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terça-feira, janeiro 01, 2008

Ano Madonna: feliz 2008!

David Bowie completou 60 anos em 2007 — foi o ANO BOWIE, no Sound + Vision. A partir de hoje, começa o ANO MADONNA.
Que é como quem diz: a Material Mom completa 50 anos a 16 de Agosto de 2008 e, tal como aconteceu com o Senhor David Jones e as suas máscaras, vamos dizer aqui do que se fazem, e como se fazem, as nossas fidelidades estéticas — na certeza de que qualquer estética nos desafia para a elaboração de uma ética.
E vai ser um ano de acontecimentos marcantes:
— em Fevereiro, Madonna estará no Festival de Cinema de Berlim (7/17), para apresentar o seu primeiro trabalho de realização, Filth and Wisdom.
— em data ainda por anunciar será lançado I Am Because We Are, filme sobre a situação dos órfãos da sida no Malawi, uma produção de Madonna com realização de Nathan Rissman.
— o último álbum do seu contrato com a Warner Bros. sairá nos primeiros meses de 2008 (recentes especulações sobre data e título revelaram-se inócuas), devendo surgir mais para o final do ano uma compilação ou best of.
— Madonna integra a lista dos cinco novos nomes do Rock and Roll Hall of Fame (os outros são John Mellencamp, Leonard Cohen, The Ventures e The Dave Clark Five) — a cerimónia de celebração será a 10 de Março.

Este video de I Love New York pertence à Confessions Tour e serve de apresentação daquilo que nos/vos espera — um feliz 2008!

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Ano Bowie: um breve epílogo

Termina hoje um ano que, aqui, dedicámos a frequentes incursões pela obra de David Bowie. Os discos, os filmes, os sons e as imagens de um dos mais importantes ícones da cultura pop marcou a agenda de 2007 do Sound + Vision. Gostámos da experiênciam e já há por aqui planos para 2008, a ser oportunamente revelados. Para já, a todos, um feliz ano novo.

O álbum esquecido dos anos 90

Ano Bowie – 70
The Buddha Of Suburbia – Álbum, 1993

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Em 1993, o escritor Hanif Kureishi entrevistou David Bowie para uma revista americana. Terminada a conversa, o escritor pediu a Bowie a autorização para usar algumas canções suas na banda sonora da adaptação televisiva do seu livro The Budha of Suburbia que a BBC estava a produzir. E, como quem não quer a coisa, acrescentou que, se quisesse, até podia juntar alguma coisa nova. Ao que Bowie respondeu: “estava a ver que não perguntava!”. Finda a etapa Tin Machine, interessado em experimentar novos ares e com o álbum Black Tie White Noise já pronto, Bowie entrou em estúdio e em poucos dias tinha a música para a série (incluindo duas novas canções), que acabaria até nomeada para um BAFTA. Contudo, a aventura não ficaria por aí. Regressou a estúdio com Mike Garson e mais alguns músicos para preparar a banda sonora, versão em disco. Partiu das fitas originais, mas delas fez nascer uma outra obra, mais opulenta, visionária e libertadora. Curiosamente, o disco (que prenuncia o que 1.Outside depois conclui) acabaria por ser um dos menos notados da sua obra. E foi mesmo ofuscado por uma antologia de singles editada uma semana depois. Este ano, com uma nova capa (a original não mostrava Bowie, mas o protagonista da série), o disco foi reeditado devolvendo à vida uma peça fulcral no processo de renovação que “salvou” Bowie no início da década de 90.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Caixa com surpresas

