sábado, janeiro 15, 2011

JFK — memórias com 50 anos


John e Jacqueline Kennedy: um par que definiu uma época, não apenas da política, mas do imaginário romanesco do mundo ocidental. Aproximando-se o 50º aniversário da tomada de posse de John F. Kennedy como 35º Presidente dos EUA — foi a 20 de Janeiro de 1961 —, a Biblioteca e Museu que ostenta o seu nome promove uma série de iniciativas comemorativas, incluindo a abertura de um arquivo digital para consultas online. Na respectiva inauguração, que contou com a presença de Caroline Kennedy (única sobrevivente entre os filhos do casal, presidente da Fundação da Biblioteca John F. Kennedy), foi revelado o âmbito do novo arquivo, incluindo: mais de 8 milhões de páginas dos papéis pessoais e políticos de JFK; mais de 400 mil fotografias; cerca de 2,2 milhões de metros de filmes; e 1200 horas de registos em video. Recorde-se que este ano se assinala o 48º aniversário da morte de Kennedy, assassinado em Dallas, no dia 22 de Novembro de 1963.

Renato Seabra, escravo mediático


A - Este é um mero exemplo (infelizmente, muito longe de ser único) do mundo mediático em que vivemos — um mundo em que a identidade de um ser humano pode ser sujeita a uma banalização que, noutros tempos, ligaríamos ao simplismo da "literatura de cordel", mas que hoje em dia é indissociável do triunfo global do imaginário moralista das telenovelas.

B - Repare-se: estas observações não pretendem escamotear a gravidade das acusações pela qual Renato Seabra terá que responder, nem esquecer a complexidade afectiva de uma história pessoal que apenas podemos intuir. Nada disso: o que aqui se discute é a obscenidade de um universo de "informação" e "jornalismo" que tende a escolher metodicamente os seus escravos simbólicos para, com eles, produzir discursos sobre a existência humana que desafiam o direito à privacidade e, mais do que isso, o direito a ser tratado com dignidade (inclusive quando se é suspeito ou culpado de um crime).

C - Daí que volte a ser pertinente chamar a atenção para o facto de a maioria dos nossos políticos darem mostras de uma militante indiferença (será patética ignorância?) face às especificidades da sociedade mediática em que vivemos: neste mundo saturado de ilusões de oportunidades para dizermos “eu” e proclamarmos a nossa “individualidade”, tornou-se cada vez mais problemático fazer passar o valor mais clássico, e também mais visceral, da política: Nós [1 + 2]. Fazer política é algo mais do que corrigir os desmandos da economia — é também defender o factor humano.

Reencontro com Ute Lemper


Ute Lemper, senhora de uma sensibilidade muito clássica, embora sempre disponível para as mais perversas derivações modernistas, está de volta a Portugal, com dois concertos no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, o primeiro dos quais realizado na sexta-feira, dia 14 — antecipando o reencontro (domingo, dia 16), aqui fica um registo de Amsterdam, de Jacques Brel, um dos temas previstos no alinhamento do concerto.



Marc and The Mambas, 1983


Na sequência da reedição dos dois álbuns da discografia de Marc and The Mambas, aqui ficam imagens captadas numa actuação em 1983 ao som de Black Heart, um dos singles extraídos do álbum Torment and Toreros. Recorde-se que este projecto foi uma aventura em paralelo de Marc Almond ainda em tempo da primeira vida dos Soft Cell.

Mais que o intelecto, as emoções


Vladimir Horowitz (1903-1989), um dos maiores pianistas do século XX, vê a sua discografia tardia, registada e editada pela Deutsche Grammophon, reunida numa caixa de sete discos. Inevitavelmente o seu inconfundível papillon como imagem na capa da caixa.

