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sábado, outubro 11, 2008

Rolling Stone Girl

Ano Madonna - 28
Rolling Stone


A revista Rolling Stone está para o universo da música popular como o jornal Variety para o mundo do cinema: é um modelo jornalístico e uma referência mitológica, ajuda-nos a ler a história e a participar da vida dos símbolos. Madonna já foi capa da Rolling Stone onze vezes: percorrê-las é também fazer o sumário de uma fascinante viagem iconográfica.

> 1984: 22 de Novembro, nº 435 — por altura do lançamento de Like a Virgin e do triunfo do primeiro look Madonna; Steven Meisel, futuro aliado de muitas aventuras, é já o fotógrafo.

> 1985: 9 de Maio, nº 447 — Herb Ritts, outro cúmplice de muitas imagens, assina a capa: na companhia de Rosanna Arquette, o tema é o filme Desesperadamente Procurando Susana.

> 1986: 5 de Junho, nº 475 — a "nova Madonna" é a estrela planetária que acaba de lançar o álbum True Blue (e cortou o cabelo): Matthew Rolston assina as fotografias.

> 1987: 10 de Setembro, nº 508 — em plena euforia da "Who's That Girl Tour", Madonna fala do que é ser uma estrela: Herb Ritts regressa, retrabalhando o fantasma de Marilyn.

> 1989: 23 de Março, nº 548 — ainda Herb Ritts: entrevista confessional em pleno processo de divórcio de Sean Penn, com o álbum Like a Prayer acabado de sair.

> 1989: 21 de Setembro, nº 561 — Herb Ritts, again; para um número especial de fotografias de personalidades do mundo do rock & roll, Madonna volta a ser eleita para a capa.

> 1991: 13 de Junho, nº 606 — fotografada por Steven Meisel e entrevistada por Carrie Fisher: em pose nostálgica de vedeta de uma belle époque mais ou menos abstracta.

> 1997: 13 de Novembro, nº 773 — a revista faz 30 anos em tom de celebração feminina, reunindo na capa Courtney Love, Tina Turner e Madonna: Peggy Sirota assina a fotografia.

> 1998: 9-23 de Julho, nº 790/791 — é o Verão de Ray of Light, mas o look reflecte menos a iconografia do álbum e mais o encontro criativo com outro fotógrafo: David LaChapelle.

> 2000: 28 de Setembro, nº 850 — a imagem de Jean-Baptiste Mondino garante o look de western pós-moderno: é o momento do lançamento do álbum Music.

> 2005: 1 de Dezembro, nº 988 — depois de um interregno de cinco anos, nova capa para assinalar o lançamento de Confessions on a Dance Floor — fotografia de Steven Klein.

terça-feira, setembro 16, 2008

Teledisco de palco + Obama

Ano Madonna - 27
Get Stupid, Sticky & Sweet Tour (2008)

Na Drowned World Tour, Paradise (Not For Me) e Mer Girl serviram de pretexto para a apresentação de um novo conceito: o teledisco de palco (com Madonna em pose de gueixa maltratada mas, por fim, perversamente triunfante). As respectivas imagens, embora disponíveis no DVD da digressão, ficaram como uma espécie de memória solta, mais ou menos à deriva. Curiosamente, na Sticky & Sweet Tour, é a própria Madonna que parece querer valorizar o conceito, já que vem divulgar a sua continuação, disponibilizando no site oficial as imagens do interlúdio Get Stupid (feito com elementos de Beat Goes On, Give It 2 Me, 4 Minutes e Voices). Razões para isto? Para além da rentabilização estética do seu material iconográfico, há uma razão mais urgente, eminentemente política: Get Stupid é um verdadeiro manifesto pop sobre o imaginário político herdado do século XX, incluindo entre as suas muitas personagens nada mais nada menos que John McCain e Barack Obama — não necessariamente por esta ordem de preferência...

quinta-feira, setembro 04, 2008

"She's not me"

Ano Madonna - 26
She's not me
(Hard Candy, 2008)