Ano Bowie - 69
David Bowie Box - Caixa de 10 CD, 2007

Com Let’s Dance, em 1983, David Bowie descobriu, pela primeira (e última) vez que um disco podia ser, de raiz, pensado para chegar ao grande mercado. Somou mais êxitos, é verdade, mas depois de 1984 acumulou progressivos equívocos. Consciente da soma de erros nesses quase dez anos, optou em 1993 por reencontros com memórias mais “agradáveis”. Por um lado, em Black Tie White Noise, reavivando antigas paixões pelo rhythm’n’blues. Por outro, aceitando o desafio de compor, com protagonismo de electrónicas e texturas, uma banda sonora para The Buddha Of Suburbia. Assim renasceu o homem pop visionário, o grande compositor, a voz única. Bowie, afinal, vivia de novo, mal imaginando que, à sua frente, residiria um tempo de revelações e criações quase ao nível das melhores que nos dera nos dias áureos de 70.
É precisamente esse período que se segue ao reencontro com a grande forma aquele que se encerra na caixa agora editada. Aqui se encontram os cinco álbuns de originais que Bowie lançou entre 1995 e 2004, os quatro primeiros dos quais, todos eles, dignos de figurar numa selecção dos seus discos mais estimulantes. Todos eles surgem em versões duplas, cada qual com um CD com extras nos quais se juntam ao alinhamento original os lados B associados aos singles extraídos do álbum em questão, assim como remisturas e algumas raridades...
A caixa abre com 1.Oustide (1995), disco que assinalou um reencontro com Brian Eno (desde a trilogia Low, Heroes e Lodger) e que traduz a mais ousada manifestação artística de Bowie desde finais de 70. Conceptual, socorre-se de electrónicas, formas inesperadas e personagens de ficção para contar uma sombria aventura de fim de milénio. De 1997, Earthling é uma continuação destas ideias, contudo mais próximo de uma intensidade rock’n’roll, de referências da música inglesa e de contaminações várias, do industrial ao drum’n’bass. hours... (1999) assinala um primeiro óbvio mergulho no passado, definindo uma nova etapa “clássica” que evoca memórias da pop acústica de Hunky Dory num disco que fala do envelhecimento. Heathen (2002) promove o regresso de Tony Visconti à produção, num álbum que traduz nova expressão do sentido futurista dos dias de Station To Station. Menos interessante, aparentemente criado sob o desejo de levar uma banda rock’n’roll para a estrada, Reality (2003) é o mais recente álbum de Bowie.
O melhor da caixa descobre-se no disco de extras do disco de 2002, no qual se reúnem alguns temas do álbum Toy, no qual em 2000 Bowie pretendia revisitar temas esquecidos de singles que editara nos anos 60 e novas gravações de maquetes soltas de inícios de 70. Um disco que aqui se sugere um perfeito assombro, elo perdido entre a placidez classicista de hours... e a elegância de Heathen. A editora que vetou a edição do disco tirou a Bowie um dos seus melhores álbuns dos últimos anos...
PS. Versão editada de um texto publicado na revista NS

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Qual é o melhor disco de Bowie?

A assinalar a recta final do "Ano Bowie" no Sound + Vision, mais um inquérito. Desta vez reunimos os álbuns de originais de David Bowie (aos quais acrescentámos Pin Ups, disco de versões de 1973). A pergunta é simples: qual o melhor. O gosto de cada um que responda. Como sempre, as respostas podem ser dadas no questionário na barra lateral da direira, antes da zona de agenda.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Um inglês em Nova Iorque

Ano Bowie – 68
‘Earthling’ – álbum, 1997
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O ambiente vivido durante a digressão que se seguiu à edição de 1.Outside determinou o passo seguinte. Satisfeito com a banda e com as suas abordagens estéticas a um espaço que partia do rock’n’roll para assimilar estímulos nas electrónicas, atento como não acontecia desde os anos 70 aos acontecimentos musicais em Inglaterra (de Tricky aos Prodigy), David Bowie reuniu os músicos para novas sessões de trabalho nos estúdios de Philip Glass, em Nova Iorque. Telling Lies foi ponto de partida que definiu caminhos. Como não acontecia desde Diamond Dogs, Bowie assumiu a produção do disco na primeira pessoa, certo que estava então dos rumos a seguir. De trás retomou uma série de experiências de manipulação e geração de módulos electrónicos com base em trabalho para guitarras que, inicialmente previstos para 1.Oustide, acabaram postos de lado, à espera de vez, com a entrada em cena de Brian Eno. A construção rítmica, nalguns momentos apontada à exploração do drum'n'bass (não omnipresente, como alguma errada mediatização sugeriu) foi base para a evolução de canções na verdade maioritariamente criadas segundo métodos “clássicos”, revelando-se este o mais intensamente rock’n’roll dos discos a solo de Bowie desde Scarry Monsters (1980). O disco recuperou um out-take de 1.Outside. Era I’m Afraid Of Americans, sombrio, de ficção-científica, quase em reinvenção, mais de 20anos depois, do clima orwelliano de Diamond Dogs. Todavia, contra a atmosfera opressiva deste tema (e demais memórias recentes de 1.Oustide), Earthling é um álbum no qual, mais que os males do mundo presente e temores futuros, Bowie usa como espaço de reencontro com uma certa espiritualidade, retomando antigos diálogos entre a dúvida e a fé. A relação com as suas raízes britânicas ultrapassa, no disco, o plano das relações musicais, manifestando-se inclusivamente numa capa que então gerou a mais forte imagem de Bowie na década de 90. O disco foi bem acolhido, mais aclamado ainda que 1.Oustide. E reafirmou, depois de uns anos 80 essencialmente mal focados, um reencontro com a rara capacidade de convívio do desafio das formas com a comunicação para massas. Um feito, reconhecido, no ano em que então celebrava o seu 50º aniversário.

