Seen Behind the Scene: Forty Years of Photographing On Set (Phaidon), no qual se cruzam imagens épicas de Apocalypse Now, nas Filipinas, com figuras lendárias como Katharine Hepburn ou títulos mais recentes como Babel — algumas das imagens podem ser vistas num portfolio preparado pela Vanity Fair.

Na hora das versões

Da última vez que passou por Lisboa, Beck explicou que entre os discos que ainda gostaria de fazer morava a ideia de um álbum de versões. Entretanto começou mesmo a gravá-las. E aqui temos a sua leitura para Sunday Morning, a canção que abria o álbum de estreia dos Velvet Underground, com Nico, em 1967...

The Big Pink em Setembro

O álbum de estreia dos The Big Pink será editado no final do Verão. Segundo avança o NME, A Brief History Of Love terá lançamento a 14 de Setembro.

Lua 1969: Dia 2

Há 40 anos, por esta hora, já a missão Apollo 11 seguia a caminho da Lua. Os três astronautas, Neil Armstrong (na foto), Michael Collins e Buzz Aldrin são acordados às 8.45 com as primeiras notícias do dia. Entre as revelações, o desejo, expresso na véspera por um membro do Congresso, de levar o homem a Marte no ano 2000...
Às 12.17 três segundos de nova ignição do motor central corrigem a rota. Fazem-se novos testes.
Ao fim da tarde os astronautas fazem a primeira transmissão televisiva do espaço, mostrando a Terra à distância... É uma transmissão de 36 minutos, que aproveita para mostrar o módulo de comando.

A escutar o presente

Discografia Blur - 3
'Leisure' (álbum), 1991

Editado em Abril de 1991, Leisure deu aos Blur uma estreia promissora. Colheu críticas com algum entusiasmo na imprensa europeia (sobretudo no Reino Unido), e conheceu igualmente boa resposta por parte do público (chegou ao nº 7 em "casa"). É contudo um disco ainda revelador de um processo incompleto de descoberta de uma identidade (que na verdade só afloraria no álbum seguinte). Expõe algumas marcas de personalidade, revela já uma atitude vocal segura. Mas mostra ao mesmo tempo uma banda ainda mais atenta à agenda do seu tempo que a um programa próprio de acontecimentos. Na produção dividiram-se créditos entre Stephen Street (com presença protagonista), Mike Thorne e a própria banda. Aqui se cruzam híbridos pop/rock com alma dançante, piscadelas de olho às estéticas shoeghazer e ecos da redescoberta do psicadelismo, marcas características da cultura indie pop britânica de finais de 80 e inícios de 90. Mas mesmo entregues ao que parece uma vontade em traduzir a identidade de um presente (então estimulante, sem dúvida), os Blur mostram aqui sinais de uma capacidade em escrever grandes canções. Os três singles (She's So High, There's No Other Way e Bang!) e faixas como Bad Day, Birthday ou o "clássico" Sing são disso um bom exemplo.

Em Mae Taeng (e não só)



Imagens da Tailândia hoje em tons de verde. As duas primeiras fotos foram tiradas no norte do país, nas montanhas junto ao rio Mae Tang. A terceira foto foi tirada no jardim do museu de Ayutthaya.

Quinta-feira, Julho 16, 2009

Kate Schutt: jazzy

Suave e contundente, com raízes numa sensualidade que cruza folk e blues, sempre contaminada por um deambular muito jazzy, Kate Schutt é uma daquelas revelações simples e absolutas — tudo nela parece produto de uma espontaneidade sem mácula e, no entanto, sentimos no seu canto o peso de coisas muita antigas, intransigentemente misteriosas. A NPR inclui-a na mesma escola artística de Norah Jones e não há razão para resistir a tal filiação. Schutt nasceu nos EUA, mas vive no Canadá. Ligada ao projecto de edição ArtistShare, já tinha lançado No Love Lost (2007); agora, surge com The Telephone Game — do novo álbum, este é o tema Take Everything, no programa televisivo Canada AM.

Michael Jackson em chamas

Uma publicação americana, US Magazine, acaba de divulgar algumas breves imagens dos momentos em que, durante a rodagem de um anúncio, para a Pepsi, em 1984, os cabelos de Michael Jackson pegaram fogo. Em si mesmas, são imagens de fraquíssimo valor informativo. Em todo o caso, o tempo é de devoração de todas as memórias de Jackson — como se o planeta não permitisse que a sua herança encontre algum espaço de quietude. Não há maneira de estarmos fora desta avalancha. E do fogo que ateamos.

