A neozelandesa Ella Marija Lani Yelich-O'Connor está de volta. E porque Virgin é o quarto álbum de Lorde, porque as suas canções parecem, mais do quer nunca, conciliar instrospeção e exploração formal, enfim, porque a cantora tem 28 anos, apetece dizer que a sua carreira está na fase da maturidade plena. Talvez. O certo é que, se regressarmos às origens (o seu primeiro álbum, Pure Heroine, surgiu em 2013), poderemos sentir que há nela um misto de precisão e obsessão que, desde muito cedo, a definiu como trovadora dos amores perdidos, porventura de perdição. Veja-se e escute-se What Was That.
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domingo, junho 29, 2025
quinta-feira, abril 17, 2025
terça-feira, agosto 23, 2022
O oceano de Lorde
Revisitando mais uma canção de Solar Power, terceiro álbum de estúdio da neozelandesa Lorde, lançado há um ano: se há um modelo de "teledisco-de-verão", aí está Oceanic Feeling a ilustrar as suas potencialidades. Ou como a sedução do oceano parece atrair sempre alguma réstia de utopia...
Oh, was enlightenment found?
No, but I'm trying, taking it one year at a time.
domingo, dezembro 24, 2017
10 DISCOS DE 2017 [3]
— Lorde
[ Arca ] [ Tricky ]
Em 2013, não era possível virar uma esquina sem ouvir Royals — parecia ser a fatalidade tradicional de uma voz condenada a receber o rótulo de one hit wonder. É verdade que o respectivo álbum, Pure Heroine, foi muito estimado, mas as vozes da desgraça profetizaram uma efémera vida artística para a neozeolandesa Lorde — para mais, a menina tinha, na altura, 17 anos... Pois bem, a arte de ser jovem envolve também a força e a energia para renegar a juventude. E o segundo álbum de Lorde, Melodrama, revela-se à altura das responsabilidades que a escolha do título envolve — We told you this was melodrama / oh, how fast the evening passes / cleaning up the champagne glasses. Na sua viagem de introspecção, Lorde consolida o dramatismo amargo e doce da sua voz, ao mesmo tempo reafirmando o carácter genuíno da sua alma pop, capaz de diluir a fronteira entre a sensibilidade indie e o chamado mainstream. Ei-la, na plena posse das suas virtudes de palco, interpretando Green Light, no 'Radio 1's Big Weekend', organizado pela BBC.
sábado, agosto 05, 2017
Na solidão de Lorde
Mais um teledisco de Lorde, de um tema do seu magnífico Melodrama: Perfect Places é o paradoxo triunfante de uma canção libertária e, ao mesmo tempo, habitada por uma solidão radical — talvez por isso, o teledisco, dirigido por Grant Singer, tenta devolver a intérprete, as suas muitas transfigurações, a uma natureza imaculada e utópica.
Every night, I live and die
Meet somebody, take 'em home
Let’s kiss and then take off our clothes
It’s just another graceless night
quarta-feira, julho 05, 2017
Glastonbury 2017
Performing arts — assim diz a promoção. O Festival de Glastonbury, todos os anos na região de Pilton, Somerset, continua a ser um evento cujos ecos transcendem a Inglaterra, impondo-se como uma viagem de celebração dos caminhos da música popular contemporânea. Este ano (21/25 de Junho) voltou a deixar uma bela antologia de performances. Aqui ficam três magníficos exemplos:
> Radiohead — o clássico Creep, do alinhamento do primeiro álbum da banda, Pablo Honey (1993).
> Lorde — Green Light, belo tour de force do seu segundo álbum, Melodrama, recentemente editado.
> London Grammar — através de uma sublime vocalização de Hannah Reid, o tema Rooting for You, incluindo no segundo álbum da banda, Truth Is a Beautiful Thing, também há poucas semanas chegado ao mercado.
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
Lorde canta Bowie
A 36ª edição dos Brit Awards, atribuídos pela indústria discográfica britânica, incluíu uma bela homenagem a David Bowie: depois de um medley de temas emblemáticos de Bowie, interpretados por músicos que o acompanharam ao longo de muitos anos, Lorde interpretou Life on Mars? [video] com especial depuração e emoção.