domingo, novembro 25, 2007

A hora da memória

Ano Bowie - 67
'hours...' - Álbum, 1999

Depois de terminada a Earthling Tour, Bowie vivia dias de popularidade e respeito de outros tempos. A decisão de vender o antigo catálogo à EMI por quase 30 milhões de dólares e a colocação dos direitos de exploração da sua música na bolsa sublinharam a nova face do homem de negócios. O sucesso da Bowie Net demonstrava uma pioneira atenção a novas formas de comunicação. Mas, curiosamente, na hora de fazer nova música, a inspiração veio do passado. Em primeiro lugar reencontrou-se (e fez as pazes) com Tony Visconti, com quem não trabalhava desde que o deixara de fora das sessões de Let’s Dance. Em estúdio, com Reeves Gabrels a co-assinar a criação das novas canções, um novo álbum surgia de forma distinta dos anteriores 1.Ouside e Earthling. Ou seja, em vez da experimentação, a opção fazia-se pelo reencontro de formas mais tradicionais de songwriting. Nasce assim hours..., disco que acabou reconhecido como herdeiro natural de Hunky Dory (1970), mas no qual Bowie aborda, como nunca o fizera antes, temáticas ligadas ao envelhecimento, à memória, sonhos abandonados... Escrevia, como depois explicou, canções para a sua geração, procurando registar nas canções uma certa inquietude que sente característica dos que atingiram a sua idade. O disco, todavia, falou também claramente aos seus mais novos admiradores. A letra de um dos temas – What’s Really Happening – nasceu de um concurso lançado no seu site. A capa do disco (na qual Bowie recria uma pietà, velando a sua imagem de outros tempos) foi revelada, aos poucos, na Bowie Net. E o próprio álbum esteve disponível para download alguns dias antes do lançamento no mercado convencional.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Dancemos no mundo

Ano Bowie - 66
'Let's Dance' - álbum, 1983


Em meados de 1982 Bowie esperava a chegada de 30 de Setembro, a data que determinaria o fim da sua ligação comercial ao antigo manager Tony DeFries. Daí em diante seria ele o único dono da sua música... Ao mesmo tempo, insatisfeito com a sua editora (a RCA), encetou uma série de contactos com vista a uma mudança... Antes do Verão, antecedendo a rodagem de Feliz Natal Mr Lawrence, passou umas férias no Pacífico Sul, levando consigo um lote de discos. Deu por si a reencontrar pistas e referências de outros tempos, a redescobrir velhos heróis do rhythm’n’blues, no que poderá ter sido o primeiro sinal de uma mudança iminente... A caminho do fim do ano, com Tony Visconti já desafiado para nova colaboração, conheceu Nile Rodgers (então ainda nos Chic) num bar de hotel em Nova Iorque. Entenderam-se e resolveram trabalhar juntos, Tony Visconti só sabendo que estava dispensado a duas semanas da prevista entrada em estúdio. As sessões de trabalho começaram em Montreux, na Suíça. Bowie mostrou maquetes a Nile Rodgers e pediu-lhe que lhe desse êxitos. Pela primeira vez, Bowie procurava o sucesso ostensivamente (em proveito seu e do novo contrato com a EMI America recentemente assinado). Também pela primeira vez, desde Space Oddity, nenhum músico transitou das sessões do álbum anterior. Stevie Ray Vaughan, que Bowie tinha visto a tocar no festival de Montreux, conheceu aqui a sua grande oportunidade. A estúdio chegaram, também, dois outros elementos dos Chic (Bernard Edwards e Tony Thompson). A segunda etapa de gravações decorreu nos estúdios Power Station, em Nova Iorque, num recorde de apenas 20 dias, em horário laboral “normal” (das 10.30 às 18.00)... Bowie não tocou um único instrumento. E Nile Rodgers trabalhou os arranjos, procurando dar às canções o que sentia que cada qual lhe pedia. Ou seja, que China Girl tivesse tempero asiático. Ou que Let’s Dance convidasse qualquer um a dançar... O resultado foi um álbum milimetricamente polido ao pormenor, eficaz, pop. Talvez menos ousado que muitos outros igualmente criados na etapa mainstream de Bowie (1982-1987). Mas com melhores canções (e resultados) que Tonight e Never let Me Down. Foi um sucesso instantâneo e, para a EMI, o disco de vendas mais rápidas desde o Sgt Peppers dos Beatles... Contudo, Let’s Dance representou a única tentativa bem sucedida de Bowie enquanto estrela mainstream. Depois de dez anos de erros e tropeções, só voltou a mostrar sinais de visão criativa consequente em 1993, curiosamente num reencontro com o rhythm’n’blues. Mas de forma e objectivos bem distintos.