É, porventura, a canção que resume, não apenas a perversidade confessional do álbum Hard Candy, mas também todo o jogo de ambivalências com que Madonna sempre trabalhou os seus discursos — chama-se, à letra, "Ela não sou eu" e dito/cantado por Madonna esse parece ser um aviso pedagógico, apelando à inteligência de quem a olha. Os versos da canção dizem tudo isso em forma de acerado melodrama. Exemplo:

I just want to be there when you discover
You wake up in the morning next to your new lover
She might cook you breakfast and love you in the shower
The flavor of the moment, 'cause she don't have what's ours

She's not me
She doesn't have my name
She'll never have what I have
It won't be the same

Certamente (e muito ironicamente) não por acaso, na Sticky & Sweet Tour, She's Not Me apresenta-se encenada através de uma delirante colagem da biografia videográfica de Madonna — to be or not to be (me).

quinta-feira, agosto 21, 2008

Coerência / incoerência

Ano Madonna - 25
Camille Paglia & Ca.

Na compreensão da complexidade do universo de Madonna — e, muito em particular, na avaliação dos seus desafios aos valores e imagens do espaço feminino tradicional —, autores como a americana Camille Paglia foram absolutamente vitais. Não apenas por essa lógica, sem dúvida perversa, que transformou Madonna em tema recorrente de muitos estudos universitários made in USA, mas também pela recusa de qualquer hierarquia moralista entre "alta" e "baixa" cultura. A 21 de Julho de 1991, em artigo publicado na revista de domingo do jornal The Independent, Paglia começava mesmo de modo panfletário: "I'm a dyed-on-the-wool, true-blue Madonna fan" (texto incluído no livro Sex, Art, and American Culture).
Que faz, então, com que uma pessoa tão brilhante como Paglia tenha optado ultimamente por um claro distanciamento, não apenas desvalorizando o trabalho de Madonna (está no seu direito), mas também escolhendo a via menor do insulto. Exemplo? Segundo ela, na capa de Hard Candy, ela parece-se com uma "velha e dissoluta mulher da rua"... De onde vem tamanha violência? Quem formula tal interrogação é Aida Edemariam, num subtil texto intitulado "Por que é que Camille Paglia & Ca. renegaram Madonna?". Vale a pena ler, sobretudo tendo em conta que Edemariam coloca, afinal, a questão da coerência e/ou incoerência de cada um (neste caso, explicitamente: de cada uma) — é uma grande questão, ao mesmo tempo existencial, ética e artística.

terça-feira, julho 29, 2008

Senhoras de 50 anos

Ano Madonna - 24
"Material girls" (BBC 4)

Foi a 9 de Março 1959 que surgiu a primeira boneca Barbie, cerca de nove meses depois do nascimento de Madonna. Por circunstâncias que, como é hábito dizer-se, ficaram para a história, ambas marcaram a evolução do conceito de feminino no último meio século — desde o tratamento do corpo até aos modos de afirmação social, boneca e cantora partilham a mesma ânsia de afirmação da sua diferença.
Por certo, os especialistas da difamação-à-portuguesa acharão que se trata de um paralelismo anedótico, promovido por algum fan menos contido. Esquecem-se, como sempre, que não é preciso ser fan de ninguém para ter o gosto de conhecer e pensar as formas (das mais universais às mais específicas) da cultura popular. Foi o que fez a BBC 4, num programa cujo título é um delicioso achado: "Material girls".

segunda-feira, julho 14, 2008

"American Life": escutar, repensar

Ano Madonna - 23
American Life
(releitura de Slant Magazine)


