Mostrar mensagens com a etiqueta Balanço do ano - 2009. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Balanço do ano - 2009. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Os concertos do ano

Foto: Marco Leal

Foram poucos os concertos que vi em 2009. Mas os poucos foram, invariavelmente, bons. Aquí ficam cinco momentos que ficaram na história deste ano em palco.

Gustavo Dudamel / Orq. Juvenil Ibero Americana
(Auditório Fundação Gulbenkian)
A estreia pública de mais uma orquestra inspirada no ‘el sistema’ venezuelano (e que na verdade conta com varios elementos da Simón Bolivar) foi “o” acontecimento em palco do ano! O entusiasmo dos músicos (e do maestro Dudamel) criou imediata empatía com uma plateia que, ao intervalo, já os aplaudía como se fosse fim de uma noite de triunfo. No final do concerto, entre os encores, a plateia até dançou!

Whale Watching Tour
(Teatro Maria Matos)
Nico Muhly e restantes figuras-chave da Bedroom Comunity trouxeram a Lisboa uma digressão que, como poucas, sublinha o tom da música do momento. Uma música que existe acima dos géneros, que cruza referências, desde as que chegam de escola clásica à folk, com as electrónicas pelo caminho… Que regressem tão breve quanto possível.

Ciclo Stockhausen
(Auditório Fundação Gulbenkian)
Foram três tardes consecutivas, com filmes e concertos. O cinema a recordar episódios de diversas etapas da vida e obra de Karhleinz Stockhausen. Os concertos a visitar seis partes do ciclo Klang (entre elas, uma em estreia mundial). Uma rara oportunidade para ouvir música do século XXI ao vivo num palco português.

Valery Gergiev / Orq. Teatro Marinsky de São Petesburgo
(Coliseu dos Recreios)
Uma das grandes orquestras russas do nosso tempo e um dos maestros mais aclamados da actualidade num programa de excepção que nos transportaram para compositores e peças que ajudaram a inventar a música do século XX. Debussy e Stravinsky numa noite de grande nível.

Três Cantos
(Campo Pequeno)
O encontro em palco de Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto Bordalo Dias resultou numa série de noites de comunhão de experiências, visitando obras que marcaram os últimos 40 anos da música portuguesa. Não faltaram os “clássicos”. Mas ficou claro que o presente ainda é quem marca a agenda de cada um dos três cantautores em palco.

As canções do ano (7)

A pop, de travo electrónico, e sem a necessidade da mão do produtor como presença protagonista, marcou 2009. Um dos nomes que mais se destacou entre a nova geração de figuras pop foi a dupla La Roux, cujo álbum de estreia mora entre os grandes discos do ano. E este I’m Not Your Toy é um dos momentos altos do disco.


Imagens do teledisco de I’m Not Your Toy.

Acontecimentos 2009: Beatles Remasters

Foram quatro anos de trabalho, mas com sinais de vida apenas revelados em Setembro deste ano. Nos estúdios de Abbey Road uma equipa de técnicos trouxe o som do catálogo dos Beatles para o século XXI, remasterizando tanto as edições estéreo como mono naquela que se revelou depois a mais mediática de sempre de todas as campanhas de reedição. Em simultêneo chegou o um jogo vídeo com canções dos fab four. E já no fim do ano uma pen usb, em forma de maçã, com os álbuns estéreo com som remasterizado. De certa maneira, 40 anos depois das últimas sessões de gravações em Abbey Road, 2009 foi um ano de glória para os Beatles.

Figuras do ano: Sean Penn

Sean Penn protagonizou o biopic que Gus van Sant rodou sobre o activista político Harvey Milk. Do seu Harvey Milk fez uma das mais marcantes actuações de toda a sua carreira. E com ela ganhou o seu segundo Oscar. Na cerimónia, fez do seu discurso um dos momentos mais políticos da noite. Criticando abertamente os californianos que haviam votado a favor da Proposta 8. “Vergonha” foi uma das palavras que usou, comentando um tempo em que a plena igualdade de direitos ainda não é uma realidade universal.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Os melhores de 2009: Livros

Estas são as terceiras de uma série de listas que, esta semana, vamos publicar revendo o melhor de 2009 em vários comprimentos de onda. Hoje os livros…

N.G.