quarta-feira, outubro 24, 2007

O disco americano, que o foi

Ano Bowie – 65
‘Young Americans’ – Álbum, 1975


Durante a sua residência no Rower Theatre, em Filadélfia, em Julho de 1974, Bowie entrou pela primeira vez nos míticos Sigma Sound Studios, a “casa” do som negro que caracterizava a cidade. A sua antiga paixão pelo rhythm’n’blues (que podemos recordar nos singles que editou antes de 1966) ganhou nova visibilidade. Pediu a Coco Shwab (a sua assistente pessoal) uma lista de novos discos de referência na música negra, entre os quais títulos da emergente cena disco. As sugestões de 1984, em Diamond Dogs ditavam o rumo de um novo álbum que, meses depois, ganhou forma nesse mesmo estúdio em Filadélfia, contando novamente com Tony Visconti na produção e com um distinto lote de músicos, entre os quais o guitarrista Carlos Alomar e o baixista Willie Weeks. As sessões foram rápidas, gravado quase todo o álbum no curso de apenas duas semanas. Este foi desde o início um disco nocturno, gravado noite fora num tempo em que Bowie vivia com horas trocadas. Numa etapa posterior, já com o disco supostamente gravado, Bowie passou uma temporada em Nova Iorque. E aí aprofundou uma amizade com John Lennon que, meses antes, havia conhecido em Los Angeles. Juntos entraram em estúdio, trabalhando uma versão de Across The Universe (dos Beatles) e um inédito, Fame, que viria a dar o primeiro número um americano a Bowie. Os temas, naturalmente, entraram à última hora em Young Americans, tornando-se peças fundamentais no seu alinhamento. O disco acabou por reflectir plenamente a vontade de abordar a música negra norte-americana, abrindo novos caminhos na obra de Bowie com continuidade, mais tarde, em álbuns como Let’s Dance (1983) ou Black Tie White Noise (1993). Foi bem recebido, sobretudo nos EUA, onde Bowie se viu elevado de estrela de culto a figura de primeira linha do showbiz. Young Americans é um disco não unânime entre admiradores de Bowie. Mas, como os seus demais títulos de 70, teve imediato impacte junto dos seus contemporâneos. Os Roxy Music mostraram igual paixão negra em Love Is The Drug. E Rod Stewart fez o mesmo em Atlantic Crossing...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Mais uma caixa Bowie

David Bowie vai lançar, em inícios de Dezembro, uma caixa de dez CD que corresponde a uma quase integral da sua obra desde 1995. Cada um dos cinco álbuns de originais que desde então lançou (todos eles recuperados nos seus alinhamentos originais) virá acompanhado por um segundo CD de temas extra que correspondem a lados B, remisturas e raridades. Os discos extra de 1.Oustide, Earthling e hours... correspondem aos CDs adicionais das edições digibook de 2004. Os alinhamentos complementares a Heathen e Reality são editados neste formato pela primeira vez. Para os interessados, aqui ficam os alinhamentos dos discos de extra.

Extras de 1.Oustide: The Heart’s Filthy Lesson (Trent Reznor Alternative Mix), The Heart’s Filthy Lesson (Rubber Mix), The Heart’s Filthy Lesson (Simple Test Mix), The Heart’s Filthy Lesson (Filthy Mix), The Heart’s Filthy Lesson (Good Karma Mix by Tim Simenon), A Small Plot Of Land (Basquiat OST Version), Hallo Spaceboy (12” Remix), Hallo Spaceboy (Double Click Mix), Hallo Spaceboy (Instrumental), Hallo Spaceboy (Lost In Space Mix), I Am With Name, I’m Deranged (Jungle Mix), Get Real e Nothing To B e Desired.

Extras de Earthling: Little Wonder (Censored Video Edit), Little Wonder (Junior Vasquez Club Mix), Little Wonder (Danny Saber Dance Mix), Seven Years In Tibet (Mandarin Version), Dead Man Walking (Moby Mix 1), Dead Man Walking (Moby Mix 2 US Promo 12”), Telling Lies (Feelgood Mix), Telling Lies (Paradox Mix), I’m Afraid Of Americans (Show Girls OST version), I’m Afraid Of Americans (Nine Inch Nails V1 Mix), I’m Afraid Of Americans (Nine Inch Nails V1 Clean Edit), V-2 Schneider (Tao Jones Index) e Pallas Athena (Tao Jones Index)