Foi o próprio Vladimir Horowitz quem disse que, quando se sentava ao piano, nunca sabia como iria tocar a peça que estaria pela sua frente. “Toco-a como a sinto no momento”, revelou, adiantando que “a cabeça, o intelecto, é apenas o factor de controle no fazer da música. Não é o guia. O guia são os sentimentos”, concluiu. A frase, que podemos ler na contracapa da caixa Complete Works on Deutsche Grammophon, traduz de facto a alma dos (re)encontros que aqui nos surgem em disco. A caixa recorda um tempo intenso na vida do pianista, que nesses dias (estamos em meados dos oitentas) regressou pela primeira vez à sua Rússia natal (após 60 anos de ausência) e protagonizou digressões por grandes cidades europeias onde há muito também não actuava. São sete CD que incluem, entre outros, títulos marcantes como The Last Romantic, Horowitz In Moscow, Horowitz at Home ou o mais recente Horowitz In Hamburg – The Last Concert (registo da sua derradeira actuação, em Junho de 1987, levada a disco pela primeira vez no catálogo da DG em 2008). Por estes sete discos surge uma sucessão de interpretações de obras para piano de compositores como Mozart, Liszt, Schumann, Schubert, Chopin, Scarlatti, Rachmaninov, Scriabin ou Bach. Já em Horowitz Plays Mozart encontramo-lo, acompanhado pela Orquestra do Teatro Alla Scala, dirigida por Carlo Maria Giulini, interpretando o Concerto para piano Nº 23, naturalmente de Mozart (como o título do disco deixa claro).

A vez das bicicletas

Discografia Kraftwerk - 28
'Tour de France' (single), 1983



Não era a primeira vez que os Kraftewerk reflectiam num disco sobre o seu interesse pelos meios de transporte. Mas desta vez faziam-no em torno de um objecto que lhes era caro, conhecidas que se tornaram então os seus passeios pela cidade de Düsseldorf sobre duas rodas. Falamos da bicicleta, que motivaria a criação de um dos maiores clássicos da obra do grupo, tomando-a como objecto, mas colocando-a no contexto da mais célebre prova desportiva de ciclismo: a volta a França. Editado em 1983, Tour de France era um natural sucessor de um caminho atento à exploração da forma da canção que o grupo vinha a talhar desde meados dos anos 70. Seria, supostamente, o primeiro afloramento de material de um novo disco cuja concepção se alongaria no tempo e acabaria por seguir outro caminho, o single na verdade nunca chegando a integrar o seu alinhamento, acabando assim como o primeiro tema inédito que o grupo editaria fora do quadro de um LP.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Joe Gores (1931 - 2011)


Escritor de romances policiais, autor de Spade & Archer (2009), uma "prequela" do clássico The Maltese Falcon, de Dashiell Hammett, Joe Archer faleceu no dia 13 de Janeiro em Greenbrae, California — contava 79 anos.
Ganhou o Edgar Award de melhor primeiro romance com A Time of Predators (1969). Desde Dead Skip (1972), alguns dos seus romances mais populares, conhecidos pela designação "DKA Files", envolvem a Dan Kearny and Associates, entidade ficcional constituída por detectives privados. Dashiell Hammett (1894-1961) foi sempre o seu modelo inspirador, a ponto de ter publicado um romance, Hammett (1975), recriando o seu trabalho na célebre Pinkerton National Detective Agency, no período 1915-22. Editado em Portugal, em 1982, pela Relógio de Água, Hammett seria adaptado ao cinema — Hammett, Detective Privado (1982) [cartaz francês] — numa realização de Wim Wenders, com produção de Francis Ford Coppola.


>>> Obituário no New York Times.

Para ouvir em 2011: Capitães da Areia


A produção nacional igualmente no foco das atenções para 2011. E por aqui lançamos uma vez mais grandes esperanças para um nome que tem dado interessantes primeiras pistas e de quem aguardamos por um primeiro disco. Chamam-se Capitães da Areia e aqui fica o teledisco que acompanha o tema Bailamos no Teu Microondas.



PS. Apenas uma breve nota sobre a imagem... Não estará já na hora de se fazerem umas fotos promocionais da banda? Depois das calças e desenhos, que tal a banda à la clássica? E porquê? Porque os Capitães da Areia já mostraram argumentos suficientes na música (e têm belíssimas canções, está visto) para sublinhar um espaço demarcado no panorama pop/rock actual. A sugestão de uma lógica de imagem diferente foi boa em tempo de teaser, a menos que seja mesmo um programa estético inevitável e assim nada contra (se bem que na verdade já não surpreenda). Agora, perante outro patamar (que está ao seu alcance), convém que não se deixem ficar reféns de uma ideia que se pode transformar mais tarde numa espécie de novos óculos escuros...