No palmarés, James Bay e Adele foram consagrados como melhores artistas britânicos do ano — palmarés no site oficial dos Brit Awards.
quarta-feira, setembro 23, 2015
Disclosure convidam Lorde
Dois anos depois de Settle, o duo inglês Disclosure tem estado a revelar alguns temas do seu segundo álbum, Caracal — agora, é a vez de Magnets, na boa companhia de Lorde.
terça-feira, janeiro 28, 2014
Lorde: "the new girl"
Na revista Rolling Stone, Rob Tannenbaum chama-lhe "the new girl". E não há dúvida que Lorde fez soar outra(s) nota(s) num universo, musical e mediático, ocupado pelo modelo de Miley Cyrus. A consagração nos Grammy — Royals, canção do ano — terá as ambivalências habituais de qualquer prémio, mas arrasta um simbolismo que merece ser sublinhado: afinal de contas, Lorde — aliás, Ella Maria Lani Yelich-O'Connor, neozelandesa, nascida a 7 de Novembro de 1996 — tem vivido através de uma pose e uma iconografia que, na sua impecável sobriedade, só a ela pertencem. Dos Grammy, justamente, aqui está a performance de Royals.
domingo, dezembro 29, 2013
Os melhores discos de 2013 (J. L.)
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| ARCHY MARSHALL (nome artístico: King Krule) |
* OS VELHOS. ... lembro-me quase sempre do mau humor de Jean-Paul Belmondo, em O Acossado (1959), de Jean-Luc Godard — numa cena de rua, quando uma jovem lhe tenta vender um exemplar dos Cahiers du Cinéma, sugerindo que, por certo, ele não tem nada contra a juventude, Belmondo responde: "Sim, gosto muito dos velhos".
Este ano, musicalmente, houve muitas e gratas razões para continuar a gostar dos velhos, a meu ver quase sempre mais genuínos e verdadeiros que muitas sofisticadas "imitações" pós-modernas, tão seriamente profissionais quanto emocionalmente inócuas. Lembro, por isso, as proezas de John Fogerty (Wrote a Song for Everyone), Paul McCartney (New) ou David Bowie (The Next Day); ou o monumento de relíquias esquecidas e recuperadas de Eric Clapton (Give Me Strength: The '74/'75 Recordings); ou ainda as novas aventuras de veteranos, embora de uma geração posterior, como The Flaming Lips (The Terror) e Nine Inch Nails (Hesitation Marks); além de que, last but not least, 2013 voltou a ter Beatles (On Air - Live at the BBC Vol. 2)!
* OS NOVOS. Dito isto, não posso deixar de reconhecer que a imagem corrente da juventude, combinando ridicularização mental e indiferença social (como é possível a MTV ter chegado tão baixo?...), foi sendo compensada e, sobretudo, corrigida pela simples e maravilhosa verdade do talento realmente jovem. É verdade: dos álbuns que fui escutando (e não tenho, nem de longe nem de perto, a pretensão de ter acedido a tudo, nem sequer a tudo o que, à partida, suscitava a minha curiosidade), muitos dos que me tocaram têm assinatura de gente muito nova, admiravelmente criativa.
Para mim, de facto, alguns dos grandes momentos musicais de 2013 foram de nomes estreantes. Daí a minha proposta, naturalmente instintiva e nada científica, de um top de primeiros álbuns — não sei se foram os "melhores", mas atrevo-me a pensar que a alegria de continuar a fazer música (velha, nova ou sem calendário) passa por aqui.
[Canção: EASY, EASY] Archy Marshall nasceu em Londres, usa o nome artístico King Krule e canta num registo de elaborado dramatismo que alguns incluem nos domínios da chamada neo-soul; o seu primeiro álbum foi editado a 24 de Agosto de 2013, dia do seu 19º aniversário.
[Canção: NIGHTCALL] Paisagens pop, horizontes electrónicos, alguma contaminação trip hop, dois rapazes (Dan Rothman, guitarra; Dot Major, piano, bateria e tudo o que for necessário) e uma rapariga (Hannah Reid, vocalista de serena teatralidade): são de Londres, of course.
[Canção: DAEDALUS] San Fermin? O festival de Pamplona? O álbum tem um touro na capa, mas a banda é a cena de trabalho de um compositor de Brooklyn, Ellis Ludwig-Leone, ex-assistente de Nico Muhly: sofisticação pop reescrita, em apoteose, como monumento sinfónico.