Extras de hours…: Thursday’s Child (Rock Mix), Thursday’s Child (Omikron: The Nomad Soul slower version), Something In The Air (American Psycho Remix) , Survive (Marius DeVries UK CD Single), Seven (Demo), Seven (Maurius DeVries Mix), Seven (Beck Mix #1), Seven (Beck Mix #2), The Pretty Things Are Going To Hell (Edit), The Pretty Things Are Going To Hell (Stigmata film version), The Pretty Things Are Going To Hell (Stigmata film only version), New Angels Of Promise (Omikron:The Nomad Soul version), The Dreamers (Omikron: The Nomad Soul longer version), 1917, We Shall Go To Town, We All Go Through e No-one Calls

Extras de Heathen: Sunday (Moby Remix), A Better Future (Remix by Air), Conversation Piece (2002 re-record), Panic In Detroit (1979 Outtake), Wood Jackson, When The Boys Come Marching Home, Baby Loves That Way, You’ve Got A Habit Of Leaving, Safe e Shadow Man

Extras de Reality: Waterloo Sunset, Fly, Queen Of All The Tarts (Overture), Rebel Rebel, Love Missle F1 Eleven, Rebel Never Gets Old (Radio Mix), Rebel Never Gets Old (7th Heaven Edit) e Rebel Never Gets Old (7th heaven Mix)

quinta-feira, outubro 11, 2007

O disco "berlinense" que o não é

Ano Bowie – 65
‘Lodger’ – Álbum, 1979


Lodger é muitas vezes citado como o menos bem amado dos álbuns da chamada “trilogia berlinense”. Na verdade, o tempo acabou por dele fazer um álbum de absoluta referência, representando em si (e não apenas pelo facto de ter sido editado em 1979), uma das mais interessantes sínteses das ideias que faziam a linha da frente da invenção pop “não alinhada” em finais de 70, lançando pistas para a década que se aproximava. Além disso, Lodger foi gravado entre Montreux (na Suíça) e Nova Iorque, das anteriores sessões berlinenses aceitando apenas a manutenção de parte da equipa de trabalho e, de alguma forma, temáticas e estratégias de abordagem a novas formas de composição. Estas últimas revelaram em Lodger uma maior liberdade de acção de Brian Eno que, com Bowie, promoveram uma série de operações de construção musical quase aleatória (mediante sugestões de acordes, de estilos, de climas a sugerir). Curiosamente, este é, dos três álbuns (Low, Heroes e Lodger) aquele em que a presença autoral de Eno é menos evidente, estando ausente de quatro temas. Antes de se falar em world music, o disco demonstra a atenção de Bowie por musicologias de outras latitudes, e abre o leque de abordagens estilísticas a uma grande diversidade de caminhos (resta saber onde mora, aqui, uma certa relação de causa-efeito, com My Life In The Bush Of Ghosts, disco que pouco depois Brian Eno criou de parceria com David Byrne). Contra os dias sombrios retratados em Low e, sobretudo Heroes, revela uma luminosidade optimista, não o impedindo esta atitude dominante de vincar posições políticas concretas, da corrida ao nuclear em Fantastic Voyage à violência doméstica em Repetition. O álbum gerou uma sucessão de singles de grande impacte, de Boys Keep Swinging a Look Back In Anger, sem esquecer D.J., canções que sublinharam pistas de modernismo pop que, rapidamente, se fizeram de referência entre os seus discípulos que entravam em cena para assumir o protagonismo da invenção musical na primeira metade de 80.

sábado, setembro 29, 2007

Nem santos (nem populares)

Ano Bowie – 64
‘All Saints’ – Compilação, 2001


Em 1993 David Bowie reuniu uma série de temas instrumentais gravados entre os álbuns Low, Heroes, Black Tie White Noise e a sinfonia de Philip Glass centrada em Low e deles fez uma compilação (no formato de CD duplo) da qual fez 150 cópias, que destinou apenas a um restrito circuito de conhecidos e amigos, usando-a então como o seu presente de Natal. Chamou-lhe All Saints... O disco, que então não teve edição comercial, rapidamente acabou transformado numa das mais desejadas raridades entre coleccionadores, atingindo alguma cópias valores incalculáveis. Em 2001, Bowie resolveu reduzir o alinhamento da versão dupla do álbum a apenas um disco, acrescentando-lhe alguns temas (um deles proveniente do então recente hours...), e retirando outros (entre os quais todos os originalmente provenientes do álbum de 1993). O alinhamento passou a ser essencialmente centrado em memórias instrumentais de finais de 70, mantendo-se a versão de Some Are, de Philip Glass, a fechar o disco. All Saints representa, por um lado, uma manobra de “democratização” de um objecto antes fechado a uma elite. Por outro, é um olhar de síntese de algum do seu trabalho musical mais experimental.

terça-feira, setembro 04, 2007

Iconografia(s)