Record Store Day 2011

Já tem data a ediçãoo 2011 do Record Store Day. Será a 16 de Abril e representa a quarta edição desta iniciativa que anima as lojas de discos pelo mundo fora. Esperam-se, como em anos anteriores, lançamentos especiais, edições limitadas, actuações... Enfim, o programa surgirá certamente dentro de momentos...

Reedições
Marc and The Mambas,
Torment and Toreros


Marc and The Mambas
"Torment and Toreros"

Genepool Records

5 / 5


Há quem defenda que este será o menos recomendável dos álbuns de Marc Almond para quem, pela primeira vez, quiser tomar contacto com a sua música. Todavia, em Torment em Toreros encontramos uma das obras-primas maiores da sua discografia, num manifesto de grande fôlego que deixou claro que o seu caminho na música não seria necessariamente feito de sequelas de Tainted Love, o single dos Soft Cell que, em 1981, dele havia feito uma inesperada (e até mesmo improvável) estrela pop com projecção global. Mas contemos a história desde o início. Surpreendido pelo sucesso de Tainted Love (e do álbum Non-Stop Erotic Cabaret, que se seguiu), Marc Almond possivelmente sentiu que através do patamar entretanto alcançado pelos Soft Cell não poderia projectar algumas das visões que pretendia explorar na música. Na verdade, e com o tempo, os dois álbuns tardios do duo com Dave Ball acabariam por reflectir um evidente afastamento das linguagens mais nítidas da pop electrónica que haviam talhado nesse histórico disco de 1981. Mas em 1982, e em tempo de curta pausa nos Soft Cell, Almond criou o projecto paralelo Marc And The Mambas através do qual editaria dois álbuns entre 1982 e 83 nos quais definiu rumos que determinariam a essência do que, a partir de 1984, seria a sua obra a solo. Torment and Toreros, o segundo álbum de Marc and The Mambas é uma obra atípica da música do seu tempo. Convocando referências várias, do vaudeville, cultura latina, chanson, piano e arranjos para cordas, juntando ainda outros espaços distantes do centro dos universos da pop de então, sempre som uma atmosfera sombria, o disco tacteia caminhos novos num alinhamento longo (o disco era duplo logo na sua versão original em vinil) que convoca ainda a música de Jacques Brel (The Bulls) ou Peter Hammil (Vision). É um álbum de emoções à flor da pele, versátil nas formas e desafiante na versatilidade de ideias, revelando em Marc Almond uma voz criativa com uma visão que transcendia os tons da pop mais luminosa de muitas das canções dos Soft Cell. Contando com colaboradores como Matt Johnsson (dos The The) ou Annie Hogan (que seria importante parceira na sua obra a solo), Torment and Toreros é um disco tenso e intenso, que se aprende a ouvir (e que Antony Hegarty citou já como um dos títulos que mais o influenciaram). E que mostra que nem toda a pop dos oitentas se arruma nas caixas mais simplistas da taxonomia musical.

Inventar o século XX


Momento maior desta passagem da Philarmonia Orchestra por Lisboa, o Coliseu dos Recreios mergulhou perto de cem anos no tempo para reencontrar obras que ajudaram a definir o que seria, afinal, a música do século XX. Motor fulcral de muitos dos acontecimentos que se lhe seguiriam, A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky, foi o terceiro bailado que o compositor viu ganhar forma pelos Ballets Russes entre 1910 e 1913, numa sequência que não só o colocaria na linha da frente dos acontecimentos musicais do seu tempo como influenciaria inúmeros outros seus contemporâneos entre os quais Bartók, de quem o concerto apresentou duas obras, uma delas, O Mandarim Maravilhoso, de 1926. Entre ambas as obras correm sinais de busca de novas formas por caminhos que não os que o romantismo antes tomara, a pulsão do ritmo e a exploração de outras potencialidades do som dos instrumentos ganhando um evidente protagonismo. Esa-Pekka Salonen levou a orquestra a respirar com fulgor estes desafios, a exuberância dos ritmos e o colorido da orquestração ganhando forma em interpretações expressivas de ambas as obras. O programa incluiu ainda a Cantata Profana de Bartók (de 1930), que chamou ainda a palco os cantores Attila Fekete (tenor) e Michele Kalmandi (barítono), revelando uma vez mais a grande forma do Coro Gulbenkian. Uma noite que não deixou dúvidas sobre porque daquela música partiria um século feito de acontecimentos desafiantes.

