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sexta-feira, setembro 25, 2015

Os corpos de Autre Ne Veut

O senhor Arthur Ashin, de Brooklyn, está de volta. Ou melhor, respeitando o seu cognome artístico: Autre ne Veut. Do seu novo álbum, Age of Transparency, sempre com a colaboração do realizador Aille Avital, ele traz-nos agora o tema título, numa demonstração eloquente de como as memórias mais nostálgicas do R&B podem ser combinadas com uma parábola futurista (?) em que a carnalidade dos corpos é, literalmente, posta à prova — tão indecifrável quanto envolvente.

domingo, agosto 09, 2015

Autre Ne Veut — transparência e música

A capa do novo disco de Arthur Ashin — nome artístico: Autre Ne Veut — joga bem com o título prometido: Age of Transparency. Está agendado para Outubro e, pela primeira amostra, será um fiel sucessor do anterior Anxiety: chama-se World War Pt. 2, o que, além do mais, sugere um efeito de continuidade com World War, derradeira faixa de Anxiety — o espantoso teledisco apresenta-se como uma encenação carnal de uma fusão de duas entidades, num belicismo carregado de ambígua sexualidade; assina-o Aille Avital, que também já tinha dirigido Ego Free Sex Free.

quarta-feira, setembro 25, 2013

Canção para um plano fixo

É curiosa (e invulgar) a opção do norte americano Arthur Ashin, que responde habitualmente pelo nome Autre Ne Veut, para o teledisco que acompanha o tema Ego Free Sex Free. Um plano fixo, no topo de uma sala de baile, as mesas arrumadas e uma pequena multidão evoluindo ao seu redor.... Bom, na verdade a opção deve ter sido do realizador Aille Avital Tsypin, que assina o teledisco. Aqui ficam as imagens.

quarta-feira, março 06, 2013

Autre Ne Veut: ecrãs e karaoke

Visto de Brooklyn, o mundo contemporâneo é um labirinto de ecrãs. Não é difícil aceitar tal definição. Mais ainda: se o dissermos cantando (quem se atrever a tal...), vamo-nos sentir numa paisagem de perversa ventriloquia em que alguém está sempre a fazer o karaoke de alguém. Comédia colectiva? Chamem-lhe assim, se quiserem, mas não menosprezem a ansiedade que a habita e, todos os dias, se fragmenta em novas e desesperadas ficções através das quais, bem ou mal, mais mal que bem, partilhamos a nossa verdade com os outros — aos mais apressados, sugere-se um salto imediato para o video, em baixo.
Este é, pelo menos, o fôlego filosófico que colhemos no trabalho do brilhantíssimo Arthur Ashin, inquilino de Brooklyn, cidadão do mundo e nostálgico, ma non troppo, de coisas mais ou menos electrónicas, anos 80 e afins, que em todo em caso nunca anulam uma obstinada fidelidade ao espírito R&B — e não menosprezemos o facto de o seu falsetto não disfarçar uma descomplexada dependência estética em relação a Prince. Isto sem esquecer a conjuntura de revival R&B em que, em tempos recentes, nos envolveram Frank Ocean ou Jessie Ware.
Em boa verdade, nenhum rótulo satisfaz na descrição de tão heterodoxo artista que nos deixa a sensação de uma discreta colagem aos sentimentos do seu/nosso tempo, nem que seja pelo exercício de um elegante pudor descritivo. Para que tudo bata certo, convém esclarecer que Ashin, avesso a falsas transparências, foi à língua francesa buscar um belíssimo e enigmático nome artístico: Autre Ne Veut. E que o seu novo álbum (cerca de dois anos depois da estreia com... Autre Ne Veut) dá pelo nome de Anxiety.
Ecrãs, karaoke, paranóia e uma desconcertante lucidez, estão condensados no magnífico teledisco de Play by Play, a canção de abertura do álbum. Para que conste, convém não menosprezar o facto de o desencantado romantismo do empreendimento desembocar num tema final, épico de contenção, servido com o título World War. Ficam avisados.