"Ela não tinha uma personalidade muito carismática. Era impossível adivinhar que iria transformar-se numa pop star mundialmente famosa. É por isso que, para muitos de nós, foi uma surpresa ela tornar-se tão grande. Lembro-me de ir a uma loja e ver o seu rosto num álbum: 'Meu Deus, é ela. Não acredito!' Ficámos todos em estado de choque. Como é que ela tinha chegado ali?" — são palavras de Wyn Cooper, actualmente um poeta a viver em Vermont; no começo dos anos 70, num liceu de Rochester (Michigan), foi namorado de Madonna. Lucy O'Brien utiliza as suas palavras para abrir um artigo de evocação dos primeiros anos de Madonna, publicado na revista da edição de domingo do londrino The Independent [páginas de abertura aqui reproduzidas].
Dos primeiros discos ouvidos nas cassetes do carro de Cooper (com destaque para Ziggy Stardust and the Spiders from Mars) até à descoberta dos 45 rotações da Motown e às primeiras aulas de dança, já em Nova Iorque, O'Brien traça o retrato de uma lutadora a quem, de facto, a fama não sorriu automaticamente — alguém que, apesar das fortes referências femininas inspiradoras (incluindo Debbie Harry e Chrissie Hynde), experimentou as resistências de um meio dominado por figuras masculinas.
O'Brien sabe do que fala. Afinal de contas, ela passou os últimos três anos a investigar a vida de Madonna, falando com a própria e também com muitas pessoas, conhecidas ou anónimas, que por uma ou outra razão com ela se cruzaram. O resultado é o livro Like an Icon (Bantam Press) que se apresenta como "a biografia definitiva" de Madonna. A autora falou recentemente do seu trabalho, na BBC, no programa Steve Wright in the Afternoon.

domingo, setembro 02, 2007

Pompa e circunstância

Ano Bowie – 63
‘Absolute Beginers’ – Single, 1986


A década de 80 foi aquela em que Bowie mais se relacionou com o cinema, não apenas como actor, como (e sobretudo), como colaborador em diversas bandas sonoras. A mais bem sucedida das operações teve lugar em 1986, com um filme no qual, além de participar com um papel secundário, David Bowie teve também honras de protagonismo na música, interpretando o tema-título do filme, assim como assinando, para um outro momento musical, uma nova versão de Volare (um clássico eurovisivo italiano de 1958). Trata-se de Absolute Beginers. Bowie foi convidado pelo realizador, Julien Temple, a compor e gravar o tema-título. Convocou a Abbey Road uma série de músicos, sob a batuta de Thomas Dolby, anunciando apenas que iam gravar com Mr X... A banda reunida, onde se incluía o guitarrista dos Prefab Sprout, o baixista dos Thompson Twins, o saxofonista dos Visage, o percussionista português Luís Jardim e o velho parceiro teclista Rick Wakeman, pegou no esboço da canção que Bowie levou a estúdio e, partindo das sugestões de um filme com acção projectada na Londres dos anos 50, construíram um épico pop que se tornou numa das canções de referência da obra do músico nos anos 80. Sinfonista (Wakeman chamava-lhe “à la Rachmaninov”), o arranjo sublinhava uma eloquência digna de realeza pop que Bowie protagonizava. É um dos maiores clássicos de Bowie e uma das suas maiores performances comerciais depois de Let’s Dance.

Absolute Beginers (Virgin, 1986)
Lado A. Absolute Beginers
Lado B. Absolute Beginers (Dub Mix)
Produção: David Bowie, Clive Langer e Alan Westtanley



O próprio Julien Temple rodou o teledisco de Absolute Beginers a preto e branco, na Westminstre Bridge sobre o Tamisa, como se fosse um pastiche de um velho anuncio de cigarros dos anos 50. A dada altura, a encenação, onde Bowie contracena com uma mulher-zebra, é entrecruzada por imagens do filme.

