quinta-feira, abril 18, 2024

The Cannonball Adderley Quintet, Plus (1961)

Fareed Zakaria e O Padrinho

Na CNN, Fareed Zakaria é um exemplo modelar de comentário político alheio a determinismos simplistas ou futurologia de bolso... Eis a sua reflexão sobre a a ameaça bélica do Irão e o possível envolvimento dos EUA — com passagem pelos diálogos de O Padrinho.
 

quarta-feira, abril 17, 2024

Maggie Rogers, Opus 3

Para começarmos a escutar o terceiro álbum de estúdio de Maggie Rogers, Don't Forget Me, continuando a explorar uma ideia pop que não rejeita, antes transfigura, as reminiscências de uma alma folk — eis The Kill, numa performance em The Late Show.
 

domingo, abril 14, 2024

Dream Baby Dream [Guerra Civil]

A vertigem de Guerra Civil, novíssimo e fascinante filme de Alex Garland, desemboca, no genérico final, num clássico do punk electrónico: Dream Baby Dream, lançamento de 1979 dos Suicide — eis o respectivo visualiser; em baixo, a versão de Bruce Springsteen.
 

sábado, abril 13, 2024

St. Vincent, Opus 7

O sétimo álbum de estúdio de Anne Erin Clark, aliás, St. Vincent, All Born Screaming (26 abril), anuncia-se em chamas — literalmente. Veja-se (e ouça-se!) o eloquente Broken Man, realizado por Alex Da Corte.
 

sexta-feira, abril 12, 2024

Phillips + Phoenix + Gaga

Joker - Folie à Deux, entre nós Joker - Loucura a Dois, chega às salas de cinema em outubro, com Todd Phillips de novo a dirigir Joaquin Phoenix, agora na companhia de Lady Gaga — digamos, para simplificar, que o seu primeiro teaser ficará como uma das mais belas curtas-metragens de 2024.

'Taylor Swift pode fazer com que Trump perca?'

'Taylor Swift vem em socorro: Biden sonha, nós também'
Laurent Provost
Libération, 24-04-13

domingo, abril 07, 2024

No centenário de Marlon Brando
— o rebelde relutante

Cinco Anos Depois (1961): Marlon Brando, actor e realizador

No dia 3 de abril, no Diário de Notícias, dois textos assinalaram a passagem do centenário do nascimento de Marlon Brando: 'Um homem chamado desejo', de Inês N. Lourenço, e este, de minha autoria, tendo como ponto de partida a sua autobiografia, publicada em 1994.

A autobiografia de Marlon Brando, escrita com a colaboração do jornalista e romancista Robert Lindsey, surgiu em 1994 (ed. Random House), com um título “roubado” a uma peça para voz e piano composta pelo checo Antonin Dvorak em 1880: Songs My Mother Taught Me, à letra, “Canções que a minha mãe me ensinou” [Ana Netrebko].
O facto de Brando ter decidido escrever sob o signo da mãe e dos seus ensinamentos constitui, por certo, uma dimensão essencial do livro e dos afectos que por ele perpassam. Em todo o caso, importa não esquecer que tudo isso se materializa em “canções”. Umas tristes, outras alegres, algumas deixando a sensação de uma pudica incompletude. Não são narrativas orientadas por uma qualquer moral determinista, antes revisitações de um passado tão singular quanto multifacetado que se exprime através do “canto” — entenda-se: obedecendo a uma musicalidade organizada para expor uma intimidade eivada de um realismo simples, próximo da candura infantil, alheio a qualquer facilidade espectacular.
O cruzamento de referências objectivas e múltiplas ambivalências surge expresso logo nas linhas de abertura: “Ao recuar, inseguro, nos anos da minha vida, tentando lembrar-me do que aconteceu, descubro que nada é claro. Creio que a primeira memória que tenho é de quando era demasiado criança para me recordar que idade tinha.”
Tais incertezas não são sustentadas por qualquer forma de lirismo redentor. Com palavras secas, estranhamente serenas, Brando considera mesmo que viveu num cenário errado: “Muitas vezes pensei que teria sido muito melhor se tivesse crescido num orfanato.” Porquê? Em boa verdade, confessa que não sabe explicar, mas identifica dois dados muito concretos do seu espaço familiar: “(…) creio que a minha mãe foi ficando cada vez mais desiludida e zangada com o comportamento de mulherengo do meu pai, enquanto ele ia ficando mas infeliz com o facto de ela beber.”
Daí a explorar uma imagem de auto-vitimação, à maneira das “vedetas” da televisão populista, seria um passo que, obviamente, é totalmente alheio às confissões de Brando. Com algumas surpresas, convém dizer, até mesmo nas referências ao Actors Studio, a “casa” da arte de representar de que ele foi (e é) um símbolo incontornável. Assim, se o víamos como um dos discípulos mais geniais de Lee Strasberg, figura central na história do Studio, somos levados a relativizar o retrato: “Depois de eu ter algum sucesso, Lee Strasberg quis fazer crer que isso se ficou a dever ao facto de ele me ter ensinado a representar. Ele nunca me ensinou nada. (…) Havia quem o reverenciasse, mas nunca percebi porquê. Para mim era uma pessoa sem gosto e sem talento de que nunca gostei muito.” Quem foram, então, os verdadeiros mestres de Brando? Stella Adler e Elia Kazan.