AS 61


Assinalando aquele que seria o 61º aniversário de António Sérgio, a Radar apresenta um dia de emissão especial com actuações em estúdio de inúmeras bandas e artistas portugueses. À noite, uma outra homenagem ganha forma no palco do Cinema São Jorge.

Na Radar:
10:30: Noiserv
11:30: António Manuel Ribeiro
12:30: Samuel Úria
13:00: Hipnótica
13:30: Phil Mendrix
14:00: Madame Godard
14:30: Aquaparque
15:00: TV Rural
15:30: Feromona
16:00: Minta & The Brook Trout
16:20: Julie & The Carjackers
16:40: Filho Da Mãe
17:00: Balla
17:30: Cool Hipnoise
18:00: Rita Redshoes
18:30: Márcia
19:00: Os Pontos Negros
19:30: Batida
20:00: Pop Dell'Arte

E, mais tarde, no Cinema São Jorge:
21:00: Dead Combo
21:30: Os Golpes
22:10: Linda Martini
22:45: Peste & Sida
23:20: Moonspell
00:00: Xutos & Pontapés

E aqui ficam palavras de um texto publicado na edição de hoje do DN.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Mara + Fincher + Mondino


Primeiras imagens da versão americana de The Girl with the Dragon Tattoo, dirigida por David Fincher a partir do best-seller de Stieg Larsson. Foram registadas durante a rodagem, em Estocolmo, com Rooney Mara (que já trabalhou sob a direcção de Fincher, em A Rede Social) a assumir a personagem de Lisbeth Salander. Last but not least, as fotografias têm assinatura de Jean-Baptiste Mondino — está tudo, imagens e reportagem de Lynn Hirschberg, no site da revista W.

Esa-Pekka Salonen no Coliseu


Foi notável a presença do maestro finlandês Esa-Pekka Salonen no palco do Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, dirigindo a orquestra e o coro da casa numa interpretação da ópera Da Casa dos Mortos, do checo Leos Janácek (1854-1928). É certo que a o enquadramento visual, com extractos de filmes projectados num ecrã tripartido, deixou uma sensação bizarra de inadequação mais ou menos supérflua. Em todo o caso, prevaleceu a crueza dramática de uma obra que, partindo de Dostoiveski, encena os limites e fantasmas da própria condição humana. Além do mais, Salonen contou com um magnífico grupo de vozes, com destaque para Pavlo Hunka (barítono).

>>> Hoje, 13 Janeiro/21h00, Esa-Pekka Salonen estará no Coliseu de Lisboa para dirigir a Philarmonia Orchestra e o Coro Gulbenkian — no programa surgem duas peças de Béla Bartók, O Mandarim Maravilhoso e Cantata Profana, e ainda A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky.

Para ouvir em 2011: The Vaccines


Surgiram em Londres em 2010 e editam em Março o seu primeiro álbum. Chamam-se The Vaccines e foram apontados como um dos nomes a seguir este ano em algumas publicações britânicas. Aqui fica o teledisco que acompanha Post Break-Up Sex. Nada por aí além, contudo...

Cinco discos numa caixa (virtual)

Os Of Montreal vão lançar uma “caixa” que reunirá os seus últimos cinco álbuns sob um título comum. Satanic Panic In The Attic (2004), The Sunladic Twins (2005), Hissing Fauna, Are You The Destroyer (2007), Skeletal Lamping (2008) e False Priest (2010) vão assim estar reunidos numa capa comum que ainda juntará 27 temas extra e dez telediscos. A edição é, por enquanto, exclusiva para o mercado digital. Com o seu gosto habitual por títulos que são tudo menos coisa simples, a caixa surgirá sob a designação Ambivalent Stumbling Hysterical Dispatches, Strictly in Unisex.