quinta-feira, agosto 30, 2007

Os grandes também erram

Ano Bowie – 62
‘Never Let Me Down’ – Album, 1987
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Como em todas as obras criativas, Bowie conheceu momentos de inspiração, mas também episódios onde ela acabou bem longe da música que gravou. E o mais evidente exemplo de desnorte criativo na sua obra encontra-se num período que podemos limitar entre 1984 e 1992. Ou seja, a ressaca do estatuto mainstream conquistado com o álbum Let’s Dance em 1983 que levou Bowie a experimentar a confecção de sucessores destinados ao grande mercado... Levou contudo cinco anos a perceber que aquele não era o seu lugar. Descobriu-o antes de mergulhar num outro erro (o dos Tin Machine), na sequência do artisticamente mais desastroso dos discos de toda a sua carreira: Never Let Me Down, de 1987. O álbum foi sonhado e desejado pela editora. Depois das meias-tintas de Tonight (1984) e do sucesso de Dancing In The Street, com Mick Jagger, apresentado no Live Aid, a editora chegou a pensar numa compilação de máxi-singles, que acabou arquivada. Mas Bowie só respondeu ao desafio depois de concluída uma etapa de dedicação ao cinema e a Iggy Pop, entre 1985 e 86. Juntou músicos em Montreux, recuperando parte da equipa que havia trabalhado em Tonight, convidando Peter Frampton para tocar as guitarras. O álbum foi pensado para servir a digressão que se lhe seguiria (a Glass Spider Tour), mas cresceu feito pompa formal sem muito para dizer nem grandes ideias para mostrar. Comercialmente foi, na atura, a pior performance de Bowie desde 1970. E rapidamente acabou esquecido. O próprio Bowie mais tarde acabaria por descrevê-lo como uma desilusão, ignorando-o em futuras digressões. Não é um disco incompreendido. É mesmo medíocre. E nunca será, nem num futuro distante, reeleito como clássico esquecido.

domingo, agosto 26, 2007

Esboços de personalidade

Ano Bowie – 61
‘David Bowie’ – Álbum, 1967



A mudança desejada depois de uma sucessão de seis ineficazes singles editados entre 1964 e 66 chegou só depois do fracasso do terceiro dos 45 rotações editados em 1966 pela PYE. O álbum de estreia, David Bowie, lançado sob novo acordo com a Dearm, selo associado à Decca, editado em 1967, pode ter sido mais um aparente tiro em falso, incapaz de chamar a atenção de um público comprador de discos. Mas, interessante híbrido de tradições do teatro musical e temperos psicadélicos, definiu a descoberta e assimilação de genéticas exteriores ao rock’n’roll que acabariam por afirmar a diferença e invulgar abertura de Bowie a outros estímulos. Canções como Love You Till Tuesday, When I Live My Dream ou Rubber Band, ou mesmo o “embaraçoso” The Laughing Gnome (exterior ao alinhamento do álbum, editado como single em Abril de 1967), mostram um Bowie centrado numa firme demanda pessoal, egocentrado, mutante, cenograficamente inteligente, e já capaz de dominar a escrita de canções. O sucesso, curiosamente, chegaria mais tarde, com nova gravação de Space Oddity, um tema que nasce por alturas do primeiro álbum e que chega a conhecer primeira visibilidade no filme Love You Till Tuesday, que o manager Ken Pitt engendra como estratégia promocional. À distância de 40 anos, muitas são as opiniões que defendem que só o desinteresse da Deram em promover o disco justificou o seu fracasso comercial. Elogiado pela crítica, nascia, apesar das aparentes diferenças à superfície dos sons, num tempo em que o mundo da pop inglesa descobria pequenas canções de personalidade narrativa. O ecletismo musical revelado pelo álbum, cruzando heranças folk com cenografias colhidas no vaudeville e um sentido de composição de espaço não estranho aos dias do psicadelismo, é finalmente reconhecido como uma marca de personalidade em busca de um espaço próprio. Curiosamente, David Bowie é hoje o tesouro maior do catálogo de reedições da extinta editora que então o quase ignorou.

quinta-feira, agosto 23, 2007

"Serious Rebel"

Ano Bowie – 60
“Rebel Rebel” – Serious Moonlight Tour, 1983


Camaleão? Sim, mas também através da permanência de muitas referências pessoais. Ou melhor: do constante cruzamento — leia-se: mútuo enriquecimento — de passado e presente, imagens originais e imagens reconvertidas. Assim, por exemplo, Rebel Rebel, tema emblemático do álbum Diamond Dogs (1974), com a sua inesquecível capa desenhada por Guy Peellaert — podemos reencontrá-lo, quase dez anos depois, num dos momentos emblemáticos da Serious Moonlight Tour. O look vem do álbum de 1983, Let's Dance, e o registo do concerto tem a assinatura de David Mallet.

quarta-feira, agosto 22, 2007

A distopia a quem a trabalha!