Sucesso & fama

Implacável com os defeitos que atribui a outros, Brando não o é menos consigo próprio, sobretudo quando se trata de recordar os tempos em que começou a experimentar o gosto do sucesso — em particular o período que passou em Paris depois do impacto de Um Eléctrico Chamado Desejo em palco (1947-49): “(…) sinto-me chocado por me ver coberto pela mesma sujeira que apontava nas pessoas que critiquei; a fama alimenta-se do esterco (“manure”) do sucesso e eu permiti que isso acontecesse.” Daí também o misto de desencanto e ironia com que Brando evoca os tempos de glória em que ele e James Dean, mais do que “embaixadores” do Actors Studio, foram transformados em cruzados de um novo conceito de juventude. Na legenda da foto de uma festa em que ambos estão presentes, escreve Brando: “Éramos ambos rapazes do campo, fomos promovidos como rebeldes. Dean imitava a minha maneira de representar e também aquilo que ele acreditava que era o meu estilo de vida.”
Dir-se-ia que a relutância em encarnar o seu próprio mito o levou a realizar Cinco Anos Depois (1961), “western” atípico que tem qualquer coisa de espelho de uma solidão sem remorso. Será também essa solidão que o leva a encarar a velhice como um tempo de culto do paradoxal minimalismo das memórias — recorde-se que Songs My Mother Taught Me foi lançado cerca de dez anos antes da morte de Brando. Assim, por exemplo, para “explicar” uma célebre fotografia em que o vemos ao lado de Marilyn, escreve: “Cruzei-me com Marilyn Monroe numa festa. Enquanto os outros bebiam e dançavam, via-a sentada num canto, quase sem se dar por ela, a tocar piano. Tivemos uma relação. Falámos pela última vez dois ou três dias antes de ela morrer.”

sexta-feira, abril 05, 2024

* 100 anos de comédia
— SOUND + VISION Magazine, FNAC [ 6 abril ]

Sherlock Jr., uma obra-prima de Buster Keaton, surgiu em 1924 — cruzando memórias de diferentes geografias e culturas, propomos uma viagem por um século de comédias (sem esquecer as suas canções).

* FNAC/Chiado — 6 abril, 17h00.

terça-feira, abril 02, 2024

Amy por Marisa Abela

Coisa séria: Back to Black, retrato biográfico de Amy Winehouse assinado por Sam Taylor-Johnson, é uma biografia de exemplar contenção e energia, redescobrindo a cantora através das matérias contrastadas da sua música, tudo pontuado pela admirável interpretação de Marisa Abela — chega aos ecrãs portugueses no dia 11 de abril.