O esbater progressivo das fronteiras entre os géneros musicais não se limita à criação. Ou seja, a obras capazes de juntar mundos outrora de costas voltadas, como o foram um Songs From Liquid Days de Philip Glass, um I Was Looking At The Ceiling And Then I Saw The Sky de John Adams, um Alina de Arvo Pärt, uma Sinfonia Nº 3 de Gorecki ou, mais atrás ainda no tempo, um Hymnen de Karlheinz Stockhausen ou uma Missa de Leonard Bernstein – às quais se juntaram nos últimos tempos novas e visionárias contribuições por figuras como Ambrose Field, Osvaldo Golijov ou Murcof – o ano trouxe um livro que, mais que qualquer outro antes publicado, juntou melómanos de vivências musicais distintas numa demanda comum. Assinado por Alex Ross, crítico da New Yorker, O Resto É Ruído (no original The Rest Is Noise) é uma visão da música do século XX capaz de entender que a história tanto escuta as contribuições de nomes como Stravinsky, Bartók, Schoenberg, Stockhausen, Sibelius, Shostakovich, Prokofiev, Ligeti, Orff, Reich ou Glass, como os Velvet Underground ou Sonic Youth. Resultado: pôs muito boa gente, de “escola” feita na cultura pop/rock a dar por si a descobrir a música clássica. Duas outras notas para dois outros livros que ajudaram a ler sobre música este ano: a luminosa auto-biografia de John Adams e uma visão que integra Arthur Russel no contexto cultural da cena nova-iorquina de 70 e 80 em Hold On To Your Dreams.

1. O Resto é Ruído, de Alex Ross
2. Hallelujah Junction – Composing an American Life, de John Adams
3. Hold On To Your Dreams, de Tim Lawrence
4. Galileo’s Dream, de Kim Stanley Robinson
5. Invisível, de Paul Auster
6. A Música da Fome, de Le Clézio
7. The Moon, Came To Earth, de Philip Graham
8. Design For Obama, de Aaron Perry Zucker e Spike Lee
9. Contos Completos, de Truman Capote
10. Com a Cabeça na Lua, de Asimov, Clarke, Heinlein e outros…

J.L.


Barthes — palavras póstumas, tão longe, tão perto: uma escrita que labora, incansável, sobre a transparência e as suas ilusões, as significações e o seu impensado. Entre coisas redigidas na urgência deste nosso presente e coisas vindas de passados (e edições) mais ou menos distantes, o ano de leitura deixa-nos uma certeza: é possível ler, continuar a ler, para além da "velocidade" ilusória e fragmentária de muitas formas de consumo na Net. Foi também o ano para reescrever o nome de: Nuno Bragança.

1. Journal de Deuil, de Roland Barthes
2. Carnets du Voyage en Chine, de Roland Barthes
3. Obra Completa 1969-1985, de Nuno Bragança
4. Ofício Cantante, de Herberto Helder
5. Les Voyageurs du Temps, de Philippe Sollers
6. Invisible, de Paul Auster
7. Caim, de José Saramago
8. Un Coeur Intelligent, de Alain Finkielkraut
9. The Time Traveler's Wife, de Audrey Niffenegger
10. Francis Bacon (catálogo Tate)

As canções do ano (6)

Os islandeses Gus Gus regressaram aos discos em 2009 sob um novo acordo editorial e com formação renovada. O álbum que os apresentou nesta nova etapa da sua vida chegou com cartão de visita em Add This Song, uma das grandes canções feitas de electrónicas de 2009.


Imagens do teledisco de Add This Song.

Acontecimentos 2009: Kindle

Este ano o relato nos jornais de algumas feiras do livro (nomeadamente Frankfurt) deram mais conta de feitos na tecnologia que sobre as novas edições… Falou-se muito de e-books. E entre os modelos já apresentados um dos primeiros casos de sucesso chega através da Amazon. O Kindle. Prático, fácil de manusear, recebe livros via wireless, 60 segundos após a sua aquisição… Portugal tem o território praticamente todo coberto pela rede 3G que permite o acesso rápido à oferta do Kindle… É, de resto, um dos países europeus com maior extensão do seu território com acesso já garantido. A oferta cobre neste momento uma multidão de títulos em livro, assim como assinaturas de revistas e jornais… O futuro do livro parece que passa mesmo por aqui…

Figuras do ano: James Cameron

É verdade que rodou filmes entre Titanic e Avatar. Documentários, que prolongaram a exploração de um interesse pelo mundo submarino. O regresso ao grande ecrã, em 2009, com Avatar, fez novamente de James Cameron um protagonista do ano cinematográfico. O sucesso global do filme confirma as potencialidades do 3D como uma nova ferramenta ao serviço da renovação do interesse das grandes plateias pelas salas de cinema. Mas não é precisa a caução do 3D para justificar o interesse de Avatar como novo episódio na história dos grandes épicos de ficção-científica. O tempo dirá se é o Jazz Singer do 3D. Ou, antes, um Star Wars com outra “força”.