>>> CNN

Lua 1969: A largada

16 de Junho de 1969… Aos três minutos do zero a contagem automática dava luz verde para a partida. Havia ainda uma janela de segurança para um eventual abortar da missão. Mas com todos os sistemas a responder conforme esperado, o foguetão Saturno V levantava da rampa de lançamento, na Florida, às 9.32 locais. A missão Apollo XI ia a caminho de completar o desafio lançado oito anos antes. A bordo, Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins iam a caminho… O mundo inteiro, frente aos ecrãs de televisão, acompanhou o lançamento. No solo, nas instalações que a Nasa preparou para receber convidados e comunicação social, estavam mais de metade dos representantes dos EUA no Capitólio e perto de 3000 jornalistas de 56 países. Foi assim…



Com os três astronautas nas cadeiras do módulo de comando (no topo do foguetão Saturno V), o módulo lunar logo abaixo e um volume impressionante de combustível nos andares inferiores, a missão estava prestes a levantar…
A contagem decrescente tinha começado 28 horas antes. Os astronautas foram acordados às 4.15 da manhã. Ao pequeno almoço comeram um bife, ovos mexidos, tostas, um sumo de laranja e café. Às 5.35 começaram a vestir os fatos espaciais. Às 6.27 sairam das instalações e, numa carrinha com ar condicionado, seguiram para o elevador que os levou ao topo do foguetão. Eram 6.54 quando Neil Armstrong tomou o seu lugar na cadeira mais à esquerda. Collins logo depois sentou-se na da direita. Aldrin entrou em último, ficando ao centro. Às 9.27 o braço de acesso da estrutura de suporte ao fuguetão foi retirado… Cinco minutos depois, a largada aconteceu como o vídeo a recorda.
Às 12.22, quase três horas depois da largada, e já com o primeiro e segundo andares do foguetão libertos, a Apollo 11 interrompe a meio a segunda órbita terrestre e parte rumo à Lua.

Em frente ao espelho

É já o quarto single que Lilly Allen extrai do seu mais recente álbum It's Not Me It's You. Tem por título 22 e surge acompanhado por um teledisco que garante mais uma contribuição para uma interessante obra em construção.

Bryce Dessner com o Kronos Quartet

Guitarrista e compositor nos The National, Bryce Dessner escreveu uma peça para o Kronos Quartet. Tem por título Ayhem e será apresentada hoje à noite no Prospect Park (Brooklyn), integrada num festival que celebra este bairro de Nova Iorque.

Ópera de Bernstein no São Carlos

É uma das inesperadas (e boas) novidades da programação que o Teatro Nacional de S. Carlos propõe para a temporada lírica 2009/2010. Trouble In Tahiti, a primeira ópera de Leonard Bernstein (na foto) surge, partilhando com uma outra ópera de Rossini, um dos programas revelados entre as propostas de agenda de uma temporada que inclui ainda, entre outras produções, a quarta parte da tetralogia do Anel do Nibelungo, de Wagner, com encenação de Graham Wick, O Morcego (de J. Strauss) e Eugene Onegin (Tchaikovsky)... Depois de um ano algo desapontante, a temporada, pelo menos, parece prometer mais...

Em Ayutthaya (4)



Visitamos hoje o único templo que sobreviveu à destruição de Ayutthaya em 1767. Trata-se do Wat Na Phra Men, construído no século XVI, mas que hoje conhecemos com algumas remodelações inseridas em obras que decorreram no século XIX. Na primeira imagem, a porta (e os sapatos que ficaram lá fora)... Na terceira, um detalhe da decoração nas colunas.

Quarta-feira, Julho 15, 2009

O novo corpo cibernético (2/3)

O site Worth1000, fundado em 2002, tem como matéria principal a fotografia e tema de eleição o morphing de imagens. Recentemente, promoveu um concurso de 'Celebrity Cyborgs'. [1]

No novo corpo cibernético, todas as interioridades são feitas de circuitos fabricados, isto é, carecem de transcendência — talvez isso ajude a explicar o facto de as matrizes de muitas aventuras cibernéticas (a começar pela bem chamada Matrix) se organizarem como desesperadas viagens à procura da metafísica perdida.
Veja-se este cyber-Eminem. Que está ele a pensar? A pergunta esbate-se perante a geometria dos próprios circuitos que o fazem viver. A superfície do corpo deixou de ser a barreira que esconde uma interioridade de sangue e desejos, passando a existir como um painel de entradas e saídas — plug-in, plug-out, plug-in, plug-out... parece a intimação de um rap.
E há um pânico visceral (ou apenas metálico) que perpassa por tudo isto. Acontece que o corpo, de tão integrado por tantos circuitos, já não conhece as intermitências do prazer. Tudo se passa como se apenas houvesse êxtase(s), clímax atrás de clímax. Seria preciso ser um santo para viver tão divino excesso. Mas como não há santos no ciberespaço, restam os olhos tristes — aleluia!, a tristeza ainda é humana.