A obra de Madonna não é exactamente um obje-cto recoberto por qual-quer tipo de unanimida-de — não é nem, obvia-mente, alguma vez o poderá ser. Em todo o caso, há uma diferença entre lidar com essa obra como algo que nos questiona (mesmo que a rejeitemos) e encará-la como mero pretexto de difamações pueris (infeliz "especialidade" da Internet). Vale a pena dizer, sobretudo, que há formas de revisitação do trabalho de Madonna que nos podem ajudar a pensar e repensar as dinâmicas internas da cultura popular. Numa dessas revisitações, Sal Cinquemani (Slant Magazine) propõe uma releitura (ou uma "re-escuta") do álbum de menor sucesso comercial de Madonna — American Life, 2003 —, recontextualizando-o num momento particularmente quente da vida política nos EUA. Citação:
>>> Como com quase todos os álbuns de Madonna, à excepção do primeiro, é quase impossível falar da música sem ter em conta o contexto cultural e social que a gerou. Há quem já tenha argumentado que é por isso que a imagem e o marketing da cantora constituíram sempre o foco da sua carreira, desse modo secundarizando a própria música, mas penso que esse facto apenas reforça a condição de Madonna como uma verdadeira artista. A arte sem contexto cultural é como a guerra sem contexto político. E, naquela altura, a política e a própria guerra desempenharam um papel fundamental na construção, no marketing e por fim na percepção e no consumo (ou na falta dele) de "American Life" — isto apesar de, ao longo do álbum, haver muito poucas observações políticas.<<<

segunda-feira, julho 07, 2008

Imagem? Qual imagem?

Ano Madonna - 22
Rock and Roll Hall of Fame (o texto)


Madonna como criação da imagem?... Esqueçam a imagem. No texto do programa do Rock and Roll Hall of Fame (10 de Março de 2008), Jim Farber começa por propor a síntese perfeita:

>>> Esqueçam o seu papel como espelho da moda. E mulher de negócios. E bailarina. E provocadora sexual. E inovadora do video. E promotora poderosa. E rainha do escândalo. E até mesmo como ícone. Sim, todas essas personagens desempenham um papel no fenómeno global e na entidade estética que é Madonna, mas, em conjunto, distraem-nos do elemento chave que a todas determina: a música.<<<

Factos e ficção

Ano Madonna - 21
Comunicado, 6 de Julho de 2008


Inevitavelmente — e sintomaticamente — a mesma imprensa medíocre que especula sobre os prós e contras da vida privada de Madonna vai, no geral, tratar de forma secundária, ou mesmo indiferente, o esclarecimento por ela divulgado àcerca da situação do seu casamento com Guy Ritchie. O facto é este: Madonna fez sair um comunicado, através da revista People, sobre o seu alegado divórcio, desmentindo-o e negando também qualquer envolvimento com Alex Rodriguez. O comunicado termina com uma frase que resume, em termos modelares, as chagas mediáticas da nossa pós-modernidade:~

>>> Ao longo dos anos, aprendi a não tomar muito a sério as acusações e as muitas falsas notícias sobre mim. Verifico que os factos e a ficção parecem ser vistos como uma coisa única por pessoas que lêem jornais e a Internet.<<<

Semelhante tomada de posição reitera, historicamente, o valor crítico de uma estrela que sabe não se dissolver nem dissipar naquilo que, dela, ecoa no discurso dos outros — da imprensa aos próprios leitores, também eles confrontados com a sua responsabilidade de percepção das coisas. No limite, devemos sublinhar algo de muito transparente: mesmo que a vida privada de Madonna possa entrar neste mesmo instante em estado crítico, nada — sublinho: nada — invalida a pertinência de tão corajosa tomada de posição.

terça-feira, junho 17, 2008

Em nome do feminino

Ano Madonna - 20
Panorama + Empire + Max,
1993

Um dos efeitos mais desconcertantes em torno de uma personalidade automaticamente associada a uma noção gratuita de escândalo é que a agitação mediática pode funcionar também como um instrumento de apagamento. Veja-se esta foto: faz parte de um portfolio (com pequenas diferenças internas) que surgiu em algumas capas de revistas publicadas ao longo do ano de 1993. É, por certo, uma das imagens mais extremas, isto é, mais genuinamente políticas que Madonna alguma vez gerou — uma figura crística conjugada no feminino. E, apesar disso (ou por isso mesmo), é uma referência "vaga" do universo de Madonna, muito pouco vista e ainda menos analisada. No ano anterior, aliás, tinham-se escrito rios de tinta sobre os "centímetros" de pele que se viam no livro Sex... Sobreviveu, da imagem, a sua beleza radical. Sobrevive sempre.