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os melhores de 2009: Filmes

Estas são as segundas de uma série de listas que, esta semana, vamos publicar revendo o melhor de 2009 em vários comprimentos de onda. Hoje o cinema e o DVD…

J.L.


CINEMA: Kate Winslet filmada por Sam Mendes: símbolo de um cinema em que os actores ainda contam, ou o rigoroso contrário da violenta impessoalização de Transformers. O que não significa que a "tecnologia" seja o inimigo a abater. Bem pelo contrário: Benjamin Button é um esplendoroso ser híbrido, nascido da insólita contaminação do acto de representar pela digitalização da imagem. Afinal de contas, é o corpo (e a sua voz) que continua a desafiar o olhar (e a escuta) dos grandes cineastas — veja-se Jeanne Balibar filmada por Pedro Costa.

1. Revolutionary Road, de Sam Mendes
2. Estado de Guerra, de Kathryn Bigelow
3. Depois das Aulas, de Antonio Campos
4. Che, de Steven Soderbergh
5. O Delator!, de Steven Soderbergh
6. Ne Change Rien, de Pedro Costa
7. O Estranho Caso de Benjamin Button, de David Fincher
8. Um Conto de Natal, de Arnaud Desplechin
9. Sacanas sem Lei, de Quentin Tarantino
10. Andando, de Hirokazu Kore-eda

DVD: Apesar das muitas edições interessantes, e mesmo não esquecendo a reforçada abertura aos clássicos e às cinematografias exteriores ao espaço anglo-saxónico, o mercado do DVD continua a apresentar uma imagem mais ou menos caótica — algumas grandes campanhas para blockbusters e, depois, um pano de fundo de "salve-se quem puder". Nenhuma pedagogia, nem sequer meramente comercial... com coisas fascinantes no meio do turbilhão.

1. Gimme Shelter, de Albert e David Maysles, e Charlotte Zwerin
2. Nos Lábios Não, de Alain Resnais
3. Jacques Demy (3 filmes)
4. Jacques Torneur (4 filmes)
5. Eric Rohmer ('Seis Contos Morais')
6. Eric Rohmer ('Comédias e Provérbios')
7. Eric Rohmer ('Contos das Quatro Estações')
8. Madonna - Celebration (The Video Collection)
9. Mad Men (primeira temporada)
10. O Feiticeiro de Oz (edição 70 anos)

N.G.

Muitos filmes em estreia, muitos mais os que não chegaram às salas, os festivais representando cada vez mais um espaço fundamental para ver outro cinema… Aqui ficam dez filmes e dez DVD que marcaram um ano cheio de imagens.


CINEMA: Independentemente dos feitos técnicos que fizeram as notícias (os 3D e por aí adiante), houve cinema q.b. para ver em 2009… E sabe bem chegar ao fim do ano e verificar que entre a lista dos melhores moram algumas primeiras obras de novos realizadores. É o caso de Moon (entre nós estreado como O Outro Lado da Lua), primeira longa-metragem de Duncan Jones, filme que devolve a ficção científica a um patamar mais feito de ideias que de feitos digitais. É uma obra de impressionante solidez narrativa, um solo para um actor e todo um conjunto de variações criadas em seu redor, com cereja em cima do bolo na soberba banda sonora de Clint Mansell. Sem dúvida o filme do ano… Nesta lista de dez títulos destaque-se ainda uma outra estreia: a de Kit Hung, num filme que cruza histórias e personagens entre o ocidente e o oriente, com um cuidado visual (e música bem escolhida) que justificava estreia comercial por estas bandas… Outra estreia que há muito tarda é a de Lake Tahoe, premiado em Berlim em 2008 e ainda sem a merecida atenção local.