Solange F. e os preconceitos

Na edição de segunda-feira (13 de Julho) do programa 5 para a Meia Noite (RTP2), houve um momento particularmente inquietante. Filomena Cautela entrevistava Solange F., sendo os preconceitos o tema escolhido. Interrogada sobre eventuais consequências profissionais do facto de ter assumido publicamente a sua homossexualidade, a entrevistada deixou um testemunho perturbante. Disse-o com grande serenidade — como se pode verificar a partir dos 39m 25s do programa —, mas a dúvida ficou: perante o panorama do "mundo televisivo", e tendo em conta que não voltou a ter convites de trabalho depois desse assumir público, Solange F. tem, pelo menos, legitimidade para especular e usar a palavra "conspiração".
Não simplifiquemos. Sobretudo, evitemos favorecer o ruído, a gritaria e os sensacionalismos que as nossas televisões continuam a não querer suprimir. Além do mais, em termos pessoais, não quero esconder que o formato de 5 para a Meia Noite me suscita uma resistência muito forte. Independentemente de quem o conduz (sucessivamente, de segunda a sexta: Filomena Cautela, Fernando Alvim, Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges), vejo o programa como a materialização de um cliché, também ele um preconceito, que obriga os apresentadores a cumprir as regras de uma imagem da "juventude" em que tudo tem que ser "ligeiro", "divertido" e "espectacular". Na prática, quando tudo tem que ser assim, é difícil fazer passar algum efeito de seriedade. E por uma razão muito básica: qualquer valor dramatúrgico de comunicação, do divertido ao sério, nasce não da sua insistente reiteração, mas do contraste e confronto com os seus contrários — Chaplin continua moderno, hélas!
Dito isto, importa acrescentar que, pelo discurso de Solange F., passou um súbito e, insisto, perturbante efeito de verdade. De repente, a televisão conseguiu fazer-nos perceber que a transparência do real não é uma coisa automática e adquirida. Foi bom escutar algumas palavras que, no meio da agitação gratuita da paisagem televisiva (e do próprio programa), deixam alguma marca. E nos levam a pensar com elas, e através delas.

A estupidez segundo Madonna

Que fazer com tantas imagens? Como escapar à prisão analítica das televisões que nos obrigam a problematizar todas as as questões iconográficas a partir de oposições maniqueístas? Como fugir do "pró e contra", do "verdade ou mentira"?
Para a nova fase da 'Sticky and Sweet Tour', Madonna tem uma remontagem das imagens do interlúdio Get Stupid. E o menos que se pode dizer é que os resultados passam por três contundentes respostas àquelas perguntas:
1 - refazer o modo de apresentação: mostrar imagens não é expor candidamente uma matéria neutra, mas converter e reconverter sem cessar os seus contextos e significações;
2 - combater a indiferença: não acumular imagens mais ou menos intermutáveis, mas escolher lugares e efeitos precisos para cada uma delas;
3 - recusar o cinismo: ninguém é neutro quando mostra, desloca, refaz uma imagem — ao contrário do que proclama a puerilidade televisiva, através das imagens estamos sempre a ser políticos, isto é, a (re)figurar relações com os outros.

É pop... e a cores

Hoje rumamos à Irlanda do Norte, mais concretamente a Bangor, para descobrir o som dos Two Door Cinema Club, um dos nomes entretanto dados a conhecer pelo atento catálogo da Kistouné Records. Não têm baterista... São praticantes de uma pop rica em vitaminas de melodismo clássico, com ritmo quanto baste... Vejamos para onde o futuro os leva... Para já, aqui fica o teledisco que acompanha o single Something Good Can Work, realizado por Brian Philip Davis.

Hidden Cameras em Setembro

Os Hidden Cameras regressam aos discos em Setembro. Está confirmada para o dia 22 desse mês a edição daquele que será o quarto álbum de originais deste colectivo canadiano. O disco terá por título Origin: Orphan.

Julian Casablancas edita a solo

Julian Casablancas, o vocalista dos Strokes, vai editar um álbum a solo no Outono, revelou o NME. Será o terceiro membro da banda a encetar carreira discográfica em paralelo... O álbum terá por título Phrazes For The Young. O músico dará depois uma série de concertos para assinalar o lançamento.