Ano Bowie – 59
“Diamond Dogs” – Álbum, 1974



Em finais de 1973 Bowie começou a desenvolver dois projectos para musicais de palco que acabaram por nunca se concretizar. Um deles era uma versão longa da história de Ziggy Stardust, abandonada depois por se pensar ser um passo errado para trás. O outro, uma adaptação do romance 1984, de George Orwell, cuja realização acabou impedida pela não cedência de direitos por parte da viúva do escritor. Entusiasmado pelas ideias que entretanto havia desenvolvido, Bowie acabou por criar a sua visão distópica de uma outra cidade projectada no futuro, na qual uma série de referências americanas foram por si incluídas. Esta cidade de sombras, tensão e desilusão acabaria por ser o cenário no qual projectou as canções de Diamond Dogs, álbum que assinala franca vontade de partir para lá dos domínios estilísticos associados ao glam rock (esgotados por si em Aladdin Sane e, entretanto, feitos moda descartável por inúmeras novas bandas oportunistas), experimentando um sentido dramático que teria evidentes herdeiros, mais tarde, entre os partidários do rock gótico. Na verdade, apenas Rebel Rebel permite estabelecer uma ponte com o passado imediato em Bowie (esta, contudo, foi uma das duas canções que “salvou” do musical dedicado a Ziggy entretanto cancelado, daí a adinidade). Apesar de projectado num futuro eventual, o álbum representa uma visão crítica da vida urbana dos anos 60 e 70. Bowie chegou a descreve-lo como uma visão muito inglesa de um sentido de vida apocalíptico e reconheceu que entre as canções residiam marcas de incidentes da vida financeira na Nova Iorque de então. O disco enfrenta, ainda, pela primeira vez na escrita de Bowie, referências concretas ao consumo de drogas. Musicalmente é um disco de reinvenção de ideias, e revelador de sinais de atenção de Bowie para com as outras músicas do seu tempo. 1984, canção criada antes das demais composições, revelava um interesse pelo emergente fenómeno disco (e não esconde uma certa proximidade, na arquitectura rítmica, com o tema para o filme Shaft, recentemente gravada por Isaac Haayes. Liricamente reflecte o início de uma relação fragmentária com a escrita, em parte influenciada pela descoberta de técnicas usadas por William S. Burroughs, que Bowie tinha entrevistado para a Rolling Stone um ano antes. Apesar de ter dividido a crítica na altura, hoje é considerado um dos mais importantes álbuns na discografia de Bowie.

sábado, agosto 11, 2007

A consagração de um herói

Ano Bowie – 58
“Heroes” – Álbum, 1977


Em 1977 David Bowie gravou, além de colaborações com Iggy Pop, dois álbums que reforçariam o seu estatuto como uma das mais influentes figuras da história da música popular. Um deles foi Low, de certa forma a cartilha que ajudou a definir rumos que a pop tomaria nos anos 80. O outro, “Heroes”, foi o seu natural sucessor. E vencida a estranheza com que Low fora recebido alguns meses antes, tornou-se num fenómeno à escala global (com excepções, como nos EUA, onde o sucesso mainstream só regressaria com Let’s Dance). “Heroes” foi gravado no hoje mítico estúdio Hansa By The Wall 2, a poucos metros do muro que nesses tempos dividia a cidade. Foram frequentes as vezes que se viram na mira dos binóculos dos soldados russsos, o ambiente de vigilância e ansiedade de certa forma projectando-se depois na música. O ponto de partida para a construção musical foi em tudo semelhante ao de Low, primeiras texturas e ideias melódicas lançadas em poucos dias, sob jogos de teatro em volta de personagens que Eno e Bowie assumiam em estúdio, uma vez mais sob a atenção de Tony Visconti, na produção. Porém, “Heroes” revelar-se-ia um disco mais festivo que o sombrio Low. As guitarras, a cargo de Robert Fripp, concederam-lhe uma carnalidade mais exultante, e o momento que pessoal mais positivo que Bowie vivia acabou por se instalar entre as canções. O tema-título, uma das mais célebres canções de Bowie, traduz, ainda, um sentido de triunfo que Bowie sentia pelo reconhecimento da sua obra. As palavras desta canção, que hoje são parte do tesouro Olimpo da cultura popular surgiram, como as das demais de “Heroes” sob apelo quase espontâneo. Muitos recordam hoje como Bowie só sabia o que ia cantar quando se aproximava do mircofone... As gravações (e a mais longa etapa de mistura) duraram perto de três meses, entre Berlim e um estúdio na Suíça, sob clima de optimismo. Esta confiança, de resto, foi depois aproveitada pela editora na hora de promover o álbum. “Há a old wave, a new wave e, depois, David Bowie”... O disco, curiosamente, apelaria transversalmente a muitos e foi para diversas publicações do disco do ano em finais de 1977.

quarta-feira, agosto 01, 2007

E o melhor filme de Bowie é...

... Merry Christmas Mr Lawrence. Pelo menos assim pensam os leitores do Sound + Vision, naquele que foi o primeiro inquérito que aqui lançámos. Aqui ficam os resultados finais da votação:

- Merry Christmas Mr Lawrence (40%)
- The Hunger (15%)
- The Prestige (12%)
- The Man Who Fell To Earth (9%)
- Basquiat (7%)
- Absolute Beginers (6%)

Para 7 por cento dos votantes, nenhum destes seis filmes corresponde à melhor performance de Bowie no cinema.