1. O Outro Lado da Lua, de Duncan Jones
2. Soundless Wind Chime, de Kit Hung
3. Deixa-me Entrar, de Tomas Alfredson
4. Histórias de Caçadeira, de Jeff Nichols
5. Fig Trees, de John Greyson
6. Lake Tahoe, de Fernando Eimbcke
7. Andando, de Hirokazu Koreeda
8. Milk, de Gus van Sant
9. Morrer Como Um Homem, de João Pedro Rodrigues
10. Gran Torino, de Clint Eastwood


DVD: O destaque inevitavelmente para o melhor documentário sobre um músico editado nos últimos tempos. Cruzando o espaço de vida pessoal com o universo profissional, explicando (sem se dar por isso) quem é o protagonista e quem música faz, o retrato de Philip Glass por Scott Hicks é um espantoso panorama sobre uma das figuras mais marcantes dos últimos 50 anos. A lista passa por outros dois documentários (um sobre Patti Smith outro, mais antigo, sobre Harvey Milk), uma ópera de Messiaen, a espantosa série televisiva Mad Men, o telefilme Recount (ainda por exibir entre nós) e uma pequena selecção de longas-metragens com história. Destaque aqui para a espantosa colecção de extras explicativos do filme em questão que chegam com A Caminho de Idaho, só agora com edição local, que define um modelo que muitos outros títulos deveriam seguir.

1. Glass: A Portrait in 12 Parts, de Scott Hicks
2. Patti Smith: Dream Of Life, de Steven Sebring
3. Mad Men, série criada por Mathew Winer
4. A Caminho de Idaho, de Gus Van Sant
5. Recount, de Danny Strong
6. Saint François d’Assisse (Messiaen), de Misjel Vermeiren
7. Os Tempos de Harvey Milk, de R. Epstein e R. Schmiechen
8. E Tudo o Vento Levou, de Victor Fleming
9. Aelita, de Yakov Protazanov
10. Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de Mike Nichols

As canções do ano (5)

Foi talvez uma das surpresas do ano. Num comprimento de onda consideravelmente distinto do que havia vivido ora nos Libertines ou Babyshambles, apresentou-se a solo como Peter (sim, o “r” fez a diferença) Doherty. O álbum mostrou sinais de heranças de tradições cantautorais e de identidade brit. E trouxe-nos uma das grandes canções do ano em Last Of The English Roses.


Imagens do teledisco de Last Of The Englis Roses.

Figuras do ano: Tina Fey

Há um ano tinha marcado o ano televisivo pela sua criação de Sarah Palin no Saturday Night Live. Este ano, Tina Fey continuou a mostrar que é uma das mais sérias comediantes do nosso tempo, assinando e protagonizando (como Liz Lemon) uma das melhores séries televisivas do presente: 30 Rock. A série já teve duas épocas exibidas na televisão portuguesa. Nos EUA vai já em quatro. E por cá falta ainda o DVD…

Acontecimentos 2009: Agua na Lua

Foi a descoberta científica do ano, relatada em Outubro pela Nasa. Em concreto, foram encontradas evidências de depósitos de água na Lua. A descoberta foi identificada pelo Lunar Crater Observation and Sensing Satellite (LCROSS) depois do impacte de uma sonda numa cratera na região polar sul da Lua. O impacte libertou uma volumosa pluma de materiais, entre os quais se identificou água (que não via a luz solar há milhões de anos). Esta descoberta revelou potencialidades até aqui não imaginadas na superficie lunar, levantando novos horizontes para a sua futura exploração, não apenas em missões tripuladas mas até no eventual estabelecimento de bases permanentes.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Os melhores de 2009: discos

Estas são as primeiras de uma série de listas que, esta semana, vamos publicar revendo o melhor de 2009 em vários comprimentos de onda. Começamos pelos discos…

N.G.

Foi um ano cheio de muitos e bons discos. E o difícil foi mesmo escolher listas de apenas dez! Aqui ficam, as listinhas da praxe em três frentes: pop/rock (e afins), música portuguesa e clássica (e universos ao seu redor)…

POP/ROCK: As unanimidades por vezes são perigosas, mas há muito tempo que se não via tamanha concentração de escolhas em torno de um mesmo disco. E o vencedor é mesmo Merryweather Post Pavillion, dos Animal Collective. O disco na verdade fecha uma década ao longo da qual a banda norte-americana seguiu um trilho muito pessoal, em busca de uma linguagem que não só encontrou como acabou por dominar. O álbum deste ano é a sua obra-prima e representa um dos títulos de síntese mais marcantes do que foi o som dos anos zero. Na lista dos dez mais do ano as escolhas passam depois pelo projecto Discovery, uma aventura em paralelo de elementos dos Vampire Weekend e Ra Ra Riot a experimentar outra forma de, com electrónicas na manga, explorar os caminhos da canção. Murcof voltou a brilhar, desta vez num disco que junta às suas demandas texturais e minimalistas os ecos da corte de Luis XIV em Versalhes. Os Grizzly Bear são os campeões indie do ano, com um disco que soube levar as canções a novos patamares nas formas e arranjos (Nico Muhly a ajudar). Julian Casablancas registou a solo o grande sucessor que há muito faltava para o álbum de estreia dos Strokes. DM Stith (no campeonato Sufjan Stevens) foi a revelação do ano. Sufjan, já agora, confirmou visões que se adivinhavam nas entrelinhas de Illinois num filme-com-música sobre uma auto-estrada em Nova Iorque. Os Girls e o álbum que se chama Album foram outra das boas notícias do ano, abrindo janelas a heranças da cultura pop californiana. Os Pet Shop Boys deram-nos o seu melhor álbum desde 1991! E David Sylvian não consegue fazer um disco menor!