Lua 1969: O ensaio geral

Em Maio de 1969, a missão Apollo 10 foi, em tudo, um ensaio geral para a Apollo 11, a quem estava destinada a primeira alunagem. Depois do ensaio do mólulo lunar, em órbita terrestre, na Apollo 9, a Apollo 10 rumou à Lua, replicando em tudo o plano de voo da Apollo 11 salvo a etapa final... Mesmo assim, o módulo lunar e os seus dois astronautas passaram a apenas 15 quilómetros da superfície lunar. Duas personagens do universo da BD ficaram ligadas a esta missão, uma vez que os tripulantes decidiram chamar Snoopy ao módulo lunar e Charlie Brown ao módulo de comando. À despedida, antes da descolagem, um grande Snoopy de peluche cumprimentou os astronautas.

Em Ayutthaya (3)



Fica no que era outrora o centro da antiga capital, em Ayutthaya. Construído no século XIV, o Wat Phra Ram é um dos mais imponentes monumentos da cidade. Em ruínas, contudo, destruído pelos birmaneses em 1767. A terceira destas imagens mostra um olhar de pormenor sobre a estrutura das paredes destas contruções, em tijolo. A parede que vemos na terceira foto é, contudo, do Wat Phra Mahatat (também em Ayuttaya).

Terça-feira, Julho 14, 2009

Beatles de auto-estrada

Nunca digas: desta água não beberei... Ou ainda: não comprarás discos nos postos de gasolina das auto-estradas... Este vem directamente de um desses postos e ilustra um dos modelos mais gastos da indústria de memórias: a "antologia-de-versões". Quand même: são os Beatles!
Enfim, convenhamos que nem tudo é perfeito em Hooked on the Beatles (Forever Gold, 2002). Desde logo porque as versões de Gino Marinello e sua orquestra (Michelle e Fool on the Hill) são demasiado easy para justificarem grande listening. Depois, porque há registos ao vivo nem sempre muito bem tratados (caso de The Long and Winding Road, por Tom Jones) e ainda um tiro ao lado: Jealous Guy, por Jose Feliciano, é de facto um tema de John Lennon, do seu segundo álbum a solo (Imagine, 1971). Mas há também, pelo menos, cinco preciosidades: Yesterday, por Shirley Bassey; Let It Be, por Tom Jones; Here Comes de Sun, por Nina Simone; e Come Together e Something, ambas por Ike & Tina Turner. Resta a indispensável informação ao consumidor: custou 4,5 euros.

>>> Come Together (Lennon/McCartney), do álbum Abbey Road (1969) — interpretação de Ike & Tina Turner (1971).

Como num 'trailer'

A voz dos Rilo Kyley, Jenny Lewis, editou um segundo álbum a solo. Agora mais um tema de Acid Tongue ganhou passaporte para receber imagens. É este See Fernando, canção com sabor rock'n'roll clássico e evidente calor e luz por perto. O teledisco é uma hilariante soma de marcas características do cinema de espionagem dos tempos da Guerra Fria. Mas em clima quente.

Vampire Weekend regressam em Setembro

O novo álbum dos Vampire Weekend está praticamente concluído. O disco deverá incluír temas como Cousins, White Sky, Taxi Cab ou California English, alguns deles entretanto já estreados ao vivo. O lançamento está agendado para Setembro.

Um festival sem noite

Um festival sem noite? É o que acontece, em tempo de Verão, em Traena, um pequeno arquipélago no norte da Noruega, já acima do círculo polar árctico. A paisagem natural domina o espaço que acolhe os festivaleiros campistas por alguns dias. A música chegou essencialmente por nomes com afinidades locais, entre os quais o colectivo The Whitest Boy Alive, a aventura presente aventura pop de Erlend Oye. A Les Inrockuptibles esteve lá e apresenta a reportagem no seu site:

Reportagem na Les Inrockuptibles.

Lua 1969: E mais um ensaio

Depois do sucesso da Apollo 8, em Março de 1969 era lançada nova missão, a segunda com tripulação a bordo do foguetão Saturno V. O objectivo principal da Apollo 9 foi o testar do Módulo Lunar, que foi efectuado em órbita baixa da Terra. Da memória desta missão fica, além da luz verde para avançar, a série de imagens de um passeio no espaço com os módulos de comando e lunar com a Terra por fundo.

Em Ayutthaya (2)



Continuamos em Ayutthaya, a velha capital do reino de Sião, na qual decorreu o primeiro encontro com os portugueses, em 1511. Hoje caminhamos pelo que, no século XV, foi um dos mais importantes templos da cidade, construido junto ao palácio real. Trata-se do Wat Phra Si Sanphet, dominado por três enormes pagodes que guardaram cinzas de monarcas de então.