sábado, junho 14, 2008

No princípio era Garbo

Ano Madonna - 19
Island Magazine
, Outubro 1983

Um lugar-comum muito difundido entre os detractores de Madonna faz supor que o seu recurso a grandes figuras iconográficas (de Marilyn a Eva Péron) constitui uma espécie de golpe a posteriori, para tentar "caucionar" o seu trabalho já feito. De facto, a relação com tais figuras não é um apêndice formalista, mas sim um princípio fundador do seu próprio trabalho formal. A primeira e exemplar demonstração de tal atitude criativa — e, como é óbvio, dos riscos estéticos que dela decorrem — está no exacto princípio da sua carreira, quando Madonna se fez fotografar por Curtis Knapp numa pose que remetia directamente para uma das mais célebres imagens de Greta Garbo, registada em 1928 pelo grande Edward Steichen. A fotografia de Knapp acabaria por tornar-se, ela própria, uma referência fundadora na história de Madonna, uma vez que serviu de capa à revista que publicou a sua primeira entrevista — aconteceu na Island, publicação efémera da East Village novaiorquina, editada por Arnold Barkus e Steve Neumann: a revista saíu em Outubro de 1983, cerca de três meses passados sobre o lançamento americano do primeiro álbum, Madonna. Quase três décadas antes, a 10 de Janeiro de 1955, a Garbo de Steichen tinha surgido na capa da Life.

sexta-feira, março 28, 2008

Iconografia

Ano Madonna - 18
Life
, 1 de Dezembro de 1986


Quando é que o estatuto de estrela deixa de ser um projecto, uma ambição, eventualmente uma soma de qualidades ou poderes? Talvez que a resposta seja a mais metafísica: quando tudo isso já não importa e se instala uma espécie de evidência mitológica, mesmo se é verdade que as histórias do mundo (e Roland Barthes...) nos ensinam que a mitologia é uma máscara que se instala como evidência.
Digamos, então, que tudo isso acontece quando Madonna é fotografada por Bruce Weber para a capa da Life, mais precisamente para a edição do dia 1 de Dezembro de 1986 (cerca de vinte dias passados sobre o lançamento americano do single de Open Your Heart, o quarto do álbum True Blue). Por um lado, a memória (mitológica, hélas!...) de Marilyn Monroe mantém-se vivíssima — Weber trabalhou mesmo a partir de algumas das suas fotos emblemáticas; por outro lado, dir-se-ia que já se instalou a independência, discretamente altiva, de alguém que passou a citar os outros (e as outras) por razões dramatúrgicas, não à procura de uma qualquer caução. Tinha nascido um ícone.

domingo, março 16, 2008

O espectáculo total

Ano Madonna - 17
Barcelona, 9 de Junho de 2001


Foi no Palau Sant Jordi, pavilhão construído para os Jogos Olímpicos de Barcelona (1992), que começou a Drowned World Tour — perante cerca de 20 mil espectadores (incluindo os autores deste blog), Madonna conseguiu a proeza, invulgar para uma personalidade tão mediática, de começar a sua tournée sem que se conhecesse uma única imagem de cenários, guarda-roupa, videos... Assim, naquela noite de 9 de Junho de 2001 foi possível assistir a algo de genuinamente revolucionário: por um lado, estava definitivamente ultrapassado o conceito mais tradicional de palco, dando lugar a uma dinâmica de espaço(s) em que o próprio video deixava de ser uma "tela" de fundo para se transfigurar em novo elemento cénico e narrativo; por outro lado, Madonna apresentava-se numa multiplicidade que ia desde a sua clássica persona de entertainer até à muito aplicada estudante de guitarra (depois de um metódico período de estudo). Das memórias de tal performance fica, de facto, o impacto de um espectáculo total [aqui recordado através de fotografias do site madonna-online.ch] em que as noções de canto, dança, teatro e teledisco se tocam e, mutuamente, se reinventam.