1. Animal Collective, Merryweather Post Pavillion
2. Discovery, LP
3. Murcof, The Versaillhes Sessions
4. Grizzly Bear, Veckatimest
5. Julian Casablancas, Phrazes For The Young
6. DM Stith, Heavy Ghost
7. Sufjan Stevens, B.Q.E.
8. Girls, Album
9. Pet Shop Boys, Yes
10. David Sylvian, Manafon


MÚSICA PORTUGUESA: Se 2008 foi o ano das revelações, 2009 trouxe as confirmações. B Fachada cumpriu em pleno, primeiro com um álbum de boas surpresas e, no fim do ano, com novo disco verdadeiramente surpreendente, o que dele faz neste momento um dos mais interessantes autores da nova música portuguesa. O ano trouxe ainda a conclusão, em grande forma, do díptico a solo, ao piano, de António Pinho Vargas. Sérgio Godinho, José Mário Branco e Fausto levaram a disco o inesquecível concerto a três. O Real Combo Lisbonense despertou curiosas memórias de uma música portuguesa esquecida. Os Quais fizeram de um meio disco uma ideia inteira. Francisco Ribeiro trouxe novas visões numa música de vistas largas. Tiago Sousa mostrou uma espécie de autobiografia em vinil. Bernardo Sassetti continua a assinar grandes bandas sonoras. Os Micro Audio Waves prosseguem um interessante diálogo com a canção, desta vez em cena. E Samuel Úria fechou o ano com uma bela mão cheia de canções.

1. B Fachada, B Fachada
2. António Pinho Vargas, Solo II
3. Três Cantos, Três Cantos ao Vivo
4. Real Combo Lisbonense, Real Combo Lisbonense EP
5. Os Quais, Meio Disco
6. Francisco Ribeiro, Desiderata – A Junção do Bem
7. Tiago Sousa, Insónia
8. Bernardo Sassetti, Um Amor de Perdição
9. Micro Audio Waves, Zoetrope
10. Samuel Úria, Nem Lhe Tocava


CLÁSSICA: Foi nos espaços adiante das fronteiras de género que aconteceram os casos mais interessantes do ano musical. E na área (ou imediações) da música clássica não houve melhor exemplo que o disco no qual o compositor Ambrose Field juntou a sua música electrónica essencialmente textural a canções de Guillaume DuFay, com o tenor John Potter como parceiro nesta aventura. Quem também brilhou este ano foi a maestrina Marin Alsop, sobretudo numa soberba nova gravação da Missa, de Leonard Bernstein. John Eliott Gardiner somou mais um triunfo no terceiro volume que dedica a Brahms. Uma caixa juntou as gravações de música orquestral de Joly Braga Santos, sob direcção de Álvaro Cassuto. John Adams desenvolveu uma pungente sinfonia a partir da sua ópera Doctor Atomic. David Fray deu-nos uma magnífica leitura para obras para piano de Schubert. Arvo Pärt não desiludiu em In Principio. David Lang levou a disco a obra que lhe valera o Pulitzer no ano passado. John Corrigliano registou as suas abordagens a canções de Bob Dylan. E as Sinfonias de Nino Rota trouxeram interessantes novos olhares a uma obra que sobretudo lhe deu nome no cinema.

1. Ambrose Field, Bring Dufay
2. Bernstein: Marin Alsop, Mass
3. Brahms: John E. Gardiner, Symphony Nº 3
4. Braga Santos: Álvaro Cassuto, Integral das Sinfonias
5. Adams: David Robertson, Doctor Atomic Symphony
6. Schubert: David Fray, Moments Musicaux / Impromptus
7. Arvo Pärt, In Principio
8. Lang: Paul Hiller, The Litte Match Girl Passion
9. Corrigliano: JoAnn Palletta, Mr. Tambourine Man
10. Rota: Marzio Conti, Symphonies

J.L.