Novas edições:
Daft Punk, Tron - Legacy


Daft Punk
“Tron – Legacy Original Soundtrack”

Walt Disney Recods / EMI

3 / 5


Foi das primeiras notícias a chamar atenções para a sequela de Tron que agora chega aos cinemas portugueses: os Daft Punk iam assinar a banda sonora! A história começou num encontro em 2007 entre o realizador Joseph Kosinski e os dois elementos do duo electrónico francês. O primeiro procurava uma música para a sequela de um filme cuja banda sonora havido composta por Wendy Carlos (cuja história de relacionamento com o cinema passa também pela ainda mais marcante música que criou para A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick). Os segundos manifestavam uma admiração quase sagrada pelo filme de 1982 de Steven Lisberger, pela sua frente abrindo-se a hipótese para a criação de uma música que cruzasse uma noção de sinfonismo orquestral com uma ideia de minimalismo electrónico. Diferente portanto do carácter épico, mas apenas para teclas analógicas, que Wendy Carlos definira para o Tron original e ainda mais distante da música que os Daft Punk tinham gravado no álbum Discovery e que acabara usada para acompanhar imagens do filme Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem, na verdade uma visualização, faixa a faixa, dos temas do álbum, numa aventura de animação assinada por Kazuhisa Takenouchi. Quem abordar o disco com a banda sonora de Tron – Legacy na esperança de encontrar um “novo disco” dos Daft Punk será desapontado. Mas convenhamos que estamos perante a sua contribuição para um filme e não o inverso. A música traduz na essência genéticas que conhecemos na música do duo francês, nomeadamente o pulsar da sua matriz rítmica (embora aqui por vezes despida da intensidade das batidas) e o frequente recurso a estruturas repetitivas. A integração das electrónicas com a intensidade dramática que os arranjos para orquestra procuraram (lembremo-nos que, visualmente, o novo Tron não segue necessariamente a matriz minimalista do original) parece conseguida, a pontos surgindo como elementos adicionais algumas sugestões de bleeps que logo associamos às linguagens sonoras dos jogos de computador. Contudo, à excepção de alguns momentos (como o já conhecido Derezzed), a música de Tron Legacy precisa das imagens para ter corpo. O disco da banda sonora, mesmo reflectindo uma boa estreia dos Daft Punk neste departamento, não vive senão como um complemento directo ao filme (mas convenhamos que, ao contrário da música de A Laranja Mecânica, também a banda sonora de Wendy Carlos para o Tron original pede aquelas imagens para ganhar pleno sentido).

A ciência, segundo Philip Glass


Não é a primeira vez que Philip Glass toma um homem da ciência como objecto central de uma ópera sua. Fê-lo não há muito tempo com Galileu Galilei e, logo em 1974 (na sua grande primeira experiência de música para palco) no hoje clássico Einstein On The Beach. Agora aproxima-se a edição em disco (através da sua Orange Mountain Music) de Kepler, uma ópera baseada na vida do físico que descobriu importantes leis que regem o comportamento de corpos no espaço. A ópera, que teve estreia na Brooklyn Academy Of Art em 2009, Kepler chega a disco numa gravação com Brukner Orchester Linz, dirigida por Dennis Russel Davies.

A próxima fronteira do turismo


Mesmo em tempo de crise, o turismo espacial não desaparece da agenda de quem ali vê um mundo de novas possibilidades. A Virgin Galactic continua a trabalhar o seu projecto com um veículo desenvolvido por uma companhia californiana. O veículo tem por nome de trabalho Enterprise e deverá fazer os primeiros voos de ensaio ainda este ano.


Ao mesmo tempo o projecto europeu, ligado à Astrium, que, depois de anunciado em 2007, chegara a ser travado por consequência directa do panorama financeiro global, está afinal também a ser desenvolvido. Com as dimensões de um pequeno avião particular, este veículo levantará voo como qualquer outro avião, atingindo uma altitude de 12 km e só então ligando propulsores que o levarão a 100 km da superfície.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

"Playtime" em 70 mm


Não é exactamente uma novidade... em boa verdade, tem mais de 40 anos. Mas é um evento de tal modo raro que merece ser assinalado, mesmo acontecendo do outro lado do Atlântico: em Nova Iorque, o Museum of the Moving Image vai voltar a exibir Playtime (1967), de Jacques Tati, numa cópia de 70 mm — o formato, muito utilizado nas superproduções dos anos 60, caíu praticamente em desuso. Curiosamente, a Criterion Collection, editora americana do filme em DVD, surge associada a essa exibição, a provar, afinal, como hoje em dia se reabrem as mais inesperadas hipóteses de articulação entre salas escuras e suportes "alternativos". A passagem de Playtime integra-se no programa de reabertura ao público daquela instituição e, mais concretamente, na inauguração de uma nova sala equipada com projecção digital e 3D.