sexta-feira, março 14, 2008

Rock and Roll

Ano Madonna - 16
Rock and Roll Hall of Fame, 10 de Março de 2008


Em 2008, Madonna foi uma das personalidades que passou a pertencer ao Rock and Roll Hall of Fame. Aconteceu na 23ª cerimónia anual deste "Museu da Música", realizada em Nova Iorque, no Waldorf Astoria — os outros homenageados foram Leonard Cohen, The Dave Clark Five, John Mellencamp, Kenny Gamble e Leon Huff, The Ventures e Little Walter. Apresentada por Justin Timberlake, Madonna recordou algumas memórias (incluindo a primeira canção que compôs, chamada Tell the Truth) e agradeceu a meia dúzia de pessoas indispensáveis na sua carreira, incluindo Liz Rosenberg, há 25 anos responsável pelas suas relações públicas. No final, Iggy Pop cantou Burning Up e Ray of Light — está tudo nos cinco videos que se seguem.

I - Apresentação


II - Justin Timberlake


III - Madonna (1)


IV - Madonna (2)


V - Iggy Pop

quinta-feira, março 13, 2008

"Directed by" Helmut Newton

Ano Madonna - 15
Vanity Fair (1990)

Não é, por certo, um dos mais conhecidos portfolios de Madonna. Apesar disso (e também por causa disso), permanece como um dos mais enigmáticos e fascinantes — foi feito para a Vanity Fair, em 1990, e tem assinatura de Helmut Newton (1920-2004). Dir-se-ia que esse mestre de um erotismo gélido (no sentido em que Bataille falava do erotismo como afirmação da vida até na própria morte) sumeteu Madonna a uma ditadura de encenação que a força a reinventar-se como diva de um ambiente eminentemente germânico e, por que não dizê-lo?, berlinense (Newton nasceu em Berlim). Da dádiva dela e da obstinação dele nasce uma cerimónia que se lê como uma confissão mútua de dois génios do assombramento iconográfico.

quarta-feira, março 12, 2008

Como numa fábula

Ano Madonna - 14
Teledisco de Love Don't Live Here Anymore (1996)

Poderia ser um desafio eminentemente cinematográfico: como fazer um teledisco num plano-sequência? A resposta de Madonna está em Love Don't Live Here Anymore, um dos singles saídos da antologia Something to Remember, lançada em Novembro de 1995. Num único plano, Madonna emerge como personagem que tem tanto de rainha de fábula como de estrela de Hollywood, tudo encenado com a metódica lentidão que a canção exige. Realizado por Jean-Baptiste Mondino, o teledisco foi filmado a 4 de Março de 1996, em Buenos Aires, durante a rodagem de Evita. Curiosamente, Love Don't Live Here Anymore — originalmente do álbum Like a Virgin (1984) — tivera já uma edição em single (sem teledisco), em 1985, mas apenas para o mercado japonês.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Teledisco de palco

Ano Madonna - 13
Mer Girl, Drowned World Tour (2001)

Com a evolução tecnológica e as muitas modas do "video" e do
"multimedia", o ecrã de video tornou-se peça fulcral de muitos palcos. Da inovação ao lugar-comum, o caminho foi curto e rápido, de tal modo que, hoje em dia, muitas vezes, se reduz a um acessório "decorativo". Madonna, não exactamente um exemplo de seguidismo das modas dos outros, tem sabido utilizar os ecrãs como elementos eminentemente criativos dos seus espectáculos. Na Drowned World Tour — iniciada a 9 de Junho de 2001, no Palau San Jordi (voltaremos ao assunto) — avançou com um novo conceito. A saber: o teledisco composto para o palco. Assim, em passagens de um quadro para outro, os ecrãs funcionaram como "intervalos" onde pudemos assistir a materiais especificamente concebidos para as suas superfícies: em pose de gueixa nostálgica, com Paradise (Not For Me) [foto de cima], e em gueixa literalmente descomposta, com Mer Girl, mas conservando sempre o privilégio da derradeira ironia — dirigido por Dago Gonzalez, é este o video.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Sob o olhar de Herb Ritts

Ano Madonna - 12
Foto de Herb Ritts para a capa de True Blue (1986)