[Canção: HUSBANDS] Londres, outra vez. É um quarteto feminino que abraçou as radiosas angústias do pós-punk e soa como se o mundo tivesse começado ali (ou acabado, tanto faz...). A vocalista, Jehnny Beth, é de facto francesa e chama-se Camille Berthomier. C'est la vie.
[Canção: TENNIS COURT] Ninguém escapou a Royals, o single que fez de Lorde uma espécie de Miley Cyrus em versão alien. É bastante melhor, digo eu. E não vem de Londres: nasceu na Nova Zelândia, tem 17 anos e no seu BI consta o nome Ella Maria Lani Yelich-O'Connor.
[Canção: DEFAULT] Aviso à navegação: é o joker desta selecção. Porque é um primeiríssimo álbum, mas de uma banda de experts reunidos por Thom Yorke, incluindo o produtor Nigel Godrich e Flea, dos Red Hot Chili Peppers. Mas não será que soa um pouco a Radiohead? Não um pouco... Muito!
[Canção: HONEY] Será que podemos, ou devemos, falar de maturidade aos 22 anos? Torres chama-se, de facto, Mackenzie Scott e vem de Nashville. Em todo o caso, as suas raízes não estão exactamente no country, mas num rock primitivo, feminino, apaixonado e apaixonante.
[Canção: THAT'S ALRIGHT] Diz-se influenciada pelo som das Eternal. As profundezas da soul e as nuances do R&B ressurgem, cristalinas e sensuais, na voz desta intérprete inglesa, natural de Birmingham. Passou pelo coro de uma igreja, o que, bem entendido, só lhe fez bem.
[Canção: FALLING] Beach Girls? As três irmãs Haim são da Califórnia (Los Angeles) e praticam uma pop tão visceral quanto versátil, a que tem sido reconhecida a influência dos Fleetwood Mac. Elas preferem evocar as Destiny's Child, o que talvez seja outra maneira de dizer o mesmo.
[Canção: LAST OF THE SUMMER WINE] Provavelmente, como num filme dentro de um filme, não saímos do mesmo sítio. Ou seja: ainda de Londres, aí estão os Palma Violets, senhores de um garage rock puro e duro, sem desculpas nem modernices — e quem vier atrás que feche a porta.
segunda-feira, outubro 21, 2013
Lorde: a "outra" Miley Cyrus
O que é que Lorde tem a ver com Miley Cyrus? Muito pouco, na verdade. A não ser o facto de ambas emergirem num contexto (leia-se: um mercado planetário) em que, para o melhor e sobretudo para o pior, a juventude passou a ser uma marca de "produto".
Acontece que estamos perante uma personalidade ainda mais jovem: Lorde é o nome artístico de Ella Maria Lani Yelich-O'Connor, nascida em Devonport, Nova Zelândia, há... 16 anos (celebrará o 17º aniversário no dia 7 de Novembro). O certo é que o talento não se mede exclusivamente pela idade: o seu primeiro álbum, Pure Heroine, nasce do cruzamento da mais primitiva candura pop com uma elaborada textura electrónica, tudo habitado por uma poesia de invulgar sentido autocrítico — Royals e o seu magnífico teledisco, dirigido por Joel Kefali, podem servir de exemplo.
I cut my teeth on wedding rings in the movies
And I'm not proud of my address
In the torn up town, no post code envy
But every song's like:
Gold teeth
Grey Goose
Tripping in the bathroom
Bloodstains
Ball gowns
Trashing the hotel room
We don't care, we're driving Cadillacs in our dreams
But everybody's like:
Crystal
Maybach
Diamonds on your timepiece
Jet planes
Islands
Tigers on a gold leash
We don't care, we aren't caught up in your love affair
And we'll never be royals (royals)
It don't run in our blood
That kind of lux just ain't for us, we crave a different kind of buzz
Let me be your ruler (ruler)
You can call me queen bee
And baby I'll rule, I'll rule, I'll rule, I'll rule
Let me live that fantasy
My friends and I we've cracked the code
We count our dollars on the train to the party
And everyone who knows us knows
That we're fine with this, we didn't come from money
But every song's like:
...
But everybody's like:
...
And we'll never be royals (royals)
...
ooh ooh oh ooh
We're better than we've every dreamed
And I'm in love with being queen
ooh ooh oh ooh
Life is great without a care
We aren't caught up in your love affair
And we'll never be royals (royals)
...
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