Entre novidades e reedições, velhinhos bem conservados e alguns simpáticos agitadores juvenis, muito pop e alguns desvios ditos clássicos ou jazzísticos, uma coisa é certa: em tempos de dominação da cultura televisiva, não foi esta a música que nos deram a ver/escutar. A prova? Quase deixou de haver telediscos nas televisões generalistas, enquanto a MTV se converteu aos horrores da reality TV. Entretanto, proliferam os clones dos concursos, por vezes tentando imitar Michael Jackson. Você disse Michael Jackson? Darkness falls across the land...

The Beatles, Remasters
Keith Jarrett, Paris/London Testament
Cecilia Bartoli, Scarificium
Anne Sofie von Otter, Bach
Madonna, Celebration
Girls, Album
Antony and the Johnsons, The Crying Light
Flaming Lips, Embryonic
Bob Dylan, Together Through Life
Yeah Yeah Yeahs, It's Blitz

As canções do ano (4)

O single que anunciou a edição do mais recenté álbum dos Simian Mobile Disco é mais um exemplo de uma capacidade em establecer diálogos entre o formato da canção e a cultura associada à música de dança. Electrónicas ao serviço da pop, portanto, neste Audacity Of Huge.


Imagens do teledisco de Audacity Of Huge.

Figuras do ano: Nico Muhly

Não parou em 2009. Já tinha discos editados em seu nome. Já tinha assinado arranjos para Björk ou os The National. Tinha já conquistado atenções pela banda sonora de O Leitor, de Stephen Daldry. Mas em 2009 Nico Muhly levou ainda mais longe os horizontes do seu trabalho, colaborando em discos de nomes como os Grizzly Bear ou Antony & The Johnsons, compondo uma primeira ópera (sem data de estreia ainda definida) e regresando à estrada integrando a Whale Watching Tour que passou por Lisboa. Figura do ano porque, mais que qualquer um, Nico Muhly mostrou como a nova música é desafiante sem o espartilho de género. Da pop aos terrenos de genética clásica, a sua capacidade em viver num tempo acima das antigas fronteiras de género já faz dele, claramente, uma referencia como compositor do século XXI. A forma de trabalhar numa editora que ele mesmo partilha e gere com amigos e colegas de trabalho vinca mais ainda esse perfil de homem de um novo tempo. Isto sem deixar de reconhecer que este “herdeiro” de mestres como John Corrigliano ou Philip Glass é, entre os compositores da sua geração, um dos casos de mais evidente sucesso.

Acontecimentos 2009: Obama toma posse

20 de Janeiro de 2009. A tomada de posse de Barack Obama foi um dos acontecimentos com maior e mais atenta cobertura global do ano. As estimativas (baseadas na leitura de imagens de satélite) apontam para um número de espectadores perto dos 1,8 milhões de pessoas em Washington DC, aos quais se juntam os muitos que, via televisão e Internet, acompanharam a cerimónia (e o posterior desfile) em directo. O discurso de Barack Obama tomou por ponto de partida um texto histórico de Abraham Lincoln, falando aos americanos sobre renovação e continuidade e lembrando da necessidade de um novo sentido de responsabilidade para atingir grandes objectivos.

Pode ver um vídeo do discurso no blogue oficial da Casa Branca.

Imagem de uma recriação, em Lego, dos varios protagonistas presentes na varanda em frente ao Capitólio onde decorreu a cerimónia da tomada de posse de Obama.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

As canções do ano (3)

Ao terceiro álbum os Arctic Monkeys deram sinais de descoberta de um mais vasto historial de referências no espectro da cultura rock’n’roll. É um disco mais elaborado, feito da assimilação de ideias de vários tempos. E entre o alinhamento surge Cornerstone, uma das grandes canções pop/rock do ano.

terça-feira, dezembro 22, 2009

As canções do ano (2)

Foram um dos nomes de quem mais se falou em 2009. E com razão. O álbum, a que os Girls chamaram muito simplesmente Album, revelou-se um dos grandes momentos indie rock do ano. E aqui fica Hellhole Ratrace uma das suas canções já editadas como single.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

As canções do ano (1)

Começamos hoje a revisitar algumas das canções que fizeram a história de 2009. E começamos com uma que, inicialmente escutada ainda em 2008, surgiu de facto em disco já este ano. Aqui fica That Beep, que é ainda o mais recente single dos australianos Architecture In Helsinki.