É um momento definidor na trajectória de qualquer estrela. Ou seja: aquele em que uma imagem consegue condensar todas as ambivalências do seu próprio apelo mitológico, afirmando a estrela como aquela que oscila entre a exposição transparente e o enigma para sempre suspenso.
No álbum de infinitas imagens que (também) é a carreira de Madonna, esta poderá ser tida como essa imagem que, num momento muito preciso, a veio celebrar como entidade que já se libertou de qualquer dependência em relação às imagens dos/das outros/outras (mesmo que, depois disso, possa ter recorrido múltiplas vezes a essas imagens, "copiando-as" e reinventando-as). A fotografia de Herb Ritts para a capa do ábum True Blue (lançado a 30 de Junho de 1986) corresponde, além do mais, a laços de criatividade e amizade encetados durante a rodagem de Desesperadamente Procurando Susana (1985), ambiente em que Madonna também por ele foi fotografada. Aliás, na sua curta, mas significativa, actividade como realizador, Ritts viria a estrear-se com Madonna, dirigindo o teledisco de Cherish (1989), uma muito simples, mas tocante, fábula à beira-mar [aqui em baixo]. Faleceu em 2002, vitimado por sida, contava 50 anos.

domingo, fevereiro 24, 2008

"Cherie"

Ano Madonna - 11
Vanity Fair, Abril 1991

A obsessão por Marilyn Monroe (1926-1962) funciona também como uma rejeição do silêncio imposto pela tragédia. Não se trata de a "copiar", mas de a citar — sabemos, de Picasso a Godard, que a prática da citação é uma componente vital da arte do nosso tempo. Em Abril de 1991, na Vanity Fair, Madonna surgia assim, apropriando-se da pose, do vestido e da aura de Marilyn em Bus Stop/Paragem de Autocarro (1956), de Joshua Logan — era uma de nove imagens [outra aqui em baixo], todas inspiradas em Marilyn, assinadas por Steven Meisel. No filme de Logan, ela chamava-se "Cherie"; um mês depois destas fotografias, era lançado o documentário Truth or Dare/Na Cama com Madonna.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

A arte do photo-call

Ano Madonna - 10
Berlim, 13 de Fevereiro de 2008

Chama-se photo-call e é uma arte muito contemporânea, das mais insólitas que as stars são "obrigadas" a praticar. Neste caso, Madonna e Eugene Hutz (dos Gogol Bordello) posam para os fotógrafos, em Berlim, durante a photo-call da equipa de Filth and Wisdom, primeira realização cinematográfica de Madonna. Como se pode ver — e ouvir! — pelo video aqui reproduzido (registo oficial do certame), são breves minutos de uma estranha forma de "comunicação". Num certo sentido (que é, necessariamente, um sentido perverso), percebemos que desejamos as imagens, não pelo que elas "mostram", mas pelo aparato de encenação e espontaneidade, transparência e máscara que as fundamenta. Porventura ser uma star consiste em sobreviver a tal aparato sem alienar o mistério da sua identidade. Like a virgin...

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Política rock

Ano Madonna - 9
Rock the Vote, 1990

O envolvimento das personalidades do entertainment com o trabalho político (e da cena política) é, obviamente, um dado verificável nos mais diversos contextos, desde a lendária mobilização de Elvis Presley para a vida militar, em 1958, até à participação de muitos nomes de Hollywood na campanha presidencial americana de 2008.
Há, no entanto, uma diferença entre servir uma campanha, reproduzindo as suas mensagens, e estar do lado dessa mesma campanha sem abdicar de um discurso individual e individualista. Para ilustrar esta última hipótese, temos que encontrar as excepções — por exemplo, Madonna, em 1990, promovendo a importância do voto, ao serviço da organização Rock the Vote (entidade não lucrativa empenhada na defesa da liberdade de expressão, nomeadamente no domínio artístico).
Em pleno sucesso planetário de Vogue (do álbum I'm Breathless), usando alguns acordes da sua canção, Madonna juntava-se com dois dos seus bailarinos (Jose e Luis), servindo-se de uma enorme bandeira e um guarda-roupa de dimensão mais limitada para criar uma pequena obra-prima televisiva (faltavam 15 anos para haver YouTube...), com passagem também nas salas de cinema. Ou como a arte da ironia se pode combinar com a eficácia mediática. Não consta que o seu "rock the vote" tenha contribuído para o aumento das abstenções.